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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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26, da Lei Complementar n° 109, estabelece que ela deverá estai 
(Murada em contrato, “naforma, nos critérios, nas condições e nos requisitos 
a serem estabelecidos pelo órgão regulador ’. Neste sen tido, vale des
podem ser custeados exclusivamente poi
In (}l< cit |>. 2 5 0 .
174 - C o m en t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivada
tacar que o artigo 5o, do Anexo I, da Circular SUSEP n° 213, de 2002, 
dispõe que o contrato que formalizará a implantação do plano definirá as 
particularidades operacionais em relação às obrigações da entidade aberta 
e da-pessoa jurídica contratante, de forma complementar ao regulamento 
do plano. O regulamento do plano, após aprovado pela SUSEP, fará parte 
integrante do referido contrato, e deve estabelecer os direitos e obrigações 
da pessoa jurídica contratante, da entidade aberta, do grupo de participan- 
tes e de seus respectivos beneficiários.
Ainda acerca dos planos coletivos abertos, importante destacar que o 
disposto no parágrafo 6°, do artigo ora comentado, que veda à entidade aberta 
a contratação de plano coletivo com pessoa jurídica “cujo objetivo principal seja 
estipular, em nome de terceiros, planos de benefícios coletivos Com isso, o legisla­
dor procurou afastar a possibilidade de uma entidade de previdência contratai" 
outra entidade de previdência para administrar os planos por esta oferecidos.
Tal proibição, porém, não pode ser estendida aos re-seguros, passí 
veis de contratação pela entidade de previdência, nos termos e condições 
estabelecidas pela regulamentação editada pelo CNSP/SUSEP, a fim de 
assegurar o fiel cumprimento das obrigações assumidas perante partici 
pantes e, conforme o caso, pessoas jurídicas instituidoras ou averbadoras.
24. Planos Individuais
Preferimos tratar primeiramente dos planos coletivos para entao 
adentrarmos nos comentários sobre os planos individuais oferecidos pot 
entidades abertas, a fim de tornar mais clara a sua definição.
Isto porque, os planos individuais são aqueles que asseguram benel u n > 
previdenciários complementares a toda e qualquer pessoa física que forma 
lyzar sua adesão, independentemente de vínculo direto ou indireto com fvtw,/ 
jurídica. Nos planos individuais, a contratação é feita diretamente pelo pai 
ticipante, com restrição apenas em relação às condições estabelecidas |>aia 
cada tipo de plano oferecido pela entidade de previdência, nos limites Ir i 
dos pelo CN SP e/ou SUSEP.
A contratação - sempre facultativa - , no plano individual abei l< >, ;ls 
sim como no plano coletivo aberto, formaliza-se por meio.d& contiai< > t|r 
adesão. A adesão ocorrerá em razão de os planos abertos, por essência, se 
revestirem da característica de serem oferecidos a quaisquer pessoas c h i v a ­
zes, tal como anteriormente descrito57.
Assim, o termo “individual”, usado para designar tais modalidades 
de planos abertos, refere-se tão-somente ao fato de a contratação ocorrer 
sem a intermediação de pessoa jurídica com a qual o participante mant i­
nha vínculo; não significa que o plano seja oferecido para um único pari i 
cipante ou que para ele tenha garantias diversas daquelas asseguradas aos 
demais participantes do mesmo plano.
Quanto ao custeio dos planos individuais, tem-se, evidentemente, 
apenas contribuições por parte do participante, tendo em vista que não lia 
participação de pessoa jurídica na contratação e na relação jurídica com a 
entidade de previdência.
25. Resgate e Portabilidade em Planos de Benefícios de 
Entidades Abertas
Art. 27. Observados os conceitos, a forma, as condições 
e os critérios fixados pelo órgão regulador, é assegurado 
aos participantes o direito à portabilidade, inclusive para 
plano de benefício de entidade fechada, e ao resgate de 
recursos das reservas técnicas, provisões e fundos, total 
ou parcialmente.
§ I o. A portabilidade não caracteriza resgate.
C a p ít u l o II (A r t s . (>" a t ( )) • 175
ri7 N este tocante, W ladim ir Noves M artinez, in obeit, p. 256, com plem enta: "Suo 
individuais os planos oferecidos a quaisquer pessoas, vinculadas a empresa ou 
servidores públicos ou trabalhadores da iniciativaprivada, empregados ou empresa 
rios, autônomos ou eventuais, nacionais ou estrangeiros, residentes rio País ou nu 
exterior, aposentado ou ativo, livre ou condenado, c ate mesmo para que/n ja /ii(a 
parte de outros planos.”
1 7 6 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
§ 2o. É vedado, no caso de portabilidade:
I - que os recursos financeiros transitem pelos partici­
pantes, sob qualquer forma; e
II - a transferência de recursos entre participantes.
-L e i 6.435, de 1977
A Lei n° 6.435, de 1977, em seu artigo 21, e o Decreto n° 81.240, de 
1978, em seu artigo 29, previam a obrigatoriedade de constar do regula­
mento do plano, entre outras informações, “a existência ou não, nos planos de 
benefícios, de valor de resgate das contribuições saldadas dos participantes e, em 
caso afirmativo, a norma de cálculo, quando estes se retirarem dos planos depois 
de cumpridas as condições previamente fixadas e antes da aquisição plena do 
direito aos benefícios".
Note-se, portanto, que, sob a égide da legislação anterior, o plano de 
benefícios oferecido por entidade aberta de previdência complementar, em 
princípio, poderia ou não permitir a realização de resgates, desde que em 
relação às contribuições saldadas do participante, isto é, do alcance do va­
lor programado para o custeio do plano, por parte do participante, e antes 
do início do período de gozo dos benefícios previdenciários.
No que tange à portabilidade, não havia nem mesmo previsão legal 
expressa sobre sua adoção pelos participantes de planos de benefícios.
Não obstante, no âmbito das entidades abertas, tanto a portabilidadequanti >
o resgate de contribuições em planos de benefícios não saldados já eram pratica - 
dos antes mesmo da edição da Lei Complementar n° 109, de 2001.
Com efeito, a despeito de a Lei 6.435, de 1977, não prever expressa 
mente os critérios para operacionalização destes institutos, a autorização 
conferida ao CN SP e a SUSEP possibilitava que a regulamentação esta 
belecesse os parâmetros para o resgate e a portabilidade dos recursos acu 
mulados nos planos de benefícios.
Com base nesta competência que lhe foi atribuída, o CN SP editou a 
Resolução n° 06, de 199758, que, ao disciplinar a constituição de P la n o s
58 Expressamente revogada pela Resolução CNSP n° 93, de 2002.
C a p í t u l o II (A rts . (>" a !()) 177
Geradores de Benefícios Livres (“PGBL”), já tratava sobre a possibilidade 
do resgate por participantes dos planos estruturados sob esta modalidade,
“a qualquer tempo, durante o prazo de diferimento, inclusive no caso de mor/r 
ou invalidez do participante' (artigo 11, do Anexo da Resolução CNSP n" 
06197).
Tratava-se de uma permissão para retirada de recursos acumulados 
no plano, mesmo antes da conclusão de seu período de diferimento (perí­
odo compreendido entre a data de início de vigência da cobertura por 
sobrevivência do plano e a data contratualmente prevista para início do 
pagamento do benefício). Bastava o cumprimento das condições e do pra 
zo de carência determinados por regulamentação da SUSEP para que o 
participante pudesse resgatar os recursos depositados em seu plano de pre­
sidência complementar.
Da mesma forma, a mesma Resolução determinava a faculdade de 
exercício, durante o prazo de diferimento, da portabilidade (então tratada 
sob a denominação genérica de “transferência”) das reservas técnicas do 
participante, de um plano de benefícios para outro da mesma entidade 
aberta, “ou para planos previdenciários, da mesma espécie ou não, de outra en 
tidade" (artigo 12, do Anexo da Resolução CN SP n° 06/97).S9
A realização de resgate e de portabilidade, mesmo durante a fase de 
diferimento do plano, era