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mas, na lógica, 
o termo possui significado mais específico: falácia é uma falha técnica que torna o argumento inconsistente ou inválido (além da 
consistência do argumento, também se podem criticar as intenções por detrás da argumentação).
Argumentos contentores de falácias são denominados falaciosos. Frequentemente, parecem válidos e convincentes, às vezes, 
apenas uma análise pormenorizada é capaz de revelar a falha lógica. Com as premissas verdadeiras e a conclusão falsa nunca 
teremos um argumento válido, então este argumento é não válido, chamaremos os argumentos não válidos de falácias. A seguir, 
examinaremos algumas falácias conhecidas que ocorrem com muita frequência. O primeiro caso de argumento dedutivo não válido 
que veremos é o que chamamos de “falácia da afirmação do consequente”. Exemplo:
Se ele me ama então ele casa comigo.
Ele casa comigo.
_______________________
∴ Ele me ama.
Podemos escrever esse argumento como:
Se p, então q,
p
q
∴
 ou 
p→ q
p
q
∴
Este argumento é uma falácia, podemos ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa. 
Outra falácia que corre com frequência é a conhecida por “falácia da negação do antecedente”. Exemplo:
Se João parar de fumar ele engordará.
João não parou de fumar.
________________________
∴ João não engordará.
Observe que temos a forma:
Se p, então q,
.
.
qNão
pNão
∴
 ou 
p → q
q
p
¬∴
¬
Didatismo e Conhecimento 16
RACIOCÍNIO LÓGICO
Este argumento é uma falácia, pois podemos ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa.
Os argumentos dedutivos não válidos podem combinar verdade ou falsidade das premissas de qualquer maneira com a verdade ou 
falsidade da conclusão. Assim, podemos ter, por exemplo, argumentos não válidos com premissas e conclusões verdadeiras, porém, as 
premissas não sustentam a conclusão. Exemplo:
Todos os mamíferos são mortais. (V)
Todos os gatos são mortais. (V)
___________________________
∴ Todos os gatos são mamíferos. (V)
Este argumento tem a forma:
Todos os A são B.
Todos os C são B.
_____________________
∴ Todos os C são A.
Podemos facilmente mostrar que esse argumento é não válido, pois as premissas não sustentam a conclusão, e veremos então 
que podemos ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa, nesta forma, bastando substituir A por mamífero, B por mortais e C 
por cobra.
 
Todos os mamíferos são mortais. (V)
Todas as cobras são mortais. (V)
__________________________
∴ Todas as cobras são mamíferas. (F)
Podemos usar as tabelas-verdade, definidas nas estruturas lógicas, para demonstrarmos se um argumento é válido ou falso. Outra 
maneira de verificar se um dado argumento P
1
, P
2
, P3, ...Pn é válido ou não, por meio das tabelas-verdade, é construir a condicional 
associada: (P
1 
∧ P
2 
∧ P3 ...Pn) e reconhecer se essa condicional é ou não uma tautologia. Se essa condicional associada é tautologia, 
o argumento é válido. Não sendo tautologia, o argumento dado é um sofisma (ou uma falácia).
Tautologia: Quando uma proposição composta é sempre verdadeira, então teremos uma tautologia. Ex: P (p,q) = 
( p ∧ q) ↔ (p V q) . Numa tautologia, o valor lógico da proposição composta P (p,q,s) = {(p ∧ q) V (p V s) V [p ∧ (q ∧ s)]} → 
p será sempre verdadeiro.
Há argumentos válidos com conclusões falsas, da mesma forma que há argumentos não válidos com conclusões verdadeiras. 
Logo, a verdade ou falsidade de sua conclusão não determinam a validade ou não validade de um argumento. O reconhecimento de 
argumentos é mais difícil que o das premissas ou da conclusão. Muitas pessoas abarrotam textos de asserções sem sequer produzirem 
algo que possa ser chamado de argumento. Às vezes, os argumentos não seguem os padrões descritos acima. Por exemplo, alguém 
pode dizer quais são suas conclusões e depois justificá-las. Isso é válido, mas pode ser um pouco confuso.
Para complicar, algumas afirmações parecem argumentos, mas não são. Por exemplo: “Se a Bíblia é verdadeira, Jesus foi ou um 
louco, ou um mentiroso, ou o Filho de Deus”. Isso não é um argumento, é uma afirmação condicional. Não explicita as premissas 
necessárias para embasar as conclusões, sem mencionar que possui outras falhas.
Um argumento não equivale a uma explicação. Suponha que, tentando provar que Albert Einstein cria em Deus, alguém dissesse: 
“Einstein afirmou que ‘Deus não joga dados’ porque acreditava em Deus”. Isso pode parecer um argumento relevante, mas não é. 
Trata-se de uma explicação da afirmação de Einstein. Para perceber isso, deve-se lembrar que uma afirmação da forma “X porque 
Y” pode ser reescrita na forma “Y logo X”. O que resultaria em: “Einstein acreditava em Deus, por isso afirmou que ‘Deus não 
joga dados’”. Agora fica claro que a afirmação, que parecia um argumento, está admitindo a conclusão que deveria estar provando. 
Ademais, Einstein não cria num Deus pessoal preocupado com assuntos humanos.
Didatismo e Conhecimento 17
RACIOCÍNIO LÓGICO
QUESTÕES
01. Se Iara não fala italiano, então Ana fala alemão. Se Iara fala italiano, então ou Ching fala chinês ou Débora fala dinamarquês. Se 
Débora fala dinamarquês, Elton fala espanhol. Mas Elton fala espanhol se e somente se não for verdade que Francisco não fala francês. Ora, 
Francisco não fala francês e Ching não fala chinês. Logo,
a) Iara não fala italiano e Débora não fala dinamarquês.
b) Ching não fala chinês e Débora fala dinamarquês. 
c) Francisco não fala francês e Elton fala espanhol.
d) Ana não fala alemão ou Iara fala italiano.
e) Ana fala alemão e Débora fala dinamarquês.
02. Sabe-se que todo o número inteiro n maior do que 1 admite pelo menos um divisor (ou fator) primo.Se n é primo, então tem 
somente dois divisores, a saber, 1 e n. Se n é uma potência de um primo p, ou seja, é da forma ps, então 1, p, p2, ..., ps são os divisores 
positivos de n. Segue-se daí que a soma dos números inteiros positivos menores do que 100, que têm exatamente três divisores 
positivos, é igual a:
a) 25
b) 87
c) 112
d) 121
e) 169
03. Ou Lógica é fácil, ou Artur não gosta de Lógica. Por outro lado, se Geografia não é difícil, então Lógica é difícil. Daí segue-se 
que, se Artur gosta de Lógica, então:
a) Se Geografia é difícil, então Lógica é difícil.
b) Lógica é fácil e Geografia é difícil.
c) Lógica é fácil e Geografia é fácil.
d) Lógica é difícil e Geografia é difícil. 
e) Lógica é difícil ou Geografia é fácil.
04. Três suspeitos de haver roubado o colar da rainha foram levados à presença de um velho e sábio professor de Lógica. Um 
dos suspeitos estava de camisa azul, outro de camisa branca e o outro de camisa preta. Sabe-se que um e apenas um dos suspeitos é 
culpado e que o culpado às vezes fala a verdade e às vezes mente. Sabe-se, também, que dos outros dois (isto é, dos suspeitos que 
são inocentes), um sempre diz a verdade e o outro sempre mente. O velho e sábio professor perguntou, a cada um dos suspeitos, qual 
entre eles era o culpado. Disse o de camisa azul: “Eu sou o culpado”. Disse o de camisa branca, apontando para o de camisa azul: 
“Sim, ele é o culpado”. Disse, por fim, o de camisa preta: “Eu roubei o colar da rainha; o culpado sou eu”. O velho e sábio professor 
de Lógica, então, sorriu e concluiu corretamente que:
a) O culpado é o de camisa azul e o de camisa preta sempre mente.
b) O culpado é o de camisa branca e o de camisa preta sempre mente. 
c) O culpado é o de camisa preta e o de camisa azul sempre mente.
d) O culpado é o de camisa preta e o de camisa azul sempre diz a verdade. 
e) O culpado é o de camisa azul e o de camisa azul sempre diz a verdade.
05. O rei ir à caça é condição necessária para o duque sair do castelo, e é condição suficiente para a duquesa ir ao jardim. Por 
outro lado, o conde encontrar