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2015_ Artigo_Liderança_Assertiva_Morel_Pra_Fagundes_Knakievicz

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clara de ideias, objetivos e orientações a diferentes públicos, em especial em circunstâncias inéditas, é uma competência decisiva ao líder (PASSADORI, 2013, p. 2). E essas capacidades tem correlação com as estruturas neurológicas nomeadas de neurônios espelhos (CARTER, 2012, p. 120). A descoberta dos neurônios espelho foi de importância fundamental para compreendermos os processos cognitivos humanos (LAMEIRA et al, 2006). 
Os neurônios espelho são ativados pela observação de uma ação, e permitem que o significado da mesma seja compreendido automaticamente pelo observador. Os neurônios espelhos foram associados a várias modalidades do comportamento humano: imitação de sentimentos como medo, alegria ou tristeza; teoria da mente; origem da linguagem humana; aprendizado de novas habilidades e leitura da intenção em outros humanos. O que caracteriza e garante a sobrevivência dos seres humanos é o fato de sermos capazes de nos organizar socialmente, e isso só é possível porque somos seres capazes de entender a intenção de outras pessoas e de aprender através da imitação (CARTER, 2012, p. 120). Essas faculdades são a base da cultura humana (LAMEIRA et al, 2006), a qual tem por unidade fundamental a transmissão de conhecimentos via sistemas de comunicação verbal e não verbal.
Sabe-se que a comunicação somente se estabelece se um emissor e um receptor conseguem transmitir uma mensagem com a ajuda de um código (MAILHIOT, 1970, p.77). A comunicação é um processo complexo com diversos sistemas de comunicação verbal e não verbal. A linguagem corporal é uma importante ferramenta de comunicação porque, instintivamente, acredita-se mais na linguagem corporal do que no que está sendo dito (PEASE; PEASE, 2013, p. 10). A linguagem corporal determina o grau de crédito ao que é dito, se convincente e verossímil ou se duvidoso e incerto. O grau de confiança, segurança e autocontrole é percebido pela leitura da postura corporal régia e dos padrões de voz e respiração do comunicador pelos ouvintes (BERCKHAN, 2013, p.12; GRINDER, 2007, p. 42, 46). O líder carismático é aquele que busca conhecer o conteúdo cuidadosamente antes de falar, para manter a sua ênfase no processo de comunicação não-verbal (GRINDER, 2007, p. 49). 
Assim, a primeira etapa do domínio das técnicas de comunicação verbal e não verbal, é saber ouvir. Líderes sabem que não é possível motivar as pessoas, mas observar e valorizar suas próprias motivações e atender as pequenas questões de convívio interpessoal dos liderados. E quando param de ouvir, o fazem com técnica e habilidade. Na essência destas habilidades de ouvir está a paciência, a qual é a essência da construção das relações de confiança. O ouvir, é o princípio dos relacionamentos duradouros, tais como os das equipes de alta performance (MAXWELL, 2011, p, 64, 67 e 68; KATZENBACK; SMITH, 1994, p. 81; GOLEMAN, 2014, p 73). A habilidade de saber ouvir, também diz respeito a ouvir o próprio conhecimento, e assim líderes prestam atenção à própria intuição. Cientistas e inventores, tais como o físico Albert Einstein, o psiquiatra Carl Jung e o inventor Steve Jobs enfatizaram o valor do potencial intuitivo. Para eles, a intuição é o produto da capacidade da mente de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, graças às infinitas conexões inconscientes que tornam possível à mente consciente fazer escolhas, ou seja, a intuição é capacidade de ouvir e confiar no próprio conhecimento interior (SUPERINTERESSANTE, 2006). Contudo, a sensibilidade, a intuição, o altruísmo e amor não são habilidades totalmente inatas, são habilidades que são desenvolvidas e aprendidas nos processos sociais e mediam a comunicação e inclusão de novos membros (MOSCOVICI, 1970; GOLEMAN, 2014, p 99 - 124).
A primeira responsabilidade do líder é descrever a realidade (MAXWELL, 2011, p. 82) e a segunda é oferecer a sua visão (VITALE, 2006, p. 75), ambas funções são produtos das habilidades comunicativas. Descrever a realidade é ser franco com todos, e comunicar a realidade tal como é e não como gostaria que fosse. Contudo, os grandes líderes são aqueles que oferecem a sua visão. Eles possuem um mapa de como imaginam que o mundo funciona. Esse mapa é o seu paradigma, é não necessariamente a verdade (VITALE, 2006, p. 75). Então, um dos riscos de equívoco é justamente focar na visão em detrimento da necessidade de enfrentar a realidade. Bons lideres são tão visionários quanto realistas, para tal ouvir as observações da equipe ou de consultores externos é uma estratégia necessária (MAXWELL, 2011, p. 120). Descrever e encarar de frente a realidade é o ponto de partida para promover mudanças de acordo como os dados concretos (MAXWELL, 2011, p. 82), e fazer a profilaxia dos contratos psicológicos sutis, que desvirtuam os esforços da equipe às causas obscuras (SILVEIRA, 2013). Assim, as habilidades de descrição da realidade, de fornecer uma visão de futuro e de inteligência interpessoais do líder determinam o destino das potencialidades e realizações de uma equipe ou organização.
2. 2 Processo emocional 
As emoções constituem um aspecto complexo do ser humano, e são objeto de várias interpretações que se organizam em diversas perspectivas (DELGADO, 1971, p.71). A emoção é uma experiência subjetiva envolvendo excitação neurofisiológica, interpretação cognitiva e uma experiência subjetiva. Assim, a emoção é uma reação complexa desencadeada, por um estímulo ou pensamento, envolvendo reações orgânicas e sensações pessoais, em diversos níveis de intensidade, originando respostas automáticas, cuja função é avaliar o ambiente que se está e reagir de modo adaptativo (DAMASIO, 2000; CARTER, 2012, p. 120-128).
A maioria das emoções, como a raiva e o medo, têm origem bioquímica e são processos inconscientes que atuam sobre o comportamento, sem o controle da consciência. Por exemplo, a capacidade cerebral de detectar e reagir ao perigo antes mesmo de sentir medo, ocorre por que a reação bioquímica é anterior à emoção. As emoções são respostas neurológicas e fisiológicas a estímulos (externos e internos), coordenadas pelo próprio pensamento, que envolve as estruturas do sistema límbico. Emoção tem padrão, e assim desempenha papel regulador levando à criação de circunstâncias vantajosas ou desvantajosa para o organismo em que o fenômeno se manifesta; as emoções estão ligadas à vida, e seu papel é auxiliar a conservar a vida (DAMÁSIO, 2000, p. 74-75; DALGALARRONDO, 2011, p. 135-139)	
As emoção podem ser classificados como primárias, as inatas e partilhadas por todos e as secundárias, ou seja, as aprendidas. As emoções primárias: medo, raiva, tristeza, nojo e alegria, vinculam-se ao entusiasmo, mal estar ou ansiedade, se revelam nas sutilizas dos movimentos e das expressões faciais. Enquanto que as emoções secundárias são sentimentos sensoriais, de proteção ou interpretação cultural das emoções primárias, tais como o ciúme, inveja, vergonha, simpatia, admiração, gratidão, indignação, desprezo. São estados afetivos de estrutura e conteúdos mais complexos que as primárias (DAMASIO, 2000, p. 52-54), pois são sentimentos são moldados pela cultura (DUHIGG, 2012, p. 79) Um aspecto importante das emoções é que elas possuem um mecanismo de feedback para a ampliação do impacto das percepções sensoriais e para a facilitação do estabelecimento do condicionamento (DELGADO, 1971, p. 19).
As emoções possuem dois aspectos: o estado neurofisiológico da experiência e o sentimento individual. As emoções podem ser agradáveis (felicidade, alegria e amor) ou desagradáveis (tristeza, medo e raiva), em consequência, as respostas comportamentais são orientadas para a aceitação ou rejeição da experiência, e são expressas por aproximação ou evitação da situação (DELGADO, 1971, p. 18; CARTER, 2012, p. 128),. Contudo, paradoxalmente, sentimentos desagradáveis podem ser desencadeados por eventos bons (CRUSISUS; MUSSWEILER, 2014), e emoções desagradáveis também causam sensações de prazer (DUHIGG, 2012, p. 66). Assim, a emoção não tem características distintivas, representa