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DIREITO DO TRABALHO UNIDADE 3 - SALÁRIO E REMUNERAÇÃO. TÉRMINO DO CONTRATO DE TRABALHO SEÇÃO 3.2 – CAUSAS DE EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO CAUSAS DE EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO A Constituição Federal, em seu artigo 7º, I dispõe que: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; Até que seja promulgada a lei a que se refere o referido inciso, aplica-se o ADCT: Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição: I - fica limitada a proteção nele referida ao aumento, para quatro vezes, da porcentagem prevista no art. 6º, caput e § 1º, da Lei n.º 5.107, de 13 de setembro de 1966; Indenização devida pela rescisão do contrato de trabalho por prazo indeterminado: Art. 478 - A indenização devida pela rescisão de contrato por prazo indeterminado será de 1 (um) mês de remuneração por ano de serviço efetivo, ou por ano e fração igual ou superior a 6 (seis) meses. § 1º - O primeiro ano de duração do contrato por prazo indeterminado é considerado como período de experiência, e, antes que se complete, nenhuma indenização será devida. § 2º - Se o salário for pago por dia, o cálculo da indenização terá por base 25 (vinte e cinco) dias. (Vide Constituição Federal Art.7 inciso XIII) § 3º - Se pago por hora, a indenização apurar-se-á na base de 200 (duzentas) horas por mês. § 4º - Para os empregados que trabalhem a comissão ou que tenham direito a percentagens, a indenização será calculada pela média das comissões ou percentagens percebidas nos últimos 12 (doze) meses de serviço. § 5º - Para os empregados que trabalhem por tarefa ou serviço feito, a indenização será calculada na base média do tempo costumeiramente gasto pelo interessado para realização de seu serviço, calculando-se o valor do que seria feito durante 30 (trinta) dias. Indenização devida pela rescisão do contrato de trabalho por prazo determinado: Art. 479 - Nos contratos que tenham termo estipulado, o empregador que, sem justa causa, despedir o empregado será obrigado a pagar-lhe, a titulo de indenização, e por metade, a remuneração a que teria direito até o termo do contrato. Parágrafo único - Para a execução do que dispõe o presente artigo, o cálculo da parte variável ou incerta dos salários será feito de acordo com o prescrito para o cálculo da indenização referente à rescisão dos contratos por prazo indeterminado. Art. 480 - Havendo termo estipulado, o empregado não se poderá desligar do contrato, sem justa causa, sob pena de ser obrigado a indenizar o empregador dos prejuízos que desse fato lhe resultarem. § 1º - A indenização, porém, não poderá exceder àquela a que teria direito o empregado em idênticas condições. Extinção do contrato e pagamento das verbas: Art. 477. Na extinção do contrato de trabalho, o empregador deverá proceder à anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, comunicar a dispensa aos órgãos competentes e realizar o pagamento das verbas rescisórias no prazo e na forma estabelecidos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) (...) §2º - O instrumento de rescisão ou recibo de quitação, qualquer que seja a causa ou forma de dissolução do contrato, deve ter especificada a natureza de cada parcela paga ao empregado e discriminado o seu valor, sendo válida a quitação, apenas, relativamente às mesmas parcelas. (...) §4º - O pagamento a que fizer jus o empregado será efetuado: (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) I - em dinheiro, depósito bancário ou cheque visado, conforme acordem as partes; ou (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) II - em dinheiro ou depósito bancário quando o empregado for analfabeto. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) §5º - Qualquer compensação no pagamento de que trata o parágrafo anterior não poderá exceder o equivalente a um mês de remuneração do empregado. §6º - A entrega ao empregado de documentos que comprovem a comunicação da extinção contratual aos órgãos competentes bem como o pagamento dos valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão ser efetuados até dez dias contados a partir do término do contrato. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) (...) §8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. (...) §10. A anotação da extinção do contrato na Carteira de Trabalho e Previdência Social é documento hábil para requerer o benefício do seguro-desemprego e a movimentação da conta vinculada no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, nas hipóteses legais, desde que a comunicação prevista no caput deste artigo tenha sido realizada. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) OBSERVAÇÕES: PEDIDO DE DEMISSÃO OU RECIBO DE QUITAÇÃO DE RESCISÃO, DO CONTRATO DE TRABALHO. HOMOLOGAÇÃO PELO SINDICATO OU PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO EM EMPREGO. DESNCESSIDADE. Revogação do §1º do artigo 477 da CLT, pela Lei nº 13.467, de 2017. OJ 238 da SDI-1. MULTA. ART. 477 DA CLT. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. APLICÁVEL Submete-se à multa do artigo 477 da CLT a pessoa jurídica de direito público que não observa o prazo para pagamento das verbas rescisórias, pois nivela-se a qualquer particular, em direitos e obrigações, despojando-se do "jus imperii" ao celebrar um contrato de emprego. Súmula 462 do TST. MULTA DO ART. 477, § 8º, DA CLT. INCIDÊNCIA. RECONHECIMENTO JUDICIAL DA RELAÇÃO DE EMPREGO. A circunstância de a relação de emprego ter sido reconhecida apenas em juízo não tem o condão de afastar a incidência da multa prevista no art. 477, §8º, da CLT. A referida multa não será devida apenas quando, comprovadamente, o empregado der causa à mora no pagamento das verbas rescisórias. Súmula nº 388 do TST. MASSA FALIDA. ARTS. 467 E 477 DA CLT. INAPLICABILIDADE. A Massa Falida não se sujeita à penalidade do art. 467 e nem à multa do § 8º do art. 477, ambos da CLT. Dispensa em massa: Art. 477-A. As dispensas imotivadas individuais, plúrimas ou coletivas equiparam-se para todos os fins, não havendo necessidade de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Plano de demissão voluntária ou incentivada – dispensa individual, plúrima ou coletiva: Art. 477-B. Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada, para dispensa individual, plúrima ou coletiva, previsto em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, enseja quitação plena e irrevogável dos direitos decorrentes da relação empregatícia, salvo disposição em contrário estipulada entre as partes. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) TÉRMINO DO CONTRATO DE TRABALHO A terminologia genérica utilizada para o assunto é variada entre os operadores do direito, não havendo um consenso entre os operadores do direito. A própria CLT utiliza diversas nomenclaturas empregando-as como sinônimas. Essas nomenclaturas não estão erradas e podem ser utilizadas. Porém, sob o ponto de vista técnico do Direito do Trabalho, as formas principais de ruptura do contrato são divididas em três espécies: resilição, resolução e rescisão. A RESCISÃO DO CONTRATO ocorre quando ele termina por nulidade, a exemplo de um contrato com a administração pública sem a realização de um concurso público, que é vedado pela Constituição. A RESOLUÇÃO DO CONTRATO ocorre quando temos o cometimento de uma falta grave tanto pelo empregado (dispensa do trabalhador por justa causa) quanto pelo empregador (rescisão ou dispensa indiretapor culpa empresarial). Na RESILIÇÃO CONTRATUAL, a ruptura do contrato ocorre sem a presença de falta grave, nas hipóteses de pedido de demissão e dispensa sem justa causa pelo empregador. RESILIÇÃO DO CONTRATO Pedido de demissão por parte do empregado: Quando o empregado concede o aviso ao empregador – pedido de demissão –, terá o dever de cumprir o aviso por 30 dias, sob pena de sofrer o desconto do período do aviso nas verbas rescisórias (acerto da rescisão) – CLT, artigo 487, § 2º. Isso se dá porque a empresa pode não conseguir um substituto imediatamente e sofrer prejuízos com a falta do aviso pelo empregado que pede demissão. Embora exista a obrigatoriedade de concessão do aviso pelo empregado, é facultado ao empregador dispensá-lo do cumprimento do aviso. O empregado que pede demissão tem o direito às seguintes verbas rescisórias: O empregado não terá direito de sacar o FGTS e também não terá acesso ao seguro desemprego. Se o empregado não cumprir o aviso prévio poderá ser descontado de sua rescisão. VERBAS RESCISÓRIAS RECEBE Saldo de salário SIM Aviso prévio NÃO 13º salário proporcional SIM Férias vencidas + 1/3 constitucional SIM Férias proporcionais + 1/3 constitucional SIM Multa de 40% sobre o FGTS NÃO Dispensa sem justa causa pelo empregador: O dever de conceder o aviso prévio é da empresa. Assim, aplica-se o aviso prévio proporcional, considerando o tempo do contrato de trabalho. O aviso poderá ser cumprido na empresa ou indenizado, lembrando que, na hipótese de aviso trabalhado, é facultado ao empregado laborar com a redução das duas horas diárias ou se ausentar do labor durante sete dias corridos, na intenção de buscar um novo emprego. O trabalhador dispensado pela empresa sem justa causa faz jus às seguintes verbas rescisórias: O empregador deverá liberar as guias para o saque do FGTS (saque + 40% da multa) e do seguro desemprego (preenchidos os requisitos). VERBAS RESCISÓRIAS RECEBE Saldo de salário SIM Aviso prévio SIM 13º salário proporcional SIM Férias vencidas + 1/3 constitucional SIM Férias proporcionais + 1/3 constitucional SIM Multa de 40% sobre o FGTS SIM RESOLUÇÃO DO CONTRATO Dispensa indireta ou rescisão indireta (Justa causa do empregador) Ela se configura na hipótese que o empregador comete uma falta grave a ponto de tornar-se insustentável a relação de emprego. A rescisão ou despedida é denominada indireta porque a falta grave cometida pelo empregador dá o direito ao empregado de rescindir o contrato de trabalho indiretamente por culpa da empresa, sendo devidas todas as verbas rescisórias que faria jus se tivesse sido dispensado sem justa causa. O empregador deverá liberar as guias para o saque do FGTS (saque + 40% da multa) e do seguro desemprego (preenchidos os requisitos). VERBAS RESCISÓRIAS RECEBE Saldo de salário SIM Aviso prévio SIM 13º salário proporcional SIM Férias vencidas + 1/3 constitucional SIM Férias proporcionais + 1/3 constitucional SIM Multa de 40% sobre o FGTS SIM Procedimento para o reconhecimento da justa causa do empregador: é necessário o ajuizamento de uma ação judicial. Havendo a procedência do pedido, desconstitui o vínculo e condenará a empresa a pagar todas as verbas rescisórias, como se o empregado tivesse sido dispensado sem justa causa. Ao contrário, se entender pela improcedência do pedido, reconhecerá o fim da relação de emprego por pedido de demissão do trabalhador. Nos casos das alíneas “d” (descumprimento contratual) e “g” (redução de trabalho) do artigo 483, o empregado pode continuar trabalhando. Nas demais hipóteses, ele deve se afastar do trabalho (§ 3º ). As hipóteses que configuram a justa causa empresarial estão arroladas na CLT, no artigo 483: Art. 483 - O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: a) forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos por lei, contrários aos bons costumes, ou alheios ao contrato; b) for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo; c) correr perigo manifesto de mal considerável; d) não cumprir o empregador as obrigações do contrato; e) praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo da honra e boa fama; f) o empregador ou seus prepostos ofenderem-no fisicamente, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; g) o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de forma a afetar sensivelmente a importância dos salários. § 1º - O empregado poderá suspender a prestação dos serviços ou rescindir o contrato, quando tiver de desempenhar obrigações legais, incompatíveis com a continuação do serviço. § 2º - No caso de morte do empregador constituído em empresa individual, é facultado ao empregado rescindir o contrato de trabalho. § 3º - Nas hipóteses das letras "d" e "g", poderá o empregado pleitear a rescisão de seu contrato de trabalho e o pagamento das respectivas indenizações, permanecendo ou não no serviço até final decisão do processo. O assédio moral tem relação com a hipótese arrolada legalmente como rigor excessivo (CLT, 483 “b”). Assediar significa importunar, cercar, perseguir alguém com insistência. No campo da relação de trabalho, é toda pressão ou violência psicológica extrema, de forma sistemática, frequente e prolongada sobre o trabalhador, no sentido de humilhá-lo, constrangê-lo, forçá-lo a pedir demissão. O comportamento pode advir de chefes e superiores, mas também ocorre entre colegas de trabalho. O assédio moral é um fator de risco psicossocial capaz de provocar danos à saúde do trabalhador, a exemplo da depressão. Se comprovados os comportamentos assediadores, o empregado poderá pleitear indenização por dano moral e também a rescisão indireta, com fundamento na hipótese de rigor excessivo. OBSERVAÇÕES: TRABALHO DO MENOR. DESCUMPRIMENTO, POR PARTE DA EMPRESA, DAS MEDIDAS POSSÍVEIS E RECOMENDADAS PELA AUTORIDADE COMPETENTE. Art. 407 - Verificado pela autoridade competente que o trabalho executado pelo menor é prejudicial à sua saúde, ao seu desenvolvimento físico ou a sua moralidade, poderá ela obrigá-lo a abandonar o serviço, devendo a respectiva empresa, quando for o caso, proporcionar ao menor todas as facilidades para mudar de funções. Parágrafo único - Quando a empresa não tomar as medidas possíveis e recomendadas pela autoridade competente para que o menor mude de função, configurar-se-á a rescisão do contrato de trabalho, na forma do art. 483. TRABALHO DO MENOR. EXTINÇÃO DO CONTRATO PLEITEADA PELO RESPONSÁVEL LEGAL. Art. 408 - Ao responsável legal do menor é facultado pleitear a extinção do contrato de trabalho, desde que o serviço possa acarretar para ele prejuízos de ordem física ou moral. Dispensa do empregado por justa causa A justa causa é a pena máxima a ser aplicada ao trabalhador, pelo que é recomendável que as empresas sejam cautelosas, imputando a falta grave ao empregado apenas quando houver prova robusta da culpa. A comprovação da justa causa a ser aplicada ao empregado depende dos seguintes requisitos: a falta deve ser grave; a pena aplicada deve ser proporcional à falta cometida; para cada falta deve ter uma penalidade, não sendo possível punir duas vezes pelo mesmo ato; a penalidade deve ser aplicada imediatamente ao fato ocorrido, sob pena de perdão tácito; deve haver conduta dolosa ou culposa da parte que cometeu a falta. Não há necessidade de nenhum procedimento especial. As hipóteses de justa causa aplicadas ao empregado estão previstas na CLT, no artigo 482: Art. 482 - Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: a) ato de improbidade; b) incontinência de conduta ou mau procedimento; c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador, e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou for prejudicial ao serviço;d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena; e) desídia no desempenho das respectivas funções; f) embriaguez habitual ou em serviço; g) violação de segredo da empresa; h) ato de indisciplina ou de insubordinação; i) abandono de emprego; j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; l) prática constante de jogos de azar. m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Parágrafo único - Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado a prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança nacional. OBSERVAÇÕES: ABANDONO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO. Súmula 32 do TST. ABANDONO DE EMPREGO (nova redação). Presume-se o abandono de emprego se o trabalhador não retornar ao serviço no prazo de 30 (trinta) dias após a cessação do benefício previdenciário nem justificar o motivo de não o fazer. PARTICIPAÇÃO EM GREVE. Ausência de configuração de justa causa, conforme entendimento sumulado do STF. Súmula 316 do STF. A SIMPLES ADESÃO A GREVE NÃO CONSTITUI FALTA GRAVE. Outras hipóteses de justa causa que também estão previstas na CLT: Art. 433. O contrato de aprendizagem extinguir-se-á no seu termo ou quando o aprendiz completar 24 (vinte e quatro) anos, ressalvada a hipótese prevista no § 5o do art. 428 desta Consolidação, ou ainda antecipadamente nas seguintes hipóteses: I - desempenho insuficiente ou inadaptação do aprendiz, salvo para o aprendiz com deficiência quando desprovido de recursos de acessibilidade, de tecnologias assistivas e de apoio necessário ao desempenho de suas atividades; II – falta disciplinar grave; III – ausência injustificada à escola que implique perda do ano letivo; ou IV – a pedido do aprendiz. Art. 240 - Nos casos de urgência ou de acidente, capazes de afetar a segurança ou regularidade do serviço, poderá a duração do trabalho ser excepcionalmente elevada a qualquer número de horas, incumbindo à Estrada zelar pela incolumidade dos seus empregados e pela possibilidade de revezamento de turmas, assegurando ao pessoal um repouso correspondente e comunicando a ocorrência ao Ministério do Trabalho, Industria e Comercio, dentro de 10 (dez) dias da sua verificação. Parágrafo único - Nos casos previstos neste artigo, a recusa, sem causa justificada, por parte de qualquer empregado, à execução de serviço extraordinário será considerada falta grave. Art. 158 - Cabe aos empregados: (...) Parágrafo único - Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada: a) à observância das instruções expedidas pelo empregador na forma do item II do artigo anterior; b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa. ATENÇÃO!!! Regra para empregado estável: Art. 494 - O empregado acusado de falta grave poderá ser suspenso de suas funções, mas a sua despedida só se tornará efetiva após o inquérito e que se verifique a procedência da acusação. Parágrafo único - A suspensão, no caso deste artigo, perdurará até a decisão final do processo. Sendo dispensado por justa causa, o empregado fará jus apenas às seguintes verbas rescisórias: O empregado não terá direito de sacar o FGTS e também não terá acesso ao seguro desemprego. VERBAS RESCISÓRIAS RECEBE Saldo de salário SIM Aviso prévio NÃO 13º salário proporcional NÃO Férias vencidas + 1/3 constitucional SIM Férias proporcionais + 1/3 constitucional NÃO Multa de 40% sobre o FGTS NÃO Caso o trabalhador entenda que foi injustiçado, poderá ajuizar uma ação trabalhista e requerer a reversão da justa causa, caso em que caberá ao magistrado analisar as circunstâncias, verificando se a empresa agiu ou não com abuso de direito. Não sendo provada a justa causa pela empresa, o juiz reverterá a demissão por justa causa para sem justa causa, condenando ao pagamento das demais verbas rescisórias (férias e décimo terceiro proporcional, aviso prévio, multa do fundo de garantia, acesso aos depósitos de FGTS e seguro desemprego). Culpa recíproca A culpa recíproca dá-se quando ambas as partes do contrato de trabalho, empregado e empregador, cometem faltas graves, justos motivos. Neste caso, segundo o art. 484 da CLT, o Tribunal de Trabalho reduzirá a indenização a que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador pela metade. Art. 484 - Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. Súmula 14 do TST. CULPA RECÍPROCA. Reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (art. 484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo terceiro salário e das férias proporcionais. De acordo com o art. 18, §2º da Lei nº 8.036/1990 (Lei do FGTS), quando ocorrer despedida por culpa recíproca ou força maior, reconhecida pela Justiça do Trabalho, a multa de 40% do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada do trabalhador no FGTS será de 20%. Procedimento: reconhecimento pela justiça do trabalho. EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO POR ACORDO OU DISTRATO A Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017), previu ainda a possibilidade de EXTINGUIR O CONTRATO DE TRABALHO POR ACORDO. O artigo 484-A, da CLT, teve por intuito criar uma terceira via entre o “pedido de demissão” e a “dispensa sem justa causa”. Quando houver tal acordo, as verbas devidas serão as seguintes: I – por metade: a) o aviso prévio, se indenizado; e b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; II – na integralidade, quanto às demais verbas trabalhistas e, movimentação da conta vinculada do trabalhador no FGTS, limitada até 80% do valor dos depósitos. Art. 484-A. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) I - por metade: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) a) o aviso prévio, se indenizado; e (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no § 1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) II - na integralidade, as demais verbas trabalhistas. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 1o A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite a movimentação da conta vinculada do trabalhador no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso I-A do art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta por cento) do valor dos depósitos. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 2o A extinção do contrato por acordo prevista no caput deste artigo não autoriza o ingresso no Programa de Seguro-Desemprego. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) EXTINÇÃO DO CONTRATO EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DA EMPRESA, SEM MOTIVO DE FORÇA MAIOR A indenização será paga por quem deu causa ao fechamento da empresa. Art. 497 - Extinguindo-se a empresa, sem a ocorrência de motivo de força maior, ao empregado estável despedido é garantida a indenização por rescisão do contrato por prazo indeterminado, paga em dobro. Art. 498 - Em caso de fechamento do estabelecimento, filial ou agência, ou supressão necessária de atividade, sem ocorrência de motivo de força maior, é assegurado aos empregados estáveis, que ali exerçam suas funções, direito à indenização, na forma do artigo anterior.EXTINÇÃO DO CONTRATO POR MOTIVO DE FORÇA MAIOR A força maior, dá-se quando ocorre um evento imprevisível, sem culpa do empregador, do qual decorre a extinção da empresa (ou do estabelecimento), por exemplo, diante de um desastre natural. Art. 501 - Entende-se como força maior todo acontecimento inevitável, em relação à vontade do empregador, e para a realização do qual este não concorreu, direta ou indiretamente. § 1º - A imprevidência do empregador exclui a razão de força maior. § 2º - À ocorrência do motivo de força maior que não afetar substâncialmente, nem for suscetível de afetar, em tais condições, a situação econômica e financeira da empresa não se aplicam as restrições desta Lei referentes ao disposto neste Capítulo. Art. 502 - Ocorrendo motivo de força maior que determine a extinção da empresa, ou de um dos estabelecimentos em que trabalhe o empregado, é assegurada a este, quando despedido, uma indenização na forma seguinte: I - sendo estável, nos termos dos arts. 477 e 478; II - não tendo direito à estabilidade, metade da que seria devida em caso de rescisão sem justa causa; III - havendo contrato por prazo determinado, aquela a que se refere o art. 479 desta Lei, reduzida igualmente à metade. Art. 503 - É lícita, em caso de força maior ou prejuízos devidamente comprovados, a redução geral dos salários dos empregados da empresa, proporcionalmente aos salários de cada um, não podendo, entretanto, ser superior a 25% (vinte e cinco por cento), respeitado, em qualquer caso, o salário mínimo da região. Parágrafo único - Cessados os efeitos decorrentes do motivo de força maior, é garantido o restabelecimento dos salários reduzidos. Art. 504 - Comprovada a falsa alegação do motivo de força maior, é garantida a reintegração aos empregados estáveis, e aos não-estáveis o complemento da indenização já percebida, assegurado a ambos o pagamento da remuneração atrasada. EXTINÇÃO DO CONTRATO POR MOTIVO DE FALÊNCIA DA EMPRESA No caso de extinção do contrato por motivo de falência da empresa, a rescisão será no padrão da demissão sem justa causa, isto é, o empregado fará jus à totalidade dos direitos rescisórios. EXTINÇÃO DO CONTRATO POR PRAZO DETERMINADO O contrato por prazo determinado será extinto, obviamente, quando alcançar o seu termo final, isto é, no término da sua vigência. Rescisão antecipada e sem justa causa: Rescisão antecipada e sem justa causa pelo empregador: neste caso, estará obrigado a indenizar o empregado em valor correspondente à metade a que este teria direito até o término do contrato, de acordo com o art. 479 da CLT. Esse pagamento terá natureza indenizatória. Rescisão antecipada e sem justa causa pelo empregado: se isso acontecer, na forma do art. 480 da CLT, estará obrigado a indenizar o empregador nos prejuízos resultantes deste ato, com o limite máximo equivalente ao da metade da remuneração que o empregado faria jus na situação inversa. O seguro-desemprego é um benefício de natureza previdenciária que, de acordo com o art. 2º, I e II da Lei nº 7.998/1990, visa prover assistência financeira ao trabalhador desempregado em virtude de dispensa sem justa causa, inclusive a indireta, e ao trabalhador comprovadamente resgatado de regime de trabalho escravo ou da condição análoga à de escravo, além de auxiliar os trabalhadores na busca ou preservação do emprego, promovendo, para tanto, ações integradas de orientação, recolocação e qualificação profissional (MARTINEZ, 2018). O art. 3º da mencionada lei dispõe, ainda, que o trabalhador dispensado sem justa causa terá direito à percepção do seguro-desemprego, devendo comprovar os requisitos ali elencados. O seguro-desemprego, nos termos do art. 4º, da lei 7.998/90, será concedido ao trabalhador desempregado, por período máximo variável de 3 (três) a 5 (cinco) meses, de forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo, contados da data de dispensa que deu origem à última habilitação, cuja duração será definida pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) (BRASIL, 1990). PROCESSO DE EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO POR ACORDO EXTRAJUDICIAL A extinção do contrato de trabalho por acordo extrajudicial é uma novidade da Reforma Trabalhista: Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 1o As partes não poderão ser representadas por advogado comum. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 2o Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Art. 855-C. O disposto neste Capítulo não prejudica o prazo estabelecido no § 6o do art. 477 desta Consolidação e não afasta a aplicação da multa prevista no § 8o art. 477 desta Consolidação. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Art. 855-D. No prazo de quinze dias a contar da distribuição da petição, o juiz analisará o acordo, designará audiência se entender necessário e proferirá sentença. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Art. 855-E. A petição de homologação de acordo extrajudicial suspende o prazo prescricional da ação quanto aos direitos nela especificados. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Parágrafo único. O prazo prescricional voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da decisão que negar a homologação do acordo. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Consoante se dessume dos dispositivos acima, não se admite, aqui, o jus postulandi. O objetivo do legislador ao prever tal instituto, além de desafogar o judiciário, foi acabar com as ações fraudulentas que visavam apenas a homologação de acordo. QUESTÕES QUESTÃO 1 (Prova: FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - INB - Advogado) Quanto à rescisão do contrato de trabalho, assinale a alternativa INCORRETA. O pagamento a que faz jus o empregado, quando da rescisão do contrato de trabalho, será efetuado em dinheiro, depósito bancário ou cheque visado, quando o empregado for analfabeto. A entrega ao empregado de documentos que comprovem a comunicação da extinção contratual aos órgãos competentes bem como o pagamento dos valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão ser efetuados até dez dias contados a partir do término do contrato. As dispensas imotivadas individuais, plúrimas ou coletivas equiparam-se para todos os fins, não havendo necessidade de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e empregador, caso em que será devido, por metade, o aviso prévio, se indenizado. QUESTÃO 2 (Prova: AOCP - 2018 - Prefeitura de São Luís - MA - Técnico de Nível Superior - Direito) Assinale a alternativa correta. O afastamento do empregado em virtude das exigências do serviço militar consistirá motivo para alteração do contrato de trabalho. O empregado só poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário para realizar prova de exame vestibular para ingresso em estabelecimento de ensino superior com a anuência do seu empregador. Nos contratos por prazo determinado, as verbas rescisórias deverão ser pagas até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato. O empregado que goza de estabilidade não poderá renunciá-la, nem mesmo pedindo demissão. A perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado, constitui causa de demissão por justa causa. QUESTÃO 3 (Prova: VUNESP - 2019 - Prefeitura da Estância Turística de Guaratinguetá - Procurador) De acordo com os moldes e termos contidos na CLT, assinale a alternativa correta. A extinção do contrato por acordo autoriza o ingresso no Programa de Seguro-Desemprego. É devido aviso prévio na despedida indireta. Na extinção do contrato de trabalho, o pagamentoa que fizer jus o empregado será efetuado em dinheiro, depósito bancário ou cheque visado, quando esse for analfabeto. A compensação no pagamento das verbas rescisórias não poderá exceder o equivalente à metade do salário base do empregado. O horário normal de trabalho do empregado, durante o prazo do aviso prévio, em quaisquer hipóteses de rescisão promovida pelo empregador, será reduzido de 2 (duas) horas diárias, sem prejuízo do salário integral. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA TESTA, Janaina Carla da Silva Vargas. Legislação social e trabalhista. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 192 p. image2.jpg image3.png image4.gif image5.png image6.jpeg image7.gif image1.jpg