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Apostila de Psicologia Aplicada ao Direito

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é acionado quando um de seus componentes é 
alterado, tal como num campo de forças eletromagnético. Consequentemente, uma 
informação nova, uma nova experiência ou um novo comportamento emitido em 
cumprimento as normas sociais, ou outro tipo de agente capaz de prescrever 
comportamento, pode criar um estado de inconsistência entre os três componentes 
atitudinais de forma a resultar numa mudança de atitude. Analise o quadro abaixo: 
1º Quadro: 
 COGNIÇÕES AFETOS TEND. COMPORTAMENTAIS CONDIÇÃO 
PRECONCEITO NEGATIVAS NEGATIVOS NEGATIVAS HARMONIA 
SOLIDARIEDADE POSITIVAS POSITIVAS POSITIVAS HARMONIA 
2º Quadro: 
 COGNIÇÕES AFETOS TEND. COMPORTAMENTAIS CONDIÇÃO 
PRECONCEITO NEGATIVAS POSITIVOS NEGATIVAS DESARMONIA 
SOLIDARIEDADE POSITIVAS NEGATIVOS POSITIVAS DESARMONIA 
 
Atitude negativa: o PRECONCEITO 
 
Teoricamente, os preconceitos podem ficar incluídos na 
classe das atitudes, exibindo, em consequência dessa 
inserção, os três elementos acima descritos (quais sejam, 
cognições, afetos e tendências comportamentais); apresentam, 
porém, em adição e em contraste com elas, duas 
características que lhes são específicas: a de que se formam 
sempre em torno de um núcleo afetivamente negativo e a de 
que são dirigidos contra grupos de pessoas. 
 
DISCRIMINAÇÃO 
 
Uma ação qualquer ensejada por algum preconceito 
caracterizaria o que se chama discriminação. Porém, 
“preconceito e discriminação nem sempre ocorrem 
juntos. É possível ter preconceito contra um 
determinado grupo sem se portar abertamente de 
maneira hostil ou discriminatória em relação a ele. Por 
exemplo: um lojista racista pode sorrir para um cliente 
negro para disfarçar opiniões que poderiam prejudicar 
seu negócio. Do mesmo modo, muitas práticas institucionais podem ser 
discriminatórias, embora não se baseiem no preconceito. Por exemplo: as normas que 
estabelecem uma altura mínima para policiais podem discriminar mulheres e 
31 
 
determinados grupos étnicos – cuja altura é inferior ao 
padrão arbitrário -, embora essas normas não se originem em 
atitudes sexistas ou racistas. 
 
INFORMAÇÃO: 
 
LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989 
Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de 
cor. 
(Alterada pelas Leis nº 8.081/90 e 9.459 / 97 já incluídas no texto) 
(http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/LEIS/L7716.htm) 
 
A RELAÇÃO ENTRE PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO 
Analise o quadro abaixo e reflita a respeito 
 
 
ESTEREÓTIPOS 
 
De fato, um estereótipo não se baseia, necessariamente, numa crença 
mas num tipo de associação mental simplista que fazemos entre duas 
coisas que visa facilitar a nossa vida cotidiana. Tais associações podem 
ser conscientes (explícitas) ou inconscientes (implícitas). “Muitas pessoas 
vinculam, involuntariamente, deficiência com fraqueza, árabe com 
terrorismo ou pobre com inferioridade, mesmo que tais estereótipos 
contrariem a racionalidade e até mesmo valores que lhes são caros, como o de justiça 
ou igualdade. 
 
 
 
 
 
Estereótipos e preconceitos podem gerar uma percepção seletiva dos 
outros ou dos fatos: “Por exemplo: uma vez que você classificou 
alguém como homem ou mulher, talvez conte mais com seu estereótipo 
daquele gênero que com suas próprias observações sobre as atitudes da 
pessoa. Pelo fato de as mulheres serem estereotipadas tradicionalmente 
como mais emotivas e submissas, e os homens como mais racionais e 
 
Vide texto “Estereótipos de gênero” –Caderno Introdução à psicologia, p. 19.) 
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assertivos [...] talvez você veja mais esses traços em homens e mulheres do que eles 
realmente existem.” 
 
COMPLETE AS LACUNAS ABAIXO COM EXEMPLOS: 
 ESTEREÓTIPO PRECONCEITO DISCRIMINAÇÃO 
GÊNERO 
CLASSE SOCIAL 
RAÇA 
IDENTIDADE SEXUAL 
IDADE 
 
Leitura Complementar 
“Pessoas invisíveis” 
 
“Em novembro de 1994, o então estudante do 2º ano de Psicologia da 
Universidade de São Paulo (USP) Fernando Braga tornou-se invisível. 'Fiquei 
atordoado, não conseguia sentir o gosto da comida, perdi meu centro', lembra. 
Nem loucura nem ficção científica. Braga atingiu a invisibilidade ao vestir um 
uniforme de gari. Como parte de um estágio solicitado por uma das disciplinas 
que cursava, ele resolveu acompanhar, de duas a três vezes por semana, a rotina 
dos garis da Cidade Universitária - pegando no pesado junto com eles. Ao vestir 
calça, camisa e boné como seus colegas de 'varreção', esperava 
causar espanto, curiosidade ou até mesmo indignação em seus amigos, 
professores, companheiros de futebol e conhecidos da 
USP. No entanto, não conseguiu nem mesmo receber 
um bom-dia. 'Atravessei o andar térreo da Psicologia 
de ponta a ponta. Estava atento, buscava a expressão de 
surpresa em alguém. Mas nada acontecia', conta. 'Deixei de esperar 
perguntas intrigadas, mas ainda seria capaz de responder a algum cumprimento. Nada.' Os 
professores com quem havia conversado pela manhã passaram por ele e nem perceberam 
sua presença. Não é que tenha sido ignorado, menosprezado, rejeitado. Pior: nem foi visto. 
Era como não estar lá; como 'não ser'. 
O mal-estar experimentado por Braga jamais o abandonou. Ele passou 
os nove anos seguintes trabalhando com os garis da USP e 
transformou em tese de mestrado o indigesto tema da 'invisibilidade 
pública' - o desaparecimento de um homem no meio de outros 
homens. Concluída em 2002, a tese agora vira livro lançado pela 
editora Globo. 
Ironicamente, o psicólogo ganhou visibilidade falando da invisibilidade, que, segundo ele, 
está relacionada à divisão social do trabalho e afeta até mesmo quem não é totalmente 
excluído economicamente. Ela seria uma espécie de cegueira psicossocial, que elimina 
do campo de visão da maioria da população aqueles que são condenados a exercer uma 
atividade subalterna, desqualificada, desumanizante e degradante o dia inteiro, às 
vezes uma vida inteira. É uma situação diferente da contada pelo escritor americano Ralph 
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Ellison, que nos anos 50 lançou seu romance O Homem Invisível. Ellison, negro, contava a 
história de um descendente de escravos que ao percorrer os Estados Unidos descobriu 
apenas que, por ser negro, era ignorado - segundo ele, algo muito pior que ser confrontado 
ou desprezado. Braga mostra que, independentemente do preconceito racial, o 
preconceito social também é tão incrível que leva a simplesmente apagar pessoas do 
campo de visão. 'Nem na Suécia uma criança é incentivada pelos pais a ser gari, faxineiro 
ou coveiro', provoca. 'Não tem a ver com salário, mas com a simbologia.' 
Todo mundo se sente invisível em algum momento da vida - numa festa de gente de outra 
tribo, no emprego novo em que não se conhece ninguém. Mas essas são outras 
invisibilidades, circunstanciais, e portanto passageiras, reversíveis. O estudo de Braga é 
sobre uma invisibilidade tão automatizada na sociedade que muitas vezes nem mesmo 
o ser invisível se dá conta de sua degradante situação. 'Se ele percebe, carece de armas 
para o combate. Depois de ser ignorado a vida inteira ou, no máximo, maltratado, 
ninguém anda de cabeça erguida.' 
De fato, na maioria das vezes, o gari que limpa nossa cidade só é notado quando falta ao 
serviço. O ascensorista é tratado como uma máquina que funciona por comando de voz, sem 
direito a 'por favor' nem 'obrigado'. A empregada doméstica põe o avental, alimenta a 
família e deixa a casa organizada anos a fio, mas os patrões mal sabem seu sobrenome, se 
tem filhos, se está com algum problema. Os únicos cidadãos que vestem uniforme para 
servir aos outros e ganham visibilidade e reconhecimento são os que estão em situação 
de poder sobre o interlocutor - médicos, enfermeiros,