Quem tem mais direito criança idoso preso professor morador de rua agente público
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Quem tem mais direito criança idoso preso professor morador de rua agente público


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Quem tem mais direito: criança, idoso, preso, professor,
morador de rua, agente público?
Colunistas
Segunda, 22 de Fevereiro de 2016 04h30
SÉRGIO HENRIQUE DA SILVA PEREIRA: Jornalista, professor, produtor, articulista, palestrante,
colunista. Articulista nos sites: Academia Brasileira de Direito (ABDIR), ABJ (Associação Brasileira
dos Jornalistas), Âmbito Jurídico, Conteúdo Jurídico, Editora JC, Fenai/Faibra (Federação Nacional
da Imprensa), Investidura - Portal Jurídico, JusBrasil, JusNavigandi, JurisWay, Observatório da
Imprensa.
Quem tem mais direito: criança, idoso, preso, professor, morador de rua, agente público?
» Sérgio Henrique da Silva Pereira
É comum ver em sites e blogs sobre direitos, direitos esses de superioridade sobre certas pessoas. Mais, afinal,
quais cidadãos possuem mais direitos do que os outros, em quais circunstâncias, e que leis favorecem essa
superioridade.
É comum verificar em blogs e sites defensores de que o professor é autoridade máxima dentro de sala de aula
devendo, portanto, os alunos acatar as ordens direta do professor, sem qualquer margem de divergência. O direito
soberano se verifica principalmente quando o professor é de Universidade.
É comum também verificar em sites e blogs a premissa de que toda criança deve obedecer às ordens diretas dos
adultos sejam eles pais, familiares e demais adultos. Nesse caso, a criança deve obedecer, cegamente, às ordens
emanadas das autoridade dos adultos.
Também é comum verificar que as autoridades políticas podem falar o que quiser para os jornalistas, porque tais
agentes estão protegidos constitucionalmente, quanto à imunidade durante o exercício de mandato. No caso de
cidadão preso, os jornalistas podem fazer chacotas contra o preso, pois este está sobre os \u2018olhos da lei\u2019.
Também é comum escutar que servidores públicos podem impedir qualquer administrador de falar o que quer,
como medida de tolher as palavras infundadas do administrado.
Diante dos \u2018direitos supremos\u2019 é que estou editando este artigo sobre os direitos fundamentais, normatizado
pela Carta Política de 1988. Primeiramente começarei pelas leis que limitavam direitos.
O direito supremo
1) Soberano e religião 
O direito supremo existiu, mas há muito tempo. Esse direito era permitido pela CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO
IMPÉRIO DO BRASIL (DE 25 DE MARÇO DE 1824)
Art. 5º. A Religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a Religião do Império. Todas as outras Religiões
serão permitidas com seu culto doméstico, ou particular em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior
do Templo.
\u201cArt. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização Política, e é delegado privativamente ao Imperador,
como Chefe Supremo da Nação, e seu Primeiro Representante, para que incessantemente vele sobre a
manutenção da Independência, equilíbrio, e harmonia dos mais Poderes Políticos.
Art. 99. A Pessoa do Imperador é inviolável, e Sagrada: Ele não está sujeito a responsabilidade alguma.
Art. 100. Os seus Títulos são "Imperador Constitucional, e Defensor Perpetuo do Brasil" e tem o Tratamento de
Majestade Imperial.
Art. 101. O Imperador exerce o Poder Moderador\u201d.
Depreende-se que o poder do Estado pertencia apenas a uma pessoa, o rei. Sendo rei, jamais poderia ser
responsabilizado por seus atos. A religião oficial era a Católica Apostólica Romana. As demais eram permitidas,
quando escondidas aos olhos do público. Em poucas palavras, a Católica Apostólica Romana era superior as
demais religiões. E, com total poder, nenhum cidadão poderia se atrever a questioná-la.
2) LEI DE 16 DE DEZEMBRO DE 1830. Código Criminal. 
a) Os crimes soberanos e justificáveis 
6º Quando o mal consistir no castigo moderado, que os pais derem a seus filhos, os senhores a seus escravos, e
os mestres a seus discípulos; ou desse castigo resultar, uma vez que a qualidade dele, não seja contraria às Leis
em vigor.
Castigo moderado aos filhos. Os castigos \u2018moderados\u2019 da época eram muito severos, desde ajoelhar em milho,
usar chapéu de burro, uso de cinto para castigar. Eram considerados \u2018normais\u2019 pela sociedade.
Art. 60. Se o réu for escravo, e incorrer em pena, que não seja a capital, ou de galés, será condenado na de
açoutes, e depois de os sofrer, será entregue a seu senhor, que se obrigará a trazê-lo com um ferro, pelo tempo, e
maneira que o Juiz designar. (Revogado pela Lei 3.310, de 3.310, de 1886)
O número de açoutes será fixado na sentença; e o escravo não poderá levar por dia mais de cinquenta. (Revogado
pela Lei 3.310, de 3.310, de 1886)
Afrodescendentes. Seres vivos à serviço da riqueza de seus senhores. Seres vivos sem alma, sem pensamento,
sem liberdade de expressão. As crueldades eram toleradas pelo próprio Estado. A sociedade se enriquecia através
de sangue e lágrimas dos afrodescendentes.
b) O Estado e as manifestações 
INSURREIÇÃO
Art. 113. Julgar-se-á cometido este crime, retinindo-se vinte ou mais escravos para haverem a liberdade por meio
da força.
Penas - Aos cabeças - de morte no grão máximo; de galés perpetuas no médio; e por quinze anos no mínimo; - aos
mais - açoutes.
Art. 114. Se os cabeças da insurreição forem pessoas livres, incorrerão nas mesmas penas impostas, no artigo
antecedente, aos cabeças, quando são escravos.
Art. 115. Ajudar, excitar, ou aconselhar escravos à insurgir-se, fornecendo-lhes armas, munições, ou outros meios
para o mesmo fim.
Penas - de prisão com trabalho por vinte anos no grão máximo; por doze no médio; e por oito no mínimo.
O Estado tem suas peculiaridades, conforme a mentalidade cultural. Não a cultura em si total, mas àqueles que
detêm poder soberano para controlar e direcionar a vida de milhões. Os negros não poderiam se rebelar contra à
ordem público e segurança pública sob condição de serem mortos. Lembra muito o Estado e sua ação em 2013,
quando ocorreram as manifestações populares de maior âmbito nacional desde a promulgação da Carta
Política de 1988. A mentalidade secular de Estado coator e violador dos direitos humanos se materializou pelas
ordens dos gestores públicos.
c) Não ter trabalho é sinônimo de vagabundo 
VADIOS E MENDIGOS
Art. 295. Não tomar qualquer pessoa uma ocupação honesta, e útil, de que passa subsistir, depois de advertido
pelo Juiz de Paz, não tendo renda suficiente.
Pena - de prisão com trabalho por oito a vinte e quatro dias.
Art. 296. Andar mendigando:
1º Nos lugares, em que existem estabelecimentos públicos para os mendigos, ou havendo pessoa, que se ofereça
a sustentá-los.
2º Quando os que mendigarem estiverem em termos de trabalhar, ainda que nos lugares não haja os ditos
estabelecimentos.
3º Quando fingirem chagas, ou outras enfermidades.
4º Quando mesmo inválidos mendigarem em reunião de quatro, ou mais, não sendo pai, e filhos, e não se incluindo
também no número dos quatro as mulheres, que acompanharem seus maridos, e os moços, que guiarem os cegos.
Penas - de prisão simples, ou com trabalho, segundo o estado das forças do mendigo, por oito dias a um mês.
Há a mentalidade secular que desempregado, ou pedir esmola, é sinônimo de vagabundo. Não podemos esquecer
que a construção sociopolítica brasileira foi assentada sobre o pilar da discriminação. A ascensão socioeconômica
foi controlada para impedir que os párias [negros e brancos, neste último caso, os que não tinham o \u2018sangue\u2019 azul].
A própria educação foi edificada como oportunidade de diferenciação socioeconômica. Poucos indivíduos
conseguiam frequentar às Universidades. O ensino fundamental [antigo primeiro grau] era o único meio possível de
os párias [negros] estudarem. E só. A política econômica brasileira manteve em rédeas curtas os párias, de forma
que eles não conseguissem ascender economicamente. Contemporaneamente se comenta muito no trabalho
escravo