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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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caracteriza o resgate”, 
parece clara a sua intenção ao dispor no inciso II, do mesmo artigo que “é 
vedada que os recursos financeiros correspondentes transitem pelos parti­
cipantes dos planos de benefícios, sob qualquer forma”.
Em suma, está disposição legal veda que o participante de plano de 
benefícios, que venha a optar pelo instituto da portabilidade, venha a por­
tar, ele mesmo, os seus valores acumulados do plano de benefícios originá­
rio para o plano de benefícios receptor, o que resultaria, então, no resgate, 
haja vista a inexistência de garantia de que o participante efetivamente 
aportaria os valores perante o plano receptor.
Na portabilidade, a proteção ofertada pela norma é a do futuro benefí­
cio, ou seja, visa que o participante dê continuidade à relação contratual de 
proteção complementar, impondo-se o cumprimento rigoroso desse fim à 
entidade fechada que “deverá observar as regras de transferência dos recur­
sos financeiros, bem como outros procedimentos administrativos necessá­
rios à sua operacionalização”. (artigo 18, da Resolução M PS n° 6, de 2003)
12.3. Direito acumulado - apuração
A definição específica do direito acumulado para fins da portabilidade, 
consta do art.15, da Resolução M PS/C G PC n° 6, de 2003, nos seguintes 
termos:
A rt.15 . O direito acumulado pelo participante no plano de benefícios 
originário, para fins de portabilidade corresponde:
I - nos planos instituídos até 29 de maio de 2001, ao valor previsto no 
regulam ento para o caso de desligamento do plano de benefícios, con­
form e nota técnica atuarial, observado como m ínim o o valor eqüivaleu 
te ao resgate, na form a definida no Capítulo III desta Resolução;
(...)
§ 3o Para fins de aplicação da alínea “a”, do inciso II deste art igo, enlen
contribuições vertidas por ele ao plano, destinadas ao financiam ento do 
benefício pleno program ado, de acordo com o plano de custeio, ajusta­
do conform e regulam ento do plano de benefícios.
§ 4o O regulam ento do plano de benefícios poderá prever outros crité­
rios para apuração do direito acumulado pelo participante que resultem 
cm valor superior ao previsto neste artigo, sem pre respeitando as 
especificidades do plano de benefícios.
§ 5o O s critérios e a m etodologia de apuração do direito acum ulado 
pelo participante, para fins de portabilidade, considerando eventuais 
insuficiências de cobertura do plano de benefícios, deverão constar do 
regulam ento e da nota técnica atuarial do plano de benefícios.
No artigo 15, da Lei Complementar 109, especificamente no seu 
parágrafo único, está definido o controvertido “direito acumulado” corres 
ponilente, então, “às reservas constituídas pelo participante ou à reserva 
matemática, o que lhe for mais favorável.”
A norma concede a priori duas alternativas para o cálculo dos valores 
tit umulados, uma é a apuração das reservas constituídas pelo participante 
e a outra é a apuração das reservas matemáticas.
Na Resolução M PS/C G PC n° 6, de 2003, entretanto, foi regula 
menlada pelo Conselho de Gestão da Previdência Complementar, a lor 
ma de cálculo dos valores acumulados, criando-se o liame com a d isp o s iç ã o 
espiessa no § 3o, do artigo 14, da Lei Complementar n° 109, de 2001 de 
que "na regulamentação da portabilidade, o órgão regulador e fiscalizador 
observará, entre outros requisitos específicos, os seguintes: (i) se o plano 
de benef ícios foi instituído antes ou depois da publicação desta Lei Com 
plementar; (ii) a modalidade do plano de benefícios.
Assim, de fato, o órgão regulador e fiscalizador observou os dois re 
quisitos indicados na Lei Complementar n° 109, de 2001, para dctcrmi 
nai a lorma de apuração dos valores acumulados pelo partici|>ante, 
i qiei ificando- os no artigo 15, da Resolução MPS/CCí PC n" 06, de 2,003.
Nos planos instituídos ate 29 de maio de 2001, data em que passou ,i 
Vigorar a l,ci Complementar n" 109, de 2001, o válor acumulado pelo
C a p ít u l o II (A r ts . 6o a 30) -121
1 2 2 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
participante corresponde ao “valor previsto no regulamento para o caso de 
desligamento do plano de benefícios, conforme nota técnica atuarial, ob­
servando como mínimo o valor equivalente ao resgate (...)”.
Tendo em vista que a legislação pretérita não contemplava o institu­
to da portabilidade, outra forma não há de calcular o valor acumulado pelo 
participante que não a de observar as regras contidas nos regulamentos 
dos planos de benefícios então vigentes para o desligamento do partici­
pante, não alcançados pela nova lei complementar.
Nos planos instituídos a partir de 30 de m aio de 2001, o cálculo dos 
valores acumulados pelo participante para fins de portabilidade toma ou­
tros contornos, como definidos no artigo 15, inciso II, letras “a” e “b”, da 
Resolução M PS/C G PC n.° 06, de 2003:
a) em plano cuja modelagem de acumulação do recurso garantidor 
do benefício pleno programado seja do benefício definido, às reservas cons­
tituídas pelo participante ou reserva matemática, o que lhe for mais favo­
rável, na forma regulamentada e conforme nota técnica atuarial do plano 
de benefícios, assegurado no mínimo o valor do resgate nos termos desta 
Resolução;
b) em plano cuja modelagem de acumulação do recurso garantidor 
do benefício pleno programado seja de contribuição definida, a reserva 
matemática constituída com base nas contribuições do participante e do 
patrocinador ou empregador.
Fica estabelecida a distinção, pela norma, entre a apuração dos valo­
res acumulados pelo participante nos planos de benefício definido e a mesma 
apuração nos planos de contribuição definida.
Ainda está determinado que “em plano que, na fase de acumulação 
do recurso garantidor do benefício pleno programado, combine alternati­
vamente características das alíneas “a” e “b” do inciso II deste artigo, a 
reserva matemática corresponderá ao maior valor que resultar da aplicação 
das regras previstas nas alíneas “a” e “b” e “em plano que, na fase de acumu­
lação do recurso garantidor do benefício pleno programado, combine cu­
mulativamente características das alíneas “a” e “b” do inciso II deste artigo, 
a reserva matemática corresponderá à soma dos valores resultantes da apli­
Capítulo II (Arts. (>" a 30) - 123
cação isolada das regras previstas nas alíneas “a” e “b”, distinguindo-se tam 
bém o tratamento a ser dado aos planos em fase da acumulação, de acordo 
com as suas características.
O Conselho de Gestão de Previdência Complementar define no § 3° d< > 
artigo 15, da Resolução M PS/CGPC n° 06 de 2003, o que é reserva constitu 
ida pelo participante para fins de portabilidade nos planos de benefício defini 
do como o “valor acumulado das contribuições vertidas por ele ao plano, 
destinadas ao financiamento do benefício pleno programado, de acordo com
o plano de custeio, ajustado conforme regulamento do plano de benefícios”.
No que se refere à apuração dos valores acumulados, do ponto de 
vista atuarial, o trabalho que a especifica de maneira mais simples é o de 
Newton Cezar Conde30 “(...) o principal objetivo do benefício proporcio 
nal diferido seja o de permitir a permanência no plano de benefícios - sem
o desembolso de contribuições - aos participantes que mudam de emprc 
go mas não querem se desvincular do plano de benefícios. Caso um part i 
cipante tenha passado por três empregos, por exemplo, e nos três haja 
planos de benefícios com benefício proporcional diferido, ele terá na ina 
tividade três benefícios proporcionais que, somados, seriam equivalentes a 
um benefício inteiro.”
Sobre reserva matemática define Newton Cezar Conde31: “é a dilc 
rença entre o somatório dos benefícios a pagar e as contribuições futuras 
a recolher. Na linguagem técnica, a expressão somatório é denominada 
de “valor atual” ou “valor presente” e exemplifica