A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
ORGANIZAÇÃOECOMPETÊNCIA

Pré-visualização | Página 2 de 5

difusos, coletivos e os individuais homogêneos. Não há a criação de normas, mas sim a aplicação de normas existentes. Estes direitos estão descritos no CDC
*
*
A competência material é absoluta e o juiz pode se pronunciar dela de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e a competência em razão do lugar é relativa, e por isso, prorrogável se não for arguida a incompetência.
COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA: A competência da JT está disciplinada no art. 114 da CF. A competência da JT é mais ampla, ao estabelecer a competência para solucionar controvérsias entre TRABALHADORES e EMPREGADORES e não mais entre empregados e empregadores. Trabalhador é gênero do qual empregado é espécie, assim como a relação de trabalho é gênero da qual relação de emprego é espécie.
*
*
FEDERALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
Havendo grave violação de direitos humanos previstos nos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte poderá haver o pedido de deslocamento da ação para julgamento pela JF.
A EC 45/2004 operou diversas alterações na CF, entre as quais a federalização dos crimes contra os direitos humanos. É que nas hipóteses de violação de direitos humanos, o Procurador Geral da República, com a finalidade de fazer cumprir os tratados internacionais, pode suscitar perante o STJ, em qualquer fase do IP ou processo, incidente de deslocamento de competência para a JF.
O tema é polêmico e o STF, no caso do assassinato da irmã Dorothy Stang, indeferiu esse pedido de deslocamento, por entender que para haver tal deslocamento deve ficar provado que a Justiça Comum demonstra risco de não cumprir as obrigações do Brasil decorrentes dos tratados internacionais, resultante de inércia, vontade política, falta de condições das instituições. (STJ, IDC 1 – PA, 2005). 
*
*
Durante esses dez anos o ICD foi utilizado cinco vezes pelo STJ, sendo que em duas oportunidades houve o deslocamento de competência, levando-se sempre em conta a necessidade da presença de três requisitos essenciais: (a) grave violação a direitos humanos; (b) risco de responsabilização internacional pelo descumprimento de obrigações derivadas de tratados internacionais, e, (c) notória incapacidade das instâncias e autoridades locais em oferecer respostas efetivas.
No ICD n. 02, se deferiu o pedido, em grave ocorrência, envolvendo homicídio de vereador, reconhecido como defensor dos Direitos Humanos e autor de inúmeras denúncias contra a atuação de grupos de extermínio na fronteira dos Estados da Paraíba e Pernambuco.
Da mesma maneira, no IDC nº 05, em 13 de agosto de 2014, também envolvendo o Direito à Vida e o Pacto de São José da Costa Rica, o STJ entendeu presentes os requisitos necessários e deslocou para a Justiça Federal a investigação de grupos de extermínio que atuam no interior de Pernambuco, e na hipótese haviam assassinado um promotor de justiça. 
*
*
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:  
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
A relação de emprego é a definida nos arts. 2º e 3º da CL (subordinação, dependência econômica, pessoalidade, etc.). 
REPRESENTAÇÃO COMERCIAL: o conflito de competência nº 88418/07 disse que a empresa de representação comercial deve pleitear seus direitos na justiça comum.
RURAIS E DOMÉSTICOS: têm alguns direitos previstos na CF e sua discussão cabe a JT.
TRABALHADORES TEMPORÁRIOS: no máximo três meses prestando serviços ao tomador de serviço ou cliente. As controvérsias entre o trabalhador autônomo e qualquer uma das duas empresas serão julgadas pela JT. As controvérsias entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora do serviço é da justiça comum.
*
*
ESTRANGEIROS: diante das inúmeras controvérsias existentes, houve por bem o TST cancelar a Súmula 207, procurando, com isso, resolver as polêmicas.
Na minha visão, com o cancelamento da referida súmula, o TST aponta no sentido de entender ser aplicável a legislação brasileira aos empregados contratados no Brasil e transferidos para o exterior. Já para os casos de empregados brasileiros contratados diretamente por empresas estrangeiras para trabalhar no exterior se aplicaria o princípio da territorialidade ou, ainda, em casos de altos empregados, que buscam ocupar altos cargos no exterior, seria possível negociar em quais condições (leia-se, leis) seriam contratados.
*
*
TRABALHADOR AVULSO: é a pessoa física que presta serviços a várias empresas que necessitam de mão-de-obra, arregimentados por seu sindicato ou órgão gestor, que cobram os valores pela prestação de serviço da empresa tomadora do serviço. Aos avulsos têm relação de trabalho, mas não relação de emprego. Não são empregados, mas sim trabalhadores. Assim a competência é da JT. Art. 643 CLT.
TRABALHADOR EVENTUAL: não possui direitos trabalhistas, pois o art. 3º CLT fala em habitualidade, mas pleiteará seus direitos da JT.
EMPREITEIRO, OPERÁRIO, ARTÍFICE (pequeno artesão) é da JT, pelo art. 652 da CLT. A empreitada não se confunde com a relação de emprego. 
EMPREGADOS DE EMPRESAS PÚBLICAS, DE SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA E DE SUAS SUBSIDIÁRIAS: enquanto não houver lei especial, são regulamentados pela CLT e a competência é da JT.
*
*
FUNCIONÁRIOS DE FUNDAÇÕES E AUTARQUIAS DE DIREITO PÚBLICO se forem celetista a competência é da JT. É da competência da justiça comum a ação de servidor estadual decorrente de direito estatutário. A Associação dos Juízes Federais ajuizou ação direta de inconstitucionalidade para discutir a matéria. O Ministro Nelson Jobim suspendeu, ad referendum, toda e qualquer interpretação dada ao inciso I do art. 114 da CF.
FUNCIONÁRIOS DOS TABELIONATOS: seus funcionários são empregados privados, sendo competente a JT e não a Corregedoria de Justiça.
ATLETA PROFISSIONAL: é de competência da JT. Somente nos casos de disciplina e de competições esportivas é que se deve esgotar a via administrativa da Justiça Desportiva (Lei 29 da Lei 6.354/76).
MEDICOS CONVENIADOS E PLANOS DE SAÚDE: TST no RR-1485-76.2010.5.09.0012, em 2013, disse ser da JT.
*
*
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS/AUTÔNOMOS: O primeiro entendimento foi de que os profissionais liberais que forem pessoas físicas podiam executar seus honorários na JT, mas se forem pessoas jurídicas há controvérsia, entendendo a maioria ser competência da justiça comum, mas esse entendimento não é pacífico. Os conflitos de competências nsº 74.958 SC 2006/0253376-0 e 88138/2007, dizem que a justiça comum é competente para resolver conflito na execução de honorários advocatícios e não da justiça do trabalho.
Com relação ao contrato de advogado há entendimento segundo o qual o mandato é uma relação de trabalho, mas é possível, também, interpretá-lo como uma outorga de poderes. E não uma relação de trabalho. Há controvérsias.
Mesmo que o tomador de serviço esteja amparado pelo CDC, o prestador de serviço pode cobrar pelos seus serviços da JT. Dallazen, fala da relação bifronte (trabalho e consumo), podendo desencadear uma relação de trabalho. O professor Calvet, por exemplo, entende que se a relação se estabeleceu na esfera do consumo. 
*
*
Em dezembro de 2007 foi editado o Enunciado nº 23 e 64 da 1ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho que diz: 
23. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. AÇÃO DE COBRANÇA DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE CONSUMO. A Justiça do Trabalho é competente para julgar ações de cobrança de honorários advocatícios, desde que ajuizada por advogado na condição de pessoa natural, eis que o labor do advogado não é prestado em relação de consumo, em virtude de lei e de particularidades próprias, e ainda que o fosse, porque a relação consumeirista não afasta, por si só, o conceito de trabalho abarcado pelo artigo 114 da CF.
64. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA