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Autor: Prof. Flavio Roberto Silva Santarelli Colaboradores: Profa. Daniela Menezes da Silva dos Santos Profa. Christiane Mazur Doi Prof. José Carlos Morilla Gestão Estratégica de Custos e Formação de Preços Professor conteudista: Flavio Roberto Silva Santarelli Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Bandeirantes, com título de especialização em MBA em Gestão de Projetos pela Universidade Anhanguera-Uniderp. Leciona desde 2012 em cursos de graduação e pós-graduação. É professor da Universidade Paulista (UNIP) em cursos de gestão, nos formatos presencial e a distância, nas áreas de finanças, marketing, recursos humanos, gestão comercial, comércio exterior, empreendedorismo e processos gerenciais. Lecionou em outras universidades nas áreas de administração e educação, e tem experiência como coordenador acadêmico em cursos de pós-graduação. É gestor no setor de desenvolvimento de softwares. Gerencia projetos de sistemas para áreas estratégicas de empresas, como as áreas de recursos humanos, finanças, contabilidade, comunicação e marketing. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. U515.71 – 22 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S233g Santarelli, Flávio Roberto Silva. Gestão Estratégica de Custos e Formação de Preços / Flávio Roberto Silva Santarelli. – São Paulo: Editora Sol, 2020. 128 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Gestão de custos. 2. Métodos de precificação. 3. Operações financeiras. I. Título. CDU 657.47 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Profa. Sandra Miessa Reitora em Exercício Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez Vice-Reitora de Graduação Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini Vice-Reitora de Administração Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia Vice-Reitor de Extensão Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades do Interior Unip Interativa Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático Comissão editorial: Profa. Dra. Christiane Mazur Doi Profa. Dra. Angélica L. Carlini Profa. Dra. Ronilda Ribeiro Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista Profa. Deise Alcantara Carreiro Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Ricardo Duarte Vera Saad Sumário Gestão Estratégica de Custos e Formação de Preços APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8 Unidade I 1 CONCEITOS APLICADOS À GESTÃO DE CUSTOS .................................................................................. 11 1.1 Objetivos básicos da gestão de custos......................................................................................... 15 1.1.1 Objetivos principais da gestão de custos ...................................................................................... 16 1.2 Conceitos da gestão estratégica de custos ................................................................................ 17 1.2.1 Controle ...................................................................................................................................................... 18 1.2.2 Gasto ............................................................................................................................................................ 19 1.2.3 Desembolso ............................................................................................................................................... 19 1.2.4 Investimento ............................................................................................................................................. 20 1.2.5 Custo ............................................................................................................................................................ 20 1.2.6 Despesa ....................................................................................................................................................... 20 1.2.7 Perda ............................................................................................................................................................ 21 1.2.8 Desperdício ................................................................................................................................................ 21 2 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS .................................................................................................................... 23 2.1 Custo total .............................................................................................................................................. 24 2.2 Custo unitário ........................................................................................................................................ 24 2.3 Custo fixo................................................................................................................................................. 24 2.4 Custo variável ........................................................................................................................................ 25 2.5 Custo total em função dos custos fixos e dos custos variáveis ........................................ 26 2.6 Custo direto ............................................................................................................................................ 26 2.7 Custo indireto ........................................................................................................................................ 27 2.8 Custo predeterminado ....................................................................................................................... 28 2.9 Custo histórico ...................................................................................................................................... 28 2.10 Exemplos para a fixação do conteúdo ...................................................................................... 28 Unidade II 3 CONTABILIDADE E EVOLUÇÃO DOS CONCEITOS FINANCEIROS ................................................... 39 3.1 Contabilidade do século XXI ............................................................................................................ 39 3.2 A nova realidade financeira das empresas no século XXI .................................................... 40 4 MÉTODOS DE CUSTEIO .................................................................................................................................. 41 4.1 Principais métodos de custeio ........................................................................................................ 43 4.1.1 Método de custeio por absorção ...................................................................................................... 43 4.1.2 Método de custeio variável ................................................................................................................ 47 4.1.3 Método de custeio ABC ........................................................................................................................ 52 4.1.4 Método de custeio padrão .................................................................................................................. 58 4.1.5 Método de custeio UEP ........................................................................................................................que se aplique um método de custeio específico para cada item ou conjunto (família) de itens. Caso não haja essa necessidade, a empresa pode optar pela estratégia de utilizar um único método de custeio para todos os produtos. É importantíssimo frisar que o conhecimento amplo do conceito de gestão de custos é necessário para atingir alto grau de excelência e para todas as ações ou métodos serem aplicados com eficiência nas empresas, permitindo ao negócio sucesso nos resultados estabelecidos como metas. 4.1 Principais métodos de custeio Conforme visto antes, os custos precisam ser estrategicamente determinados para que sua gestão possibilite atingir, com eficiência, os objetivos de ganhos e lucros estabelecidos pela empresa, para que o processo de tomada de decisões surta efeito positivo e para que o controle das operações seja efetivo ao longo de toda a cadeia de suprimentos, que vai desde o processo de aquisição de componentes e matérias‑primas, passa pelo processo fabril e chega até o ponto de venda (PDV), à disposição do consumidor. No que tange a serviços, esse processo de cadeia de suprimentos baseia‑se na construção, na execução e na entrega do serviço. Observação Cadeia de suprimentos, também conhecida como supply chain, é todo processo que envolve a fabricação do produto até sua chegada ao consumidor. Envolve o processo de fabricação, armazenagem, distribuição, transporte, estocagem, organização das prateleiras e gôndolas, venda e entrega ao cliente final. Antes de avançarmos, convém lembrar que os custos variáveis são aqueles que se modificam principalmente com o volume da produção e que os custos fixos são os que se mantêm os mesmos independentemente do que é produzido. Em uma empresa industrial de fabricação de sapatos, por exemplo, o custo com caixas de embalagem e rótulos é um custo variável, e o custo com o aluguel do galpão da fábrica corresponde a um custo fixo, pois, enquanto o primeiro varia conforme a quantidade produzida, o segundo mantém o valor mesmo que a fábrica fique um longo período sem produzir nada. 4.1.1 Método de custeio por absorção No método de custeio por absorção, o custo de cada unidade produzida é igual ao rateio da soma de todos os custos da empresa, sejam eles diretos ou indiretos, fixos ou variáveis. O método de custeio por absorção é um dos mais práticos e mais utilizados, principalmente no processo fabril, ou seja, na indústria, e tem como característica alta taxa de acerto quando bem empregado. 44 Unidade II Esse método aplica todos os valores de custo fixo e de custo variável na fabricação de um produto. Conhecido comumente também pela nomenclatura de custeio integral, tem como principal característica a apropriação de todos os gastos de determinado período na fabricação, sejam eles diretos ou indiretos, para definir o custo final de um produto. Nesse método, os produtos absorvem todos os custos aferidos. O mesmo raciocínio é aplicado quando se trata de serviços. Se pegarmos, por exemplo, um serviço de entrega por motoboy, calcularemos como custos diretos o pagamento de salários, o pagamento de combustível e os gastos com a manutenção geral da motocicleta e dos equipamentos de proteção (capacete, roupa etc.). Nesse caso, como custos indiretos, teremos as taxas de habilitação do condutor, o IPVA e outras taxas de permissão para que a motocicleta circule na cidade. No caso do processo fabril, podemos e devemos considerar também todas as outras despesas que possibilitam a produção, como a tecnologia, a infraestrutura, o processo operacional, a armazenagem e o transporte, os quais, mesmo que se relacionem indiretamente com o produto, acabam influenciando seu custo final. Entre as vantagens do método está o fato de ele ser aderente aos princípios fundamentais da contabilidade nacional e às leis tributárias vigentes no território brasileiro. Outra vantagem é que, se aplicado de forma eficiente, tende a ser menos custoso para a sua implantação, pois exclui a necessidade de separação de custos fixos e custos variáveis. Na prática, também é bom para a demonstração do resultado do exercício, uma vez que as descrições e as separações de custos ficam bem explícitas. Podemos dizer que a principal desvantagem dessa forma de custeio está na sua contribuição para a elaboração do preço de venda. Com ela, não se sabe a real margem de contribuição, que é a diferença entre o preço de venda e o custo do produto, o que pode proporcionar um preço de venda menos eficiente e competitivo. Neves e Viceconti (2013) descrevem custeio por absorção como um método de apuração de custos em que se rateiam todos os custos, sejam eles variáveis ou fixos, em cada fase da produção de um produto. Seu custo será absorvido quando for atribuído a um produto ou a uma unidade de produção. Assim, cada um deles terá sua parcela até que o valor aplicado seja fielmente absorvido pelo custo dos produtos vendidos ou pelos estoques finais. Um detalhe importante é que, no custeio por absorção, deve haver separação entre o custo e as despesas, porque as despesas são imediatamente contabilizadas, enquanto somente os custos relativos aos produtos vendidos terão tratamento idêntico. Para entender melhor os conceitos abordados, vamos observar o exemplo a seguir, em que utilizamos o método de custeio por absorção. O exemplo hipotético apresentado aqui corresponde a situações comuns nas companhias. 45 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Exemplo de aplicação Vamos supor que uma fábrica de meias produza dois tipos de meia, uma de cano alto e outra de cano curto. A meia de cano alto gasta R$ 10,00 de matéria‑prima por unidade e é produzida em 20 minutos. A meia de cano curto gasta R$ 8,00 de matéria‑prima e é produzida em 15 minutos. Vamos considerar também que essa indústria produza 10 mil unidades de cada modelo por mês e que seu custo fixo mensal seja de R$ 50.000,00. Antes de calcular o custeio, é necessário ponderar a diferença de tempo de produção de cada modelo para poder fazer a distribuição do custo fixo da empresa de forma mais justa. • Meia de cano alto Tempo de produção unitário = 20 minutos Tempo de produção total = 10.000 pares × 20 minutos = 200.000 minutos • Meia de cano curto Tempo de produção unitário = 15 minutos Tempo de produção total = 10.000 pares × 15 minutos = 150.000 minutos • Tempo total de produção da fábrica (TT) TT = 200.000 minutos (cano alto) + 150.000 minutos (cano curto) TT = 350.000 minutos A relação (RA) entre o tempo de produção da meia de cano alto e o tempo total de produção é: RA = tempo de produção da meia de cano alto = 200.000 minutos = 0,5714 tempo total de produção 350.000 minutos Isso significa que a produção da meia de cano alto consome cerca de 57,14% do tempo total de produção. Isso significa também que a meia de cano curto consome 42,86% do tempo total de produção, pois: RA = tempo de produção da meia de cano curto = 150.000 minutos = 0,4286 tempo total de produção 350.000 minutos Assim, o custo fixo da empresa precisa considerar essas proporções no momento de calcular o custo unitário de cada um desses modelos. 46 Unidade II Com isso, a parte absorvida do custo fixo por cada modelo fica como segue. Custo fixo total = R$ 50.000,00 Custo fixo absorvido pela meia de cano alto = 0,5714 × R$ 50.000,00 = R$ 28.570,00 Custo fixo absorvido pela meia de cano curto = R$ 50.000,00 – R$ 28.570,00 = R$ 21.430,00 Logo, os custos unitários de cada modelo são os mostrados a seguir. • Meia de cano alto Matéria‑prima por unidade = R$ 10,00 Rateio do custo fixo = R$ 28.570,00 ÷ 10.000 = R$ 2,86 Custo unitário = R$ 10 + R$ 2,86 = R$ 12,86 • Meia de cano curto Matéria‑prima por unidade = R$ 8,00 Rateio do custo fixo = R$ 21.430,00 ÷ 10.000 = R$ 2,14 Custo unitário = R$ 8,00 + R$ 2,14 = R$ 10,14 Saiba mais O método de custeio por absorção é um dos métodos que atendem totalmente aos princípios da contabilidadee ao art. 177 da Lei n. 6.404. Conheça essa lei por meio do link a seguir. BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Brasília, 1976. Disponível em: https://bit.ly/3vsHZAp. Acesso em: 25 abr. 2022. Neves e Viceconti (2003) reforçam que, para a correta apuração dos custos pelo método de custeio por absorção, é importante observar estes parâmetros: • separação cuidadosa entre custos e despesas; • apuração do custo dos produtos acabados; 47 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS • apuração do custo dos produtos vendidos; • apropriação dos custos diretos e indiretos (abrange a produção realizada no período). O método de custeio por absorção é o principal método orientado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). É possível compreender o método de custeio por absorção simplesmente como a apuração de custos dos produtos empregados de maneira efetiva, em que os produtos absorvem os custos totais de determinado período de forma direta ou indireta, independentemente de esses custos terem comportamento fixo ou variável em relação ao volume fabricado. Mas será que esse método é o mais completo para uma eficiente tomada de decisão gerencial quando se trata de dados de custos fixos? É o que veremos nas apresentações dos próximos métodos. 4.1.2 Método de custeio variável Em relação ao método de custeio variável, sua principal característica está na apropriação somente dos custos variáveis, pois nele os custos fixos são considerados custos da estrutura de produção, e não custos dos produtos, e portanto não dependem da quantidade vendida. Custeio variável é aquele que muda sistematicamente ao longo do tempo, influenciado por diversas variáveis que interferem no custo de um produto ou serviço. Praticamente toda empresa é organizada e respaldada por um planejamento estratégico no âmbito executivo, elaborado para determinar metas e objetivos em longo prazo, que devem ser acompanhados e revistos periodicamente para que refinamentos necessários sejam realizados, permitindo que ações sejam tomadas com senso de urgência. Em termos de mercado, atribuímos a esse conceito o nome de tomada de decisão, que, dependendo da forma como for realizada, pode afetar positiva ou negativamente os negócios da empresa. De forma efetiva, a relação produto/serviço × preço tende a ser um dos quesitos mais importantes no planejamento estratégico de uma empresa e elemento‑chave para a execução de uma tomada de decisão no que se refere a preços praticados no mercado de atuação, já que o preço é o único composto financeiro que gera efetivamente lucro para a empresa. As empresas cada vez mais buscam formas de melhorar seu desempenho e obter mais lucros, fazer frente à concorrência, eliminar ou reduzir gastos e ter preços competitivos no mercado. Daí, surge a necessidade de aplicar métodos de custeio que possibilitem uma organização mais eficiente e ações mais acertadas na tomada de decisão, para a precificação propriamente dita, para a promoção de produtos e serviços e até mesmo para a fabricação e a venda intensiva desses elementos. Entre os diversos métodos de custeio conhecidos e utilizados no mercado, um dos mais aplicados, principalmente pela indústria e pelo comércio, é o método de custeio variável, conhecido também como método de custeio direto. 48 Unidade II Por ser um método objetivo, é muito aplicado em organizações que buscam gerir seus custos com eficiência, principalmente porque tem associados apenas os custos de fabricação e os custos variáveis (diretos e indiretos). Isso ocorre porque os custos fixos não são avaliados como custos de produção, e sim despesas, uma vez que sempre existirão, mesmo no período em que não houver o chamado processo de produção. Quando nos referimos à gestão estratégica de custos para fins executivos, nem todos os métodos de custeio são realmente eficientes para o processo de tomada de decisão, principalmente no que tange ao sistema de fabricação de produtos de uma companhia fabril. Pelo método de custeio variável, entendemos que os custos fixos não são apropriados aos produtos acabados. Os custos fixos existem para manter a estrutura de produção, e não se referem aos custos da fabricação de um produto em si. Analisemos o seguinte exemplo: como já vimos, o aluguel de um galpão de fábrica existe como custo fixo por um prazo determinado (normalmente o prazo de um contrato de aluguel vigente). O seu custo será o mesmo, independentemente de a empresa fabricar 50, 80 ou 150 unidades de determinado produto, ou até se não produzir nada, pois o aluguel não está atrelado à fabricação do produto, mas à estrutura que a envolve. Mesmo se houver uma grande diversificação de produtos, a situação permanecerá idêntica. Por outro lado, os custos variáveis atrelados ao produto aumentarão ou diminuirão conforme a quantidade produzida. Por esse método, os custos dos produtos incorporam somente valores provenientes da produção, ou seja, custos variáveis, como matéria‑prima, insumos e mão de obra direta. Já os custos fixos, uma vez não incorporados aos custos de produção, são tratados como custos do período e vão direto para o resultado do exercício contábil. Podemos dizer que se trata do método mais utilizado pelas empresas exatamente porque seu cálculo emprega apenas informações relacionadas aos custos variáveis diretos ou indiretos, deixando os custos fixos de fora. Trata‑se de um método bastante eficiente se o objetivo for definir a margem de contribuição ou esclarecer o custo dos produtos. Porém, como desvantagem, os dados apurados não serão úteis a longo prazo e serão inadequados para a correta apuração da contabilidade da empresa. Utilizemos outro exemplo para mostrar o funcionamento do método de custeio variável. Exemplo de aplicação Na tabela a seguir, observe os números de uma fábrica de roupas em que dois itens principais são produzidos: camisetas e camisas. Tabela 1 – Total de produtos vendidos Nome do produto Quantidade Preço unitário Faturado Camiseta 10.000 R$ 8,00 R$ 80.000,00 Camisa 5.000 R$ 12,00 R$ 60.000,00 Total 15.000 R$ 140.000,00 49 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Perceba que o item camisetas tem o menor preço unitário de venda, mas corresponde ao maior faturamento. Já o item camisas tem maior preço, mas corresponde ao menor faturamento e à metade da quantidade vendida de camisetas. Nessa análise, já há indícios de que os custos variáveis do item camisas são maiores do que os custos do item camisetas. A matéria‑prima principal de ambos os itens é o tecido (além de outros insumos, como linha e botão). Aqui, o principal fator é saber a real quantidade usada na fabricação dos dois itens, e não o que foi comprado em grande escala de matéria‑prima e de insumos. O mais importante é se certificar da quantidade utilizada de tecido para produzir ambos os itens. Note que é possível chegar ao custo variável unitário de cada produto se conhecermos o preço da matéria‑prima e a quantidade consumida. Somando os custos unitários de cada matéria‑prima, obtemos o custo variável do produto. Por fim, multiplicando o custo variável pela quantidade vendida, temos o custo total do produto vendido. Para entender o que foi descrito, observe a tabela a seguir, na qual foram colocados os custos unitários das matérias‑primas. Tabela 2 – Divisão de produtos vendidos Nome do produto Matéria‑prima Consumo Preço da matéria‑prima Custo variável unitário Custo variável Quantidade Custo variável total Camiseta Tecido 1,5 m R$ 2,00/m R$ 3,00 R$ 3,30 10.000 R$ 33.000,00 Linha 3 m R$ 0,10/m R$ 0,30 Camisa Tecido 2 m R$ 2,00/m R$ 4,00 R$ 6,50 5.000 R$ 32.500,00Linha 5 m R$ 0,10/m R$ 0,50 Botão 10 unidades R$ 0,20/unidade R$ 2,00 Total 15.000 R$ 65.500,00 Para a produção de cada camiseta, necessitamos de 1,5 m de tecido e 3 m de linha, enquanto, para a produção de cada camisa, necessitamos de 2 m de tecido, 5 m de linha e 10 unidades de botão. Sabe‑se que os preços de cada item sãoos resumidos a seguir. • Tecido: R$ 2,00 o metro • Linha: R$ 0,10 o metro • Botão: R$ 0,20 a unidade Com base nesses números, chegamos aos custos variáveis para cada produto, mostrados a seguir e constantes da antepenúltima coluna da tabela anterior. • Camiseta: R$ 3,30 • Camisa: R$ 6,50 50 Unidade II Na tabela anterior, vemos o cálculo do custo total dos produtos vendidos, que foram 10.000 camisetas e 5.000 camisas, chegando aos montantes de custo variável total de R$ 33.000,00 e de R$ 32.500,00, respectivamente, acumulando o total geral de custos de R$ 65.500,00. Com os dados da tabela de vendas (tabela 1), conseguimos obter o lucro bruto e avaliar a diferença, que está mostrada na tabela a seguir. Tabela 3 – Total de produtos vendidos Nome do produto Quantidade Faturado Custo Margem de contribuição Camiseta 10.000 R$ 80.000,00 R$ 33.000,00 R$ 47.000,00 Camisa 5.000 R$ 60.000,00 R$ 32.500,00 R$ 27.500,00 Total 15.000 R$ 140.000,00 R$ 65.500,00 R$ 74.500,00 E se usássemos o método de custeio por absorção, como ficaria o cálculo? É importante relembrar neste momento que, no método de custeio por absorção, os custos fixos (que incidem no custo, independentemente de os produtos serem fabricados ou não) são absorvidos no custo final de cada produto vendido. Para o exemplo que está sendo usado, vamos considerar que: • os custos fixos sejam advindos de aluguel e de mão de obra direta; • o aluguel mensal seja de R$ 15.000,00; • a mão de obra custe R$ 9.000,00 por mês. Assim, temos o que é apresentado na tabela a seguir. Tabela 4 – Total de custos fixos Item Valor Aluguel R$ 15.000,00 Mão de obra R$ 9.000,00 Total R$ 24.000,00 Antes de tudo, para realizar esse cálculo, definiremos um indicador de custos fixos que mostrará como cada produto vendido absorve o pagamento de parte do custo. Utilizaremos o tempo de produção como indicador, considerando que cada camiseta levaria 20 minutos para ser fabricada e que cada camisa levaria 25 minutos para ser fabricada. Realizando um cálculo de multiplicação para determinar o tempo total utilizado na produção das camisetas e das camisas, temos o que segue. 51 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS • Tempo para fabricar as camisetas 10.000 × 20 minutos = 200.000 minutos • Tempo para fabricar as camisas 5.000 × 25 minutos = 125.000 minutos • Tempo total para fabricar as camisetas e as camisas 125.000 minutos + 200.000 minutos = 325.000 minutos As proporções de tempo usadas para cada produto são as calculadas a seguir. • Camisetas 200.000 minutos = 0,6154 3.250.000 minutos • Camisas 125.000 minutos = 0,3846 3.250.000 minutos Com esses dados, podemos construir a tabela a seguir. Tabela 5 – Tabela de custos Nome do produto Tempo de produção unitário Tempo de produção total Valor absorvido total Valor unitário absorvido Percentual Camiseta 20 minutos 200.000 minutos R$ 24.000,00 × 0,6154 = R$ 14.769,60 R$ 14.769,60 ÷ 10.000 = R$ 1,47 61,54% Camisa 25 minutos 125.000 minutos R$ 24.000,00 × 0,3846 = R$ 9.230,40 R$ 9.230,40 ÷ 5.000 = R$ 1,84 38,46% Total 325.000 minutos R$ 24.000,00 100% Com esses valores, os custos finais unitários de cada produto ficam como mostrado a seguir. • Camiseta R$ 3,30 + R$ 1,47 = R$ 4,77 • Camisa R$ 6,50 + R$ 1,84 = R$ 8,34 52 Unidade II Perceba que o valor final do custo obtido pelo método de custeio variável é diferente do custo obtido pelo método de custeio de absorção. Por isso é tão importante a escolha correta do sistema de custeio, porque há impacto direto no preço final do produto. Em geral, cálculos são realizados sistemicamente, e é imprescindível que os responsáveis pelos cálculos, pela avaliação e pela apresentação de resultados compreendam bem a origem de cada valor, para que, dessa forma, a melhor decisão seja tomada. O método de custeio variável tem destaque na gestão estratégica de custos, e seu uso é muito apreciado pela indústria, pelo comércio e pelos serviços, por ser bem formatado e permitir o levantamento e a separação de custos com riqueza de detalhes. Mas há outros métodos utilizados com eficácia também por gestores de custos, como veremos a seguir. Lembrete Contabilidade é o conhecimento dedicado à compreensão dos números financeiros das empresas. Todos os métodos conhecidos devem ser administrados pelo departamento contábil. 4.1.3 Método de custeio ABC Um dos mais tradicionais e apreciados por gestores e empresas, o método de custeio ABC (activity‑based costing), ou método de custeio por atividade, é considerado por muitos autores e analistas contábeis o modelo mais importante em termos de gestão estratégica de custos desde a Terceira Revolução Industrial. Nesse método de gerenciar custos, é possível ter uma visão de custo de forma horizontal, ao contrário de muitos outros métodos, que proporcionam algo basicamente vertical (por departamentos ou áreas) e não permitem que se vejam os custos em detalhes. Na prática, esse método possibilita custear as atividades‑chave, ver aquelas que não agregam valor, criar melhores formas de decisão sobre o que não traz valor nenhum ao negócio, além de gerenciar melhor onde os custos podem ser alterados e melhorados. É um modelo completo, estratégico para o gerenciamento de custos e muito importante para a conquista dos objetivos da organização e para a redução de custos. Saiba mais A Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Informacional ou Indústria 3.0, começou em meados do século XX, momento em que a eletrônica apareceu como verdadeira modernização da indústria. Leia mais a respeito na indicação a seguir. BEZERRA, J. Terceira Revolução Industrial. Toda Matéria, 2019. Disponível em: https://bit.ly/39jAJy1. Acesso em: 25 abr. 2022. 53 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Ao longo dos anos, mais precisamente entre as décadas de 1980 e 1990, as estruturas operacionais das organizações se modernizaram, a fim de proporcionar maneiras mais eficientes de as empresas sobressaírem no modelo competitivo mundial imposto. Surgiram novos modelos de processo, novas ferramentas, tecnologias mais avançadas e agregadas aos novos conhecimentos adquiridos, e novas filosofias de trabalho. Em tempos anteriores, os custos principais das empresas se baseavam em matéria‑prima, insumos e mão de obra, os quais, em função dos controles, eram considerados custos diretos, agregados diretamente ao produto. Esse modelo permitia que gestores tivessem informações suficientes para tomar decisões baseadas na representatividade direta dos seus valores nos resultados da empresa, já que os custos não eram significativamente afetados pelos custos indiretos e não tinham grande representatividade contábil como os custos diretos. Quando começaram a surgir nas empresas novos conhecimentos, métodos, ferramentas e tecnologias, acompanhados por novas culturas e filosofias de trabalho, os ditos custos indiretos passaram a ter relevância na gestão de custos e na formação de preços dos produtos, obtendo um grau de importância igual ao dos custos diretos. Surgiram, então, técnicas de custeio que satisfaziam as novas necessidades informacionais de gestores e administradores. Tais técnicas eram baseadas no levantamento detalhado dos custos diretos e indiretos associados a um produto ou a um serviço (que, com a explosão da tecnologia, começaram a ser oferecidos de forma exponencial). O método de custeio ABC está relacionado às atividades da empresa, e não aos produtos ou aos serviços propriamente ditos. Ou seja, nesse método, os gastos de um empreendimento estão vinculados à forma como as mercadorias são fabricadas, e não ao que é produzido. Em linhas gerais, os recursos são utilizados pelas atividades empreendidas, e os produtos/serviços resultam das atividades que esses recursos demandam. Vamos tomar como exemplo uma indústria de peças automotivas que, além das atividades de venda, exerce algumas outras atividades de produção,como o recondicionamento de peças usadas e a montagem. Com o sistema de custeio ABC, é possível mensurar o quanto dessas atividades é usado na fabricação das peças. O objetivo do método é agregar custos indiretos às atividades correlacionadas, pois são geradoras de custos. Dessa maneira, todo custo indireto é direcionado a essas respectivas atividades, gerando o valor que melhor representa as formas de consumo desses recursos e incluindo‑o nos produtos e serviços, ou demais objetos de custeio. É um procedimento que envolve várias etapas e uma gestão significativa e eficiente do processo. 54 Unidade II Trata‑se de um método para identificar tudo o que está vinculado com os custos, uma vez que possibilita medir as despesas e os gastos indiretos. Reforçamos que a empresa necessita ter um forte padrão de processos e objetivos a curto, médio e longo prazo. Esse método propõe que os custos devem ser absorvidos por atividades executadas, consumidas pelos produtos e serviços gerados. Tal ação possibilita rastrear com maior grau de assertividade, por meio da análise das atividades, os custos indiretos e todas as despesas geradas no processo. Possibilita também relacionar as atividades com o consumo de recursos necessários e impede, por outro lado, o rateio arbitrário dos custos indiretos, permitindo a identificação dos efetivos causadores de custos. O método ABC é considerado um aperfeiçoamento dos métodos mais tradicionais, justamente porque foi pensado e desenvolvido para suprir as necessidades dos gestores, por ter dados mais detalhados, principalmente a partir da verificação do aumento da participação dos custos indiretos na composição dos custos totais e do aumento da diversificação dos produtos, serviços e processos. Além disso, fazer o cálculo de custos nos modelos mais tradicionais não satisfazia os anseios da gestão de negócios, nem pela informação para a tomada de decisão, nem pela eficiência nos processos organizacionais. Como desvantagem, esse método de custeio só pode ser usado para a melhoria de processos, para o controle gerencial e para a prestação de contas, uma vez que não é aceito como válido pela legislação societária e fiscal. Exemplo de aplicação Retomemos o exemplo apresentado no método anterior, em que usamos a fábrica de roupa. Observamos ali que a produção requer algumas atividades comuns: corte e costura, compra de materiais etc. Pelo método ABC, é possível identificar também o valor total dos custos de compra de material para a fabricação dos produtos, detalhando melhor esses gastos. Considerando que foi vendida toda a produção de camisas e camisetas, na tabela a seguir observamos as seguintes colunas descritivas: • nome do produto; • produção mensal; • preço unitário; • total das vendas. 55 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Tabela 6 – Produtos Nome do produto Produção mensal Preço unitário Total das vendas Camiseta 10.000 R$ 8,00 R$ 80.000,00 Camisa 5.000 R$ 12,00 R$ 60.000,00 A próxima etapa é verificar os custos diretos das camisetas e das camisas, que estão apresentados na tabela a seguir. Tabela 7 – Custos diretos Custos diretos por unidades Camiseta Camisa Tecido R$ 3,00 R$ 4,00 Linha R$ 0,30 R$ 0,50 Botão R$ 2,00 Total por unidade R$ 3,30 R$ 6,50 Na etapa seguinte, identificamos e quantificamos todas as despesas relacionadas aos custos indiretos. Tabela 8 – Custos indiretos Custos indiretos + despesas Aluguel R$ 15.000,00 Material de consumo R$ 10.000,00 Despesas com vendas R$ 8.000,00 Total R$ 33.000,00 Enfim, executamos os procedimentos do método ABC, da maneira mostrada a seguir. Primeira etapa: identificação Identificam‑se as mais importantes atividades em cada setor/área/departamento, como as mostradas no quadro a seguir. Quadro 2 – Identificação de atividades Departamento Atividade Compras Comprar os materiais Corte e Costura Cortar e costurar 56 Unidade II Segunda etapa: atribuição Os custos devem ser atribuídos para cada atividade identificada na etapa anterior, como apresentado na tabela a seguir. Tabela 9 – Atribuição de custos Departamento Atividade Custos indiretos + despesas Compras Comprar os materiais R$ 13.000,00 Corte e Costura Cortar e costurar R$ 20.000,00 Total R$ 33.000,00 Devemos observar que os custos indiretos foram distribuídos entre as duas atividades de maneira que o total não sofra alteração. Terceira etapa: definição de direcionadores O primeiro passo é definir e verificar os direcionadores de cada atividade, conforme mostrado no quadro a seguir. Quadro 3 – Direcionadores Departamento Atividade Direcionador Compras Comprar os materiais Número de pedidos Corte e Costura Cortar e costurar Tempo de corte e costura O segundo passo é realizar o levantamento da quantidade de direcionadores de cada um dos produtos listados, conforme apresenta a tabela a seguir. Tabela 10 – Quantidade de direcionadores Direcionador Camiseta Camisa Total Número de pedidos 100 unidades 150 unidades 250 unidades Tempo de corte e costura 1.500 horas 2.000 horas 3.500 horas Existem dois tipos de direcionador: o direcionador de recursos, que identifica como as atividades consomem recursos e atividades, permitindo definir custo; e o direcionador de atividades, que identifica como os objetos de custeio consomem atividades, permitindo definir custo. Quarta etapa: separação Esta etapa consiste em separar o custo de cada atividade conforme seus direcionadores. Veja as tabelas a seguir. 57 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Tabela 11 – Direcionador de pedidos Comprar os materiais Custo total R$ 13.000,00 Direcionador: número de pedidos Camiseta Camisa Total Número de pedidos 100 150 250 Proporção (n. de pedidos ÷ total de pedidos) × 100% 100 ÷ 250 = 0,4 × 100% = 40% 150 ÷ 250 = 0,6 × 100% = 60% 100% Custo de comprar os materiais 40% de R$ 13.000 = R$ 5.200,00 60% de R$ 13.000 = R$ 7.800,00 R$ 13.000,00 Tabela 12 – Direcionador de tempo Cortar e costurar Custo total R$ 20.000,00 Direcionador: tempo de corte e costura Camiseta Camisa Total Tempo dos pedidos 1.500 horas 2.000 horas 3.500 horas Proporção (tempo dos pedidos ÷ tempo total) × 100% 1.500 ÷ 3.500 = 0,4285 × 100% = 42,85% 2.000 ÷ 3.500 = 0,5715 × 100% = 57,15% 100% Custo de comprar os materiais 42,85% de 20.000 = R$ 8.570,00 57,15% de 20.000 = R$ 11.430,00 R$ 20.000,00 Quinta etapa: demonstração Agrupam‑se todos os custos diretos e indiretos de produção e englobam‑se os valores definidos por atividade. Temos como resultado a distribuição de valores conforme o método ABC prega. Tabela 13 – Resultado final: método ABC Camiseta Camisa Total Receita de vendas R$ 80.000,00 R$ 60.000,00 R$ 140.000,00 (–) Tecido, linha e botão –R$ 33.000,00 –R$ 65.000,00 –R$ 98.000,00 (–) Comprar os materiais –R$ 5.200,00 –R$ 7.800,00 –R$ 13.000,00 (–) Cortar e costurar –R$ 8.570,00 –R$ 11.430,00 –R$ 20.000,00 (=) Resultado antes do imposto de renda R$ 33.230,00 –R$ 24.230,00 R$ 9.000,00 No exemplo mostrado, foi utilizado o conceito financeiro de calcular os valores antes do imposto de renda (IR) para fins gerenciais de custos. 58 Unidade II O método ABC é realmente uma ferramenta importante para custear as atividades‑chave e conhecer como e onde estamos gastando nossos recursos financeiros, pois temos informações mais completas para isso. Como é uma ferramenta estratégica, a sua aplicação pode ser realizada a cada seis meses e aprimorada. Saiba mais Para saber mais sobre o método ABC e fazer a comparação com outros métodos de custeio, veja a indicação a seguir. FERNANDES, D. P. Veja como usar 3 métodos de custeio diferentes para calcular os custos de produção. Treasy, 30 abr. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3Oy1Q87. Acesso em: 25 abr. 2022. Vejamos algumas vantagens e desvantagens do custeio ABC. No mapeamento de atividades de uma área, podemos agrupá‑las em três classes distintas: • atividades que agregam valor e que impactampositivamente os consumidores, como o acabamento superficial de um produto; • atividades que não agregam valor, mas que são obrigatórias ou necessárias para a continuidade do negócio da empresa, como os registros contábeis; • atividades que não agregam valor e são quase sempre desnecessárias, como retrabalhos e controles inúteis. Finalizadas as etapas de identificação das atividades, os administradores devem priorizar as atividades que mais agregam valor ao consumidor e mitigar as atividades que geram custos mais altos aos produtos e serviços, objetivando, principalmente, a redução gradativa de custos. As principais desvantagens são a não aceitação dos seus valores para demonstrações fiscais e contábeis e a não segregação dos custos fixos (apropriados aos objetos de custeio), semelhantes às desvantagens do método por absorção. 4.1.4 Método de custeio padrão O método de custeio padrão é aquele que, em linha gerais, consegue realizar um planejamento de custo antes da fabricação de um produto. Nele, é feito um tipo de antecipação do custo, ou seja, é determinada uma margem de gastos antes de realmente termos certeza de que gastos serão esses. Sua utilização é mais indicada em empresas que fabricam produtos personalizados e sob encomenda, com especificações mais incomuns e geralmente com fabricação em baixa escala. 59 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Esse método pode ser aplicado quando o produto entra em processo de fabricação, já que seu cálculo se dá especificamente nas condições normais de operação da companhia. É muito eficiente para definir o valor ideal de gasto de uma empresa. Todavia, por ser uma técnica que não se baseia nas aplicações reais, pode não ajudar a companhia a aperfeiçoar a gestão de seus custos nem auxiliar de maneira tão eficaz na tomada de decisão gerencial. Falar de custo padrão é definir o custo que se pode determinar e atingir levando em conta eventuais imperfeições das condições ambientais, empresariais e de mercado, as quais, muitas vezes, são voláteis e instáveis e atrapalham o alcance desses objetivos. Observação O conceito de mercado é muito mais amplo do que se pode pensar. Originário de locais onde pudesse ser feito qualquer tipo de troca entre alimentos e objetos (que podem ou não envolver o objeto financeiro chamado de moeda) a fim de satisfazer a contraparte, o mercado é considerado, no mundo atual, qualquer lugar, tanto físico quanto virtual, onde se realiza todo tipo de negociação imaginável. Temos diversos tipos de mercado, como mercado financeiro, mercado de ações, mercado de carros e mercado imobiliário. O custo padrão não deve ser visto como custo ideal nem como custo estimado, conforme explicado a seguir. • Custo ideal: é o custo resultante de uma produção realizada nas condições ideais de operação. • Custo estimado: é uma previsão baseada em produções passadas que, no presente, sofreram reajustes reais. O custo padrão precisa, obrigatoriamente, refletir as melhores condições de eficiência em tempo de produção. Em seu cálculo, é necessário considerar metas de eficiência e de produtividade no uso e consumo de matérias‑primas, no emprego de esforço humano, na tecnologia e na estrutura e equipamentos da companhia. Vejamos, como exemplo, um restaurante que serve almoço em determinada faixa de horário. Para produzir qualquer prato do cardápio e satisfazer um afoito e faminto cliente, é fundamental: • separar ingredientes específicos (como carne, feijão, arroz, legumes, hortaliças e ovos); • considerar o esforço da mão de obra envolvida direta e indiretamente (como o cozinheiro, o garçom, o caixa e até o manobrista); • ter instrumentos ou equipamentos de trabalho (como liquidificador, fogão e forno) e material de apoio específico (como batedor de carne, eletricidade e gás). 60 Unidade II O restaurante em que o atendimento é ineficiente, o tempo de preparo de um prato é alto e a comida é de qualidade duvidosa acaba gerando um alto custo para o negócio, o que torna seu preço menos competitivo em relação ao preço da concorrência. 4.1.5 Método de custeio UEP O método de custeio UEP (unidade de esforço de produção), tem maior aplicação no ambiente fabril, pois sua lógica de uso busca a simplificação das métricas de produção, possibilitando que diferentes itens produzidos sejam contabilizados por um critério único. Talvez sua principal vantagem seja a eficiência em descomplicar a avaliação da capacidade produtiva da companhia e a real rentabilidade dos seus maquinários. Sua principal desvantagem é que apenas serve para aferir custos de produção. Na aplicação desse modelo, é possível obter: • perfeita contabilização dos custos de fabricação, o que permite eliminar incorreções na distribuição desses custos; • análise precisa da capacidade produtiva da empresa, com a identificação de erros e incorreções no processo de produção, o que possibilita tomar decisões mais acertadas de investimento, como o lançamento de um novo produto ou a compra de um novo maquinário; • indicadores mais precisos, que são informações e dados detalhados acerca da produção; • aumento real das receitas em consequência do conhecimento dos dados e das informações sobre sua capacidade produtiva, sobre a redução de custos e sobre a possibilidade de mitigação de ociosidades de produção; • maximização da produção e expansão do mix de produtos, o que permite o lançamento eficiente de novos e melhores produtos no menor tempo possível. Em linhas gerais, esse modelo de custeio aplica uma forma de unidade específica (certo dado) para gerar o cálculo de produção. Em sua lógica, o método UEP consegue unir produtos de diversas origens e mensurá‑los por algo que tenham em comum. De modo prático, podemos dizer que o modelo usa o mesmo parâmetro (certo dado) para definir os custos, possibilitando uma interpretação mais profusa das atividades produtivas do negócio. Por meio desse parâmetro, aferimos com exatidão o gasto real de cada unidade de operação, o custo de fabricação de cada produto, o custo das atividades diretas e indiretas e todo o esforço exigido para a fabricação. A principal compreensão desse modelo é que, se toda a produção estiver centralizada em um único parâmetro, o custo de produção por unidade será o mesmo para todos os produtos fabricados. Portanto, não há desigualdade se o produto estiver evidenciado em litros, quilogramas ou em qualquer outra unidade de medida, já que, para a aferição de custeio, todos os produtos são calculados pelo esforço de produção empregado na fabricação de cada um deles. Um suposto produto que exigir maior 61 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS esforço de fabricação absorverá maior parte dos custos indiretos incorridos em determinado período. O cálculo do modelo analisa criteriosamente os itens básicos do esforço empregados (máquinas e homens), registrando e avaliando detalhes dos valores captados durante a mensuração. Para o estabelecimento do processo de uso do custeio UEP, é necessário estabelecer e aplicar cinco procedimentos distintos: • divisão da fábrica em unidades de operação; • cálculo dos indicadores de custos, definindo os custos‑horários das unidades de operação; • escolha do produto‑base, que pode ser um produto ou uma seleção de produtos; • cálculo dos potenciais produtivos de um indicador ou de vários indicadores; • determinação da equivalência dos produtos, os quais, ao ingressarem nas unidades de operação, realizam a absorção dos esforços de produção. É comum referenciar no UEP o emprego de três indicadores principais, conforme segue. • Indicador de produtividade: obtido com a fabricação do período dividida por um insumo ou mais insumos. • Indicador de eficiência: representa o nível de produção alcançado comparado com a produção obtida no período de expediente. • Indicador de eficácia: integra‑se com a eficiência e é calculado comparando‑se a produção real com a produção estimada, que deveria ser alcançadano período estabelecido. Apesar da sua forma lúdica, eficiente e simples, é importante frisar que o sistema UEP tem tido sucesso e aplicabilidade no setor de produção; já no setor de serviços, sua forma de operacionalizar não tem sido tão aceita e, por isso, acaba não sendo um dos mais populares entre os métodos de custeio. Há autores que descrevem algumas ineficiências nesse sistema, como a dificuldade na identificação das melhorias (que, muitas vezes, acabam não surtindo tanto efeito), a dificuldade na tratativa de desperdícios e a dificuldade na análise certeira dos gastos. Nos dias atuais, com tecnologias mais modernas de medição e análise, esse método vem sendo aplicado de forma cada vez mais eficaz na indústria. Outra desvantagem a ser citada é que o sistema não considera as despesas administrativas (somente considera as despesas correlatas ao processo produtivo). Muitas indústrias utilizam esse modelo para os custos que envolvem apenas estruturas de estoque. Em companhias onde são desenvolvidas melhorias contínuas nos processos de produção, que necessitam constantemente de revisões, principalmente nos cálculos do custeio, o método UEP pode ser um modelo inviável, o que faz que muitas empresas optem por métodos mais aderentes ao negócio. 62 Unidade II Dessa maneira, o método de custeio UEP tem sido usado de forma mais híbrida (unindo‑se a outros modelos para atender a outras situações) por empresas do setor industrial e muito pouco pelos setores de vendas e serviços, já que sua aplicação não atende à realidade desses dois setores. 4.1.6 Custo da qualidade: método da qualidade total Um dos principais aspectos empregados como referência para qualquer metodologia de gestão estratégica de custos está relacionado ao processo empresarial denominado custo da qualidade, que precisa obrigatoriamente fazer parte de qualquer estratégia, independentemente das técnicas de custeio utilizadas. Isso porque se entende que a qualidade é item elementar na fabricação de qualquer produto ou na execução de qualquer serviço. Muitas organizações baseiam‑se em programas de qualidade total na fabricação de produtos ou na criação de serviços, em que todos os processos seguem rigorosas avaliações para atingir alto grau de qualidade, além de evitar tempo gasto em retrabalho, perda por má qualidade ou desperdício de todo tipo. Na relação direta entre custo, tempo e qualidade, encontramos os pilares de uma gestão estratégica de custos. A atenção especial a essas três entidades permite que alcancemos um resultado eficiente em qualquer modelo de negócio. Em outras palavras, uma empresa que tem níveis altos de excelência em qualidade e eficiência no recurso chamado de tempo poderá atingir excelentes resultados em termos de custos de fabricação e venda de produtos ou serviços, o que resulta em alta performance competitiva. Nos programas de qualidade total (total quality) implantados por diversas empresas, o que se busca obter é a qualidade máxima nas atividades internas e externas, como mostrado a seguir. • Processos: aumento da velocidade das atividades ou das ações da empresa. • Mão de obra: conscientização e qualificação dos profissionais envolvidos direta e indiretamente para executarem com máxima eficiência suas atividades. • Informação: qualidade dos dados para que eles sejam utilizados inteligentemente, tendo a tecnologia da informação como componente principal, o que dará a executivos e gestores melhores condições para fazer eficientes tomadas de decisão e avaliações do mercado e para vislumbrar oportunidades futuras. • Matéria‑prima/insumos: busca qualitativa de itens de fabricação e substituição qualificada, quando necessário. • Tecnologia: máquinas e equipamentos de alta precisão e máxima eficiência na produção. • Nível de serviço: ações que qualificam o nível de serviço devem ser entregues ao cliente juntamente com o produto para proporcionar satisfação ao cliente. 63 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Além de tudo isso, para nos certificarmos de que os resultados vêm sendo de fato sistemicamente melhorados ou para verificarmos quais medidas devem ser tomadas para eliminar possíveis gargalos que impactam diretamente o custo, a qualidade deve ser sempre avaliada na gestão estratégica de custos. A qualidade também entra como um item de custeio de qualquer organização moderna. Devemos lembrar que a redução de custos é sempre o objetivo central de um programa de qualidade total, já que, sem dúvida, esse será o principal processo sistêmico pelo qual a empresa poderá atingir eficientemente as metas de qualidade, tempo e custo. É importante destacar o papel do controller, ou controlador de qualidade e custos (perfil profissional responsável pela qualidade e, muitas vezes, pela gestão de custos da empresa), que acompanha e gerencia todo o programa, desde sua implantação até sua execução ativa, verificando pontos de atenção e buscando melhorias constantes para o sucesso do negócio. 4.2 Exemplos para a fixação do conteúdo A seguir, apresentamos dois exemplos para fixar o conteúdo visto até o momento. Exemplo de aplicação Exemplo 1 Leia o texto a seguir. O custeio por absorção é um sistema elaborado a partir da aplicação dos conceitos básicos da contabilidade e que consiste na apropriação de todos os custos de produção aos produtos desenvolvidos, assim como todos os demais gastos relativos ao esforço aplicado na produção (MARTINS, 2003). Esse método implica a separação de custos e despesas e, consequentemente, a apropriação dos custos indiretos, por meio de rateio, aos produtos, bem como seus custos diretos (KAPLAN; COOPER, 1998). Dessa forma, vale destacar que o custeio por absorção reconhece todos os custos de produção como despesas somente no momento da venda, demonstrando de forma mais apropriada a relação da receita com a despesa, na apuração do resultado. Disponível em: https://bit.ly/3b57cDN. Acesso em: 25 abr. 2022. Com base ne leitura e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas. I – O método de custeio por absorção é superior aos demais no que diz respeito à forma de rateio. II – O método de custeio por absorção permite a observação de custo por departamentos. III – A predileção pelo método de custeio por absorção acontece porque os custos individuais dos produtos são construídos, ou seja, não há elevações artificiais. 64 Unidade II É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) I e II, apenas. C) II e III, apenas. D) II, apenas. E) I, II e III. Resolução Vamos examinar cada uma das afirmativas. A afirmativa I é incorreta. Como o método de custeio por absorção poder ser com ou sem departamentalização, ele é bastante questionado pela arbitrariedade do rateio dos custos indiretos. A afirmativa II é correta. No método de custeio por absorção, os custos de um setor ou de um departamento são determinados e rateados pelos produtos que nele são produzidos. A afirmativa III é incorreta. No método de custeio por absorção, o rateio de custos indiretos é fonte de majoração “artificial” dos custos individuais dos bens e serviços. Assim, a alternativa correta é a letra D. Exemplo 2 Leia o texto a seguir. [Esse método] mensura os custos de transformação e aponta as fraquezas do processo de produção. Com as informações desse método, é possível melhorar o processo produtivo, corrigir as deficiências de produção, tornar o produto mais competitivo no mercado e, consequentemente, obter maior lucratividade nas operações. A utilização [desse método de custeio] destaca‑se nas empresas, pois é muito vantajosa na tomada de decisão, uma vez que: • identifica cada etapa do processo produtivo; • mensura os custos de transformação dos produtos; • aponta os gargalos de produção; • evidencia a capacidade produtiva; 65 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS • minimiza distorções de rateios arbitrários; • serve como base para decisões estratégicas. Disponível em: https://bit.ly/2IO51Zs. Acesso em:25 abr. 2022. A descrição anterior faz referência a qual método de custeio? A) Método de custeio ABC. B) Método de custeio UEP. C) Método de custeio por absorção. D) Método de custeio variável. E) Método de custeio padrão. Resolução Vamos examinar cada uma das alternativas. A alternativa A é incorreta. O método de custeio ABC organiza os custos por atividade produtiva, e não por tipo de produto. A alternativa B é correta. O pressuposto básico do método de custeio UEP é que o principal produto da empresa é o esforço despendido nos processos produtivos. Por esse motivo, podemos identificar os gargalos produtivos e a capacidade ociosa da indústria. A alternativa C é incorreta. O método de custeio por absorção não aponta as fraquezas do processo produtivo. A alternativa D é incorreta. No método de custeio variável, os gestores preocupam‑se com os custos diretamente ligados ao processo produtivo. Assim, esse método não é tão completo quanto o método UEP para a tomada de decisões estratégicas. A alternativa E é incorreta. Os gargalos de produção não são tema do método de custeio padrão. 66 Unidade II Resumo Nesta unidade, pudemos acompanhar os principais métodos de custeio utilizados por organizações em geral, dos setores industrial, comercial ou de serviços. Esses métodos são: • método de custeio por absorção; • método de custeio variável; • método de custeio ABC; • método de custeio UEP; • método de custeio padrão. Verificamos a importância de a empresa ter um sistema de custeio com um processo bem definido, independentemente da tecnologia, do conhecimento ou da maturidade da organização. O fator gestão de custos é o principal elemento que permite que uma empresa vença a concorrência e satisfaça um público cada vez mais exigente e cheio de opções. É do elemento chamado custo que nasce a formação de preço. A verdade é que não existe preço competitivo sem uma excelente gestão de custos. Vimos que as companhias, independentemente do tamanho e do mercado em que estão inseridas, tendem a optar por modelos, sistemas, processos e métodos que se adaptem às necessidades cada vez mais dinâmicas e complexas da sociedade, com a intenção de atender a consumidores cada vez mais personificados. A grande concorrência globalizada também força as empresas a encontrar formas mais eficientes de gerir seus negócios e, principalmente, a gerenciar seus custos de maneira criteriosa e responsável. Também vimos que não há exatamente um melhor método de custeio; há, sim, aquele que mais se adapta à realidade de determinada empresa, já que, com suas especificações, cada um dos métodos atende a importantes e diferentes necessidades. 67 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Os dados gerados e administrados em cada um dos métodos acabam muitas vezes sendo complementares e fornecem as informações necessárias para uma correta tomada de decisão pelo controlador financeiro. No método do custeio por absorção, por exemplo, toda a organização atende aos conceitos fundamentais da contabilidade e aos critérios da legislação fiscal do país, gerando, por fim, importantes demonstrativos contábeis. No método de custeio variável, a companhia passa a ter informações significativas para a tomada de decisão. O método de custeio ABC oferece ampla visualização das atividades e aponta o que pode ser melhorado, reestruturado, mitigado e até eliminado, no intuito de melhorar a força competitiva de uma organização. Um sistema de custeio não pode apenas precificar um produto, mas deve fazê‑lo em conjunto com outras áreas. É dessa maneira que as companhias decidem cada vez mais por centralizar e intensificar ações eficientes na determinação de custos. Por fim, exploramos a importante questão da qualidade e o papel de destaque que ela representa na gestão estratégica de custos e na fomentação de processos que possibilitam máxima eficiência administrativa com menos custos em sua aplicação. Um programa de qualidade total engloba as principais atividades da empresa, fortifica seus métodos de trabalho, auxilia na conquista das metas e ajuda no posicionamento da empresa no mercado em que atua e na busca contínua de crescimento e competitividade. 68 Unidade II Exercícios Questão 1. (Enade 2012) Leia o texto a seguir. O método de custeio por absorção, também chamado de custeio integral, foi derivado de um sistema desenvolvido na Alemanha no início do século XX, conhecido como RKW (Reichskuratorium für Wirtschaftlichkeit). O método consiste na apuração dos custos totais, fixos e variáveis, por unidade de produto ou serviço prestado. Alguns desses custos são efetivamente desembolsáveis, e outros, chamados de fictícios, não são desembolsáveis, porque não geram efetiva saída de caixa. Adaptado de: https://bit.ly/3n6vyFq. Acesso em: 25 abr. 2022. Suponha que um fabricante produz e vende, mensalmente, 100 unidades de um único produto, cujo custo de matéria‑prima é de R$ 10,00 por unidade produzida. A empresa apresenta custos mensais de R$ 700,00 com mão de obra fixa, além de R$ 200,00/mês com depreciação de equipamentos. Nessa situação, o custo unitário efetivamente desembolsável do produto é de: A) R$ 19,00. B) R$ 17,00. C) R$ 12,00. D) R$ 10,00. E) R$ 9,00. Resposta correta: alternativa B. Análise da questão Para a resolução da questão, vamos considerar os valores a seguir. Tabela 14 Custos desembolsáveis Matéria‑prima R$ 10,00/unidade × 100 unidades R$ 1.000,00 Mão de obra fixa R$ 700,00 Total R$ 1.700,00 Dividindo‑se o total dos custos desembolsáveis pela quantidade produzida e vendida mensalmente, o custo unitário efetivamente desembolsável é de R$ 17,00. Ou seja, fizemos o seguinte cálculo: R$ 1.700,00 ÷ 100 unidades = R$ 17,00. 69 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Questão 2. (Enade 2012) O custeio variável fundamenta‑se na ideia de que custos e despesas apuráveis por esse método são aqueles identificados diretamente com a atividade produtiva e vendas que sejam variáveis em relação ao volume produzido e vendido. Custos fixos e despesas fixas, que variam apenas em função do nível da capacidade instalada da empresa, são gastos incorridos e considerados apenas na demonstração do resultado do exercício (DRE) gerencial. Na preparação da DRE gerencial, são variáveis os gastos com: A) Depreciação de equipamentos produtivos. B) Matérias‑primas utilizadas na produção. C) Encargos sociais da mão de obra fixa. D) Honorários da diretoria da empresa. E) Aluguéis de imóveis. Resposta correta: alternativa B. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: a depreciação de ativos destinados à manutenção das atividades da empresa permanece constante até o final da vida útil desses ativos. B) Alternativa correta. Justificativa: os gastos com matérias‑primas variam conforme o volume de produção no mês. C) Alternativa incorreta. Justificativa: sobre a parte fixa do salário dos funcionários, os encargos sociais são os mesmos, independentemente do volume de produção no mês. D) Alternativa incorreta. Justificativa: os honorários da diretoria não são alterados em função da produção ocorrida no mês. E) Alternativa incorreta. Justificativa: o valor do aluguel da empresa não é alterado em função da produção ocorrida no mês. 70 Unidade III Unidade III 5 INTRODUÇÃO À FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA A partir de agora, veremos o processo de formação do preço de venda de um produto ou de um serviço, que é a forma mais direta de empresas com fins comerciais obterem lucro. Foi explicado, anteriormente, como deve ser um processo de gestão estratégica de custos e quais são suas principais ferramentas. Agora, focalizaremos os critérios de formação de preços, nos seus principais métodos de aplicação e nas ações gerais que precisam ser realizadas para o alcance de um preço que seja, ao mesmo tempo, competitivo e lucrativo. Aqui, consolidamos os esforços para compreender o que é fator preço e quais são as formasde precificação de produtos ou serviços e para entender os fundamentos econômicos que norteiam esse importantíssimo processo empresarial. 5.1 Processo de formação do preço de venda Iniciaremos este tópico com perguntas bastante peculiares. Vejamos. Qual é o preço justo de um imóvel? E de um pacote de arroz? E de um carro, de um serviço de entrega ou de um serviço de TV a cabo? São, em geral, perguntas feitas pelos consumidores em dúvida se realmente estão pagando um preço justo. E, quando dizemos preço justo, pensamos em justo para ambos os lados: tanto para o consumidor (que prioriza o valor e a qualidade) quanto para as empresas (dependentes dos lucros necessários para não encerrarem suas atividades). Nesse sentido, é importante sabermos como os preços se formam. Quais são os fatores e os critérios que definem o preço de um produto ou serviço? São questionamentos feitos por consumidores e usuários de determinada marca e que devem ser analisados pelos executivos e gestores responsáveis das empresas, pelas áreas financeira, comercial ou de marketing e até mesmo por empreendedores, independentemente do tamanho do negócio. Precificação ou formação do preço de venda é uma das atividades mais importantes para a gestão empresarial, pois se trata de um elemento primordial, capaz de assegurar que uma atividade comercial (produtos ou serviços) seja lucrativa, cubra todos os gastos, pague os custos da empresa e ainda seja competitiva e atrativa para seus consumidores. 71 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS É bom lembrar que, quando falamos em competitividade, estamos nos referindo à tarefa diuturna das companhias de atingir, com sucesso, vantagem competitiva. Toda companhia tem a obrigação de compreender muito bem seu posicionamento na sociedade e sua responsabilidade social, e considerar aspectos culturais e éticos, hoje bastante observados pelas comunidades e pelos consumidores. Além disso, para toda empresa comercial com fins lucrativos, existem concorrentes diretos e indiretos que buscam o seu “lugar ao sol”. Nesse processo, temos um importante ator envolvido, o consumidor, que interage com outras pessoas (clientes potenciais da marca), troca ideias e informações, e fala sobre a qualidade do produto ou serviço e sobre o atendimento recebido. O consumidor está atento a tudo que “sai de bom ou de ruim” sobre as empresas em geral. Precificar envolve mais variáveis do que apenas executar cálculos. Um gestor, um analista contábil e um controller conseguem calcular custos de produtos e serviços com certa eficiência por meio de diversos sistemas de custeio, como descrevemos antes (por exemplo, método ABC, método de custeio variável, método de custeio por absorção e método UEP). No entanto, precificar (formar um preço justo) não é um processo tão simples, pois há muitas variáveis a serem observadas, trabalhadas e ajustadas. O preço, definitivamente, precisa ser justo para todos e, para as empresas, deve proporcionar um retorno saudável ao investimento inicial aplicado. A definição sobre o que será aplicado na formação do preço não deve acontecer por meio de tentativa e erro, pois isso pode causar grande prejuízo à organização. Da mesma forma que um preço muito baixo prejudicaria o negócio, um valor muito elevado e fora da realidade afastaria os potenciais compradores da marca. Assim, é uma boa prática empresarial embutir no processo os métodos já consagrados do mercado para conseguir desenvolver o melhor preço. A partir de agora, é importante que você tenha certa familiaridade com o termo marca, pois, hoje, o público em geral, formado por consumidores, clientes, interessados e influenciadores, tende a prestar muito mais atenção na marca do que no produto ou no serviço. Uma marca empresarial corresponde a valores explícitos e significativos para clientes e consumidores, como as questões de status (posição social), qualidade, moda, tecnologia etc. Marca é a descrição sensorial de uma empresa e o que a diferencia das outras. Empresas planejam e investem boa parte dos seus lucros na gestão da marca para que sejam vistas por todos como uma marca de sucesso, carregada de bons valores. Isso porque a marca passa a ser também intrinsecamente um dos componentes da formação de preço. 72 Unidade III Saiba mais Mas, de fato, quais são os fatores que influenciam na formação de preço de um produto e como eles podem impactar um negócio? Para conhecer a resposta, leia a indicação a seguir. PEREIRA, P. T. V. Quais fatores influenciam na formação de preço de um produto? Blog Sebrae, 19 fev. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3vUWAnh. Acesso em: 25 abr. 2022. 5.2 O preço e o contexto geral da formação de preços Antes de examinar mais detalhadamente o contexto geral da formação de preços (ou precificação) e os principais métodos de formação de preços, é necessário ter uma noção objetiva do que é o elemento chamado de preço e entender quais são as principais variáveis de análise e como é feita a aplicação dessas variáveis. Observação O que é um preço de venda? Trata‑se da quantia numérica em valores que deve ser entregue na troca de um produto ou de um serviço. Ele é formado levando em consideração os aspectos de produção de um bem ou de criação de um serviço, com a aplicação dos custos diretos e indiretos e a agregação da margem de lucro. Há certa complexidade no processo de formação de preço de produtos ou serviços, o que representa um grande desafio para as companhias que estão em constante ação por preços competitivos no mercado em que atuam. É provável que a principal questão resida no equilíbrio das diversas variáveis da formação do preço de venda, que implica, como dissemos, a definição do valor justo do preço de venda para todos os envolvidos no processo comercial de compra e venda de produtos ou serviços. Em uma negociação, o objetivo é o “ganha‑ganha”, que significa dizer que, em uma negociação saudável e justa, as duas partes saem ganhando, tanto o vendedor com seu lucro quanto o comprador com seu objeto de desejo. No comércio geral, é notório um alto número de administradores que ainda tentam definir preços tendo o custo como base única de formação. Não que isso seja errado – afinal, ao calcular uma margem de lucro em cima do custo, chegamos a um número real de preço. Mas será esse um preço realmente competitivo e justo? Vamos pensar em algumas perguntas básicas. 73 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS • A margem de lucro que uma empresa pratica é segura? • Será que, com ela, a empresa consegue cobrir seus custos e ainda auferir lucros? São questões importantes, cuja resposta será estudada nas próximas páginas – lembrando que é nisso que gestores e empreendedores trabalham incessantemente, de modo que o preço seja altamente competitivo, capaz de efetivamente trazer lucros e atrair consumidores. Seja qual for o método utilizado para realizar a precificação de um produto ou serviço, é correto afirmar que um preço será representado sempre pela fórmula básica: P = C + L Na equação: • P representa o preço; • C representa o custo; • L representa o lucro. A margem de contribuição (MC) representa o valor que sobra da receita total gerada pelas vendas, menos os custos e as despesas variáveis. A margem de contribuição percentual, indicada por MC%, mostra o percentual com o qual o preço de venda irá contribuir para certas operações da empresa, como o pagamento das despesas da companhia e a realização de investimentos. Ela é calculada pela equação a seguir. MC % = (preço de venda — custos e despesas variáveis) x 100% preço de venda Os diferenciais nessa equação básica de formação de preço são a forma como o custo é calculado (relembrando todos os conceitos vistos até aqui) e o método de cálculo de lucro aplicado para chegarmos ao preço final de mercado. Analisando a complexidade da formação de preços, é certo que não existe uma receita de bolo pronta, que fornece resultados paraa organização. Sobre a questão dos investimentos (ou seja, todo o esforço financeiro aplicado cujo objetivo final é o lucro), é comum vermos, nas empresas, análises e planejamentos acerca dos objetivos de maximização dos lucros e das vendas, de aumento de participação de mercado (market share) e de retorno constante, entre outros temas que incorrem na questão do preço de um produto ou serviço. Quando um investidor ou um empreendedor decide investir seu patrimônio financeiro (ou parte dele) para constituir uma empresa com fins comerciais, certamente o seu maior objetivo é que esse 74 Unidade III patrimônio proporcione lucro, que cresça ao longo do tempo e, com isso, que sua fonte de riqueza também aumente. No entanto, esse procedimento só será realidade se o valor investido proporcionar uma remuneração positiva sobre o custo de oportunidade escolhido. Observação Em economia, custo de oportunidade é um termo que se refere a um investimento escolhido em detrimento de outro. Ou seja, a partir do momento em que se aplica o capital financeiro em uma oportunidade, perde‑se a possibilidade de ganhar em outro investimento. A razão conceitual do mercado é que tudo tem seu preço. E essa máxima vale para muitas perguntas que envolvem a formação de preço. Apresentamos, a seguir, um exemplo para explicar como acontece a formação de preço. A empresa X fabrica determinado produto, e seu custo após a fabricação fica em R$ 10,00 a unidade. Ou seja, o custo C é igual a R$ 10,00. Após ter definido o custo, a empresa X faz uma pesquisa de avaliação de mercado para ver o preço médio de produtos iguais ou similares, de modo que ela não fique de fora de uma eventual competição por espaço do produto no mercado em que está inserida. Depois dessa etapa, a empresa chega a um preço real inserindo uma margem de lucro que fique dentro de possíveis valores médios do mercado pesquisado, mas que possibilite lucro na venda dos seus produtos (podemos considerar uma margem de contribuição que permita uma eventual promoção ou um eventual desconto do produto). A margem de lucro é definida como 20% do valor de custeio dos produtos. O lucro unitário do produto é dado por 20% de R$ 10,00, que resulta em R$ 2,00. Ou seja, o lucro L é igual a R$ 2,00. Aplicando a equação estudada, temos: P = C + L P = R$ 10,00 + R$ 2,00 P = R$ 12,00 75 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Cabe considerar que, na prática, muitas vezes, o estabelecimento de preço não é tão simples assim, uma vez que outras variáveis precisam ser observadas (cenário, cultura, competitividade, entrada de novos concorrentes etc.). Além disso, há técnicas mais apuradas que devem ser aplicadas para alcançar o valor que realmente dê um retorno positivo à empresa. Entre as diversas abordagens sobre a formação do preço de venda, as mais aplicadas pelas organizações são aquelas empregadas pelo mercado, pela teoria econômica estabelecida e pelos custos intrínsecos. Quando avaliamos os preços assumidos pelo mercado, consideramos puramente os valores praticados pelos concorrentes e que são seguidos para que o preço não os ultrapasse. Esse conceito é muito usado quando falamos de produtos que não têm grande diferenciação (gasolina, por exemplo) e quando não se percebe uma relação tão forte entre o preço, o custo e a demanda. Se falarmos de teoria econômica, perceberemos uma grande flutuação de preços, pois ela basicamente trabalha a relação preço × demanda. Ou seja: • quando há aumento da demanda por algum motivo, o preço daquele determinado produto tende a aumentar; • quando há diminuição da demanda por algum motivo, o preço daquele determinado produto tende a cair. Concluímos que o preço flutua conforme a movimentação da demanda. Um grande exemplo é o mercado de capitais, com a bolsa de valores (que trata principalmente de ações de empresas). O preço de uma ação, que é o produto financeiro de uma empresa, tende a subir ou a cair, conferindo lucro ou não aos seus portadores, conforme a demanda de mercado. O mercado de ações é altamente flutuante. Observação O mercado de capitais compreende um dos quatro principais mercados existentes no mercado financeiro e possibilita que empresas emitam ações (títulos oficiais da empresa) para se capitalizarem e investirem seu capital no crescimento da empresa. É formado por empresas, bolsas de valores e instituições financeiras. Os outros três mercados inseridos no mercado financeiro são os apresentados a seguir. • Mercado de crédito: responsável pelo fornecimento de crédito. • Mercado de câmbio: responsável pela troca de moedas. • Mercado monetário: responsável pela gestão do dinheiro. 76 Unidade III Com base nos conceitos descritos até aqui, notamos que, no modelo de formação de preços centrado nos custos, o preço de um produto ou serviço tem que ser suficiente para cobrir todas as despesas e todos os custos envolvidos, além de garantir o lucro adequado como retorno ao investimento realizado. Outro elemento importante a ser considerado na economia é a flutuação de preços de mercado, que engloba todos os fenômenos que definem a alta e a baixa dos preços, fenômenos que compreendem desde um momento de sazonalidade (chocolate na Páscoa, por exemplo) até um período de incertezas, como o vivenciado no ano de 2020, com o impacto no mercado financeiro causado pela pandemia de covid‑19. Antes de analisar melhor cada uma das principais estratégias de formação de preços, é muito importante saber que uma estratégia de formação de preços nada mais é do que a consequência de todas as estratégias realizadas na fase de gestão de custos, acrescida de uma margem de lucro. O princípio básico que se nota é que cada um dos conceitos de formação de preço tem limitações específicas, e cabe a cada empresa, respeitando seu planejamento estratégico, reconhecer aquele que melhor atenderá aos objetivos estabelecidos. Também é possível utilizar estratégias de forma isolada ou em conjunto, configurando uma formação de preço híbrida. Dessa forma, o preço de venda deverá sempre mostrar sintonia entre o ambiente interno e o externo, considerando todas as variáveis pertinentes ao negócio. 5.3 Margem de contribuição e lucro O ponto mais importante a ser enfatizado aqui é que a margem de contribuição e o lucro não têm o mesmo significado, apesar de muitas pessoas acreditarem que sim na hora de aferir o ganho financeiro. Margem de contribuição é a diferença entre a receita líquida das vendas e o resultado da soma de despesas e custos. Falando de modo mais técnico, é a soma de contribuição dos produtos ou serviços vendidos pela empresa para a cobertura dos custos fixos somados às despesas fixas. Após essa cobertura, o que sobrar é considerado lucro da empresa. O lucro propriamente dito é a representação da diferença entre a receita líquida de vendas e a soma de despesas e custos. Em um demonstrativo de resultados, podemos encontrar três tipos diferentes de lucro, mostrados a seguir. • Lucro bruto: é a diferença entre a receita e os custos variáveis. • Lucro operacional: é a diferença entre o lucro bruto e as despesas operacionais. • Lucro líquido: é tudo o que sobra de montante financeiro livre e à disposição da empresa. 77 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS O desafio de formar preço cresce na mesma proporção em que as empresas sofrem as ações de um mundo cada vez mais globalizado e interativo, como já afirmamos. Para tomar uma decisão de formação de preço, é imprescindível que a empresa conheça muito bem o mercado em que está inserida. Nesse sentido, talvez a margem de contribuição seja a técnica mais recomendada de precificação de produtos ou serviços e, sem dúvida, é uma das principais estratégias de formação de preços. A definição lógica de margem de contribuição (aquilo que contribui) é o lucro calculado pelo preço de venda menos os custos variáveis do produto/serviço. Essa técnica determina o quanto “sobra”, do custo de venda,depois de descontados os custos e as despesas variáveis. É bem importante, já que estabelece o quanto a companhia deseja ganhar por cada serviço executado ou por cada item vendido em seus canais de venda. Observação Canais de venda são os diversos modos que uma empresa tem para vender seus produtos ou serviços. Além das lojas físicas, nos dias atuais, com os avanços tecnológicos, abriu‑se a possibilidade de vender por outros canais, como a internet. Dito em linhas gerais, a margem de contribuição é o valor que sobra do preço de venda depois da retirada dos custos e das despesas variáveis. O valor que sobra, chamado de lucro bruto, serve para pagar os custos e as despesas fixas da venda de produtos ou da execução de serviços. A margem de contribuição é obtida pela seguinte equação: MC = PV – CV – DV Na equação: • MC representa a margem de contribuição; • PV representa o preço de venda; • CV representa o custo variável do produto; • DV representa as despesas variáveis. 78 Unidade III Exemplo de aplicação Exemplo 1 Imagine que uma confecção produza bonés. Determine a margem de contribuição e a margem de contribuição percentual com base no preço do produto considerando os dados a seguir. • Produto: boné • Preço de venda do produto: R$ 100,00 • Valor dos custos mais valor das despesas variáveis: R$ 50,00 Resolução O exemplo forneceu os dados a seguir. • PV = R$ 100,00 • CV + DV = R$ 50,00 Vimos que: MC = PV – CV – DV Podemos reescrever a igualdade como: MC = PV – (CV + DV) Usando os dados fornecidos, chegamos a: MC = 100,00 – 50,00 MC = 50,00 A expressão com a qual determinamos a margem de contribuição percentual é: MC % = (preço de venda – custos e despesas variáveis) x 100% preço de venda Usando os dados fornecidos, chegamos a: MC % = (R$ 100,00 – R$ 50,00) x 100% R$ 100,00 MC% = 50% 79 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Exemplo 2 Determine a margem de contribuição e a margem de contribuição percentual com base no preço do serviço considerando os dados a seguir. • Serviço: lavanderia • Preço de venda do serviço para lavar 10 kg de roupa: R$ 80,00 • Valor das despesas e custos variáveis para lavar 10 kg de roupa: R$ 36,00 Resolução O exemplo forneceu os dados a seguir. • PV = R$ 80,00 • CV + DV = R$ 36,00 Vimos que: MC = PV – CV – DV Podemos reescrever a igualdade como: MC = PV – (CV + DV) Usando os dados fornecidos, chegamos a: MC = 80,00 – 36,00 MC = 44,00 No caso de encontrar a porcentagem, a fórmula é dada por: MC % = (preço de venda — custos e despesas variáveis) x 100% preço de venda Usando os dados fornecidos, chegamos a: MC % = (R$ 80,00 — R$ 36,00) x 100% R$ 80,00 MC% = 55% 80 Unidade III A margem de contribuição é uma das principais métricas existentes no mundo moderno. Compreendemos que, muito mais do que saber o volume total de lucro, é imprescindível ter certeza de quanto o negócio vem realmente ganhando. Além de apresentar informações corretas, é um processo capaz de ajudar na tomada de decisão. Entre as várias vantagens que a margem de contribuição oferece, uma das mais evidentes é a sua grande flexibilidade. Caso uma empresa deseje se tornar mais competitiva temporariamente em termos de preço, ela pode, por exemplo, diminuir essa margem por pouco tempo ou, dependendo da estratégia, por um longo tempo. Por outro lado, é possível elevar essa margem e obter mais lucratividade. A margem de contribuição permite que a empresa não apenas cubra as suas despesas totais como também obtenha uma margem líquida em cada serviço ou em cada produto vendido. Observação O cálculo da margem de contribuição é realizado pela subtração dos custos e das despesas variáveis com base no preço de venda. Assim, a empresa conseguirá o valor necessário para pagar os gastos fixos e gerar lucro. Exemplo de aplicação Exemplo 1 Suponha que determinada empresa precifique um produto qualquer a R$ 300,00. Seus custos variáveis são de R$ 50,00. As despesas variáveis custam à empresa R$ 60,00. Qual é o valor da margem de contribuição para esse caso? Resolução O exemplo forneceu os dados a seguir. • PV = R$ 300,00 • CV = R$ 50,00 • DV = R$ 60,00 Vimos que: MC = PV – CV – DV 81 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Usando os dados fornecidos, chegamos a: MC = R$ 300,00 – R$ 50,00 – R$ 60,00 MC = R$ 190,00 O valor da margem de contribuição é de R$ 190,00. Ou seja, a empresa terá disponíveis R$ 190,00 para pagar os custos e as despesas fixos e ainda retirar o seu lucro. Exemplo 2 Suponha que determinada empresa verifique que a margem de contribuição necessária de certo produto para cobrir os custos fixos e as despesas fixas e ainda gerar lucro seja de R$ 12,00. Seus custos variáveis são de R$ 2,50. As despesas variáveis custam à empresa R$ 1,50. Qual é o valor do preço de venda para esse caso? Resolução O exemplo forneceu os dados a seguir. • MC = R$ 12,00 • CV = R$ 2,50 • DV = R$ 1,50 Vimos que: MC = PV – CV – DV Usando os dados fornecidos, chegamos a: R$ 12,00 = PV – R$ 2,50 – R$ 1,50 R$ 12,00 + R$ 2,50 + R$ 1,50 = PV R$ 16,00 = PV PV = R$ 16,00 O preço de venda é de R$ 16,00. 82 Unidade III 6 PRINCIPAIS MÉTODOS DE PRECIFICAÇÃO Abordaremos aqui os principais métodos e as principais técnicas para a formação de preços, que proporcionam aos administradores e aos gestores de negócios as melhores estratégias de precificação competitiva e são capazes de gerar maiores lucros às empresas. 6.1 Técnica de precificação markup Ao precificar (formar o preço de) um produto ou um serviço, é necessário estar atento às duas formas de precificação mais comuns. A primeira foi estudada no capítulo anterior, e a segunda será vista agora. Trata‑se da técnica conhecida no mercado como markup (marcação de preço). É muito importante a empresa verificar qual é a técnica que melhor atende aos seus objetivos. Diferentemente da margem de contribuição, o cálculo do markup é feito com base em um índice sobre o qual o gestor de vendas pode multiplicar o custo de aquisição ou de fabricação de seus produtos ou o custo de execução de um serviço. De acordo com Camargo (2017), o método markup refere‑se a um índice multiplicador aplicado sobre o custo de um produto e/ou de um serviço para a formação do preço de venda. Isso reforça a informação já citada várias vezes neste livro de que é imprescindível a empresa dominar adequadamente seus gastos, seus custos e suas despesas. Essa técnica é uma das mais utilizadas pelas empresas para determinar o preço de venda. Nela, aplicam‑se a margem de lucro, os custos do produto ou do serviço vendido e os custos de tributos sobre vendas, além das próprias despesas de vendas (comissões, prêmios etc.). O objetivo principal é encontrar um preço que cubra as despesas e também ofereça o lucro desejado. Não se trata, entretanto, de margem de lucro apenas, mas de uma estimativa geral, considerada a mais adequada para o negócio. No método markup, existem duas maneiras distintas de executar o cálculo, conforme mostrado a seguir. • Markup multiplicador: usa a razão de multiplicação de fatores para chegar ao percentual de marcação. • Markup divisor: usa a razão de divisão de fatores para chegar ao percentual de marcação. Lembrete Quando se pensa em preço de venda, é preciso entender que seu resultado deve ser o suficiente para gerar lucro e cobrir as despesas, os custos e os impostos, mantendo assim a empresa saudável financeiramente. 83 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS 6.1.1 Aplicação do método markup Começamos vendo, no quadro a seguir, as principais siglas usadas no método markup. Quadro 4 – Siglas do markup Sigla Significado MD Markup divisor MM Markup multiplicador PV Preço de venda CA Custo de aquisição CT Custo total É necessário deixar bem definidos alguns termos, como os mostrados a seguir. • Custos: valores utilizados na produção ou na compra de produtos para revenda ou que possibilitam60 4.1.6 Custo da qualidade: método da qualidade total ....................................................................... 62 4.2 Exemplos para a fixação do conteúdo ......................................................................................... 63 Unidade III 5 INTRODUÇÃO À FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA ......................................................................... 70 5.1 Processo de formação do preço de venda ................................................................................. 70 5.2 O preço e o contexto geral da formação de preços ............................................................... 72 5.3 Margem de contribuição e lucro .................................................................................................... 76 6 PRINCIPAIS MÉTODOS DE PRECIFICAÇÃO ............................................................................................. 82 6.1 Técnica de precificação markup ..................................................................................................... 82 6.1.1 Aplicação do método markup ........................................................................................................... 83 6.1.2 Desvantagens do método markup ................................................................................................... 89 6.2 Técnica de pesquisa de preços ........................................................................................................ 90 6.3 Fórmula baseada no lucro ................................................................................................................ 91 6.4 Oferta, demanda e preço de equilíbrio ........................................................................................ 92 6.5 Reflexos dos tributos na formação de preços .......................................................................... 94 6.6 Exemplos para a fixação do conteúdo ......................................................................................... 98 Unidade IV 7 ASPECTOS TRIBUTÁRIOS NA FORMAÇÃO DE PREÇOS ...................................................................105 7.1 Tributos, precificação e lucratividade .........................................................................................105 7.2 Regime tributário ...............................................................................................................................107 7.3 ICMS.........................................................................................................................................................108 7.4 ISS .............................................................................................................................................................110 7.5 IRPJ ...........................................................................................................................................................111 7.6 CSLL ..........................................................................................................................................................112 7.7 PIS .............................................................................................................................................................112 7.8 Cofins ......................................................................................................................................................113 8 OPERAÇÕES FINANCEIRAS ........................................................................................................................114 8.1 Empréstimo bancário ........................................................................................................................115 8.2 Concessão de crédito ........................................................................................................................116 8.3 Operação financeira no exterior ...................................................................................................116 8.4 Operação de desconto com duplicatas .....................................................................................116 8.5 Aplicação financeira ..........................................................................................................................116 8.6 Emissão de títulos ..............................................................................................................................117 8.7 Factoring ................................................................................................................................................118 8.8 Taxas e impostos nas operações financeiras ...........................................................................118 8.9 Operações de hedge ..........................................................................................................................119 8.10 Exemplo para a fixação do conteúdo ......................................................................................120 7 APRESENTAÇÃO Olá, aluno! Os principais objetivos deste livro-texto são os mostrados a seguir. • Apresentar uma efetiva descrição dos conceitos e dos fundamentos econômicos envolvidos na gestão e no controle de custos de fabricação e de vendas de produtos. • Estudar o processo de formação de preços que norteia a estrutura do mercado nacional brasileiro no que tange, principalmente, às áreas de produção e de comércio (atacadista ou varejista) e ao ramo de prestação de serviços, tão fundamentais para a força econômica do país. O livro será um condutor básico para que você aprenda conceitos e nomenclaturas da contabilidade, da gestão de custos, dos principais métodos de custeio e das especificações usadas na justa formação de preço. Além disso, você entenderá o que significam impostos, taxas, tributos e índices de aspectos econômicos (como taxa de juros e inflação). Enfim, você estará apto a empregar métodos, ferramentas e ações que as organizações utilizam para obter sucesso nos processos de gestão de custo e de formação de preço. Este livro tem os objetivos específicos listados a seguir. • Abordar os diversos métodos de custeio e análise das relações de custo × lucro. • Destacar a importância e os impactos das variáveis consumidor e concorrência na formação dos preços. • Apresentar as distintas estratégias para o incremento de resultados financeiros por meio da alavancagem operacional. • Despertar a capacidade de observar e propor melhorias na formação de preços sob diferentes situações competitivas e na percepção de valor dos clientes. Boa leitura! 8 INTRODUÇÃO Ao longo deste livro-texto, abordaremos assuntos, questões e respostas que abrangem importantes conceitos mercadológicos, como é o caso da gestão de custos e da formação de preços de produtos e serviços. Incluiremos em nosso estudo itens que contribuam para: • o aperfeiçoamento do pensamento crítico e argumentativo; • o desenvolvimento de importantes habilidades profissionais; • a capacidade de descrição do ambiente corporativo e dos seus processos de gestão; • a formação do conhecimento necessário para tomadas de decisão. Serão empregados conceitos, métodos, ferramentas e ações baseados: • na classificação e na nomenclatura dos custos; • na composição e no comportamento dos custos; • nos critérios de rateio; • na aplicação dos custos indiretos e diretos na fabricação de produtos; • no sistema de custos por processo; • na análise das relações custo/volume/lucro; • na avaliação de custos para a tomada de decisões; • no ponto de equilíbrio; • na alavancagem operacional; • nos efeitos dos tributos sobre custos e preços; • nos mecanismos de formação de preços; • nos fundamentos econômicos. Primeiramente, faremos uma introdução à gestão de custos, abrangendo conceitos, métodos e objetivos, assim como os principais instrumentos de organização de processos. Abordaremos também a classificação dos custos (custo direto, custo indireto, custo fixo e custo variável).a criação de um serviço. • Despesas: valores utilizados na manutenção da operação da empresa. • Impostos: subsídios monetários que se devem ao Estado. • Lucros: benefícios financeiros alcançados no desempenho comercial. Para calcular o markup de forma correta, é necessário considerar os custos variáveis da companhia, que podem ser mão de obra, impostos, logística e comissão, entre outros. Na estratégia markup, o preço de venda é o resultado da soma de todos os valores gastos mais o lucro que se deseja alcançar. Com essa técnica, os indicadores podem ser calculados para o produto ou para o serviço de forma individual ou, se for o caso, para todos os produtos ou serviços no geral. Para o markup divisor, temos a seguinte fórmula: MD = PV — CT PV Na igualdade: • MD representa o markup divisor; • PV representa o preço de venda; • CT representa o custo total de fabricação/venda. 84 Unidade III Pela fórmula do markup divisor, é possível calcular o fator percentual que deverá ser aplicado ao custo e, assim, determinar o preço de venda de um produto ou serviço. No entanto, é necessário encontrar o custo total (CT) para obter o resultado procurado. Determinado o CT, chegamos ao preço final de venda do produto ou do serviço. Lembrete Custo total é a soma dos custos fixos e dos custos variáveis. A partir do markup divisor, podemos calcular o valor pelo qual o produto deve ser vendido para que a empresa obtenha o lucro esperado: PV = CA MD Na igualdade: • PV representa o preço de venda; • CA representa o custo de aquisição; • MD representa o markup divisor. O markup multiplicador, indicado por MM, é o inverso do markup divisor: MM = 1 MD Após esse cálculo, basta multiplicar o markup multiplicador (indicado por MM) pelo custo de aquisição do produto, ou preço de custo (indicado por CA), para calcular o preço de venda (indicado por PV). Vejamos. PV = CA × MM Ambos os indicadores, markup multiplicador e markup divisor, devem sempre levar ao mesmo resultado de preço de venda. Entre os dois, o mais utilizado é o markup multiplicador. Tanto o markup divisor quanto o markup multiplicador podem ser expressos na forma percentual. Para isso, basta multiplicar o markup por 100%. Assim: MD% = MD × 100% MM% = MM × 100% 85 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Em termos percentuais, o markup multiplicador pode ser determinado por: MM = 100% [100% — (Σ porcentagens)] A indicação ∑ porcentagens representa a soma das percentagens relativas aos custos, às despesas, aos impostos e ao lucro. Qualquer engano, talvez oriundo de uma variável esquecida, pode afetar diretamente as margens de lucro, o volume de venda e o market share da empresa. Lembrete Market share é uma palavra de origem inglesa que significa participação percentual de mercado e se refere ao indicador financeiro que define o que uma empresa abocanha de participação no mercado em que ela atua. Saiba mais Para saber mais sobre market share, leia o conteúdo da indicação a seguir. O QUE É market share. Significados, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/37WmLln. Acesso em: 25 abr. 2022. Exemplo de aplicação Exemplo 1 Consideremos um produto cujo custo de fabricação é de R$ 100,00. A margem de lucro percentual definida é de 15%, os tributos de venda são de 20% e o pagamento de comissões é de 3% sobre as vendas. Determine o preço de venda pela técnica markup. Resolução O exemplo forneceu os dados a seguir. • CT = R$ 100,00 • Margem de lucro em termos percentuais = 15% • Tributos de venda em termos percentuais = 20% • Comissões em termos percentuais = 3% 86 Unidade III O markup divisor em termos percentuais (MD%) é o seguinte: MD% = 15% + 20% + 3% MD% = 38% Logo: MD = MD% = 38% 100% 100% MD = 0,38 Vimos que: MD = PV – CT PV Na igualdade: • MD representa o markup divisor; • PV representa o preço de venda; • CT representa o custo total de fabricação/venda. Com isso: MD =PV – CT PV 0,38 = PV – R$ 100,00 PV 0,38 x PV = PV – R$ 100,00 0,38 x PV – PV = – R$ 100,00 –0,62 PV = –R$ 100,00 PV = R$ 161,29 Na tabela a seguir, temos um demonstrativo detalhado dos resultados deste exemplo. 87 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Tabela 15 – Demonstrativo de resultados Demonstração do resultado R$ % Receita Bruta 161,29 100% (–) Tributos sobre venda –32,26 –20,00% (–) Custo do produto vendido –100,00 –62,00% (=) Receita líquida 29,03 18% (–) Despesas com vendas (comissões) –4,84 –3,00% (=) Lucro líquido antes do IR 24,19 15% Exemplo 2 Suponha que uma empresa compre determinado produto por R$ 2,00, e o lucro percentual desejado seja de 20%. Somam‑se aí o ICMS de 17%, o PIS e a Cofins de 3,65%, o IPI de 5%, além das comissões pagas de 3,5% e as despesas administrativas de 6%. Com base nessas informações, calcule o markup e determine o preço de venda do produto. Resolução O exemplo forneceu os dados a seguir. • CT = R$ 2,00 • Lucro desejado em termos percentuais = 20% • ICMS em termos percentuais = 17% • PIS e Cofins em termos percentuais = 3,65% • IPI em termos percentuais = 5% • Comissões em termos percentuais = 3,5% • Despesas administrativas em termos percentuais = 6% O markup divisor em termos percentuais (MD%) é o seguinte: MD% = 20% + 17% + 3,65% + 5% + 3,5% + 6% MD% = 55,15% Logo: MD = MD% = 55,15% 100% 100% MD = 0,5515 88 Unidade III Vimos que: MD = PV – CT PV Na igualdade: • MD representa o markup divisor; • PV representa o preço de venda; • CT representa o custo total de fabricação/venda. No caso, ficamos com: 0,5515 = PV – R$ 2,00 PV 0,5515 x PV = PV – R$ 2,00 0,5515 x PV – PV = –R$ 2,00 –0,4485PV = R$ 2,00 PV = R$ 4,46 Exemplo 3 Imagine que, em termos percentuais, para fornecer um serviço, as despesas variáveis correspondam a 15% e as despesas fixas fiquem em 20%. O lucro desejado é de 25%. Usando o markup multiplicador, encontre o preço de venda. Resolução O markup multiplicador (MM) fica: MM = 100 [100 – (15+20+25)] MM = 2,5 Se determinado serviço tem um custo unitário de R$ 100,00, então o preço desse serviço será de R$ 250,00 para auferir lucros e pagar todas as despesas. 89 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Como um bom trabalho de precificação (ou de formação de preço) é de grande importância para o sucesso do negócio, é imprescindível trabalhar com precisão e obter dados contábeis precisos. Mas será que só há vantagens no sistema markup? Vamos conhecer alguns possíveis problemas desse método de formação de preços. 6.1.2 Desvantagens do método markup Mesmo que o método markup seja um dos mais utilizados por organizações com fins lucrativos, principalmente devido à sua fácil aplicação, ele apresenta algumas deficiências. O eventual preço muito acima do mercado é a primeira deficiência. Muitas vezes, o cálculo é feito de maneira extremamente correta, mas fica longe do preço de mercado de produtos iguais ou similares. Nesse caso, a solução do problema está na redução do custo para que o preço fique atrativo e competitivo. A empresa pode precificar por qualquer método, no entanto, se os consumidores não estiverem dispostos a desembolsar o valor proposto, não restará outra saída senão reduzir o preço de venda, o que prejudica a margem de lucro ou até mesmo o negócio em si. O eventual preço muito abaixo do mercado é uma segunda deficiência, uma vez que o mercado pode ofertar um preço maior do que a precificação realizada pelo método. Em situações assim, a empresa se vê em uma boa oportunidade de obter melhores lucros. Sem dúvida, um preço de venda correto faz com que marcas, produtos e serviços ganhem destaque, com boas chances de lucratividade. Outro elemento a ser observado em termos de formação de preços é o valor agregado, já descrito em outro momento. Trata‑se de um item que afeta diretamentea decisão de compra, ainda mais se existir concorrência acirrada. Lembrete A flutuação de preços de mercado engloba todos os fenômenos que definem a alta e a baixa dos preços. Alguns desses fenômenos são a sazonalidade (venda de chocolate na Páscoa, por exemplo) e os períodos de incerteza, como o vivenciado no ano de 2020, imposto pela epidemia de covid‑19. 90 Unidade III Observação Sazonal é um adjetivo que se refere ao que é temporário, ao que é típico de determinada estação ou época. A sazonalidade de um evento diz que ele costuma ocorrer sempre em um momento temporal específico. Por esse motivo, a palavra sazonal é bastante usada em referência aos alimentos produzidos exclusivamente em determinada época do ano. Ou seja, os produtos sazonais costumam variar de acordo com a sazonalidade climática do local. Por exemplo, a procura por aquecedores é alta em épocas mais frias do ano; por isso, podemos dizer que se trata de uma demanda sazonal (O QUE É…, [s.d.]b). É importante observar o comportamento do consumidor. O baixo preço de um produto ou de um serviço pode indicar, para ele, baixa qualidade desse produto ou desse serviço. Em contrapartida, o preço muito alto incorre no risco de vendas perdidas. O preço justo possibilita o crescimento de vendas e a superação dos concorrentes. 6.2 Técnica de pesquisa de preços Entre as propostas de formação de preços, uma das mais comuns, mas talvez menos eficiente, é a técnica de pesquisa de preços, que nada mais é do que o levantamento dos preços de venda de produtos e serviços praticados pela concorrência de maneira geral. Esse modelo de pesquisa é útil quando uma organização deseja ter maior destaque entre a concorrência e seus consumidores (o diferencial passa a ser o preço de venda). O segredo do sucesso dessa técnica é o planejamento, que precisa ser organizado e temporário (no sentido de ter um tempo definido para acabar). O primeiro passo é definir os concorrentes que terão o preço analisado. O segundo passo é realizar a pesquisa de preço em diferentes momentos (a proposta é abranger a máxima quantidade de dados, para que a análise seja mais certeira). O último passo é calcular o preço médio dos locais pesquisados e, assim, formar o preço que a empresa deseja praticar no mercado. Para ter sucesso nesse tipo de iniciativa, é importante haver uma grande massa organizada de dados. Ao utilizar essa técnica, é interessante aproveitar a situação para identificar vantagens, oportunidades e ameaças, e realizar tudo o que é possível para produzir as mudanças necessárias, a fim de precificar de maneira correta. Convém frisar que não adianta aplicar o preço mais baixo, uma vez que esse preço pode causar prejuízos à empresa e passar a imagem de baixa qualidade do produto ofertado. Portanto, o modelo de precificação deve servir como um apoio para a tomada de decisão relativa ao preço; não deve ser o único método utilizado. 91 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS 6.3 Fórmula baseada no lucro Outro método muito conhecido no mercado é o método baseado no lucro desejado. Nesse tipo de método, deve ser acrescentado determinado valor ao custo do produto ou serviço para que o preço seja alcançado. Para tal método, usamos a seguinte fórmula: %PV = CI + %DF + %LD Na igualdade: • PV representa o preço de venda; • CI representa o custo inicial; • DF representa as despesas fixas; • LD representa o lucro desejado. Para exemplificar o método, vamos considerar um produto qualquer com custo inicial de R$ 35,00. Para esse produto, especula‑se que o lucro, em termos percentuais, seja de 10%. As despesas fixas, em termos percentuais, são estimadas em torno de 12%. No exemplo, temos o seguinte cálculo: %PV = %CI + %DF + %LD 100% PV = R$ 35,00 + 12% PV + 10% PV 100% PV = R$ 35,00 + 22% PV 100% PV – 22% PV = R$ 35,00 78% PV = R$ 35,00 PV = R$ 35,00 0,78 PV = R$ 44,87 Dessa forma, o preço final de venda calculado do produto é R$ 44,87. É importante lembrar que, embora todos os métodos e estratégias tenham fórmulas matematicamente precisas, devemos olhar para outras variáveis que influenciam no preço, como a sazonalidade, a variação na demanda, a taxa de inflação, os indicadores econômicos e as questões relativas à concorrência. 92 Unidade III 6.4 Oferta, demanda e preço de equilíbrio Na estrutura do livre mercado, os preços basicamente são determinados pela lei da oferta e da demanda (procura), e o encontro dessas duas curvas determina o preço de equilíbrio. Mas é bom frisar que nem sempre tal preço permanece estável, pois existem fenômenos econômicos que podem alterar o preço ou as quantidades demandadas e ofertadas. Muitas vezes, o governo pode agir para forçar o equilíbrio no mercado, tanto pelo subsídio a determinados produtos e serviços quanto pela sobretaxação de outros. Por fim, a decisão de consumir fica a cargo dos consumidores, e a decisão de produzir fica a cargo das empresas: ambos são constantemente afetados pela lei da oferta e da procura. O mercado é o contraponto entre as duas partes, ofertante e demandante, com comerciantes querendo vender e consumidores querendo comprar. Nesse mercado, os preços atuam como uma montanha‑russa, com movimentos de subida e de descida, que podem ser suaves ou bruscos. É o chamado movimento da lei da oferta e da procura. A verdade é que, quanto maior for o preço de um produto, maior será a intenção dos produtores em produzi‑lo e menor será a intenção dos consumidores em comprá‑lo. De maneira inversa, quanto menor for o preço, menor será o interesse na produção e maior será o interesse na compra. A figura a seguir é uma representação gráfica do que acabamos de dizer. Essa representação é conhecida como curva de oferta e demanda. Preço de equilíbrio Quantidade de equilíbrio Preço Quantidade Curva de demanda Curva de oferta Ponto de equilíbrio Figura 14 – Curva de oferta e demanda e ponto de equilíbrio Na figura anterior, o ponto de equilíbrio acontece no cruzamento das duas curvas (curva de demanda e curva de oferta). Nesse ponto, para o preço encontrado, a quantidade demandada é igual à quantidade ofertada, e dizemos que o mercado está em equilíbrio. Portanto, quando há equilíbrio entre a oferta e a demanda, ocorre o fenômeno chamado de ponto de equilíbrio. 93 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Observação A oferta relaciona‑se com o número de mercadorias ou de serviços que as empresas produzem e ofertam no mercado. A demanda relaciona‑se com a necessidade das pessoas de consumir algum tipo de mercadoria para suprir uma carência ou um desejo. Analisar essa situação é como imaginar uma balança de dois pratos: se a demanda ficar temporariamente maior do que a oferta, as companhias precisarão produzir ou oferecer mais para atender ao mercado, e ocorrerá o aumento de preços; no entanto, se a oferta for maior do que a demanda, ocorrerá a diminuição de preços. O preço de equilíbrio é a representação do livre mercado, em que acontece a negociação de preços. O comprador diz quanto quer pagar, e o vendedor diz por quanto vale a pena vender. Se o preço do produto for superior ao preço de equilíbrio, teremos excesso de oferta, pois a quantidade ofertada é maior do que a quantidade demandada. Quando isso acontece, os ofertantes preferem fazer liquidações para não ter seu capital parado em estoques. No caso oposto, se o preço inicial do produto for menor do que o preço de equilíbrio, haverá excesso de demanda, ou seja, a quantidade demandada será maior do que a quantidade ofertada pelo preço. Quando muitas pessoas desejam o mesmo produto, ele pode se tornar escasso no mercado, e a tendência é o seu preço subir. Quando o preço de um produto está abaixo do preço de equilíbrio, as forças de mercado tendem a levá‑lo de volta ao equilíbrio. Saiba mais Preço de equilíbrio é uma variável importante do mercado financeiro e deve ser compreendido como o melhor ponto entre o ofertantee o demandante. Para compreender melhor esse conceito, leia o texto sugerido a seguir. PAZ, P. Equilíbrio de mercado: o encontro entre oferta e demanda. Blog TC School, 8 fev. 2022. Disponível em: https://bit.ly/3QWa23M. Acesso em: 25 abr. 2022. Na razão de tudo isso, existe o chamado preço ótimo, que em termos de produção refere‑se ao melhor preço ofertado considerando o menor custo de produção para uma empresa. 94 Unidade III Vejamos um exemplo prático que elucida o que estudamos. Digamos que um pacote de 1 kg de feijão seja vendido em um supermercado pelo preço de R$ 8,00. Suponha que a produção de feijão caia por problemas na safra. Ocorrerá redução da oferta e, nesse contexto, o preço do feijão subirá até o ponto em que ocorra redução do consumo. Assim, a oferta dará conta da demanda. Quando o feijão voltar a ser produzido em larga escala, haverá mais oferta de feijão, e seu preço diminuirá para atrair novamente os consumidores. Em certo momento, o preço do feijão tende a voltar para R$ 8,00 ou algo próximo desse valor. Se, nesse preço, a oferta (estoque) de feijão ainda for superior, haverá queda ainda maior no preço até que se retome o equilíbrio de mercado. 6.5 Reflexos dos tributos na formação de preços Independentemente da estratégia escolhida para o processo de formação do preço de venda, não podem ser esquecidos os tributos que incidem sobre a venda de um produto ou de um serviço. Isso fica mais evidente se considerarmos que, no Brasil, temos uma carga tributária alta (se comparada à carga tributária de outros países), com grande impacto no preço dos produtos ofertados aos consumidores. A tarefa de calcular o preço torna‑se mais complexa em razão da variedade de impostos que incidem na comercialização de todos os produtos e serviços existentes. Dependendo ainda do tipo de transação, pode haver custos adicionais, como impostos e taxas extras. Tomemos como exemplo uma empresa no estado de São Paulo que comercializa determinado produto para um cliente estabelecido no mesmo estado. Tal produto estará sujeito à incidência de um imposto estadual chamado de ICMS, calculado como uma alíquota de 18% sobre o preço de venda. Caso essa empresa realize uma venda para um cliente localizado em Goiás, a alíquota passará a ser de 7%, menos da metade da alíquota de SP. No exemplo, a empresa tem duas tributações diferentes sobre a venda do mesmo produto. Consequentemente, há dois preços de venda diferentes a serem ofertados, situação que culmina em uma complexidade ainda maior no processo de formação de preço. Existe também, nesse processo, um conceito muito conhecido no mercado, chamado de elasticidade da demanda, que nada mais é do que uma análise de observação e identificação do melhor preço a ser comercializado e que possibilita a aplicação da estratégia conhecida como preço ótimo. Nessa estratégia, o intuito é identificar o melhor preço de venda a ser aplicado para que a margem de contribuição total das vendas seja a maior possível. A hipótese estabelecida pelo mercado é que, quanto menor for o preço de venda, maior será a quantidade vendida. Assim, conforme o preço de venda diminui, a quantidade vendida aumenta, juntamente com a margem de contribuição. Porém, em certo momento, a partir de um preço estabelecido, a quantidade vendida aumenta, e a margem de contribuição tende a diminuir. 95 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Vamos entender melhor o que explicamos com a análise do gráfico da figura a seguir. Quantidade vendida Ponto em que a combinação entre preço praticado e quantidade comercializada resulta na maior margem de contribuição M ar ge m d e co nt rib ui çã o to ta l Figura 15 – Gráfico de preço ótimo Perceba que, no cume da curva, encontramos a relação entre o preço praticado e a quantidade comercializada, que permite a maior margem de contribuição total. Nesse contexto, o mais importante trabalho da empresa será identificar o melhor preço, para determinada quantidade, que possibilitaria a maior margem de contribuição e, consequentemente, a maior lucratividade. Em relação ao conceito de elasticidade da demanda, trata‑se de um índice que demonstra o quão sensível é a demanda por determinado produto em função de seu preço. É correto afirmar que há produtos ou serviços cujo percentual de alteração do índice de elasticidade da demanda é bem baixo, ou seja, a quantidade vendida varia muito pouco em função do preço. Peguemos o exemplo de um medicamento, um produto cuja demanda independe do preço (o medicamento não venderá mais se baixar o preço). No sentido oposto, peguemos a carne de boi como exemplo: em um cenário de preços altos, seu consumo tende a diminuir, já que há produtos substitutos, como a carne de frango ou a carne de peixe, o que sinaliza alta elasticidade de demanda. Para observar, identificar e trabalhar o conceito de elasticidade da demanda, é imprescindível a análise de uma série histórica de dados em que houve variação de preço. A fim de que essa análise seja eficiente, é necessário avaliar, pelo menos, três períodos. No entanto, quanto maior for a quantidade de períodos, melhor resultado de apuração terá o processo. Vamos analisar a situação de cálculo mostrada na tabela a seguir. 96 Unidade III Tabela 16 – Cálculo da elasticidade da demanda Preço Quantidade vendida Janeiro R$ 200,00 500 Fevereiro R$ 180,00 575 Março R$ 160,00 662 Variação de janeiro a março –20% 32,4% Elasticidade = (Variação da quantidade) ÷ (Variação do preço) –1,62 Na tabela, verificamos que a elasticidade da demanda calculada é igual a –1,62, o que significa dizer que, para cada variação de 1% no valor do preço, a quantidade vendida variará 1,62% em sentido contrário. Ou seja, se o preço aumentar 5%, a quantidade vendida diminuirá 8,1%. O índice de elasticidade da demanda afere a quantidade que será vendida em razão da possível variação de preço e, embutidos os custos e as despesas variáveis, calcula o resultado em cada cenário para que se aumente (ou se diminua) o preço de venda. Existem diversos fatores que influenciam nos assuntos relacionados à formação de preços, como a concorrência e o aumento nos custos de produção ou de aquisição. A empresa deve estar sempre atenta para monitorar seus resultados e vislumbrar como pode melhorar seu desempenho frente ao mercado. Nessas situações, ela pode lançar mão da estratégia de mudança na forma de precificação ou do trabalho de redução de custos e despesas. Não devemos confundir o ponto de equilíbrio de mercado com o ponto de equilíbrio econômico de uma empresa (breakeven point). O ponto de equilíbrio econômico (ou ponto de nivelamento) é aquele em que a receita obtida pela venda dos produtos e dos serviços da empresa é igual ao total de despesas (custo total) que a empresa tem em determinado período. Como visto anteriormente, a receita e as despesas variam com as quantidades produzidas e vendidas. Com relação às vendas, não existindo variação no preço de venda, a receita varia linearmente com a quantidade vendida. Isso está representado na figura a seguir. Receita (R$) Quantidade Receita Figura 16 – Receita por quantidade 97 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Com relação ao custo total, ele parte do custo fixo existente na operação da empresa e varia linearmente com a quantidade produzida. A figura a seguir é um gráfico que representa a variação do custo total em função da quantidade produzida. Receita (R$) Quantidade Custo Custo fixo Figura 17 – Custo por quantidade Quando fazemos a superposição dos gráficos das duas figuras anteriores, obtemos o gráfico da figura a seguir. Receita (R$) Quantidade Custo Prejuízo Receita Lucro Ponto de equilíbrio Figura 18 – Breakeven point No gráfico da figura anterior, notamos que, para pequenas quantidades vendidas, a receita não é suficiente para pagar o custo total e, nessa situação, há prejuízo. Acima de determinada quantidade, a receita é maiordo que o custo e existe lucro na operação. O ponto de interseção entre as duas curvas é aquele em que a receita é igual ao custo. Esse ponto é conhecido como ponto de equilíbrio, breakeven point ou ponto de nivelamento. Ou seja, existe uma quantidade de itens produzida (e vendida) que equilibra as contas da empresa. Abaixo dela, ocorre prejuízo, e, acima dela, ocorre lucro. Conhecer essa quantidade é de vital importância para a sobrevivência salutar de uma empresa. 98 Unidade III 6.6 Exemplos para a fixação do conteúdo A seguir, apresentamos dois exemplos para fixar o conteúdo visto até o momento. Exemplo de aplicação Exemplo 1 A produção de determinado bem custa ao produtor 16 unidades monetárias ($ 16). O custo fixo associado à produção desse bem é igual a 120 unidades monetárias ($ 120). O preço do bem no mercado é igual a 20 unidades monetárias ($ 20). Use a função de custo total e a função de receita total para calcular o breakeven point. Sobre o ponto de equilíbrio, assinale a alternativa correta. A) O ponto de equilíbrio é igual a 36 unidades. B) A receita do ponto de equilíbrio é igual a $ 600. C) O ponto de equilíbrio é igual a 30 unidades ou $ 480,00 de receita. D) O custo total do ponto de equilíbrio é igual a $ 500,00. E) No ponto de equilíbrio, a receita total é igual a $ 1.250 e o custo total é igual a $ 825. Resolução Vamos examinar cada uma das alternativas. A alternativa A é incorreta. O ponto de equilíbrio é igual a 30 unidades. Indicando o custo total por CT, a quantidade por Q e a receita total por RT, podemos escrever: CT = 120 + 16 × Q e RT = 20 × Q No ponto de equilíbrio, o custo total é igual à receita total: CT = RT 120 + 16 × Q = 20 × Q 120 = 20 × Q – 16 × Q 120 = 4 × Q Q = 30 A alternativa B é correta. Se Q = 30, então RT = 30 × $ 20 = $ 600. 99 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS A alternativa C é incorreta. Embora a quantidade no ponto de equilíbrio esteja correta (30 unidades), a receita obtida por essa quantidade é igual a $ 600,00, e não a $ 480,00. A alternativa D é incorreta. Se o ponto de equilíbrio compreende uma receita de $ 600,00, então o custo total no ponto de equilíbrio é, obrigatoriamente, igual a $ 600,00. A alternativa E é incorreta. No ponto de equilíbrio, a receita e o custo são iguais. Exemplo 2 O custo unitário de produção de determinado bem é de R$ 29,00, e o custo fixo associado à produção é de R$ 480,00. Se o preço de venda desse bem no mercado é de R$ 35,00, assinale a alternativa correta. A) O ponto de nivelamento e o ponto de equilíbrio econômico são coincidentes. B) A quantidade do ponto de nivelamento é igual a 70. C) A receita obtida pela quantidade do breakeven point é igual a R$ 2.700,00. D) O custo total quando do ponto de nivelamento é igual a R$ 2.600,00. E) No ponto de nivelamento, o LT é superior à unidade. Resolução Vamos examinar cada uma das alternativas. A alternativa A é correta. O ponto de nivelamento e o ponto de equilíbrio econômico significam a mesma coisa. É o ponto em que a receita obtida pela quantidade vendida paga os custos e as despesas operacionais da empresa. A alternativa B é incorreta. Indicando o custo total por CT, a quantidade por Q e a receita total por RT, podemos escrever: CT = 480 + 29 × Q e RT = 35 × Q No ponto de equilíbrio, o custo total é igual à receita total : CT = RT 480 + 29 × Q = 35 × Q 480 = 35 × Q – 29 × Q 480 = 6 × Q Q = 80 100 Unidade III Ou seja, a quantidade do breakeven point é igual a 80. A alternativa C é incorreta. A receita total obtida no ponto de nivelamento é igual a R$ 2.800,00, pois: RT = 35 × Q RT = 35 × 80 RT = R$ 2.800,00 A alternativa D é incorreta. No ponto de nivelamento, o custo total é igual a R$ 2.800,00, pois ele é igual à receita. A alternativa E é incorreta. No ponto de nivelamento, o lucro total (LT) é igual a zero. 101 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Resumo Nesta unidade, abordamos o importante processo de formação do preço de venda como estratégia usada pelas empresas para precificar de forma justa – tanto para o comprador quanto para o vendedor – seus produtos e serviços. Os critérios de formação de preço devem ser os mais ajustados possíveis, pois seu cálculo representará o lucro real das empresas. Com isso, a saúde financeira da empresa deverá manter‑se boa, e a organização poderá honrar seus compromissos e reinvestir parte do seu lucro em crescimento sustentável. O aspecto financeiro é, sem dúvida, muito importante, mas o aspecto mercadológico também é relevante e deve ser compreendido e aplicado na formação do preço de venda. Caberá também às empresas manter o seu preço próximo dos preços praticados pelos seus concorrentes. Enfatizamos que devem ser considerados, no processo de precificação, o nível de força e conhecimento de marca, a participação de mercado, o volume de vendas e as estratégias de mercado da concorrência. A partir desse ponto, começamos a compreender que existem outras variáveis importantes a serem vistas, além daquelas usadas em cálculos matemáticos. Vimos que desenvolver uma precificação competitiva com o mercado é uma ação que demanda muito conhecimento da empresa e de todas as variáveis que dão origem ao preço final de venda. Aprendemos ainda que a definição de uma estrutura de custos é parcela importante nesse processo. Em seguida, estudamos as principais técnicas de precificação utilizadas pelas empresas, como a margem de contribuição, a técnica de marcação de preço – markup – e a pesquisa de preço, elementos que contribuem para maior assertividade na formação de preço e melhoria da lucratividade. Essas técnicas têm como princípios a boa gestão de custos, a margem de lucro real e o trabalho contínuo de melhorias acerca de custos e despesas variáveis. O lucro é o maior objetivo de uma organização com fins lucrativos. Lembramos que sempre devemos observar o equilíbrio do preço e os aspectos econômicos. Além disso, precisamos acompanhar o fenômeno de oferta e demanda do mercado, com todas as suas variáveis e as suas consequências. Por fim, abordamos de forma objetiva os aspectos de tributação, ou seja, analisamos as taxas e os impostos que interferem diretamente na formação do preço. Tais conceitos serão aprofundados mais adiante. 102 Unidade III Exercícios Questão 1. (Enade 2012, adaptada) Leia o texto a seguir. O ponto de equilíbrio financeiro, um dos indicadores obtidos pela análise custo‑volume‑lucro, também chamada de análise do ponto de equilíbrio, é obtido em volume de unidades produzidas pela relação existente entre despesas e custos fixos totais desembolsáveis e a margem de contribuição unitária. Adaptado de: ASSAF NETO, A.; LIMA, F. G. Fundamentos de administração financeira. São Paulo: Atlas, 2010. p. 123. Um fabricante vende seus produtos a R$ 20,00 a unidade. Seus custos fixos operacionais são de R$ 1.000,00 por mês, incluídos R$ 100,00 de depreciações. Ele amortiza, mensalmente, R$ 100,00 de financiamentos, e sua empresa tem custo variável de R$ 10,00 por unidade produzida. Nessas condições, o ponto de equilíbrio financeiro ocorrerá quando o nível de produção chegar a: A) 120 unidades. B) 110 unidades. C) 100 unidades. D) 90 unidades. E) 80 unidades. Resposta correta: alternativa C. Análise da questão Inicialmente, vamos calcular a margem de contribuição unitária. Margem de contribuição unitária = preço de venda – (custos + despesas variáveis) Margem de contribuição unitária = R$ 20,00 – R$ 10,00 = R$ 10,00 Margem de contribuição unitária = R$ 10,00 O ponto de equilíbrio financeiro (PEF) é calculado conforme mostrado a seguir. PEF = custos fixos desembolsáveis + pagamento de juros e amortização de dívidas margem de contribuição unitária 103 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS PEF = (R$ 1.000,00 – R$ 100,00) + R$ 100,00 R$ 10,00 = 100 unidades PEF = 100 unidades Questão 2. (Enade 2012, adaptada) Uma cooperativa fabricachapéus utilizados por produtores rurais no interior do país, que os adquirem por R$ 13,00, a unidade. Na sua fabricação, utiliza‑se matéria‑prima extraída da vegetação nativa, a um custo unitário de R$ 3,00. Mensalmente, os custos fixos dessa organização totalizam R$ 10.000,00, incluindo os gastos com mão de obra, que chegam a 60% do custo fixo. Os gestores dessa entidade precisam decidir sobre a demanda de aumento salarial apresentada pelo sindicato dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, têm que definir a nova meta de produção para suprir a necessidade de fundos por causa do aumento nos custos fixos. No intuito de solucionar o problema apresentado: A) A produção mínima deverá manter‑se em 2.000 chapéus por mês, que é o ponto de equilíbrio operacional, sem que os gestores concedam reajuste salarial. B) A produção mínima continuará a ser de 600 chapéus por mês, que é o ponto de equilíbrio operacional atual, sem que os gestores concedam reajuste salarial. C) A produção mínima da associação deverá ser de 1.060 chapéus por mês, que será seu novo ponto de equilíbrio operacional, no caso de os gestores decidirem conceder um reajuste salarial de 10%. D) A cooperativa necessitará vender 4.200 chapéus a cada mês, que será seu novo ponto de equilíbrio operacional, no caso de os gestores decidirem conceder um reajuste de 10% e de projetarem um lucro de R$ 2.000,00 por mês. E) A cooperativa terá de vender 1.260 chapéus, que será seu novo ponto de equilíbrio operacional, no caso de os gestores decidirem conceder um reajuste de 10% e de projetarem um lucro de R$ 2.000,00 por mês. Resposta correta: alternativa C. Análise das alternativas A e B) Alternativas incorretas. Justificativa: inicialmente, vamos calcular a margem de contribuição unitária. Margem de contribuição unitária = preço de venda – (custos + despesas variáveis) Margem de contribuição unitária = R$ 13,00 – R$ 3,00 = R$ 10,00 Margem de contribuição unitária = R$ 10,00 104 Unidade III O ponto de equilíbrio operacional (POP) é calculado conforme mostrado a seguir. POP = custos fixos + despesas fixas margem de contribuição unitária Logo, no caso de os gestores não concederem o reajuste salarial, o ponto de equilíbrio operacional continuará a ser o que segue. Ponto de equilíbrio operacional = R$ 10.000,00 R$ 10,00 = 1.000 chapéus C) Alternativa correta. Justificativa: se os gestores decidirem conceder um reajuste salarial de 10%, o novo ponto de equilíbrio operacional passará a ser de 1.060 chapéus, conforme calculado a seguir. Ponto de equilíbrio operacional = R$ 10.600,00 (R$ 10,00) =1.060 chapéus D e E) Alternativas incorretas. Justificativa: quando a empresa deseja conhecer os níveis de produção e de venda mínimos para cobrir seus custos fixos e ainda obter determinado lucro desejado, o cálculo a ser feito é o do ponto de equilíbrio econômico (POE), calculado a seguir. Ponto de equilíbrio econômico = custos fixos + despesas fixas + custo de oportunidade margem de contribuição unitária Ponto de equilíbrio econômico = R$ 10.600,00 + R$ 2.000,00 R$ 10,00 Ponto de equilíbrio econômico = 1.260 chapéus 105 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Unidade IV 7 ASPECTOS TRIBUTÁRIOS NA FORMAÇÃO DE PREÇOS Nesta unidade, abordaremos temas que implicam os aspectos tributários da formação de preços (ICMS, IPI, PIS e Cofins). Estudaremos ainda tópicos que se referem aos projetos de investimento e às operações financeiras das empresas, além de hedge na formação de custos e de preços. Inicialmente, é importante destacar que a carga tributária em produtos ou serviços são custos diretos e custos variáveis que, obrigatoriamente, devem ser apurados e aplicados no preço de venda. Para estar em conformidade com os processos contábeis e financeiros de uma empresa e obter bom retorno financeiro, é preciso compreender todos os aspectos fiscais e tributários envolvidos, que são obrigações legais que a empresa deve cumprir. O setor responsável da companhia deve zelar pelo controle fiscal e tributário, no intuito de evitar multas ou sanções dos órgãos fiscalizadores do governo em todas as esferas (municipal, estadual e federal) e garantir que a empresa tenha um crescimento sustentável e lucrativo. Lembrete Formação de preços é o processo administrativo que possibilita o cálculo do melhor preço de venda de um produto ou de um serviço, permitindo pagar os custos e as despesas e, ao mesmo tempo, obter lucro. 7.1 Tributos, precificação e lucratividade Vimos que toda organização com fins lucrativos deve dominar a melhor maneira de precificar seus produtos ou serviços, a fim de obter lucros reais. Seja qual for o método de precificação escolhido, é fator primordial entender a influência da carga tributária nos preços de venda. A seguir, vamos compreender melhor de que trata o tema tributação. Segundo o site Portal Tributário (FORMAS…, [s.d.]), denomina‑se tributação a aplicação de tributos (contribuição financeira), pelos governos, sobre a renda, o consumo e o patrimônio de pessoas físicas ou jurídicas. As formas de tributação utilizadas pelos governos dividem‑se em: • tributação direta; • tributação indireta. 106 Unidade IV A tributação direta trata do recolhimento financeiro aplicado diretamente sobre a renda, o patrimônio ou o consumo. Alguns exemplos de tributação direta: imposto de renda, contribuição previdenciária sobre o salário, IPTU e IPVA. A tributação indireta é aquela cujo valor, embutido no preço final do produto, é repassado ao consumidor. Um exemplo de tributação indireta: impostos na conta de telefone ou de energia elétrica se transformam em imposto indireto quando repercutem no preço final do produto; é o que acontece no Brasil, onde, na compra de bens de consumo, incidem tributações como ICMS, IPI, PIS e Cofins. As principais tributações do mercado brasileiro são: • o ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação); • o IPI (imposto sobre produtos industrializados); • o ISS (imposto sobre serviços de qualquer natureza); • o imposto de renda; • a CSLL (contribuição social sobre o lucro líquido); • o PIS (programa de integração social); • a Cofins (contribuição para o financiamento da seguridade social); • as contribuições sobre a folha de pagamento. Ainda segundo o site Portal Tributário, estima‑se que a soma dos tributos e encargos cobrados das atividades econômicas represente aproximadamente 35% do PIB no Brasil. Ou seja, de cada R$ 1,00 produzido, R$ 0,35 são destinados, na forma de tributos, para o governo federal, estadual e municipal. É preciso apenas reconhecer que, em operações comerciais, a carga tributária corresponde a custos diretos relacionados com a variação de vendas – quanto maior for essa variação, maior será a incidência de tributos. Nesse sentido, não há dúvida de que a melhor forma de definir preços de venda é considerar todos os custos diretos, indiretos e variáveis implicados nos produtos ou serviços. Por exemplo: • comissões ou outros pagamentos (prêmios); • mão de obra; • custos e despesas gerais; • tributações, taxas e impostos. 107 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS É importante diferenciar os termos tributação, taxa e imposto. Vejamos. • Tributação: incide diretamente na operação (venda). • Taxa: pagamento extra de algum serviço prestado por um órgão público (exemplo: taxa do lixo). • Imposto: pagamento periódico para o governo, que devolverá essa quantia monetária na forma de algum benefício para a empresa ou para a população. 7.2 Regime tributário O regime tributário estabelece como o contribuinte deve tributar (ou seja, pagar) seus resultados, suas operações, seus rendimentos ou suas rendas para o governo. Cada empresa utiliza o regime no qual melhor se enquadra para o pagamento correto dos tributos e dos impostos obrigatórios. No Brasil, os três principaisregimes tributários são os explicados a seguir. • Simples Nacional: trata‑se de um regime tributário simplificado que facilita a vida de pequenas e microempresas. Nesse regime, além de carga tributária menor, o principal benefício é a permissão do recolhimento de vários tributos federais, estaduais e municipais em uma só guia de recolhimento. • Lucro Presumido: trata‑se do modelo de tributação simplificada do imposto de renda de pessoa jurídica (IRPJ) e da CSLL. Depois do Simples Nacional, é o modelo tributário com o maior número de adesão de empresas no Brasil. • Lucro Real: trata‑se do regime tributário que incide sobre o lucro líquido das empresas no período de apuração, considerando valores a adicionar ou a descontar permitidos pela lei. Dessa forma, antes de declarar a lucratividade real, é necessário avaliar o lucro líquido de cada ano ou período, de acordo com a legislação vigente no país. Nos dois primeiros modelos, os tributos ICMS, ISS, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins são calculados sobre o valor do faturamento apurado no período. No modelo do Lucro Real, dos seis impostos citados, apenas o IRPJ e a CSLL são obrigatoriamente calculados sobre o valor do lucro líquido antes do IR e da CSLL. É bom lembrar que as empresas podem escolher o regime tributário, desde que se encaixem nos requisitos legais. As micro e pequenas empresas representam 99% das companhias brasileiras e respondem por cerca de 30% do PIB. Essas empresas, em sua grande maioria, são optantes pelo Simples Nacional, por questões práticas e pelas facilidades possibilitadas por esse modelo de tributação (ONU…, 2022). No geral, desde que foi criado, em 1996, ele proporcionou às empresas uma forma muito mais segura de estar em dia com as suas obrigações legais e contábeis. Imagine que você vai abrir uma microempresa para negociar algum tipo de produto ou até mesmo para fornecer serviços para outras empresas e/ou pessoas físicas. A primeira questão legal que precisará resolver é como enquadrar sua empresa no regime tributário pertinente. Nesse caso específico (de 108 Unidade IV pequena ou microempresa), você precisará aderir ao Simples Nacional, que reúne todas as formas de tributação em um só modelo de atuação. Isso é benéfico para sua empresa, que terá menos trabalho para responder legalmente a todas as questões que tangem ao processo de fiscalização tributária. 7.3 ICMS O imposto sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (seu nome mais longo e completo), ou ICMS, é um imposto definido para todas as empresas que comercializam algo ou oferecem algum tipo de serviço remunerado, e é de competência dos estados e do Distrito Federal. Ele foi criado em 1988, juntamente com a nova constituinte federal do Brasil, e passou a vigorar em todo o território nacional em 1º de março de 1989. Com o seu surgimento, impostos antigos foram eliminados. Após sete anos em vigor, foi alterado pela Lei Complementar n. 87, de 13 de setembro de 1996 (Lei Kandir), com pequenos ajustes. Depois de mais alguns anos, vieram novas alterações por leis complementares, como a Lei Complementar n. 92, de 23 de dezembro de 1997, a Lei Complementar n. 99, de 20 de dezembro de 1999, e a Lei Complementar n. 102, de 11 de julho de 2000. Todas as pessoas jurídicas (empresas) que operam no território nacional são obrigadas a recolher o ICMS, que deve ser incluído na nota fiscal de produtos ou serviços, em campo específico e de destaque, com o percentual do valor recolhido sobre o valor total da mercadoria ou do produto especificado na nota fiscal. Vejamos, a seguir, um exemplo de preenchimento no campo “cálculo do imposto” de uma nota fiscal. • Base de cálculo do ICMS (valor da mercadoria ou do produto): R$ 5.385,53 • Valor do ICMS: R$ 646,26 • Alíquota: 12% Vale lembrar que, no caso de mercadorias e produtos destinados à industrialização ou à comercialização, o ICMS é calculado sobre o valor da mercadoria ou do produto. Quando as mercadorias e os produtos são destinados ao ativo imobilizado ou ao uso e consumo, o ICMS é calculado sobre o total da nota fiscal. Logo, o IPI integra a base do ICMS. Segundo a Lei Complementar n. 87 (BRASIL, 1996), o ICMS incide diretamente sobre: I – operações relativas à circulação de mercadorias, inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares, restaurantes e estabelecimentos similares; II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, por qualquer via, de pessoas, bens, mercadorias ou valores; 109 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS III – prestações onerosas de serviços de comunicação, por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos municípios; V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços, de competência dos municípios, quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual; § 1º O imposto incide também: I – sobre a entrada de mercadoria ou bem importados do exterior, por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) II – sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior; III – sobre a entrada, no território do estado destinatário, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e de energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou à industrialização, decorrentes de operações interestaduais, cabendo o imposto ao estado onde estiver localizado o adquirente. Em relação ao pagador de tributos, ele recebe o nome de contribuinte, tanto no papel de pessoa física quanto no papel de pessoa jurídica. Ao contribuinte, cabe arcar com o valor de todas as transações de caráter comercial, operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Também tem papel de contribuinte, mesmo sem realizar transações habituais, qualquer pessoa física ou jurídica que: • importe mercadorias do exterior, ainda que as destine ao consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento; • seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior; • adquira, em licitação, mercadorias apreendidas ou abandonadas; • adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização. 110 Unidade IV Observação O ICMS é uma tributação não cumulativa, sendo compensado o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro estado. O ICMS é uma tributação que incide sobre a operação realizada, descontados os valores pagos desse tipo de imposto para a aquisição de bens e serviços sem os quais a operação não poderia ser efetuada. Veja, a seguir, um exemplo de tributação do ICMS. • Total do ICMS devido em função da operação realizada: R$ 100.000,00 • Valor do imposto anteriormente cobrado, decorrente da entrada de mercadorias: R$ 20.000,00 • Valor do ICMS a pagar: R$ 100.000,00 – R$ 20.000,00 = R$ 80.000,00 Destacamos que o cálculo do ICMS é considerado “por dentro”, ou seja, já está embutido no valor da operação. 7.4 ISS O imposto sobre serviços (ISS) é a tributação recolhida pelo governo municipal e federal e é paga sobre a prestação de serviços. Foi consolidado pela Lei Complementar n. 116, de 31 de julho de 2003. O ISS deve ser pago por profissionais autônomos e por empresas prestadoras de serviços. A alíquota do ISS varia de acordo com o município, e, no caso das empresas, pode chegar a5%. Profissionais liberais com diploma de Ensino Superior (advogados, médicos, arquitetos, administradores etc.) sem qualquer vínculo empregatício com empresas contribuem com o ISS de forma anual. Em caso de profissional não inscrito na prefeitura de seu município como autônomo, os tributos são pagos pelo contratante do serviço, subtraindo‑os do valor pago pelo serviço ao prestador. Existem três modalidades de contribuição. • Por período mensal, de acordo com a alíquota da tabela de serviços. O imposto pode ser recolhido de três maneiras, apresentadas a seguir. — Por faturamento: diretamente na nota fiscal. — Por estimativa: valores apurados pela fiscalização com processo administrativo regular. — Por sujeição passiva: regime de substituição tributária, quando o contratante dos serviços tem responsabilidade solidária com o prestador de serviços para o pagamento do tributo. 111 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS • Pelo valor estimado pela fiscalização municipal. • De forma anual, cuja contribuição é um valor fixo, estabelecido de acordo com a atividade desempenhada. Profissionais liberais com 70 anos ou mais são isentos dessa tributação. Existem empresas do terceiro setor que também podem ser isentas, de acordo com art. 15, de imunidade constitucional, da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Observação Empresas do terceiro setor, geralmente, são organizações não governamentais (ONGs) que trabalham com problemas sociais, como eliminação da fome, questões ambientais, direitos humanos, proteção infantil, moradia, ecologia etc. 7.5 IRPJ O imposto de renda de pessoa jurídica (IRPJ) é cobrado de empresas com cadastro jurídico e de todas as outras que não são registradas, como empresas estatais, pertencentes a sociedades mistas, empresas em estado de falência ou empresas de negócios rurais. O pagamento é realizado por meio do documento de arrecadação de receitas federais (Darf) e pode ser feito trimestralmente, nos dias 30 ou 31 dos meses de março, junho, setembro e dezembro, ou anualmente, no dia 31 de dezembro de todo ano (isso se optante pelo Lucro Real como modalidade). O IRPJ depende do regime tributário em que a empresa se enquadra. Existem quatro opções de enquadramento para as empresas contribuintes, conforme explicado a seguir. • Simples Nacional: como vimos, é ideal para empresas menores e apresenta uma série de facilidades para tornar simples a relação do empreendedor com as diferentes obrigações legais. As pessoas jurídicas que optam pelo pagamento do Simples Nacional devem cumprir com as exigências do governo federal. • Lucro Real: é uma alternativa para a maioria das empresas, mas é uma obrigatoriedade para instituições que atuam no setor financeiro, como bancos e corretoras de títulos. Todos os que não se enquadram no Simples ou no Lucro Presumido são tributados no Lucro Real. • Lucro Presumido: é a principal alternativa em relação ao Lucro Real. O Lucro Presumido destina‑se a companhias que apresentam faturamento anual entre R$ 4,8 milhões e R$ 78 milhões. Nele, as empresas não precisam apresentar sua contabilidade detalhadamente para mostrar como alcançaram seus resultados. 112 Unidade IV • Lucro Arbitrado: modalidade especial de tributação, aplicada quando a empresa não atende às condições necessárias na prestação de contas nos regimes disponíveis, sejam eles o Simples Nacional, o Lucro Real ou o Lucro Presumido. Todas as empresas, menos os microempreendedores individuais (MEIs), precisam manter um sistema de contabilidade efetivo, feito por contador. 7.6 CSLL A contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) é uma tributação federal aplicada sobre a renda e os proventos de qualquer natureza. Incide sobre todas as pessoas jurídicas domiciliadas no país. As regras de apuração e pagamento coincidem com as do IRPJ. Outras normas são regidas por legislação específica para esse tipo de contribuição. Também pagam esse tributo as entidades consideradas sem fins lucrativos que não se enquadram na isenção descrita no art. 15 da Lei n. 9.532/1997, os fundos de investimento imobiliário, as empresas de crédito e as bolsas de valores e mercadorias, independentemente de estarem isentas do pagamento do imposto de renda. Há organizações isentas do pagamento da CSLL, como as entidades fechadas de previdência complementar (operadoras de planos de benefícios de natureza previdenciária). Também estão isentos órgãos de assistência social certificada, que são do tipo sem fins lucrativos, e as parceiras da administração pública, em apoio ao atendimento a grupos, indivíduos e famílias que estejam em condições de vulnerabilidade social ou risco pessoal. 7.7 PIS O programa de integração social (PIS) é o sistema de contribuição tributária pago pelas empresas com fins comerciais para financiar o pagamento de seguro‑desemprego, abono e participação na receita dos órgãos e entidades para os trabalhadores públicos e privados. Saiba mais Segundo o site da Caixa Econômica Federal, o fundo PIS‑Pasep é resultante da unificação dos fundos constituídos com recursos do PIS e do programa de formação do patrimônio do servidor público (Pasep). Entenda mais sobre o programa lendo a indicação a seguir. CAIXA. O que é o PIS. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3Kux4KS. Acesso em: 25 abr. 2022. 113 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Trata‑se de um programa governamental de complementação de renda que foi instituído com a justificativa de promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento da empresa. Na prática, consiste em um programa de transferência de renda que possibilita melhor distribuição da renda nacional. Saiba mais Aprofunde seus conhecimentos sobre o abono salarial com a leitura da indicação a seguir. CAIXA. O que é o abono salarial. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3krpiXE. Acesso em: 25 abr. 2022. 7.8 Cofins A contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins) foi criada em 1991 pelo governo federal com o objetivo de financiar o sistema de seguridade social e de arrecadar recursos financeiros para custear os serviços de previdência social, saúde pública e outros programas de assistência social. Trata‑se de um tributo federal que incide sobre a receita bruta das empresas e pessoas jurídicas. Geralmente, é cobrado com o PIS, e juntos são descritos como um único tributo: PIS/Cofins. O PIS e a Cofins incidem sobre a mesma base de cálculo, mas são duas alíquotas diferentes somadas no momento do recolhimento e pagas ao mesmo tempo. Por definição, a Cofins é destinada aos programas de seguridade social, e o PIS é usado para financiar programas de integração social. Devem arcar com a Cofins todas as empresas legalmente constituídas e as pessoas físicas equiparadas às empresas, de acordo com a regulamentação do imposto de renda. As exceções, nesse caso, são as empresas de pequeno porte e as microempresas que optam pelo sistema Simples Nacional. Há dois regimes para a apuração do PIS/Cofins: • o regime cumulativo; • o regime não cumulativo. No regime cumulativo, a base de cálculo é a receita bruta mensal auferida em razão do objeto social da empresa. Nesse regime, só entram as empresas tributadas pelo regime de Lucro Presumido. Na Cofins cumulativa, a alíquota é de 3%, além da alíquota de 0,65% do PIS. A fórmula de cálculo cumulativo é: PIS/Cofins = receita bruta × alíquotas (3% + 0,65%) 114 Unidade IV No regime não cumulativo, estão enquadradas as empresas tributadas pelo Lucro Real. Nesse regime, podem ser descontados os créditos estabelecidos pela legislação. A base de cálculo é o total de receitas auferidas pela empresa. Na Cofins não cumulativa, a alíquota é de 7,6%, além da alíquota de 1,65% do PIS. Sua fórmula de cálculo é: PIS/Cofins = receita bruta × alíquotas (7,6% + 1,65%) – créditos estabelecidos pela legislação × alíquotas (7,6% + 1,65%) O recolhimento é realizado por pessoa jurídica, que deverá emitir um Darf com o valora ser recolhido e efetuar o pagamento até o dia 25 do mês seguinte. Com o estudo sobre a tributação nas empresas, fica mais fácil avaliar o quanto o valor dos tributos impacta e onera a gestão de custo e a formação do preço de venda. Porém, entre pagar impostos em dia ou arcar com multas e juros por atraso, a escolha da primeira opção é mais sábia. Uma medida inteligente a ser adotada pela empresa é o planejamento tributário, processo que possibilita pagar menos impostos sem infringir a lei. Tal situação pode ser o ajuste no regime de recolhimento de impostos, o registro de uma nova atividade principal ou o aproveitamento de um benefício fiscal desconhecido. 8 OPERAÇÕES FINANCEIRAS As operações financeiras são realizadas por qualquer pessoa, física ou jurídica (empresa), que exerça atividades que envolvam algum tipo de recurso financeiro, para buscar crédito, para adquirir algum bem (automóvel e imóvel, ou, no caso de uma indústria, maquinário novo) que aumente sua linha de produção, para investir ou para alavancar um negócio. Para isso, existem os agentes financeiros que operam no mercado financeiro (já descrito neste livro) e que colaboram para a possibilidade de operações financeiras no mercado brasileiro. Vejamos alguns exemplos. • Governo: concessões, títulos etc. • Bancos: crédito, investimentos, controle financeiro. • Casas de câmbio: moeda, câmbio (troca) e operações no exterior. Mas, afinal, o que são as operações financeiras na empresa? Trata‑se das operações realizadas (investimento, aquisição, busca ou concessão de crédito etc.) com o objetivo de alavancar o negócio, gerar mais lucros e, consequentemente, obter mais recursos financeiros para a empresa. Visam a possibilitar que as empresas cuidem bem dos seus recursos financeiros e de seu patrimônio geral (ativos e passivos). 115 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Observação Alavancar, no sentido financeiro, significa aumentar, fomentar, dar impulso ou diversificar a capacidade monetária em busca do lucro, geralmente atrelado a algum tipo de risco. Alavancar também é buscar crédito financeiro para algum projeto de investimento (empreender, comprar uma empresa, comprar equipamentos etc.). No Brasil e no mundo, existem diversas formas de operação financeira, das quais podemos destacar: • empréstimo bancário; • concessão de crédito; • envio de dinheiro para o exterior; • recebimento de recurso do exterior; • operação de desconto (com duplicatas, por exemplo); • aplicação financeira; • emissão de títulos; • factoring. 8.1 Empréstimo bancário O empréstimo bancário é um tipo de contrato entre o banco e o cliente (pessoa física ou jurídica) em que o banco empresta o dinheiro para o cliente potencializar o seu capital financeiro e utilizá‑lo naquilo que mais precisa. Suponha que tenhamos um empreendedor já com o plano de negócio pronto, mas sem o capital. Se o empresário quiser iniciar o negócio imediatamente, o empréstimo poderá ser a solução. Esse empréstimo se dá sob uma recompensa ao credor chamada juros. Cada instituição financeira tem suas políticas de empréstimo e de juros. Cabe ao solicitante buscar o melhor custo × benefício, seja em forma de juros ou de prazo. Recomenda‑se que empréstimos financeiros de qualquer natureza sejam realizados com instituições financeiras reconhecidas e autorizadas pelo Banco Central do Brasil (Bacen). 116 Unidade IV 8.2 Concessão de crédito A concessão de crédito é o fornecimento de crédito para qualquer pessoa que adquira produtos ou serviços de uma empresa. Acontece muito com cartões de crédito ou private label (cartões personalizados de uma marca) e carnês de compra à prestação, entre outras modalidades. Empresas comerciais que concedem esse tipo de crédito geralmente têm um contrato de parceria com instituições financeiras, responsáveis pelo crédito financeiro e pelas operações de crédito. 8.3 Operação financeira no exterior Operação financeira no exterior é uma operação que envolve a entrada ou a saída de recursos financeiros do país. Muitas empresas multinacionais necessitam desse tipo de ação para operacionalizar seus negócios. Operações cambiais inferiores a R$ 3.000,00 não precisam ser justificadas perante órgãos públicos. No mundo corporativo, o mais comum é que as operações se enquadrem no modelo geral. Nesse caso, existem duas formas de enviar dinheiro para outro país: por correios ou via ordem de pagamento. Em ambos os casos haverá, pelo menos, duas partes envolvidas: o remetente e o beneficiário. No caso empresarial, o ideal é que as remessas sejam feitas por ordem de pagamento, já que os correios têm um limite de US$ 50.000,00 por operação. 8.4 Operação de desconto com duplicatas A operação de desconto com duplicatas corresponde à transferência de títulos para a posse do banco, mediante endosso. A empresa antecipa o recebimento do valor do título, por meio de um desconto, e transfere ao banco o direito de recebê‑lo. O valor do desconto é determinado em função do número de dias que faltam para que o título seja liquidado. Nesse tipo de operação, a empresa endossante é responsável, coobrigada pela liquidação dos títulos descontados. Assim, a responsabilidade da empresa somente desaparece quando acontece o pagamento do título pelo devedor. 8.5 Aplicação financeira A aplicação financeira é um investimento puro, com o objetivo de ganho financeiro como retorno. Pode ser feita em renda fixa ou em renda variável, nas quais são consideradas variáveis como tempo e juros. É o oposto do empréstimo, pois o investidor usa o dinheiro excedente para aplicar com o intuito de ganho com juros. No mercado financeiro, existem diversos produtos de investimento. Os mais comuns são os que seguem. 117 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS • Renda fixa: — títulos; — duplicatas; — tesouro; — CDB/RDB; — previdência. • Renda variável: — ações; — fundos imobiliários; — debêntures; — ouro; — dólar. Lembrete Mercado financeiro é o ambiente em que se realizam negociatas entre vários agentes financeiros, como bancos, governos, instituições financeiras e pessoas. 8.6 Emissão de títulos A emissão de títulos corresponde a contratos comercializáveis emitidos por empresas, bancos ou governos com o objetivo de captar dinheiro e pagar, no término do contrato, o valor do título com juros ao portador (adquirente). Os títulos são documentos que efetivam a relação de empréstimo estabelecida no investimento: enquanto o credor entrega determinado valor em dinheiro, o devedor se compromete a devolvê‑lo no futuro com o acréscimo de juros. Sob o ponto de vista do investidor, a modalidade se torna interessante porque apresenta vantagens particulares, capazes de maximizar o lucro. 118 Unidade IV 8.7 Factoring Segundo o site do Sebrae (s.d.), factoring (fomento mercantil ou comercial) é uma atividade caracterizada pela aquisição de direitos creditórios – por um valor à vista e mediante taxas de juros e de serviços – de contas a receber a prazo. Permite liquidez financeira imediata para micro e pequenas empresas, e não deve ser confundida com a operação praticada pelos bancos. Ainda de acordo com o Sebrae, surgiu com o objetivo de: • congregar todas as pessoas jurídicas que se dedicam às atividades de fomento mercantil; • difundir e valorizar o fomento mercantil como atividade geradora de riqueza; • representar e defender os interesses do fomento mercantil, atuando, para esse fim, junto aos poderes públicos – federais, estaduais e municipais –, bem como a entidades do setor privado; • estimular o desenvolvimento e aprimoramento tecnológico do fomento mercantil, buscando difundi‑lo no segmento das pequenas e médias empresas, por meio de cursos e seminários; • celebrar acordos e convênios de colaboração técnica ou de prestação de serviços com entidades públicas ou privadas; • firmar alianças e parcerias de interesse; • defender os interesses das empresas associadas; • orientare preservar o segmento do fomento mercantil dentro da legalidade. 8.8 Taxas e impostos nas operações financeiras As taxas que incidem nas operações financeiras em geral são: • imposto sobre operações financeiras (IOF); • imposto de renda na importação de serviços; • contribuição para intervenção no domínio econômico (Cide); • imposto sobre serviços (ISS); • programa de integração social (PIS importação); • contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins importação). 119 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Observação O IOF é uma alíquota que varia de acordo com a operação. Seu lançamento ocorre diariamente, mas o recolhimento é feito mensalmente. Incide em operações de crédito, seguro, câmbio e compra e venda de títulos mobiliários, entre outros. Sua arrecadação é feita pelo governo federal, o que lhe permite avaliar melhor a oferta e a demanda de crédito. Pela Constituição Federal, não necessita de aprovação pelo Congresso Nacional para ser alterado. Portanto, ele pode sofrer modificações a qualquer momento. O IOF é apenas uma das taxas cobradas em relação a operações financeiras, tanto para empresas quanto para pessoas comuns (físicas). Por sua vez, no caso de investimentos, é possível dividir os impostos em duas categorias: sobre rendimentos/dividendos e sobre ganho de capital. O primeiro caso é a remuneração conquistada. O segundo caso é a diferença entre o valor de resgate e o de aplicação. No caso dos impostos sobre ganho de capital, o tributo é pago quando se vende uma ação, exchange‑traded funds (ETF) ou real estate investment trust (Reit), ou quando se faz o resgate de um fundo de investimento. Conforme descrito, o IOF é o único tipo de tributo que recai sobre todas as operações financeiras e, portanto, é um dos mais importantes e precisa ser sempre avaliado quando uma transação for necessária para alavancar a empresa ou for preciso buscar recursos financeiros para alguma necessidade emergencial. 8.9 Operações de hedge Hedge (ou seguro) corresponde a operações de proteção sobre o capital investido que permitem que o investidor tenha opções de segurança ao investir, principalmente quando ocorrem oscilações inesperadas de preço no mercado. É uma prática antiga, desempenhada por agricultores e pecuaristas que levavam seus produtos às cidades para vender, mas desejavam reduzir o risco de queda acentuada nas cotações. Caso muitos levassem sua produção no mesmo dia, a oferta poderia ser bem superior à demanda, e os preços cairiam consideravelmente. Para isso não acontecer, compradores e vendedores passaram a negociar o preço antes da entrega. O principal objetivo da operação de hedge, portanto, é proteger um investimento ou um ativo contra possíveis perdas em um mercado de preços variáveis, além de assegurar que uma dívida seja paga no futuro com o valor estabelecido no momento da operação. 120 Unidade IV As principais formas de hedge do mercado financeiro são as mostradas a seguir. • Cambial: ações no câmbio (comprar dólar, por exemplo). • Natural: contratos futuros de exportação e importação. • Commodities: o mais antigo de todos. Refere‑se ao mercado de grãos, carne, soja, óleo etc. • Ações: diferentes tipos de produto em ações. De acordo com o modelo clássico de Modigliani e Miller (1958), na ausência de imperfeições de mercado, a gestão de risco deve ser incapaz de gerar valor para as empresas, dado que os acionistas poderiam fazê‑la ao mesmo custo por si sós. Mas o que observamos na realidade é a presença de fricções e uma grande demanda por operações destinadas ao hedge das posições. Estudos realizados nesse contexto sugerem indiretamente que o hedge possa ser uma estratégia não apenas protetora como também potencializadora do valor da firma. Com isso, muitas teorias foram sugeridas para justificar o emprego de políticas de hedge. De modo geral, podemos agrupá‑las em duas grandes correntes: uma corrente fundamentada na maximização do valor da firma para os acionistas e uma corrente baseada na maximização da utilidade pessoal dos gestores. O primeiro grupo compreende argumentos para o aumento do valor de uma empresa a partir dos parâmetros de avaliação. O segundo grupo compreende os motivos que indiretamente podem aumentar a utilidade de determinados personagens da empresa, em função das potenciais relações de agência. Assim, se o valor da empresa for representado pelo valor presente nos fluxos de caixa, as operações de hedge podem ser classificadas como pertencentes ao primeiro grupo de motivos a favor da relevância da gestão de riscos. Por outro lado, motivos que influenciem as atitudes de administradores, credores ou acionistas, e consequentemente aumentem a utilidade de alguns indivíduos, compõem o segundo grupo de argumentos a favor da relevância da gestão de riscos. 8.10 Exemplo para a fixação do conteúdo A seguir, apresentamos um exemplo para fixar o conteúdo visto. Exemplo de aplicação O cálculo do ICMS não é do tipo “tradicional”. O imposto sobre circulação de mercadorias e serviços prevê o cálculo por dentro. Diante disso, uma mercadoria cuja base de cálculo para o ICMS (18%) seja de R$ 46,00 terá seu custo majorado em quantos reais após a inclusão do valor do imposto? 121 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS A) R$ 18. B) R$ 64. C) R$ 11,20. D) R$ 10,10. E) R$ 8,28. Resolução Vamos examinar cada uma das alternativas. A alternativa A é incorreta. Para que o valor majorado fosse igual a R$ 18, teríamos que embutir o valor absoluto de R$ 18 no lugar da alíquota de 18%. A alternativa B é incorreta. O valor R$ 64 é o somatório do valor absoluto de R$ 18 com a base de cálculo do ICMS. A alternativa C é incorreta. Esse valor estaria correto se a alíquota incidente fosse superior a 19%. A alternativa D é correta. Ao fazer o cálculo “por dentro”, ou seja, ao dividir o valor da base de cálculo pelo inverso da taxa – R$ 46,00 ÷ 0,82 –, obtemos R$ 10,10 de acréscimo de tributo. A alternativa E é incorreta. O valor de R$ 8,28 é o total acrescentado de imposto pelo cálculo tradicional, ou no que é chamado de cálculo “por fora”: R$ 46,00 + 18%. 122 Unidade IV Resumo Nesta unidade, descrevemos os elementos que configuram os aspectos financeiros de uma organização no que tange ao processo de pagamento de impostos, tributos e taxas. Além disso, abordamos algumas das principais operações financeiras, de investimento e de hedge existentes para que empresas melhorem seu desempenho financeiro. É importante saber que ser um empreendedor, abrir uma empresa, tocar um negócio e ganhar dinheiro requer amplo conhecimento de todos os itens de tributação obrigatórios a fim de que não existam penalizações aplicadas por órgãos fiscalizadores e do governo. É igualmente importante ter ciência de que, por mais que exista uma alta carga tributária no Brasil, permanecer dentro da lei e das boas práticas é condição essencial para manter a vida financeira da empresa saudável. Já que a carga tributária é uma despesa variável, obrigatória e de alto custo, enfatizamos a necessidade de uma gestão estratégica de custos e de métodos de precificação, de modo que a empresa consiga reduzir efetivamente custos, tenha preços competitivos no mercado em que atua e, consequentemente, obtenha bons lucros. Conhecer cada um dos tipos de imposto ou de tributo é de suma importância, uma vez que cada tipo de negócio tem diversas e variáveis necessidades (lembrando que um negócio de importação e exportação terá mais tributações). Abordamos os aspectos que notabilizam as operações financeiras dos mais diversos tipos e modelos que podem contribuir para alavancar (potencializar) um negócio. Conhecer os tipos específicos de investimento também pode ser uma saída para melhorar os ganhos financeiros, com aplicações em ativos que tenham boas chances de dar retorno financeiro. Estudamos de modo particular as operações de hedge, que visam a proteger o capital investidopor pessoa jurídica ou pessoa física, possibilitando a redução dos prejuízos em caso de acontecimentos ou eventos inesperados, de caráter econômico, governamental ou natural. 123 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Exercícios Questão 1. (Enade 2015) Determinada empresa coletou, para formação do preço de venda de seu único produto, as informações a seguir. Tabela 17 Custo por unidade produzida R$ 120,00 Tributos incidentes sobre vendas (ICMS, PIS, Cofins, IPI) 29,65% Despesas com vendas 3,00% Despesas administrativas 2,35% Margem de lucro desejado 25,00% A partir das informações apresentadas, conclui‑se que o preço de venda à vista a ser praticado pela empresa deve ser de: A) R$ 200,00. B) R$ 300,00. C) R$ 320,00. D) R$ 340,00. E) R$ 360,00. Resposta correta: alternativa B. Análise da questão Os percentuais apresentados na questão são referentes ao preço de venda (PV). Assim, o preço de venda deve ser igual ao custo por unidade produzida (C) somado ao produto entre o preço de venda e a soma dos percentuais da tabela. Ou seja: PV = ( 29,65% + 3% + 2,35% + 25% ) 100% PV+C PV = (0,2965 + 0,03 + 0,0235 + 0,25) PV + 120 PV = 0,6 PV + 120 PV – 0,6 PV = 120 0,4 PV = 120 124 Unidade IV PV = 120 = 300 0,4 PV = R$ 300,00 Questão 2. (FCC/Alepe 2014) Determinado estabelecimento atacadista contribuinte do ICMS envia proposta de venda de mercadorias sem a inclusão de impostos, os quais serão acrescidos por ocasião do faturamento, obtendo‑se o preço total a ser cobrado do cliente. O valor da mercadoria sem o ICMS é R$ 1.500,00. Nesse caso, a mercadoria é beneficiária de alíquota zero de PIS, Cofins e IPI. Nenhum outro imposto ou contribuição, portanto, será cobrado além do próprio imposto estadual. Por ocasião do faturamento, será acrescido o ICMS, que representa 18% do valor da operação. O valor do ICMS que deverá constar na nota fiscal de venda, por ocasião do faturamento ao cliente, é: A) R$ 270,00. B) R$ 329,27. C) R$ 300,00. D) R$ 180,00. E) R$ 1.230,00. Resposta correta: alternativa B. Análise da questão Para termos o “valor líquido” de R$ 1.500,00 com ICMS de 18%, devemos fazer a sequência de cálculos mostrada a seguir. 100% – 18% = 82% 82% ÷ 100 = 0,82 R$ 1.500,00 ÷ 0,82 = R$ 1.829,27 R$ 1.829,27 – R$ 1.500,00 = R$ 329,27 Podemos ver que 18% de R$ 1.829,27 são R$ 329,27 e que R$ 1.829,27 menos R$ 329,27 resulta em R$ 1.500,00. Concluímos que, para o caso em estudo, o valor do ICMS que deverá constar na nota fiscal de venda, por ocasião do faturamento ao cliente, é igual a R$ 329,27. 125 REFERÊNCIAS Textuais ASSEF, R. Guia prático de formação de preços. São Paulo: Digitaliza, 2021. BANAS QUALIDADE. Gurus da qualidade mundial: conhecendo a biografia dos grandes pensadores mundiais da qualidade. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3y7EjpD. 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Acesso em: 25 abr. 2022. BRASIL. Lei Complementar n. 116, de 31 de julho de 2003. Brasília, 2003. Disponível em: https://bit.ly/38FTWtK. Acesso em: 25 abr. 2022. BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Brasília, 1976. Disponível em: https://bit.ly/3vsHZAp. Acesso em: 25 abr. 2022. BRASIL. Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Brasília, 1997a. Disponível em: https://bit.ly/3EXVRFX. Acesso em: 25 abr. 2022. BRUNI, A.; FAMA, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012. CAIXA. O que é o abono salarial. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3krpiXE. Acesso em: 25 abr. 2022. 126 CAIXA. O que é o PIS. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3Kux4KS. Acesso em: 25 abr. 2022. CAMARGO, E. S. F. Gestão financeira para negócios em alimentação. São Paulo: Senac, 2017. DE ANGELO, C. F.; BELTRAME, N. B.; DIAS, N. M. M. Custos dos produtos e formação de preços. São Paulo: Saint Paul, 2022. v. 3. FERNANDES, D. P. 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Por fim, trataremos de aspectos tributários da formação de preços (ICMS, IPI, PIS e Cofins) e de operações financeiras (hedge na formação de custos e de preços). O principal intento deste livro é capacitar o aluno com conhecimentos sobre: • as significativas transformações culturais e sociais envolvidas no escopo da disciplina; • o processo da transformação digital e tecnológica movido a grande velocidade por novos conhecimentos científicos; • as grandes inovações apresentadas pelo setor produtivo, pela área de negócios e pela sociedade em geral. É necessário destacar também os avanços processuais, produtivos e comerciais instigados pela evolução da gestão empresarial, principalmente no caso do foco deste livro-texto, as áreas contábeis e financeiras, que são as principais responsáveis e interessadas nos processos de gestão de custos e formação de preços. Esta disciplina terá impacto no seu entendimento de como buscar o melhor lucro para a empresa. Embora nossos cursos formem profissionais especializados em diversos setores ou áreas, uma disciplina como esta tende a fornecer informações para que o aluno desenvolva competências e habilidades sobre o pensamento estratégico empresarial, a fim de lidar com situações diversas na área de gestão de custos e formação de preços. Bom estudo! 11 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Unidade I 1 CONCEITOS APLICADOS À GESTÃO DE CUSTOS Você já parou para pensar por que um produto ou serviço tem exatamente aquele determinado valor? Ou por que os preços dos mesmos produtos ou serviços podem ser diferentes em diversos pontos comerciais? Ou ainda por que os preços sobem e descem ao longo do tempo? Para responder a essas questões, é necessário compreender os fatores que interferem no custo de produção e de comercialização e entender os fatores internos e externos que podem influenciar os preços e impactar os custos e as despesas de uma organização. São inúmeros os fatores, os quais abordaremos ao longo deste livro. Primeiramente, pretendemos fazer uma clara introdução à gestão estratégica de custos e aos elementos principais do conteúdo programático. O tema, de muita relevância, proporcionará melhor entendimento sobre os tópicos seguintes e mostrará que a gestão e a estratégia são componentes primordiais para os custos de uma companhia como um todo. Começaremos com a frase de um perito na área de custos e grande administrador contemporâneo, Taiichi Ohno: “Custos não existem para serem calculados. Custos existem para serem reduzidos” (FRASES…, [s.d.]). Observação Taiichi Ohno é o responsável pela criação do sistema Toyota de produção. Nascido na China, formou-se em Engenharia Mecânica e entrou para a Toyota Spinning and Weaving em 1932. Em 1943, foi transferido para a Toyota Motor Company. Em 1975, tornou-se vice-presidente executivo. Além de criador do sistema Toyota de produção, é considerado o pai do Sistema Kanban. Em 1988, publicou um livro sobre as inovações que caracterizam o sistema dentro do contexto histórico em que surgiram (FRASES…, [s.d.]). Ao analisar a pragmática frase de Taiichi Ohno, um dos principais responsáveis pelo padrão Toyota de produção, fazemos uma ponderação sobre as diversas ações e perspectivas envolvidas para que os custos de uma companhia sejam reduzidos, em prol de benefícios como a maximização dos lucros e o estabelecimento de preços mais competitivos. 12 Unidade I A gestão estratégica de custos é um processo de melhoria contínua, que possibilita que as empresas cresçam de maneira efetiva e sustentável, e serve como base para que negócios tenham melhores resultados. Observação O sistema Toyota de produção é o sistema de produção industrial de automóveis que se tornou notório por flexibilizar a fabricação dos seus produtos. Criado no Japão pela empresa Toyota, na década de 1970, seu objetivo era produzir apenas o estoque necessário para atender à demanda e, assim, reduzir custos de fabricação e, principalmente, de estocagem de produtos. Nessa mesma linha de raciocínio, propomos alguns questionamentos significativos antes de prosseguirmos. • Qual é a importância de uma eficiente gestão estratégica de custos para as organizações? • Quais são as áreas de uma organização que podem colaborar para uma boa gestão de custos? • Quais são os processos que podem ser melhorados para reduzir os custos de uma empresa? São questionamentos talvez difíceis de serem respondidos, mas de grande relevância no processo de gestão estratégica de custos, razão principal deste livro. Ao direcionar nossa percepção para uma visão mais corporativa, fica fácil compreender que as empresas, independentemente de seu tamanho e de seu nicho de negócio, buscam novos métodos para maximizar seus ganhos financeiros, aumentar o volume de suas vendas e elevar o número de seus consumidores, além de expandir suas marcas, seus produtos e seus serviços, potencializando seus negócios. Assim, as organizações prosperam e tornam-se de fato lucrativas. Na construção de uma efetiva gestão de custos, é necessário observar elementos que envolvem: • a compra e o controle de matéria-prima, essencialmente de qualidade; • a modernização de processos fabris e/ou de comercialização, com uso da tecnologia e da robótica; • as demandas do consumidor, cada vez mais exigente e moderno. Ao olhar para tudo isso, as empresas estão estrategicamente se aperfeiçoando para promover modelos mais imponentes de vantagem competitiva. Vale lembrar que vivemos em um mundo cada vez mais globalizado (com menos barreiras comerciais e com distâncias menores, em razão, sobretudo, das novas tecnologias e da internet), de concorrência 13 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS crescente e cada vez mais acirrada, com empresas que buscam consolidar suas ações na gestão de custos, a fim de melhorar seu desempenho e maximizar seus ganhos financeiros. Secar a torneira de gastos é uma ordem nas empresas, e os maiores problemas a serem enfrentados são o desperdício e os gastos excessivos por má gestão, por atitudes incorretas ou por tomadas de decisão equivocadas. Hoje, buscamos novos métodos e processos que ofereçam soluções para evitar (ou reduzir) perdas e desperdícios, e ações para resolver a questão na causa-raiz do problema. Figura 1 – Secar a torneira de gastos Disponível em: https://bit.ly/3qTlsKt. Acesso em: 25 abr. 2022. É importante ressaltar que, atualmente, com a transformação digital vivenciada pelas empresas e com todos os recursos tecnológicos existentes, as organizações, de maneira geral, empregam boa parte de sua receita: • nos processos de pesquisa e desenvolvimento de produtos; • na gestão eficiente do seu trade marketing (que envolve desde a logística e o armazenamento até as ações diretas para atrair consumidores, ou seja, percorre toda a cadeia de suprimento); • na criação de novos produtos e serviços que atendam aos anseios dos consumidores. O modelo tradicional de administração de custos, que envolve apenas a produção e as operações de venda de produtos, não é mais tão eficiente como outrora e vem sendo substituído por uma gestão de custos mais moderna e efetiva. 14 Unidade I Para responder às três questões feitas anteriormente, vamos definir alguns termos fundamentais para a gestão estratégica de custos. Vejamos. Produto é o termo geral utilizado para representar o objeto de negócio de uma empresa, independentemente de ela ser indústria, comércio ou prestadora de serviços, e serve, muitas vezes, para demonstrar situações ou processos específicos. Custo é o preço pago para produziralgo, que pode ser, por exemplo, um produto ou a prestação de um serviço. Observação O custo marginal é o custo adicional resultante do aumento no funcionamento da empresa. É o custo a mais que incidirá sobre a empresa para que ela aumente a produção de determinado bem ou produto. Realizar a gestão de algo significa, em sua essência, agregar intencionalmente mais valor ao processo (agregar valor nesse sentido significa valorizar ainda mais aquilo que será empregado para atingir melhores resultados). Diante disso, desenvolver e implantar uma eficiente gestão estratégica de custos é agir em benefício da saúde financeira de uma organização. Em poucas palavras, trata-se de uma medida imprescindível para a sobrevivência das organizações, cujo objetivo primário é o lucro. A gestão estratégica de custos trata, de forma ampla e variada, de todos os elementos e processos que, juntos, podem conferir bons resultados às finanças empresariais. Por outro lado, se um negócio é mal gerido, isso interfere diretamente nos objetivos planejados, culminando em queda de produtividade, de vendas e de competitividade mercadológica. A competitividade mercadológica solidifica-se sob dois fatores bastante relevantes: • a perspectiva de melhoria da qualidade sob a ótica do consumidor (surgem, daí, os conceitos de inovar e agregar valor); • a redução de todos os custos envolvidos no processo sem afetar a qualidade do produto. A relação sinérgica entre os dois componentes permite potencializar o conceito de produtividade organizacional, tão relevante nos dias atuais, que, de modo sintético, podemos descrever como fazer mais com a mesma qualidade e com menos recursos envolvidos. Por fim, é correto afirmar que custo é o dinheiro (valor monetário) despendido por qualquer empresa para fabricar produtos ou criar serviços que, futuramente, serão negociados ou vendidos aos clientes e consumidores, conferindo-lhe lucro. 15 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Lucro, em termos econômicos, nada mais é do que todo o ganho obtido numa operação ou transação comercial ou no exercício de uma atividade econômica. É, com certeza, o objetivo principal das organizações, que mostra o quanto ela é rentável. Lucratividade e rentabilidade estão entre os principais indicadores financeiros de uma organização. De forma percentual, demonstram o quanto de lucro foi obtido em determinado período (dia, mês, ano etc.). Organizações com fins lucrativos são todas as empresas, independentemente do tamanho, que sobrevivem com os resultados financeiros obtidos por seus lucros. O que as organizações buscam é o crescimento contínuo dos lucros, processo que, em um mundo onde a concorrência é acirrada, tem origem na boa gestão de custos. 1.1 Objetivos básicos da gestão de custos Para exemplificar melhor o que desejamos desenvolver aqui, tomaremos como exemplo de sucesso a história do grupo Walmart, indicada como a maior empresa multinacional de 2010 pela revista Forbes (especializada em economia e gestão de riquezas), e considerada, em números absolutos, a principal e maior rede varejista dos Estados Unidos, e ainda uma das mais imponentes empresas do mundo em termos de faturamento, com milhares de lojas espalhadas por diversos países. Figura 2 – Loja Walmart Disponível em: https://bit.ly/3MZHDXx. Acesso em: 25 abr. 2022. 16 Unidade I Desde sua fundação, no ano de 1962, seu idealizador e presidente por muitos anos, Sam Walton, sempre demonstrou grande afeição pela gestão estratégica de custos, fazendo com que sua empresa fosse conhecida principalmente pela política de preços baixos e acessíveis, sem deixar de primar pela qualidade e pela máxima eficiência em suas atividades. O grupo Walmart esteve presente no Brasil até 2019, quando vendeu sua participação do varejo para o grupo Big e abandonou o mercado brasileiro. Exemplo de aplicação Vamos sair um pouco do mundo corporativo e entrar na vida pessoal: trace um paralelo entre os dois mundos e reflita sobre sua realidade de gestão de custos eficiente, como pessoa física. O que você faz para não sofrer com falta de dinheiro (ou até mesmo não entrar em falência)? Pense em como seu custo de vida se reflete no controle e no planejamento estratégico de seus gastos. Megliorini (2007) afirma que a gestão de custos é a condição essencial para administrar uma empresa, independentemente do seu tipo (comercial, industrial ou prestadora de serviços) ou do seu porte (pequena, média ou grande). O processo de gestão de custos compreende: • evitar gastos desnecessários; • reduzir perdas; • eliminar desperdícios; • combater erros e falhas. Isso exemplifica, de forma sucinta, os objetivos principais do estudo que realizaremos ao longo do livro. 1.1.1 Objetivos principais da gestão de custos Enumerar todos os objetivos principais da gestão de custos seria algo inimaginável, pois uma gestão de custos pode ser aplicada a uma enormidade de coisas, situações, empresas, modelos de negócios, relações econômicas etc. Do ponto de vista organizacional, podemos citar alguns objetivos que efetivamente fazem toda a diferença nesse processo, conforme mostrado no quadro a seguir. 17 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Quadro 1 – Objetivos da gestão de custos Item Objetivo Controle de custos de produção Prever, controlar e reduzir custos de produção Controle de custos de operação Prever, controlar e reduzir custos de operação Apuração de custos de produtos Identificar os insumos que interferem no custeio Otimização de resultados Produzir mais com menos custos Continuidade da qualidade Melhoria da qualidade contínua Atendimento às exigências fiscais e contábeis Estar em acordo com as normas e leis vigentes Eficiência na tomada de decisão gerencial Evitar prejuízos financeiros ou aumento de custos Análise contínua dos processos diretos e indiretos que impactam o custo Melhorar a eficiência dos processos Metodologias de eliminação de desperdícios Eliminar os desperdícios Ao avaliar o quadro anterior, é possível perceber o grau de complexidade dos temas (itens) necessários para instituir e desenvolver um processo eficiente de gestão de custos numa organização. Além disso, por se tratar de um grande processo corporativo, há fatores, necessidades e conveniências que exigem a aplicação de montante monetário na forma de investimentos para implantar novos processos, métodos e técnicas e para treinar e qualificar pessoas. 1.2 Conceitos da gestão estratégica de custos Partiremos, aqui, de uma abordagem mais prática do conceito de gestão estratégica de custos e dos elementos fundamentais que nela existem e que envolvem os objetivos citados anteriormente. Por fim, completaremos o estudo com a análise de condições específicas da gestão de custos. Destacaremos os seguintes elementos: • controle; • gasto; • desembolso; • investimento; • custo; • despesa; • perda; • desperdício. Todos os termos citados correspondem a elementos que devem ser trabalhados de forma minuciosa pela gestão financeira da organização e pelo seu departamento financeiro, principal responsável pela gestão de custos. 18 Unidade I Assim, nos próximos tópicos detalharemos com mais ênfase cada um desses termos. Observação Estratégia é um termo amplo, que em sua essência descreve como as ações serão pensadas e executadas para que os objetivos e as metas sejam alcançados de forma inteligente. Foi inicialmente um termo de guerra, usado para definir ações eficientes que permitissem obter certa vantagem sobre o inimigo. No mundo corporativo, começou a ser empregado para falar dos meios de obter vantagem competitiva sobre os concorrentes. 1.2.1 Controle Em gestão estratégica de custos, o termo controle significa realizar um manejo eficiente do que está acontecendo em todos os setores da organização, a fim de evitar desperdícios e gastos desnecessários. Esse termo também pode significar ter/obter domínio categórico das situações e dos interessesrelacionados ao controle financeiro da organização, para efetivamente ser possível tomar as melhores decisões estratégicas em prol da conquista de metas e benefícios (principalmente financeiros) para a empresa. Para que a empresa atinja um nível eficiente de controle de custos, é indispensável ter um bom planejamento estratégico, dispor de ferramentas pertinentes ao processo e contar com um modelo de execução bastante efetivo, junto com monitoramento permanente e alto conhecimento do processo. Nos dias atuais, o controle de custos tende a ser uma das principais estratégias organizacionais. Uma empresa que não consiga atingir alto nível de controle de custos pode não ser capaz de sobreviver (manter-se funcionando) a longo prazo. Saiba mais Nos dias de hoje, é muito importante ter rígidos controles de processo nas organizações. Para saber um pouco mais sobre isso, leia o texto indicado a seguir. BRAGA, R. A importância do processo de controle. Administradores. com, 2015. Disponível em: https://bit.ly/3vVppQk. Acesso em: 25 abr. 2022. 19 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS 1.2.2 Gasto O termo gasto refere-se ao montante monetário envolvido para a transformação de um produto ou serviço e que pode ser desembolsado pela empresa de forma imediata ou futura. Os mais variados tipos de gasto tendem a surgir a qualquer momento em todos os setores de uma empresa. De forma generalizada, o termo gasto é aplicado a todos os bens e serviços adquiridos ao longo do tempo, que podem ser enquadrados como: • consumo de energia elétrica, água potável etc.; • aquisição de matéria-prima, insumos e elementos que contribuem para o processo produtivo; • aquisição de material de expediente que contribui para o processo produtivo. Lembrete Todo gasto reflete-se diretamente nos custos. Para uma eficiente gestão de custos, é imprescindível haver um adequado controle dos gastos. Uma boa planilha de gastos orçamentários apresenta uma visão mais correta dos gastos de determinado período. 1.2.3 Desembolso Desembolso é o termo que se refere a todas as saídas de valor monetário do caixa das companhias para concretizar o pagamento de alguma aquisição realizada à vista ou a prazo, até a liquidação total da dívida. Conheça, a seguir, alguns exemplos comuns de desembolso. • No caso de mão de obra: pagamentos referentes a salários, horas extras, prêmios, impostos trabalhistas etc. • No caso de insumos e matérias-primas: pagamentos referentes à aquisição de materiais, mercadorias, matéria-prima etc. • No caso de ativos: pagamentos referentes à aquisição de patrimônios, como veículos, maquinários, equipamentos etc. Saiba mais Ativo é um elemento adquirido e constituído como patrimônio de uma empresa e que é capaz de ser convertido em dinheiro para realizar lucro ou extinguir uma dívida. Leia mais sobre a definição de ativos na indicação a seguir. O QUE SÃO ativos. Dicionário Financeiro, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3y2vLjF. Acesso em: 25 abr. 2022. 20 Unidade I 1.2.4 Investimento Investir é o termo financeiro que significa empregar um patrimônio que se tem no presente (dinheiro ou tempo, por exemplo) para obter no futuro um retorno positivo sobre ele, podendo ser a curto, médio e longo prazo. Em outras palavras, é uma forma de multiplicar ou aumentar o patrimônio atual que se tem. Investimento é toda aplicação de recursos na intenção de obter um retorno de ganho ou de benefício no futuro. De forma geral, o conceito de investimento se refere a um desembolso em que há expectativa de algum resultado benéfico no futuro. Diversos itens podem ser considerados elementos de investimento, como o tempo, os estudos, o dinheiro e as ideias. O lado negativo dos investimentos é que, dependendo do tipo e do seu resultado, em vez de aumento do patrimônio, pode haver perda – muitas vezes, até bem considerável. Todo cuidado é pouco quando empresas investem tempo e dinheiro para aumentar seus ganhos. Seja qual for o tipo de investimento, é necessário sempre analisar de forma criteriosa o cenário, avaliar os riscos e fazer uma boa gestão desses riscos, a fim de verificar se realmente vale a pena o investimento, se ele é seguro e se fornece a rentabilidade desejada. 1.2.5 Custo É bem comum definir custo como o montante ou o valor financeiro empreendido relativo a bens ou serviços adquiridos e utilizados no processo de transformação de produtos ou na criação e execução de serviços. É possível citar como exemplo de custo a mão de obra dos recursos humanos, os insumos gerais, a matéria-prima do produto, a depreciação dos equipamentos ou do patrimônio e os gastos com a manutenção de equipamentos. Os custos de uma empresa correspondem a um tema constante da gestão contábil e da gestão financeira por serem um importante item fiscal, contábil e financeiro das organizações. 1.2.6 Despesa O conceito de despesa é amplo e bem complexo, principalmente em termos contábeis, mas é possível definir esse item como todos os gastos feitos, direta ou indiretamente, para gerar receita e manter o funcionamento do negócio. Em suma, uma despesa é o recurso despendido pela organização para tornar viável o negócio e conseguir honrar os pagamentos. Também é correto considerar que a despesa, em paralelo com as definições já descritas, é o dinheiro que sai da tesouraria da organização a fim de sustentá-la e manter o negócio funcionando. De modo inverso, podemos denominar receita todo dinheiro que entra na organização. 21 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Todo serviço realizado e todo produto vendido geram despesa, e a esse evento damos o nome de custo do produto vendido. Nas mercadorias adquiridas por um ponto comercial (loja), incidem gastos que muitas vezes não são considerados no item de custos, mas no item de despesas. Despesas e custos são contabilizados de forma separada e, portanto, não são relacionados como a mesma coisa na escrituração contábil. Observação Assim como no caso de gasto, despesa também se reflete diretamente nos custos. Um bom administrador procura ter forte controle das despesas. Por exemplo, na mesma planilha de gastos, devemos descrever as despesas detalhadamente, evitando-as sempre que possível. 1.2.7 Perda O conceito de perda aproxima-se muito do conceito de desperdício, mas é um passivo distinto e com peso diferente em uma mesma análise contábil. Um exemplo comum é a situação de furto ou roubo de um produto, que entra diretamente na categoria de perdas, uma vez que isso ocorre, na maioria das vezes, sem que a empresa consiga evitá-lo. Em boa parte das ocorrências, é considerado um fator surpresa, impossível de ser previsto e eliminado. São classificados como perdas todos os gastos imprevisíveis que não trazem retorno financeiro para a companhia. Podem ser bens ou serviços consumidos de forma não corriqueira ou involuntária, razão pela qual não são considerados despesas ou custos. Quebra de produtos, problemas em equipamentos, máquinas e computadores, greves, afastamentos médicos, acidentes de trabalho, incêndios e roubos são alguns exemplos de perda. Toda empresa deve estar sempre atenta para evitar perdas. Trata-se de uma ação muito importante e que faz parte do processo de controle de custos de uma companhia. 1.2.8 Desperdício A imagem a seguir simboliza o item de que trataremos nesta seção. Desperdício realmente é como uma torneira aberta, em que o fluxo de água não cessa e escoa pelo ralo (como dinheiro jogado fora). Muitas vezes, isso causa um prejuízo enorme, que poderia ser evitado com processos rigidamente monitorados e com controle constante por parte da organização. 22 Unidade I Figura 3 – A torneira do desperdício Disponível em: https://bit.ly/3keGZJP. Acesso em: 25 abr. 2022. Desperdício é o não aproveitamento adequado de um recurso, como tempo e mão de obra, havendo um esbanjamento desnecessário, sem o retorno de qualquer valor adicional para a organização. Muitas vezes, é confundidocom perda, mas na contabilidade, como vimos, são considerados conceitos diferentes. Shigeo Shingo, um dos idealizadores do sistema Toyota de produção e um dos precursores da metodologia Lean, definiu desperdício como qualquer elemento que consome tempo e recursos sem agregar valor ao serviço. Ou seja, trata-se de algo que está no processo, mas que pode ser enxuto (eliminado) sem nenhum dano ao produto (BANAS QUALIDADE, [s.d.]). A diferença entre perda e desperdício é bem pontual, como pode ser visto a seguir. • Perda: é a privação de algo que se tinha. • Desperdício: é a forma de esbanjamento ou desaproveitamento de algum recurso. Observação Lean é uma filosofia de gestão inspirada em práticas e resultados do sistema Toyota. Trata-se de um corpo de conhecimento cuja essência é a capacidade de eliminar desperdícios continuamente e resolver problemas de maneira sistemática. Isso implica repensar o modo de liderar, gerenciar e desenvolver pessoas. 23 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS 2 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS Custo é o valor financeiro empenhado na obtenção de elementos para a produção de um bem ou para a criação e o desenvolvimento de um serviço. Não deve, em hipótese alguma, ser confundido com preço ou com despesa. Lembrete Dominar o conhecimento de custos é essencial para gerir financeiramente uma companhia, independentemente do porte (pequeno, médio ou grande) ou do tipo de atividade em que ela se enquadra (indústria, comércio ou prestação de serviço). De acordo com sua finalidade, os custos são classificados de maneira distinta. Vejamos. • Quanto à unidade de medida: — custo total (refere-se ao todo); — custo unitário (calculado por produto ou por serviço). • Quanto ao volume de produção ou de vendas: — custo fixo (não muda em relação à quantidade produzida/vendida); — custo variável (muda em relação à quantidade produzida/vendida). • Quanto ao modo de adequação dos produtos: — custo direto (envolvido diretamente na fabricação ou na criação dos serviços); — custo indireto (impacta indiretamente o custo de fabricação). • Quanto ao tempo: — custo predeterminado (analisado em termos de custo futuro); — custo histórico (contabilizado por motivos temporais e que, por algum fator, devem ser absorvidos no custo). Para explicitar melhor todos os detalhes, conceitos-chave e processos envolvidos no tema custos, descreveremos a seguir de forma mais ampla a especificação funcional de cada um deles. 24 Unidade I 2.1 Custo total Por definição contábil, custo total é o elemento que descreve financeiramente todo o montante financeiro utilizado pela empresa em sua operação. É a soma dos custos diretos e dos custos indiretos e compreende uma visão geral dos gastos totais na produção. É na geração do cálculo desse valor que se apura a totalidade gasta na produção/fabricação de produtos ou no planejamento e desenvolvimento para o funcionamento efetivo de um serviço. Observação Planejamento e desenvolvimento de serviço é o conceito comercial relacionado às variações de serviços criadas para solucionar os mais diversos tipos de problema ou necessidade. Por exemplo: uma pessoa precisa viajar e não tem onde deixar seu animalzinho (o problema); ela encontra na internet um serviço de hospedagem de animal no bairro em que mora (o serviço); decide, então, recorrer a esse serviço nos dias em que viajará (a solução). Vejamos um exemplo prático. Para a produção de uma camisa, foi determinado que vamos usar 1,10 m de tecido e 6 botões. Calculando a produção de 100 unidades de camisa, usaremos o total de 110 m de tecido e 600 botões. Dessa maneira, o custo total corresponde à quantidade total gasta na aquisição dos 110 m de tecido, na aquisição dos 600 botões e na produção das 100 unidades de camisa. 2.2 Custo unitário Custo unitário é o elemento que se constitui pela medida unitária no cálculo de custo, já que, a partir dele, apuramos quanto custará a produção unitária de determinado produto ou serviço. Retomemos o exemplo anterior. Calculamos que, se consumido um total de 110 m de tecido e 600 botões, serão produzidas 100 camisas (cada camisa consumirá 1,10 m de tecido e 6 botões). Dessa maneira, o custo unitário corresponde à quantidade gasta por unidade. 2.3 Custo fixo Custo fixo é aquele que não sofre alteração com a variação do volume de produção. Como exemplo desse tipo de custo, é possível citar despesas com limpeza e conservação do imóvel, aluguéis, provedores de internet, telefonia e salários da área administrativa da empresa. A figura a seguir apresenta um gráfico que mostra como o custo fixo (CF) se comporta em função do número de unidades produzidas em determinado período. 25 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Custo (R$) Unidades produzidas em determinado período Custo fixo nQ0 Figura 4 – Custo fixo em função do número de unidades produzidas em determinado período Custos fixos são valores que não variam proporcionalmente com o volume de produção ou de vendas realizadas. Alguns exemplos de custo fixo: • valores de encargos e salários de funcionários não comissionáveis; • aluguel de ponto de venda, de armazenamento e de fábrica; • depreciação de equipamentos, computadores, maquinário etc. 2.4 Custo variável Custo variável é aquele que varia de acordo com o nível de produção ou de atividade. Seu valor depende diretamente do volume produzido em determinado período. Em geral, o custo variável é linearmente dependente do número de unidades produzidas, isto é, ele é igual ao produto entre o número de unidades produzidas (n) e o custo variável unitário (CV). Como exemplo desse tipo de custo, é possível citar despesas com matérias-primas, insumos de produção e componentes adquiridos de terceiros. A figura a seguir apresenta um gráfico que mostra como o custo variável se comporta em função do número de unidades produzidas em determinado período. Custo (R$) Unidades produzidas em determinado período n Custo variável Custo variável total para uma quantidade n de produtos em determinado período Figura 5 – Custo variável em função do número de unidades produzidas em determinado período 26 Unidade I Tomemos novamente a situação já estudada. Na fabricação unitária de uma camisa, gastamos 1,10 m de tecido e 6 botões. Assim, para produzirmos 100 camisas, serão necessários 110 m de tecido e 600 botões. Os custos variáveis se inter-relacionam com os custos diretos de produção, conforme assinalamos a seguir. • Consumo: quanto maior a quantidade produzida, maior a necessidade de consumo de matéria-prima, mão de obra, frete, energia, água etc. • Impostos: quanto maior a quantidade produzida, maior o valor pago de impostos. Nos dias atuais, com o significativo conhecimento que se tem sobre o assunto, não há dúvida de que toda organização com fins lucrativos deve apresentar uma eficiente gestão dos custos fixos e dos custos variáveis como processo de formação de preços. O custo total da empresa corresponde exatamente à soma de ambos, como veremos a seguir. 2.5 Custo total em função dos custos fixos e dos custos variáveis O custo total em determinado período (CT) é igual à soma dos custos fixos (CF) e dos custos variáveis (CV). Ou seja: CT = CF + n × CV A figura a seguir apresenta um gráfico que mostra como o custo total se comporta em função do número de unidades produzidas em determinado período. Custo (R$) Unidades produzidas em determinado período n Custo variável Custo total para uma quantidade n de produtos em determinado período Custo fixo Q0 Figura 6 – Custo total em função do número de unidades produzidas em determinado período 2.6 Custo direto Custo direto é todo gasto realizado para a produção de um bem, produto ou serviço. Seu valor em geral é de fácil identificação, pois trata-se de um gasto diretamente relacionado à atividade oficial do negócio. Podemos citar como exemplo uma empresa que fabrica e comercializa tênis. Os gastos com matéria-prima,insumos e pagamento de salário dos funcionários envolvidos diretamente na produção são considerados custos diretos. Seguindo essa orientação, a empresa pode ter clareza do quanto gasta para trazer à tona sua fonte de faturamento e lucro. 27 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Se voltarmos a usar como exemplo a fabricação da camisa, serão enquadrados como custo direto os custos de: • matéria-prima (tecido, botão, etiqueta e linha); • insumos (plástico de proteção, embalagens etc.); • mão de obra (salário e encargos dos profissionais que trabalham diretamente na produção). 2.7 Custo indireto Custo indireto é todo gasto que depende de cálculos específicos para ser rateado (dividido) em diferentes produtos ou serviços. É assim denominado por ser difícil identificar seu valor em relação ao que foi produzido, uma vez que não está diretamente relacionado à fabricação dos produtos. Vejamos, a seguir, exemplos de custo indireto. • Aluguel: gasto “complicado” de ser identificado. • Salário e comissão de vendedores: atrelados a vendedores internos e externos. É impossível identificar o percentual de salários e encargos que incidirá em cada produto. O esquema da figura a seguir demonstra o fluxo de separação contábil e de junção para a formação do preço total do produto. Na sequência desse fluxo, observamos que os custos diretos são bem definidos e compreendem os insumos, a matéria-prima e a mão de obra direta. Já nos custos indiretos é desenvolvida uma separação de todos os elementos que podem ou não estar contidos nessa categoria. Entre os principais, encontra-se o rateio, de que falaremos mais à frente. Próprios ou identificados (débito direto) Custos indiretosCustos diretos Produtos Departamentos auxiliares (rateio) Comuns (rateio) Departamentos produtivos (rateio) Custos de produção Figura 7 – Fluxo de custos 28 Unidade I 2.8 Custo predeterminado O custo predeterminado (também conhecido como custo padrão) é definido como todo gasto no futuro em termos de custo. É uma estimativa antes da existência do gasto real, mas que, por elementos estatísticos de outras produções, apresenta a possibilidade de existir antes de o bem ser produzido. Dessa forma, o custo predeterminado compreende um valor ideal (custo ótimo) para a produção de produtos e serviços. Observação O custo ótimo é obtido com a máxima eficiência de produção com a qual uma empresa pode trabalhar, ou seja, é a maior quantidade ao menor preço possível. Trata-se de uma meta a ser atingida, com base na avaliação de fatores de produção, como conhecimento, tecnologia e mão de obra. Para exemplificar de forma simples, podemos analisar a situação em que um gestor financeiro necessita apurar o custo de determinado produto que ainda será fabricado e apresentar um valor de custo para negociar a venda. Surge, então, a situação de custo predeterminado, em que se calcula o valor aproximado do custo, o que permite maior embasamento para realizar a negociação. 2.9 Custo histórico O custo histórico (também denominado custo real) é representado pelos registros contábeis de gastos reais da empresa. É apurado sempre no final do ciclo de produção, quando já são notórios os gastos gerais do processo. Serve também para comparar e ajustar o custo estimado utilizado como base para o planejamento da produção. Esse custo surgiu da necessidade de encontrar um valor correto, predeterminando as variáveis que comporão o custo e os meios para mantê-lo no mesmo patamar pelo maior tempo possível. 2.10 Exemplos para a fixação do conteúdo A seguir, apresentamos dois exemplos para fixar o conteúdo visto até o momento. Exemplo de aplicação Exemplo 1 Imagine que a produção de determinado bem custe ao produtor 16 unidades monetárias ($ 16,00) por unidade produzida. O custo fixo associado à produção do bem é igual a 120 unidades monetárias ($ 120,00). O preço do bem no mercado é igual a 20 unidades monetárias ($ 20,00). Considere a produção e a venda de 1.250 unidades do bem. 29 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Com base no exposto, assinale a alternativa correta: A) O custo total da produção é igual a $ 170.000,00. B) As receitas provenientes da venda dos produtos somam $ 20.000,00. C) O custo total da produção é igual a $ 20.120,00, e a receita total é igual a $ 4.880,00. D) A receita total é igual a $ 25.000,00, e o custo variável é igual a $ 20.000,00. E) O custo total é igual a $ 4.880,00. Resolução Vamos examinar cada uma das alternativas. A alternativa A é incorreta. Esse valor só é possível se calcularmos, erroneamente, o custo fixo também como custo variável, ou seja, $ 136,00 × 1.250. A alternativa B é incorreta. O valor $ 20.000,00 é o montante total do custo variável. A receita total é igual a $ 25.000,00 ($ 20,00 × 1250). A alternativa C é incorreta. O custo total da produção está correto, mas a receita total é igual a $ 25.000,00, diferentemente do proposto na alternativa. A alternativa D é correta. A receita total é igual a $ 25.000,00 ($ 20,00 × 1.250), e o custo variável é igual a $ 20.000,00 ($ 16,00 × 1.250). A alternativa E é incorreta. O custo total é igual a $ 20.120,00, sendo $ 20.000,00 o custo variável e $ 120,00 o custo fixo. Exemplo 2 A empresa Attchim é fornecedora de alimentos para cafeterias e pequenos restaurantes na cidade de São Paulo. Essa empresa, que vende por R$ 3,50 a unidade de uma espécie de salgado de grande sucesso entre seus clientes e consumidores, recebeu uma oferta de compra de 35.000 unidades desses salgados por R$ 3,00 a unidade. Para a tomada de decisão acerca da oferta, foi apresentado o gráfico da figura a seguir, que mostra o custo total de fabricação dos salgados em função da quantidade produzida. 30 Unidade I Custo (R$) Quantidade produzida = n Custo total R$ 50.000,00 R$ 40.000,00 R$ 30.000,00 R$ 20.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 10 .0 00 20 .0 00 30 .0 00 40 .0 00 50 .0 00 Figura 8 Na reunião para discutir o assunto, foram feitas as afirmativas a seguir. I – O custo total das 35.000 unidades, considerados os custos fixos e variáveis, é de R$ 50.000,00. II – A receita total vinda das 35.000 unidades é de R$ 105.000,00. III – O custo variável total é de R$ 35.000,00. IV – A diferença entre o preço da oferta e o preço normal de venda produz uma alteração na receita da empresa de R$ 17.500,00. É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) I e II, apenas. C) I, II e III, apenas. D) I, II e IV, apenas. E) I, II, III e IV. Resolução Vamos examinar cada uma das afirmativas. A afirmativa I é correta. O gráfico da figura a seguir mostra o custo total para as 35.000 unidades do salgado. 31 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Custo (R$) Quantidade produzida = n Custo total R$ 50.000,00 R$ 40.000,00 R$ 30.000,00 R$ 20.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 10 .0 00 20 .0 00 30 .0 00 40 .0 00 50 .0 00 Figura 9 A afirmativa II é correta. A receita total (R) é obtida pela multiplicação do valor da oferta (VF) pelo número de unidades (n): R = VF × n R = R$ 3,00 × 35.000 R = R$ 105.000,00 A afirmativa III é correta. A figura a seguir mostra o gráfico do enunciado com destaque para o custo fixo. Custo (R$) Quantidade produzida = n Custo total R$ 50.000,00 R$ 40.000,00 R$ 30.000,00 R$ 20.000,00 R$ 10.000,00 R$ 15.000,00 10 .0 00 20 .0 00 30 .0 00 40 .0 00 50 .0 00 Custo fixo Figura 10 O custo variável total (CVT) é a diferença entre o custo total (CT) e o custo fixo (CF): CVT = CT – CF CVT = R$ 50.000,00 – R$ 15.000,00 CVT = R$ 35.000,00 32 Unidade I A afirmativa IV é correta. A receita normal de vendas (RV) é o produto da multiplicação do preço de venda (PV) pelo número de unidades (n): RV = PV × n RV = R$ 3,50 × 35.000 RV = R$ 122.500,00 A diferença de receita (DR) é obtida pela subtração da receita total na receita normal de vendas: DR = RV – R DR = R$ 122.500,00 – R$ 105.000,00 DR = R$ 17.500,00Assim, a alternativa correta é a letra E. 33 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Resumo Nesta unidade, abordamos o conceito de custo e suas classificações. Reforçamos a importância de haver uma boa gestão de custos para todo tipo de organização, privada, pública ou sem fins lucrativos, como organizações não governamentais (ONGs), igrejas e comitês assistencialistas. Afinal, toda organização tem seus custos – por exemplo, pagamento de aluguel, pagamento de funcionários, custos diretos e indiretos da produção, pagamento de tributos, pagamento de taxas de impostos e pagamento de itens de consumo (água, luz etc.). Evidenciamos que, para uma empresa ter vida financeira saudável, uma boa gestão de custos faz toda a diferença e é algo essencial para a própria sustentabilidade da organização. Abordamos o conceito segundo o qual empresas privadas vivem essencialmente dos seus lucros. Dissemos que a gestão estratégica de custos também gera à empresa uma forte vantagem competitiva, de modo que ela possa brigar de igual para igual com seus concorrentes, já que o fator preço é um dos elementos mais determinantes para os consumidores. Enfatizamos a importância do conceito gestão como fator intrínseco de uma atividade administrativa, contábil ou comercial. A gestão passa a ser responsável direta para que o contexto empresarial de custos funcione de forma eficiente, controlada e eficaz. Há ainda outro fator a ser considerado, denominado estratégia, que é um combustível que possibilita e reforça as atitudes mais certeiras e as melhores tomadas de decisão nesse importante quesito mercadológico chamado custo. Na sequência, estudamos de maneira mais ampla os conceitos básicos da gestão estratégica de custos, para que o aluno comece a tomar consciência da complexidade desse conhecimento, originário da área de contabilidade geral, mas que transcende esse campo. A força elementar que a gestão estratégica de custos tem hoje nas empresas em geral a transforma em uma nova potência para o equilíbrio dos negócios. E, para isso, cada vez mais a tecnologia, os dados e as informações ajudarão bastante na estratégia empresarial, na rápida resposta ao consumidor e na tomada de decisões corretas. 34 Unidade I Entre os diversos conceitos básicos abordados, aprendemos a diferenciar o que são os seguintes termos: controle, gasto, desembolso, investimento, custo, despesa, perda e desperdício. Trata-se dos elementos principais que fomentam a gestão estratégica de custos e, por isso, avaliamos a maneira como cada um deles é gerenciado e trabalhado para formar o preço e suprir relatórios específicos de finanças. Por fim, descrevemos os aspectos centrais da classificação de custos conforme sua finalidade e como se relacionam e funcionam. Assinalamos que essa classificação pode ser aplicada conforme a unidade de medida, o volume de produção ou de vendas, o modo de adequação dos produtos e o tempo. 35 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Exercícios Questão 1. Imagine que uma pequena empresa, chamada de Todo Sabor, produza bolos. O gráfico a seguir mostra o custo total (CT) de fabricação dos bolos em função da quantidade produzida (n). Custo total Quantidade de bolos produzida (n) 1.300 1.200 1.100 1.000 900 800 Cu st o to ta l ( CT , e m R $) 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Figura 11 Com base no exposto e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas. I – Os custos fixos da empresa Todo Sabor totalizam R$ 1.000,00. II – O custo unitário médio para que sejam produzidos 200 bolos é igual a R$ 6,50. III – Os custos variáveis envolvidos na produção de 60 bolos totalizam R$ 100,00. É correto o que se afirma em: A) I e II, apenas. B) II e III, apenas. C) I e III, apenas. D) I, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa E. 36 Unidade I Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: no gráfico, para uma quantidade nula de produção, lemos R$ 1.000,00, valor que corresponde aos custos fixos. II – Afirmativa correta. Justificativa: no gráfico, para uma quantidade de produção igual a 200, lemos custos totais de R$ 1.300,00. Se dividirmos R$ 1.300,00 por 200, obteremos R$ 6,50, valor que corresponde ao custo unitário médio para que sejam produzidos 200 bolos. III – Afirmativa correta. Justificativa: no gráfico, para uma quantidade de produção igual a 60, lemos custos totais de R$ 1.100,00. Se tirarmos o valor dos custos fixos (R$ 1.000,00) de R$ 1.100,00, obteremos R$ 100,00, valor que corresponde aos custos variáveis para que sejam produzidos 60 bolos. Questão 2. (Enade 2017, adaptada) Em linha com sua estratégia de crescimento de médio e longo prazo no mercado externo, o proprietário de uma vinícola artesanal brasileira pretende aumentar a capacidade de produção de seu melhor vinho. Foram apresentados dois projetos alternativos (representados por P1 e P2) para o aumento da produção da vinícola, com base na estimativa de custos fixos e variáveis, mostrados no gráfico a seguir, em que CT representa o custo total e CV representa o custo variável unitário. Cu st o (R $ 00 0) Quantidade (unidades × 1.000) CT Q1/2Q0 28 16 P2 CV2 = 1,5 P1 CV1 = 3 Figura 12 Adaptada de: GAITHER, N.; FRAZIER, G. Administração da produção e operações. 8. ed. São Paulo: Pioneira; Thomson Learning, 2001. Considerando as informações do enunciado e os dados do gráfico, a quantidade de garrafas produzidas em que o custo total é o mesmo para os dois projetos é igual a: 37 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS A) 16.000. B) 8.000. C) 28.000. D) 4.000. E) 1.000. Resposta correta: alternativa B. Análise da questão Pela leitura do gráfico, podemos obter os custos fixos de cada um dos projetos. Vejamos. Custos fixos do projeto P1: CF1 = R$ 16.000,00 Custos fixos do projeto P2: CF2 = R$ 28.000,00 Considerando os dois projetos (P1 e P2) e seus custos fixos e variáveis, existe um número de garrafas produzidas por mês em que o custo total (CT) é o mesmo para os dois projetos: CT1 = CT2 Nessa situação, foram dados os custos unitários variáveis de cada um dos projetos. Vejamos. Custo unitário variável do projeto P1: CV1 = R$ 3,00 Custo unitário variável do projeto P2: CV2 = R$ 1,50 Sabendo que o custo total é obtido pela soma do custo fixo (CF) e do custo variável (CV) multiplicado pelo número de garrafas produzidas (n), para a situação em que os dois custos são iguais, temos o que segue. Para o projeto P1: CT1 = CF1 + n × CV1 CT1 = 16.000 + 3n Para o projeto P2: CT2 = CF2 + n × CV2 CT2 = 28.000 + 1,5n 38 Unidade I Vamos fazer o seguinte: CT1 = CT2 16.000 + 3n = 28.000 + 1,5n 3n – 1,5n = 28.000 – 16.000 1,5n = 12.000 n = 12.000 1,5 n = 8.000 Concluímos que a quantidade de garrafas produzidas em que o custo total dos dois projetos é o mesmo é igual a 8.000. 39 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Unidade II 3 CONTABILIDADE E EVOLUÇÃO DOS CONCEITOS FINANCEIROS Em uma empresa, o setor de contabilidade tem a responsabilidade de planejar, executar e controlar a evolução financeira e patrimonial da organização. Por prática, essa área executa a captura do registro de todas as operações financeiras e comerciais realizadas por período (mensal, trimestral, quadrimestral, semestral e anual), a fim de produzir relatórios que forneçam informações sobre resultados financeiros da empresa aos interessados (executivos, gestores e outros). 3.1 Contabilidade do século XXI Por muitos anos, a contabilidade atuou nas empresas como um departamento separado dos demais, destacado para cumprir atividades de cunho contábil, financeiro, fiscal, patrimonial e de fluxo de caixa, entre outras atividades financeiras e contábeis. Com a evolução e o desenvolvimento da área financeira e com a crescente complexidade do mundo globalizado, a contabilidade passou a ocupar uma posição estratégica na empresa. Nesse contexto, o diretor financeiro ouchief financial officer (CFO), encarregado do planejamento financeiro da empresa, passou a ser responsável pela contabilidade, pois é essa área que fornece dados que servem de base para a tomada de decisões. Na verdade, a figura do departamento contábil único ou a figura do contador (funcionário com a função exclusiva de deixar a empresa contabilmente saudável) quase desapareceram – ou sofreram modificações importantes – nas organizações. Hoje o que verificamos em geral são empresas especializadas em contabilidade e que vendem serviços a outras empresas, ou ainda contadores autônomos que, providos de conhecimento e experiência, prestam serviço de consultoria e assessoria. Logo, a contabilidade é responsável por definir, classificar, medir, processar e comunicar informações financeiras das organizações (de qualquer natureza), além de ajudar as empresas a tomar decisões econômicas que viabilizem positivamente seu patrimônio e sua saúde financeira. Lembrete O CFO é o diretor financeiro da empresa, encarregado do planejamento econômico e financeiro da companhia. É o principal ator nas decisões sobre investimentos e financiamentos. 40 Unidade II A contabilidade é conhecida como ciência que mede a realidade econômica de uma empresa e permite que ela consiga atingir seus objetivos financeiros. Para ter certeza de que uma empresa vive um momento contábil saudável e sustentável, confirmando que todo o recurso financeiro dela consegue pagar eficientemente todas as suas despesas e obrigações contábeis (e obter lucros que possam ser reinvestidos na própria empresa ou distribuídos entre seus sócios, beneficiários e investidores), é necessário que ela tenha uma consolidada governança contábil e financeira, associada a uma eficiente gestão estratégica de custos, elemento‑chave desta disciplina. Ainda, para atingir o grau máximo de benefícios no emprego da gestão estratégica de custos, é imprescindível que os responsáveis pela empresa tenham alto domínio do negócio e visão a longo prazo, que haja excelência de processos e que os colaboradores sejam altamente qualificados. 3.2 A nova realidade financeira das empresas no século XXI Hoje a realidade do mundo da contabilidade é bem diferente do que já foi. O departamento contábil transformou‑se em área financeira da empresa, na qual a contabilidade ocupa um papel importante, principalmente em virtude das mudanças significativas do setor financeiro, seja no ambiente interno (implantação de processos mais modernos de gestão financeira), seja no ambiente externo (mercados, governo e mundo globalizado). Nesse novo cenário, surgem termos importantes a serem conhecidos por todos nós. Como dissemos, o diretor financeiro ou CFO surge no processo de governança financeira das empresas com o papel de especialista máximo em finanças. É o executivo de finanças. Com sistemas mais modernos de finanças, como o enterprise resource planning (ERP) ou planejamento de recursos empresariais – sistemas inteligentes capazes de unificar dados, calcular qualquer tipo de conta, ter as informações contábeis mais recentes em sua memória e dar respostas muito rápidas para situações financeiras complexas –, as áreas financeiras e contábeis podem se modernizar de forma ampla e se inserir na nova realidade global de eficiência. Ao observar o organograma padrão de uma empresa, mostrado na figura a seguir, é possível ter uma ideia melhor de como atualmente grande parte das companhias estabelece uma relação hierárquica para as finanças. Diretoria financeira (CFO) Gerência financeira Outra diretoria Presidência (CEO) Gerência de custos Outra diretoria Gerência contábil Figura 13 – Organograma da hierarquia financeira 41 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS Hoje o padrão mais comum é o que segue. • Presidência: representada pelo papel do diretor‑presidente ou chief executive officer (CEO). • Diretorias: variáveis, conforme a estrutura e o tamanho da empresa. • Diretoria financeira: representada pelo papel do diretor financeiro (CFO). • Gerência: contábil, financeira e de custos. No modelo mostrado, percebemos que, para o setor da diretoria financeira, é proposta uma separação em gerência contábil, financeira e de custos (sem dúvida, no escopo aqui analisado, essa última nos interessa mais do que as outras). Dentro dessas gerências, as empresas podem eventualmente distribuir as responsabilidades da forma indicada a seguir. • Gerência contábil: cuida da demonstração do resultado do exercício (DRE), do pagamento de impostos e tributações, das análises patrimoniais, dos ativos, dos passivos etc. • Gerência financeira: cuida do fluxo de caixa, da análise de investimentos, do fluxo de gastos e receitas, da alavancagem, da análise financeira etc. • Gerência de custos: cuida da análise e gestão de custos, da gestão de fornecedores, das compras/negociações, do controle de preços etc. Lembrete Os ERPs são sistemas empresariais robustos, com grande capacidade de processar dados e informações, utilizados para a empresa ter melhor desempenho em sua gestão de negócios. São sistemas modulares (dividem‑se) em que os módulos financeiros e contábeis podem ser pontos positivos de grande destaque para o negócio. Todas essas mudanças consolidaram‑se mais fortemente quando a tecnologia e os novos processos começaram a fazer parte do modelo de negócio. O conhecimento financeiro que as empresas adquiriram para se adaptar à complexa realidade atual, sobretudo com a internet e o mundo digital, é fundamental para a perenidade das companhias. 4 MÉTODOS DE CUSTEIO Segundo Megliorini (2007), os custos de uma empresa resultam da combinação de diversos fatores, como: • capacitação tecnológica e produtiva relativa a processos, produtos e gestão; 42 Unidade II • atualização da estrutura operacional e gerencial; • qualificação da mão de obra. Em termos práticos, isso significa que, quanto mais estruturada a empresa, melhores são os resultados obtidos por meio de um sistema ou de um método de custeio. Métodos de custeio são tipos de procedimento contábil que servem para determinar como valorar os objetos de custeio, ou seja, o produto ou o serviço. Observação Um objeto de custo é um produto ou um serviço para o qual os custos são acumulados. O objeto de custeio pode ser um produto, uma atividade ou operação, um conjunto de atividades, uma área ou departamento, ou uma ação específica. É imprescindível que, em qualquer organização, independentemente de seu tamanho, seja mantido um orçamento equilibrado e saudável. Assim, além de definir estratégias para que os ganhos e lucros cubram as necessidades do negócio, os gestores financeiros devem conhecer bem as finanças do empreendimento que gerenciam. Não é à toa que a maioria deles utiliza métodos de custeio. Os métodos de custeio mais comuns têm como principal ação a apuração de custo dos produtos e serviços, considerando que todos os fatores gerados por estes provêm de gastos financeiros. Existem diferentes métodos de custeio. Por exemplo: • método de custeio por absorção; • método de custeio variável; • método de custeio ABC; • método de custeio padrão; • método de custeio UEP. Desde que surgiram (e foram melhorados ao longo dos anos), os métodos de custeio são descritos e aplicados como ferramentas capazes de detectar gastos que envolvam os processos do negócio. Como encontramos diferentes métodos de custeio, é sensato que se avalie qual deles apresenta a característica que melhor se encaixa em cada situação de custo, seja para um produto específico, seja para uma família de produtos, seja para todos os produtos da empresa. Imagine uma empresa que tenha em seu portfólio uma linha de 400 produtos. Obviamente, cada produto tem suas especificações e seu custo de produção, mesmo se utilizada alguma forma de rateio de 43 GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS custos. Cada produto tem detalhes específicos e, por conseguinte, é necessário