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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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em até doze parcelas, mensais e consecutivas, atualizadas de 
acordo com o estipulado no regulamento do plano de benefícios.
No caso de resgate, a entidade fechada deve, como nos demais insti­
tutos, fornecer extrato ao participante, no prazo máximo de trinta dias da 
data do requerimento ou da enunciação do rom pim ento do vínculo 
empregatício do participante, contendo, no mínimo: (i) valor do resgate, 
com observação quanto à incidência de tributação; (ii) data base de cálculo 
do valor; (iii) indicação do critério utilizado para atualização do valor en­
tre a data base de cálculo e seu efetivo pagamento (artigo 12, Instrução 
Normativa n° 05, de 2003).
A opção do participante pelo instituto do resgate, formalizar-se-á 
mediante Termo de Opção protocolizado perante a entidade fechada, nos 
termos dos artigos 13 e 14 da Instrução Normativa n° 05, de 2003.
Os valores portados não podem ser resgatados, de acordo com o dis­
posto no artigo 21 da Resolução n° 06, de 2003.
Não há disposição neste mesmo sentido na Lei Complementar n° 
109 de 2001, na qual está fixado, somente, que “a portabilidade não carac­
teriza resgate”.
Esta inovação imposta pelo Conselho de Gestão de Previdência 
Com plem entar extrapola, portanto, a vontade do legislador, criando 
vedação, inclusive, de difícil cumprimento. Caso o participante porte seus 
valores de uma entidade de previdência com plem entar para outra, 
verificadas as condições para o resgate na entidade receptora, não pode 
haver óbice ao exercício do instituto do resgate.
Ao que se pode verificar, talvez o órgão regulador esteja a se referir a 
hipótese prevista no § 4o, do artigo 14 da Lei Complementar n° 1 0 9 , de
2001, quando a portabilidade dos valores acumulados de entidade fechada 
para entidade aberta obriga o participante a contratar renda mensal vitalí
C a p ít u l o II (A rts . 6o a 30 ) - 117
l ia o u por prazo determinado. Neste caso, de fato, não cabe o resgate, mas 
somente neste.
11.6. Autopatrocínio
O autopatrocínio já era hipótese presente na legislação anterior 
(artigo 42, § 7o, da Lei 6.435, de 1977). O instituto está atualmente 
definido, tanto na Lei Complementar n° 109, de 2001, como no artigo 
27, da Resolução C G PC n° 06, de 2003 como “a faculdade do parti ei 
pante m anter o valor de sua contribuição e do patrocinador, no caso de 
perda parcial ou total da remuneração recebida, para assegurar a per 
cepção dos benefícios nos níveis correspondentes àquela remuneração 
ou em outros definidos em normas regulam entares,“entendendo-sc 
como uma das formas de perda total da remuneração, o próprio rompi 
mento do vínculo empregatício.”
Na legislação não se distinguiu nenhuma hipótese para a perda parcial 
de remuneração, podendo, por enquanto, ser definida como qualquer mot i 
vc > determinante da queda dos rendimentos auferidos com o trabalho.
De toda sorte, as regras do autopatrocínio devem estar fixadas no rc 
gulamento do plano, concedendo o legislador e o próprio órgão reguladoi 
certa flexibilidade para o acordo entre a entidade fechada e o participante.
O Conselho de Gestão de Previdência Complementar impõe o tra 
lamento igualitário entre as contribuições de todos os participantes, in
i Insive daqueles que optarem pelo autopatrocínio (artigo 30, da Resoluçai> 
CO PC n° 06, de 2003).
No extrato que deve ser apresentado pela entidade fechada ao parti
i ipante que o requereu para fins de autopatrocínio, deverá constar, no nu 
uitno: (i) o valor base de remuneração para fins de contribuição e o critéri<> 
para sua atualização; (ii) o percentual inicial ou valor inicial da contribui
i, ao que, passará a ser da responsabilidade do participante.
A opção pelo autopatrocínio, se dá, como nos demais institutos, poi 
meio de “Termo de Opção”, opção esta que não inibe a posterior pelo 
benefício proporcional diferido, pela portabilidade ou pelo resgate.
118 - C o m en tário s à Lei d f Previdência Privada
11.7. Garantias - Direito Subjetivo
Os institutos do benefício proporcional diferido, da portabilidade, 
do resgate e do autopatrocínio são garantias oferecidas pela norma em 
benefício dos participantes dos planos de benefícios administrados pelas 
entidades de previdência complementar, devendo obrigatoriamente cons­
tar de seus regulamentos.
Esta garantia caracteriza-se como direito, subjetivo do participante, 
restringindo, assim, o comportamento dos estipulantes c dos administra­
dores dos planos de benefícios que estão obrigados a inserir nos regula­
mentos os institutos tratados neste artigo, enquanto que o Estado está 
obrigado a garantir tal direito.
Logo o participante titula a “faculdade” e o “poder” de se valer dos 
institutos do benefício proporcional diferido, da portabilidade, do resgate 
e do autopatrocínio.
11.8. Transferência - Grupo Econômico
De acordo com a Resolução CG PC n° 12, de 27 de maio de 2004 foi 
equiparada à cessação de vínculo empregatício, a transferência individual 
de empregados, participantes de plano de benefícios, de seu empregador, 
patrocinador de plano de benefícios, para outra empresa do mesmo grupo 
econômico que não seja patrocinador daquele plano, sendo assegurado aos 
participantes, nesta hipótese, a opção pelos institutos de benefício propor­
cional diferido, da portabilidade ou do autopatrocínio.
12. Trânsito de Recursos Financeiros
Art. 15. Para efeito do disposto no inciso li do caput do 
artigo anterior, fica estabelecido que:
I - a portabilidade não caracteriza resgate; e
II - é vedado que os recursos financeiros corresponden­
tes transitem pelos participantes dos planos de benefí­
cios, sob qualquer forma.
C ap í t ul o II (A rts . 6 o a 3 0 ) - I I ' )
Parágrafo único. O direito acumulado corresponde às 
reservas constituídas pelo participante ou à reserva ma­
temática, o que ãhe for mais favorável.
- Lei 6.435, de 1977
Não havia previsão similar na legislação anterior, sendo certo que a 
portabilidade é inovação introduzida pela Lei Complementar n° 109, de 
2001.
(2.1. Portabilidade e Resgate
Como já especificado nos comentários ao artigo 14, da Lei Com 
plementar n° 109, de 2001 o conceito de resgate está estabelecido nos 
artigos 19 e 20 da Resolução M PS/C G PC n° 06, de 2003, como “o his 
tituto que faculta ao participante o recebimento de valor decorrente do 
seu desligamento do plano de benefícios”, implicando o seu exercício na 
“cessação dos compromissos do plano administrado pela entidade lc 
chada de previdência complementar em relação ao participante e seus 
beneficiários”.
O conceito de portabilidade, por sua vez, também está estabelecido 
na mesma Resolução M PS/C G PC n° 06, de 2003 como o “instituto que 
faculta aos participantes transferir os recursos financeiros correspondentes 
ao seu direito acumulado para outro plano de benefícios de carálei 
previdenciário operado por entidade de previdência complementar ou so 
ciedade seguradora autorizada a operar o referido plano”.
Como claramente se observa os dois institutos não se confundem, 
nem prática, nem conceitualmente. Parece, à primeira vista, inócua a dis 
posição estampada no inciso I, do artigo 15, da Lei Complementar 1 0 9 , 
de 2001, de que a “portabilidade não caracteriza resgate”.
Talvez a razão de ser desta disposição legal possa ser encontrada na lo i 
ma tle cálculo do direito acumulado para fins de portabilidade, o qual toma 
como base para o valor mínimo, o do resgate, o que pode levar à c o n l u s a o 
entre os dois institutos, a qual poderia determinar o indesejável trânsito de 
recursos financeiros pelo participante, no caso do exercício da portabilidade.
120 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
12.2. Trânsito de recursos financeiros
Como o legislador já afirma no inciso I, do artigo 15 da Lei Com ­
plementar n° 109, de 2001, que “a portabilidade não