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Lesão medular ( revisão anatômica)

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através da cápsula interna, uma espécie de ponte entre o telencéfalo e o tálamo, cruzam a base do pedúnculo cerebral, uma grande concentração de axônios no mesencéfalo, e, então, passam através da ponte para a base do bulbo, onde formam um tracto. Este forma uma protuberância que corre no sentido descendente sobre a superfície ventral do bulbo. Quando seccionada, a secção transversal tem aspecto aproximadamente triangular, razão pela qual é chamada de tracto piramidal. (MACHADO, 2014; GRAYS, 2009)
Na junção do bulbo com a ponte ocorre a decussação do tracto piramidal. Dessa forma, o córtex motor do lado esquerdo comanda os músculos do lado direito do corpo, enquanto o córtex motor do lado direito comanda os músculos lado esquerdo do corpo. A medida que os axônios vão se cruzando, eles vão se reunindo na coluna lateral da medula e constituem o tracto córtico-espinhal lateral. Os axônios do tracto córtico-espinhal terminam na região dorsolateral dos cornos ventrais e na substância cinzenta intermediária, onde se encontram moto e interneurônios que controlam os músculos distais, particularmente os flexores. (MACHADO, 2014)
Um componente bem menor dessa via é o tracto rubro-espinhal, que é proveniente do núcleo rubro do mesencéfalo. Axônios do núcleo rubro decussam logo em seguida, na ponte, e reúnem-se com os axônios do tracto córtico-espinhal na coluna lateral da medula. A principal fonte de aferência do tracto rubro-espinhal é o córtex frontal. Hoje em dia, a contribuição deste tracto com relação aos seres humanos é muito reduzida apesar de importante em muitos outros mamíferos. (MACHADO, 2014)
As Vias Ventromediais
As vias ventromediais possuem quatro tractos descendentes que se originam no tronco encefálico e terminam na medula, precisamente nos interneurônios espinhais, controlando os músculos axiais e proximais. São eles: tracto vestíbulo-espinhal, tracto tecto-espinhal, tracto retículo-espinhal bulbar e tracto retículo-espinhal pontino. As vias ventromediais utilizam informações sensoriais sobre o equilíbrio, ambiente de visão e posição corporal para manter, de forma reflexa, o equilíbrio e a postura corpórea. (BERNE, 2009)
O tracto Vestíbulo-Espinhal
O tracto vestíbulo-espinhal e tecto-espinhal são responsáveis pelo equilíbrio da cabeça sobre os ombros a medida que o corpo se locomove, e movem a cabeça a partir de um novo estímulo. Os trctos vestíbulo-espinhais se originam nos núcleos vestibulares do bulbo, os quais retransmitem informações sensoriais provenientes do labirinto vestibular do ouvido interno. Um dos componentes do tracto vestíbulo-espinhal projeta-se bilateralmente até a medula espinhal e ativa os circuitos espinhais cervicais, estes controlam a musculatura do pescoço e das costas e consequentemente controlam o movimento da cabeça. Um outro componente projeta-se ipsilateralmente até a região lombar da medula. Este nos ajuda a manter uma postura correta e equilibrada ao ativar os neurônios motores extensores das pernas. (BEAR, 2008)
O tracto Tecto-Espinhal
O tracto tecto-espinhal origina-se no colículo superior do mesencéfalo, o qual recebe aferências da retina, do córtex visual, de áreas somatossensoriais e auditivas. Com essas aferências, o colículo superior forma um “mapa do mundo” que está a nossa volta. Quando um ponto desse mapa é estimulado, ocorre uma resposta de orientação que comanda a cabeça e os olhos a se moverem de modo que o ponto apropriado no espaço é projetado exatamente sobre a fóvea. A Ativação do colículo pela imagem de alguém correndo em sua direção, por exemplo, faria com que você orientasse sua cabeça e olhos na direção deste novo estímulo. (BERNE, 2009)
Os tractos Retículo-Espinhais Pontino e Bulbar
Os tratos retículos-espinhais originam-se principalmente da formação reticular do tronco encefálico. Esta é uma complexa malha de neurônios e fibras que recebem afêrencias de diversas regiões e participam de inúmeras funções. A propósito da discussão do controle motor, podemos dividir a formação reticular em duas partes que vão originar dois tractos descendentes: o tracto retículo-espinhal pontino (medial) e tracto reticulo-espinhal bulbar(lateral). (MACHADO, 2006)
O tracto retículo-espinhal pontino aumenta os reflexos antigravitacionais da medula. A atividade nesta via facilita os extensores dos membros inferiores e, assim, auxilia na manutenção da postura de pé, resistindo aos efeitos da gravidade. O tracto reticulo-espinhal bulbar por outro lado, tem atuação oposta, liberando os músculos antigravitacionais do controle do reflexo. A atividade de ambos os tractos é controlada por sinais descendentes oriundos do córtex. Um fino equilíbrio é necessário entre eles. (MACHADO, 2014)
5. Lesões Medulares e suas consequências
	As lesões podem ser classificadas como lesões traumáticas e não traumáticas. As traumáticas são aquelas causadas por fraturas decorrentes de acidentes automobilísticos, arma de fogo, faca ou outro instrumento que possa lesionar a medula espinhal. As não-traumáticas são decorrentes de tumores ou infecções que possam interromper o fluxo sináptico entre os neurônios da medula e encéfalo.
	A lesão medular apresenta-se como uma grave síndrome incapacitante, que pode causar alterações motoras, sensitivas e autônomas, tendo como principal etiologia a lesão traumática, devido à agressão mecânica, na medula espinhal (FREITAS et al, 2006). 
Quanto ao nível da lesão, os pacientes podem ser classificados em tetraplégico, quando a lesão é acima de T1 e paraplégico, quando a lesão é abaixo deste nível (BORGES, 2005).
	Esta síndrome incapacitante compromete a função da medula espinhal em graus variados de extensão. A lesão é completa quando não existe movimento voluntário abaixo do nível da lesão e é incompleta quando há algum movimento voluntário ou sensibilidade abaixo do nível da lesão (ANDRIGHETTI, 2009).
TIPOS DE LESÃO MEDULAR
	Lesão medular completa: Há ausência total da sensibilidade dos dermátomos inferiores ao processo, bem como a ausência de motricidade voluntária abaixo dos segmentos lesionados.
	Lesão medular posterior: Há a preservação da função motora, e a sensação de dor e toque leve, com perda da propriocepção e sensação epicrítica ( distinção entre dois pontos).
	Lesão medular anterior (Síndrome de KAHN): Preserva a sensibilidade profunda abaixo da lesão (quando a lesão é cervical o envolvimento motor é mais acentuado nos membros inferiores). Ex.: lesão medular pelo vírus da Poliomielite (SARAIVA et al, 1995). Os tratos mais dorsais que são responsáveis pela propriocepção mantêm-se preservados, enquanto os mais anteriores, responsáveis pela função motora, são afetados de forma variável (UMPHRED, 2007). Geralmente a propriocepção, cinestesia e percepção vibratória ficam preservados (O’SULLIVAN & SCHMITZ, 2004).
	Lesão medular lateral (Síndrome de Brown Séquard): Lesões produtoras de secção de uma metade da medula. Os sintomas resultantes da secção dos tratos que não se cruzam na medula aparecem do mesmo lado da lesão e dos tratos cruzados aparecem do lado oposto. No lado Ipsolateral da lesão, há uma perda de sensibilidade do dermátomo correspondente ao nível da lesão, diminuição de reflexos, ausência de reflexos superficiais, Babinski positivo, perda de propriocepção, cinestesia e percepção vibratória. No lado contra-lateral à lesão haverá perda da sensação de dor e temperatura (O’SULLIVAN & SCHMITZ, 2004).
6. Conclusão
Com esse trabalha sobre as lesões medulares, pudemos fazer uma breve revisão literária acerca da medula espinhal, do sistema somestésico, do sistema motor e demais estruturas associadas a eles. Assim, contatou-se que a medula é um importante elo entre o sistema nervoso central e demais partes do corpo, pois por ela passam inúmeras vias sensitivas e motoras, além de conter o sistema autônomo. Logo, uma lesão terá graves consequências na sensibilidade, motricidade e funcionamento de vários órgãos da cavidade torácica e abdominal. De tal modo, é fundamental ressaltar