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Wagner Balera - Comentários à Lei de Previdência Privada - Ano 2005

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coordenar e supervisionar as atividades 
reguladas por esta Lei Complementar, compatibilizando- 
as com as políticas previdenciária e de desenvolvimento 
social e econômico-financeiro;
III - determinar padrões mínimos de segurança econômi- 
co-financeira e atuarial, com fins específicos de preservar
C a p ít u l o I (A r t s . I ' ' a V 1] - I I
a liquidez, a solvência e o equilíbrio dos planos de benefí­
cios, isoladamente, e de cada entidade de previdência com­
plementar, no conjunto de suas atividades;
IV - assegurar aos participantes e assistidos o pleno aces­
so às informações relativas à gestão de seus respectivos 
planos de benefícios;
V - fiscalizar as entidades de previdência complementar, 
suas operações e aplicar penalidades; e
VI - proteger os interesses dos participantes e assistidos 
dos planos de benefícios.
De comum, as entidades fechadas de previdência privada tem a ca 
racterística elementar de, na qualidade de componentes do sistema brasi 
leiro de seguridade social, estarem sob a tutela do Poder Público. Tutela 
rígida essa, ainda que a tendência do modelo seja, como veremos a sen 
tempo, de redução do papel do Estado no particular.
Ao compor a moldura elementar do sistema, a Superlei, a um só 
tempo, fixa diretrizes para todo o conjunto que conforma a seguridade 
social e preordena regimes jurídicos peculiares a cada parcela do mesmo 
arcabouço.
A interferência do poder social na vida das entidades de previdêi 1 c i a 
privada não deve mais, sob pena de desbordar dos limites conslifoeionais 
bem traçados, ser de molde a ditar comportamentos; configurar estrutura:> 
e impor exigência
Ao-órgão regulador e fiscalizador compete, apenas e tão-somcnic, 
vigiar para que a entidade mantenha seu perfil a um só tempo previdenci ário 
e securitário.
Of controle sobre os recursos mutuados será, sim, sempre pertincnlv 
e exigívcl quando e se seu escopo consistir na verificação das condições de 
equilíbrio financeiro e atuarial dos planos. Missão essa tipicamente iiis 
trumental. O Estado, dizia o velho Professor ATALIBA N O G U EI KA, e 
meio c não fim. Atua para que, de final, a seguridade complementar alcan 
cc a plena concretização.
X i - C o m en tário s à Lei de Previdência Privad a
Pertencem ao domínio do ius civile os contornos jurídicos da entida­
de previdenciária privada. Já mais de uma vez apontei essa circunstância, 
como no seguinte trecho:
“O sistema de previdência supletiva, no Brasil, éprivado. Essa característica 
não pode ser considerada apenas como um rótulo, presente no nome (previdência 
privada) e ausente na prática. Não! Convém que haja um esquema estatal de prote­
ção e que, ao lado dele, caliça uma estrutura privada efacultativa.” (Cf., o meu, A 
Seguridade Social na Constituição de 1988, RT, São Paulo, 1989, p. 109).
O regime jurídico da entidade será ditado, especificamente, pela com­
posição do “capital” do fundo.
Nas fundações, esse critério ressalta a evidência. O já citado CLÓ - 
VIS BEVILACQUA diz da fundação ser aquela “ universidade de bens per­
sonalizada, em atenção ao fim que lhe dá unidade'' (in op. cit. p. 240).
Os instituidores da fundação, a um só tempo, designam o fim e deter­
minam o patrimônio apto a ser utilizado para a consecução da finalidade.
Na fundação que é entidade de previdência privada, o cabedal injcial 
já qualificará certa posição: prevalência de valores carreados pelcy Poder 
Público ou, ao reverso, maioria de capitais oriundos de patrocinadorgs pri­
vados,
Na sociedade civil, por igual, a composição inaugural da jóia ou das 
cotas que cada associado trará para o escrínio comum define a posição 
majoritária.
A entidade previdenciária complementar, se bem que assentada nos 
domínios privados, seguirá definida, explica M O R EIR A N E T O como: 
aserviço privado de interessepúbljco.”
Ê na verdade o setor de atuação do ente privado - a previdência - que 
se acha sob o pálio do direito público. Essa circunstância decorre da natu­
ral força atrativa do regime geral de previdência social em torno do qual a 
previdência complementar segue gravitando.
O preceito em comento põe em evidência que a previdência comple- 
mentar, conquanto se ache sob o domínio do direito privado, é instrumental 
de que se vale o Estado brasileiro para organizar a ordem econômica c 
fi nanecira e para incrementar o desenvolvimen to.
C a p ít u l o I (A rts . I " a I I
Esse equilíbrio precário entre o público e o privado justifica ambi 
güidades de um modelo que ainda está em processo de conformação 
institucional e estrutural.
Resulta desde já inegável que, tais entes, formam parte integrante da 
economia nacional.
A previdência privada nada mais é, em linguagem imprópria aos pa 
drões de reflexão jurídica, do que um método de economia coletiva.
Como tal, por ela se interessa o Estado não apenas para impor Ilu: 
padrões de segurança, solvência, liquidez e equilíbrio financeiro e atuarial, 
como comanda o preceito, como por igual para proteger os interesses (los 
participantes dos planos geridos por essas entidades.
De certo modo, para que a previdência privada, fórmula bem armada 
de cooperação entre particulares e poderes públicos nos quadrantes da 
seguridade social tenha sucesso, a confiabilidade do sistema é essencial.
Donde que o regime jurídico especial dessa modalidade de institui 
ção está permeado por inúmeras interferências do Estado.
Atividades de previdência privada, por sua afinidade conceituai e 
institucional são indispensáveis ao cumprimento da universalidade da o > 
bertura e do atendimento, objetivo maior da seguridade social, consoa 111 e 
afirma o comando estampado no art. 194, parágrafo único, inciso 1 da 
Norma Fundamental.
Assim sendo, a lei cuidou de por nas mãos do Estado gama imensa 
de tarefas que revelam, ainda, certo preconceito e cautela para com o setor 
privado.
E que a atividade previdenciária se revela tão essencial aos objetivos 
do Estado do Bem-Estar que, mesmo com o distanciamento que a mesma 
deve guardar da comum função do seguro social, atuará como anexa dela.
Definida pela Norma Fundamental como complementar ao regime 
geral, conquanto autônoma, a previdência privada está investida da voca 
ção constitucional da seguridade social.
I') rele-vantíssima a atividade da previdência privada e, obviamcntc, a 
rçocita vultosa que amealha, se aplicada sem os devidos cuidados, pode 
iulKicnci.il a atividade cçoiiomiea no seu todo considerada.
34 - C o m e n t á r io s à L ei d e P r ev id ên c ia P r ivad a
Esse outro ângulo de análise sob o qual se pode observar o fenômeno 
previdenciário privado revela a complexidade do tema. A um só tempo as 
questões sociais e econômicas se entrelaçam, exigindo a presença media­
dora do Poder Público para encaminhá-las em prol do bem comum.
Penso que, chegados a este ponto, já podemos aprofundar o assunto.
A previdência privada só pode ser atuada em regime contratual e 
facultativo do qual o Estado de aproxima por ser o titular último do inte­
resse da comunidade.
Mesmo no modelo previdenciária privada do tipo não contributório, 
previsto no art. 21 da Resolução M PAS/CPC n° 1, de 1978, na qual o 
patrocinador assume o custeio dos encargos totais dos planos de benefí­
cios, onde o fenômeno se confunde com a assistência social, a presença do 
Estado é necessária como decorrência do favor fiscal — a imunidade — que 
adentra no negócio privado como contraparte pública.
Nenhuma contribuição, nesse caso, é devida pelo participante- que 
goza do favor — da benemerência - do patrocinador do plano. Pode ser 
considerada, segundo a clássica definição do direito civil, estipulação em 
favor de terceiro a contratação do plano previdenciário pela empresa que, 
|>or benemerência, suporta sozinha o respectivo custeio.
Baseados no modelo norte-americano, esses planos - non-contributory