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Apostila de Psicologia Aplicada ao Direito

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às 
pessoas em cumprimento de pena, mas também em todo sistema, visando sempre a 
garantia dos direitos humanos. O trabalho psicológico vem trazendo muitos 
resultados positivos para a instituição carcerária, bem como para a sociedade em 
geral.” (MATTOS. A.E. de. A Atuação do Psicólogo Jurídico no Sistema 
Prisional. Disponível em: <http://psicologado.com/atuacao/psicologia-juridica/a-
atuacao-do-psicologo-juridico-no-sistema-prisional>. Acesso em 03/03/14.) 
 
Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Institui a Lei de Execução Penal) 
 
Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de 
sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a 
harmônica integração social do condenado e do internado. 
Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os 
direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. 
Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou 
política. 
Art. 4º O Estado deverá recorrer à cooperação da comunidade nas atividades de 
execução da pena e da medida de segurança. 
Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e 
personalidade, para orientar a individualização da execução penal. 
Art. 6o A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que 
elaborará o programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao 
condenado ou preso provisório. 
Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, existente em cada estabelecimento, será 
presidida pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 (dois) chefes de serviço, 1 (um) 
psiquiatra, 1 (um) psicólogo e 1 (um) assistente social, quando se tratar de condenado 
à pena privativa de liberdade. 
Parágrafo único. Nos demais casos a Comissão atuará junto ao Juízo da Execução e 
será integrada por fiscais do serviço social. 
Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime 
fechado, será submetido a exame criminológico para a obtenção dos elementos 
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necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da 
execução. 
Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o condenado 
ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semi-aberto. 
Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da 
personalidade, observando a ética profissional e tendo sempre presentes peças ou 
informações do processo, poderá: 
I - entrevistar pessoas; 
II - requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a 
respeito do condenado; 
III - realizar outras diligências e exames necessários. 
Art. 10. A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir 
o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade. 
Parágrafo único. A assistência estende-se ao egresso. 
Art. 11. A assistência será: 
I - material; 
II - à saúde; 
III -jurídica; 
IV - educacional; 
V - social; 
VI - religiosa. 
Art. 14. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e 
curativo, compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico. 
§ 2º Quando o estabelecimento penal não estiver aparelhado para prover a assistência 
médica necessária, esta será prestada em outro local, mediante autorização da direção 
do estabelecimento. 
Art. 17. A assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação 
profissional do preso e do internado. 
Art. 22. A assistência social tem por finalidade amparar o preso e o internado e 
prepará-los para o retorno à liberdade. 
Art. 25. A assistência ao egresso consiste: 
I - na orientação e apoio para reintegrá-lo à vida em liberdade; 
II - na concessão, se necessário, de alojamento e alimentação, em estabelecimento 
adequado, pelo prazo de 2 (dois) meses. 
Parágrafo único. O prazo estabelecido no inciso II poderá ser prorrogado uma única 
vez, comprovado, por declaração do assistente social, o empenho na obtenção de 
emprego. 
Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta Lei: 
I - o liberado definitivo, pelo prazo de 1 (um) ano a contar da saída do 
estabelecimento; 
II - o liberado condicional, durante o período de prova. 
 
 
 
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AS PRINCIPAIS ÁREAS DE ATUAÇÃO DA  NO CAMPO JURÍDICO 
Direito Penal: avaliações psicológicas no que pese a sanidade mental das partes 
envolvidas com fatos criminosos (a questão da imputabilidade – Art. 149 do CPP18); 
avaliação da personalidade quando da fixação da pena (art. 59 do CP
19
); avaliação 
complementar ao trabalho do psiquiatra, no caso de Medida de Segurança, em relação 
à cessação ou não da periculosidade de indivíduos internados em Manicômios 
Judiciários (Art. 775 do CPP
20
); violência doméstica contra a mulher (Lei Maria da 
Penha), intervenções junto às famílias vitimadas por crimes etc. 
 
Imputabilidade, Inimputabilidade e Semi-imputabilidade no Direito Penal 
Brasileiro e o Trabalho do Psicólogo 
Segundo o dicionário Aurélio, imputar significa atribuir a alguém 
responsabilidade por alguma ação ou omissão. À luz do direito penal brasileiro, “há 
imputabilidade quando o sujeito é capaz de compreender [dado cognitivo] a ilicitude 
de sua conduta e de agir [dado volitivo] de acordo com esse entendimento. Só é 
reprovável a conduta se o sujeito tem certo grau de capacidade psíquica que lhe 
permita compreender a antijuridicidade do fato e também a de adequar essa conduta a 
sua consciência. Quem não tem essa capacidade de entendimento e de 
determinação é inimputável, eliminando-se a culpabilidadade
21.” 
(Mirabete e Fabbrini, 2013, p. 196 – os negritos e itálicos, as chaves e a nota de rodapé são meus) 
A lei penal brasileira, em seu artigo 26, adota o critério biopsicológico em relação à 
imputabilidade penal. “Por ele, deve verificar-se, em primeiro lugar, se o agente é 
doente mental ou tem desenvolvimento mental incompleto ou retardado [dado 
biológico]. Em caso negativo, não é inimputável. Em caso positivo, averigua-se se 
era ele capaz de entender o caráter ilícito do fato [dado psicológico]; será 
inimputável se não tiver essa capacidade. Tendo a capacidade de entendimento, 
apura-se se o agente era capaz de determinar-se de acordo com essa consciência 
[dado volitivo]. Inexistente a capacidade de determinação, o agente é também 
inimputável. 
Nos termos do CP, excluem a imputabilidade e, em consequência, a culpabilidade: a 
doença mental e o desenvolvimento mental incompleto ou retardado (art. 26); a 
menoridade, caso de desenvolvimento mental incompleto presumido (art. 27); e a 
embriaguez fortuita completa
22
 (art. 28, § 1º). 
 
18 Art. 149 do Código de Processo Penal - Quando houver dúvida sobre a integridade mental do acusado, o juiz ordenará, de ofício 
ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, descendente, irmão ou cônjuge do acusado, seja 
este submetido a exame médico-legal. 
19 Art. 59 do Código Penal - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos 
motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário 
e suficiente para reprovação e prevenção do crime: 
20 Art. 775 do Código de Processo Penal - A cessação ou não da periculosidade se verificará ao fim do prazo mínimo de duração da 
medida de segurança pelo exame das condições da pessoa a que tiver sido imposta [...]. 
21 Culpabilidade - é a reprovabilidade da conduta típica e antijurídica, é o juízo de censura a respeito da conduta do autor de um fato 
típico e antijurídico. 
22 Ou seja, embriaguez imprevisível para o homem. O indivíduo, p.ex., supõe tomar