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Apostila - Transmissão de Energia Elétrica - Curso Básico

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TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA 
CURSO BÁSICO 
 
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Com o aprimoramento da técnica de fabricação de porcelana, a melhoria de sua 
resistência dielétrica, bem como o aperfeiçoamento da qualidade do material para a 
vitrificação, e principalmente de seus desenhos, relegaram o problema da perfuração e 
queima das superfícies pelo arco a um plano secundário, aconselhando-se, hoje, o 
abandono do emprego dos anéis de potencial e chifres, mesmo nas tensões elevadas e 
extra-elevadas. 
Nas linhas de tensão extra-elevadas verificam-se, no entanto, grandes concentrações de 
potenciais nas angulosidades e arestas inevitáveis das ferragens de suspensão, de forma 
que são adotados anéis distribuidores chamados anéis de guarda, colocados lateralmente 
aos grampos de suspensão. 
 
 
Anéis Anti-Corona 
 
1.5 – Isolação 
 
O bom desempenho de uma linha de transmissão está diretamente ligado ao seu 
isolamento. Nos projetos atuais são levados em consideração para dimensionamento do 
isolamento da mesma, os seguintes fatores: classe de tensão, surtos de tensão por 
manobra, resistência de aterramento, contaminação industrial e ou salina, nível 
isoceráunico da região, densidade relativa do ar e pressão atmosférica. 
 
1.5.1 – Isoladores 
 
Em regras gerais, os ensaios realizados pelos fabricantes de isoladores abrangem 
ensaios elétricos e mecânicos, que são: 
 
9 Tensão crítica de descarga a seco, sob impulso, polaridade positiva e negativa; 
9 Tensão de descarga a seco e sob chuva, à freqüência industrial; 
9 Tensão suportável a seco e sob chuva em um minuto, à freqüência industrial; 
9 Tensão de perfuração em óleo; 
9 Nível de rádio interferência (RIV); 
9 Choque térmico; 
9 Galvanização; 
9 Eletromecânico de ruptura. 
 
Estes ensaios normalmente são relativos a aceitação de encomendas que obedecem a 
determinadas Normas, Padrões e Especificações das empresas compradoras. 
 
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1.5.2 – Característica Mecânica dos Isoladores 
 
Os tipos de isoladores empregados nas linhas de transmissão podem ser do tipo vidro ou 
porcelana, onde embora tenham características elétricas e mecânicas semelhantes, 
possuem uma diferença bastante acentuada no que diz respeito aos impactos. 
A resistência ao impacto (resiliência) depende da direção de sua incidência em relação ao 
ângulo formado pela aba da saia do isolador. A direção de incidência prevista pela Norma 
ABNT MB-22, para efeitos de ensaios, é longitudinal. 
A resiliência dos isoladores de porcelana é fraca, enquanto que para os de vidro é 
considerada boa. 
 
 
 
Isolador de Porcelana 
 
1.5.3 – Isoladores Poluídos 
 
À medida que os níveis de tensão dos sistemas elétricos vêm se elevando, por 
necessidades técnicas e econômicas, os sistemas passam a ser mais precisos e eficazes. 
Se por um lado os sistemas tornam-se mais precisos, por outro lado aumentam os pontos 
vulneráveis às sobretensões. O problema se agrava quando o sistema abrange áreas 
sujeitas à poluição industrial e/ou áreas sujeitas a poluição salina. 
O efeito da poluição nos isoladores depende dos fatores: 
 
9 Substância depositada sobre os isoladores, qualitativa e quantativamente; 
9 Posição das cadeias de isoladores (vertical, horizontal ou em “V”); 
9 Torre (tipo, distância da cadeia à torre); 
9 Natureza geológica do solo; 
9 Tipo de isolador (contorno, distância de escoamento). 
 
Existem também, casos de queima ou quebra em isoladores devido a descargas 
atmosféricas, porém tal falha depende da intensidade das mesmas. 
 
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Em alguns destes casos, quando ocorre uma falha no isolador, esta pode provocar a 
queda do cabo condutor ou pára-raios, representando riscos pessoais e materiais. 
 
1.5.4 – Isoladores Quebrados 
 
Um dos problemas de manutenção de linhas de transmissão que mais tem se agravado 
ultimamente é a manutenção com isoladores. As linhas de distribuição, situadas nas 
regiões urbanas, são as que mais preocupam, devido às causas de vandalismo. As linhas 
de transmissão também são afetadas com a quebra de isoladores, porém em menor 
escala. 
 
1.6 – Manutenção de Isoladores 
 
Os métodos normalmente utilizados para se detectar ou substituir os isoladores 
comprometidos são: 
 
9 Inspeção periódica terrestre ou aérea; 
9 Análise do desempenho da LT com relação aos desligamentos sem causa definida; 
9 Ensaios em cadeias, para verificação do grau de poluição; 
9 Limpeza manual (não apresenta resultado satisfatório em longo prazo); 
9 Utilização de graxa de silicone ou borracha de silicone (melhor resultado, porém 
muito caro); 
9 Aumento do número de isoladores (problemas de distâncias fase-terra); 
9 Substituição dos isoladores padrão por isoladores anti-poluição (desempenho 40% 
superior ao padrão); 
9 Lavagem de isoladores com a linha energizada. 
 
1.7 – Manutenção em Cabos Condutores e Pára-raios 
 
1.7.1 – Cabos Condutores 
 
Os cabos condutores constituem os elementos ativos das linhas de transmissão, e foram 
definidos por constituírem fundamental importância no dimensionamento e o bom 
desempenho das linhas. 
Na seleção dos cabos condutores para linhas de transmissão aéreas de Extra-alta 
Tensão são considerados dois parâmetros básicos: 
 
9 Capacidade de corrente; 
9 Gradiente superficial. 
 
No critério sobre capacidade de corrente são analisadas a seção reta do condutor, para 
minimizar as perdas ativas, e a capacidade de transportar corrente sob condições de 
sobrecarga e sob ponto de vista do gradiente superficial são considerados, entre outros, 
os níveis de corona visual, perdas corona e rádio interferência. 
Quando um cabo condutor é danificado, o seu reparo ou a emenda do mesmo, deve ser 
tal que sejam reconstituídos os critérios que nortearam a seleção do cabo. 
Deve ser observado ainda para que a tensão máxima de esticamento que o condutor fica 
submetido, não seja alterada, ou seja, deve ser mantida a capacidade mecânica do 
condutor. 
 
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1.7.2 – Critérios para Emenda ou Reparo de Cabos Condutores e Pára-raios 
 
Os cabos condutores e pára-raios estão expostos a diversos fatores que podem danificar 
alguns fios ou mesmo levar à sua ruptura. 
Dentre estes fatores, podemos citar as descargas atmosféricas, explosões de pedreiras 
próximas às linhas, vandalismo, curto-circuito, pontos de aquecimento, vibrações e 
quedas de torres. 
Em função dos fatores, o critério para manutenção é função da causa ocorrida. 
 
1.7.3 – Tipos de Reparos ou Emendas Usuais 
 
9 Reforço Pré-formado ou Protetor de Linhas Pré-formado; 
9 Armadura Pré-formada; 
9 Emenda Condutora Pré-formada; 
9 Emenda Total Pré-formada; 
9 Luvas de Reparo Tipo Compressão; 
9 Emenda a Compressão. 
 
 
Emenda Pré-formada 
 
1.8 – Faixa de Servidão 
 
1.8.1 – Faixa de Segurança 
 
A largura de uma faixa de segurança de uma linha de transmissão de energia elétrica é 
determinada levando-se em conta o balanço dos cabos devido a ação dos ventos, efeitos 
elétricos e posicionamento das fundações de suportes e estais. 
 
1.8.2 – Limpeza de Faixa 
 
Deverá ser prevista uma faixa limpa com largura suficiente e segura que permita a 
implantação, operação e manutenção da linha. 
O desmatamento da faixa deverá ser reduzido ao mínimo estritamente necessário para 
assegurar condições satisfatórias de construção, operação e manutenção da linha. 
O revestimento vegetal que existe na faixa deverá sofrer limpeza seletiva. 
No desmatamento, nas áreas onde a preservação é permanente, só poderão ser abertas 
clareiras, que permitam a locação e montagem. 
Nas áreas de canaviais, deve-se preceder a erradicação total do mesmo na faixa de 
segurança. 
A limpeza da faixa de segurança e construção de estradas de acesso devem ser 
executadas