A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
113 pág.
Mecnica dos Solos I - UFBA

Pré-visualização | Página 26 de 31

predominantes.
Com o valor do SPT obtido em cada metro, os solos são classificados, quanto a
compacidade (solos grossos) e consistência (solos finos), conforme mostram as Tabelas 10.1
e 10.2. Nestas tabelas também estão apresentados os valores estimados de ângulo de atrito,
densidade relativa e resistência de ponta do cone (vide item 10.2.2.1), (qc), para os solos
arenosos e estimativa da resistência a compressão simples (Su), para os solos argilosos.
Tabela 10.1 − Classificação segundo o SPT, para solos arenosos
Solo SPT Designação Correlações
qc(Mpa) φ (°) Dr
Areias e siltes arenosos
≤ 4
5 − 10
11 − 30
31 − 50
>50
Fofa
Pouco compacta
Medianamente compacta
Compacta
Muito compacta
< 2
2 − 4
4 − 12
12 − 20
> 20
< 30
30 − 35
35 − 40
40 − 45
> 45
< 0,2
0,2 − 0,4
0,4 − 0,6
0,6 − 0,8
> 0,8
Tabela 10.2 − Classificação segundo o SPT, para solos argilosos
Solo SPT Designação Su (kg/cm2)
Argilas e siltes
argilosos
≤ 2
3 − 4
5 − 8
9 − 15
16 − 30
>30
Muito mole
Mole
Média
Rija
Muito rija
Dura
< 0,25
0,25 − 0,5
0,5 − 1,0
1,0 − 2,0
2,0 − 4
> 4,0
As correlações existentes entre o SPT e a consistência das argilas, principalmente as
argilas sensíveis, podem estar sujeitas a erros, em virtude da mudança de comportamento da
argila, em função de cargas dinâmicas e estáticas, provocando o amolgamento (destruição da
estrutura) e consequentemente modificando sua resistência à penetração. Além disso, é
importante ressaltar que os valores de N podem ser alterados por fatores ligados ao
equipamento usado, técnica operacional, bem como erros acidentais.
Os fatores ligados ao equipamento são:
[ Forma, dimensões e estado de conservação do amostrador. O amostrador deve ter,
rigorosamente, as dimensões indicadas pela norma. Quanto maior a sua seção ou
mais espessa sua parede, maiores serão os índices de resistência à penetração
obtidos.
92
[ Estado de conservação das hastes e uso de hastes de diferentes pesos. Hastes com
massa maior levam a índices maiores, por absorver uma maior quantidade da
energia aplicada. As hastes devem ter massa variando entre 3,2 a 4,4kg/m.
[ Martelo não calibrado e natureza da superfície de impacto (ferro sobre ferro). O
coxim de madeira deve estar, sempre, em boas condições, não deverá ocorrer
golpes metal−metal.
[ Diâmetro do tubo de revestimento: quanto maior o diâmetro do tubo de
revestimento maior a alteração que o solo, abaixo da ponta do tubo, poderá sofrer.
Os tubos de revestimento devem ser de aço, com diâmetro nominal interno de
67mm ou 76mm.
Os fatores ligados a técnica de operação são os seguintes:
[ Variação da energia de cravação: o martelo deve cair em queda livre de uma altura
constante (75cm). É muito comum, com o transcorrer do dia, haver uma tendência,
devido ao cansaço, da altura de queda ir diminuindo e com isso aumentando−se os
valores dos índices;
[ Processo de avanço da sondagem, acima e abaixo do nível d’água subterrâneo.
Conforme já comentado, a lavagem por circulação de água somente é permitida
abaixo do NA, acima deve−se usar o trado espiral.
[ Má limpeza do furo. Presença de material no interior da perfuração. Furo não
alargado suficientemente para a livre passagem do amostrador.
Quanto aos erros acidentais, refere−se a erros na contagem do número de golpes,
sendo a maioria cometidos devido ao baixo nível de escolaridade do pessoal do grupo. São os
mais difíceis de serem constatados.
Os resultados de uma sondagem deverão ser apresentados em forma de relatório
contendo o perfil individual de cada furo, com as cotas, diâmetro do tubo de revestimento,
posições onde foram recolhidas amostras, posição do N.A., resistência a penetração (SPT) e
descrição do solo, bem como um corte longitudinal (seção), onde podem ser evidenciadas as
seqüências prováveis das camadas do subsolo. O relatório fornecerá dados gerais sobre o
local e o tipo de obra, descrição sumária do equipamento e outros dados julgados importantes.
A fig. 10.7 apresenta um perfil individual de sondagem à percussão e a fig. 10.8, um perfil
associado do subsolo. Na figura 10.8, o termo P/45 indicam uma penetração de 45 cm devida
apenas ao peso próprio da composição, sem a necessidade de execução de qualquer golpe
2035A7BffiCE8�9ffi4�=DM�n59�B�Bffi35oS4`9$3 9ffiA7Bffi=�C�3'U�:de
Critérios de paralisação da sondagem 
a) quando em 3m sucessivos, se obtiver índices de penetração maiores do que 45/15
(quarenta e cinco golpes para os quinze primeiros cm de penetração);
b) quando, em 4m sucessivos, forem obtidos índices de penetração entre 45/15 e
45/30
c) quando, em 5m sucessivos, forem obtidos índices de penetração entre 45/30 e
45/45.
d) Caso a penetração seja nula em 5 impactos do martelo, o ensaio deverá ser
interrompido, não havendo necessidade de obedecer o critério estabelecido acima. No
entanto, se esta situação ocorrer antes de 8,0m de profundidade, a sondagem deverá ser
deslocada até o mínimo de 4 vezes em posições diametralmente opostas, distantes 2,0m da
sondagem inicial.
e) Atingida a condição de impenetrável à percussão anteriormente descrita, a mesma
poderá ser confirmada pelo ensaio de avanço por lavagem, por 30minutos, anotando−se os
avanços para cada período de 10 minutos. A sondagem será dada como encerrada quando
93
nessa operação forem obtidos avanços inferiores a 5cm em cada período de 10minutos, ou
quando após a realização de 4 ensaios consecutivos não for alcançada a profundidade de
execução do ensaio penetrométrico seguinte.
Figura 10.7 − Perfil individual de sondagem .
94
Figura 10.8 − Perfil associado de sondagem .
Espaçamento entre cada sondagem
O espaçamento ou o número de sondagens e sua distribuição em planta dependerá do
tipo, tamanho da obra e da fase em que se encontra a investigação do subsolo. Praticamente, é
impossível estipular o espaçamento entre as sondagens antes de uma investigação inicial, pois
este será em função da uniformidade do solo. Quando a estrutura, tem sua localização bem
definida dentro do terreno, a ABNT (NBR 8036) sugere o número mínimo de sondagens a
serem realizadas, em função da área construída, conforme mostra a Tabela 10.3. Os furos
devem ser internos à projeção da área construída. Quando as estruturas não estiverem ainda
localizadas, o número de sondagens deve ser fixado, de modo que, a máxima distância entre
os furos seja de 100m e cobrindo, uniformemente, toda a área. A sondagem deverá ser
executada até o impenetrável ao amostrador ou até a cota mais baixa da isóbara igual a 0,10p,
estimada pelo engenheiro projetista da fundação.
Observação do nível d’água
Durante a execução da sondagem são feitas as determinações do nível d’água,
registando−se a sua cota e/ou a pressão que se encontra em campo (artesianismo). Quando
detectar um grande aumento da umidade do solo retirado com o trado helicoidal, a perfuração
deverá ser interrompida e passa−se a observar a elevação da água no furo até a sua
estabilização, efetuando−se leituras a cada 5 minutos, durante 30 minutos. As leituras são
95
efetuadas utilizando um pêndulo ou pio elétrico. Sempre que houver paralisação dos serviços,
antes do reinicio é conveniente uma verificação da posição do nível d’água. 
Tabela 10.3 − Número mínimo de sondagens, segundo a ABNT.
Área construída (m2) No. Mínimo de furos
200 2
200 − 400 3
400 − 600 3
600 − 800 4
800 − 1000 5
1000 − 1200 6
1200 − 1600 7
1600 − 2000 8
2000 − 2400 9
> 2400 a critério
-�X,+ .1+fi-�+
p?+�U�35A78�=Dc�9ffiKq4�35J_=DJ_C�<�=
A sondagem rotativa é empregada na perfuração de rochas, matacões e solos de alta
resistência. Tem como objetivo principal a obtenção de testemunho (amostras de rocha) para
identificação das descontinuidades do maciço rochoso, mas permite ainda a realização de
ensaios "in situ", como por exemplo o ensaio de perda d’água ou infiltração.
O equipamento para