Marco Antonio Marques da Silva - Acesso à Justiça Penal e Estado Democrático de Direito - 1ª edição - Ano 2001
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DisciplinaDireito Processual Penal I16.745 materiais130.262 seguidores
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principal. Acompanhando a acusação irão todas as atas instru- 
tórias69. A função do procedimento intermediário é uma forma negativa de controle.
Durante o procedimento intermediário o imputado pode requerer a realização 
de provas e formular objeções. O Tribunal poderá determinar as investigações 
complementares que entender necessárias, porém, de uma maneira geral, decide 
sobre a abertura do processo principal com fundamento nãs provas colhidas durante 
a instrução e na própria acusação. O procedimento principal será instaurado se há 
fundada suspeita da prática do delito. Inexistindo, o Tribunal negará a instauração 
do procedimento principal, ou poderá, ainda, determinar a suspensão provisória do 
procedimento.70
Na decisão de abertura do procedimento principal o Tribunal determinará se a 
acusação será recebida no mesmo modo como foi oferecida ou se sofrerá modi­
ficações, e com que alcance essa modificação se procederá, decidirá, ainda, qual o 
competente.
O imputado não pode recorrer da abertura do procedimento principal, ou contra 
aquelas resoluções que decidam pela não abertura do procedimento principal ou, 
ainda, contra as decisões que entendam como competente para o procedimento 
principal um Tribunal de hierarquia inferior71.
E com a resolução de abertura que se inicia o procedimento principal. A audiên­
cia ou juízo oral (debate) é o ponto essencial de todo o procedimento principal, por 
este motivo, ela importa em uma preparação exaustiva, especialmente com a fixação 
da audiência72 a determinação de acusados e testemunhas73, bem como da 
necessidade da recepção antecipada de provas74. A sentença fundamenta em todo
66 § 170, II, daOPP.
67 § 153 ess, daOPP.
68 § 200, da OPP.
69 § 199, da OPP.
70 §§ 203, 204, 205, 206, a, 206, b, da OPP.
71 §210, III, da OPP.
72 § 213, da OPP.
73 §§214-218, da OPP.
74 §§223-225, da OPP.
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o conhecimento formado nela75. Deve acontecer, como uma exigência do princípio 
da oralidade, com a presença dos juizes leigos e profissionais, do promotor de justiça, 
de um funcionário que irá documentar os atos da audiência76, e necessariamente do 
defensor do imputado77. O imputado, como regra, também deverá estar presente, 
porém a lei prevê exceções78. Em regra a audiência é ininterrupta, quando há inter­
rupção ela não chega a ser maior de dez dias, em caso contrário há uma suspensão 
e reinstauração posterior79.
A recepção da prova é regida pelo princípio da investigação ou instrução. 
Em virtude disso, o Tribunal investiga os fatos sem sujeitar-se as petições ou 
declarações das partes, há um dever judicial de esclarecimento. As partes, porém, 
tem o direito de petição de provas80. E importante se anotar que vigora no direito 
processual penal alemão o princípio da imediação formal e material. Esse princípio 
importa que somente possam ser invocados como fundamento da sentença os fatos 
comprovados perante o mesmo Tribunal que está proferindo a sentença (imediação 
formal) baseados na prova primária (princípio da imediação material)81, como 
conseqüência, a adoção das chamadas provas substitutivas, em especial a leitura de 
declarações anteriores, é, como regra geral, inadmissível *
Finalizada a recepção acontecem as alegações finais da acusação e da defesa, 
nessa ordem, e do próprio acusado. Este tem a última palavra82. Encerrada a fase de 
alegações, o Tribunal se retira para proferir a sentença. A sentença, de acordo com 
o princípio da livre apreciação judicial da prova, se baseia na livre convicção do 
Tribunal acerca dos fatos provados; desse modo, o Tribunal não está sujeito a regras 
para a avaliação das provas, senão somente as regras da experiência e do raciocínio.
O princípio do in dubio pro reo, em relação a culpa e a pena, também orienta 
o julgamento. Assim, o imputado deverá ser absolvido sempre que o Tribunal não 
esteja convencido de modo cabal da culpa83.
Rege, ainda, o processo penal alemão, o princípio da publicidade, de acor­
do com o que prescreve o § 169, da Lei Orgânica dos tribunais (Gerichtsver- 
fassungsgesetz \u2014 GVC).
75 §§261,264,1, da OPP.
76 § 226, da OPP.
77 § 145,1, primeira parte, da OPP.
78 §§ 230, 231,1 e 236; situações de exceção à presença do acusado §§ 231, II e 234, a, da OPP.
79 §§ 228,1, e 229,1 3 IV, da OPP.
80 §§244, II, V, 245, II, e 246, da OPP.
81 §§ 250, segunda parte, 261 e 264, da OPP.
82 § 258, da OPP.
83 § 261, contrário da OPP.
4 4 - E d it o r a J u a r e z de O liv eir a M a r c o A n t o n io M a r q u e s d a S ilv a
Na publicação da sentença, somente a parte dispositiva é lida, uma vez que se 
fundamenta a sentença oralmente84, além do acusado ser instruído do modo pelo 
qual poderá recorrer da mesma. A sentença deverá estar redigida por escrito dentro 
das cinco semanas seguintes e incluída ao expediente85. O interessado poderá reque­
rer uma cópia da sentença86. Como recursos, há diversidade conforme o Tribunal 
que tenha proferido a sentença.
O procedimento por mandato penal acontece sempre quando existentes os 
pressupostos para a promoção de uma ação penal pública87; não se considera neces­
sário a audiência ou juízo oral88, porque o caso envolve de um modo geral uma 
situação probatória simples, como quando há uma confissão do imputado, de tal 
modo que se possa fundamentar uma decisão naquilo que ficou por escrito das 
investigações policiais, e, ainda, o fato imputado é um delito dito leve de competência 
do juiz penal Amtsgericht (AG)89.
A Promotoria formula uma petição escrita que eqüivale a acusação90 e deve 
perseguir as determinadas conseqüências jurídicas - em princípio pelo mandato penal 
podem ser fixadas penas pecuniárias e outras restrições de direito, sem que haja 
privação de liberdade91.
O procedimento acelerado se encontra regulado pela Lei contra a delinqüência, 
de 1994 nos § | 417-420. O procedimento se inicia por uma petição de condenação 
formulada pela Promotoria, perante o juiz penal ou o Tribunal de Escabinos do juiz 
penal Amtsgericht (AG), se a causa, com fundamento em seu conteúdo fático ou 
na sua situação probatória que é clara, autoriza a uma deliberação imediata92. Não é 
necessária a existência de uma acusação por escrito, podendo ser feita oralmente no 
começo da audiência e seu conteúdo essencial constar da ata da audiência93. A audiên­
cia se realiza em um prazo de duas semanas sem procedimento intermediário94. 
O imputado é notificado, caso não se apresente voluntariamente, em 24 horas, e a 
notificação deverá conter quais fatos que lhe são imputados95. Caso a pena possível
84 §§260,1,263, 268, da OPP.
85 § 275, da OPP.
86 § 35 ,1, 2, da OPP.
87 § 170,1, da OPP.
88 § 407,1, segunda parte, da OPP.
89 § 407,1, com relação a os §§ 24 e seguintes da Lei Orgânica dos Tribunais - G V G .
90 § 407,1, quarta parte.
91 § 407,1, terceira parte e II.
92 §417.
93 §418.
94 §418,1.
95 §418,11.
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de ser aplicada ao acusado tenha como mínimo seis meses de privação de liberdade, 
deve ser designado ao imputado um defensor.
O Tribunal poderá tomar duas decisões: caso a causa se adapte ao procedimento 
acelerado. Nesse sentido, serão analisadas razões de ordem fática e jurídica. 
No campo fático, a causa para adaptar-se ao procedimento acelerado não poderá 
ser considerada complicada, e a prova deve ser considerada clara, sendo desne­
cessária a realização de audiência. No campo jurídico, a causa se mostra inadequada 
ao procedimento acelerado quando excede a competência legal do juiz ou tribunal 
para as conseqüências jurídicas aplicáveis, ou ainda, quando existam outras razões 
de ordem jurídica, como, por exemplo, falta a suficiente suspeita da prática do delito 
pelo imputado96.
Em sendo considerada inadequada a causa para o procedimento, a petição é 
rejeitada por uma resolução