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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
SETOR DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES – SCHLA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
CAIO HENRIQUE DE ALMEIDA
	
RELATORIO DE OBESERVAÇÃO DE AULA: UMA EXPERIÊNCIA PRÁTICA NO COLÉGIO ESTADUAL PEDRO MACEDO
20
CURITIBA 2013
CAIO HENRIQUE DE ALMEIDA
	
RELATORIO DE OBESERVAÇÃO DE AULA: UMA EXPERIÊNCIA PRÁTICA NO COLÉGIO ESTADUAL PEDRO MACEDO
Trabalho apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado I do Curso de Ciências Sociais, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná.
Orientador: Prof. Dr. Rafael Ginane Bezerra 
CURITIBA
 2013
	
INTRODUÇÃO:
	O relatório apresentado diz respeito às observações feitas na escola e das aulas de Sociologia no Colégio Estadual Pedro Macedo no período de setembro a novembro de 2013, contabilizando um total de 21 horas de observações. Participar da rotina escolar foi um gesto fundamental para nosso aprimoramento pedagógico e consolidação da teoria apreendidas durante a graduação em licenciatura em Ciências Sociais, sem falar que estar próximo do trabalho docente permite a desconstrução de determinados mitos que alimentamos durante a passagem pela universidade, entre eles a ideia de que a escola é um “caos” uma “bagunça” onde não se consegue dar aula, os alunos são “preguiçosos”, não “prestam” atenção, ou seja, o que chega até os estudantes de graduação e uma visão negativa da escola e do trabalho do professor. 
Uma visão que quando defrontada se mostra frágil diante as complexidades das relações sociais no interior da instituição escolar, talvez para uma visão “racional-legal” até possa fazer sentido em determinado momento, mas para o “olhar sociológico” essa visão é um “pobre”, carente de análise, problematizações e desnaturalizações. 
Os relatos das aulas apresentados aqui é uma tentativa de demostrar que a docência não é mais do que uma atividade produtiva, se caracterizando como um trabalho como qualquer outro na sociedade, precisando de boas condições para a execução do trabalho e uma remuneração digna que respeite a necessidades da reprodução social da pessoa. Os professores e professoras da rede pública desempenham um papel fundamental na formação de pessoas, isso não dá a eles e elas o direito de ensinar por “amor”, a docência é um trabalho serio que deve ser respeitado em quanto tal, deve ser dada atenção para as melhoras da execução do trabalho dos docentes nas escolas visando a melhora da qualidade do ensino. 
O Colégio Estadual Pedro Macedo – Ensino Fundamental, Médio e Profissional, está localizado na cidade de Curitiba, na Av. República Argentina, nº 2376, Portão, Curitiba – PR. Contando com um total de 2599 alunos e alunas, distribuídos em três turnos: manhã com 462 alunos e alunas cursando o Ensino Médio Regular e 261 o Ensino Profissionalizante. No período da tarde temos 542 alunos e alunas no Ensino Fundamental e 82 no Ensino Médio Regular e 42 (quarenta e dois) alunos do ensino profissionalizante. E finalmente no período noturno temos 188 cursando o Ensino Médio , 41 Ensino Profissional Integrado e 363 Ensino Profissional Subsequente. Para esse relatório concentramos nossas observações no período noturno, especificamente, nas turmas do 1°, 2° e 4° anos. 
AS AULAS OBSERVADAS: UMA ROTINA PRÁTICA CONSTRUIDA A PARTIR DE SETE DIAS DE OBSERVAÇÕES NA ESCOLA E SALA DE AULA
Primeiro dia de observações:
Terça-feira, dia 17/09/2013, Colégio Estadual Pedro Macedo, bairro Portão, Curitiba – PR, esse é o nosso primeiro dia de observação. Oficialmente inicio minhas observações na escola. São exatamente 19h45min da noite, acabei de chegar à escola (18h30min). As primeiras observações ocorrem na sala dos professores. Como as aulas da professora Cristiane só começa às 20h20min da noite, fico aguardando durante o período de duas aulas até o momento de acompanhar as aulas de sociologia. Ela aproveita sua hora atividade cursando aulas de espanhol, ofertadas pelo próprio centro de línguas do Colégio. Estou ambientado nesta escola porque já fazem 3 meses que ando frequentando-a, pois, anteriormente estive desenvolvendo uma atividade para o PIBID[footnoteRef:1]. Foi através do PIBID que pude me aproximar da escola e dos alunos. Inicialmente procuramos desenvolver uma atividade ligada a discussão de futebol, sociedade e politica na América Latina durante os regimes militares do Brasil e Argentina. Trabalhamos com a exibição de documentários, filmes e conversas mediadas, apresentando um panorama geral do tema com alunos do 2° ano. Trabalhando as relações entre a utilização das seleções nacionais pelos regimes militares como propaganda política de seus respectivos governos. [1: Programa institucional de bolsa à iniciação docência. ] 
A sala dos professores possui duas mesas compridas, divididas em 37 lugares, um bebedouro, uma sala de hora atividade acompanhada de uma biblioteca para a consulta dos docentes. Também a uma sala com 7 computadores com uma impressora e acesso a internet. No momento são 20h00min, estou na companhia de 7 professoras, uma delas acabou de me oferecer um biscoito, no qual não recusei. Duas professoras conversam sobre a aplicação e correção de avalições. Duas outras estão preenchendo seus livros de chamadas, enquanto que outra professora a minha esquerda grampeia folhas de futuras avaliações. Ao fundo, a minha direita, na sala de informática, duas professoras conversam. Uma professora está na sala de hora atividade, concentrada e um outro professor entra na sala e logo liga seu notebook. A professora Cristiane retorna da aula de espanhol.
 Agora eu e ela estamos aguardando dar o horário da terceira aula. Duas professoras sentadas a minha esquerda, conversam sobre assuntos do cotidiano escolar e de assuntos relacionados à suas vidas privadas. Na mesa em que estou sentado, tem um professor do meu lado esquerdo e duas professoras do meu lado direito. A professora Cristiane está na sala de informática utilizando uns dos computadores. Pelo que dá para perceber, a professora que está na sala de hora atividade está corrigindo avaliações. O sinal acabou de “bater”. São exatamente 20h20min, eu e a professora nos dirigimos até a sala de aula. 
Estamos na sala do 4° ano, ensino médio profissionalizante com ênfase em informática. A turma é composta por 9 alunos, sendo 8 meninos e uma menina. A professora saí da sala dizendo que vai buscar os livros, mas voltou e pediu para um aluno ir busca-los. O estudante Paulo me mostra um desenho feito por ele, uma charge com o presidente Obama, a presidenta Dilma e uma pessoa que representa ser um árabe, com uma máscara de gás. Os alunos conversam com a professora sobre um assalto que ocorreu a uns deles na noite anterior. O aluno assaltado foi o Luís, ele conta com detalhes como foi a abordagem do assaltante. Os alunos que estão sentados a minha direita, ficam interessados em saber o que estou escrevendo. Respondo que se trata de uma etnografia. A professora pega um gancho na minha resposta é pergunta para turma “o que é uma etnografia?”. Paulo e Nathan prestam atenção. 
Logo em seguida ela pede para que os alunos abram os livros na página 204, capítulo 21[footnoteRef:2], intitulado de “Mudança social e sociologia”. O conteúdo do capítulo procura apresentar a partir de um panorama histórico a discussão sobre “mudança” e “transformação”. Um aluno pede para ir ao banheiro e sai da sala no momento em que a professora pergunta a turma quais foram às notas recebidas durante a semana de integração. As notas variam de 0 a 2. O aluno que foi ao banheiro retorna a sala, mas logo volta a sair da sala. A professora conversa com os alunos sobre o final do ano escolar, dizendo para a turma que faltam pelo menos mais um mês e meio de aulas, fala direcionada principalmente para o grupo que está sentado mais ao fundo. [2: Trata-se dolivro didático “Sociologia para o ensino médio” de Nelson Dacio Tomazi. ] 
No que pude perceber a turma respeita muito a professora. São 20h55min da noite, o sensação que o tempo passou muito rápido, já que logo será o horário do recreio. O grupo de seis alunos que sentam mais ao fundo da sala levantam-se e começam a sair da sala antes do sinal do recreio “bater” às 21:00. Saindo alguns minutos antes eles não precisam enfrentar a fila da cantina. Aqui finalizo o primeiro dia de observação no 4° ano. 
No intervalo aproveitei para ficar no refeitório junto com aos estudantes. O recreio termina às 21h20min. A próxima aula será no 1° H. 
São 21h27min da noite, após o intervalo eu a professora nos caminhamos para a sala do 1° ano. Nesta aula houve a aplicação de uma avaliação com consulta ao livro didático de sociologia elaborado pelo Estado do Paraná. A turma é composta por 17 alunos, 7 meninas e 10 meninos. Na verdade a avaliação acaba sendo um trabalho em sala de aula, onde a professora procura tirar as dúvidas dos alunos. A prova é formada com seis questões, fiquei com uma copia. Uma menina demonstrar estar com dúvida em uma questão, olha pra mim e diz em voz alta: “professora você explica melhor.” Fiquei um pouco incomodado com essa frase, talvez pelo fato da menina não confiar muito em mim, resolveu pedir ajuda para a professora, o que é legitimo[footnoteRef:3]. Esse fato marcou o primeiro dia da minha observação na escola, fiquei refletindo muito sobre isso. É uma das conclusões que cheguei foi a que podemos até ter conhecimento sobre determinado conteúdo, mas quando estamos em uma sala de primeiro ano do ensino médio, temos que adequar o vocabulário[footnoteRef:4], no sentido de tornar mais claro para os alunos os conteúdos sociológicos. Explicar de maneira clara e objetiva é um grande desafio. São 21h54min e a atividade ocorreu de forma tranquila. Os alunos ficaram concentrados em seus afazeres. A professora procura deixar os alunos livres para agirem, mas sem ser desrespeitada por eles. Ao sair da sala ouvi de uma menina dizer que ela gosta de sociologia e esta pensando em fazer vestibular para ciências sociais. [3: Pensando nessa situação algum tempo depois, vejo que a reação da aluna foi algo normal. Já que a professora era a figura no momento que mais lhe transmitia segurança. ] [4: Também pode ser entendido como “linguagem” ou “código”.] 
Estamos no 2° G, são 22h07min, nesta aula também haverá aplicação de uma avaliação. No total são 27 pessoas em sala, 11 meninas e 16 meninos. A prova também será com consulta, dessa vez o livro utilizado é “Sociologia para o ensino médio” do autor Nelson Dacio Tomazi. Tenho uma simpatia por essa turma, por causa do trabalho que desenvolvi com os estudantes sobre a ditadura militar e as suas relações com o futebol. As 22h22min a turma está em silêncio com os alunos concentrados. As 22h32min eles ainda estão respondendo as três questões sobre a temática do “trabalho” e a “sociedade moderna”. A prova com consulta facilita o andamento da atividade, com o apoio do livro didático, os alunos procuram escrever bastante. As primeiras provas começam a ser entregues às 22h34min. Conforme vão terminando, também vão sendo dispensados pela professora. 
Segundo dia de observações:
Terça-feira, dia 24/09/2013, 2° dia de observação na escola. Chegou a sala dos professores as 18h17min e comprimento a professora Cristiane. No momento estamos acompanhado por 7 professores na sala ( 6 professoras e 1 professor); 3 professoras estão concentradas em suas atividades e os demais estão na sala de informática. Hoje é o meu segundo dia de observação, como na terça-feira passada fico aguardando a professora. Chega mais um professor a sala dos professores, demostrando certa empolgação, gosta de fazer brincadeiras com os outros professores. A sala está movimentada, com vários pequenos grupos de professores conversando. No momento converso com Fabiane, bolsista do PIBID que desenvolve um trabalho na escola junto comigo. Agora são 18h32min estamos aguardando a professora, as aulas só começam às 20h20min, no terceiro horário. O recado que me chega aos ouvidos é que hoje muitos professores iram se ausentarem. Fabiane teve a ideia de entrevistar os alunos que participaram das atividades para o “Ficiências”[footnoteRef:5]. Pretendemos fazer um balanço das atividades com os alunos do 1 , 2 e 4 ano. São 19h45min da noite, a professora ainda está na aula de espanhol. [5: É uma feira de ciência que tem como objetivo trabalhar com trabalhos de iniciação científica no ensino médio. ] 
Estamos no 4°G são 20h42min da noite e os alunos estão fazendo prova. A turma é pequena, possui 10 alunos (9 meninos e uma menina). A professora passou uma atividade com consulta ao livro didático sobre o tema de “reforma e revolução”. A proposta se caracteriza por responder as duas questões do livro. Observo algumas conversar paralelas entre os alunos é a professora não demostra muita preocupação, até porque a conversa não altera a dinâmica da atividade. A professora procura tirar as dúvidas dos alunos de maneira individual e eles se mostram interessados pela temática de revolução. 
O primeiro aluno entrega a prova às 20h47min. O sinal do recreio “toca” as 21h00min. É interessante observar a concentração dos alunos ao meu lado direito, ao mesmo tempo em que o grupo que sentado atrás de mim conversam em voz baixa, é possível de perceber que a aula possui uma dinâmica própria, onde cada aula é única, particular em si mesma. A professora inicia um dialogo com o estudante do grupo que está sentado logo atrás de mim, ela levanta da sua mesa é se aproxima do grupo. Essa prática é muito recorrendo no comportamento da professora em sala de aula, ela procura atender todos os alunos de forma democrática, sem causar distinção na distribuição da atenção dada e compartilhada pela turma.
São 20h52min da noite de uma terça-feira de setembro. O som da conversa ao fundo começa aumentar; a conversa é empolgante, consigo ouvir o relato sobre uma “batida” policial. A professora presta atenção, no mesmo instante que um aluno pergunta ao outro qual é a reposta da questão 3. São 20h55min faltam 5 minutos para bater o sinal. Os alunos que já terminaram a prova se aprontam para sair da sala, mantendo a estratégia de “fugir” da fila do refeitório. A sala volta a ficar em silêncio faltando 2 minutos para o intervalo. Estou me sentindo bem entre os alunos do 4°G. Mais 2 alunos terminam suas atividades, restam mais 3 e o sinal bate pontualmente as 21h00min, Paulo diz para a professora que não conseguiu responder a questão “a”, ela responde que eles quiserem podem entregar depois. 
Na volta do intervalo, caminhamos para a sala do 2°G. É a quarta aula da noite. O pessoal que espalhado pela sala, alguns estão sentados e outros de pé. A professora distribui as provas. Um aluno que acabou de receber sua prova comenta comigo que foi com 5 – “foi bem né, professor?”. A professora pede para os alunos se sentarem, aos poucos os ânimos vão se acalmando. Ela começa a explicar os procedimentos para os alunos que tiraram notas baixas. Alguns alunos ainda permanecem em pé. São 21h31min é a turma ainda continua um pouco agitada. Alguns alunos estão terminando as avaliações. Aos poucos os alunos vão se acomodando em suas carteiras, fato que pode levar alguns minutos, neste momento que escrevo essas observações, todos estão sentados. Conto 26 alunos, 9 meninas e 17 meninos, a sala esta dividida em 5 fileiras de carteiras e a turma possui um divisão por grupos. Percebe-se alguns rostos novos e reparo a ausente de outros. 
Neste momento são 21h37min, 5 alunos estão sentados envolta da professora, tirando dúvidas sobre notas e correção das provas. Alguns escrevem, outros permanecem sentados e outros ficam em pé. “Eu vou dizer quem fez a atividade do livro” diz à professora que continua – “Valia dois e vocês ficaram com um.” – “Tudo bem” responde o aluno educadamente. Logo na minha frente um grupo de 3 alunos se divertem com dois cadernos, a ideiada brincadeira é a de intercalar as páginas dos cadernos. Vinicius vem até a carteira em que estou sentado, com um livro em mãos, pergunta qual era o texto que foi trabalhado na aula passada, na atividade sobre “trabalho” e “sociedade moderna”. Na verdade a professora distribui-o livros pela turma e pediu para os alunos escolhessem um texto e resumissem os principais argumentos. 
Na minha frente uma aluna mexe no celular, logo a frente dela dois alunos conversam sobre assuntos ligados a suas vidas. 3 alunos estão concentrados em suas atividade, enquanto os demais estabelecem dinâmicas entre si. Se fosse a algum tempo atrás, olharia para a realidade da turma com uma visão mais negativa, para não dizer pessimista, mas ao prestar um pouco mais de atenção nas relações que os estudantes estabelecem entre eles foi possível de se perceber que é algo que faz parte do aprendizado e da dinâmica da sala de aula. Situações que são potencializadas com a liberdade dada pela professora. O sinal para a quinta aula já está quase batendo. Os alunos na minha frente continuam com a brincadeira, cada um de um lado puxando os cadernos enquanto um terceiro filma a atividade com um celular. 
Cada turma possui uma dinâmica de interação própria, é importante chamar a atenção para esse fato, cada turma possui sua própria identidade. Os alunos assistem ao vídeo gravado e caiem em gargalhadas. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, não tenho condição de reproduzir a totalidade dos acontecimentos numa folha de papel. São 22h00min é a aula chega ao fim. 
Estamos agora na última aula do dia no 1° H. São 22h07min. A professora entrega as avaliações aos alunos e em seguida faz algumas observações. A turma conta com um total de 14 alunos, sendo 6 meninas e 8 meninos, bem distribuídos pelo espaço, mais uma aluna acaba de entrar na sala. A professora pede para os alunos prestarem atenção – “Eu estou avisando que vou embora. Eu quero explicar alguma coisa para vocês.” O livro didático foi distribuído errado foi preciso ir buscar outros livros. Os alunos em maior quantidade estão sentados na primeira fileira a minha esquerda próximo da janela, os demais alunos estão sentados ao meu lado direito. Em todas as turmas observadas os lugares ocupados pelos alunos e alunas são bem demarcados. 
Enquanto escrevo essas linhas a professora faz comentários sobre a prova, disputando espaço com outras conversas paralelas. São 22h14min, neste momento a turma está em silêncio, existem algumas conversas, mas essas não atrapalham o andamento da aula. Alguns alunos estão fazendo prova de recuperação e a professora acompanha, tirando dúvidas. “Ela doente né professor?” – diz um aluno se referindo a outra colega de classe que, mexe em seu celular, sem dar muita bola para os dizeres do colega. Tem um aluno que está de pé, demonstrando agitação, fala alto, algumas vezes grita. A identidade da turma é enriquecida com uma diversidade entre as pessoas, fato que também é observado na turma anterior e em menor escala na turma do 4° ano. Estamos em uma turma de 1° ano do ensino médio com estudantes entre 13 e 17 anos. Duas meninas rabiscam o quadro, desenhando estrelas e corações. A dinâmica da turma segue uma constante. Os grupos são bem definidos, com pessoas que se interagem com maior ou menor facilidade e outras que preferem ficarem mais caladas ou sentadas em suas carteiras sem demonstra “grandes” interações com os colegas. 
Pelo menos nessa aula é isso que foi possível de observar num primeiro momento. Um menino acompanha as duas meninas nos desenhos no quadro. Outro menino pega o apagador e apaga parte do desenho da colega, gerando protestos individuais. A professora está conversando com um grupo de alunos ao fundo da sala. Temos agora uma baleia e uma borboleta desenhadas no quadro. Os alunos se divertem desenhando no quadro. São 22h32min da noite o sinal do termino de mais um dia de aula logo soara. Dois alunos ao meu lado direito estão discutindo os conteúdos do livro de sociologia do Estado. Um tirando dúvida com o outro. 8 alunos estão de pé, 3 conversando com a professora e 5 desenhando no quadro. Junto com os demais estudantes, começo a me aprontar para o final de dia. 
Terceiro dia de observação:
Dia 1/10/2013, terça-feira, 3° dia de observação, são 17h49min da tarde, acabei de chegar a escola. As aulas da professora começam as 20h20min, enquanto isso terei que esperar. Optei por aguarda-la na sala dos professores, mas especificamente na sala de hora atividade. Estou sentindo um clima amistoso no ar, aquele clima “pesado”[footnoteRef:6] das primeiras visitas a escola aos poucos estão deixando de acontecer. Estou me sentindo mais “aceito” pela instituição, o que pode ser ilustrado pelo fato de entrar na escola sem precisar me identificar, acredito que já me tornei um rosto familiar no espaço. [6: Acredito que essa situação aconteceu em parte por minha socialização na escola e em parte pela própria instituição que me acolheu de maneira mais amistosa. Fato que pode ser percebido no tratamento recebido pelos colegas professores, aos poucos foi me sentido cada vez mais pertencente a escola. ] 
Como cheguei ainda no final do período de aulas da tarde, pude encontrar com várias professoras e professores diferentes dos que normalmente venho acompanhado. Ficar aqui, na sala de atividades, é uma estratégia para manter minha atenção longe das discussões dos docentes, mas isso não me impede de escutar resíduos das conversas. No momento a sala dos professores possui 16 professores, 11 mulheres e 5 homens. O ambiente está animado, os professores estão conversando e dando risadas. O sinal para o início das aulas do período noturno bate às 18h59min. A sala fica em silêncio, só restando duas professoras. Todos os outros se dirigiram para as salas de aula. 
São 21h26min, estou no 2° G. A aula se inicia com uma aparente agitação, pois os alunos estão voltando do intervalo. Digo aparente porque os alunos se entendem a partir dessa dinâmica. A professora fala sobre as pendencias dos alunos que ficaram sem nota ou que não fizeram a prova. Willian veio falar comigo, perguntei como anda o seu trabalho, ele responde que na próxima semana vence a sua experiência. Um pouco antes disso, a estudante Isabela veio até mim e me cumprimenta. São 27 pessoas no total, sendo 12 meninas e 15 meninos. Elas estão espalhadas pela sala, não havendo concentração de pessoas em locais isolados. A professora tira dúvidas dos alunos em relação as suas notas. 
As conversas são múltiplas, elas estão distribuídas pela sala, para qualquer lado que olho, existe alunos conversando, a conversa expressa interação, socialização e solidariedade de grupo. A professora explica a atividade, os alunos prestam atenção, mas ainda existem alguns focos de conversas pela sala. A atividade é sobre globalização, a professora tirou fotocópias de um pequeno texto tratando sobre o assunto é distribui entre os estudantes que estavam sem nota. A dinâmica as sala segue as das aulas passadas, com alguns alunos mexendo em aparelhos celulares, conversas paralelas, outros conversando com a professora que aliais, sempre procura ser atenciosa com a turma, neste momento às 21h40min, 4 alunos estão envolta da sua mesa. Conversei com duas alunas e prometi emprestar um livro para umas delas. 
Estou agora no 1° H. São 22h07min da noite é a última aula da terça-feira. O procedimento inicial da professora é semelhante com o aplicado na aula anterior. Ela está conferindo as notas dos alunos, juntamente com eles. Para os alunos que ficaram sem nota, será aplica uma nova atividade. No total a sala conta com 16 alunos, 5 meninas e 11 meninos. Observo os alunos sentados em volta da mesa da professora que em seguida se levanta dizendo que vai buscar a atividade, fico sozinho com a turma, as pessoas parecem não se incomodarem com a minha presença, de certa forma já estão familiarizados com minha presença em sala de aula, continuam a conversar entre si. 
A dinâmica da turma segue algumas semelhanças com a turma que observei anteriormente,principalmente com as conversar paralelas espalhadas pelo espaço. O comportamento que mais me chama a atenção é o entra e sai de pessoas da sala. Fato que pode estar relacionado com a liberdade que a professora concede aos alunos. Tem um grupo que esta sentado próximo a mesa da professora, outro grupo está localizado a minha esquerda, próxima as janelas e um terceiro grupo é formado logo à minha frente, entre a mesa que estou sentado e a mesa da professora. Vejo só um aluno fazendo a atividade, eles compõem o segundo grupo, o que está localizado à minha esquerda. A professora explica sua concepção a respeito das notas e pede a atenção dos alunos e eles ficam em silêncio, prestando atenção na sua fala, ela também conversa com a turma sobre o alto número de faltas de algumas pessoas. “Eu me preocupo com vocês. Porque gosto de vocês.” A preocupação aqui e com as notas e com a frequência. 
 A pedagoga entra na sala e dá um recado a turma: uma aluna está internada, essa noticia causa uma comoção entre a turma. São 22h27min da noite e os minutos parecem que se arrastam e o tempo demora a passar. Uma aula sai da sala sem pedir autorização a professora, avalio essa atitude de maneira positiva, por que de certa forma isso ocorre devido o respeito e a autonomia que é dado aos alunos. 
Os alunos continuam em volta da mesa, enquanto a professora conversa com a turma sobre as dificuldades de não desanimar com os alunos, não deixar que a “síndrome” do final do ano[footnoteRef:7] atinja o animo da turma. [7: Essa fala faz parte de um contexto complexo, onde o final de anos nas escolas acaba sendo uma situação difícil de ser mediada. Os alunos ficam desanimados, sem muita vontade em continuar estudando, as faltas e o desinteresse pelas aulas aumentam. ] 
É a terceira aula que acompanho nesta sala, percebe que cada turma possui uma dinâmica própria. A professora saiu da sua mesa e se dirige até o segundo grupo, o que está sentado próximo as janelas. Ela dá atenção para o aluno que estava fazendo a atividade, tirando algumas dúvidas. Esse grupo é composto por 6 alunos. O sinal já está próximo de bater com isso os alunos já começam a arrumar os materiais, colocando as mochilas nas costas e começam a se retirar da sala. São 22h37min da noite e minhas anotações do dia terminam por aqui.
Quarto dia de observações:
Terça-feira dia 08/10/2013 chegamos ao nosso 4° dia de observações. São 18h05min da tarde, acabo de chegar a salas dos professores. Estou na companhia de 11 professores, ficarei aguardando o inicia das aulas da professora Cristiane que se iniciam às 20h20min da noite (como nas terças-feiras anteriores). A sala está movimentada, com professores e professoras conversando, mexendo em seus computadores. 
Sai da sala para dar uma volta pela escola, como as pessoas estão em horário de aula, ela está vazio, sem muito movimento. Algumas meninas jogam futebol na quadra, aproveitando para praticarem uma atividade física. Volto para a sala dos professores e me deparo com policial entre os docentes. Ele esta conversando com um grupo de professores, tento prestar atenção na conversa deles. Pelo que pude perceber a conversar gira em torno de um assalto que ocorreu próximo a escola. “O Beto pago?” pergunta um professor, sem obter sucesso na resposta. Em seguida comentam sobre a greve dos bancários. Mas três professores chegam. Pensando aqui comigo, vejo que o ambiente de trabalho está com um clima tranquilo, diferente dos horários das aulas que são sempre inconstantes. “O horário mudou de novo?!” – protesta um professor[footnoteRef:8]. No momento são 18h47min, estou na presença de 22 professores, 20 na sala e outros 2 na sala de hora atividade. [8: Isso é rotineiro na escola, os horários dificilmente permanecem fixos. ] 
São 20h31min, já estou na sala do 1°H, onde a aula de sociologia seria a ultima acabou sendo adiantada por causa da ausência de um outro professor. A professora Cristiane passou um filme para eles assistirem – “Escritores da liberdade” – filme que conta a trajetória pessoal de uma professora e uma turma de alunos marginalizados em um bairro violento dos Estados Unidos. Com muita força de vontade e dedicação individual a professora consegue “dar um jeito” na turma, fazendo com que eles desenvolvam um prazer pela leitura e estudos, a partir da leitura do “Diário de Anne Frank”. Estou na companhia de 14 alunos (8 meninos e 6 meninas). São 20h40min e a turma está em silêncio prestando atenção no filme. 
Dirigimo-nos para a sala do 2°G às 21h28min, estamos no quarto horário na aula após o intervalo. A turma está aparentemente tranquila. São 29 alunos (11 meninas e 18 meninos). A professora utiliza a tv pen drive. Os alunos estão todos sentados, uma menina está sentada na mesa da professora; Vinícius está sentado na carteira de Willian, estão conversando. Batem na porta, é um aluno do 1°H que veio tirar uma dúvida com a professora e logo se retira. 
A professora apresenta alguns dados do IBGE, censo 2000, sobre a população jovem no Brasil. São entorno de 34 milhões de jovens, representando 20% da população total. Dando uma olhada rapidamente pela sala foi possível de se perceber que os alunos estão prestando atenção, mas existem pequenos focos de conversas paralelas espalhadas pela sala. 
Essas conversas não atrapalham o andamento da explicação que no momento procura discutir a juventude e a educação. As conversas se encontram, não sendo possível de identificar os conteúdos delas. No momento em que a professora fala sobre a inserção dos jovens no mercado de trabalho, tenho a impressão que a explicação é demasiada vaga[footnoteRef:9] (posso estar errado). É que observo os alunos dispersos prestando atenção em outras coisas, conversando com colegas vizinhos ou mexendo no celular. Já faz algumas semanas que a professora tem discutido sobre o mundo do trabalho com essa turma. São 21h50min da noite e a professora continua sua explicação. Existe certo retorno de alguns alunos que procuram participar da aula. O assunto agora é sobre as experiências juvenis no trabalho: “Quais os problemas que preocupam os jovens?”. A sala chega ao seu final, são 22h03min da noite e os alunos e a professoras demostram sinais de cansaço. [9: Penso que falta conteúdo sociológico nas explicações. ] 
Quinto dia de observações:
Sexta-feira, dia 18/10/2013, cheguei a escola às 18h15min. Dou “boa noite” para alguns professores, converso sobre politica, sobre a greve dos professores do Rio de Janeiro e sobre o contexto político atual. Fico sabendo que a professora Cristiane não veio, sendo assim as três aulas que iria acompanhar não serão ministradas. Eis que recebo um convite da pedagoga Jeanice para dar aula no lugar de Cristiane. Não pensei duas vezes, e aceito de cara. Acabei de sair da sala do 1°H. Estive na companhia de 4 alunos discutindo um pouco de conteúdos sociológicos ligados as relações de gênero e sexualidade. Acredito na importância de trabalhar essa temática em sala de aula. Tive uma aula de 50 minutos para trabalhar o tema; num primeiro momento me deparo com os problemas observados nas aulas anteriormente observadas, me refiro a agitação inicial dos alunos. Adotei a estratégia de não chamar a atenção dos alunos, procurei me aproximar e perguntar como passaram a semana, só nessa conversa gastei alguns minutos. Mas logo escrevi a palavra “sociedade” no quadro e perguntei a eles no que a sociologia os ajudou a pensar as diferentes concepções de famílias, a partir desse ponto pulei para a discussão sobre as relações de gênero. As aulas de sociologia que teriam no 2°G e no 4°G foram adiantadas. Só fiquei na expectativa de dar aula (ou conversar) com os alunos. Menos mal, que a aula no 1° H foi interessante e consegui aproveitar um pouco. 
Sexto dia de observações: 
Terça-feira, 22/10/2013, Colégio Estadual Pedro Macedo, ás 17h52min. Acabo de chegar a sala dos professores. Estou na companhia de 7 professoras e 2 professores, O sinal do final da aula para o período da tarde acaba de “bater”. Acredito que hoje termino defazer minhas observações na escola. Na terça-feira a professora Cristiane frequenta as aulas de espanhol. Tenho que ficar aguardando na sala dos professores, faço isso por opção, poderia chegar mais tarde a escola e ir direto para a sala observar as aulas. Mas faço completamente diferentes disso, chego um pouco antes exatamente para ficar observando o comportamento das pessoas e para sentir e conhecer o ambiente escolar. 
No momento é possível sentir (e perceber) um clima amistoso no ambiente. Alguns professores se despendem, outros acabam de chegar. Essa é a rotina diária da jornada de trabalho dos docentes. Na minha frente a pedagoga conversa com uma professora, estão conferindo os cadernos de chamada das turmas, conferindo os conteúdos que forma ministrados na disciplina. É importante manter os livros de chamadas organizados, é uma parte do trabalho docente que deve ser feito. E o tempo passa seguindo essa mesma dinâmica. Mais professores chegam e os grupos de conversas se espalham pela sala, no momento existem três. As conversam são diversas, vão desde “fazer a inscrição no PSS”; a saber, da outra professora com vai o “hematoma no braço”. Estou agora na presença de 11 professores.
O trabalho e a conversa não pararam e os professores não param para descansar, sempre estão exercendo uma atividade fora da sala de aula, como preenchendo o livro de camada, imprimindo uma atividade ou provas, preparando uma aula e corrigindo trabalhos. Essa foi a rotina observada ao logo do período de tempo que fiquei na escola acompanhando a dia-a-dia escolar. Mais professores chegam à sala, acompanhados da diretora que veio trazer um recado para os professores. Haverá uma avaliação (de português e matemática) que será direcionada para as turmas do 3° ano do ensino médio.
As 19h00min vou dar um passeio até a biblioteca da escola, ficando por lá até as 19h35min quando bate o sinal para a segunda aula. Fico no aguardo da professora. Quando encontro com ela fico sabendo que ela não dará aula para o 4° ano devido a aplicação da prova. 
São 20h36min da noite e estamos na sala do 1°H. A professora foi convidada a adiantar aula. Fico sabendo por um aluno que o tema da redução da maioridade penal caiu no vestibular da PUCPR. Estamos na presença de 19 pessoas ( 8 meninas e 11 meninos). A professora vai continuar a exibição do filme “Escritores da liberdade”. São 20h42min da noite e os alunos estão prestando atenção no filme. O sinal do recreio bate as 21h00min. As 21h20min as aulas se reiniciam. São 21h29min é já voltamos para a sala do 1°H para a continuidade do filme, um aluno pegou sai mochila e deu um jeito de ir embora. “Eu vou dar uma tarefa para vocês, relacionando a televisão e a educação” – diz a professara ao comentar sobre as recentes propagandas do Governo do Estado do Paraná que cita os feitos e os esforços do Governo na melhoria da educação no Paraná. O filme recomeça e a preocupação é a de não deixar os alunos sem aula. 
5° aula do dia 22/10/2013, às 22h07min, a turma observada é o 2°G. A turma toda estava fora da sala, se encaminhando para a saída da escola pensando que não haveria mais aula. A pedagoga pediu para que eles retornassem para a sala de aula o que acabou gerando alguns protestos. Estamos na ultima aula do dia, o pessoal está cansado querendo ir para casa. No total são 20 alunos. A professora tentar explicar o andamento das aulas. A pedagoga vem até a sala para esclarecer a situação, pede desculpas pelos excessos e disse que os boletins seriam entregues individualmente. Os alunos protestam após a saída dela, eles estão revoltados com o comportamento e da forma com foi conduzida a situação. O decorrer da aula acabou retendo discussões importantes como dúvidas com relação ao ENEM e a semana pedagógica. 
Sétimo dia de observações:
Terça-feira, dia 05/11/2013, às 18h45min da noite, acabei de chegar a escola. Esse será meu último dia de observação. Chego de bicicleta e entro pelo estacionamento como sempre faço. Abro o portão, deixo a escada com a “bike” em mãos e noto a presença de uma nova inspetora. Ela também repara sou diferente e pede minha carteirinha. Digo que desde que estou na escola, estou sem a carteirinha, vivendo uma situação – “meio que na clandestinidade”- digo a ela. “Mas você é professor?” – pergunta ela. Digo que estou a um bom tempo na escola acompanhando as aulas da professora Cristiane de sociologia. “Tudo bem” – diz ela. Chego à sala dos professores e professoras as 18h55min, a sala está lotada, com 17 professores. Assim que o sinal toca, eles e elas se dirigem para as salas de aulas para enfrentar mais um turno de trabalho. Fico sozinho na sala da hora atividade, neste momento a sala dos professores fica completamente vazia. Normalmente sempre fico na presença da pedagoga que cuida das distribuições das aulas. Ela fica conferindo e distribuindo os horários aos professores, horários que mudam de um dia para o outro. O sinal da segunda aula bate exatamente às 19h35min. Vou dar um passei na biblioteca, circular um pouco enquanto aguardo a terceira aula. 
São 20h26min quando entramos na sala do 4° ano, eu a professora e a presença de mais 7 alunos. A professora comenta sobre a possível visita que será feita ao museu do holocausto. “Eu imprimi a letra da música professora” – diz Nathan. Ela então começa a ler a letra da música para a turma. Logo após fazer isso, ela comenta sobre o cancelamento do feriado do dia da Consciência Negra. É um tema que chama a atenção da turma. Neste momento a sala está em silencia, com 3 alunos sentados nas primeiras carteiras, participando da discussão e o restando da turma, os outros 4 alunos, estão sentados mais ao fundo da sala.
A aula funciona através da estratégia de conversar sobre múltiplos assuntos, no estilo de “um assunto puxa o outro”. Por exemplo, a partir da discussão do feriado do dia da Consciência Negra, os alunos comentaram sobre a reportagem que foi exibida no “Fantástico” no ultimo domingo, ironizado os negros e os pobres. Quais seriam os limites do humor? O aluno Nathan sonha em ser humorista. O ritmo da aula sempre essa dinâmica da conversa informal. A professora trouxe umas revistas para a sala a – “Carta na escola” – é leu um trecho de uma matéria sobre as manifestações e as ações dos “Black Bloc”. A conversa continua, o assunto agora é sobre a militância política e as eleições. 2 alunos estão aproveitando a aulas para descansarem e outros dois para finalizarem um trabalho. “A avaliação está marcada para sexta-feira” e complementa a professora – “Vocês vão vir para a aula?” O celular do Nathan toca, ele atende sem preocupação. 
Terça-feira, ás 21:29, estamos agora no 2°G. A professora teve que adiantar aula no 1°H. Fiquei sozinhos com os alunos, ela acabou deixando uma atividade para ser feita em sala. São 23 alunos no total, com 13 meninas e 10 meninos. As revistas foram distribuídas pela sala. A dinâmica da aula segue como as aulas passadas. O trabalho consistia em escolher uma artigo da revista e fazer um comentário sobre ele. Enquanto uma menina se maquia, outros estão folhando as revistas. “Vamos terminar bem aquilo que começamos bem” é o lema da professora. A impressão que tenho é que os olhares são vagos, mas que de certa forma eles (os alunos) estão prestando atenção. O trabalho é continuação da aula passado, valendo dois pontos. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS: UMA PRÁTICA QUE SE (DES) CONSTRUI NO DIA-A-DIA
	As observações das aulas e a participação na rotina da escola formaram importante para a desconstrução de vários mitos construídos e naturalizados nos discursos e práticas aprendidas e reproduzidas na universidade. O trabalho realizado no Colégio Estadual Pedro Macedo foi muito prazeroso e enriquecedor, atribui a isso o fato de ter tido a oportunidade de conhecer a realidades de algumas outras escolas de Curitiba graças aos trabalhos desenvolvidos pela equipe do PIBID, o que tornou facilitou a minha socialização ( e familiarização) com o ambiente escolar. 
	Com relação as observações das aulas algumas críticas podem (eprecisam) ser feitas, além de uma autocrítica da prática da pessoa que escreveu essas linhas. De certa forma a professora atendeu a demanda dos conteúdos da disciplina de Sociológica/Ciências Sociais exigido pelo projeto político pedagógico. Os conteúdos ministrados foram: relações de trabalho, desigualdade sociais, cidadania, juventude, movimentos sociais, estrutura social, mundo do trabalho, globalização e instituições sociais. O mais importante foi ensinado aos alunos – a perspectiva sociológica da realidade. 
A professora se esforçou para encaixar nos conteúdos da maneira que foi possível, trabalhando com várias limitações estruturais e das características do próprio ensino noturno que deram outro ritmo a condução das aulas. Os alunos em sua grande maioria trabalham durante o dia e a professora também isso reflete nas aulas. O ritmo da aula diminui um pouco, não podemos dizer simplesmente que a aula perde em qualidade, pois o que temos aqui é uma diferente maneira na organização e aplicação dos conteúdos no período noturno. 
	Um fator que pode ser muito bem aproveitado nas aulas de Sociologia/Ciências Sociais é a experiência de vida dos estudantes, pois, eles já mostrar como pessoas mais maduras que a média de aulas dos outros períodos (manhã e tarde), principalmente com relação ao trabalho. 
	Talvez a situação que mais tenha chamado a minha atenção em termos “negativos” e o alto número de ausência de professores, acarretando em intermináveis adiantamentos de aulas, o que acaba atrapalhando a continuidade de aulas. Quando a professora adianta aula, o conteúdo da aula passada se perder porque geralmente a forma como é feita esse adiantamento não segue o padrão de uma aula tradicional, geralmente a professora passa uma atividade para ser feita durante a aula, valendo alguns pontos[footnoteRef:10]. Antigamente possui alguns preconceitos em relação a essas atitudes por parte dos professores, mas estar em contato diretamente com essas situação pude rever meus conceitos e reformular minhas perspectivas sobre as falta de professores e consequentemente o adiantamento de aulas. Vejo essas faltas como uns dos sintomas da precarização do trabalho docentes, porque as maiorias das faltas estão ligadas a situações de adoecimento dos professores. [10: Atribuir nota a toda e qualquer atividade realizada na escola é uma estratégia da instituição e dos professores com a intenção de fazer os alunos primeiro realizar a tarefa e segundo tentando responsabilizar e punir o aluno por seu possível desinteresse e falta de compromisso. ] 
	O que se perceber é que os professores e professoras estão supercarregados de tarefas, a jornada de trabalho na qual eles se submetem diariamente é extremamente estressante e cansativa. Ao conversar com alguns deles é fácil de constatar que são contra o atual modelo de avaliação. Modelo que exige o dispêndio de muita força produtiva desnecessária, mas que são obrigados a cumprir. O preenchimento do livro de chamada é um procedimento “sagrado”, é ali que está a comprovação de todo conteúdo ministrado, é o mais importante as notas individuais dos alunos. No final o que conta depois de um semestre desgastante de trabalho na escola é o preenchimento deste livro, é com ele que os alunos passam de ano e o professor comprova que trabalhou. O livro de chamada funciona como um grande instrumento de controle social e padronização do sistema individual de avaliação. 
	Como autocrítica afirmo que o conhecimento da realidade cotidiana da escola fez toda a diferença na minha formação e na maneira de como vejo a escola atualmente. Foi esse conhecimento prático que possibilitou “exorcizar” as visões estereotipadas e preconceituosas que tinham da escola e dos professores. Analisar o trabalho docente de perto tentando aprender com pessoas mais experientes é bem mais interessante que ficar preso em bibliográficas e discursos que repedem sempre o “mais do mesmo” e estar em contato com a realidade escolar no torna a situação ainda mais difícil e complexa. O domínio da teoria vem com o tempo, com leituras, discussões e mais leituras, já na realidade prática os procedimentos são totalmente modificados (ou alguém possui um domínio sobre a realidade?). Estar em contato como os professores produziu em mim um profundo estranhamento do que é ser “aluno” e do que é ser “professor” e esse estranhamento mostrou a mim mesmo os equívocos na qual estive preso durante a maior parte da minha graduação. 
	Por fim gostaria de agradecer a professora Cristiane pela oportunidade e por me deixado acompanhar seu trabalho. Obrigado pelas conversas, conselhos, discussões e risadas. Se queremos que a Sociologia/Ciências Sociais seja respeitada como ciência na sociedade ( e na universidade) sua defesa começa no ensino médio. 
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS: 
-Secretária de Estado da Educação. Núcleo Regional de Educação de Curitiba. Projeto político pedagógico do Colégio Estadual Pedro Macedo - Ensino Fundamental, Médio e Profissional. Curitiba, 2010.

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