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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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possibilitada pelo fato de os planos abertos te 
rem por característica o regime financeiro de capitalização, em que as re 
servas técnicas são constituídas em nível suficiente para atender o volume 
global de compromissos futuros, o que, no âmbito das entidades fechadas, 
somente ocorreu com a introdução dos planos de contribuição definida, 
que abandonaram o regime financeiro da repartição, próprio dos planos 
do tipo Benefício Definido.
Com a evolução dos regimes de custeio dos planos e das formas de sua 
estruturação, tanto o resgate como a portabilidade passaram a representai
É o que relata N ew ton C ezar C onde, no seu artigo in titu lado “Portabilidade 
e Vcsting", in “Fundos de Pensão em D eb a te”, E d . B rasília Jurídica, 2002, 
p. 162.'
178 - C o m en t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
uma importante chave para o crescimento da previdência complementar no 
País, na medida em que possibilitam maior flexibilidade ao participante de 
dispor de parte ou da totalidade dos recursos investidos em um plano de 
benefícios a qualquer tempo, de acordo com suas necessidades.
- Lei Complementar n° 109, de 2001
Dando continuidade ao desenvolvimento de ferramentas para 
flexibilização dos planos de benefícios, a Lei Complementar n° 109,2001, 
passou a prever expressamente, como garantias do participante de planos 
abertos de previdência, o resgate e a portabilidade dos recursos acumula­
dos em tais planos.
A intenção do legislador fica clara na Exposição de Motivos n° 28, 
de 15 de março de 1999, que diz respeito à Lei Complementar n° 109: “A 
modernização do regime de previdência complementar pausa, necessariamente, 
pelo caminho da flexibilização, ao reconhecermos a dinâmica do mercado de tra­
balho no Brasilintroduzindo a figura da portabilidade
Foi nesse contexto que o artigo 27, da Lei Complementar em co 
mento, estabeleceu, no âmbito das entidades abertas de previdência com 
plementar, o direito à portabilidade e ao resgate, totais ou parciàíâ^dos 
recursos das reservas técnicas, provisões e fundos do particiftantc de plano 
de benefícios previdenciários.
25.1. Resgate
O resgate, em planos abertos de previdência complementar é concci 
tuado pela Resolução CNSP n° 104, de 2004, como sendo o “institulo i/ur, 
durante o período de diferimento e na forma regulamentada, permite o r<\vi.;aA 
de recursos da provisão matemática de benefícios a conceder”bQ. Ou seja, e "
60 A Provisão M atem ática de Benefícios a Conceder é com posta jiclas eoni i il un
ções e dem ais lançam entos efetuados a crédito no plano de b en e l......
atualizados em função dos rendim entos e ganhos obtidos na aplieai,a<> 1‘m.m 
ceira de tais recursos, quando a remuneração assegurada ao |>arl iripai 11 • < -a i< • i 
baseada na rentabilidade da carteira de investimentos.
C a p ítu lo II (A r is . (>" a in ) ( 7 .)
instrumento que^possibilita o recebimento dos recursos acumulados pelo 
participante, antes do início do pagamento do benefício contratado/’1
Apesar de ambos resultarem na entrega de recursos depositados no 
plano de benefícios, o resgate diferencia-se essencialmente do pagartiento 
de benefícios. Isto porque, enquanto o resgate corresponde a um paga 
mento extraordinário, ocorrido por solicitação do participante, conforme 
sua conveniência, das reservas técnicas, fundos e provisões do plano de 
benefícios do qual participa, o pagamento de benefícios é definido desde a 
contratação do plano, com a finalidade primordial de proporcionar 
complementação à aposentadoria do participante ou de auxiliar na subsis 
tência de seus beneficiários, em não ocorrendo a sobrevivência do partici 
pante.
Observe-se, portanto, que, independentemente da forma como é {vh>q
- se em parcelas periódicas ou em parcela única —. o resgate não se. crmfun 
de com o pagamento de benefícios, por sua natureza jurídica.
Tal distinção torna-se importante não apenas para fins contratuais 
como para determinação do tratamento tributário ao qual tais institutos 
■ •estao sujeitos.
Com efeito, com a edição da Lei n° 11.053, de 29 de dezembro de 
2004, os resgates poderão estar sujeitos a tributação diversa do pagamento 
de benefícios.62
61 Sobre o assunto, destaca A dacir Reis: “Trata-Je do único instituto que desvi,, 
vocação previdenciária da poupança privada, tendo em vista qüe-o^resga/c //„,/, 
mais éque 0 saque sem qualquer destinação especifica, ou seja, é 0 saque ■para 0 camu 
mo.” {in “Temas C entrais da Nova Legislação”, publicado no livro “Fundosdc 
Pensão em D ebate”, E d. Brasília Jurídica, 2002, p. 22).
(>2 O artigo 3o da m encionada Lei determ ina que os resgates, totais ou parciais de 
recursos acum ulados relativos a participantes dos planos não tenham optn(j() 
pelo regime alternativo de tributação (com base em alíquotas regressivas, y 
com o previsto no artigo I o da referida Lei) sujeitam -se à incidência de impos­
to de renda na fonte à alíquota de 15%, enquanto que o pagam ento dos Ixaie- 
líeios perm anecerão sujeitos à tributação pelo im posto de renda, com base j,., 
tabela progressiva, às alíquotas de 0%, I 5% ou 27,5%.
I Jtü - C o m en t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P rivada
25.2. Portabilidade
“A portabilidade é o instituto que permite ao participante portar ou trans­
ferir os recursos previdenciários de um plano para (hitro. Via de regra, a 
portabilidade ocorre entre planos de entidades distintas, isto é, entre diferentes 
entidades fechadas ou até mesmo de uma entidadefechada para uma entidade 
aberta e vice-versa". É o que esclarece o atual Superintendente da 
PREVIC, Adacir Reis, em artigo publicado no livro organizado sob sua 
coordenação.63
Conforme descrito anteriormente, a portabilidade apresenta-se com< > 
uma das principais ferramentas de flexibilização e crescimento da previ 
dência complementar no Brasil. Isto porque permite que o participante 
possa op tar pela form a mais atrativa de organizar sua poupança 
previdenciária - tanto em relação à estrutura de entidade aberta ou fecha 
da, quanto no que tange às modalidades de planos de benefícios por elas 
oferecidos.
Em contrapartida, para as entidades de previdência complementai, a 
portabilidade também tem como aspecto positivo a continuidade da a|>li 
cação de recursos em planos de benefícios, sem que haja sua retirada dn 
sistema de previdência privada para, por exemplo, aplicação em investi 
mentos de cunho meramente financeiro, tais como fundos de investimen 
to e aplicações de renda fixa.
Com efeito, o legislador deixa claro ter-se atentado para este Ia in 
quando da elaboração da Lei Complementar n° 109, 2001, verifica in In 
que “a portabilidade não caracterizará resgate de poupança e sua convcrs,i< , 
liquidez, mas tão somente [sic] uma transferência inter-institucionalde uh , 
evitando que haja perdas súbitas de solvência no reçime de previdência o < / ■ 
m entar.(item 18, da Exposição de Motivos n° 28, de 1999).
A portabilidade, de fato, não caracteriza resgate, tal como e\pn i i 
redação do artigo 27 ora comentado, sendo vedada, em sua ocorrem ia, a
transferência de recursos entre participantes e que os recursos finam ......
transitem pelos participantes, sob qualquer forma. Ou seja, restara « ai n
63 In oh cit p. 22.
C a p ít u l o II (A r ts . 0 " a iO ) - I I I I
terizada a portabilidade quando a transferência for realizada:ui)/>em que 
haja disponibilização total ou parcial dos recursos portados, ao participai i 
te, sendo os valores transferidos diretamente de um plano de benefícios a 
outro, numa mesma ou para outra entidade de previdência complementai 
(aberta ou fechada); e{il) com a manutenção do titular dos recursos (par­
ticipante original).
Assim, ainda que sob esta denominação, não será considerada 
portabilidade a transferência de reservas técnicas, provisões e fundos de 
planos de benefícios,