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CONTEÚDO - TEORIA GERAL DA POSSE

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imóvel sem nunca ter tido a sua 
posse, não há como apurar se o ocupante era 
proprietário/mutuário ou terceiro, nem, tampouco pode ser 
privada porque o atual ocupante supostamente adquiriu a 
posse de um estranho à relação". 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 38 
TEORIA GERAL DA POSSE 
OUTROS EFEITOS DA POSSE 
AÇÕES POSSESSÓRIAS ATÍPICAS E OUTROS EFEITOS. 
 
38.1 EMBARGOS DE TERCEIRO 
Os Embargos de terceiro senhor e possuidor descrito no Código de Processo 
Civil, em seu artigo 1.046 é o processo acessório que visa defender os bens 
daqueles que, mesmo não sendo parte da demanda principal, sofrem turbação 
ou esbulho em sua posse, por efeito de penhora, depósito, arresto, sequestro, 
venda judicial e outros atos. 
A legitimidade ativa é destinada ao senhor e possuidor ou possuidor, como 
terceiro a parte que defende bens que não podem ser apreendidos 
judicialmente e o cônjuge quando defende a posse de bens dotais. 
Possui legitimidade ativa para opor a ação o terceiro que não participa ou não 
participou da relação processual. 
 Há terceiros que participam do processo sem perder essa qualidade. 
Compete, porém, ao terceiro, ostentar a posse da coisa atacada. Sendo assim, 
a posse é a qualidade que viabiliza o embargo. 
O Artigo 1.047 do Código de Processo relaciona mais dois casos de 
legitimação para o embargo de terceiros. 
O primeiro inciso apresenta, de forma expressa, a defesa da posse nas ações 
de divisão ou demarcação; e, subsequentemente, o segundo inciso defende a 
garantia real ameaçada por execução de outro credor ou devedor. 
Sobre legitimação passiva, em regra o exequente, por ser o beneficiado do 
enlace judicial e ter interesse na sua manutenção. 
A legitimidade passiva é, em princípio, do autor da ação em que foi 
determinada a constrição judicial, porque ele é o beneficiário do ato. 
Mas, se, de alguma forma o réu da ação principal tiver concorrido para a 
constrição, será incluído no polo passivo, como litisconsorte necessário. 
O artigo 1.048 do Código de Processo civil dispõe que os embargos podem ser 
opostos no processo de conhecimento enquanto não transitada em julgado a 
sentença. 
O trânsito em julgado apontado pelo Artigo 1.048 trata-se, apenas, de um 
marco temporal. Assim, mesmo depois de ultrapassado o dies ad quem 
assinalado na lei, ao terceiro sempre estará facultado o uso das vias ordinárias 
para reivindicar o bem constrito judicialmente. 
 
38.2 DIREITO A PERCEPÇÃO DOS FRUTOS 
Frutos são utilidades que a coisa produz sazonalmente, cuja percepção não 
altera a sua substância. 
Na alteração da substância, temos produto e não frutos. 
Maria Helena Diniz apresenta que a percepção dos frutos é ato material pelo 
qual o possuidor se torna proprietário dos frutos, sendo que podem receber a 
seguinte classificação: 
- naturais são os provenientes da força orgânica que se renovam 
periodicamente, como as frutas de uma árvore e as crias de um animal. 
- industriais são aqueles decorrentes da intervenção do homem sobre a 
natureza, como a produção de uma fábrica. 
- civis são as rendas provenientes do capital, como juros, alugueres e 
dividendos. 
- rendimentos são os frutos civis; o Código antigo foi, nesse aspecto, 
redundante. 
Todos esses bens, portanto, ingressam na categoria de coisas acessórias. 
- os frutos são classificados em pendentes, quando unidos à coisa que os 
produziu; percebidos ou colhidos, depois de separados; estantes, depois de 
separados e armazenados; percipiendos, os que deveriam ter sido colhidos e 
não foram; e consumidos, os utilizados, que já não existem. 
Pelo artigo 1.214 do novel Códex, o possuidor de boa-fé tem o direito, 
enquanto durar, aos frutos percebidos, equiparando-se ao dono, uma vez que 
possui o bem. 
Já o artigo 1.216 pune o dolo, a malícia, e a má-fé, assim que se instala o 
estado subjetivo maculando a posse. 
Acrescendo a questão não de modo direito, também caberá ao possuidor a 
indenização das benfeitorias, que são obras e despesas efetuadas na coisa 
durante a posse. 
 
 
 
 
 
AULA 39 
TEORIA GERAL DA POSSE 
 39.1 REVISÃO 
 
São os efeitos da posse é que lhe impõem cunho jurídico singular, promovendo 
uma série de situações, razão pela qual, é um instituto do direito de interesse 
ímpar, que além da sua existência per si, seu uso durante certo lapso temporal 
promoverá a “criação” de outros direitos, como a propriedade. 
 
A proteção possessória é o principal efeito da posse. Apresentando-se de dois 
modos, pela legítima defesa da posse e pelo desforço imediato. 
Denominamos o primeiro de defesa direta, pois as ações possessórias são 
meios indiretos de proteção, onde o possuidor transfere à atividade jurisdicional 
do Estado para comtemplar seu caso. 
 
O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua 
própria força, contado que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não 
podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse. 
 
Ações possessórias: 
- a ação de manutenção de posse, concedida ao possuidor que sofre turbação; 
- a ação de reintegração de posse, concedida àquele que sofre esbulho; 
 - interdito proibitório, para servir de defesa contra a ameaça iminente à posse. 
 
 
 
A legitimidade passiva nas ações possessórias é do autor da ameaça do 
esbulho ou da turbação, conforme prevê o artigo 927, II e 932, todos do Código 
de Processo Civil. 
 
Legitimado ativo para a propositura da ação possessória é o possuidor, direto 
ou indireto. 
Sendo esbulhado imóvel dado em locação, poderão propor a ação tanto o 
locatário (possuidor direto) quanto o locador (possuidor indireto), ou ambos, em 
litisconsórcio facultativo. 
 
Legitimado passivo é aquele que praticou a ofensa à posse, ainda que também 
seja possuidor da coisa. Então, se o locador esbulha a posse do locatário, este 
promoverá, em face daquele, a ação de reintegração. 
 
 
 
A cumulação de pedidos é facultativa e pode ocorrer sem prejuízo do rito 
especial, embora os agregados ao possessório não tenham tal conteúdo, se 
não foi formulado pelo autor ou pelo réu, o juiz não pode decretar de ofício, 
um pedido de condenação por perdas e danos, por exemplo. 
 
 
Então, ações possessórias visam à defesa da posse, diferentemente das ações 
petitórias, que tem por mote a defesa da propriedade, [adquirida através da 
tradição (móveis) ou do registro imobiliário (imóveis)], como é o caso da ação 
reivindicatória disposta no artigo 1228, do Código Civil. 
 
 
A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz 
conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela, cujos 
requisitos estejam provados. 
 
As ações possessórias visam à defesa da posse, conforme observamos 
anteriormente e são aforadas no juízo possessório, onde é permitido que o 
julgador concederá a tutela independentemente da ação possessória aforada, 
desde que presentes os requisitos legais . 
 
 
 
AULA 40 
40.1 REVISÃO 
 
A aplicação da fungibilidade em relação às ações possessórias se faz 
necessária, pois pode ocorrer que no momento da distribuição da ação tenha 
havido uma situação fática jurídica e logo após outra que tornaria ineficaz a 
medida apresentada. 
 
 
 
Os procedimentos de manutenção e de reintegração de posse são regidos 
pelas normas do artigo 924, do Códex instrumental, que disserta que intentada 
dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho, passado esse prazo, será 
ordinário, não perdendo, contudo o caráter possessório. 
 
 
A norma indica um procedimento especial, cuja principal diferenciação é a 
vantagem da previsão de