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Virginia_M._Axline___Dibs___Em_Busca_de_Si_Mesmo

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Onde estão as lojas? Ah, aqui estão. Há também um hospital e uma 
garagem. Enfim, tenho tudo o de que preciso para construir meu 
mundo." 
- É. Parece que sim. 
- Este hospital é um prédio grande. Vou colocá-lo aqui, na First 
Avenue. É justamente isso que a placa indica. Portanto, aqui ficará o 
hospital. Para pessoas doentes. Cheira a doença e a remédios e é um 
lugar triste. Esta aqui é uma linda casa e está no lado sul da rua. Bem, 
mas esta é uma cidade imensa, barulhenta e precisa de um parque. 
Construirei um parque, portanto. Cheio de árvores e arbustos. Bem 
aqui será a escola. Não - recuou, guardando a miniatura no estojo. - Ali 
ficará uma outra casa. Tantas casas próximas umas das outras! E 
todas habitadas. Formam uma vizinhança amiga. Agora, levantarei uma 
cerca em volta do aeroporto. Será uma medida de segurança. Agora as 
cercas vivas - decidiu, selecionando as plantas de espuma de borracha 
verdes. - Estão crescendo. Cercas vivas e arbustos. Muitas árvores. 
Todas enfileiradas na avenida. Árvores cobertas de folhas. Uma cidade 
no verão. 
Sentou-se sobre os calcanhares e fitou-me. Estendeu os braços e 
sorriu. 
- Oh, adorável verão, pleno de folhas! Agora, fora da cidade haverá 
uma fazenda com muitas vacas pastando - falou, enfileirando-as. - Elas 
estão indo para (Pag. 170 171) o estábulo. Aguardam a hora de serem 
ordenhadas - comentou, voltando-se, em seguida, para a caixa em 
busca de novos elementos. 
- Agora será a vez das pessoas! - gritou. - Uma cidade tem de ter 
pessoas. Aqui está o carteiro - disse, exibindo para mim uma das 
figuras. - Que grande bagagem carrega! São cartas. Por isso movimenta-
se pelas ruas, parando em cada casa. Assim as pessoas vão recebendo 
suas cartas. E Dibs, té Dibs recebe uma carta dirigida só a ele. O 
carteiro continua seu trabalho. Chega ao hospital. Também os feridos e 
os doentes recebem suas cartas. E quando isso acontece, sorriem por 
dentro. Riem de coração. O caminhão segue para o aeroporto. A cerca 
mantém os aviões em seu próprio campo, impede-os de ultrapassar os 
limites e, assim, atingir as pessoas. O avião está voando no céu, 
sobrevoa a cidade. Veja só! Sobre a cidade. O avião cortando o azul do 
céu, bem próximo do brilho e da brancura das nuvens. - Dibs 
interrompeu seu brinquedo e sentou-se em silêncio, observando o 
mundo que estava criando. Suspirou. Apanhou novas figuras no estojo. 
- Aqui estão as crianças e suas mães - disse. - Vivem juntas na 
fazenda, em uma casa aconchegante. Há também carneirinhos e 
galinhas. A mãe está descendo a rua em direção à cidade. Não sei para 
onde se dirige. Será que vai ao açougue comprar carne? Não. Prossegue 
sempre descendo a rua, descendo, até parar ao lado do hospital. Tento 
adivinhar por que decidiu parar justamente ali. 
- Eu também, Dibs. 
Ficou sentado imóvel por um longo tempo, olhando para a figura 
da mãe. 
- Bem - disse finalmente. - Lá está ela ao lado do hospital. Há filas 
de carros correndo pelas ruas. E um carro de bombeiro. Todos devem 
afastar-se para dar-lhe passagem - falou, enquanto os movimentava 
para cima e para baixo, imitando o barulho característico de um 
trânsito intenso. 
- Mas onde estão as crianças? Oh, aqui está uma delas. 
Encaminhando-se sozinha para o rio. Pobre criancinha tão solitária. E o 
jacaré nada naquele rio. E aqui está uma cobra enorme. Algumas 
serpentes vivem dentro da água. O garoto aproxima-se mais e mais do 
rio. E a cada passo chega mais perto do perigo. 
Uma vez mais, Dibs parou sua atividade para observar seu 
mundo. 
De repente, sorriu. 
- Sou um construtor de cidades - disse. - O cozinheiro saiu para 
esvaziar a cesta de lixo. Aquela senhora vai fazer compras. A outra 
dirige-se à igreja para cantar um hino, pois é uma boa mulher. - 
Colocou outra criança ao lado daquela, que permanecia na margem do 
rio. - Esta criança seguirá o menino. Brincando na água, ele ignora a 
existência do jacaré e da cobra. Mas o outro garoto é seu amigo e vai 
avisá-lo do perigo e aconselhá-lo a tomar um barco. O menino entrou 
no barco. E ele é seguro. Os dois meninos sobem no barco e são amigos 
- afirmou, colocando-os num barquinho. 
- Agora temos aqui o policial que dirige o trânsito. Isso é bom para 
todo mundo. - Coloca mais sinais de trânsito em sua cidade. - Algumas 
ruas têm duas mãos de direção, e outras, só uma. Esta rua é de mão 
única. - Dibs tirou a escola da caixa. - Ah! nesta placa está escrito: 
"Escola nº 1". Devemos ter escolas - observou rindo. - As crianças 
necessitam de escolas. Assim, poderão ser educadas. Esta criança aqui 
- esta garotinha - ficará em casa. Ficará com sua mãe, seu pai e seu 
irmão. Todos querem que ela permaneça em casa, para que não se sinta 
sozinha. - Dibs estava absorvido na tarefa de criar seu mundo. 
Selecionou todas as miniaturas humanas que encontrou no estojo 
e as foi distribuindo em volta da sua cidade. Havia criado um mundo 
cheio de gente. 
- Aqui é um lar - falou, indicando uma das casas. - Há uma 
árvore grande no quintal. Uma árvore muito especial. Aquele homem 
que caminha na calçada dirige-se para seu lar. É o pai. 
Dibs levantou-se, atravessou a sala em direção à parede recoberta 
pelo espelho, onde bateu com vigor. 
- Tenho novos brinquedos. Uma cidade completa para construir, 
com casas, pessoas e animais. Criei uma cidade - uma imensa e 
povoada cidade, toda comprimida como Nova York. Sem dúvida, alguém 
está datilografando um bocado nesse escritório. 
Retornou à sua cidade, ajoelhando-se no chão, a seu lado. 
- O caminhão de lixo vem descendo esta rua. O sinal de trânsito 
indica-lhe que deve parar. Mas quando o policial o vê, troca o sinal, 
permitindo que continue. O caminhão segue o seu caminho, feliz. Um 
cachorro também está descendo a rua e o policial muda o sinal para 
que ele não tenha que esperar e assim o cachorro prossegue, feliz. Pare. 
Siga. Pare. 20 Siga. Digo-lhe que há vida nesta cidade. Coisas movem-
se. Pessoas vão e vêm. Casas, igrejas, carros, pessoas, (Pag. 172 173) 
animais e lojas. Aqui, ao ar livre, estão os animais em uma fazenda 
fresca e verdejante. 
De repente, apanhou o carro de bombeiros e zumbindo fê-lo 
descer a rua. 
- O corpo de bombeiros recebeu um chamado urgente. A casa está 
pegando fogo e as pessoas estão presas no segundo andar - as pessoas 
adultas. Gritam e vociferam e não conseguem sair. Mas o carro de 
bombeiros chega e lança água por toda a casa. Estavam aterrorizados 
ao extremo, mas foram salvos. 
Dibs riu levemente consigo mesmo. 
- Por que aquele era seu pai, Dibs? E aquela, sua mãe? - 
Encaminhou-se para a mesa e sentou-se, fitando-me. - Papai continua 
muito, muito ocupado - disse. - Outro dia, o Dr. Bill foi à nossa casa ver 
mamãe. Eles eram bons amigos. Conversou durante muito tempo com 
mamãe. Dr. Bill gosta de minha mãe. Falou que eu estava bem. 
- Foi isso que ele disse? 
- Opa! Não posso me esquecer. Quando sair daqui hoje devo ir ao 
barbeiro para cortar meus cabelos. Costumava fazer um tremendo 
alarido. No entanto, nunca mais fiz isso. Sabe? Uma vez mordi o 
barbeiro. 
- Você o mordeu? 
- Sim, estava amedrontado. Mas agora não tenho mais medo. 
- Então, você não mais tem medo? 
- Acho que é porque estou crescendo. Mas devo terminar minha 
cidade. Vou colocar várias árvores, arbustos e plantas à sua volta. 
Então, ela ficará mais bonita. Esta é uma rua muito movimentada. 
Colocarei todas estas pessoas dentro da cidade. Olhe só este táxi que 
vem de encontro ao trem. As pessoas estão sempre se visitando e todos 
ficam felizes de se verem. Lá vem o carteiro. Quantas ruas já percorreu 
distribuindo cartas para as pessoas. Mas aqui está