Regime Jurídico Único - I
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Regime Jurídico Único - I


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o prazo de três anos, tendo em
vista que aconteceu o que chamamos de revogação tácita da norma legal.

Explico já o que é isso: a matéria da Lei no 8.112, por ter sido tratada de
modo diferente por um diploma de hierarquia superior (no caso, pela
Constituição), foi revogada tacitamente (\u201crevogação tácita\u201d é aquela causada
pela incompatibilidade existente entre a norma anterior e a atual, casos em
que passará a ser considerada revogada a norma anterior).

Por isso, concluímos: a regra de dois anos do art. 21, da Lei no 8.112
não está mais em vigor. E sim a da Constituição, que é de três anos, para a
aquisição de estabilidade!

Feitas essas considerações, vamos ver as principais características da
estabilidade:

1) a estabilidade ocorre em relação à esfera da Federação a que
pertence o cargo (ex.: a estabilidade adquirida pela ocupação mínima
de três anos de cargo federal produz efeitos em relação ao serviço
público federal, ou seja, gera o direito de estabilidade na esfera da
União); e

2) servidor estável só pode perder o cargo:

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2.3. READAPTAÇÃO

\u2022 A READAPTAÇÃO ocorre quando o servidor tiver sofrido limitações
em sua capacidade física ou mental verificada em inspeção
médica. Assim sendo, deverá ser investido em outro cargo de
atribuições e responsabilidades compatíveis com suas limitações (art. 24,
da Lei no 8.112).

Caso seja julgado incapaz para o serviço público, será aposentado (§
1o), e se não houver cargo vago para a readaptação, exercerá as suas
atribuições como excedente, até que haja uma vaga (§ 2o).

Ex.: alguém que sofreu acidente, com perda de visão, infelizmente.
Dependendo do que cargo que ocupa na Administração, talvez, não poderá
mais exercer as funções próprias desse cargo. A lei concede a possibilidade
de esse servidor ser readaptado em outro cargo que seja possível de ser
exercido pelo servidor que agora teria limitação total do sentido da visão.
Caso não se adapte a nenhum outro cargo, essa pessoa terá que ser
aposentada.

2.4. REVERSÃO

\u2022 REVERSÃO é o retorno à atividade de servidor aposentado (art. 25,
da Lei no 8.112), desde que não tenha completado 70 anos de idade (art.
27).

A reversão pode ocorrer:

a. por invalidez (inciso I), quando junta médica oficial declarar
insubsistentes os motivos da aposentadoria e, consequentemente,
concluir que ele deve voltar à atividade no serviço público (nesse caso,
caso não haja vaga, o servidor poderá atuar como excedente, até a
ocorrência de uma vaga); ou

b. no interesse da administração, desde que (inciso II): a) tenha
solicitado a reversão; b) a aposentadoria tenha sido voluntária; c)
estável quando na atividade; d) a aposentadoria tenha ocorrido nos
cinco anos anteriores à solicitação; e) haja cargo vago.

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Ex.: vamos imaginar que um determinado tipo de tratamento ou um
milagre tenha determinado a recuperação total da visão do servidor
mencionado do exemplo anterior, que já estaria aposentado (já que sua
readaptação não teria alcançado êxito em suas tentativas, vamos supor).
Nesse caso, a recuperação física gerou o direito à reversão da aposentadoria!
Já pensou?! Alguém já ouviu falar de uma situação dessas, em que houve
total reversão de uma sequela física ou mental?! Eu mesmo conheci o caso de
um magistrado, que havia adquirido um determinado tipo de problema
mental e teve que ser aposentado. Depois de um tempo, provou
tecnicamente que já estava totalmente recuperado e, assim, retornou às suas
funções anteriores como juiz.

2.5. APROVEITAMENTO

\u2022 APROVEITAMENTO é o retorno à atividade de servidor colocado
em disponibilidade (art. 30, da Lei no 8.112).

O aproveitamento deve ser realizado em cargo com atribuições e
vencimentos compatíveis com o cargo que ocupava anteriormente (art. 30).

A disponibilidade acontece quando há extinção do cargo ou declaração
de sua desnecessidade (arts. 31, parágrafo único, e 37, §§ 3o e 4o).

Pelo art. 28, da Lei no 8.112, o aproveitamento e a disponibilidade
também poderão ocorrer quando um servidor ilegalmente desligado do cargo
reingressa, por força de decisão judicial ou pelo reconhecimento de ofício
(ex officio) da Administração (anulação de demissão), ocasião em que o atual
ocupante poderá ser reconduzido ao antigo posto, aproveitado em outro
cargo ou, ainda, colocado em disponibilidade.

Reconhecimento de ofício (ex officio): ocorre quando a própria
Administração decide rever seu ato, que estiver contaminado com algum vício
de ilegalidade, sem que, para tanto, precise ser provocada pelo Poder
Judiciário.

Caso o servidor, ao ser convocado para aproveitamento, não entrar em
exercício no prazo legal, será dupla a consequência (art. 32): a) o
aproveitamento perderá efeito; e b) será cassada a disponibilidade.

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Ex.: um servidor ilegalmente demitido consegue decisão judicial que
determine à Administração que proceda ao seu imediato reingresso no
serviço público federal. Só que o seu cargo anterior está agora ocupado por
outra pessoa. Nesse caso, o atual ocupante poderá ser aproveitado em outro
cargo com atribuições e remuneração semelhantes, para dar lugar ao
servidor regresso, visando dar o exato cumprimento à decisão judicial que
anulou o ato que o havia demitido de forma irregular.

2.6. REINTEGRAÇÃO

\u2022 É o retorno do servidor estável a cargo anteriormente ocupado,
ou no cargo resultante de sua transformação, do qual tinha sido
ilegalmente desligado.

É o caso que comentamos no item anterior a respeito do art. 28, da Lei
no 8.112, em que a demissão é anulada judicialmente ou pela própria
Administração.

Nesse caso, haverá ressarcimento de todas as vantagens pecuniárias
que deixou de receber desde a época do desligamento do cargo, ou seja: os
efeitos indenizatórios retroagem à data do desligamento ilegalmente
praticado pela Administração.

Se o cargo já tiver sido extinto, o servidor deverá ficará em
disponibilidade (arts. 30 e 31).

Lembrem-se que poderá ocorrer a situação reversa para o atual
ocupante do cargo: que deverá voltar ao antigo posto, ser aproveitado em
outro cargo ou, ainda, posto em disponibilidade.

2.7. RECONDUÇÃO

\u2022 É o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado
em decorrência de (art. 29, da Lei no 8.112): a) inabilitação em
estágio probatório relativo a outro cargo; ou b) reintegração do
anterior ocupante.

Se o cargo de origem estiver ocupado, o servidor será aproveitado em
outro (parágrafo único).

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Portanto, se por acaso cair alguma pergunta em prova sobre o regime
jurídico único, a resposta é que está valendo, já que o STF \u201cprolongou a
eficácia\u201d (em outra linguagem: \u201cprolongou a vida\u201d) da antiga redação do art.
39, caput, da Constituição, que prevê a obrigatoriedade de regime jurídico
único.

Vamos aos EXERCÍCIOS?

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