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foi eliminado o “lucro” na venda do terreno o qual, 
embora juridicamente satisfeita (afinal fora lavrada a escritura pública e transferida a 
propriedade do terreno de uma para outra empresa – pessoa jurídica) a mesma não se 
efetivou “economicamente”. Do ponto de vista econômico, as Empresas Alfa e Beta 
pertencem a uma mesma entidade econômica, pois os recursos econômicos das duas 
entidades estão sob um único controle. 
As transações entre as sociedades do consolidado representam transferência de 
bens e/ou direitos entre divisões da unidade econômica. Não geram valores realizáveis ou 
exigíveis, receitas ou despesas (e por conseguinte não geram lucros) entre as sociedades 
consolidadas sob o prisma da unidade econômica. 
Ao justificar a exigência de relatórios contábeis consolidados em seu país, o 
governo japonês, apontou a seguinte situação: “observadores financeiros acreditam que a 
medida ajudará a acabar com a prática japonesa, baseada na tradição de ‘embelezar’ os 
resultados da matriz, descarregando prejuízos em subsidiarias desafortunadas, cujos 
relatórios raramente eram anunciados...” (The Business Week, abril, 1977, p. 112) 
Dessa forma, as Demonstrações Contábeis Consolidadas são mais 
representativas e mais importantes até, do que os balanços individualizados, no sentido de 
que estas têm por objetivo apresentar a posição financeira de duas ou mais sociedades, 
como se fossem uma única entidade. 
 
 
UNIPAC – Curso de Ciências Contábeis – Disciplina de Contabilidade Avançada 
Profª. Núbia Rodrigues - 22 - 
2.4. PARTICIPAÇÃO DE ACIONISTAS NÃO CONTROLADORES 
 
A eliminação do valor do investimento, no exemplo anterior, foi feita contra o 
capital (patrimônio líquido) da controlada, neste caso a controladora possuía a totalidade 
(100%) das ações da controlada, procedimento definido por Almeida (2010, p.57) de 
consolidação de controlada integral. 
Todavia, nem sempre isso ocorre, ou seja, uma porcentagem do capital da 
controlada pode pertencer a outros acionistas, chamados de não controladores ou 
acionistas minoritários, neste caso ocorre a consolidação de controlada parcial. 
A participação dos acionistas não controladores no patrimônio líquido e no lucro 
líquido (das controladas) será destacada, respectivamente, no patrimônio líquido do balanço 
patrimonial consolidado e em linha específica da demonstração consolidada do resultado. 
Diante de uma situação em que, por exemplo, a Cia Omega detenha 80% do 
capital da Cia Gama, veja o procedimento de consolidação e como ficaria as demonstrações 
consolidadas: 
 
CONSOLIDAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL 
 OMEGA GAMA SOMA ELIMINAÇÕES CONSOLIDADO 
ATIVO CIRCULANTE 760 300 1.060 1.060 
Investimentos Cia Gama 240 240 (240) -------- 
 1.000 300 1.300 (240) 1.060 
... 
PASSIVO 
... 
Patrimônio líquido atribuído aos 
acionistas controladores 1.000 300 1.300 
(240) 
( 60) 
1.000 
Patrimônio líquido atribuído aos 
acionistas não controladores 60 60 
 1.000 300 1.300 (240) 1.060 
 
CONSOLIDAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO 
 OMEGA GAMA SOMA ELIMINAÇÕES CONSOLIDADO 
Receitas 1.000 500 1.500 1.500 
(-) Custos das vendas (800) (400) (1.200) (1.200) 
(=) Lucro Bruto 200 100 300 300 
(-) Desp. Operacionais ( 40 ) ( 57 ) ( 97 ) ( 97 ) 
(+) Equiv. Patrimonial 24 24 (24) 0 
(=) Lucro Operacional 184 43 227 203 
(-) Imposto de Renda ( 48 ) ( 13 ) ( 61 ) ( 61 ) 
(=) Lucro Líquido do Exercício 136 30 166 142 
Lucro Líquido atribuído aos 
acionistas controladores 
 (6) 136 
Lucro Líquido atribuído aos 
acionistas não controladores 
 6 
 
 
Nota 6: 
1) Assim como no Balanço Patrimonial foi eliminado o investimento, na DRE 
simplesmente elimina-se o resultado da equivalência patrimonial. Observe-se, ainda, 
no papel de trabalho de consolidação da DRE, que o total da coluna de eliminações é 
igual ao lucro líquido da controlada, visto que, 80% deste já está reconhecido no 
resultado da controladora e os 20% restantes pertencem aos acionistas minoritários. 
2) Outra observação é que, regra geral, o patrimônio líquido consolidado e o lucro 
líquido consolidado, são sempre iguais ao patrimônio líquido e ao lucro líquido da 
controladora. Isto só não ocorre quando da existência de resultados não realizados nos 
ativos das controladas, caso em que as diferenças devem ser evidenciadas em Notas 
Explicativas às demonstrações consolidadas. 
 
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3. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA 
 
Para a Contabilidade, conforme traduz o Princípio da Continuidade, toda 
entidade econômica, devidamente constituída e revestida de personalidade jurídica, 
representa uma organização em constante movimento, produzindo e comercializando bens, 
prestando serviços e gerando receitas continuadamente. 
Porém existem casos em que ocorre a descontinuidade empresarial motivada 
por processos de transformação, fusão, incorporação, cisão e encerramento das 
atividades. 
Embora não freqüente, a descontinuidade das atividades das empresas pode 
derivar de várias situações, inclusive estar prevista nos contratos de constituição ou 
estatutos. Existem alguns fatores que podem contribuir para a paralisação das atividades 
das empresas, resultando em processos de transformação, incorporação, fusão e cisão 
ou até mesmo na liquidação de seu patrimônio, são eles: 
• Queda do poder aquisitivo da moeda; 
• Mudanças na política cambial influenciando nas importações e exportações; 
• Obsoletismo verificado em bens de produção, normalmente resultante dos novos 
investimentos e da evolução tecnológica; 
• Falta de liquidez; 
• Incapacidade administrativa; 
• Inundações, incêndios; 
• Escassez de matéria-prima; 
• Vantagens tributárias e fiscais. 
 
A paralisação definitiva das atividades de uma empresa pode ocorrer por: 
• Transformação em outro tipo de empresa; 
• Incorporação por outra empresa; 
• Fusão com outras empresas; 
• Cisão total e parcial; 
• Encerramento e liquidação. 
 
O encerramento das atividades de uma empresa, a exemplo de sua constituição, 
está sujeito ao cumprimento de exigências legais, principalmente as estabelecidas pelos 
mesmos agentes públicos em que foi processada a sua abertura, nos quais se deve 
providenciar a sua baixa. Deve observar também o cumprimento de exigências contidas na 
legislação societária, tributária, trabalhista, previdenciária etc. 
Tratando-se de sociedades, há necessidade, ainda, de examinar as formas 
jurídicas pelas quais elas foram constituídas, além de preservar os interesses dos sócios, 
seja qual for o motivo da paralisação. 
Os procedimentos a serem seguidos para a concretização das operações de 
fusão, incorporação e cisão estão determinados nos art. 223 a 234 da Lei 6.404/76 e 
consistem na realização de diferentes atos, comuns a todas as modalidades citadas. Tais 
atos são: 
• O acordo para a realização; 
• A exposição dos motivos ao órgão deliberativo; e 
• A deliberação propriamente dita. 
 
Assim, após a conjugação dos interesses das sociedades envolvidas, os 
respectivos administradores assinam um documento (protocolo) que, com as respectivas 
motivações (justificação), é apresentado à deliberação dos órgãos competentes (assembléia 
geral de acionistas). 
A Lei 6.404/76, nos seus arts. 45, 137 e 230, assegura ao acionista dissidente, 
nos casos de incorporação, fusão ou cisão, o direito de retirar-se da companhia, mediante 
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reembolso do valor de suas ações. Da mesma forma nos arts. 231 a 232 estão previstos os 
direitos de debenturistas e de credores. 
 
• Acionistas dissidentes: os acionistas que não concordarem com as deliberações 
de fusão, incorporação