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Marx Durkheim e Weber

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SOCIOLOGIA GERAL E JURÍDICA
I UNIDADE – PARTE I - TEXTO N( 3
A sociologia de Karl Marx
1- Sobre o autor:
	Karl Marx (1818-1883), é o mais célebre dos clássicos, produziu sua obra mais ou menos na mesma época e um pouco depois de Comte. Filósofo, historiador, economista, militante político, além de sociólogo, sua obra, extremamente polêmica, postulava que a luta de classes promoveria, após o capitalismo, a instalação de uma nova sociedade mais justa – o socialismo – de início, e o comunismo – num estágio mais avançado da humanidade.
	Nasceu na cidade de Trevas na Alemanha. Em 1836 matriculou-se na Universidade de Berlim, doutorando-se em Filosofia. Foi redator da gazeta renana. Mudou-se para Paris em 1842 onde conheceu Frederich Engels. Foi expulso da França em 1845 de onde foi para Bruxelas participar da recém fundada Liga dos Comunistas. Morre em 1883 após intensa vida política e intelectual.
	Marx fez uma leitura crítica da filosofia de Hegel, de quem absorveu e aplicou de modo peculiar o método dialético. Foi influenciado também pelo pensamento socialista francês do século XIX, de Claude Henri, Saint-Simon, Charles Fourier e Pierre Joseph Poudhon.
	Fez uma crítica da obra dos economistas clássicos ingleses em particular Adam Smith e David Ricardo. A obra “Contribuição à crítica da economia política” representa um marco importante na formação da economia política marxista. Foi escrita no período entre agosto de 1858 e janeiro de 1859. 
	Ao contrário dos clássicos que procuravam provar que o sistema de liberdade econômica (capitalismo) constituía a forma mais perfeita de expandir a riqueza nacional, Marx passou a se empenhar na busca das suas leis de movimento, o que o levariam inevitavelmente a impedir a ulterior multiplicação desta riqueza e, portanto, à ruína e a sua substituição por um modo de produção superior.
	Sua proposta era não só contribuir para o desenvolvimento da ciência, mas propor uma ampla transformação política, econômica e social.
	Principais Obras: Manuscritos econômicos filosóficos, 1844; A Ideologia Alemã – 1852; Miséria da Filosofia; Manifesto do Partido Comunista 1848; A luta de classes em França; O capital - 1867; Contribuição à crítica da economia política – 1857.
 As transformações que ocorrem no século XIX, que passam pela emergência de novas fontes energéticas (eletricidade e petróleo) de novos ramos industriais, bem como pela alteração profunda nos processos produtivos, com a introdução de novas máquinas e equipamentos, farão emergir a organização dos trabalhadores em associação e sindicatos, com a eclosão de movimentos voltados para a transformação radical da sociedade capitalista. Esse conjunto de mudanças exigirá que se desenvolva um pensamento capaz não só de explicar o que está ocorrendo, mas também de definir as possibilidades de intervenção nessa realidade.
 A tradição socialista, nascida da luta dos trabalhadores em vários momentos, tem como expressão intelectual de maior peso o pensador alemão Karl Marx (1818-1883), que, juntamente com Friedrich Engels (1820-1895), procurará estudar a sociedade capitalista a partir de seus princípios constitutivos e de seu desenvolvimento, tendo como objetivo dotar a classe trabalhadora de uma análise da sociedade de seu tempo.
 Marx não tem nenhuma preocupação em definir uma ciência específica para estudar a sociedade (como a Sociologia, para Comte). A sociedade para ele deve ser analisada na sua totalidade, não havendo separação entre os aspectos sociais, econômicos, políticos, ideológicos, religiosos, etc. Também não se preocupa em situar seu trabalho em uma ciência determinada.
 Para compreender os elementos fundamentais do pensamento de Marx, torna-se necessário fazer a conexão entre os interesses da classe trabalhadora, suas aspirações e as idéias revolucionárias correntes na Europa do século XIX. Assim, o conhecimento científico da realidade só tem sentido se tiver como meta à transformação dessa mesma realidade. A separação entre teoria e prática é algo que não se coloca, uma vez que a verdade histórica não é uma abstração, possível de se definir apenas teoricamente; a sua verificação está na ação, isto é, na prática.
2- Principais idéias:
 O objetivo maior de Marx não era elaborar uma teoria geral sobre a sociedade, e sim estudar a sociedade de seu tempo – a sociedade capitalista. Auguste Comte tinha desenvolvido uma teoria daquilo que ele chamava de sociedade industrial, isto é, das principais características de todas as sociedades modernas. No pensamento de Comte havia uma oposição essencial entre as sociedades do passado, feudais, militares e teológicas, e as sociedades modernas, industriais e científicas. Incontestavelmente Marx também considera que as sociedades modernas são industriais e científicas, em oposição às sociedades militares e teológicas. Porém, em vez de pôr no centro da sua interpretação a antinomia entre as sociedades do passado e a sociedade presente, Marx focaliza a contradição que lhe parece inerente à sociedade moderna, que ele chama capitalismo.
	Enquanto no positivismo os conflitos entre trabalhadores e empresários são fenômenos marginais, imperfeições da sociedade industrial cuja correção é relativamente fácil, para Marx esses conflitos entre operários e empresários ou, entre proletariado e capitalistas são o fato mais importante das sociedades modernas, o que revela a natureza essencial dessas sociedades, ao mesmo tempo que permite prever o desenvolvimento histórico. É central na contribuição de Marx para o estudo da sociedade, a sua teoria do materialismo histórico. O materialismo histórico é um sistema teórico de compreensão da realidade social. Marx centrou sua análise nas condições econômicas da vida das classes em que se divide a sociedade burguesa. 
	A sua investigação mostrou que tanto as relações jurídicas como as formas de estado não podem ser compreendidas por si mesma nem pela chamada evolução geral do espírito humano, mas se baseiam, ao contrário, nas condições materiais da vida. Ele disse que “na produção social de sua vida, os homens constroem determinadas relações necessárias independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual levanta a superestrutura jurídicas e políticas e a que correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral”. 
	Em outras palavras, para viver os homens têm de, inicialmente, transformar a natureza, ou seja, comer, construir abrigos, fabricar utensílios, etc., sem o que não poderiam existir como seres vivos. Por isso, o estudo de qualquer sociedade deveria partir justamente das relações sociais que os homens estabelecem entre si para utilizar os meios de produção e transformar a natureza. Essas relações sociais de produção são a base que condiciona todo o resto da sociedade. A produção é a raiz de toda a estrutura social. Na sociedade antiga, por exemplo, a relação social básica era a relação senhor – escravo. Não podemos, segundo ele, entender a política ou a cultura dessa época sem primeiramente estudar essa relação básica que condiciona todo o resto da sociedade.
 Segundo Marx, na sociedade capitalista as relações sociais de produção definem dois grandes grupos dentro da sociedade: de um lado, os capitalistas, que são aquelas pessoas que possuem os meios de produção (máquinas, ferramentas, capital, etc.) necessários para transformar a natureza e produzir mercadorias; do outro, os trabalhadores, também chamados, no seu conjunto, de proletariado, aqueles que nada possuem, a não ser o seu corpo e sua disposição para trabalhar. A produção na sociedade capitalista só se realiza porque capitalistas e trabalhadores entram em relação. O capitalista paga ao trabalhador um salário