A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
313 pág.
Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

Pré-visualização | Página 24 de 50

pela função social 
do contrato de previdência privada, que é a proteção social, nos termos d< > 
artigo 421 do Código Civil, como aponta W A G N ER BALERA21:
Parece-nos que o Código brasileiro, que entrou em vigor em janeiro 
de 2003 - ao sentenciar, em seu artigo 421: A liberdade de contratar sei a 
exercida em razão e nos limites da função social do contrato -, ajusta se 
< nino uma luva ao ambiente da previdência privada.
A costura inicial, ideal para determinada modalidade de proteção 
previdenciária, tem como pressuposto a função social, diríamos melhor, de | 
proteção social, do contrato que as partes pretendem celebrar.
10. Convênio de Adesão
Ari. 13. A formalização da condição de patrocinador 
ou instituidor de um plano de benefício dar-se-á medi­
ante convênio de adesão a ser celebrado entre o patro­
cinador ou instituidor e a entidade fechada, em relação 
a cada plano de benefícios por esta administrado e exe- 
culado, mediante prévia autorização do órgão regula-
• I ll/ \ l T R A , Wagner. Sistema de Seguridade Social- 3“ edição San 1’aulo: ITi,
2003. 1 % 72
98 - C o m e n t á r io s à L ei de P r ev id ên c ia P r ivada
dor e fiscalizador, conforme regulamentação do Poder 
Executivo. 
§ 1o. Admitir-se-á solidariedade entre patrocinadores ou 
entre instituidores, com relação aos respectivos planos, des­
de que expressamente prevista no convênio de adesão. 
§ 2o O órgão regulador e fiscalizador, dentre outros re­
quisitos, estabelecerá o número mínimo de participantes 
admitido para cada modalidade de plano de benefício.
- Lei n° 6.435, de 1977
No artigo 34, § 2o, da Lei n° 6.435, de 1977 já estava previsto que 
deveria ser exigido o estabelecimento de convênio de adesão entre as enti­
dades fechadas multipatrocinadas e seus vários patrocinadores “no qual se 
estabeleçam, pormenorizadamente, as condições de solidariedade das par­
tes, inclusive quanto ao fluxo de novas entradas anuais de patrocinadoras”.
E que na Lei n° 6.435, de 1977 não estava devidamente regulada a 
instituição de entidades fechadas multipatrocinadas, fato que criava con­
fusão entre os patrimônios e as obrigações dos diversos planos, tornado-os 
muitas vezes solidários, especialmente perante os participantes e terceiros, 
sem que realmente o fossem.
É que o legislador da Lei n° 6.435, de 1977 deu-se conta de que 
empresas de pequeno e médio porte não seriam capazes de, isoladamente, 
instituírem entidade fechadas, haja vista que o alcance do equilíbrio atuarial 
de um plano de benefícios de natureza previdenciária depende da presen 
ça de robusta massa de participantes. Esta é a principal razão para que 
houvesse permissão para que várias empresas pudessem conjuntanienti 
instituir e participar de entidades fechadas.
Soares Póvoas22 já alertava, contudo, que “o parágrafo 2o do art ig< > '< I 
estabeleceu as condições que terão de ser cumpridas por essas eni|> iesa ,
22 PÓ V O A S, M anuel Sebastião Soares. Previdência Privada I1'iloso/i</, i)m,i 
mentos Técnicos e ConceittiaçãoJurídica: Fundação hseola Nacional < l<- Si')miih 
Editora, 1985.
C a p ítu lo II (A r ts . 6o a 30 ) - ‘l ' i
para formar a entidade. Em termos práticos, este dispositivo não teve in 
tcresse, pois estabelecera a solidariedade entre essas empresas nas obriga 
ções assumidas para com a entidade e os participantes; só com a proibição 
decretada pelo governo de criação de novas entidades fechadas pelas cm 
presas públicas, experimentou ela algum êxito, na medida em que serviu 
para que as empresas que não patrocinavam nenhuma entidade pudessem 
lazê-lo, entrando numa entidade já existente.”
- Lei Com plementar n° 109, de 2001
Na Lei Complementar n° 109, de 2001, o estabelecimento de Convênii > 
de Adesão é exigido tanto nas entidades fechadas que administram um único 
plano de benefícios, com naquelas com multiplano (multipatrocinadas) con 
lortne definido no art. 34, inciso I, letra “b” de mesma Lei Complementar.
O Convênio de Adesão é instrumento contratual por meio do qual a 
entidade fechada e o patrocinador ou instituidor pactuam seus direitos c
i leveres para a administração e execução do plano de benefícios de nature 
/a previdenciária.
Na verdade não se verifica propriamente uma adesão, pois muitas 
ve/cs os patrocinadores e instituidores estipulam um novo plano de bcnc 
lit los, sem aderir a nenhum outro já pré-constituído.
A relação que se estabelece entre patrocinadores e/ou instituidores e 
ai entidades fechadas está muito mais próxima de um contrato de presta 
i, ao de serviços de gestão, do que de um contrato de adesão, tomada a sua 
di liniçáo como a que “em que a manifestação de vontade de uma dasparles se 
Iti/ir:, a mera anuência a uma proposta da outra2i”.
10.1. Convênio de Adesão - Cláusulas mínimas
No artigo 61, do Decreto n° 4.942, de 2003 está disposto que: “a 
Im iiiali/ação da condição de patrocinador ou instituidor de plano de be
l'l )VC )AS, M anuel Sebastião Soares. Previdência Privada - hiloso/iii, 1'inidii
menlos 'IWnicvs e coiiccitiiafíio Jurídica: lumdação Kseola Nacional de Seguros
100 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P rivad a
nefícios dar-se-á por meio de convênio de adesão celebrado com a entida­
de fechada de previdência complementar, em relação a cada plano de be­
nefícios, mediante prévia autorização Superintendência Nacional de 
Previdência Complementar “PREV IC”.
No mesmo artigo n° 61, §§ I o, 2o está definido o convênio de adesão 
como o “instrumento por meio do qual as partes pactuam suas obrigações 
e direitos para a administração e execução de plano de benefícios”, cujas 
condições mínimas são estabelecidas pelo Conselho de Gestão de Previ­
dência Complementar.
A regulamentação das cláusulas mínimas do Convênio de Adesão, 
portanto, está estampada no art. 3o, da Resolução CG PC n° 08, de 2004, 
sendo certo que tais instrumentos jurídicos deverão conter: (i) qualifica­
ção das partes e seus representantes legais; (ii) indicação do plano de be­
nefícios a que se refere a adesão; (iii) cláusulas referentes aos direitos e às 
obrigações de patrocinador ou instituidor e da entidade fechada de previ­
dência complementar; (iv) cláusula com indicação de que o prazo de vi­
gência será por tempo indeterminado; (vi) condição de retirada de 
patrocinador ou instituidor; (vii) previsão de solidariedade ou não, entre 
patrocinadores ou entre instituidores, com relação aos respectivos planos; 
(viii) foro para dirimir todo e qualquer questionamento oriundo do convê­
nio de adesão.
O Convênio de Adesão, muito embora não se caracteriza propria­
mente como adesão, é de suma importância para o regular andamento da 
relação jurídica que se estabelece entre o patrocinador/instituidor e a enti­
dade fechada, especialm ente em razão do fato de que nele estão 
estabelecidas as regras acerca do repasse pontual das contribuições desti­
nadas ao custeio do plano de benefícios, e os efeitos do descumprimento 
de tal obrigação, cuja responsabilidade é direta dos pactuantes, posto que 
pode gerar inclusive a intervenção na entidade.
10.2. Convênio de Adesão - Aprovação pelo órgão regulador
Os Convênios de Adesão e suas alterações posteriores devem ser 
objeto de aprovação pela Superintendência Nacional de Previdência
C a p ít u l o II (A r t s . 6 ° a 30 ) - I I )
Com plem entar - “PR E V IC ”, devendo lhe ser encaminhada a segui 111 < 
documentação, de acordo com o disposto no artigo 5o, III, da Resolir 
ção C G PC n° 08, de 2004: “a) convênio de adesão assinado pelas p a r 
tes, ou m inuta de convênio de adesão, com vigência condicionada ;! 
apresentação, a posteriori, de instrum ento devidamente assinado, par; 
aprovação; b) demonstrativo de resultados da avaliação atuarial; c) ala 
do órgão competente da entidade aprovando o ingresso do patrocinador 
ou instituidor; d) comprovação do tempo