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Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

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em seu Art. 1°.
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Nota sobre o processo de ratificação pelo Brasil
A Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência foi promulgada pela Assembléia-Geral das
Nações Unidas (ONU), no dia 13 de dezembro de 2006, e, assinada pelo Brasil no dia 30 de março de 2007.
A Convenção entrou em vigor no cenário mundial apenas no dia 13 de maio de 2008, e, o Brasil, seguindo
essa tendência, editou decreto legislativo que lhe reconhece eficácia em âmbito nacional. Trata-se do Decreto-
Legislativo no 186/08.
As fases de internalização de um tratado internacional se divide em quatro etapas. São elas: a) negociação, b)
assinatura; c) referendum; d) ratificação e promulgação.
Na negociação, o conteúdo do tratado é discutido entre os Estados signatários. No Brasil, a assinatura de
um tratado internacional é competência privativa do Presidente da República, na função de Chefe de Estado. É o
que se extrai do artigo 84, VIII da Constituição Federal (“compete privativamente ao Presidente da República
celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional”).
Por conseguinte, a fase de referendum, quando efetivamente se inicia a internalização do tratado. O dispo-
sitivo supracitado atribui essa etapa ao Congresso Nacional. Nesse mesmo sentido, o artigo 49, I da Constituição
Federal dispõe que “é da competência exclusiva do Congresso Nacional resolver definitivamente sobre tratados, acor-
dos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional”.
Essa deliberação do Congresso Nacional importa na aprovação do tratado, o que se materializa por meio de
decreto-legislativo dispensando a sanção ou promulgação presidencial. Esse decreto, ao mesmo tempo em que
aprova o teor do tratado, autoriza o Presidente da República a ratificá-lo.
A ratificação e a promulgação são simultâneas, e, se consubstanciam na edição de um decreto executivo, momen-
to em que a norma internacional adquire eficácia no ordenamento jurídico brasileiro.
Uma antiga discussão vem à tona. Qual a natureza dessa norma em âmbito? Em outras palavras, o
tratado é internalizado como norma constitucional, supralegal ou lei ordinária. Contamos com várias teori-
as a respeito.
Há muita polêmica sobre o status normativo (nível hierárquico) de um tratado internacional, principal-
mente, quando de direitos humanos.
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A Emenda Constitucional nº 45/2004 (Reforma do Judiciário) autorizou que os Tratados Internacionais
de Direitos Humanos adquiram status de Emenda Constitucional, desde que seguido o procedimento previsto
no § 3º do art. 5º da Constituição Federal (votação de três quintos, em dois turnos em cada casa legislativa):
“Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Naci-
onal, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”.
A Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, reconhece e garante o exercício dos direitos das
pessoas com deficiência, proibindo qualquer espécie de discriminação em todos os aspectos da vida, como saúde,
educação, transporte e acesso à Justiça.
Nos termos do seu artigo 1º, verifica que a sua principal finalidade é “promover, proteger e assegurar o
exercício pleno e eqüitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência
e promover o respeito pela sua dignidade inerente”.
Partindo da leitura dessa norma, é possível concluir que estamos diante de um tratado de Direitos Hu-
manos. Mas, de acordo com o estudado até o momento, tal fato não é suficiente para conferir-lhe status
constitucional, sendo imprescindível a observância do procedimento consignado no § 3º, do artigo 5º da
Constituição Federal.
O Decreto Legislativo nº 186/08, em seu artigo 1º estabelece que “fica aprovado, nos termos do § 3º do art. 5ºnos termos do § 3º do art. 5ºnos termos do § 3º do art. 5ºnos termos do § 3º do art. 5ºnos termos do § 3º do art. 5º
da Constituição Federalda Constituição Federalda Constituição Federalda Constituição Federalda Constituição Federal, o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo
Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007”.
Concluindo, a Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, em razão da sua indiscutível im-
portância, como instrumento concretizador da dignidade da pessoa humana, foi internalizada no ordenamento
jurídico brasileiro como norma constitucional, publicado no Diário Oficial da União de 10/7/2008, Seção 1,
p.1. e no Diário do Senado Federal de 11/6/2008 e para não restar dúvida quanto ao compromisso brasileiro
perante a Convenção, o Presidente da República por meio do Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009,
determina que a mesma deve ser cumprida integralmente
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Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Garibaldi Alves Filho, Presidente do Senado Federal, confor-
me o disposto no art. 5º, § 3º, da Constituição Federal e nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento
Interno, promulgo o seguinte
DECRETO LEGISLATIVO Nº 186, 2008
Aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo,
assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007.
O Congresso Nacional decreta:O Congresso Nacional decreta:O Congresso Nacional decreta:O Congresso Nacional decreta:O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Fica aprovado, nos termos do § 3º do art. 5º da Constituição Federal, o texto da Convenção sobre
os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de
março de 2007.
Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que alterem a referida
Convenção e seu Protocolo Facultativo, bem como quaisquer outros ajustes complementares que, nos termos do
inciso I do caput do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimô-
nio nacional.
Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.
Senado Federal, em 9 de julho de 2008.
Senador Garibaldi Alves FilhoSenador Garibaldi Alves FilhoSenador Garibaldi Alves FilhoSenador Garibaldi Alves FilhoSenador Garibaldi Alves Filho
Presidente do Senado Federal
Este texto não substitui o publicado no DOU de 10.7.2008
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18 Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
DECRETO Nº 6.949, DE 25 DE AGOSTO DE 2009
Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facul-
tativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICAO PRESIDENTE DA REPÚBLICAO PRESIDENTE DA REPÚBLICAO PRESIDENTE DA REPÚBLICAO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Cons-
tituição, e
Considerando que o Congresso Nacional aprovou, por meio do Decreto Legislativo no 186, de 9 de julho
de 2008, conforme o procedimento do § 3º do art. 5º da Constituição, a Convenção sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007;
Considerando que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação dos referidos atos junto ao
Secretário-Geral das Nações Unidas em 1o de agosto de 2008;
Considerando que os atos internacionais em apreço entraram em vigor para o Brasil, no plano jurídico