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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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29.4. Entidades Fechadas.............................................................211
30. Reorganização Societária.............................................................. 211
30.1. Constituição e funcionamento.......................................... 212
30.2. Reorganização Societária - Fusão,
Incorporação e Cisão.................................................................... 214
30.3. Retirada de Patrocínio........................................................216
30.4. Transferências...................................................................... 218
I
31. Qualificação................................................................................... 218
31.1. Qualificação das entidades fechadas................................ 219
32. Estrutura A dm inistrativa.............................................................220
32.1. Representa tividade...............................................................222
32.1.1. Participantes e Assistidos ...............................................222
32.2. D irigentes.............................................................................223
32.2.1. Responsabilidade..............................................................223
C A PÍT U L O IV
A s E n t id a d e s A berta s d e P r e v id ê n c ia C o m p l e m e n t a r ............... 2 2 5
C A PÍT U L O V
D a F is c a l iz a ç ã o ............................................................................................... 2 3 7
C A PÍT U L O VI
D a I n t er v e n ç ã o e d a L iq u id açã o E x t r a ju d ic ia l ........................... 249
Seção I - D a Intervenção................................................................... ......249
33. A Intervenção.................................................................................250
33.1. H ipóteses.............................................................................252
33.2. P ra z o ..................................................................................... 254
33.3. Plano de recuperação.......................................................... 256
Seção II - D a Liquidação Extrajudicial................................................... 257
33.4. Falência e recuperação judicial e extrajudicial................ 258
33.5. H ipóteses.............................................................................. 260
33.6. E feitos................................................................................... 260
33.7. Quadro geral de credores....................................................261
33.8. Balanço geral de liquidação...............................................262
33.9. Levantamento.......................................................................263
33.10. Encerram ento.................................................................... 263
Seção III.- Disposições Especiais...........................................................26
CAPÍTULO VII
D o R e g im e D is c ip l in a r ................................................................................ 28
CAPÍTULO VIII
D isp o siç õ es G e r a i s ........................................................................................30
B ib l io g r a f ia .............................................................................................................3 1
L ei C o m p l e m e n t a r n ° 1 0 9 , 
DE 2 9 DE MAIO DE 2001
Dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e dá 
outras providências.
O Presidente da República. Faço saber que o Congresso Na­
cional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:
CAPÍTULO I 
I n t r o d u ç ã o
Art. 1o. O regime de previdência privada, de caráter 
complementar e organizado de forma autônoma em 
relação ao regime geral de previdência social, é facul­
tativo, baseado na constituição de reservas que garan­
tam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da 
Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei 
Complementar.
I I I - C o m e n t á r i o s à L ei d e P r e v id ê n c ia P r iv a d a
A primeira anotação que se deve fazer diz respeito ao termo regime.
Quando o legislador faz referência ao “regime” quer delimitar, do 
ponto de vista jurídico, certo conjunto de normas específicas que discipli­
nam determinado setor.
No interior do sistema de seguridade social convivem, hoje em dia, 
na esfera previdenciária, o regime geral, básico e obrigatório, os regimes 
próprios e o regime de previdência privada.
Cada regime jurídico de previdência deve regular o campo de aplica­
ção, o custeio e as prestações.
Na órbita do regime geral e dos regimes próprios, a disciplina desses 
três componentes é tarefa do legislador que pode, quanto a alguns aspec­
tos, permitir que o tema seja regulamentado pelo Poder Executivo.
No âmbito da previdência privada, porém, a delimitação do regime é 
tarefa conjunta do Estado e dos particulares, cabendo a estes últimos na­
tural preponderância.
Reproduzindo, quase literalmente, o preceito estampado no art. 202 
da Constituição, na redação que lhe deu a Emenda Constitucional n° 20, 
de dezembro de 1998, o art. I o estabelece o binômio característico da pre- 
vidência complementar que, segundo a ordem lógica com que o fenômeno 
jurídico deve ser analisado é composto:
a) da contratualidade e;
b) da facultatividade.
Em primeiro lugar, o plano previdenciário privado é figura contratual.
Vale dizer que, segundo clássica distinção entre as obrigações e, em 
conformidade com a dicotomia do fenômeno previdenciário já antes refe­
rida, é, esta, contrariamente ao que ocorre com a implementada pelos Po­
deres Públicos, obrigação contratual.
Deveras, a previdência social é compulsória, instituída ope legis, e pro­
tege mesmo quem nela não confia ou quem nela não acredita (desde que 
atue em conformidade com o ordenamento jurídico).
Por seu turno, a previdência privada é de índole contratual, negociai, 
ii irei girada, c arrumada pelos interessados, constituída <le forma auiôno 
ma em relaçno no rcirimc u:eral de jircvidcncia social,
C a p í t u l o I ( A r t s . 1" a 5" ) - 1‘)
No negócio jurídico previdenciário privado vigora o princípio da au- 
tonomia privada.
Esse princípio pode ser considerado a pedra de toque de todo o mo­
derno direito contratual.
Falando do antigo princípio da autonomia da vontade que, com im­
portantes variações, se transm uda na autonom ia privada, ensina 
FR ED ER IC O D E SAVIGNY, o mestre dos mestres da Escola Clássica, 
que se trata do: “poder da vontade, ou uma soberania da vontade concedidos 
pela ordem jurídica? {in Traitè de Droit Romain, Paris, 1855, vol. 1, p. 7).
Em virtude desse poder, inerente à vontade livre que o organiza em 
bases jurídicas, o seu titular pode exigir a ação ou abstenção de outrem.
O u pode optar, como se pretende aqui, pela criação de consenso, 
entre atores sociais que se encontram na mesma situação de necessidade, 
pessoas que podem obter para si, com a cooperação das empresas e insti­
tuições a que estejam vinculadas, o mesmo estatuto de previdência su­
pletiva.
Mestre M A R T IN H O G A RCEZ N E T O esclarece: “as pessoas são 
livres para celebrar os contratos que mais convenham a seus interesses, estejam 
ou não previstos ou regulamentados especialmente por lei; elas gozam da mais 
ampla liberdade — qualquer que seja o contrato que a sua imaginação lhes sugira 
- para estipularem do modo que seja mais útil e conveniente aos seus fins; para 
atribuírem aos contratos que celebram efeitos distintos dos que a lei lhes confere, 
e, ainda, para modificar sua estrutura jurídica.” (in Repertório Enciclopédico 
do Direito Brasileiro, vol. V, Rio, Borsoi, p. 195).
As partes podem decidir, desde que capazes para contratar, sem qual­
quer tutela, a extensão, os limites e os efeitos do negócio jurídico que en­
gendram entre