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Lesão medular ( revisão anatômica)

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axônio em duas partes: uma denominada coto proximal (região mais próxima do soma) e outra chamada coto distal (região mais próxima do alvo denervado) . O coto distal , devido à interrupção do aporte energético proveniente do soma , degenera-se em fragmentos menores assim como a mielina que o revestia e ambos são removidos por células de Schwann e macrófagos .Simultaneamente , as células de Schwann começam a se proliferar em torno das estruturas em degeneração para , posteriormente , fabricar nova mielina .Há a síntese de fatores neurotróficos e certas moléculas como a laminina e a fibronectina (essas duas irão compor a matriz extracelular) pelas células de Schwann e pelos macrófagos .Tais fatores difundem-se pela região estimulando o crescimento do axônio lesado . (KANDEL, 2002)
 	Na região do coto proximal , mais precisamente no soma , há modificações bioquímicas e morfológicas .Os corpúsculos de Nissl se tornam fragmentado e rarefeito ,deixando o neurônio mais claro e cheio de vacúolos (tal fenômeno é conhecido como cromatólise) .Em poucas horas há a recuperação do corpo celular e começa a ocorrer um programa de expressão gênica : sob estimulo dos fatores neurotróficos , o maquinário recomeça a funcionar em alta escala produzindo novos componentes da membrana para recompor o trajeto do axônio lesado .No coto proximal ,na região onde ocorreu a transecção , a membrana lesada solda-se e transforma-se e um novo cone de crescimento.Após isso o axônio pode regenerar (figura 8). (LENT,2010)
Figura 7 - Regeneração axônica (fonte: Cem bilhões de neurônios, Lent)
 	Quando os alvos de reinervação estão próximos à região lesionada fica fácil para o axônio guiar-se até a devida região, porém , quando a lesão ocorre à distância do alvo encontra-se certa dificuldade ,dependendo do caso , para a reinervação . Para tanto, a estrutura degenerada do coto distal funcionam como sinalizadores do cone de crescimento até o alvo .Todavia , se a lesão do nervo for distante do alvo e distante dos detritos de degeneração do axônio lesado torna-se necessária intervenção cirúrgica .O cirurgião religa o coto proximal ao coto distal .Isto não trará a volta da função do nervo de imediato já que o coto distal se degenerará e servirá apenas de “guia” ao cone de crescimento que se forma no coto proximal . (LENT, 2010)
2.10 REGENERAÇÃO AXÔNICA NO SNC
 	 Após neurônios e fibras nervosas do SNC serem lesadas provavelmente não haverá regeneração axônica dessas estruturas. Experimentalmente descobriram-se alguns fatores que contribuem para essa não regeneração. Verificou-se que os neurônios que sofrem lesões (transecção) de seus axônios sofrem cromatólise (assim como citado no SNP) , porém ,muitos dos tais neurônios degeneram e morrem. Isso ocorre por alguns motivos: 
- os neurônios centrais são fortemente dependentes de fatores tróficos, entretanto , no SNC os oligodendrócitos e os macrófagos não os produzem ,diferentemente do SNP (como visto anteriormente) ; (BERNE, 2009)
- com a lenta degeneração e fragmentação do coto distal surgem , possivelmente provenientes da corrente sanguínea , grandes quantidades de microgliócitos que , por sua vez , não produzem fatores tróficos mas sim moléculas que inibem a regeneração ; (LENT, 2010)
- os oligodendrócitos produzem proteínas Nogo (sigla derivado do inglês – proibido avançar). Tais proteínas se ligam a moléculas especificas na membrana dos cotos proximais e disparam uma cadeia de reações intracelulares que imobilizam o cone de crescimento; (MACHADO, 2006)
- os astrócitos produzem proteoglicanos (glicoproteínas com forte ação antirregenerativa) (LENT, 2010)
- a intensa proliferação glial da região forma uma espécie de cicatriz. Isso impede fisicamente o crescimento do axônio. (LENT, 2010)
 	 A descoberta desses fatores, sobretudo das moléculas antirregenerativas abriu novas esperanças nas medicina . Tornou-se possível tentar terapias farmacológicas que estimulam a regeneração como a aplicação de anticorpos Nogo e antiproteoglicanos etc. (BEAR, 2008)
 
 
3. SISTEMA SENSORIAL 
 	
O Sistema sensorial consiste nos receptores sensoriais, nos neurônios aferentes, e nas partes do cérebro envolvidas no processamento da informação. O primeiro estágio se dá através dos receptores sensitivos, que podem ser classificados quanto ao estímulo ao qual respondem ou quanto à informação que levam. A transmissão de informações dos receptores sensoriais ocorre pelos neurônios aferentes, que penetram no SNC pela coluna posterior da medula espinal. Partindo dela, há tratos que ascendem pela substância branca até o tronco encefálico, deste para o tálamo e, então, para o córtex somatossensorial. Cada estrutura envolvida nesse sistema será detalhada logo abaixo. (NISHIDA, 2012). 
2.1. Receptores
Na primeira classificação citada, temos os seguintes receptores, no que tange o assunto discutido: 
Termorreceptores: Os termorreceptores são terminações nervosas especializadas em identificar mudanças de temperatura. Para isso existe uma família de canais iônicos chamados de TRP, que são seis canais sensíveis a diversas temperaturas. TRPV1 é um sensor de dor térmica sensível a temperaturas maiores que 42 oC. TRPV2 é possivelmente um sensor de calor extremo, sensível a temperaturas maiores que 52 oC. TRPV3 é um sensor de calor, que pode estar envolvido em sinalização de sinais nocivos de calor, sensível a temperaturas de 32 a 39 oC. TRPV4 sensor de calor, possivelmente sensível a hiperalgesia térmica, sensível 27 a 32 oC. TRPM8 faz percepção de frio inócua com temperaturas de 25 a 34 oC. TRPA1 percebe temperaturas baixas mais intensas, sensível a temperaturas menores que 17 oC. ( VAY, GU, McNAUGHTON, 2012). 
Figura 8: Tabela dos tipos de canais e suas funções
 Fonte: VAY, Laura; GU, Chunjing; McNAUGHTON, Peter, The thermo-TRP ion channel family: properties and therapeutic implications. Disponível em <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=The+thermo-TRP+ion+channel+family%3A+properties+and+therapeutic+implications>. Acesso em 06/11/2015. 
Mecanoceptores: Os mecanorreceptores são ativados por movimentação mecânica da membrana plasmática. Nesses receptores o citoesqueleto celular está conectado aos canais iônicos, a movimentação da estrutura celular abre canais e desencadeia o potencial de ação. Os mecanoceptores clássicos são quatro: (BERNE, 2009)
	1 - Corpúsculos de Pacini são ligados a neurônios de associação rápida, respondem melhor a vibrações de alta frequência, são ativados por movimentação da cápsula de tecido conectivo concêntricamente distribuído que o envolve. 
	2 - Corpúsculos de Meissner são ligados a neurônios de associação rápida, encontrados em camadas superficiais da pele, encapsulados. Responde melhor a vibrações de baixa frequência e toques leves. 
	3 - Corpúsculos de Ruffini respondem a estiramento de pele, localiza-se nas camadas profundas da pele. São constituídos de terminações nervosas alargada e são ligados a neurônios de associação lenta. 
	4 - Discos de Merkel respondem a pressão contínua, textura e localizam-se em camadas superficiais da pele. Sua estrutura e adaptação são idênticas aos corpúsculos de Ruffini. (BERNE, 2009)
Figura 9: Adaptações do estímulo 
 Fonte: <http://www.uff.br/webvideoquest/OS/Receptores2.jpg>. Acesso em 06/11/2015
Proprioceptores: Os proprioceptores têm como exemplares os Órgãos Tendinosos de Golgi, os Fusos Musculares e os Receptores Articulares. Esses receptores são ativados pelo mesmo tipo de deformação celular. O fuso muscular é um receptor presente nos músculos que sinalizam a contração ou o relaxamento do músculo. Os receptores articulares detectam movimentação de ângulos extremos na articulação. Existem diferentes tipos de receptores articulares, alguns sensíveis à posição, outros à movimentação. Os órgãos tendinosos de Golgi são terminações nervosas enroladas em fibras de colágeno que com o movimento do músculo, por conseguinte do tendão, as fibras esticam e deformam a membrana nervosa, o que