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DIREITO À SAÚDE - O PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO E DO PODER JUDICIÁRIO NA EFETIVAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS

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informa-
ções, exames periciais e documentos de autoridades federais,
estaduais e municipais, bem como órgãos e entidades da adminis-
tração direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Nesse sen-
tido, os Tribunais têm exarado decisões conferindo, além dessas, a
possibilidade de o Ministério Público requisitar o fornecimento de me-
dicamentos e a viabilização de tratamentos de alto custo, inclusive
em benefício do cidadão. Tudo sacramentado pelo caráter funda-
mental que a saúde possui e que já fora demonstrado na visão do
Supremo Tribunal Federal. 
 Entretanto, diz-se que o Ministério Público não detém tal atribui-
ção (essa postura é tomada principalmente pelos entes estatais ao se
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26 Essa punição “penal” que é referida já foi questionada e exarado o posicionamento de
que o Ministério Público não detém poder sancionatório, por esse motivo não requer que
conste do ofício de requisição a expressão “imposição de sanções legais pelo descum-
primento” , uma vez que somente poderão ser tomadas as medidas cabíveis caso o ente
estatal se omita ou se mantenha inerte à requisição formulada pelo Parquet. 
27 Parecer Técnico-Jurídico n. 02/2009. “Poder de requisição do Ministério Público”. Centro de
Apoio Operacional do Cidadão. Disponível em: http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/
2/docs/poder_de_requisicao_de_medicamento_do_mp_02-2009.pdf. Acesso em: 01 abr. 2013. 
28Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8625.htm. Acesso em: 11 jul. 2013.
manifestarem nas ações protocolizadas em substituição do cidadão pelo
Parquet, ocasião em que alegam a ilegitimidadead causam, a insuficiên-
cia de recursos públicos para o cumprimento das decisões, o pacto fe-
derativo e a observância do princípio da reserva do possível).
 Não obstante as afirmações supramencionadas sustenta-
das pelo Poder Público e pelos opositores à figura do ativismo judi-
cial, entendemos que tanto o Poder Judiciário (por meio das decisões
que determinam ao ente estatal a concretização de políticas públicas
e o atendimento amplo ao direito à saúde assegurado ao cidadão),
quanto o Ministério Público (por meio da instauração de procedimen-
tos administrativos e requisições de fornecimento de medicamentos
que não constam das listas de medicamentos de acesso público e
distribuição gratuita e a viabilização de tratamentos que o cidadão
não tem acesso por meio do Sistema Único de Saúde – SUS) têm o
condão de determinar ao ente estatal, comprovada a necessidade
do medicamento para a garantia da vida do paciente, que o forneça,
restabelecendo a saúde do cidadão e preservando a dignidade da
pessoa humana acima de tudo, porquanto a saúde é um direito so-
cial, um dever do estado e uma garantia inderrogável do indivíduo,
sendo indisponível por se traduzir em pressuposto essencial à qua-
lidade de uma vida digna.
 Nessa esteira, a Administração Pública tem o dever, e não
a faculdade, de fornecer medicamentos indispensáveis ao trata-
mento de doença grave que comprometa a vida do indivíduo. É o
mandamento dos artigos 152 e 153, da Constituição do Estado de
Goiás29.
 Norberto Bobbio já enunciava que o grande problema dos
direitos do homem não é tanto justificá-los, mas sim protegê-los. Re-
fere-se a um problema não filosófico, mas sim político. Nesse pata-
mar insere-se a discussão acerca da possibilidade de determinação
do cumprimento de políticas públicas por meio da atuação judicial e
do papel essencial do Ministério Público nessa luta.
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29 Disponível em: http://www2.ucg.br/flash/leiscodigos/CEG.pdf. Acesso em: 02 abr. 2013.
CONCLUSÕES
 A partir de todo esboço realizado, gostaríamos de encerrar
manifestando o juízo formado no transcorrer da pesquisa. A atuação
ministerial é legítima e pertinente. Conforme podemos depreender
do texto, há previsão legal que concede a atribuição e a interpretação
extensiva dada e feita em prol da população. Além disso, o Ministério
Público, como instituição do povo que é, está perfeitamente incum-
bido dessa obrigação e de representar e defender aqueles que ne-
cessitam. As requisições administrativas realizadas, por meio da
expedição de ofício, solicitando ao Poder Público que forneçam me-
dicamentos ou viabilizem tratamentos de alto custo, têm se mostrado
bastante eficazes e, a cada dia, beneficiam mais pessoas carentes
acometidas de moléstias incomuns e graves, não abrangidas pelo
atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde ou não cons-
tantes das listas de medicamentos de alto custo disponibilizadas
pelos governos. Além desse método, a cada dia mais convênios são
firmados entre as Promotorias, Procuradorias e os Municípios, os
Estados e a União, a fim de facilitar os procedimentos e a execução
das medidas pleiteadas sem que haja a necessidade de instauração
de processo judicial. Com isso, poupa-se tempo, o que é significante
para o enfermo que aguarda a decisão que pode sentenciá-lo à
morte, é menos burocrático e mais acessível ao cidadão. Desafoga-
se o Judiciário, atende-se à necessidade do hipossuficiente e ganha-
se nos acordos firmados e na eficácia das medidas contestadas.
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