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FILOSOFIA-6ANO 2.2
4. A lente da imaginação
CONVERSA VAI...
A imagem de abertura retrata uma história muito
famosa da literatura mundial: Dom Quixote. Escrita pelo
espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616), a obra
narra as aventuras de um homem que de tanto ler livros
acaba acreditando ser um cavaleiro. Adotando o nome
de Dom Quixote, ele parte em busca de aventuras,
acompanhado por seu fiel escudeiro, Sancho Pança.
•Qual é a importância da imaginação na história de
Dom Quixote?
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•E na sua vida: você diria que a imaginação tem um
papel importante? Por quê?
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•Qual é a utilidade da imaginação, afinal?
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CONVERSA VEM...
Onde havia um pangaré, Dom Quixote imaginava um
cavalo forte; onde havia um companheiro atrapalhado,
ele imaginava um escudeiro heroico; onde havia
moinhos de vento, ele imaginava gigantes contra os
quais precisava lutar. Seu mundo era fantástico, e sua
vida, marcada por aventuras imaginárias.
Você já imaginou que estava em outro mundo,
vivendo de outra maneira? Quais experiências você
teve nessa aventura?
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Sonho e imaginação
A abordagem idealista dá muita importância para a
imaginação, pois, quando pensamos, imaginamos e
sonhamos, elaboramos ideias que passam a ser
fundamentais na construção da realidade.
Há diferenças entre imaginação e sonho. De um lado,
podemos dizer que a imaginação é a capacidade
humana de formar representações mentais, criar ideias
e conceber cenários que não são, necessariamente,
ligados à nossa experiência imediata da realidade. Ela é
um modo de conhecer as coisas e está ligada à
criatividade, à formação de conceitos e à construção de
nossas ideias.
Por outro lado, o sonho pode se referir tanto às
imagens experimentadas quando nós dormimos quanto
às aspirações e aos objetivos de vida. Os sonhos
durante o sono têm sido objeto de interpretação em
diversas tradições filosóficas, entre elas a de Sigmund
Freud (1856-1939). Para ele, ao conhecer nossos
sonhos, poderíamos identificar nossos medos e desejos
mais profundos. Já os sonhos como aspirações
envolvem a ideia de metas, desejos e ambições que
influenciam escolhas e ações humanas. É nesse último
sentido que o sonho se liga à ideia de utopia.
A palavra utopia tem origem na língua grega. Ela
foi usada pelo filósofo e teólogo inglês Thomas More
(1478-1535) em sua obra Utopia, publicada em 1516. A
obra de More critica a sociedade de sua época e
apresenta uma sociedade ideal, na qual haveria
harmonia e paz, e todos trabalhariam em prol do bem
comum. Desde então, a palavra utopia passou a ser
amplamente utilizada para descrever ideias, planos ou
visões de sociedades ideais, frequentemente
inalcançáveis ou irrealizáveis.
A utopia é tão importante na Filosofia que, além de
Thomas More, vários outros autores também
escreveram livros que podem ser considerados utópicos.
Vamos conhecer alguns?
Essas obras exploram diferentes concepções de
sociedades ideais, abordando temas como justiça,
igualdade e conhecimento. Embora algumas delas não
sejam estritamente utópicas, elas contribuem para o
entendimento e a reflexão sobre ideias utópicas na
Filosofia e, sobretudo, usam a imaginação para sonhar
com uma sociedade melhor. Por meio disso,
entendemos o papel político da imaginação: quando nós
imaginamos um mundo melhor, podemos começar a
trabalhar por ele. A imaginação, assim, precisa de um
complemento: a ação, que faz com que o mundo
imaginado se torne possível.
O valor filosófico da imaginação
A imaginação foi assunto de muitos filósofos, alguns
dos quais já conhecemos. Citamos três:
• Aristóteles (384-322 a.C.) dizia que a imaginação é
como uma ponte entre o que vemos e o que pensamos,
ajudando-nos a entender e inventar.
• Immanuel Kant (1724-1804) defendia que, quando
usamos nossa imaginação, conseguimos ver o mundo
de um jeito especial, cheio de coisas belas e
interessantes.
• Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que viveu na
Suíça e na França, falava sobre a imaginação no
contexto de vida das crianças. Ele dizia que a
imaginação é como uma amiga ou um amigo que nos
ajuda a aprender e a explorar o mundo. Para ele,
brincar e imaginar são muito importantes para o
desenvolvimento pleno do ser humano.
Mas é preciso ter cuidado…
Alguns autores acreditavam que o excesso de
imaginação poderia ser perigoso. René Descartes
(1596-1650), por exemplo, relacionou a imaginação ao
pensamento, para garantir que as coisas imaginadas
não gerassem enganos, por estarem ligadas à nossa
sensibilidade (ou seja, aos sentidos do corpo, que
seriam enganadores). Sua preocupação se dava pelo
fato de a imaginação poder nos levar a viver uma
vida ”fora da realidade”.
Por isso, Descartes afirmou que a consciência
precisa se manter atenta, evitar que as imagens
enganosas sejam tomadas como verdadeiras. Ou seja,
o filósofo compreendia que a verdade não está naquilo
que é imaginado, mas sim dentro de nós, no ser
humano que imagina aquelas coisas. Não podemos sair
definitivamente desse estado de alerta da consciência e
passar a viver em um sonho. Talvez esse tenha sido o
problema que levou Dom Quixote ao delírio.
Outro filósofo que refletiu sobre a imaginação foi o
francês Gaston Bachelard (1884-1962). Ele concebia
duas formas de imaginação: a imaginação material,
positiva, que permitia uma efetiva reflexão e ação sobre
o mundo ao nosso redor; e a imaginação formal, ociosa
e abstrata, que é agradável, mas torna os indivíduos
passivos perante o mundo, se mobilizada em excesso.
Além disso, o uso restrito da imaginação formal, com
seu uso excessivo de metáforas, da relativização e da
abstração, poderia impactar negativamente a
construção do conhecimento.
Você acredita que a imaginação possa ter
aspectos negativos? Dê exemplos.
A imaginação e os jeitos de olhar
Podemos dizer que a imaginação está ligada à nossa
capacidade de olhar a realidade de formas diferentes.
Ela é uma espécie de voo sobre o mundo: nossa mente,
ao vagar por cima da realidade, vê coisas novas, porque
vê tudo de um jeito novo a cada olhar.
DORÉ,Gustave.DomQuixotenasuabiblioteca.Ilustração.1863.
A imaginação permite que vejamos além do óbvio,
transformando o mundano e o corriqueiro em
extraordinário. Ao alimentar a imaginação, damos asas
à nossa capacidade de interpretar, criar e inovar,
encontrando sempre caminhos novos onde as coisas
parecem não ter saída. Os jeitos de olhar tornam-se,
então, portais para mundos interiores ricos em
possibilidades, nos quais a realidade se entrelaça com a
fantasia. Nesse vasto campo da imaginação,
descobrimos que a forma como enxergamos o mundo
não é apenas uma função dos olhos, mas uma
expressão vibrante da mente criativa que habita dentro
de nós.
Vamos voltar ao personagem Dom Quixote. Ele tinha
uma imaginação muito fértil, cultivada por meio da
leitura de muitos livros de cavalaria. Ele adorava esse
assunto. Embora o excesso de imaginação tenha
modificado sua relação com o mundo, ele via seu
mundo fantástico de forma positiva
Será que é possível conciliar diferentes jeitos de
olhar o mundo? Por que cada pessoa imagina o mundo
de forma diferente? Converse com seu professor e
colegas.
ORGANIZANDO O CONHECIMENTO
1.Complete as lacunas no texto sobre a abordagem
de alguns filósofos em relação à imaginação. Utilize
os conceitos disponíveis a seguir.
uma amiga ou um amigo Aristóteles brincar crianças
interessantes Kant novas
(384-322 a.C.) dizia que a imaginação é
como uma ponte entre o que vemos e o que pensamos,
ajudando-nos a entendere inventar
coisas ! (1724-1804) adorava falar
sobre a imaginação. Ele pensava que, quando usamos
nossa imaginação, conseguimos ver o mundo de um
jeito especial, cheio de coisas . Jean-Jacques
Rousseau (1712-1778), que viveu na Suíça e na França,
falava sobre a imaginação no desenvolvimento
das . Ele defendia que a imaginação é
como que nos ajuda a aprender e a explorar
o mundo. Para ele, e imaginar eram coisas
muito importantes para o desenvolvimento pleno do ser
humano.
2.Responda às seguintes charadas:
CHARADA 1
Num tempo antigo, um pensador alertou,
Da imaginação, perigos revelou.
Ligou-a ao pensamento com astúcia,
Para evitar enganos, garantir a vigília.
O nome dele era:
CHARADA 2
Imaginação e realidade, ele não distinguiu,
Onde havia moinhos, gigantes ele viu.
Sua vida marcada por sonhos sem fim,
Quem é esse herói do imaginário, enfim?
SABERES EM AÇÃO
Aristóteles, Thomas More e outros pensadores
idealizaram sociedades que, em sua imaginação,
seriam perfeitas. Porém, essas utopias eram muito
diferentes entre si, pois cada pessoa tem ideias e
valores muito diferentes. Mesmo assim, pensar sobre
utopias é um exercício de reflexão sobre os aspectos
que poderiam melhorar em nossa realidade e um
exercício de imaginação sobre um mundo melhor.
Agora é sua vez! No caderno, descreva como seria
seu mundo ideal. Seu texto pode ser em prosa, poesia,
narrativo, argumentativo etc. Seja qual for o modelo
escolhido, ele deve contemplar os seguintes tópicos:
1.Como o governo é organizado? Todos tomam as
decisões coletivamente? Há representantes do povo? É
uma democracia, monarquia ou outro sistema?
2.Como é o sistema educacional? Como as pessoas
aprendem? Quem tem acesso ao conhecimento e como
ele é transmitido?
3.Quais são as leis principais? Como as disputas são
resolvidas? Existem formas de punição?
4.Existe dinheiro? Como a economia funciona? Como
os recursos são distribuídos entre as pessoas?
5.Qual é o papel da tecnologia e da ciência na
sociedade? A tecnologia é mais ou menos desenvolvida
que hoje? Quem produz esses conhecimentos?
6.Como é a relação entre as pessoas e a natureza?
Que medidas são tomadas para preservá-la? Como a
natureza está presente no dia a dia?
7.Como a cultura e as artes estão presentes no
cotidiano? Como a diversidade cultural é tratada?
8.Qual é a atitude em relação à espiritualidade? Existe
religião? Como a diversidade religiosa é tratada?
Após descrever sua utopia, represente-a por meio
de um desenho. Depois, compartilhe suas ideias com os
colegas, refletindo:
• Quais as principais semelhanças e diferenças entre
as utopias criadas?
• Houve alguma utopia além da sua que você
considerou ideal? Qual?
• Qual é a importância em se imaginar mundos ideais?
• Quais medidas podem ser tomadas para que alguns
dos aspectos ideais das utopias sejam alcançados em
nossa sociedade?
TESTANDO AS IDEIAS
1.Leia o seguinte trecho, retirado da obra Dom Quixote.
Dom Quixote e Sancho Pança iam cavalgando quando
avistaram, no meio de um campo, quarenta moinhos de vento.
Quixote logo imaginou que aquilo não eram moinhos, mas
gigantes. Entusiasmado, disse para Sancho:
— Veja, Sancho, que sorte temos: mal saímos de casa e aí
estão esses gigantes para enfrentar.
— Que gigantes? — perguntou Sancho —, só o que eu vejo
são moinhos de vento.
— Você não entende nada de aventuras de cavalaria – disse
Dom Quixote. – Se você está com medo, saia de perto e fique
rezando, enquanto eu entro nessa batalha feroz e desigual.
[...]
Quixote investiu contra o moinho que estava adiante, fincando
a lança numa das pás. Movimentada pelo vento, a pá destruiu a
lança e jogou longe o cavaleiro e o cavalo. Sancho veio correndo
socorrer o patrão:
— Valha-me Deus! — disse Sancho. — Eu não falei que eram
moinhos de vento?
— Fique quieto, amigo Sancho — respondeu Dom Quixote. —
Com certeza foi Frestão, o feiticeiro [...] que transformou os
gigantes em moinhos, para tirar de mim a glória de vencer todos
eles.
a)Converse com seus colegas sobre o que se passou
na cena retratada.
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b)Como a imaginação de Dom Quixote influenciou a cena
do trecho?
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2.Reflita sobre a relação entre realidade e imaginação:
Quais os benefícios e quais os perigos ou riscos da
imaginação na nossa vida cotidiana?
BENEFÍCIOS
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RISCOS
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5. O exercício da compreensão
CONVERSA VAI...
O que é compreender? Essa palavra, de origem
latina, é formada pela união do prefixo com- (que
significa junto, no sentido de compartilhar)
e prehendere (que significa agarrar ou segurar). Isso
significa que compreender tem o sentido de segurar
completamente ou abordar de maneira abrangente.
•Observe as imagens de abertura. O que elas
representam?
•Como cada uma delas expressa ideias sobre o que
é compreender?
•Pense em momentos da sua vida em que você viveu
algo parecido com o que é demonstrado pelas imagens.
O que você sentiu?
CONVERSA VEM...
O verbo compreender tem o sentido de entender,
abranger ou trazer para perto, ou seja, tornar algo nosso
de verdade, rompendo qualquer distância que nos
separe do que for.
Você já passou por alguma situação em que sentiu
que precisava de compreensão? E por alguma
circunstância em que precisava compreender algo?
Comente nas linhas a seguir.
Treinar os jeitos de compreender
Podemos dizer que pensar é sair do nosso
comodismo, que muitas vezes nos leva ao erro: ficamos
presos às nossas primeiras impressões, àquilo que
ouvimos falar, à opinião dos outros. Essa posição pode
ser mais confortável, mas também é menos estimulante
para o conhecimento. Leia a tirinha a seguir.
Compreender é um processo que pode ser complexo.
Imagine como é montar um quebra- -cabeça muito
grande. Isso envolve várias tentativas para juntar
diferentes pedaços e formar uma imagem completa de
algo. Por isso, podemos dizer que essa palavra é tão
rica na Filosofia. No geral, os filósofos concordam que
existem dois tipos de compreensão:
• aquela que é própria do ser humano, que diz
respeito à nossa capacidade de ter acesso a coisas ou
a pessoas que nos rodeiam, envolvendo-se
afetivamente com elas;
• e aquela que está ligada à nossa capacidade de
explicar ou descrever essas coisas de forma mais ou
menos objetiva, sem envolvimento emocional.
O filósofo alemão Wilhelm Dilthey (1833-1911) ficou
conhecido por suas contribuições significativas para a
Filosofia da compreensão (que também é chamada, em
Filosofia, de Hermenêutica) e para o desenvolvimento
da teoria das Ciências Humanas. Dilthey destacou a
importância da compreensão como método fundamental
para as disciplinas que estudam as atividades humanas,
como História, Psicologia e Sociologia. Ele argumentava
que as Ciências Humanas deveriam adotar uma
abordagem interpretativa, sem a pretensão de dizer
uma verdade última e definitiva, mas buscando
compreender os significados próprios das ações
humanas.Pode parecer simples, mas pensar a compreensão
como um método central nas Ciências Humanas teve
grande impacto: com isso, é possível conceber a ideia
de que entender ações e expressões humanas envolve
uma interpretação sensível e contextualizada. Ou seja,
quem compreende o que diz respeito ao ser humano
não pode ter a pretensão de estar totalmente certo.
Com essa abordagem, Dilthey ajudou a estabelecer as
bases para o pensamento da interpretação, que exige
de nós conhecer o contexto que se esconde por trás
daquilo que nós vemos em primeiro plano.
Três formas de compreender
Podemos pensar a ideia de compreensão em três
palavras: entender, aceitar e acolher.
• Entender: quem compreende, entende
teoricamente um processo, uma ideia, uma concepção.
Entender é mais do que apenas saber; é captar a
essência e o significado de algo. Por isso, envolve a
habilidade de assimilar informações, reconhecer
padrões e interpretar contextos, algo que é próprio da
atividade racional. Quando entendemos, ganhamos
clareza e capacidade de tomar decisões mais seguras e
acertadas.
• Aceitar: aceitar é abrir espaço para a realidade,
mesmo que ela seja desafiadora. É reconhecer e
acolher, sem resistência, circunstâncias, pessoas ou
emoções, deixando que essa realidade nos envolva,
chegue perto de nós. Aceitação permite a
transformação e o crescimento. Por isso, quem
compreende aceita aquilo que não pode ser mudado e
contribui para modificar aquilo que pode ser alterado.
• Acolher: é mais do que simplesmente receber, é
criar um ambiente caloroso e receptivo, oferecer
cuidado e aceitação, promovendo um espaço seguro
para os outros se expressarem. Acolher é estender a
compreensão até que ela se torne apoio e suporte,
permitindo construir conexões seguras e verdadeiras
com as outras pessoas. Quando praticamos o
acolhimento, cultivamos relações saudáveis e
desenvolvemos o senso de pertencimento.
O sentido ético da compreensão
O termo compreensão possui também sentido ético
em relação ao modo de agir com outras pessoas. É por
isso que compreender é também entender, aceitar ou
acolher outra pessoa. Quando falamos em compreender
no contexto das interações humanas, estamos nos
referindo à habilidade de enxergar além das palavras,
captando emoções e perspectivas e trazendo essa
pessoa para perto de nós.
Compreender implica aceitar a diversidade de
experiências e sentimentos dessa pessoa, buscando
conexões empáticas, tentando entender as dores e as
alegrias, as preocupações e as demandas dessas
outras pessoas. Não se trata apenas de entender
racionalmente, mas de acolher as singularidades de
cada pessoa, respeitando as diferenças e promovendo
a harmonia.
Muitas vezes, nós não temos muita paciência com as
outras pessoas porque não somos capazes de
compreendê-las completamente, de trazê-las para o
nosso lado, deixá-las falar, escutá-las, aceitá-las do jeito
que elas são.
Você já viveu uma situação em que mudou de
ideia sobre alguém após conhecê-lo e compreendê-lo
melhor? Compartilhe com seus colegas.
Percepções diferentes: a importância da empatia
A palavra empatia tem origem grega, formada pela
combinação do prefixo em- (que significa dentro)
e páthos (que se refere a sentimento ou emoção).
Portanto, em sua origem, empatia sugere a ideia de
sentir ou experimentar as emoções dos outros como se
fossem nossas, sentir em si mesmo aquilo que o outro
sente, ou seja, compartilhar os sentimentos de outra
pessoa. Por isso, podemos dizer que ela está
fortemente ligada à capacidade de compreender o outro,
ao se identificar emocionalmente com os sentimentos
dele.
A empatia é reconhecida como uma habilidade
essencial para a compreensão interpessoal e a
construção de relacionamentos saudáveis. É quando
você consegue realmente se colocar no lugar do outro,
entender como ele se sente e trazer ele para perto de
você. Não é só entender racionalmente, é sentir junto.
Um exemplo é quando um amigo seu está passando
por algo complicado e você não só percebe, mas
também sente aquela dor junto com ele. Em uma
situação difícil, as pessoas podem dizer palavras de
acolhimento e de solidariedade, mas, às vezes, não há
nada mais forte e mais consolador do que sentir que o
amigo realmente entende sua dor. Isso tem a ver com
empatia: a capacidade de ficar ao lado do outro e fazer
um gesto de acolhimento, deixando claro que nós
entendemos a dor dessa pessoa.
A empatia é como uma cola que une as pessoas,
ajudando a criar conexões mais fortes e sinceras.
Imagine como seria incrível se todo mundo praticasse a
empatia. Isso ajudaria a resolver brigas, trabalhar em
equipe e fortalecer os laços entre as pessoas dentro de
uma família ou em uma sala de aula. A empatia nos faz
entender melhor as diferenças entre as pessoas,
construindo um mundo mais justo e respeitoso.
Simpatia e empatia
Empatia ou não? Eis a questão.
Quando compreendemos as outras pessoas a ponto
de sermos capazes de sentir as emoções delas,
compartilhamos emocionalmente suas experiências e
somos motivados a fazer algo que as ajude. A empatia
é mais profunda e desafiadora do que a simpatia.
A simpatia é mais superficial e não envolve aquela
intensidade emocional que a palavra empatia carrega. E
mais: a simpatia é uma inclinação positiva ou uma
afinidade amigável em relação a alguém, mas a empatia
deve ser direcionada até mesmo àqueles de quem nós
não sentimos tanta proximidade afetiva. Por exemplo,
uma pessoa desconhecida que passa por mim e precisa
de ajuda é alguém com quem eu não tenho nenhuma
relação afetiva (simpática), mas é alguém que merece
minha empatia e devo ajudá-la como posso.
Para que haja compreensão, precisamos que o outro
também se deixe compreender. A compreensão é uma
relação, ou seja, tem uma natureza recíproca e
interativa. A compreensão genuína, muitas vezes,
requer um esforço mútuo, em que ambos estão
dispostos a se expressar e a se abrir para se entender.
Quando o outro também se permite ser compreendido,
cria-se um ambiente de confiança e comunicação.
Sobre a compreensão de si e do outro, leia o texto a
seguir, do filósofo francês Edgar Morin.
Para isso, é preciso que cada um compreenda
primeiro a si mesmo: saiba o que lhe incomoda, quais
são os seus sentimentos, por que está chateado ou
alegre, por que se irrita com outra pessoa, e assim por
diante. Depois disso, é preciso expressar
adequadamente as suas opiniões e cada estado de
humor: precisamos falar e saber nos expressar bem
para que sejamos bem compreendidos.
Muitas vezes, nós falamos que os outros não nos
entendem, mas nós também não entendemos os outros.
Essa é a origem de muitos mal-entendidos, brigas e
discussões infundadas: todos nós, nossos familiares,
amigos, professores e conhecidos têm suas próprias
dificuldades, suas mágoas, suas dores. Para que
sejamos mais empáticos, é preciso constantemente
colocar-se no lugar dos outros. Não basta ser simpático
e agradável, é necessário compreender os outros e agir
para melhorar a vida de todos.
ORGANIZANDO O CONHECIMENTO
1.No contexto das formas de compreender, qual é a
diferença entre as Ciências Humanas e as Ciências
Naturais?
a) Envolvimento subjetivo nas Ciências Humanas
e objetivo nas Ciências Naturais.
b) Objetividade nas Ciências Humanas e
subjetividade nas Ciências Naturais.
c) Ambas tratam a objetividade como elemento
fundamental da análise.
d) As duas abordagens consideram a
subjetividade como elemento essencial da análise.
2.Quais os três sentidos da palavra compreender?
a) Interpretar, ignorar, evitar.
b) Ignorar, evitar, questionar.
c) Evitar, questionar, fugir.
d) Entender, aceitar, acolher.
3.A empatia é uma habilidade crucial para a convivência
humana, na medida em que ela envolve a capacidade
de compreender as outras pessoas. Sobre a função da
empatia, quais das alternativas seguintes estão corretas?
a) Compreensão interpessoal e construção de
relacionamentos saudáveis.
b) Manipulação dos sentimentos alheios para
benefício próprio.
c) Afastamento emocional e isolamento social.
d) Julgamento e crítica dasemoções dos outros.
e) Ignorar os sentimentos e as experiências das
outras pessoas.
f) Promoção da empatia e da solidariedade na
sociedade.
g) Cultivo da empatia como uma forma de
conexão humana genuína.
h) Desenvolvimento de relacionamentos com
interesses egoístas.
i) Subestimar a importância das relações
interpessoais.
j) Exercício de controle sobre as emoções alheias
para vantagem pessoal.
k) Reconhecimento e validação dos sentimentos
alheios.
4.Como vimos, compreender não se limita apenas a
entender racionalmente, mas também envolve:
a) aceitar as singularidades e respeitar as
diferenças das outras pessoas.
b) impor nossas próprias ideias e ignorar as
experiências alheias.
c) julgar as ações das outras pessoas sem
considerar suas histórias de vida.
d) manipular as emoções das outras pessoas para
que se adequem às nossas.
SABERES EM AÇÃO
Leia com atenção as frases a seguir e marque um X
na frase que mais se aproxima do que você está
sentindo neste momento.
Ansioso(a) antes de uma prova importante.
Empolgado(a) com uma viagem planejada.
Frustrado(a) por não conseguir resolver um
problema difícil.
Com medo de falar em público durante uma
apresentação.
Aliviado(a) após receber uma boa notícia.
Irritado(a) com uma discussão familiar.
Triste por perder uma competição esportiva.
Feliz por alcançar uma meta pessoal.
Triste por ter que se despedir de um ente querido
que está se mudando.
Nervoso(a) antes de uma conversa com alguém
importante.
Preocupado(a) com problemas financeiros em
casa.
Orgulhoso(a) por ajudar alguém em dificuldade.
Desanimado(a) por não se sentir compreendido(a).
Animado(a) para uma festa de aniversário.
Depois, reúna-se com outros colegas, conte a eles
por que você escolheu esse cartão e escute a
explicação da escolha deles. Você também pode
escolher uma frase e descrever, hipoteticamente, como
se sentiria se estivesse naquela situação descrita no
cartão. Preste atenção no que o colega está dizendo e
tente entender por que ele se sente assim. Depois que
todos falarem, tente pensar em ações que poderiam ser
tomadas para ajudar pessoas que estejam passando
pelas situações descritas.
Reflita com seus colegas sobre como foi a
experiência de falar dos próprios sentimentos. Você se
sentiu compreendido e acolhido? O que poderia
melhorar nas nossas relações se nós fizéssemos mais
esse tipo de exercício?
TESTANDO AS IDEIAS
Wilhelm Dilthey fez grandes contribuições para
a Hermenêutica, que significa intérprete ou mesmo
tradutor. Essa palavra tem origem no nome do
deus Hermes, conhecido como o mensageiro dos
deuses na mitologia grega. Hermes era habilidoso em
decifrar e transmitir mensagens entre os deuses e os
humanos, além de ser considerado um patrono das
Artes, incluindo a escrita e a oratória. Ele traduzia os
desígnios dos deuses e tinha como uma de suas
missões tornar as mensagens compreensíveis.
TESTANDO AS IDEIAS
Wilhelm Dilthey fez grandes contribuições para
a Hermenêutica, que significa intérprete ou mesmo
tradutor. Essa palavra tem origem no nome do
deus Hermes, conhecido como o mensageiro dos
deuses na mitologia grega. Hermes era habilidoso em
decifrar e transmitir mensagens entre os deuses e os
humanos, além de ser considerado um patrono das
Artes, incluindo a escrita e a oratória. Ele traduzia os
desígnios dos deuses e tinha como uma de suas
missões tornar as mensagens compreensíveis.
1. Faça uma pesquisa sobre a história do deus Hermes. Escreva um relato
argumentando como esse mito ajuda a pensar o papel da compreensão no
mundo de hoje, tanto a compreensão das coisas, no sentido das ciências
naturais, quanto a compreensão das pessoas, no sentido ético.
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	FILOSOFIA-6ANO 2.2
	4. A lente da imaginação
	 CONVERSA VAI...
	 CONVERSA VEM...
	Sonho e imaginação
	O valor filosófico da imaginação
	Mas é preciso ter cuidado…
	A imaginação e os jeitos de olhar
	 ORGANIZANDO O CONHECIMENTO
	SABERES EM AÇÃO
	TESTANDO AS IDEIAS
	5. O exercício da compreensão
	 CONVERSA VAI...
	 CONVERSA VEM...
	Treinar os jeitos de compreender
	Três formas de compreender
	O sentido ético da compreensão
	Percepções diferentes: a importância da empatia
	Simpatia e empatia
	 ORGANIZANDO O CONHECIMENTO
	SABERES EM AÇÃO
	TESTANDO AS IDEIAS
	TESTANDO AS IDEIAS

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