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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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para o instituto de que trata o inciso II 
deste artigo.
§ 3o. Na regulamentação do instituto previsto no inciso
II do caput deste artigo, o órgão regulador e fiscalizador 
observará, entre outros requisitos, os seguintes:
1 - se o plano de benefícios foi instituído antes ou depois 
da publicação desta Lei Complementar;
II - a modalidade do plano de benefícios.
§ 4o. O instituto de que trata o inciso II deste artigo, 
quando efetuado para a entidade aberta, somente será 
admitido quando a integralidade dos recursos financei­
ros correspondentes ao direito acumulado do participante 
for utilizada para a contratação de renda mensal vitalí­
cia ou por prazo determinado, cujo prazo mínimo não 
poderá ser inferior ao período em que a respectiva reser­
va foi constituída, limitado ao mínimo de quinze anos, 
observadas as normas estabelecidas pelo órgão regula­
dor e fiscalizador.
Lei n" 6.435, de 1977
Na Lei 6.435, de 1977 estava determinado apenas que n o s legula 
IIleiilos dos planos de benefícios, nas propostas de inscrição e ihimi i i i
à l n a d o s d o s p a r t i c i p a n t e s d a s e n t i d a d e s ( c e l r ada s d e v e i ia e s t a i u r i 1 1 . b ■
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1 0 6 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
dispositivo que indicasse: (i) o período de carência; (ii) a existência ou 
não de valor de resgate das contribuições saldadas dos participantes, com 
a norma de cálculo de quando este se retirassem dos planos, depois de 
cumpridas condições previamente fixadas e antes da aquisição do direito 
pleno aos benefícios e (iii) a condição de perda da qualidade de partici­
pante (art. 42).
LIavia previsão, ainda, para a hipótese de perda parcial da remunera­
ção, quando estava facultado ao participante manter o valor da sua contri­
buição, para assegurar a percepção dos benefícios nos níveis correspondente 
à sua remuneração plena (§ 7o, do art. 42).
No Decreto 81.240*, de 1978, alterado pelo Decreto 2.111*, de 1996, 
também havia previsão no sentido de que “na hipótese de extinção do 
contrato de trabalho, o plano de benefícios deverá prever o valor e a forma 
de resgate correspondente, em função da idade e das contribuições verti­
das” sendo, ainda, “facultada a manutenção dos pagamentos por parte do 
participante, no caso de extinção do contrato de trabalho sem justa causa, 
acrescidos da parte da patrocinadora, para a continuidade da participação 
ou a redução dos benefícios em função dos pagamentos efetuados até a 
data daquela extinção” (artigo 31, incisos VII e VIII).
Assim, na legislação anterior, portanto, já havia previsão da hipóte­
se de resgate, no caso de extinção do contrato de trabalho e da renda 
saldada, tratados como benefícios antecipados e da faculdade do partici­
pante manter a sua contribuição, no caso de perda parcial da remunera­
ção (autopatrocínio).
O resgate não é propriamente um benefício, verificando-se o direi­
to ao seu recebimento quando o participante inscrito no plano, dele se 
retira, em razão da extinção do contrato de trabalho, fazendo jus, neste 
caso, ao resgate apenas de sua parcela das contribuições vertidas ao pla­
no de benefícios, enquanto que a parcela vertida pela patrocinadora terá
o destino previsto contratualmente.
A m bos revogados pelo D ec. 4 .206/2002 .
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A renda saldada, ou o resgate das contribuições saldadas, nasce d 
saldamento do plano de benefícios, o qual eqüivale ao seu encerramento.
- Lei Complementar n° 109 de 2001
A Lei Complementar 109, de 2001, além de aprofundar as questóe 
relativas ao resgate, mediante o benefício proporcional diferido, ainda troii 
xe a inovação da portabilidade, desejando o legislador complementar prc 
scrvar os direitos previdenciários dos participantes das entidades fechadas 
lendo em vista o regime de capitalização em que estão, na sua maioria 
inseridas tais entidades.
I I . I . Benefício Proporcional Diferido - Vesting
O vesting, denominado no Brasil de Benefício Proporcional Diferido 
previsto no inciso I, da Lei Complementar 109, de 2001 e, anteriormente 
ainda que com menor profundidade, no inciso VII do art. 31 do Deerel<| 
H I 240, de 1978, tem sua origem no sistema previdenciário dos EsladoJ
I In idos da América - EUA.
No Brasil o vesting é benefício complementar, prestação previdência i r,j 
sob exercício, alongada no tempo futuro.
0 principal objetivo do benefício proporcional diferido, segunde 
Newton Cezar Conde26 é o d e“ ...permitir a permanência no plano de benc/n itn
sem o desembolso de contribuições — aos participantes que mudam de empieyl 
mus mio querem se desvincular do plano de benefícios. Caso um participante tenlm 
fuiumlo por três empregos, por exemplo, e nos três haja planos de benefícios com/j 
bene/hio proporcional diferido, ele terá na inatividade três benefícios proporáo\ 
ihin t/ne, somados, seriam equivalentes a um benefício inteiro."
Nos El IA, a previdência básica é amplamente reforçada pelos planoJ 
de benefícios complementares privados. Devido a alta taxa de participai,a<
• in planos de pensão privados, o vesting, há muito servia de garantia aoj 
dlieitos dos participantes, sem contudo, derivar diretamente da norma,
1 i >l li le,N('Wli in C V/ai l\)ltiilêlli(lldi‘r I n/y//1;. In bundos de I Vnsai icill I )cl >.ili' (< ■ m hi l< i »li i 
A iliu ii Ueis) Brasília Brasília |m u lira ,.’(K
1 08 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P rivada
O vesting passou a ser obrigatório nos planos previdenciários priva­
dos norte-americanos com a edição do Employee RetirementIncome Security 
Act - ERISA, em 1974, sendo criadas três modalidades para o instituto: o 
vesting completo, o vesting progressivo e o vesting misto. A terceira moda­
lidade foi eliminada quando da Tax Reform Act de 1986.
A principal preocupação que norteou a aplicação e compulsoriedade 
do vesting no Brasil, como também ocorreu nos EUA, foi o elevado custo 
atuarial.
No Brasil, o Benefício Proporcional Diferido é mais amplo que o 
instituto do vesting utilizado nos EUA, haja vista que o participante, uma 
vez cessado o vínculo empregatício com o patrocinador ou associativo com 
o instituidor, terá direito a perceber benefício proporcional, calculado so­
bre as suas contribuições e sobre as do patrocinador/instituidor, diferido 
no tempo.
Miguel Horvath Júnior27 define vesting como: “instrumento de preser­
vação do direito previdenciário dos participantes de planos de benefícios das 
entidades fechadas de previdência complementar (EFPC). Apresentando-se como 
meio de opção pelo recebimentofuturo de um benefício proporcional às suas con­
tribuições, em razão da cessação do vínculo empregatício com os patrocinadores 
ou instituidores antes da aquisição do direito ao benefício pleno".
Por sua vez, Emílio Recamonde Capelo28 define vesting como: 
“u;n instituto que preserva os direitos previdenciais de um participante de 
fundo de pensão para desfrutar de um benefício referente a determinadas 
fontes de custeio, sejam os aportes do próprio participante, sejam os do seu 
empregador. No jargão previdenciário, no sentido estrito, o vesting repre­
senta o direito condicional e diferido de o participante usufruir dos benefí­
cios j á fundados pela contribuição do empregado, sem a exigência da 
continuação da relação laborativa, mas na dependência do preenchimento
27 J U N IO R , M ig u e l H o rv a th . Benefício Proporcional Diferido. In: R evista do 
T erceiro C ongresso B rasileiro de P rev idência C o m p lem en ta r - São Paulo: 
LTr, 2003.
28 CAPELO, Emílio Recamonde. Benefício Proporcional I )//<V/do na Previdência 
Complementar — Brasília: Kditora MPAS, 2000.
C a p ít u lo II (A r ts . 6 ° a 30 ) - 10‘(
de certos requisitos, tais como ter emprestado o seu esforço de trabalho