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Objetivos Neste conteúdo discutiremos as diferentes maneiras de ensinar e avaliar os alunos na perspectiva da Educação Integral. Nesse sentido, apresentaremos alguns procedimentos de ensino que podem ser adotados nas aulas presenciais ou no ensino Também faremos uma apresentação sobre a avaliação da aprendizagem e os instrumentos que podem ser adotados para avaliar o aprendizado dos alunos. Procedimentos de ensino e a avaliação de aprendizagem na perspectiva da Educação Integral Autora Marta Thiago Scarpato 139_202501401503@aluno.admcsc.com.br - Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 139 139_202501401503@aluno.admcsc.com.br - Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 139pode haver alunos que sejam mais participantes, que aprendem a pensar e expor suas 1 Como ensinar? reflexões; outros alunos apenas ouvintes, que não expressam seus pensamentos no processo de construção do conhecimento; e já outros alunos que constroem seus conhecimentos com o grupo-classe, trocando experiências, respeitando os colegas (Scarpato, 2012, p. 59). Procedimentos de ensino e a avaliação de aprendizagem na Um professor que sempre esteja estudando e com uma boa formação pedagógica buscará perspectiva da Educação Integral novas formas de ensinar, sempre de modo variado, porque tem consciência de que numa mesma sala de aula há vários aprendizes, cada qual com suas características individuais. Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: "https://player.vimeo.com/video/930373962". Já um professor que não se atualiza, que nunca refletiu sobre como deve ensinar seus alunos, com certeza se baseará nas lembranças das aulas que teve no passado, que na maioria das vezes terão sido somente expositivas, sem a participação dos alunos, ou os famosos seminários, em que são formados vários grupos em sala e cada qual apresenta um tema definido pelo professor. Sempre devemos considerar que os alunos precisam ser os protagonistas no processo de porém pela concepção tradicional de ensino, muito enraizada no imaginário dos professores, principalmente os que atuam no Ensino Superior, muitas vezes se torna algo difícil de compreender e de se colocar em Quem tem que estar em ação, discutindo, participando das aulas são os alunos, e os professores devem apenas mediar essas ações pedagógicas, intervindo sempre que Poderíamos dizer que os alunos que devem sair "cansados" das aulas, não os professores. Diferentes teóricos da educação preconizaram esse protagonismo do aluno no processo de Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: ensino-aprendizagem. Veja a seguir alguns exemplos e suas ideias principais: "https://player.vimeo.com/video/948475581". John Dewey (1859-1952) A escola deve ser um espaço de produção e reflexão das experiências. A educação deve formar democratas críticos perante a É fundamental aprender pela experiência. Célestin Freinet (1896-1966) Defende os princípios da liberdade, responsabilidade e cooperação. Reivindica no processo de ensino-aprendizagem a formação de seres humanos A escola deve ser vista como canteiro de obras, em que os alunos devem 'trabalhar' o tempo todo. Alexander Neill (1883-1973) Educar precisa ser baseado na liberdade e na autonomia. o modo como se vai ensinar deve ser uma escolha do professor, mas está muito relacionado a É necessário educar com compreensão. como se entende o processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, os procedimentos de As escolas devem ser concebidas como "escolas-oficina". ensino representam essa maneira como se irá ensinar os alunos. Paulo Freire (1921-1997) Sendo uma escolha do professor, deve-se levar em consideração que existem vários estudantes em sala de aula, por consequência, vários aprendizes, e que cada um aprende de maneira diferente e tem ritmos próprios. Numa mesma sala de aula, 139_202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139 139_202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139Sempre defendeu uma educação libertadora. Pedagogia da autonomia com os princípios: decisão responsabilidade respeito Metodologias ativas e procedimentos de 1.1 liberdade. ensino têm a mesma função? A todo momento deve-se promover a interação a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: Saiba mais "https://player.vimeo.com/video/948475607". Para conhecer um pouco mais a concepção dos teóricos citados, leia SEBARROJA, J. C. (I.) Pedagogias do século XX. Porto Alegre: Artmed, 2003. Veja também os seguintes vídeos: Freinet Freire Neill Temos que repensar a maneira como ensinamos, afinal, estamos formando pessoas e temos que ajudá-las a serem mais críticas e participativas. o conhecimento só faz sentido se proporcionar ao aluno a compreensão, o usufruto e a transformação da realidade que vive. Temos que tornar os alunos protagonistas no processo de Os procedimentos de ensino são um ato de escolha na prática docente, a fim de melhor propiciar a aprendizagem integral dos educandos, o que significa causar-lhes o conhecimento não é "transferido" ou "depositado" pelo outro (conforme a concepção transformação (Scarpato, 2013, p. 74). tradicional), nem "inventado" pelo sujeito (concepção mas sim construído pelo Nos últimos anos tem surgido uma grande discussão na área da educação e nos diferentes sujeito na sua relação com os outros e com o mundo (Vasconcellos, 2002). níveis de ensino sobre metodologias ativas de ensino. Nesse sentido, os teóricos citados nesse o professor não é um transmissor de conhecimentos, mas sim um mediador da construção do livro texto sempre defenderam métodos ativos e alunos como protagonistas do processo de conhecimento do aluno, mesmo porque este já traz para a sala de aula o seu próprio saber, e o ensino-aprendizagem. Contudo, precisamos tomar muito cuidado com os modismos na área e, professor deve respeitar e considerar a leitura de mundo dele (Freire, 2019). de fato, compreendermos as ideias e conceitos em torno dessas ideias. o quadro a seguir apresenta os principais fundadores de metodologias ativa de ensino ao longo dos séculos. Quadro Principais fundadores da metodologia ativa Autores Títulos das obras em vernáculo Datas de publicação William James Princípios de Psicologia 1890 John Dewey Meu credo pedagógico 1897 William James Palestras pedagógicas 1899 John Dewey A escola e a criança 1906 Adolphe Ferrière A lei biogenética e a escola ativa 1910 John Dewey Democracia e Educação 1916 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139 Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139John Dewey A Filosofia em Reconstrução 1919 nos dias de hoje, com o excesso de informações a que os alunos têm acesso, temos que rever nosso modo de ensinar. Adolphe Ferrière A escola ativa 1922 Dessa forma, podemos concluir que todos os procedimentos de ensino devem ter como princípio o uso de metodologias ativas, além de possibilitar a atuação de aprendizes Edouard Claparède A educação funcional protagonistas no processo de ensino-aprendizagem. 1931 Fonte: Araújo (2015, p. 9). Saiba mais o quadro constata o quanto a proposta de uso de metodologias ativas de ensino não é atual, mas, no século XXI, houve um avanço no mundo digital e o surgimento das Tecnologias No vídeo indicado, o professor José Moran nos apresenta a concepção e origem das Digitais de Informação e Comunicação (TDICs). Além disso, a pandemia de Covid-19 impôs o metodologias ativas. Saiba mais em: youtu.be fortalecimento do ensino remoto e fez crescer ainda mais as discussões e o espaço das TDICs. Tudo isso gerou formas diferentes de trabalhar, de se comunicar, de se relacionar e consequentemente de compreender o processo de ensino-aprendizagem. Na educação, as TDICs foram incorporadas às práticas docentes com o objetivo de apoiar os professores, Diferentes procedimentos de ensino no tornando a aprendizagem mais significativa. 1.2 ensino presencial ou híbrido Assim, as TDICs trouxeram às práticas docentes inúmeras possibilidades metodológicas para o contexto da sala de aula, seja ele presencial, EaD ou híbrido, diferentes formas de ensinar que denominamos de "procedimentos de ensino". a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: Há uma variedade de procedimentos de ensino que podem ser adaptados para a sala de aula "https://player.vimeo.com/video/948475633". presencial, online e Como salienta Moran (2015, p. 2), o que a tecnologia traz hoje é integração de todos os espaços e tempos. o ensinar e aprender acontece numa interligação simbiótica, profunda, constante entre o que chamamos mundo físico e mundo digital. Não são dois mundos ou espaços, mas um espaço estendido, uma sala de aula ampliada, que se mescla, hibridiza constantemente. Por isso a educação formal é cada vez mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece só no espaço físico da sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais. Para isso, devemos que falar em educação híbrida significa partir do pressuposto de que não há uma única forma de aprender e, por consequência, não há uma única forma de ensinar. Existem diferentes maneiras de aprender e ensinar. o trabalho colaborativo pode estar aliado ao Os procedimentos de ensino apresentados a seguir podem e devem ser adaptados tanto para uso das tecnologias digitais e propiciar momentos de aprendizagem e troca que as aulas presenciais como para as online, o que exigirá dos professores possíveis adequações. ultrapassam as barreiras da sala de aula. Aprender com os pares torna-se ainda mais significativo quando há um objetivo comum a ser alcançado pelo grupo (Bacich; Moran, 2015, p. 45). Ademais, como nos lembra Carlini (2013, p. 29): Não é possível acreditar que exista o melhor procedimento de ensino. Cada procedimento deve ser selecionado em função dos objetivos e conteúdos de ensino que o professor pretende realizar, considerando especificamente o grupo de alunos com que trabalha e o momento do processo ensino-aprendizagem que desenvolve. É uma tarefa que exige do professor uma mudança de postura, sem perder sua autoridade em sala de aula, porque ele deve admitir que não é o único detentor do conhecimento. Portanto, Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139 139_202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 1391.2.1 Apresentação do grupo 1.2.2 Apresentação de ideias Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: "https://player.vimeo.com/video/948371461". "https://player.vimeo.com/video/948371521". [O grupo utilizado nas situações em que professor e alunos ainda não se conhecem, Para iniciar um novo tema de estudo, muitas vezes, o professor tem a necessidade de em geral no início do ano letivo ou de uma nova disciplina. E ainda, na Educação a realizar um inventário dos conhecimentos anteriores, disponíveis entre os alunos. Em Distância (EaD), quando, da mesma forma que na Educação presencial, há necessidade algumas situações, é importante explicitar essas informações, para diagnosticar a de os participantes se conhecerem e juntos constituírem o grupo de trabalho (Carlini, compreensão superficial ou eventualmente preconceituosa dos conceitos a serem 2013, p. 19). trabalhados, muitas vezes assumida de modo inquestionável (Carlini, 2013, p. 22). Se, como professores, temos que incentivar o desenvolvimento integral dos alunos, ajudá-los a A apresentação de ideias é um modo de o professor diagnosticar o conhecimento prévio dos se conhecer é nosso papel. vezes. estudantes universitários acreditam que alguns dos seus alunos sobre um novo tema a ser Conheça algumas formas de realizá-la: professores, ao fazerem uma atividade de apresentação na primeira aula, querem "enrolar". Esse comentário retrata a incompreensão do papel que essa dinâmica exerce e, Tempestade cerebral ou brainstorming consequentemente, uma falta de formação pedagógica. Quando o aluno menciona em voz alta e sem prejulgamentos, as ideias que lhe ocorrem diante de um novo tema ou assunto. Essas palavras serão anotadas no quadro de Alguns exemplos de apresentação em grupo são: giz pelo professor e agrupadas de acordo com sua semelhança ou diferença, ou ainda por categorias afirmativas e negativas, entre outras. Apresentação simples Redação de conceitos Cada componente diz seu nome e um aspecto selecionado previamente pelo professor de sua o professor distribui pequenos pedaços de todos iguais, e o aluno é orientado a explicar, vida pessoal, suas preferências, expectativas e experiências anteriores, entre outras coisas. em poucas palavras, sua compreensão do conceito ou da ideia. Concluída a redação, o História do nome professor recolhe as produções sem identificação do aluno-autor e, com base nas ideias ali contidas, organiza o registro no quadro de giz, de forma semelhante à atividade anterior. o componente do grupo diz seu nome e narra os motivos familiares e sociais da escolha. Trabalhar dessa maneira pode contribuir para proteger o aluno na exposição de suas ideias, quando o grupo ainda não tem a familiaridade necessária. Apresentação em duplas Cartaz em grupo "Organizados em duplas, os alunos conversam entre si e se apresentam, mencionando "Os alunos devem participar da elaboração de um cartaz, com um desenho ou colagem, aspectos relevantes de sua vida. Decorrido o tempo estipulado pelo professor, cada aluno fala realizado em subgrupo, após rápida discussão a respeito de um tema proposto. Concluído o de seu colega ao grupo. Essa modalidade se presta melhor ao ensino presencial" (Carlini, 2013, tempo determinado para a atividade, os cartazes devem ser expostos e observados por toda a p. 20). classe. Na sequência, serão comentados por seus autores, explicitando seu sentido e suas relações e discutidos livremente pelos demais alunos" (Carlini, 2013, p. 23). 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139 Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 139No ensino híbrido também podemos usar o ambiente virtual de aprendizagem (AVA). No Figura Diálogo entanto, ABCDEFG abcdefhijk o professor precisará propor uma questão ou frase lacunar (por exemplo: Que é sociedade? ou É possível afirmar que sociedade é...?), que deverá ser respondida ou ABCDEFGHIJ abcdefghijkl 12345 completada pelos alunos, em espaço destinado a essa finalidade no ambiente do curso ABCDEFGHIJKLMN (fórum ou lista de discussão) (Carlini, 2013, p. 23). 1.2.3 Aula expositiva Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: Fonte: Harper et al. (1980). 1.2.4 Debate a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: "https://player.vimeo.com/video/948371584". Com certeza, esse é o procedimento de ensino mais adotado nas aulas em universidades pelos professores e muitas vezes será o único modo de ensino fornecido. [...] baseia-se na apresentação oral de um tema, pelo professor, e pode contar com maior ou menor participação dos alunos, dependendo da proposta e dos objetivos de ensino. Além disso, a aula expositiva pode estar apoiada em recursos de ensino, como esquemas, gráficos, sinopses, anotada no quadro de giz, em em transparências, entre outros (Carlini, 2013, p. 26). Segundo Carlini (2013, p. 29), o debate "[...] se apoia em leitura e estudo prévio sobre o assunto A aula expositiva é essencial para a apresentação de um novo conteúdo ou o fechamento do em foco e desenvolve-se no processo de exposição oral das ideias, pelos participantes do tema, mas é importante ser dialogada, interativa, havendo a participação dos alunos nesse grupo, mediado pela atuação do professor". processo. Há ainda um cuidado que o professor deve ter com o tempo de duração da aula. o professor deve selecionar um tema para ser debatido em sala, combinando as regras para Evite ultrapassar 15 ou 20 minutos de exposição contínua, para não ficar muito cansativo para que esse procedimento flua de forma produtiva, por exemplo, levantar a mão para falar, o aluno. Imagine que há professores que falam ininterruptamente por 40 a 50 minutos. expressar-se com clareza, respeitar as opiniões diversas. Já nas aulas online, no ensino híbrido, Nas aulas online, no ensino híbrido, o debate pode ocorrer no ambiente virtual de [...] a aula expositiva ocorre nas situações de vídeo e teleconferência, com maior aprendizagem (AVA), no fórum de discussão. frequência. Nos dois casos, a possibilidade de interação professor-aluno torna-se reduzida: na videoconferência, em virtude da assincronia, ou seja, a aula pode ter sido gravada em momento diferente daquele em que está sendo apresentada; e na teleconferência, por eventuais dificuldades ou atrasos na comunicação, se realizada por correio eletrônico (e-mail) (Carlini, 2013, p. 26). Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 139 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 1391.2.5 Ensino com pesquisa 1.2.6 Estudo de caso Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: "https://player.vimeo.com/video/948371615". Segundo Carlini (2013, p. 35), o ensino com pesquisa Para Carlini (2013, p. 42), o estudo de caso [...] requer a orientação direta do professor, no processo de elaboração da pesquisa. É se apoia na apresentação aos alunos de uma situação real ou simulada, relativa ao tema muito mais do que determinar que os "alunos façam pesquisas", caracterizadas pela em estudo, para análise e encaminhamento de solução. Corresponde a um método de busca em referências bibliográficas ou digitais das informações pretendidas e pela trabalho no qual os alunos têm a oportunidade de aplicar conhecimentos teóricos a transcrição ou impressão gráfica dos achados. É uma atividade de ensino que demanda situações práticas. A situação pode ser trazida aos alunos, pelo professor, na forma de tempo e dedicação dos envolvidos na produção de conhecimentos. uma notícia de jornal ou revista, de um filme, ou de relato descritivo. o ensino com pesquisa exige tempo em torno de um bimestre de trabalho pois os alunos o estudo de caso leva os alunos a analisarem uma situação, real ou fictícia, buscando precisarão fazer suas pesquisas e apresentá-las para a sala. o interessante é que o professor o que os levará a retomar e aplicar os conhecimentos apreendidos em sala. use uma ou duas aulas para orientar esse trabalho e explicar o relatório que os alunos deverão Nas aulas online, no ensino híbrido, o estudo de caso fazer, definindo se será uma pesquisa bibliográfica ou de campo e estipulando a data de apresentação para cada grupo. Enquanto os alunos vão trabalhando fora do momento de aula, é utilizado da mesma maneira que no ensino presencial. Inclui a apresentação do caso, o professor pode dar continuidade aos conteúdos do seu plano de ensino e, sentindo a elaboração de propostas de solução baseadas na teoria estudada e a posterior necessidade, reservar cerca de 15 minutos do tempo para ajudar os grupos nessa tarefa. apresentação e discussão das soluções construídas, em fórum ou lista de discussão. Também pode ser trabalhado em subgrupos, incluindo uma discussão prévia e reservada dos membros do grupo, e troca de mensagens antes da apresentação ao aluno (Carlini, 2013. p. 42). Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139 Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 1391.2.7 Estudo dirigido 1.2.8 Seminário Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: "https://player.vimeo.com/video/948371698" [...] Como o nome indica, é um procedimento de ensino por meio do qual o aluno executa Esse é o procedimento mais conhecido entre os alunos do Ensino Superior, pois é o que eles um trabalho proposto e orientado pelo professor, de preferência, em sala de aula. mais vivenciam, mas, infelizmente, é o menos compreendido por parte deles e até dos próprios Apoiado na leitura de um texto, artigo ou capítulo de livro e em um roteiro de estudos professores. Seminário não é uma aula expositiva dada pelos alunos e muito menos um jogral previamente elaborado pelo professor, o aluno trabalha ativamente, realizando leitura e realizado pelo grupo que apresenta. interpretação do texto, análise e comparações, sínteses e avaliações (Carlini, 2013, p. 44). [...] Seminário é um procedimento de ensino que se constrói com base no ensino com Há necessidade de o professor elaborar um roteiro de estudos para a vivência desse pesquisa, realizado em subgrupos, e no debate dos aspectos investigados, de maneira procedimento, que pode ser semelhante a um questionário com perguntas. Não deixa de ser integrada ou complementar, sob a coordenação do professor. Esse procedimento uma forma de levar os alunos a lerem o texto que o professor indicou para a aula, pois essa é distingue-se daquelas práticas usualmente conhecidas por essa denominação, em uma grande dificuldade. primeiro lugar pelo processo de investigação do tema, que é o mesmo para todos os grupos, e realiza-se por meio de pesquisa, em vez de os conhecidos fichamentos e Segundo Carlini (2008, p. 64), existem algumas alternativas a fim de que os alunos os resenhas de capítulos. Em segundo lugar, pela forma de apresentação dos trabalhos, em textos que os professores solicitam, como: debate de pontos convergentes, divergentes ou complementares (Carlini, 2013, p. 54). Alguns professores desconhecem o sentido pedagógico desse procedimento e simplesmente Leitura individual, em sala de aula, apoiada em roteiro, em forma de estudo dirigido. dividem a sala em pequenos grupos, cada um responsável por uma parte de um tema, quando Leitura exegética, quando cada aluno faz a leitura, em voz alta, e um breve comentário na verdade deveria ser feito o aprofundamento desse tema em subtemas de maneira crítica e sobre um parágrafo do texto, na Para esse procedimento devem ser reflexiva, sob diferentes perspectivas. utilizados textos curtos. com cerca de dez ou doze parágrafos, sob pena de a leitura tornar-se cansativa e os alunos dispersos. "Leitura dinâmica", quando o professor seleciona previamente frases ou parágrafos do texto em estudo, os distribui entre os alunos para uma pequena troca de ideias em duplas e solicita a leitura e apresentação dos comentários ao grupo-classe. Aqui, o professor deve coordenar a apresentação das duplas e organizar o fechamento das discussões. 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139Grupo de verbalização (GV) e grupo de 1.2.10 1.2.9 Grupos de oposição observação (GO) Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: "https://player.vimeo.com/video/948371740". [...] Seu funcionamento supõe a organização de pelo menos dois grupos de alunos, É a análise de um tema/problema sob a coordenação do professor, que divide os sendo que um deles tem por tarefa defender uma ideia ou encontrar suas vantagens, estudantes em dois grupos: um de verbalização (GV) e outro de observação (GO). É uma enquanto o outro deverá atacar a mesma ideia ou mostrar sua desvantagem (Masetto, estratégia aplicada com sucesso ao longo do processo de construção do conhecimento 2003, p. 118). e, nesse caso, requer leitura, estudos preliminares, enfim. um contato inicial com o tema É necessário que o assunto discutido tenha sido estudado pela sala. Cada grupo terá um (Anastasiou; Alves, 2004, p. 88). tempo para organizar seus argumentos, e será necessário que os estudantes estejam É preciso formar dois concêntricos, um menor, no centro. com uma média de seis a sentados um de frente para o outro, para que todos se vejam. Haverá o debate entre os dois sete alunos, e outro maior, que pode ser o restante da sala. Após a escolha dos alunos que se grupos, cada um defendendo uma posição, e o professor será o mediador, ajudando a sentarão no do centro (GV), esse grupo debaterá um tema que pode ter sido indicado organizar a discussão. por uma leitura prévia. Terão 15 minutos para discutir, e somente eles podem falar nesse o outro círculo maior, que é o grupo de observação (GO), terá a tarefa de observar a discussão e registrar os pontos debatidos que lhes chamam a atenção. Ao término dos 15 minutos, o GO comentará os pontos que registraram, e o GV ficará na escuta. o professor, nesse pode intervir sobre o que observou durante a vivência do procedimento e até fazer apontamentos das questões teóricas debatidas. 139_202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139 139_202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 139Solução de problemas ou PBL (project-based Salas de aulas "invertidas" (flipped 1.2.12 1.2.11 learning - Aprendizagem baseada em classroom) projetos) Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: "https://player.vimeo.com/video/948371802". A sala de aula invertida prevê o acesso ao conteúdo antes da aula pelos alunos e o uso dos primeiros minutos em sala para esclarecimento de dúvidas, de modo a sanar Neste procedimento, o aluno é o protagonista do seu próprio desenvolvimento, sendo exigida equívocos antes dos conceitos serem aplicados nas atividades práticas mais extensas uma atitude reflexiva nas atividades individuais e em grupo, em que se experimentam no tempo de classe (Bergmann; Sams, 2020, p. 58). diferentes formas de abordagem para realizar um projeto. Baseia-se na apresentação de uma É um procedimento de ensino em que o aluno assume a responsabilidade pelo estudo teórico, situação-problema que deve ser resolvida utilizando os conhecimentos disponíveis ou novos e a aula presencial serve como aplicação prática dos conceitos estudados previamente. conhecimentos, construídos por meio de pesquisas, depois apresentadas para a sala. Observe a figura para compreender melhor o processo do planejamento e execução da sala de Nas aulas online ou no ensino híbrido, permite promover o aprofundamento de estudos à aula invertida: medida que surgem necessidades individuais de cada aluno ou do grupo, que podem ser esclarecidas no chat do AVA, por exemplo. Figura - Sala de aula invertida SALA DE AULA INVERTIDA ANTES DA AULA DURANTE AULA DEPOIS DA AULA Esclarece Aprendizagem baseada projetos Avalia decide por 0 professor prepara Compartilha Avalia respostas conteúdo com alunos planeja atividades Problematização Aprendizagem baseada professor problemas simulações 12 antes Ambiente Atividade assincronas Cao controlado formas avaliação Junt-in-Time Teaching + Outras metodologias ativas de aprendizagem Recordar Compreender Aplica Recordar Compreende Avaliar Analisar Habilidades cognitivas Motivação Autonomia Perseveranca Autocontrole Colaboração Comunicação Habilidades socioemocionais Fonte: ifg.edu.br https://www.ifg.edu.br/attachments/article/19169/Sala%20de%20aula 2020).pdf] 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br - Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 - 139 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br - Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 - 139Saiba mais Avaliar a aprendizagem do 2 Para conhecer mais sobre a sala de aula invertida, assista ao vídeo a seguir: youtu.be aluno Leia Bergmann, J.; Sams, A. Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem. 1. ed. Rio de Janeiro: 2020. Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou acesse o link: "https://player.vimeo.com/video/948475676". Vimos, então, alguns dos procedimentos de ensino que podemos usar em sala de aula, lembrando que, em todos eles, há a participação dos alunos, levando-os a ser ativos e protagonistas do processo de ensino-aprendizagem, não apenas espectadores, como ocorre em muitas aulas, aonde eles vão para assistir e não para participar e construir seus conhecimentos. Muitos alunos na universidade têm essa postura de espectador: sentam-se nas carteiras, cruzam os braços e só escutam. Acreditam que o professor é um transmissor e o único detentor do conhecimento. Mas o pion é quando professores ainda pensam dessa forma. Podemos perceber que, por meio dos procedimentos apresentados, várias habilidades serão desenvolvidas, como aprender a se expressar com clareza, saber escutar, refletir, respeitar a opinião do colega, trabalhar em grupo, saber colaborar, ser capaz de pesquisar e registrar, entre outras. Todos os procedimentos de ensino apresentados neste conteúdo expuseram os objetivos de ensino de cada um deles, mas é importante salientar que a proposta é sempre tornar os alunos Avaliar como os alunos estão aprendendo é fundamental, por ser, para o professor, um retorno mais participativos do processo de ensino-aprendizagem, ou seja, aprendizes protagonistas - de como caminha o processo de ensino-aprendizagem, e, para os alunos, um diagnóstico de com ênfase na perspectiva da Educação Integral. como estão se desenvolvendo e Figura Avaliação Fonte: Tonucci (1997). - Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 - 139 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br - Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 139Do mesmo modo que o professor precisa escolher diferentes procedimentos de ensino para as estão preocupados com o aprendizado dos alunos, mas lhes faltam instrumentos claros e necessita também escolher instrumentos diversificados para avaliar a aprendizagem diversificados para diagnosticar se isso ocorreu, e nem sempre a prova será esse único dos seus alunos. instrumento. Muitas vezes, o próprio professor não tem clareza do verdadeiro significado do ato de avaliar no processo de ensino-aprendizagem. Ele avalia conforme foi avaliado na sua época de estudante e, na maioria das vezes, foi numa visão fragmentada, isolada, vendo apenas o resultado da prova. Afinal a escola, nossos professores, só quantificaram muitas das nossas atitudes durante o processo de aprendizagem. Se a grande maioria dos professores foi avaliado de modo fragmentado, como exigir que mude sua concepção do ato de avaliar se não sobre isso, se não estiver em constante processo de construção de sua identidade docente [...] (Scarpato, 2012, p. 112). A avaliação deve ser contínua. Diariamente, o professor precisa observar o comportamento, o envolvimento, a participação, o interesse e a assiduidade dos alunos nas aulas. Isso deve ocorrer também ao término de algum conteúdo específico ou ao fim do bimestre, não somente na semana das provas. Os professores, muitas vezes, acabam avaliando de acordo com as normas da instituição de ensino que lecionam e muitos dos dirigentes dessas instituições desconhecem o conceito da avaliação da aprendizagem. Só exigem que se avalie por provas, intitulando das famosas Semana de provas [...] Sou contra Semana de provas [...] (Scarpato, 2012, p. 112). A semana de provas gera um clima de tensão nas universidades entre professores e alunos. Os primeiros sentem-se juízes, porque devem evitar a "cola" dos últimos, e desanimados, porque terão uma quantidade enorme de provas para corrigir. Já os estudantes ficam tensos porque não estudaram o suficiente ou até não entenderam o conteúdo ensinado. Podemos uma das manifestações da emoção, a regressividade, em que o aluno fica nervoso e esquece o conteúdo que estudou na hora da prova. Seria muito mais interessante e produtivo para o processo de ensino-aprendizagem que cada curso dentro de uma IES pudesse definir quais critérios adotará para avaliar a aprendizagem dos alunos. Todos os professores, ao discutirem e conhecerem o PPC dos cursos em que atuam, deveriam elaborar os instrumentos de avaliação, retomando as habilidades que aquele futuro profissional deve ter para exercer sua profissão. Não podemos avaliar apenas os conteúdos conceituais, mas também os procedimentais e os atitudinais, conforme apresentado neste texto. Mesmo porque o mercado de trabalho exige cada vez mais profissionais capazes de se expressar com clareza oral e escrita, com facilidade para atuar em grupo e capacidade de reflexão e autonomia. Vários dos procedimentos de ensino apresentados podem ser um instrumento para avaliar, em lugar de somente uma prova. Masetto (2002, p. 146) apresenta uma fórmula que ilustra essa concepção distorcida do ato de avaliar: "AV= P N Ou seja: Avaliação = Prova + Nota, o que leva o aluno a uma Aprovação ou uma Reprovação (A/R). Em qualquer situação, o aluno se sente julgado (J. A.) pelo professor, de cujos critérios depende para obter a aprovação. Falta, na verdade, compreender o que se avalia da aprendizagem, porque obter uma nota para passar em uma disciplina não representa um aprendizado. Será que os alunos realmente aprendem ou apenas decoram e estão preocupados com a nota? Os professores muitas vezes 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 139 139 202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno Impresso em 04/06/2025 14:38 139Recapitulando Autoria Neste conteúdo pudemos compreender que os procedimentos de ensino devem ser um ato de escolha do professor, que busca uma formação integral e integrada dos alunos. Ao avaliar a Marta Thiago Scarpato aprendizagem deles, é crucial que o professor compreenda o quanto pode contribuir para uma Autora formação que apoie o desenvolvimento humano em sua integralidade. Doutorado em Educação (Psicologia da Educação) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) - 2002 a 2006. Mestrado em Educação Física (Educação Motora) pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - 1996 a 1999. Graduação em Pedagogia com habilitação em Orientação Educacional e Supervisão Escolar pela PUC-SP - 1990 a 1993. 139_202501401503@aluno.admcsc.com.br Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 - 139 - Aluno - Impresso em 04/06/2025 14:38 - 139Glossário Bibliografia Aulas online Bibliografia Clássica Um formato que ocorre por meio de plataformas e ferramentas digitais, em que as aulas geralmente são realizadas nos mesmos horários em que aconteceriam os encontros J. C. S. Fundamentos da Metodologia de Ensino Ativa (1890 - 1931). In: REUNIÃO presenciais. Fonte: NACIONAL DA ANPED, 2015. Anais [...]. Florianópolis: UFSC, 2015. Disponível em: Acesso em: out. Ensino híbrido ANASTASIOU, L.; ALVES, L. Processos de ensinagem na Joinville: Univille, 2004. Um modelo de educação que propõe que a aprendizagem deve acontecer tanto no espaço físico da sala de aula quanto em plataformas digitais de Fonte: Observatório de BACICH, L. MORAN, J. M. Aprender a ensinar com foco na educação híbrida. Revista Pátio, n. educação - institutounibanco.org.br 25, p. 45-47, jun. 2015. Disponível em: Acesso em: out. 2023. CARLINI, A. Procedimentos de ensino: escolher e decidir. In: SCARPATO, M. (org.). Os procedimentos de ensino fazem a aula acontecer. 2. ed. São Paulo: Avercamp, 2013. FOFONCA, E. (coord.) et al. Metodologias pedagógicas inovadoras: contextos da educação básica e da educação superior. Curitiba: IFPR, 2018. 197 p. V. 1 e 2. B.et al.Cuidado, escola!: desigualdade, domesticação e algumas Apresentado por Paulo Freire (equipe do Idac). 6. ed. 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