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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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tal como o resseguro. Assim, 
enquanto às entidades abertas fica facultada a contratação do resseguro, as 
entidades fechadas poderão, não obstante a possibilidade desta contrataçãi >, 
constituir fundo de solvência que tenha esta mesma finalidade.
Este entendimento tem por fundamento o fato de o legislador não 
efetuar qualquer exceção no caput do artigo 11, ao tratar da faculdade de 
contratação do resseguro, combinado com a inexistência de expressão, no 
parágrafo único do referido artigo, sobre o fato de as entidades fechadas 
somente poderem alcançar a garantia adicional ao cumprimento de seus 
compromissos por intermédio da constituição do fundo de solvência.
O fundo de solvência, tal como previsto no dispositivo legal ora co 
mentado, deverá ser instituído “naforma da lei', cuja edição ainda é aguar 
dada. Ê o que relata o trabalho denominado “Livro Branco da Previdência 
Social”, do Ministério da Previdência e Assistência Social, divulgado em 
200218:
“C om o objetivo de tornar o sistema mais seguro e atrativo, deve ser 
analisada a possibilidade de criação do fundo de solvência, conform e 
disposto no parágrafo único do art. 11 da Lei C om plem entar n° 109/
01. Esse fundo seria utilizado para assegurar, integral ou parcialm ente, 
com prom issos assumidos com participantes e assistidos de planos de 
benefícios, constituindo-se em mais um instrum ento de segurança |iai a 
as entidades fechadas”.
94 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P rivada
Neste ponto, W ladimir Novaes M artinez19 lembra que:
“A rigor, planos equilibrados dispensam o reforço nas garantias, e o es­
tabelecim ento de fundo de solvência dim inui o patrim ônio disponível, 
não sendo recom endada a providência.
Essa norma, se não regulamentada com precisão, bastante cuidado e sa­
bedoria, principalm ente fixando-se os parâmetros numéricos ou indica­
dores claros, produzirá respeitável polêmica. Primeiro, porque é difícil 
conceituar o cenário determ inante da medida; segundo, porque precisará 
eleger com panhia resseguradora capaz de atender a [sic]nteessidade.”
Seção II - Planos de Benefícios das Entidades Fechadas
9. Instituição
Art. 12. Os planos de benefícios das entidades fecha­
das poderão ser instituídos por patrocinadores e 
instituidores, observado o disposto no art. 31 desta Lei 
Complementar.
- Lei n° 6.435, de 1977
Na Lei 6.435, de 1977 não estava indicado quem seriam generica­
mente os instituidores dos planos de benefícios das entidades fechadas de 
previdência complementar, havendo apenas diretivas quanto à ação dos 
patrocinadores, especificamente nos parágrafos I o e 2o, do artigo 34, esta­
belecendo que: (i) as patrocinadoras deveriam supervisionar as atividades 
das entidades e (ii) no caso de várias patrocinadoras seria exigida a cele­
bração de convênio de adesão entre elas e a entidade.
19 In ob. cit. p. 116.
C a p ít u lo II (A r ts . 6o a 30) - ')r>
Logo, sob a égide da Lei n° 6.435, de 1977, os planos de benefícios 
ilas entidades fechadas somente poderiam ser instituídos por patrocina 
dores, tendo em vista que tradicionalmente tal espécie de entidade era 
criada a partir do vínculo entre empresas (patrocinadoras) e seus trabalha 
dores (participantes), como política de recursos humanos.
- Lei Complementar n° 109, de 2001
A possibilidade de que plano de benefícios seja implantado pelos 
denominados instituidores é inovação introduzida pela Lei Complemen 
tar n° 109, de 2001, tendo sido o instituidor caracterizado no art. 2o, inciso
11, dos Decreto n° 4.206, de 23 de abril de 2002, como “a pessoa jurídica 
de caráter profissional, classista ou setorial que institua para seus associa 
dos ou membros plano de benefício de caráter previdenciário”.
No mesmo Decreto n° 4.206, de 2002, o patrocinador foi determi 
nado como “a empresa ou o grupo de empresas, a União, os Estados, o
I Jistrito Federal e os Municípios, suas autarquias, fundações, sociedades 
de economia mista e outras entidades públicas que instituam para seus 
empregados ou servidores plano de benefícios de caráter previdenciário, 
por intermédio dè entidade fechada.”
O Decreto n° 4.206, de 2002 foi revogado pelo Decreto n° 4.942, de 
30 de dezembro de 2003, no qual, contudo, não foram repetidos os con
i ei tos acima retratados.
No artigo 31, da Lei Complementar n° 109, de 2001 estão especili 
isidas as regras gerais sobre as entidades fechadas constituídas pelo insti 
luidores e pelos patrocinadores.
Na verdade, o artigo 12 guarda característica didática, distinguindo
i >s planos de benefícios, de acordo com as características de seus estipulantes, 
possibilitando que possam ser criados não apenas a partir do vínculo 
empregatício, mas também com base no vínculo associativo.
I. Insliluição de planos de benefícios
No regime geral de previdência social, cujas regras estao lixadas no 
in ligo 201 da Constituição Federal, emerge claro que e ele de eaialei
96 - C o m en t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
contributivo e de filiação obrigatória, alcançando todas as categorias soci­
ais envolvidas nesse regime de proteção social - trabalhadores, aposenta­
dos, empregadores e os Poderes Públicos.
Diversamente, o regime de previdência privada, de acordo com o 
disposto no artigo 202, da Constituição Federal, com redação que lhe foi 
dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998, é de 
“caráter complementar e organizado deforma autônoma em relação ao regime 
geral de previdência social\ será facultativo, baseado na constituição de reservas 
que garantam o benefício contratado
Logo, diante da facultatividade, o plano privado disciplinará distin­
tos modos de vinculação das pessoas físicas e jurídicas aos seus termos, 
mediante contrato.
Então, a instituição do plano de benefícios previdenciários privado 
resulta no estabelecimento de um contrato, cuja iniciativa é tomada pelos 
patrocinadores ou pelos instituidores, vigorando o princípio da autonomia 
da vontade. Resta estabelecida, portanto, uma relação jurídica contratual, 
como define RO M ITA20:
A relação jurídica de previdência privada apresenta-se como relação 
complexa unitária, de trato sucessivo, onerosa, sinalagmática, aleatória, de 
direito privado e facultativa. A onerosidade não é da essência da relação, 
pois os patrocinadores podem criar entidades cujos planos prescindem da 
contribuição dos participantes; em conseqüência, o caráter sinalagmático 
pode também estar ausente. A relação de previdência privada é sempre 
complementar da relação previdenciária de direito público.
São sujeitos da relação: a) os participantes e assistidos (sujeitos ati­
vos quanto às prestações e sujeitos passivos quanto às contribuições, quan­
do previstas); b) as entidades fechadas de previdência privada (sujeitos 
passivos quanto às prestações e sujeitos ativos quanto às contribuições, 
quando previstas para os participantes); c) as empresas patrocinadoras
20 R O M IT A . A rion Sayão. Estrutura da Relação de Previdência Privada (en ti da
desfechadas). /«. Revista de Previdência Social — volume 25, núm ero 252 San 
Paulo: I Tr, 2001. pág. 783.
C a p ítu lo II (A r ts . 6o a 30 ) - *)7
(sujeitos passivos das contribuições); d) o Estado (ação reguladora e 
liscalizadora).
O objeto da relação é a complementação da cobertura dos riscos so 
ciais já efetivada pela previdência social.
O conteúdo da relação é preenchido pelas contribuições e pelas pres 
t ações. As contribuições são devidas pelo participante, pelo respectivo 
empregador ou por ambos. As prestações devidas pela entidade fechada 
consistem em benefícios e serviços assistenciais.
O regulamento do plano de benefícios é o contrato entre partes, trata n 
dose de um contrato civil, não se conlundindo com o contrato de trabalho.
O aspecto civil, ou privado, está limitado, é certo,