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CONTEÚDO - TEORIA GERAL DA POSSE

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não a de 
manutenção de posse. 
 
31.2.1 TURBAÇÃO NOVA OU TURBAÇÃO VELHA 
 O autor deverá provar o tempo, ou seja, que prove a turbação ter menos de 
ano e dia, pois, se houver durado mais do que tal lapso, a situação de fato 
oriunda dos atos agressivos se consolidou, indicando o rito ordinário para o 
procedimento a se seguido. 
A manutenção e a reintegração de posse são tratadas em uma única seção, 
visto que apresentam características e requisitos semelhantes. A diferença está 
apenas em que “o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de 
turbação e reintegrado no de esbulho”. 
A turbação distingue-se do esbulho porque, com este, o possuidor vem a ser 
privado da posse, ao passo que naquela, embora molestado, continua na 
posse dos bens. 
A doutrina apresenta modos de como a turbação apresenta-se de modo direto 
e indireto, turbação positiva e negativa. 
Direta é a comum, que se exerce imediatamente sobre o bem; indireta é a 
praticada externamente, mas que repercute sobre a coisa possuída, como por 
exemplo, se, em virtude de manobras do turbador, o possuidor não consegue 
inquilino para o prédio. 
Positiva é a turbação que resulta da prática de atos materiais sobre a coisa 
(passagem pela propriedade alheia ou ingresso para retirar água); negativa é a 
que apenas dificulta ou embaraça o livre exercício da posse pelo possuidor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 32 
TEORIA GERAL DA POSSE 
32. AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE 
32.1 QUADRO ESQUEMÁTICO 
 
 
Petição inicial 
 
Citação 
 
Contesta Revelia 
 
 Saneamento Sentença 
 
 Audiência de Instrução e Julgamento 
 
 Sentença 
 
Procedente Improcedente 
 
 Confirmação da Liminar Extinção da Liminar 
 
 Execução Extinção do Processo 
 
32.2 PRAZOS E OUTRAS FORMAS DE TURBAÇÃO 
 
O eminente Prof. Clóvis Beviláqua ensina que não há cabimento a ação de 
manutenção de posse para proteger servidões não aparentes. 
A servidão é um Direito Real de Fruição, em que um prédio denominado 
dominante aumenta sua utilidade (jus utendi) com o uso ou limitação de prédio 
alheio denominado serviente. 
Aparente é a servidão onde é visível o uso do prédio dominante tias como uma 
construção, passagens e corredores, entre outros. 
A servidão não aparente é desprovida de sinais visíveis, salvo quando os 
respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daquele de 
quem este o houve. 
Então, caro aluno, no entendimento do ilustre professor a ação de manutenção 
de posse é cabível nas servidões aparentes. 
Dúvidas existem quanto à contagem do prazo de ano e dia nesta ação quando 
múltiplos forem os atos turbativos, praticados pela mesma pessoa formando, 
no conjunto, a turbação de que se queixa ao lesado, é o que ensina a festejado 
Profa. Maria Helena Diniz. 
Temos na doutrina temos vários correntes quanto a forma de concepção do 
prazo de turbação, ou melhor, seu início e computo vejamos: 
- Na existência de um ato que realmente importa na limitação dos direitos 
possessórios do titular, esta será a data de contagem de prazo; 
- Na existência de vários atos turbativos, sem nexo de causalidade, ou seja, 
(vários pontos de cerca da fazenda são rompidos), cada um contará com prazo 
diverso, ou seja, autônomo com relação aos demais. 
-se há atos sucessivos, ligados entre si, há apenas uma turbação, e contar-se-
á do último deles o prazo. 
Lembrando que alguns autores entendem que a expressão possessória possui 
um único e verdadeiro efeito que é a proteção possessória por meio dos 
interditos, a possibilidade de invocar os interditos para a tutela específica, é a 
lavra do Prof. Vicente Rao. 
 
 
 
 
 
AULA 33 
TEORIA GERAL DA POSSE 
33 AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE 
 
Segundo o dicionário Aurélio, esbulho é o ato de privar alguém de alguma 
coisa a que tinha direito. O núcleo da compreensão da ação em pauta é a 
noção do ato esbulhatório, ou seja, do ato que venha a retirar totalmente a 
possibilidade de exercício do titular em sua posse. 
Diverso que ocorreu na aula anterior, onde citamos que o ato turbativo, apenas 
molestava parcialmente a posse, nesta e na próxima aula verificaremos como 
se contorna uma ação possessória que venha a desfazer a privação total da 
posse, por terceiros de modo injusto. 
Então, esbulho é o ato pelo qual o possuidor se vê privado da posse por meio 
violenta ou clandestinamente, e ainda por abuso de confiança (precariedade). 
 Todos aqueles que sofrem o esbulho na sua posse, podem ser restituídos por 
meio de desforço imediato ou ação de reintegração de posse. 
O desforço imediato é o ato de legitima defesa do direito à posse que é 
realizado pelo próprio titular, matéria já discorrida anteriormente. 
Ação de Reintegração de Posse é movida pelo esbulhado a fim de recuperar 
posse perdida em razão de violência, clandestinidade ou precariedade. 
 São requisitos do interdito recuperandae a existência da posse, e seu titular e 
o esbulho cometido pelo réu, privando aquele arbitrariamente da coisa ou do 
direito. 
Exclui-se da caracterização do esbulho a privação da coisa por justa causa. 
Dá-se o esbulho quando o possuidor é injustamente privado de sua posse. 
 Na doutrina tradicional entendia-se necessário, para caracterizar o esbulho, a 
presença da violência. 
O próprio Código de Processo Civil de 1939, em seu art. 371, II, condicionava a 
concessão do interdito reintegratório à prova de violência. 
Hoje não mais necessário, como citado acima, pois de modo clandestino (as 
sorrateiras) uma pessoa pode cometer o ato esbulhante. 
Todavia, entre nós, mesmo na vigência do Código de 1939, já a jurisprudência 
vinha desprezando referida orientação, para proclamar que o esbulho se 
caracterizava mesmo que sua fonte se encontrasse na clandestinidade ou na 
precariedade. 
 
Com relação a legitimidade da ação, de maneira direta observamos a posição 
do titular da posse como o legitimado, mas é possível na Ação citada na aula 
anterior e na ação de reintegração de posse ser proposta pelo possuidor direto 
contra o possuidor indireto 
Exemplo deste caso seria ação proposta locatário contra o locador. O 
possuidor indireto pode propor a ação, a benefício próprio e do possuidor 
direto; por exemplo, ação do locador contra terceiro, para assegurar a posse do 
locatário. 
São pressupostos necessários para o êxito da reintegração: que tenha havido 
esbulho e que de menos de ano e dia 
Esbulho é o ato pelo qual terceiros de modo violento, clandestino ou precário 
retira a possibilidade do titular, representante, possuir indireto ou de quem 
detém a responsabilidade da posse de seu pleno uso e percepção de seus 
frutos. 
Antes de provar o esbulho o peticionário deve promover a prova da posse , 
como citamos em aula anterior, ou seja, apresentar de justo título, documento 
hábil que configure a sua situação de possuidor. 
Na possessória o autor terá de produzir prova que tem 
posse legitima da coisa e que a manteve, apesar da 
turbação, ou que tinha posse e perdeu em virtude do 
esbulho praticado pelo réu. 
 
Mas como provar o esbulho, a doutrina apresenta alguns casos de ordem 
prática para iluminar o problema: 
-alteração ilegal de divisas, marco, tapumes e outras formas de identificação; 
-invasão de propriedade, propriamente dita; 
-construção de benfeitorias em terreno alheio, sem a devida autorização; 
-negativa do comodatário