Direito Penal - Fernando Capez

@direito-penal-iv UNICALDAS

Pré-visualização

ainda maior razão não deve ser desprezado o tempo de encarceramento cautelar.  Além disso, a pena restritiva de direitos substitui a pena privativa de liberdade pelo mesmo tempo de sua duração (art. 55 CP), tratando-se de simples forma alternativa de cumprimento da sanção penal, pelo mesmo período.  Assim, deve ser admitida a detração.

	3) Detração x sursis – não é possível.  O sursis é um instituto que tem por finalidade impedir o cumprimento da pena privativa de liberdade.  Assim, impossível a diminuição de uma pena que nem sequer está sendo cumprida, por se encontrar suspensa.  Observe-se, porém, que se o sursis for revogado, a conseqüência imediata é que o sentenciado deve cumprir integralmente a pena aplicada na sentença, e nesse momento caberá a detração, pois o tempo de prisão provisória será retirado do tempo total da pena privativa de liberdade.

	4) Prisão provisória em outro processo – há três posições na doutrina e na jurisprudência, relativamente à possibilidade de descontar o tempo de prisão provisória de um processo, cuja sentença foi absolutória, noutro de decisão condenatória: 1ª Posição – é possível, desde que o crime pelo qual foi condenado tenha sido praticado antes da prisão no processo em que o réu foi absolvido, para que o agente fique com um crédito para com a sociedade.  2ª Posição – é possível, desde que o crime pelo qual houve condenação tenha sido anterior à absolvição no outro processo.  3ª Posição – é possível, desde que haja conexão ou continência entre os crimes dos diferentes processos.

	5) Detração para fins de prescrição – 1ª Posição – pode ser aplicada calculando-se a prescrição sobre o restante da pena (ex.: o sujeito ficou preso provisoriamente por 60 dias; desconta-se esse período da pena aplicada e calcula-se a prescrição em função do que resta a ser cumprido).  2ª Posição – STF – a norma inscrita no art. 113 CP não admite que se desconte da pena in concreto, para efeitos prescricionais, o tempo em que o réu esteve provisoriamente preso.

	6) Medida de segurança – Prazo mínimo e detração – admite-se detração do tempo de prisão provisória em relação ao prazo mínimo de internação.  O exame de cessação da periculosidade, portanto, será feito após o decurso do prazo mínimo fixado, menos o tempo de prisão provisória.


Penas restritivas de direitos – 

Penas alternativas em geral –

Antecedente histórico – o 6º Congresso das Nações Unidas, reconhecendo a necessidade de se buscar alternativas para a pena privativa de liberdade, cujos altíssimos índices de reincidência (mais de 80%) recomendavam uma urgente revisão, incumbiu o Instituto da Ásia e do Extremo Oriente para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente de estudar a questão.  Apresentada a proposta, foi aprovada no 8º Congresso da ONU, realizado em 14/12/90, sendo apelidada de Regras de Tóquio ou Regras Mínimas das Nações Unidas para Elaboração de Medidas Não Privativas de Liberdade.

Objetivo fundamental das Regras de Tóquio – promover o emprego de medidas não privativas de liberdade.

Alternativas penais – são todas as opções oferecidas pela lei penal a fim de que se evite a pena privativa de liberdade.  Comportam duas espécies:
Medidas alternativas – constituem toda e qualquer medida que venha a impedir a imposição da pena privativa de liberdade, tais como reparação do dano extintiva da punibilidade, exigência de representação do ofendido para determinados crimes, transação penal, suspensão condicional do processo, composição civil caracterizadora da renúncia ao direito de queixa ou representação, etc.  Não se tratam de penas, mas de institutos que impedem ou paralisam a persecução penal, não se confundindo, portanto, com as penas alternativas.  Classificam-se em:

Consensuais – são as que dependem da concordância do acusado (ex.: suspensão condicional do processo, composição civil extintiva da punibilidade, etc.).

Não consensuais – são as que não dependem da concordância do acusado (ex.: perdão judicial, o “sursis”, etc.).

Penas alternativas – constituem toda e qualquer opção sancionatória oferecida pela legislação penal para evitar a imposição da pena privativa de liberdade.  Ao contrário das medidas alternativas, constituem verdadeiras penas, as quais impedem a privação da liberdade.  Classificam-se em:

Consensuais – sua aplicação depende da aquiescência do agente (ex.: pena não privativa de liberdade – multa ou restritiva de direitos – aplicada na transação penal da Lei 9099/95).

Não consensuais – independem do consenso do imputado.  Subdividem-se em:

Diretas – são aplicadas diretamente pelo juiz, sem passar pela pena de prisão, como no caso da imposição da pena de multa cominada abstratamente no tipo penal ou das penas restritivas de direitos do Código de Trânsito Brasileiro, as quais são previstas diretamente no tipo, não carecendo de substituição.

Substitutivas – quando o juiz primeiro fixa a pena privativa de liberdade e, depois, obedecidos os requisitos legais, a substitui pela pena alternativa. 
Rol de penas alternativas – a Lei nº 9714/98 criou, além das seis penas alternativas existentes no CP, outras quatro.  São elas:

Prestação de serviços à comunidade
Limitação de fim de semana
Interdições temporárias de direito – são quatro:
Proibição do exercício de cargo, função pública ou mandato eletivo
Proibição do exercício de profissão ou atividade
Suspensão da habilitação para dirigir veículo automotor (foi extinta pelo Código de Trânsito Brasileiro)
Proibição de freqüentar determinados lugares
Prestação pecuniária em favor da vítima
Prestação pecuniária inominada
Perda de bens e valores
Multa
OBS: Rol taxativo – o elenco legal das penas alternativas é um rol taxativo, não havendo possibilidade de o juiz criar, discricionariamente, novas sanções substitutivas.

Objetivos das penas alternativas – os objetivos da Lei 9714/98 são os seguintes:

Dar cumprimento ao disposto no art. 5º, XLVI, CF, que prevê a pena de prestação social alternativa.

Diminuir a superlotação dos presídios e reduzir os custos do sistema penitenciário.

Favorecer a ressocialização do autor do fato, evitando o deletério ambiente do cárcere e a estigmatização dele decorrente.

Reduzir a reincidência, uma vez que a pena privativa de liberdade, dentre todas, é a que detém o maior índice de reincidência.

Preservar os interesses da vítima.

Modificação na tendência de recrudescimento do sistema penal brasileiro – com a nova legislação, amplia-se um pouco mais o novo modelo de jurisdição consensual e alternativa inaugurado em 1995 com a Lei dos Juizados Especiais, em oposição ao modelo penal clássico, cuja eficiência estava fundada na difusão do medo coletivo da sanção penal (prevenção geral), pela convicção de que, quanto mais severa a repressão, maior a inibição à prática delituosa.  Posteriormente, sobreveio a Lei 9605/98, que definiu os crimes contra o meio ambiente, a qual, e seu art. 8º, aumentou o rol das penas restritivas de direitos aplicáveis aos delitos nela tipificados.  É certo que, por um lado, o modelo penal clássico já contava com medidas alternativas despenalizadoras, tais como livramento condicional, “sursis”, remição de pena, multa substitutiva, etc.; no entanto, não se pode negar que a Lei 9714/98 caracteriza a adoção de um compromisso ainda maior com um novo e alternativo modelo penal, o qual passará a conviver lado a lado com o sistema tradicional ainda vigente.

Classificação das infrações penais segundo o grau de lesividade, para incidência do sistema alternativo – 

Infrações de lesividade insignificante – acarretam a atipicidade do fato, uma vez que não é razoável que o tipo penal descreva como infração penal fatos sem absolutamente nenhuma repercussão social.

Infrações de menor potencial ofensivo – menor potencial não se confunde com lesividade insignificante.  São os crimes punidos com pena de até 2 anos de prisão e todas as contravenções, os quais são beneficiados por todas as medidas consensuais despenalizadoras da
si fez um comentário
  • ótimo
    • 0 aprovações
    Magda Silva fez um comentário
  • De fato, mesmo sendo de 2003 é um ótimo material.
    • 1 aprovações
    Rodrigo Borges fez um comentário
  • Vi que o ano é de 2003 ...algumas teorias devem estar mais atualizadas...mais é um bom material de fato .
    • 0 aprovações
    Elivelton Aranha fez um comentário
  • Muito bom!
    • 0 aprovações
    Emanuelle Gonçalves fez um comentário
  • Perfeito! Melhor, impossível.
    • 0 aprovações
    Carregar mais