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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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que transforma em exigência - e necessidade a 
instituição dos sistemas privados e complementares, aptos a dar atendi 
mento melhor aos trabalhadores que lograram situar-se, pelo esforço intli 
vidual e coletivo, nos mais elevados padrões da escala social.
Sistemas privados que não devem, em princípio, ser limitados na gama 
de instrumentos de proteção que podem, e devem, oferecer.
E que essa segunda rede de proteção social deve ter, na sua urdidura, 
as características peculiares do grupo protegido e o livre talante das partes 
é o melhor instrumento para adequar-lhe a configuração.
Todavia, todos conhecem o evolver do regime de previdência privada 
fechada em nosso País.
Quem se situou na vanguarda desse setor foram as empresas estatais. 
H á até bem pouco tempo atrás os fundos de previdência privada vincula 
dos a empresas estatais eram a maioria no segmento das entidades feclva 
das de previdência complementar.
Para por certa ordem ao setor, o constituinte estabeleceu disciplina 
bastante rígida.
Disciplina cujo implemento implica na fixação de valor máximo da 
contribuição da patrocinadora para os novos planos e impondo a assunção, 
|>clos participantes, de insuficiências financeiras decorrentes das jncçrlt• 
zas inerentes ao negócio de segurp.
lsis como sc encontra redigido um dos parágrafos do art. 202, da
C a p ítu lo I (A r ts . I o a 5 °) - l i
24 - C o m e n t á r i o s à Lei d e P r e v id ê n c ia P r i v a d a
§ 3o. É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada 
pela União, Estados, D istrito Federal e Municípios, suas autarquias, fun­
dações, empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entida­
des públicas, salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em 
hipótese alguma, sua contribuição normal poderá exceder a do segurado.
Esse preceito é complementado por duas outras regras de transição 
que são de igual relevância.
Trata-se dos artigos 5o e 6° da Emenda Constitucional n° 20, de de­
zembro de 1998.
Por força do estabelecido no primeiro dos referidos dispositivos:
A rt. 5° O disposto no art. 202, § 3°, da C onstituição Federal, quanto à 
exigência de paridade entre a contribuição da patrocinadora e a contri­
buição do segurado, terá vigência no prazo de dois anos a partir da pu­
blicação desta Em enda, ou, caso ocorra antes, na data da publicação da 
lei com plem entar a que se refere o § 4" do m esm o artigo.
Como se vê, o comando constitucional intervém diretamente no con­
teúdo atual dos contratos de previdência privada celebrados entre as pa­
trocinadoras pertencentes ao Poder Público e as entidades de previdência 
complementar, tornando nulas as cláusulas que, no prazo assinalado, não 
se adaptem aos rigorosos termos em que se acha colocado o preceito.
Mais severo é, ainda, o preceituário estampado no art. 6o da referida 
Emenda Constitucional, que assim se encontra redigido:
A rt. 6°' As entidades fechadas de previdência privada patrocinadas por 
entidades públicas, inclusive empresas públicas e sociedades de econo­
m ia m ista, deverão rever, no prazo de dois anos, a contar da publicação 
desta Em enda, seus planos de benefícios e serviços, de m odo a ajnstá 
los atuarialm ente a seus ativos, sob pena de intervenção, sendo seus 
dirigentes e os cie suas respectivas |iatrooiiv,uloras responsáveis civil e 
crim inalm ente iielo desium mrim ento no disjioKlo nesie artigo.
O^ p r eceitos tiveram origem nos conhecidos pressupostos que, dii 
resto, são comuns ao regime geral_e aos regimes complementares do lh a 
ail: o equilíbrio financeiro dos planos não pode deixar de ser observado en 
desequilíbrio só pode ser corrigido mediante a adoção de restrições à con 
qessão dos benefícios (e foi essa, de ordinário, a diretriz predominante n o s 
quadrantes do regime geral) ou à ampliação das fontes de custeio.
Essa última solução de nenhum modo se justificaria na esfera da 
previdência privada patrocinada por entidades públicas.
É que, para essas, como de todos consabido, recursos públicos são 
vertidos, em detrimento de outras e igualmente relevantes atividades que, 
em época de crise, reclamam aportes financeiros.
Em diversos planos patrocinados pelas empresas estatais, como se sabe, 
as>contribuições da patrocinadora são bastante superiores às dos participan 
tes. Sendo a patrocinadora o próprio Poder Público, toda a sociedade acaba 
por financiar essa desproporcional fórmula especial de proteção social o le tc 
cida aos trabalhadores que prestam serviços a tais empresas.
Ao comentar as implicações da regra da isonomia, FR A N C ISC () 
CA M POS averba: “o princípio constitucional da igualdade perante a lei viu 
cula o legislador; não podendo a lei distinguir onde não cabe ou é arbitrária u 
distinção, não lhe sendo lícito, outrossim, aquinhoar a um indivíduo com vau 
tagem que não torna igualmente extensiva aos demais que se encontram na mcsnui 
situação, ou onerar a um mais do que a outro ou outros em relação aos quais w 
verifica identidade de estado, de circunstâncias, de atividade, de profissão ou de 
negócio.” (in Direito Constitucional, Rio de Janeiro, Editora Freitas Bastos, 
1956, II volume, p. 21).
Não se ajusta ao postulado da isonomia constitucional, a garantia 
fundamental, que o custeio de um plano privado de previdência mantido, 
ainda que parcialmente, pelo Poder Público, custe muitas vezes mais pai a 
o Estado do que para o participante ou que o financiamento, pela patnu i 
nadora, tio plano privado erigido em favor de seu empregado custe bem 
mais do que o plano público que a mesma também custeia ex v i legis.
As drásticas medidas determinadas pela Constituição exigiram profunda, 
reformulação em todos os pactos previdenciários privados das empresas estatais,
C a p í t u l o I ( A r t s . I " a S " ) ■ ! ' \
2 6 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
Se o problema se colocasse em razão da performance do fundo de 
pensão, caberia refletir sobre esse dado nos limites da avaliação atuarial 
que viesse a ditar as alíquotas necessárias e suficientes ao custeio do plano.
O desequilíbrio, que dois comandos da Norma Fundamental não 
toleram (art. 40 e 201) para os regimes básicos - dos trabalhadores e dos 
servidores - deve cessar de imediato na esfera da previdência privada.
Constatando a grave desorganização financeira do plano previdenciário; 
desorganização essa que confronta com a seguridade social, peculiar essên­
cia de qualquer plano de proteção, o Poder Público poderá ser chamado a 
intervir, com seus poderes, para repor as coisas no devido lugar.
Seguro, seguro social privado, organizado em bases atuariais, o plano 
complementar deveria ser custeado, na sua totalidade, pelas contribuições 
adicionais de cada um dos participantes e da patrocinadora.
As anomalias que provoquem desequilíbrios financeiros podem ser 
provocadas por causas remotas (como a inadequada estimativa das fontes de 
custeio) ou por causas próxinjas (como quando os recursos capitalizados no 
fundo de pensão não rendem o suficiente, ou quando a complementação 
devida ao participante assistido é maior em razão do achatamento do bene­
fício básico pago pelo Regime Geral de Previdência Social).
Em suma, insistimos em que o equilíbrio financeiro e atuarial é ver­
dadeiro dogma para os entes de previdência privada.
Tal exigência constitucional pode significar, conforme as circunstan­
cias, em modificação do modelo comum de financiamento dos planos, 
custeado pelas contribuições de participantes e patrocinadores.
Pode ser que, para a manutenção do equilíbrio financeiro do plano, 
certos benefícios devam ser custeados, com exclusividade, pelo participante.
Previa essa possibilidade o art. 31, § I o do Decreto n° 81.240/78*, 
com a redação que lhe deu o Decreto n° 2.111, de 1996*, segundo o qual 
benefícios que não estivessem