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INTRODUÇÃO: OBJETIVOS: Elaboração de um projeto estrutural e montagem de uma viga treliçada. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Aplicar conhecimentos aprendidos em sala de aula para calcular forças de tração e compressão na vigas da treliça Estudar os diferentes tipos de treliça e avaliar qual será o escolhido para a ponte. Projetar e construir uma estrutura formada por treliças que suporte mais vezes o seu próprio peso. METODOLOGIA: Para esta Atividade Prática Supervisionada foram realizadas pesquisas em artigos científicos e trabalhos acadêmicos sobre treliças, abordando brevemente sua história, vantagens, aplicações em diferentes tipos de construções e a resistência dessas estruturas. A análise de pontes de treliça já existentes ajudou a compreender qual seria a estrutura que se seguiria, para iniciar os testes de aplicação de carga. Na etapa de experimentação prática, o modelo da maquete foi testado no software Ftool, que permitiu analisar o valor das forças em cada barra, de acordo com aplicação de carga com o valor escolhido. INTRODUÇÃO: A construção de pontes com palitos é uma atividade prática comum nos cursos de engenharia, nas disciplinas de resistência dos materiais e estruturas. Na maioria das vezes, é feita uma ponte de treliça, utilizando materiais simples como palitos de madeira, cola, resina epóxi, barbantes, dentre outros. Embora o modelo seja feito com materiais de baixo custo e menor resistência, sua configuração estrutural permite a análise de conceitos reais aplicados na engenharia. Segundo Dias (2009), a atividade promove o desenvolvimento de habilidades importantes, como o raciocínio lógico, a análise estrutural, a criatividade na solução de problemas, o trabalho em equipe e a gestão de recursos e tempo (Dias, 2009). Assim, é notável que essa atividade proporciona a oportunidade de aplicar os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula. Do ponto de vista técnico, a atividade permite compreender como as forças atuam em uma estrutura treliçada, como ocorre a distribuição de forças e qual a importância da escolha adequada do formato e tamanho da ponte. Também oferece uma introdução ao uso de softwares de análise estrutural, como o Ftool, auxiliando na simulação de carregamentos e no dimensionamento ideal das barras (Martins, 2021). Portanto, a construção e o teste de pontes de palitos de churrasco não apenas ilustram os fundamentos do comportamento das estruturas, mas também contribuem para a formação prática e crítica dos futuros engenheiros civis. FUNDAMENTAÇÃO TEORICA: 2.1 Pontes de Treliça: Histórico e Aplicações De acordo com Itti - Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (2023), as pontes surgiram ao acaso, de forma natural, quando troncos de madeira caíam ocasionalmente sobre vãos de vales, rios e entre outras coisas, proporcionando a possibilidade de transposição para lugares inacessíveis. Assim, foi possível garantir o transporte de pessoas, cargas, animais, atravessando rios, lagos, vales, os quais antes pareciam não ser possíveis de atravessar. As pontes de treliça são estruturas amplamente utilizadas na engenharia civil desde o século XIX, quando surgiram como soluções eficientes para vencer grandes vãos utilizando materiais como madeira, ferro fundido e, posteriormente, aço. Segundo a AWA Comercial (2023), as treliças são bastante usuais devido serem muito rígidas, transferindo as cargas a partir um ponto para uma área mais ampla, garantindo uma absorção maior de peso e impacto. O uso de treliças em pontes é justificado por sua eficiência estrutural. A geometria triangular das treliças permite que as cargas aplicadas na estrutura sejam distribuídas entre as barras em forma de esforços axiais (tração ou compressão), minimizando os momentos fletores e otimizando o uso de material (Beer; Johnston; DeWolf, 2015). Isso torna as pontes treliçadas ideais para aplicações que exigem alta capacidade de carga com baixo peso próprio, como pontes ferroviárias, rodoviárias e passarelas. Logo abaixo na figura 3, é possível verificar alguns modelos de pontes utilizados. Tipos de pontes com vigas treliçadas Adaptação Estruturas de Madeira (2008) Além de sua função estrutural, as treliças permitem grande flexibilidade de projeto e podem ser adaptadas a diferentes materiais e escalas, o que explica sua ampla presença tanto em grandes obras de infraestrutura quanto em projetos educacionais e experimentais. 2.2 Treliças: Conceito e Tipos As treliças são sistemas estruturais compostos por elementos retos, geralmente barras, conectados entre si por nós articulados, formando figuras geométricas triangulares. Essa configuração garante que as forças internas nas barras sejam predominantemente axiais, ou seja, de tração ou compressão, o que permite que os materiais sejam usados de forma mais eficiente, com redução de peso próprio e excelente desempenho estrutural (Hibbeler, 2017). O triângulo é a base geométrica das treliças por ser uma forma estável e indeformável. Diferentemente de quadriláteros, que podem deformar-se sem alteração no comprimento de seus lados, o triângulo mantém sua forma mesmo sob cargas externas, desde que as barras sejam rigidamente conectadas nos nós. Por isso, uma estrutura formada por múltiplos triângulos interligados tem grande rigidez, resistência e estabilidade (Beer; Johnston; DeWolf, 2015). As treliças podem ser classificadas em dois grandes grupos: planas e espaciais. As treliças planas têm todas as suas barras e nós dispostos em um único plano, sendo as mais utilizadas em pontes e coberturas de edifícios. Já as treliças espaciais são tridimensionais, com barras em várias direções, comuns em grandes coberturas, como em estádios e hangares (McCormac, 2014). Dentro das treliças planas, existem diversos tipos padronizados, cada um com características próprias de distribuição de cargas, facilidade de montagem e economia de material. Os principais modelos incluem: Treliça Pratt: Desenvolvida por Thomas e Caleb Pratt em 1844, possui diagonais inclinadas para baixo no sentido do centro do vão, funcionando principalmente à tração. É eficiente para vãos médios a grandes e bastante utilizada em pontes ferroviárias. Treliça Howe: Criada em 1840 por William Howe, é o inverso da Pratt: suas diagonais trabalham predominantemente à compressão. É adequada para estruturas em madeira, pois esse material resiste melhor à compressão do que à tração. Treliça Warren: Composta por triângulos equiláteros alternados, oferece boa distribuição das forças e simplicidade de montagem. É frequentemente usada em pontes metálicas devido à sua simetria e distribuição uniforme de esforços. A escolha do tipo de treliça depende de diversos fatores, como o tipo de carga aplicada, o vão a ser vencido, o material disponível, as condições de apoio e o objetivo estético do projeto. Além disso, em aplicações didáticas e experimentais, como a construção de modelos reduzidos com palitos de madeira ou bambu, a escolha do modelo influencia diretamente a capacidade de carga e a estabilidade da estrutura (Martins, 2021). A análise estrutural das treliças é baseada em princípios da estática, principalmente o equilíbrio de forças nos nós. Considerando que as cargas são aplicadas apenas nos nós e que as barras são conectadas por articulações ideais, é possível determinar os esforços internos utilizando métodos clássicos como o método dos nós e o método das seções (Timoshenko; Young, 2010). Portanto, compreender o funcionamento das treliças e suas variantes é essencial para o dimensionamento seguro e eficiente de estruturas na engenharia civil, além de ser um dos primeiros passos no estudo de resistência dos materiais e análise estrutural. 2.3 Aplicação e Distribuição das Forças em Treliças As treliças são estruturas altamente eficientes na distribuição de cargas devido à sua composição de elementos retos interligados, que formam triângulos — a forma geométrica mais estável. Em uma treliça ideal, todas as cargas são aplicadas nos nós e os elementos estruturais (as barras) estão sujeitosapenas a esforços axiais: tração ou compressão. Essa característica elimina momentos fletores significativos, reduzindo as tensões e deformações nos componentes (Beer; Johnston; DeWolf, 2015). A análise de forças em treliças pode ser feita de maneira precisa utilizando os princípios de equilíbrio da estática. Os dois métodos mais utilizados para essa análise são: · Método dos Nós: Baseia-se no equilíbrio de forças em cada nó da treliça. Como os elementos se encontram em nós articulados e as cargas são aplicadas apenas nos nós, a soma das forças horizontais e verticais deve ser igual a zero em cada ponto. Esse método é adequado para calcular forças em todas as barras da estrutura, começando pelos nós com apenas duas barras desconhecidas. · Método das Seções: Permite calcular diretamente as forças em determinadas barras cortando a treliça por uma seção imaginária e aplicando as equações de equilíbrio (∑Fx = 0, ∑Fy = 0, ∑M = 0). É especialmente útil quando se deseja analisar poucas barras em uma estrutura extensa. A aplicação das cargas nas treliças pode ser distribuída de diferentes maneiras, dependendo do tipo de estrutura e da função da ponte. No caso das pontes de treliça, as cargas normalmente são aplicadas verticalmente sobre o tabuleiro (superfície de passagem), que por sua vez transmite essas cargas para os nós da treliça. A partir daí, os esforços se propagam pelas barras, sendo absorvidos de maneira equilibrada pelas diagonais, montantes verticais e pela estrutura base (Hibbeler, 2017). Cada barra reage de forma distinta à aplicação da carga, dependendo da sua posição na estrutura. As barras inclinadas geralmente sofrem tração ou compressão, enquanto as barras verticais podem suportar cargas verticais adicionais, auxiliando no equilíbrio. Já a longarina inferior costuma ficar sob tração, enquanto a superior, sob compressão — comportamento típico em estruturas que atuam como viga treliçada (Timoshenko; Young, 2010). A correta análise e disposição das forças são essenciais para garantir que a treliça funcione de forma segura e eficiente. Um erro na escolha dos ângulos, nos materiais ou na forma de conexão entre as barras pode comprometer a estabilidade da estrutura. Por isso, em atividades práticas como a construção de modelos com palitos de churrasco, o uso de softwares como o Ftool permite simular as cargas e encontrar as melhores distribuições de força para maximizar a resistência e evitar colapsos prematuros (Martins, 2021). Em suma, a aplicação e a distribuição das forças em uma treliça não apenas garantem sua estabilidade e durabilidade, mas também ilustram princípios fundamentais da resistência dos materiais e da engenharia estrutural, sendo um conteúdo essencial para o desenvolvimento de futuros engenheiros. 2.4 Modelos Reduzidos: Pontes de Palitos de Churrasco A construção de modelos reduzidos de pontes utilizando palitos de churrasco é uma prática comum em cursos de engenharia e arquitetura, principalmente nas disciplinas de resistência dos materiais, estruturas e mecânica. Esses modelos têm como principal objetivo representar, em escala reduzida, o comportamento estrutural de uma ponte treliçada, permitindo que os estudantes visualizem, testem e analisem conceitos teóricos aplicados na prática. O uso de palitos de churrasco — geralmente de madeira ou bambu — se deve à sua acessibilidade, leveza, boa resistência axial e facilidade de manuseio. Apesar de simples, esses materiais permitem a reprodução fiel do funcionamento de uma treliça, desde que as conexões (os nós) sejam bem executadas e as forças estejam corretamente distribuídas (Martins, 2021). A montagem de uma ponte com palitos envolve etapas que simulam processos reais de projeto estrutural: concepção do modelo, escolha do tipo de treliça, dimensionamento aproximado, análise estrutural (com ferramentas como o Ftool), planejamento da montagem e testes de carga. Essa sequência desenvolve habilidades importantes como planejamento, raciocínio lógico, análise crítica e trabalho em equipe (Almeida; Souza, 2020). Além disso, as pontes de palitos permitem que se estudem conceitos de rigidez, estabilidade, distribuição de esforços e colapso estrutural. Por exemplo, ao aplicar carga crescente até a ruptura, o estudante pode observar quais barras entram primeiro em colapso, quais são mais solicitadas (compressão ou tração), e como o projeto pode ser modificado para melhorar o desempenho da estrutura. A análise comparativa entre o comportamento previsto (em software ou cálculos teóricos) e o comportamento real da estrutura durante o teste de carga também é extremamente didática. Muitas vezes, pequenas imperfeições na construção, colagem ou posicionamento das barras resultam em falhas prematuras, evidenciando a importância da execução correta na engenharia estrutural (Hibbeler, 2017). Por fim, esse tipo de atividade também estimula a criatividade dos alunos, pois dentro das limitações impostas (materiais, dimensões, carga máxima), eles devem encontrar soluções inovadoras para otimizar o desempenho da ponte. A busca pelo melhor arranjo estrutural com recursos limitados reproduz desafios comuns na prática profissional. 3. A PONTE O projeto da ponte foi fundamentado na resistencia a compressão do palito. Selecionou-se uma configuração de treliça que promovesse uma distribuição uniforme das forças, assegurando que as forças compressivas fossem image2.png image1.png