A influência da afetividade na aprendizagem
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A influência da afetividade na aprendizagem


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UNIEVANGÉLICA CENTRO UNIVERSITÁRIO 
ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA REEDUCATIVA 
 
 
AGIVANDA SOARES DE ANDRADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
A INFLUÊNCIA DA AFETIVIDADE NA APRENDIZAGEM 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Brasília \u2013 DF 
2007 
 
AGIVANDA SOARES DE ANDRADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A INFLUÊNCIA DA AFETIVIDADE NA APRENDIZAGEM 
 
 
 
 
 
 
 
Monografia apresentada como 
requisito parcial à obtenção do 
título de Especialista em 
Psicopedagogia Clínica junto à 
Unievangélica Centro Universitário 
Orientadora: Profa Irene Paulino 
de Medeiros 
 
 
 
 
 
Brasília \u2013 DF 
2007 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para Marcello e Amanda, meus 
grandes amores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Deus por sua imensa 
generosidade para comigo e me 
tem disponibilizado pessoas 
sábias e compreensivas que me 
ajudam sempre em minhas 
jornadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"... tinha suspirado, tinha 
beijado o papel devotamente! 
Era a primeira vez que lhe 
escreviam aquelas 
sentimentalidades, e o seu 
orgulho dilatava-se ao calor 
amoroso que saía delas, como 
um corpo ressequido que se 
estira num banho tépido; sentia 
um acréscimo de estima por si 
mesma, e parecia-lhe que 
entrava enfim numa existência 
superiormente interessante, 
onde cada hora tinha o seu 
encanto diferente, cada passo 
condizia a um êxtase, e a alma 
se cobria de um luxo radioso de 
sensações! 
 
 
Eça de Queiroz, O Primo 
Basílio 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
Este trabalho apresenta uma revisão das teorias de aprendizagem de Piaget, 
Vygotsky, Freud e alguns seguidores correlacionando-as com o desenvolvimento da 
afetividade e sua influência na aprendizagem. Os conceitos de aprendizagem da 
atualidade não fazem a dicotomia entre cérebro (cognição) e corpo (organismo) e 
inserem a motivação e o desejo como instrumentos de apropriação da inteligência. 
As diversas abordagens atribuem à afetividade imprescindível valor para o 
desenvolvimento psíquico do ser humano. Os vínculos emocionais que se 
estabelecem desde o nascimento influenciam na construção da personalidade, do 
autoconceito e da auto-estima do sujeito, propiciando-lhe ferramentas necessárias à 
aquisição da aprendizagem e sua conservação. 
 
Palavras-chaves: aprendizagem, desenvolvimento, afetividade, autoconceito, auto-
estima. 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................1 
1. AFETIVIDADE.........................................................................................................4 
1.1 O vínculo afetivo na relação parental ................................................................6 
1.2 A importância da relação parental no desenvolvimento do autoconceito e da 
auto-estima..............................................................................................................8 
2. A Aprendizagem e a Educação .............................................................................17 
3. A INFLUÊNCIA DA AFETIVIDADE NA APRENDIZAGEM....................................25 
4. A ABORDAGEM PSICOPEDAGÓGICA NOS CONFLITOS AFETIVOS...............33 
4.1 O professor como mediador do processo........................................................34 
4.2 A família e sua influência na escola.................................................................36 
4.3 Os conflitos que podem surgir com as novas tecnologias da informação e da 
comunicação .............................................................................................................37 
CONCLUSÃO............................................................................................................40 
REFERÊNCIAS.........................................................................................................42 
 1 
INTRODUÇÃO 
 
 Quando nos referimos à inteligência ou à capacidade cognitiva do ser 
humano, quase sempre estamos nos indagando sobre a capacidade de 
aprendizagem do indivíduo diante de um determinado objeto do conhecimento. 
 Os conceitos epistemológicos da aprendizagem são muitos e vão desde a 
teoria piagetiana da inteligência à teoria psicanalítica de Freud. A teoria de Piaget 
busca a dimensão biológica do processo de aprendizagem e, neste contexto afirma 
que toda informação adquirida desde o exterior, o é sempre em função de um 
marco ou esquema interno; assim teríamos então três tipos de conhecimento, 
segundo Pain (1992, p.16): 
 
O das formas hereditárias programadas definitivamente de antemão, junto 
ao conteúdo informativo relacionado ao meio no qual o individuo atuará; o 
das formas lógico-matemáticas que se constroem progressivamente 
segundo estádios de equilibração crescente e por coordenação progressiva 
das ações que cumprem com os objetos, dispensando os objetos como 
tais; e em terceiro lugar o das formas adquiridas em função da experiência, 
que fornecem ao sujeito informação sobre o objeto e suas propriedades. 
 
 Seguindo esta linha de raciocínio, Sara Pain apresenta duas condições de 
aprendizagem, as externas e as internas, que serão enfocadas apenas no sentido 
descritivo, para facilitar a abordagem, já que tal dicotomia seria impossível 
estabelecer na prática. As condições externas são adquiridas pelo estímulo dado 
pelo meio em que o sujeito está inserido e as internas são definidas pelo sujeito, ou 
o corpo como mediador da ação. Ainda nesta linha teórica, Alicia Fernandez 
prossegue que, o ser humano para aprender deve pôr em jogo seu organismo 
individual herdado, seu corpo construído especularmente, sua inteligência 
autoconstruída interacionalmente e a arquitetura do desejo, desejo que é sempre 
desejo do desejo do outro. Sara Pain elucida que o organismo poderia ser 
comparado a um aparelho de recepção programado, que possui transmissores 
(células nervosas), capazes de registrar certos tipos de associações, de fluxos 
elétricos, e reproduzi-los quando necessário sendo o corpo o instrumento do 
organismo. O corpo coordena e a coordenação resulta em prazer, prazer de 
domínio. (Fernandez, 1991). 
 Do século XVII até o início do século XX, a aprendizagem estava ligada ao 
condicionamento, metodologia que visava enquadrar o comportamento de todos os 
 2 
organismos num sistema unificado de leis. Ivan Pavlov, médico russo, publicou em 
1903 os resultados de sua pesquisa digestiva com cães de laboratórios quando 
casualmente descobriu que certos sinais provocavam a salivação e a secreção 
estomacal no animal, uma reação que deveria ocorrer apenas quando houvesse 
ingestão de alimento. A estes resultados chamou reflexo condicionado, que podia 
ser adquirido por experiência, e ao processo chamou \u201ccondicionamento\u201d. Pavlov 
avançou a idéia de que o reflexo poderia ter um papel importante no 
comportamento humano e na educação. Esta descoberta tornou-se a base para 
uma corrente psicológica, o behaviorismo, fundado por John Watson, em 1913. 
 Na teoria de Lev Semionovitch Vygotsky, psicólogo russo, um dos conceitos 
mais importantes é o de Zona de Desenvolvimento Proximal que se relaciona com a 
diferença entre o que a criança consegue aprender sozinha, ou seja, adquirir em 
termos intelectuais e aquilo que consegue aprender quando lhe é dado o suporte 
educacional devido por parte de um adulto. 
 Para Vygotsky, o que nos torna humanos é a capacidade de utilizar 
instrumentos simbólicos para complementar nossa atividade, que tem bases 
biológicas.