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Sigmund Freud e Gustave Le Bon Professora: Ms. Luciana Moutinho Gustave Le Bon Gustave Le bon • Le Bon • Natural da França, Gustave Le Bon era médico e sociólogo, estudou medicina na universidade de Paris, nasceu em 1841. Foi autor de diversos obras, entre elas, L´Homme et les Sociétés e Les Premières Civilisations, sendo 1931 o ano de sua morte. • Em ¨Psychologie des foules¨(1895), Le Bon aborda as alterações dos indivíduos quando em grupo, enfatizando a vida mental inconsciente (importante ressaltar aqui que o inconsciente de Le Bon difere do de Freud, em Le Bon o inconsciente remete a questões arcaicas da raça e não ao recalcado). Le Bon acreditava que a Psicologia grupal teria suas raízes ancestrais em antigas crenças e costumes, e a crise social advinha da mudança ou abandono dessas crenças. O grupo funcionava em equilíbrio quando possuía um líder que norteasse os sujeitos na mesma direção conservadora. Sua tese acerca do estudo das multidões era de que estas seriam¨ pouco aptas ao raciocínio e muito aptas à ação¨, isso porque o grupo imprimia aos sujeitos uma situação fomentadora de caos, onde os processos inconscientes e bárbaros vinham a tona. • O autor defendia a ideia de que apenas a civilização edificaria os sujeitos, desde que se tratasse de um grupo organizado historicamente, o que quer dizer com raízes culturais, etnológicas e comportamentais. Para Le Bon, alguns fenômenos observados nas multidões poderia explicar a tendência de os indivíduos atuarem sem raciocínio crítico quando em grupo, entre eles estão: a sugestionabilidade e credulidade o contágio, a hipnose grupal, a intolerância, o autoritarismo, a moralidade, o conservadorismo, o exagero dos sentimentos, e o advento do inconsciente dos povos primitivos. Sigmund Freud Sigmund Freud • Freud • Sigmund Freud nasceu em 1856, se formou em medicina especializando em neurologia, não contente com o modelo existente de tratamento acerca inicialmente da histeria, cria um novo método de tratamento, como denominado por sua paciente Ana O. , o ¨Talking cure¨, ou mais conhecido como Psicanálise. • Freud morre em 1939, não sem antes ter deixado mais de 24 obras, e revolucionado o pensamento ocidental acerca de temas como a sexualidade, o erotismo, as neuroses, entre outros temas muito caros não só às ciências Psi, mas a diversas áreas do conhecimento, como a Filosofia, a sociologia, etc. Destacamos aqui sua obra ¨Psicologia das massas..¨ • Em ¨Psicologia das massas e análise do ego¨ Freud situa a abordagem psíquica individual como sendo intrinsecamente social, haja vista que o sujeito desde a mais tenra infância endereça suas demandas pulsionais ao grupo ao qual pertence (sendo este mesmo grupo que irá oprimi-las), o ¨instinto grupal¨ seria balizado pelo convívio do sujeito no grupo primordial (comumente a família), a identificação seria a forma mais primitiva de laço social. • A personalidade adulta em grupos respeitaria um modelo de identificação a um objeto idealizado mutuamente pelos sujeitos, tal qual um líder. • Freud(1921) esclarece que, onde há fenômeno social há fenômeno narcisista (leia-se narcisismo secundário, onde já há objeto externo de desejo), não havendo antagonismo entre estas duas instâncias fenomenológicas. • De acordo com os seus postulados, são os processos narcisistas que dirigem o comportamento dos sujeitos no grupo, e em contrapartida é a vivência no grupo que oprime e represa as catexias objetais do sujeito. O narcisismo seria então uma retro-alimentação da vivência velada do sujeito no grupo, ou seja, o processo de investir de libido a si próprio exacerbadamente(sintoma) seria fruto de uma impossibilidade de investi-la no social. • Para Freud a civilização antes de ser fator evolucionário na estrutura psíquica é o seu ¨mal estar¨ (aqui faço alusão a sua obra ¨O mal estar na civilização¨), já que estabelece impasses acerca de seus desejos que tornam impossível uma equação equilibrada entre sujeito e grupo, e sendo este débito introjetado pelo sujeito(supereu), o saldo é de uma personalidade em conflito intrínseca e extrinsecamente. Le Bon por Freud • Freud lê ¨Psychologie des foules¨ e dedica um capitulo todo de ¨Psicologia das massas..¨ à Le Bon. Onde mais do que tecer elogios a esta obra, estabelece eixos de paralelo e de ruptura entre seu pensamento e o de Le Bon. • Freud(p.128) situa a leitura de Le Bon sobre os grupos como um estudo das ¨formações mentais passageiras típicas¨ que não leva em conta a lacuna do sujeito individualmente, para ele, Le Bon lança um enigma ao explicar o grupo e não diferenciá-lo da vida individual dos sujeitos. Freud transfere este enigma para o inconsciente como mobilizador dos sujeitos dentro ou fora do grupo (enquanto fenômeno). • Em relação as discrepâncias podemos situar fundamentalmente como opostas ambas as teorias no que se diz respeito ao fator da civilização e ao conceito de inconsciente. • ¨Há certa diferença entre a opinião de Le Bon e a nossa, devido ao fato de que seu conceito de inconsciente não coincide inteiramente com o adotado pela Psicanálise. O inconsciente de Le Bon contém, mais especialmente, os aspectos mais profundamente enterrados da mente racial, que, em verdade, estão fora do escopo da Psicanálise. Não deixamos de reconhecer, é fato, que o núcleo do ego, que compreende a ´herança arcaica` da mente humana, é inconsciente; além disso, porém distinguimos o ´reprimido inconsciente`, que surgiu de uma parte dessa herança. Esse conceito do reprimido não é encontrado em Le Bom¨(FREUD, 1921, p.85). • Em Freud o que une os sujeitos em grupo não é a identificação imaginária direta de um ao outro, mas o amor que ambos tem pelo líder. ¨Após as discussões anteriores, estamos, no entanto, em perfeita posição de fornecer a fórmula para a constituição libidinal dos grupos, ou, pelo menos, de grupos como os que até aqui consideramos, ou seja, aqueles grupos que têm um líder e não puderam, mediante uma ‘organização’ demasiada, adquirir secundariamente as características de um indivíduo. Um grupo primário desse tipo é um certo número de indivíduos que colocaram um só emesmo objeto no lugar de seu ideal do ego e, conseqüentemente, se identificaram uns com os outros em seu ego. Esta condição admite uma representação gráfica¨ (FREUD, 1921, p.126). • Referências • FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do ego (1921). Rio de Janeiro: Imago, 2006. • LE BON, Gustave. Psicologia das multidões (1885). São Paulo: Martins Fontes, 2008.