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COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS -Mariane Kolandjian 2 PREPARO PRÉ-OPERATÓRIO Objetivo: controlar fatores com impacto na evolução cirúrgica AVALIAÇÃO DO RISCO CIRÚRGICO Avaliação cardiovascular Não operar se cardiopatia ativa: · Angina instável · ICC descompensada · Arritmia grave · Valvopatia grave Índice de risco cardíaco revisado (IRCR) / Índice de Lee 1. Coronariopatia 2. Insuficiência cardíaca 3. DRC (Cr > 2) 4. DM com insulina 5. Doença cerebrovascular (AVC ou AIT) 6. Cirurgia: torácica, abdominal ou vascular suprainguinal (alto stress hemodinâmico) · 10 METs: natação, tênis, futebol · Como anestesia/cirurgia demandam 4 METS, se 3 meses) · ASA IV: doença limita e incapacita (ex: angina instável, IAM 70 anos: ECG + hemograma + eletrólitos + glicemia + função renal · Solicitar outros exames na dependência de patologias de base (independente da idade) Com relação à cirurgia: · Coagulograma: estimativa de perda > 2L, neurocirurgia, cirurgias cardíaca e torácica · Radiografia de tórax: cirurgias cardíaca e torácica MEDICAÇÃO DE USO CRÔNICO Manter (inclusive na manhã da cirurgia) · Corticoide Se dose maior que 20 mg: · Substituir por hidrocortisona EV (resposta ao trauma) - antes da cirurgia a 24/48 horas de pós-operatório · Anti-hipertensivo · Insulina · NPH: ½ - ⅔ da dose · Glargina: ½ da dose · Doses mais baixas para não ocorrer hipoglicemia devido o jejum · Glicemia: até 180 mg/dL Suspender · Antidiabético oral (no dia) Exceção: · Inibidores de SGLT2 (ex: dapagliflozina, empagliflozina): 3-4 dias · Acarbose: 24h · AINEs (1-3 dias) · Antiagregante plaquetário (7-10 dias) · Coronariopatia: manter AAS!! · Novos anticoagulantes orais (rivaroxabana, apixabana, edoxabana): 24/48h · Warfarin: 4-5 dias · Operar: INR ≤ 1,5 · Pode ser feita anticoagulação de ponte: suspender varfarina e iniciar heparina · Heparina não fracionada: 6h · Heparina de baixo peso molecular: 24h · Ervas medicinais / fitoterápicos · Gingko: 48h · Alho: 7 dias · Ginseng: 7 dias PROFILAXIA ANTIBIÓTICA · Objetivo: evitar infecção de ferida operatória (principal agente: Staphylococcus aureus - Gram positivo) Cirurgias em íleo terminal, cólon e reto há também a necessidade de cobertura para germes Gram negativos e anaeróbios Exemplos de cirurgias · Limpa: cirurgia cardíaca, neurocirurgia, cirurgia plástica, cirurgia ortopédica, herniorrafia, tireoidectomia · Limpa-contaminada/potencialmente contaminada: cirurgia orofaríngea, colecistectomia por colelitíase, esôfago, jejunoileal, biliar, cólon-reto, urológica, ginecológica (histerectomia) e cesariana · CVL eletiva não necessita de antibioticoprofilaxia · Contaminada: apendicite aguda inicial, colecistite aguda · Infectada: inflamações intra-abdominais necrosadas ou supuradas (apendicite aguda supurada, colecistite aguda com empiema de vesícula ou perfuração); laparotomia no trauma abdominal com rotura prévia de alça Quando fazer ATBprofilaxia · 30-60 minutos antes da incisão · Repetição da dose: procedimentos que excedam duas meias-vidas do medicamento ou que haja perda excessiva de sangue (> 1500 mL) · Ao término da cirurgia, na maioria dos casos não há vantagens em prolongar a profilaxia. Profilaxia prolongada: até 24-48h TRICOTOMIA · Não deve ser feita de rotina · Caso necessário: sem trauma (tesoura) e no momento da cirurgia JEJUM · Líquidos claros: 2h (água, chá, café, gatorade, suco sem polpa) · Leite materno: 4h · Leite de fórmula: 6h · Sólidos: 6-8h COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS 1. FEBRE NO CONTEXTO OPERATÓRIO Pré-operatório (durante a cirurgia) · Infecção pré-existente · Reação à droga ou transfusão · Hipertermia maligna · Síndrome muscular hereditária fármaco-induzida · Exposição a anestésico inalatório e succinilcolina: abertura de canais de cálcio muscular = ↑ cálcio muscular · Hipermetabolismo muscular · Hipercapnia (altera capnografia e gera acidose) · Rabdomiólise (↑ K) · Hipertermia · Tratamento: cessar exposição, resfriamento, HCO3, dantrolene, evitar dar bloqueador de canal de cálcio 24-72h de pós-operatório · Atelectasia · Infecção necrosante da ferida (Streptococcus pyogenes OU Clostridium perfringens) > 72h de pós operatório · Infecção: ferida operatória (Staphylococcus aureus), ITU, pneumonia · Parotidite supurativa (Staphylococcus aureus) · Homem, diabetes mellitus · Trombose venosa profunda (TVP) COMPLICAÇÕES DA FERIDA OPERATÓRIA Seroma · Coleção de linfa no subcutâneo · Tratamento: expectante, compressão ou aspiração Hematoma · Coleção de sangue e coágulo · Tratamento: expectante se pequeno, reabrir se volumoso Deiscência aponeurótica · Defeito músculo-aponeurótico · Facilitam a ocorrência: cirurgia de emergência, má técnica cirúrgica, dificuldade cicatricial (idade avançada, desnutrição) · 4º-14º dia: líquido serohemático · Tratamento: reoperar Infecção · Até 30 dias (ou 1 ano se prótese) após procedimento · Superficial - pele e subcutâneo · Febre + dor + flogose + pus · Tratamento: retirar pontos, drenar e lavar · Profunda - tecidos moles profundos à incisão (ex: fáscia e/ou músculos) · Febre + dor + flogose + pus · Tratamento: retirar pontos, drenar e lavar + antibioticoterapia · De órgãos e cavidades · Febre + distensão + toxemia · Tratamento: ATB + drenagem REMIT: RESPOSTA ENDÓCRINA, METABÓLICA E IMUNOLÓGICA AO TRAUMA · Em um trauma, o corpo precisa disponibilizar glicose, água e oxigênio!! 1. METABOLISMO INTERMEDIÁRIO PERÍODO PÓS-PRANDIAL (DIA A DIA) · ↑ Glicemia · ↑ Insulina Sobrou glicose? Insulina inicia o anabolismo (construção de estoque): · ↑ Glicogênio ou glicogênese · ↑ Gordura ou lipogênese TRAUMA (análogo a uma pessoa em jejum, porém em proporção maior) · ↓ Glicemia · ↓ Insulina Hormônios contra-insulínicos iniciam o catabolismo (destruição de estoque): · Glicogenólise · Gliconeogênese - proteólise e lipólise Lembrar que a glicose não é produzida a partir de ácidos graxos!!! Epônimos · Ciclo de Felig: alanina vira glicose · Ciclo de Cori: lactato vira glicose Adaptações do jejum prolongado / trauma 1. Reduz a proteólise 2. Prioriza a lipólise Mesmo sabendo que do ponto de vista energético é melhor quebrar músculo, o corpo reduz a proteólise e prioriza a lipólise (para manter músculo) 3. Cérebro começa a consumir corpos cetônicos (diminui consumo de glicose) E NA PRÁTICA? COMO SE APLICA? Para sustentar este processo, fornecer 400 kcal = 100 g de glicose = 2000 mL SG 5% antes da cirurgia RESPOSTA ENDÓCRINA ADRENAL ↑ Cortisol · Gliconeogênese · Permite ação das catecolaminas ↑ Catecolaminas · Broncodilatação / pupilodilatação · ↑ força de contração, ↑ FC (↑ ino/cronotropismo) · Vasoconstrição periférica · Atonia intestinal ↑ Aldosterona · Retém sódio e água · Libera potássio e H+ HIPOTÁLAMO ↑ ADH · Oligúria PÂNCREAS ↓ Insulina ↑ Glucagon RESPOSTA IMUNOLÓGICA ↑ IL-1, IL-2, TNF-alfa · ↑ Temperatura · Otimizar sistema de hemostasia · Anorexia Segundo Sabiston: · IL-4, IL-10 e IL-13 são anti-inflamatórias FASES DA REMIT Catabólica (1 semana) → Anabólica precoce (2 semanas) → Anabólica tardia (ganho de peso) Ebb (declínio/refluxo):claudicação intermitente) Diagnóstico · Angiografia mesentérica Tratamento · Revascularização · Cirurgia → jovens · Stents → idoso ou comorbidades COLITE ISQUÊMICA · Causa de isquemia intestinal mais comum · Paciente idoso com período de hipoperfusão (em terapia intensiva, idoso submetido à cirurgia de correção de aneurisma de aorta abdominal) Quadro clínico · Colite → dor, diarreia mucossanguinolenta, febre, distensão Diagnóstico · Clister opaco → “impressões digitais” (thumb printing) - não é feito atualmente pelo risco de perfuração · Retossigmoidoscopia → mucosa inflamada Tratamento · Suporte clínico · Cirurgia (colectomia parcial ou total) - se peritonite, hemorragia, colite fulminante, refratário ANEURISMA DE AORTA ABDOMINAL · ANEURISMA: dilatação > 50% do diâmetro do vaso · Se menor, chamamos de ECTASIA CLASSIFICAÇÃO Anatomia · Fusiformes (mais comum) · Saculares (risco de ruptura maior) Verdadeiro x pseudo · Verdadeiro: composto por todas as camadas · Pseudoaneurisma: hematoma pulsátil não contido por todas as camadas Etiologia · Aorta: degenerativos (aterosclerose) Tipos (aneurisma aorta abdominal) · Tipo I: infrarrenais · Mais comum · Segmento livre abaixo das renais · Tipo II: justarrenais · Início imediatamente após a emergência das renais · Tipo III: pararrenais · Engloba a emergência das renais · Tipo IV: toracoabdominais · Acima e abaixo da emergência das renais FATORES DE RISCO PARA FORMAÇÃO · Tabagismo (8:1) · Sexo masculino · Idade avançada · Brancos · História familiar · Hipercolesterolemia · HAS · DPOC · Diabetes não é fator de risco!! FATORES DE PROTEÇÃO · Diabetes mellitus · Sexo feminino · Negros QUADRO CLÍNICO · Assintomático · Massa pulsátil em linha média · Dor abdominal vaga e inespecífica DIAGNÓSTICO Ultrassonografia · Avalia diâmetro transverso e longitudinal do aneurisma · Rastreio, diagnóstico e seguimento · Não avalia a ruptura em 50% dos casos Tomografia/angiotomografia · Mais específico · Delineamento preciso do aneurisma e diâmetro do lúmen · Relação com vasos renais e ilíacos · Avalia trombos e calcificações Angio-RM · Ausência de radiação e sem contraste iodado · Não identifica calcificações Arteriografia · Exame invasivo · Avalia a relação com outros vasos · Não identifica trombos SEGUIMENTO USG · 2,6 - 2,9 cm: USG a cada 5 anos · 3,0 - 3,4 cm: USG a cada 3 anos · 3,5 - 4,4 cm: USG a cada 12 meses · 4,4 - 5,4 cm: a cada 6 meses · ≥ 5,5 cm: cirurgia eletiva TRATAMENTO CLÍNICO · Seguimento ultrassonográfico · Suspender o tabagismo · Medida mais importante! · Controle da HAS e dislipidemia · ↓ risco cardiovascular, mas não diminui a taxa de expansão TRATAMENTO CIRÚRGICO Indicações cirurgia eletiva · Diâmetro ≥ 5,5 cm · Crescimento > 0,5 cm em 6 meses ou > 1 cm em 1 ano · Sintomático · Complicações: infecção, embolização periférica · Formação sacular Reparo aberto · Morbidade elevada · Complicações: IAM (mais comum) e IRA Reparo endovascular · Paciente com comorbidades e risco cirúrgico ↑ · Anatomia favorável · Vantagens no pós-operatório imediato · Resultados semelhantes no médio e longo prazo Complicações reparo endovascular · Sítio de punção: sangramento, hematoma, pseudoaneurisma · Endoleak: principal causa de falha · Tipo I: falha na vedação proximal (IA) ou distal (IB) · Tratamento imediato · Tipo II: enchimento retrógrado (lombares ou AMI) · Mais comum · Tratamento se dilatação → embolização · Tipo III: falha de 1 componente ou na vedação entre eles · Tratamento imediato · Tipo IV: vazamento pelos poros da prótese · Autolimitado, resolve após o fim da anticoagulação · Tipo V: dilatação na ausência de vazamento visível · Autolimitado, resolve após o fim da anticoagulação RUPTURA DO ANEURISMA DE AORTA ABDOMINAL FATORES DE RISCO · Tabagismo · Sexo feminino · Diâmetro inicial grande, crescimento rápido · O risco de ruptura não tem a ver com a extensão em comprimento · HAS · Transplante renal ou cardíaco · VEF1 ↓ · Aneurisma sacular QUADRO CLÍNICO · Massa pulsátil · Dor abdominal · Hipotensão Tríade clássica, presente ⅓ dos casos DIAGNÓSTICO · Se estável, angiotomografia TRATAMENTO · Intervenção imediata Estável e anatomia favorável · Reparo endovascular Instável · Balão intra-aórtico · Avaliação com arteriografia · Se favorável → reparo endovascular · Cirurgia convencional se · Não controle do sangramento · Anatomia desfavorável · Sangramento após a endoprótese DISSECÇÃO DA AORTA TORÁCICA · Rasgo na camada íntima, formando um falso lúmen na média FATORES DE RISCO · HAS (70%) · Aterosclerose (30%) · Uso de cocaína e crack · Atividade física extenuante · Doença do tecido conjuntivo (Marfan, Ehlers-Danlos) · Valva aórtica bicúspide · Coarctação da aorta · Síndrome de Turner · Gestação CLASSIFICAÇÃO Stanford · A → acomete a aorta ascendente · B → não acomete a aorta ascendente DeBakey · I → origem na ascendente e se estende por toda a aorta · II → limitada a aorta ascendente · III → origem distal a subclávia esquerda (não pega ascendente), podendo ou não se estender para aorta abdominal · IIIa → não ultrapassa o tronco celíaco (somente aorta torácia) · IIIb → ultrapassa QUADRO CLÍNICO · Dor · A → dor torácica, náusea e sudorese · B → dor na região dorsal ou toracodorsal DIAGNÓSTICO · Arteriografia vem sendo cada vez menos utilizada · Angiotomografia · 2 luzes · Eco transtorácico · Eco transesofágico · Eco é ideal para pacientes instáveis, transesofágico S=98% e E=90% TRATAMENTO · Suporte em terapia intensiva + analgesia com opioide · Controle da FC e PAS → FC bifurcação ilíacas > aorta > poplíteo · Tender a ser catastrófica com quadro mais exuberante Trombose · Doença aterosclerótica (evolução da doença arterial periférica) · Quadro mais brando (presença de circulação colateral) QUADRO CLÍNICO 6 Ps · Pain (dor) · Palidez · Pulse lessness (ausência de pulso) · Presença de pulso não afasta · Parestesia · Paralisia · Poiquilotermia(variação na temperatura) TRATAMENTO E CLASSIFICAÇÃO (Rutherford) · Proteção térmica: algodão ortopédico · Heparinização INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA (VARIZES MMII) FATORES DE RISCO · Idade > 50 anos · Sexo feminino (progesterona e estrogênio) · Postura durante atividade profissional · Trombose venosa profunda QUADRO CLÍNICO · Assintomático ou oligossintomático · Dor e sensação de peso · Prurido · Alterações cutâneas: telangiectasias, veias reticulares · Úlcera venosa → avançado · Áreas com alterações tróficas (acima do maléolo medial) · Única, fundo plano, secretante (úmido) · Tromboflebite e erisipela de repetição CLASSIFICAÇÃO (CEAP) · C0 - sem sinais visíveis · C1 - telangiectasias e/ou veias reticulares · C2 - veias varicosas · C3 - veias varicosas + edema · C4a - hiperpigmentação ou eczema · C4b - lipodermatoesclerose · C5 - úlcera venosa cicatrizada · C6 - úlcera ativa · Classe S: sintomático · Classe A: assintomático DIAGNÓSTICO · Clínico · USG com doppler · Avaliar gravidade e progressão · Flebografia TRATAMENTO Medidas conservadoras · Elevação do membro · Deambulação e atividade física · Meias de compressão (20-30 mmHg) · ≥ 40 mmHg para recorrência de úlceras Intervenção Telangiectasias e/ou veias reticulares (C1) · Escleroterapia · “Laser” transdérmico Veias varicosas (C2) · Tratamento cirúrgico Edema (C3) ou alterações tróficas (C4) · Meias elásticas Úlcera cicatrizada (C5) · Cirurgia na insuficiência superficial · Meias elásticas (≥ 40 mmHg) Úlcera ativa (C6) · Meias e bandagens de proteção · Avaliar cirurgia TROMBOSE VENOSA PROFUNDA · Tromboflebite superficial: veia superficial · Trombose venosa profunda: veia profunda Tríade de Virchow: estase/turbulência, lesão endotelial e hipercoagulabilidade FATORES DE RISCO · Idade, trombofilias, operação cirúrgica, trauma, gravidez e puerpério, imobilidade, TVP/TEP prévio, câncer, obesidade, ACO, IC, AVE, IAM, varizes QUADRO CLÍNICO · Dor, edema, aumento da consistência muscular, dor à palpação muscular DIAGNÓSTICO · Escore de Wells (> 2 = alta probabilidade) · D-dímero: valor preditivo negativo · Ecodoppler colorido dos MMII COMPLICAÇÕES · TEP · Flegmasia cerúlea dolens · Síndrome pós trombótica → varizes TRATAMENTO · Anticoagulação (heparina não fracionada, heparina fracionada, varfarina, DOACs) · Trombectomia · Elastocompressão · Filtro de veia cava (filtro que impede o TEP) · Contraindicação de anticoagulação, TEP recorrente com anticoagulação PROFILAXIA TEP/TVP · Escore de Caprini · Baixo risco (ex: CVL, apendicectomia, hernioplastia): deambulação precoce · Alto risco (ex: ortopédicas, oncológicas, bariátrica, imobilização, trombofilia): anticoagulação profilática DOENÇA HEMORROIDÁRIA CAUSAS · Constipação · Hipertensão porta QUADRO CLÍNICO Interna · Sangramento indolor · Prolapso (causa incômodo) · Mais comum Externa · Dor perianal · Trombose DIAGNÓSTICO · Clínico + anuscopia TRATAMENTO Interna · 1º grau: sem prolapso · Dieta com fibras · 2º grau: redução espontânea · Ligadura · 3º grau: redução manual · Ligadura · ± Cirurgia (hemorroidectomia) · 4º grau: irredutível · Cirurgia (hemorroidectomia) Hemorroidectomia aberta · Milligan-morgan Hemorroidectomia fechada · Ferguson x Externa · Trombose ≤ 72h: Excisão · Trombose > 72h: Banho de assento FISSURA ANAL AGUDA · Dor ao evacuar · Sangue no papel higiênico · Aspecto avermelhado · 6 semanas Tratamento · Esfincterotomia lateral interna ABSCESSOS ANORRETAIS → Infecção das glândulas de Chiari CLASSIFICAÇÃO · Supraelevador (pelve) · Isquiorretal (nádega) · Interesfincteriano (origem) · Perianal (mais comum) QUADRO CLÍNICO · Dor perianal · Abaulamento DIAGNÓSTICO · Clínico · ± Ressonância magnética TRATAMENTO · Drenagem imediata!!! · ± Antibioticoterapia (sepse, imunossupressão) Só tem 2 abscessos no corpo que não drenamos: pulmonar (“a tosse drena”) e hepático amebiano FÍSTULAS ANORRETAIS → Cronificação dos abscessos anorretais QUADRO CLÍNICO · Dor · Secreção purulenta (suja roupa íntima) CLASSIFICAÇÃO Simples · Interesfincteriana (mais comum) · Transesfincteriana Complexas · Supra-esfincteriana · Extra-esfincteriana Fístula simples: orifício externo próximo do ânus Fístula complexa: orifício externo longe do ânus DIAGNÓSTICO · Clínico · ± Ressonância magnética Regra de Goodsall-Salmon · Anterior: trajeto retilíneo · Posterior: trajeto curvilíneo TRATAMENTO Simples · Fistulotomia/ectomia Complexa · Sedenho CÂNCER DO CANAL ANAL Carcinoma epidermoide!!! FATORES DE RISCO · Tabagismo · HPV · Imunodeficiência ESTADIAMENTO · Importante avaliar linfonodos inguinais · Tc tórax + Tc de abdome + RM pelve TRATAMENTO · Esquema nigro (QT + RT exclusiva) · Falha? Cirurgia de Miles (amputação abdominoperineal do reto - remove reto e o canal anal) · Maioria não opera!! (carcinomas epidermoides respondem muito bem à radioterapia!) CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA FISIOLÓGICO · Adipócito cheio: ↑ leptina · Intestino cheio: ↑ colecistocinina, ↑ GLP-1, ↑ peptídeo YY · Estômago cheio: ↓ grelina (substância orexígena - aumento do apetite) OBESIDADE · Dificuldade de induzir a saciedade · ↑↑↑ grelina · ↓ leptina, ↓ colecistocinina, ↓ GLP-1, ↓ peptídeo YY CLASSIFICAÇÃO · Sobrepeso: 25 - 29,9 · Obesidade grau I: 30 - 34,9 · Obesidade grau II: 35 - 39,9 · Obesidade grau III: ≥ 40 · Superobeso: ≥ 50 · Super-superobeso: ≥ 60 INDICAÇÕES Idade · > 18 anos (> 16 com autorização) Obesidade · IMC > 40 (grau III) · IMC > 35 (grau II) + comorbidades · IMC ≥ 30 com DM2 grave · Nesse caso se chama cirurgia metabólica · Idade > 30 anos Refratário · 2 anos de terapia clínica PRECAUÇÕES · Drogas e etilismo · Distúrbios psiquiátricos (não controlados) · Não compreensão TÉCNICAS · Restritiva: diminuição da capacidade de armazenamento do estômago, fazendo com que o paciente coma menos · Disabsortiva: diminuição do tempo de atuação das enzimas digestivas no bolo alimentar · Mista: combinação de estratégias Banda gástrica ajustável · Restritiva · Anel regulável na junção esofagogástrica · Complicações · Deslocamento do anel · Reganho de peso Sleeve (“manga”) · Restritiva · Gastrectomia vertical · Procedimento bariátrico mais realizado no mundo · Complicações · Fístula do ângulo de His: local sem serosa (JEG) → deiscência · Refluxo (contraindicar se refluxo grave) Bypass gástrico em Y de Roux (derivação gastrojejunal) · Mista restritiva · 2º procedimento bariátrico mais realizado no mundo (o mais realizado no Brasil) · Pouch gástrico (30 ml) - “bolsinha de estômago” + Y de Roux (75-150 cm) · Estômago fica excluso · Complicações · Deiscência anastomose No dreno: · Secreção alimentar = gastroenteroanastomose · Secreção biliar = enteroenteroanastomose · Hérnia de Petersen (hérnia interna) · Deficiência ferro / B12 / B1 Scopinaro (derivação biliopancreática) · Mista disabsortiva · Praticamente não realizada atualmente · Gastrectomia horizontal + canal comum (50 cm) + colecistectomia · Complicações · Todas do Bypass · Desnutrição proteica Switch duodenal · Mista disabsortiva · Modificação da técnica de Scopinaro · Cirurgia em 2 tempos · Gastrectomia vertical (poupa o piloro) + canal comum (100 cm) + colecistectomia + apendicectomia · Complicações · Todas do Bypass · Desnutrição proteica COMPLICAÇÕES PÓS-BARIÁTRICA · Sleeve: estenose, fístula de His · Bypass: estenose, fístula alimentar/biliar, coledocolitíase, Hérnia de Petersen · Ambas: hemorragia, reganho de peso, intolerância alimentar, deficiências vitamínicas Estenose · EDA ou esofagografia → dilatação balão · Se não der certo e for Sleeve → transformar em Bypass · Se for Bypass → reconstruir Fístula · Precoce ( 6 sem): septotomia± dilatação Coledocolitíase · CVL + exploração da via biliar (se for Bypass, pois não há acesso endoscópico) Hemorragia · Autolimitada. Se não for → EDA Reganho de peso · EDA ou esofagografia → plasma de argônio QUAL TÉCNICA ESCOLHER? · Sleeve · Déficit nutricional · Tumor/pólipo gástrico (pois assim é possível continuar tendo acesso endoscópico ao estômago) · Bypass gástrico em Y de Roux · DRGE · DM tipo 2 NEFROLITÍASE FISIOPATOLOGIA · Supersaturação (urina concentrada) → nucleação (cristal) → crescimento e agregação (cálculo) QUADRO CLÍNICO · Assintomático · Hematúria · Cólica nefrética (dor lombar com irradiação para região inguinal/genital) · Complicações (↓ prognóstico por ↓ fluxo urinário) · Infecção: risco de sepse · Obstrução total: risco de IRA pós-renal DIAGNÓSTICO · Tomografia de abdome sem contraste (padrão ouro) · Imagem hiperdensa · USG (bom para gestante) · Imagem hiperecogênica (com sombra acústica) TERAPIA AGUDA Analgesia · AINE (indometacina, cetorolaco) ± opioide Tamanho · 10 mm / refratários: intervenção urológica LITÍASE COMPLICADA · Infecção ou obstrução Conduta: Desobstrução!!! · Stent ureteral (Duplo J) · Nefrostomia percutânea TERAPIA CRÔNICA · Prevenção!! · Hidratação: ≥ 2,5 L / dia Sais de cálcio · Não restringir cálcio!! (a hipercalciúria é idiopática!!) · Restringir sódio e proteína · Diurético tiazídico (maior reabsorção de cálcio no tubulo distal) Estruvita · Antibiótico · Refratário: ácido acetohidroxâmico ( ↓ urease) - acidificar urina Ácido úrico · Restringir purinas na dieta · Alcalinizar urina (citrato de potássio) · Refratário: alopurinol HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA FISIOPATOLOGIA · Envelhecimento: mais receptores de androgênio · Localização: zona de transição · Não é fator de risco para Ca de próstata · Componente estático: obstrução mecânica por tecido hiperplásico · Componente dinâmico: obstrução por maior tônus de músculo liso · Hipertrofia do detrusor (bexiga): menor capacidade de armazenamento QUADRO CLÍNICO (prostatismo) Sintomas obstrutivos (esvaziamento / pós- miccional) · Jato fraco / intermitente · Gotejamento Sintomas irritativos (armazenamento) · Noctúria · Incontinência (“bexiga não guarda mais nada”) · Urgência urinária TRATAMENTO · Baseado em sintomas - escore internacional de sintomas prostáticos (IPSS) · IPSS 2,5 · Se positivos: biópsia por USG transretal Refinamentos do PSA · Velocidade > 0,75 ng/mL/ano · Densidade > 0,15 · Fração livre 10) · M: cintilografia óssea (se Gleason ≥ 8 ou PSA > 20) TRATAMENTO Doença localizada · Prostatectomia radical ± linfadenectomia · Radioterapia · Vigilância ativa · Seguimento somente com exames periódicos · Se ↓ risco: PSA 40 anos + · Hematúria macroscópica indolor DIAGNÓSTICO · TC de vias urinárias (falha de enchimento) + cistoscopia com biópsia TRATAMENTO Maioria é superficial (papilar): cura, mas recidiva · Ressecção ± terapia local (BCG) + acompanhamento Invasivo (muscular própria): ↑ risco de disseminação · Cistectomia radical + Qt neoadjuvante (pré-op) Metástases · Qt isolada TRAUMA DISTRIBUIÇÃO TRIMODAL DAS MORTES Pico 1: segundos - minutos · Causas de morte: lesões gravíssimas · Tratamento: prevenção! Pico 2: minutos até 24h · Causas de morte: lesões passíveis de tratamento · Tratamento: sistema de saúde + PHTLS/ATLS Pico 3: > 24h · Causas de morte: sepse, disfunção de múltiplos órgãos e sistemas (DMOS), TEP · Tratamento: sistema de saúde + “boa medicina” ATENDIMENTO INICIAL AO TRAUMA AVALIAÇÃO PRIMÁRIA Airway Breathing Circulation Disability Exposition & environment Atenção para a segurança da cena!!! - primeira coisa a se pensar · Ex: sinalizar via de tráfego na rodovia, EPI no hospital… ABCDE = ATLS “X”ABCDE = PHTLS (pré-hospitalar) X significa exsanguinação AIRWAY (VIA AÉREA E COLUNA CERVICAL) Controle da coluna cervical · Colar cervical + prancha Via aérea Está pérvia? · Perguntar o nome do paciente! · Fonação preservada = via aérea pérvia! · Via aérea pérvia = “vou pro B” · O2 ≥ 10 L / min Indicações de via aérea artificial · Apneia · Proteção da via aérea (redução do nível de consciência) · TCE grave → Glasgow ≤ 8 · Incapacidade de manter oxigenação com máscara Tipos de via aérea artificial · Definitivas · Protegem a via aérea (balonete insuflado na traqueia) · Intubação orotraqueal (IOT) · Intubação nasotraqueal · Cricotireoidostomia CIRÚRGICA · Traqueostomia · Temporárias · Máscara laríngea · Cricotireoidostomia por PUNÇÃO Intubação orotraqueal (IOT) · Via aérea artificial mais usada · Tubo orotraqueal (TOT) está bem colocado? · Exame físico + capnografia + radiografia de tórax Armadilhas do “A” · E se eu não posso ou não consigo intubar? (ex: trauma de face com fraturas/edema importantes) · Cricotireoidostomia cirúrgica (VA definitiva) · E se eu não posso crico cirúrgica? ((dreno de tórax) 4º/5º EIC, entre linhas axilares anterior e média Pneumotórax aberto · Fisiopatologia: trauma penetrante - orifício > ⅔ do diâmetro da traqueia · Quadro clínico · Timpanismo à percussão · MV abolido / diminuído · Conduta · Imediata: CURATIVO EM 3 PONTAS · Definitiva: TORACOSTOMIA c/ dreno em selo d’água (dreno de tórax) Pegadinhas de pneumotórax · Todo pneumotórax deve ser drenado? · Se for simples E pequeno (20 a 30%) não precisa drenar! Acompanhar paciente… · Mas se for fazer transporte aéreo ou ventilação mecânica tem que drenar · Drenou pneumotórax e não melhorou? · Caso técnica esteja correta, hipótese: lesão de grande via aérea - brônquio fonte · Conduta imediata: IOT seletiva ou 2º dreno · Diagnóstico: broncoscopia · Conduta definitiva: toracotomia Hemotórax · Fisiopatologia: trauma penetrante, acomete vasos hilares ou sistêmicos, geralmente sangramento autolimitado · Quadro clínico · Jugular colabada · Macicez à percussão · MV abolido / diminuído · Hipotensão (choque hipovolêmico) · Conduta · TORACOSTOMIA c/ dreno em selo d’água (dreno de tórax) · Pegadinha · Indicar TORACOTOMIA se 1. Drenagem imediata de 1500 mL 2. Drenagem de 200mL/h durante 2 a 4 horas 3. Necessidade persistente de transfusão CIRCULATION (CIRCULAÇÃO) Resumão do “C” · Choque mais comum: hipovolêmico · Focos de sangramento: tórax, abdome, pelve e ossos longos Conduta paciente instável hemodinamicamente · 2 acessos venosos: periféricos · Não conseguiu acesso: intraósseo, central, safena · Cristaloide aquecido (37-40ºC) · 1 litro (adulto) ou 20 mL/kg (criança) Classificação da perda volêmica Avaliação da resposta · Sinais vitais Se sem resposta · Transfusão maciça · + ácido tranexâmico 1g IV (até 3h pós trauma) · + 1g ao longo de 8h Cateterismo vesical · Alvo diurese · 0,5 mL / kg / h = ADULTOS · 1 mL / kg / h = CRIANÇAS · Cuidado! Avaliar se apresenta: · Sangue no meato · Hematoma perineal ou escrotal · Retenção urinária · Fratura instável de pelve · Se sim = Fazer uretrografia retrógrada antes do cateterismo · Se lesão de uretra = cistostomia · Se sem lesão de uretra = cateter vesical Controle da hemorragia · Compressão local · Torniquete ± 6 horas Fratura pélvica · Tipos · Compressão antero-posterior (livro aberto) 15-20% · Compressão lateral 60-70% · Compressão vertical 5-15% · Vasos: plexo venoso posterior ou ramos da artéria ilíaca interna · Sangue no retroperitôneo · Conduta · Amarração da pelve (LENÇOL) - ao nível do grande trocânter do fêmur · Imagem de sangue intraperitoneal? (FAST) · Sim? Laparotomia · Não? Tamponamento pré peritoneal · Se não resolver, provavelmente sangue arterial. Realizar angiografia · Outra maneira · REBOA - colocar balão na zona III da aorta · Após isso, tratamento ortopédico definitivo Tamponamento cardíaco · Fisiopatologia: trauma penetrante, 100-200 mL de sangue no saco pericárdico · Quadro clínico · Tríade de Beck 1. Turgência jugular 2. Hipotensão 3. Hipofonese de bulhas · Pulso paradoxal (↓ > 10 mmHg na PAs na inspiração) · Sinal de Kussmaul: aumenta da turgência jugular na inspiração · Diagnóstico: clínica + FAST · Conduta · Temporária: Pericardiocentese (aspirar 10 a 20 mL de sangue) · Definitiva: Toracotomia (escolha) Toracotomia · Realizada via antero lateral esquerda DISABILITY (AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA) · Glasgow · Pupilas · Extremidades (motricidade e sensibilidade) EXPOSITION & ENVIRONMENT (EXPOSIÇÃO) · Exposição (virar o paciente, avaliar dorso) · Prevenção da hipotermia POSSO PEDIR RAIO X? · Sim, desde que não atrapalhe o ABCDE · Padrão: coluna, tórax e pelve TRAUMA TORÁCICO TÓRAX INSTÁVEL Fisiopatologia · Fratura de ≥ 2 arcos costais consecutivos em pontos distintos Quadro clínico · Dor · Respiração paradoxal Conduta · Oxigênio · Analgesia · Fisioterapia respiratória · Contusão pulmonar · Se PaO2 8 cm · Perda do contorno aórtico · Desvio do TOT ou cateter nasogástrico para direita · Exame mais usado: angioTC de tórax · Padrão ouro: aortografia Conduta · Iniciar β bloqueadores, se possível · Tratamento definitivo (em até 24h) · Toracotomia esquerda · Terapia endovascular TRAUMA ABDOMINAL ÓRGÃOS MAIS LESIONADOS · Trauma fechado: baço · Trauma penetrante · Arma de fogo: delgado · Arma branca: fígado Batida- Baço / Tiro- Tripa / Facada - Fígado INVESTIGAÇÃO Tc com contraste · Exige estabilidade hemodinâmica · Avalia retroperitônio · Não é muito boa para lesão diafragmática ou de víscera oca Lavado peritoneal (LPD) · Exame mais sensível para encontrar sangue no abdome · Positivo se · Aspirado ≥ 10 mL de sangue ou restos alimentares · Lavado: infusão de 1000mL SF aquecido e aspiração de 200mL → hemácias > 100.000, leucócitos > 500, amilase > 175, presença de bile · Se gestante ou fratura de pelve passar o cateter por via aberta Ultrassonografia - “FAST” · Focused Assessment Sonography for Trauma · Locais de análise · Subxifóide (pericárdio) · Hepatorenal (Morrisson) · Esplenorrenal · Supra-púbica (fundo de saco) · Fast estendido (E-FAST): pleura → pneumotórax e hemotórax Ultrassonografia - “RUSH” · Rapid Ultrasound in Shock and Hypotension · Acrescenta locais de análises Videolaparoscopia · Exige estabilidade hemodinâmica · Indicada para lesões penetrantes na transição toracoabdominal INDICAÇÃO DE LAPAROTOMIA Abdome cirúrgico Trauma penetrante · Choque, peritonite ou evisceração Trauma contuso · Peritonite ou (retro)pneumoperitônio E quando o abdome não é cirúrgico? Trauma penetrante sem choque, peritonite ou evisceração · Arma de fogo: maioria laparotomia · Arma branca: depende (seguir fluxograma) Trauma contuso sem peritonite ou (retro)pneumoperitônio (seguir fluxograma) CONDUTA CONSERVADORA/NÃO CIRÚRGICA · Não pode ser abdome cirúrgico! · Estabilidade hemodinâmica · Condições de observação/intervenção: hospital, médico, TC, angiografia LESÃO DIAFRAGMÁTICA Definição transição toracoabdominal · Linha intermamilar e rebordo costal · Linha entre a ponta das escápulas e o rebordo costal BAÇO Quadro clínico · Sinal de Kehr: dor referida em ombro (não é patognomônico, significa hemoperitônio) Conduta cirúrgica · TC com lesões graus IV - V (lembrar grau 4 / baço 4 letras) · IV - desvacularização > 25% do baço · V - baço “pulverizado” / lesão grave do hilo Cirurgias · Rafia ou esplenectomia parcial / total · Dreno: só com lesão de cauda de pâncreas Atenção! · Vacinar pneumo, haemophilus, meningococo se esplenectomia FÍGADO Conduta conservadora · Só com estabilidade hemodinâmica · E/ou controlou sangramento com angioembolização Conduta cirúrgica · Instabilidade hemodinâmica ou · TC com lesão grau VI: avulsão hepática (lembrar grau 6 / fígado 6 letras) Cirurgias · Lesões simples · Compressão, hemostáticos tópicos, rafia · Lesões complexas · Ressecção segmentar · Se o sangramento for difuso · Manobra de Pringle: clampeamento do ligamento hepatoduodenal (a. hepática, v. porta, colédoco) · Não parou de sangrar? Lesão de cava inferior (retro hepática) / veia hepática DUODENO Laceração duodenal Quadro clínico · Retropneumoperitônio · Escoliose antálgica · Dor lombar irradiando até região escrotal · Crepitação ao toque retal Radiologia · Ar delineando rins Conduta · Laparotomia Contusão duodenal Quadro clínico · “Hematoma da parede duodenal” · Obstrução gástrica: náuseas, vômitos Imagem · Rx contrastado: mola em espiral ou empilhamento de moedas · Melhor exame: tomografia! Conduta · Descompressãogástrica + nutrição parenteral total · Sem melhora em 2 semanas: laparotomia PÂNCREAS Não tem lesão do ducto · Reparo + drenagem Tem lesão do ducto Corpo e cauda (esquerda da veia mesentérica superior) · Pancreatectomia distal + drenagem Cabeça (direita da veia mesentérica superior) · Lesão simples · Drenagem ± reparo · Graves ou junto com duodeno · Duodenopancreatectomia ± drenagem INTESTINO DELGADO Quadro clínico · Sinal do cinto de segurança - equimose abaixo de cicatriz umbilical Cirurgias Rafia primária · 50% da circunferência INTESTINO GROSSO Local mais comum · Transverso Cirurgias 1- Rafia primária · leve, 50% da circunferência 3- (2) + Colostomia ou “controle de danos” · Instabilidade hemodinâmica · Recebeu > 4-6 concentrados de hemácias · Cirurgia tardia (>4-6h), contaminação com peritonite RETO Cirurgias Terço distal, faces lateral ou posterior · Colostomia de proteção + drenagem pré sacra (?) Empalamento · O abdome é cirúrgico? Laparotomia Conduta inicial · Sedação e tentativa de retirada Não resolveu · Anestesia e tentativa de retirada Não resolveu ou falta pedaço · Laparotomia TRAUMA GENITURINÁRIO TRAUMA DE URETRA Anatomia Mecanismos de lesão Uretra posterior (membranosa e prostática) · Fraturas e luxações de pelve Uretra anterior · Bulbar - queda a cavaleiro · Peniana - trauma penetrante, mordedura ou fratura de corpos cavernosos Quadro clínico · Sangue no meato / intróito vaginal · Uretrorragia · Equimose perineal e de bolsa escrotal · “Bexigoma” · Fratura instável de pelve Investigação · Uretrografia retrógrada Conduta Lesão de uretra identificada · Não passar cateter vesical · Cistostomia TRAUMA DE BEXIGA Anatomia · Intraperitoneal · Extraperitoneal Mecanismos de lesão Intraperitoneal · Aumento súbito da pressão intra-abdominal Extraperitoneal · Fraturas e luxações de pelve Quadro clínico · Hematúria macroscópica · Dor e distensão abdominal “bexigoma” · Incapacidade de urinar · Fratura de pelve Investigação · Cistografia retrógrada Conduta Intraperitoneal ou lesão do colo vesical ou fragmentos ósseos na parede vesical ou aprisionamento da parede · Laparotomia com rafia da lesão Extraperitoneal · Cateterismo vesical por 14 dias EXTRAS TRAUMA VASCULAR ABDOMINAL HEMATOMA RETROPERITONEAL Zona 1 - Aorta e cava · Contuso: explorar Zona 2 - Rins e adrenais · Contuso: não explorar (exceto expandindo) Zona 3 - Vasculatura pélvica · Contuso: não explorar (exceto expandindo ou exsanguinando) Penetrante · Zonas 1, 2 ou 3: explorar sempre! SÍNDROME COMPARTIMENTAL ABDOMINAL (SCA) Pressão intra abdominal (PIA) normal · 5-7 mmHg Definição · PIA ≥ 21 mmHg + lesão de órgãos ± pressão de perfusão (PAM - PIA) 25 mmHg · Descompressão (bolsa de Bogotá) CIRURGIA PARA CONTROLE DE DANOS Evita a “tríade mortal” · Hipotermia · Coagulopatia · Acidose metabólica Cirurgia inicial breve + reanimação em UTI + reoperação planejada LESÕES DE FACE E PESCOÇO Quando fazer exploração cirúrgica do pescoço Sinais vasculares · Choque, hematoma em expansão, ↓ pulso carotídeo Trato aerodigestivo · Enfisema subcutâneo, disfagia, odinofagia, estridor, rouquidão Neurológico · Déficits lateralizados, alteração da consciência, lesão do plexo braquial Classificação de Le Fort · Tipo 1: fratura de Guérin ou disjunção dentoalveolar · Tipo 2: separa o osso maxilar e nasal do osso frontal · Tipo 3: traço se estende lateralmente e posteriormente, pelo assoalho da órbita, em direção à fissura orbitária inferior NEUROTRAUMA ESCALA DE COMA DE GLASGOW (GL456OW) E o Glasgow P? 1. Calcule o Glasgow (3-15) 2. Avalie a resposta pupilar (0-2) · Duas pupilas reativas: 0 ponto · Uma pupila não reativa: 1 ponto · Duas pupilas não reativas: 2 pontos 3. Glasgow - resposta pupilar = Glasgow P (1-15) LESÕES MEDULARES Choque neurogênico · Hemodinâmico · ↓ PA, ↓ FC, vasodilatação Choque medular · Neurológico · Flacidez e arreflexia FRATURAS DE BASE DO CRÂNIO Quadro clínico · Sinal de Battle (equimose pós auricular) · Sinal do guaxinim (equimoses periorbitárias) · Hemotímpano · Rinorreia · Otorreia Nunca! · Intubação nasotraqueal · Cateter naso gástrico LESÕES CEREBRAIS Difusas · Concussão cerebral · Lesão axonal difusa (LAD) Focais · Hematoma subdural · Hematoma extradural Quando solicitar TC na concussão? · Glasgow 65 · Amnésia ≥ 30 min · Mecanismo perigoso: ejeção de veículo, atropelamento, queda > 1 m de altura A TC é solicitada para verificar para ver se há algo além da concussão (já que ela não é detectada pela TC) Anatomia · Calota craniana → espaço epi/extradural / artéria meníngea → dura máter → espaço subdural /veias ponte → aracnóide → espaço subaracnóideo / LCR → pia máter HEMORRAGIA DIGESTIVA → Sangramento dentro da luz do tubo digestivo · ALTA (80%): proximal ao ângulo de Treitz · BAIXA (20%): distal ao ângulo de Treitz · Média: flexura duodenojejunal até a válvula ileocecal (classificação utilizada em endoscopia) Conceitos importantes · Hematêmese: vômito com sangue · Única que confirma origem. Hematêmese = HDA · Melena: evacuação escura e fétida. Sangue digerido · Enterorragia: eliminação de sangue vivo em grande quantidade por via anal · Hematoquezia: sangue com fezes Paciente com história de hematêmese. Após passar sonda nasogástrica: · Saiu sangue = HDA · Suco gástrico ou não saiu nada = não descarta HDA · Saiu bile = descarta HDA ABORDAGEM GERAL DA HEMORRAGIA DIGESTIVA Avaliação inicial e ressuscitação · Avaliação das vias aéreas, respiração e circulação · Avaliar a magnitude da hemorragia · Iniciar monitoramento adequado · Avaliação laboratorial História e exame · Identificar fatores de risco, cirurgia prévia, medicamentos Localizar sangramento · Aspirado de sonda nasogástrica · Endoscopia · Outros estudos conforme necessário Iniciar a terapia · Farmacológica, endoscópica, angiográfica, cirúrgica DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO HDA não varicosa · AAS, anti-inflamatório, H.pylori, tabagismo HDA varicosa · Cirrose HDB · Protótipo: paciente idoso, com doença diverticular, em uso de AAS, clopidogrel, história de AVE, DM, HAS CLASSIFICAÇÃO DO CHOQUE Gasometria - base excess · I: 0 até -2 · II: - 2 até -6 · III: - 6 até - 10 · IV: 6 CH · Tipo sanguíneo raro · Falha no tratamento endoscópico CONDUTA HDA VARICOSA 1. ABCs e ressuscitação 2. Iniciar infusão de vasopressina ou octreotide 3. Sangramento varicoso confirmado a endoscopia 4. Banda de ligadura endoscópica (ou escleroterapia) 5. Sangramento cessou a. SIM: manter vasopressina/ octreotide, ATB, repetir ligadura b. NÃO: tamponamento com balão, considerar TIPSou derivação cirúrgica Pressão balão esofágico · 20-30 mmHg (ou 30% da PAM) · Manter por no máximo 24h CAUSAS HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA · Mortalidade: 2-4% · 80-85% param espontaneamente · Qualquer sangramento intestinal com repercussão hemodinâmica - pensar primeiro em EDA · IDOSO: doença diverticular, angiodisplasia, neoplasia · ADULTO JOVEM: DII, doenças anorretais · CRIANÇA: divertículo de Meckel Afastar hemorragia digestiva alta = fazer EDA Abordagem HDB após afastar HDA · Sangramento leve a moderado: colonoscopia - diagnóstico e tratamento · Se lesão não visualizada: angiografia ou cintilografia (exame mais sensível 0,1 ml/min, porém não trata e é imprecisa) · Sangramento maciço: angiografia (0,5-1 ml/min) - diagnóstico e tratamento · Se nada resolver = COLECTOMIA total ou subtotal image3.png image93.png image94.png image95.png image96.png image97.png image98.png image99.png image100.png image101.png image102.png image4.png image103.png image104.png image105.png image106.png image107.png image108.png image109.png image110.png image111.png image112.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png image45.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.png image53.png image54.png image55.png image56.png image57.png image58.png image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image65.png image66.png image67.png image68.png image69.png image70.png image71.png image72.png image1.png image73.png image74.png image75.png image76.png image77.png image78.png image79.png image80.png image81.png image82.png image2.png image83.png image84.png image85.png image86.png image87.png image88.png image89.png image90.png image91.png image92.pnghipovolemia, ↓ DC, ↑ RVP, ↓ Temp, ↓ Insulina, hipometabolismo, até o 2º dia Flow (recuperação/fluxo): retenção líquida, ↑ DC, ↓ RVP, ↑ Temp, ↑ Insulina, hipermetabolismo, após 2º dia COMO MODULAR A REMIT? O catabolismo no trauma é desencadeado pela DOR e pela LESÃO (quanto maior, maior a resposta) Em cirurgias eletivas: 1. Anestesia epidural · Bloqueio anestésico (informação não chegar) é melhor que anestesia dissociativa (informação chega ao tálamo, mas não ao córtex) · ↓ resposta endócrina 2. Cirurgia laparoscópica · Diminui tamanho da lesão · ↓ resposta imune CICATRIZAÇÃO DE FERIDAS 1. FASE INFLAMATÓRIA Clínica: exsudato na ferida · Vasoconstrição e início da hemostasia · ↑ Permeabilidade vascular · Liberação da histamina · Formação de fibrina · Chegam os neutrófilos · Fazem a “limpeza” local por 24-48h · Depois chega o macrófago · Libera o fator de crescimento e transformação beta (TGF-β) · Depois chega o linfócito T · Libera o interferon gama (IFN-γ) para estimular o fibroblasto FASE DE PROLIFERAÇÃO Clínica: tecido de granulação · O fibroblasto é a célula principal desta fase!! · Fibroplasia: deposição de colágeno tipo III (frouxo) · Angiogênese - ferida sangra facilmente · Epitelização FASE DE MATURAÇÃO Clínica: bordas “contraindo” · O miofibroblasto é a célula principal desta fase! · Faz a contração da ferida · Troca de colágeno tipo III pelo tipo I (↑ resistência) FATORES QUE PREJUDICAM A CICATRIZAÇÃO · Infecção - mais comum!! · Idade avançada · Hipóxia · Doença vascular, tabagismo, Ht 3 meses · NÃO regridem · Apresentam predisposição genética · Mais frequentes em tronco (região pré-esternal e dorsal superior), cabeça e pescoço (em especial a orelha) e em ombros Cicatriz hipertrófica · Permanecem nos limites da ferida · Aparecimento precoce · Regridem espontaneamente · Sem predisposição genética · Mais frequentes em áreas de tensão da pele e em superfícies flexoras QUEIMADURAS 1. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR · Avaliar segurança da cena · Afastar paciente da fonte de calor · Retirar as roupas, joalheria · Resfriar a lesão · Jogo água? Só até 15-30 min após o trauma · Água em temperatura ambiente* ou ≥12ºC · Prevenção da hipotermia · Envolver o paciente em lençóis ou cobertores secos · Decidir se precisa de CETQ - Centro de tratamento de queimados · Estimar a superfície corporal queimada (SCQ) · Adultos - Regra dos noves (Wallace) · 9 e vai dobrando · Crianças - Berkow Definir grande queimado / queimadura grave (precisa de CETQ): · Segundo grau > 10% SCQ · Terceiro grau: qualquer % · Face, mão/pé, grandes articulações · Olhos, períneo/genitália · Lesões por inalação · Química ou elétrica graves · Comorbidade que pode piorar pela queimadura ATENDIMENTO HOSPITALAR A. Coluna e via aérea B. Complicações respiratórias Cenário 1: Queimadura em face e pescoço · Lesão térmica da via aérea superior (fumaça quente) · Quadro clínico: hiperemia de orofaringe, rouquidão, estridor · Pode ter insuficiência respiratória imediata · Diagnóstico: clínica, laringoscopia · Tratamento: suporte ventilatório · Intubação precoce ATLS: se SCQ > 40-50% = indicação de intubação · Lesão pulmonar por inalação (fumaça suja) · Quadro clínico: sibilos, escarro carbonáceo · Pode ter insuficiência respiratória ± 24h · Diagnóstico: broncoscopia, cintilografia com Xe133 · Tratamento: nebulização com broncodilatadores ± heparina ± N-acetilcisteína (NAC) // broncoscopia Cenário 2: incidência em recintos fechados · Intoxicação por monóxido de carbono (CO) · Quadro clínico: cefaleia, ↓ consciência · Diagnóstico: dosar carboxihemoglobina · Na intoxicação por CO, a saturação em oxímetros convencionais pode estar sem alterações · Tratamento: ↑ FiO2, medicina hiperbárica · Intoxicação por cianeto · Cianeto impede a respiração celular (uso do oxigênio pelas células) → metabolismo anaeróbio · Quadro clínico: ↓ consciência · Diagnóstico: ↑ lactato e ↑ cianeto · Tratamento: hidroxicobalamina ± tiosulfato de sódio C. Acesso e reanimação volêmica · Fazer acesso venoso periférico Hidratação - primeiras 24h · 4 ml (Parkland) ou 2 mL (ATLS) de ringer X superfície corporal queimada (SCQ) X peso · ½ nas 1ªs 8 horas + ½ nas próximas 16 horas · ATENÇÃO: são 8 horas a partir do momento da queimadura! Ou seja, se o paciente chegar no hospital com uma queimadura há 3 horas, metade do volume deve ser feito nas próximas 5 horas, pois 5+3 = 8 Como avaliar a resposta à hidratação? · Diurese ≥ 0,5 mL/kg/h D. Disfunção neurológica E. Exposição Outras medidas · Analgesia com opioide EV · Profilaxia tétano · Profilaxia TVP CLASSIFICAÇÃO Primeiro grau · Protótipo: queimadura solar · Profundidade: epiderme · Coloração: eritema · Sensibilidade: dor / ardência · Detalhes: não entra no cálculo da SCQ!!!! · Tratamento · Limpeza, analgesia, hidratantes Segundo grau (espessura parcial) · Profundidade: derme · Superficial: derme papilar · Profunda: derme reticular · Pior resultado estético na profunda · Coloração · Superficial: eritema e BOLHAS · Profunda: rósea e BOLHAS · Sensibilidade · Superficial: muito dolorosas · Profunda: dor moderada · Tratamento · Limpeza, curativo e ATB tópico (sulfadiazina de prata) · Se profunda: pode ser necessário enxerto Terceiro grau (espessura total) · Profundidade: gordura subcutânea · Coloração: marrom · Sensibilidade: indolor na queimadura, porém paciente pode sentir dor nas regiões ao redor · Tratamento · Enxertia precoce · Atenção: retração da “pele dura” ou “escara”. Conduta: escarotomia (queimadura circunferencial) QUEIMADURA ELÉTRICA GRAVE · Queima de dentro pra fora, “queima o músculo” · Rabdomiólise · Urina escura, ↑ CPK · Conduta - forçar diurese: 1-1,5 mL/kg/h com 4ml x Kg x SCQ até urina clarear · Alcalinização com bicarbonato de sódio se: · ↑↑ CPK, pH 2 cm · Associada à derivação ventrículo-peritoneal (DVP) · Não fechamento com 4-6 anos Adulto · Defeito adquirido · Mais frequente no sexo feminino · Fatores de risco: ↑ aumento da pressão intra-abdominal (ex: gestação, ascite, obesidade) · Tratamento: conservador Cirurgia se: · Sintomático (ex: dor) · Ascite volumosa HÉRNIA EPIGÁSTRICA · Localizada na linha alba (linha média), entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifóide (“como se fosse uma hérnia umbilical um pouco mais pra cima”) HÉRNIA INCISIONAL · Em área de incisão cirúrgica prévia · Deiscência de sutura na camada musculoaponeurótica (com pele e subcutâneo íntegros) · Fatores de risco · Técnica de fechamento incorreta (“o fechamento do R1 de hoje é a hérnia incisional de amanhã”) · Complicações da ferida operatória: infecção do sítio cirúrgico, hematoma, seroma · Condições que atrapalham cicatrização: desnutrição, idade avançada, uso crônico de corticoide · Pressão intra-abdominal elevada, obesidade HÉRNIA DE SPIEGEL · Localizada entre a borda lateral do reto abdominal e a linha de Spiegel (semilunar) · Sobre ou abaixo da linha arqueada de Douglas · Se forma de maneirainterparietal: avaliar imagem para o diagnóstico (às vezes não identificável no exame físico) HÉRNIA LOMBAR · Se formam nos triângulos lombares · Superior: hérnia de Grynfelt (abaixo da 12a costela) - em amarelo · Mais comum · Inferior: hérnia de Petit (acima da crista ilíaca) - em verde HÉRNIAS DA REGIÃO DA VIRILHA 1. CANAL INGUINAL · Anel inguinal interno (amarelo) → anel inguinal externo (verde) Estruturas que passam pelo canal inguinal · Homem · Funículo espermático (m. cremaster, vv deferentes, plexo pampiniforme, conduto peritônio-vaginal obliterado) · Mulher · Ligamento redondo do útero Parede posterior · Fáscia transversalis · Algumas referências consideram como componente único da parede posterior · Músculo transverso do abdome · Músculo oblíquo interno do abdome Fáscia transversalis · Anel inguinal interno/profundo · Início do canal inguinal · Canal femoral · Abaixo do ligamento femoral Parede anterior · Aponeurose do músculo oblíquo externo Aponeurose do músculo oblíquo externo · Anel inguinal externo/superficial · Final do canal inguinal · Ligamento inguinal (de Poupart) HÉRNIA INGUINAL INDIRETA Se anuncia através do anel inguinal interno · Hérnia mais comum de todas (homem, mulher, criança, idoso) · Mais frequente no sexo masculino · Causa: defeito CONGÊNITO (não fechamento do conduto peritônio-vaginal) · Típica da infância · Maior risco de encarceramento que a inguinal direta · Mais comum no lado direito (pois o conduto desse lado geralmente se fecha depois - mais tempo para ocorrência da má formação) HÉRNIA INGUINAL DIRETA Se anuncia através do Triângulo de Hesselbach · Causa: defeito ADQUIRIDO (enfraquecimento da parede posterior do canal inguinal) · O triângulo de Hesselbach é delimitado por: · Ligamento inguinal · Vasos epigástricos inferiores · Borda lateral do músculo retoabdominal Hérnia inguinal direta OU indireta? - em relação aos vasos epigástricos inferiores: · Se medial → direta · Se lateral → indireta Hérnia inguinal direta OU indireta? - no exame físico · Tocar canal inguinal do paciente e pedir para fazer Manobra de Valsalva · Polpa do dedo → direta · Ponta do dedo → indireta HÉRNIA FEMORAL (OU CRURAL) Se anuncia abaixo do ligamento inguinal · Mais frequente no sexo feminino (10:1) · Mais comum à direita (devido colo sigmóide à esquerda) · Maior risco de encarceramento de todas as hérnias Lembrar: C - femoral (Crural) TRATAMENTO HÉRNIAS INGUINO-FEMORAIS · Hérnia redutível · Cirurgia eletiva · Hérnia encarcerada (vai pra fora e não volta) · Redução manual - Manobra de Taxe · Se reduzir → cirurgia eletiva Quando não reduzir uma hérnia? · Se houver sofrimento isquêmico · Tempo > 6-8 horas (??) · Obstrução · Irritação peritoneal, hiperemia, hipotensão · Hérnia estrangulada (isquemia) · Cirurgia de emergência → inguinotomia · Porém, caso ocorra redução espontânea → laparotomia TÉCNICAS OPERATÓRIAS Abordagem anterior · Cirurgia aberta convencional (de fora para dentro) · Herniorrafia anterior + reforço posterior Shouldice · Reforço da parede posterior por meio de imbricação de músculos (sutura de um músculo no outro) Lichtenstein · Técnica de escolha · Tela livre de tensão (sutura ao longo do ligamento inguinal) Mc Vay · Boa para hérnia femoral (ligamento de Cooper) Plug femoral · Tela no reparo de hérnia femoral Abordagem posterior · De dentro para fora · Acesso pré-peritoneal Indicações · Recidivas · Bilaterais Stoppa · Tela bilateral Videolaparoscopia · Sempre posterior e sempre utiliza tela · Indicações · Nos últimos anos, tendência de indicar abordagem videolaparoscópica para os pacientes em geral · Seja primárias, unilaterais, recidivas ou bilaterais · Padrão ouro no sexo feminino · Técnicas · TEP: totalmente extraperitoneal · TAPP: transabdominal pré-peritoneal · Anatomia laparoscópica “Y” invertido 1. Vasos epigástricos inferiores (VEI) 2. Vasos deferentes (VD): medial 3. Vasos espermáticos (VE): lateral 4. Trato iliopúbico (ligamento inguinal visto de dentro) · Triângulos · Hérnias diretas: medial aos VEI · Hérnias indiretas: lateral aos VEI · Hérnias femorais: abaixo do TI · Triângulo de Doom · Triângulo da desgraça · Entre os VD (medial) e VE (lateral) · São encontrados nessa região os vasos ilíacos externos · Triângulo da dor · Inervação da região · Entre os VE (medial) e TI (lateral) DENOMINAÇÕES ESPECIAIS · Hérnia de Richter → pinça borda antimesentérica · Mais comum na hérnia femoral · Isquemia sem obstrução intestinal · Hérnia de Littré → Divertículo de Meckel no conteúdo herniado · Hérnia de Amyand → Apêndice no conteúdo herniado · Hérnia de Garengeot → Apêndice em hérnia femoral · Hérnia obturadora → protrusão visceral por meio do forame obturatório · Sinal de Howship-Romberg - dor no trajeto do nervo obturatório (algia na face interna da coxa) DOENÇAS DAS VIAS BILIARES 1. ANATOMIA DAS VIAS BILIARES Ducto de Wirsung = ducto pancreático principal Triângulo de Calot Formado por: · Borda hepática · Ducto cístico · Ducto hepático comum Passando lá dentro: · Artéria cística DOENÇA CALCULOSA BILIAR · Colelitíase: cálculo dentro da vesícula biliar · Colecistite: inflamação por um cálculo obstruindo a vesícula · Coledocolitíase: cálculo dentro do ducto colédoco · Colangite: inflamação nos ductos biliares TIPOS DE CÁLCULO Amarelo · Mais comum de todos · Constituído por colesterol · Não pigmentado · Radiotransparente (não visível em radiografia) · Formado na vesícula · Fatores de risco · Mulher · Estrogênio · ↑ Idade · Obesidade · Emagrecimento rápido · Drogas (clofibrato) · Doenças ileais (Crohn, ressecção ileal) - ↓ recirculação entero-hepática de sais biliares Preto · 2º mais comum · Constituído por bilirrubinato de cálcio · Pigmentado · Formado na vesícula · Fatores de risco · Hemólise crônica (anemia hemolítica, prótese valvar metálica) · Cirrose Marrom (ou castanho) · Mais raro · Constituído por bilirrubinato de cálcio + colesterol · Pigmentado · Formado na via biliar (coledocolitíase primária) · Fatores de risco · Obstrução da via biliar · Colonização bacteriana COLELITÍASE → Cálculo na vesícula biliar Quadro clínico · Assintomático (maioria) · Dor em cólica (15%) - por obstrução transitória. Vai aliviando (6 horas) · Relacionada a alimentação gordurosa ou copiosa · Náuseas e vômitos Diagnóstico · Ultrassonografia - padrão ouro · Imagens hiperecóicas com sombra acústica, que mobilizam-se com a mudança de decúbito Tratamento · Colecistectomia videolaparoscópica Indicações · Pacientes sintomáticos · Complicações (ex: pancreatite aguda de origem biliar) · Assintomático se: · Cálculo > 2,5-3 cm · Pólipos (associado a cálculo, pcte > 60 anos, > 1 cm) · Vesícula em porcelana · Anomalia congênita · Anemia hemolítica · Cirurgia bariátrica (controverso) e transplante cardíaco COLECISTITE → Inflamação por um cálculo obstruindo a vesícula Quadro clínico · Dor > 6 horas · Febre · Sinal de Murphy: interrupção súbita da inspiração profunda durante a compressão do ponto cístico Diagnóstico · Ultrassonografia - exame mais utilizado na prática · Cálculo impactado · Parede espessada (>3 mm) · Cintilografia biliar - padrão ouro · Ausência de contraste na vesícula biliar (vesícula obstruida) Tratamento · Medidas gerais (analgesia, corrigir distúrbios hidroeletrolíticos, hidratação se necessário) · Antibioticoterapia · CVL precoce (ideal 18000 · Massa palpável e dolorosa em QSD · Evolução > 72 horas · Sinais de complicação local · Grau I (leve): ausência de critérios para moderada e grave Tratamento · Grau I: CVL · ATB +cirurgia tardia se paciente não tolerar CVL · Grau II: CVL em centros especializados · ATB + colecistostomia se paciente não tolerar CVL · Grau III: conservador até correção da disfunção orgânica · Após estabilizar, CVL por cirurgião experiente · ATB + colecistostomia se paciente não tolerar CVL Complicações Perfuração · Livre · Peritonite (febre ↑ , leucocitose ↑↑) · Cirurgia de urgência · Bloqueada · Abscesso · Avaliar colecistostomia · Fístula · Íleo biliar Tríade de Rigler: 1. Obstrução de delgado 2. Cálculo ectópico 3. Pneumobilia Colecistite aguda enfisematosa · Gás na parede da vesícula · Clostridium · TG-18: tomografia é o grande exame · Quadro mais grave, 1% dos casos, idoso (> 60 anos), diabetes COLECISTITE AGUDA ALITIÁSICA → Colecistite sem a presença de cálculo · 5-10% dos casos de colecistite aguda · Pacientes graves, jejum, nutrição parenteral total Quadro clínico · Igual a colecistite calculosa · Se paciente na UTI com febre + leucocitose sem justificativa = pedir USG Tratamento · Igual a colecistite calculosa · ATB + CVL ou colecistostomia SÍNDROME DE MIRIZZI → Compressão do ducto hepático comum por um cálculo impactado no infundíbulo ou ducto cístico · Raro, 1% dos casos de colecistite Clínica · Colecistite + icterícia Classificação · Tipo I → sem fístula · Tipo II → fístula ⅓ do hepático comum · Tipo III → fístula ⅔ do hepático comum · Tipo IV → toda a circunferência Diagnóstico · CPRE intraoperatória Tratamento · CVL ± drenagem ± biliodigestiva COLEDOCOLITÍASE → Presença de cálculo no colédoco · Primária: cálculo formado dentro do colédoco - CASTANHO, 90% dos casos Quadro clínico · Assintomático (50%) · Icterícia flutuante, cólica biliar, colúria, acolia fecal, vesícula impalpável Diagnóstico · Ultrassonografia - 1º passo · Possíveis achados: dilatação (>5 mm) e cálculos · USG endoscópica · Colangioressonância · CPRE Como investigar a coledocolitíase na colelitíase? · USG + bilirrubinas + FA e transaminases · Alto risco: USG com cálculo no colédoco, icterícia flutuante, colestase · Conduta: CPRE · Médio risco: USG com colédoco > 5 mm + 2 achados (HPP de colecistite, pancreatite ou colangite; elevação de bilirrubinas, FA ou transaminases) · Conduta: colangio RM · Baixo risco: ídem médio + colédoco 2cm, >6 cálculos · Derivação biliodigestiva COLANGITE AGUDA → Infecção bacteriana das vias biliares Fisiopatologia · Obstrução + infecção · Coledocolitíase (60%), tumores, estenoses Não grave · Tríade de Charcot 1. Febre com calafrios 2. Icterícia 3. Dor abdominal · Tratamento · Antibioticoterapia · Resposta dramática · Drenagem de vias biliares · Eletiva Grave - tóxica aguda / supurativa · Pêntade de Reynolds 3. Tríade de Charcot + 4. Hipotensão 5. Confusão mental · Tratamento · Antibioticoterapia · Não resolutiva · Drenagem de vias biliares · Imediata Tokyo Guideline (TG-18) Diagnóstico · Clínica, laboratório e imagem · A: sinais de inflamação sistêmica · Febre e/ou calafrios · Achados laboratoriais · B: colestase · Icterícia · Laboratório com alteração da função hepática · C: imagem · Dilatação das vias biliares · Evidência de obstrução (cálculo, estenose…) · Suspeita diagnóstico: A + B ou C · Diagnóstico: A + B + C Classificação · Grau III (grave): disfunção orgânica · Grau II (moderada): ≥ 2 dos achados, mas sem disfunção orgânica · Leucócitos > 12000 ou 39ºC · Idade ≥ 75 anos · Hiperbilirrubinemia: BT ≥ 5 mg/dL · Hipoalbuminemia · Grau I (leve): ausência de critérios para moderada e grave Tratamento · Grau I: suporte + antibioticoterapia · Drenagem para os pacientes refratários · Grau II: suporte + antibioticoterapia + drenagem de urgência · Grau III: suporte + antibioticoterapia + drenagem de emergência DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA ICTERÍCIA OBSTRUTIVA TUMORES PERIAMPULARES → Tumores na região da ampola de Vater · Cabeça de pâncreas · Colangiocarcinoma distal · Duodeno · Ampola de Vater (papila) Quadro clínico · Icterícia progressiva · Colúria, acolia, prurido · Vesícula de Courvoisier (palpável e indolor) · Ca ampola de Vater: períodos de atenuação + melena Tratamento · Duodenopancreatectomia TUMOR DE KLATSKIN → Colangiocarcinoma peri-hilar (proximal) Quadro clínico · Icterícia progressiva · Vesícula impalpável USG · Vesícula murcha (não tá indo nada pra dentro dela) · Dilatação intra-hepática Classificação de Bismuth · Tipo I: hepático comum · Tipo II: junção dos hepáticos · Tipo IIIa: hepático direito · Tipo IIIb: hepático esquerdo · Tipo IV: ambos os hepáticos PÂNCREAS 1. ANATOMIA PANCREÁTICA · Órgão retroperitoneal · A cabeça do pâncreas repousa no duodeno · Mesma vascularização: tronco celíaco + artéria mesentérica superior FUNÇÕES PANCREÁTICAS Endócrina Células das ilhotas de Langerhans · Beta → insulina · Tumor endócrino funcionante mais comum: insulinoma (benigno em 90% dos casos, tratamento: enucleação) · Alfa → glucagon · Delta → somatostatina (inibe a secreção pancreática) · Fístula pancreática: dieta zero + nutrição parenteral + octreotide (análogo da somatostatina) Exócrina · Liberação do “suco” pancreático · Acidez + alimentos no duodeno provocam liberação de: · Secretina e colecistocinina Que provocam liberação pancreática de: · Bicarbonato + pró enzimas PANCREATITE AGUDA 1. ETIOLOGIA · Litíase biliar (principal causa) · Álcool · Outras: hipertrigliceridemia, CPRE, medicamentosa, infecciosa (Caxumba etc) e por toxinas, idiopática QUADRO CLÍNICO · Dor contínua em faixa/barra/cinturão em abdome superior, com irradiação para o dorso · Náuseas e vômitos · Icterícia leve · Sinais semiológicos · Cullen - periumbilical · Grey Turner - flancos · Fox - base do pênis Não são patognomônicos! Causa: hemorragia retroperitoneal. Raros, indicam maior gravidade · Retinopatia Purtscher-like (pode provocar amaurose) DIAGNÓSTICO 2 ou 3 dos seguintes · Dor abdominal fortemente sugestiva · ↑ enzimas ≥ 3x o normal (amilase, lipase) · Não indicam gravidade (ou seja, uma grande elevação não significa que é mais grave) · Não são específicas de pancreatite aguda (podem se elevar em trauma abdominal, sangramento digestivo, tumores) · Amilase · Volta ao normal mais rápido · Lipase · É mais específica · Exames de imagem característicos · Qual o primeiro? Ultrassonografia (busca de colelitíase) · Qual o principal? Tomografia de abdome com contraste Quando solicitar? Em 48-72h ou imediata se: paciente grave ou dúvida · Suspeita de microlitíase: USG endoscópica CLASSIFICAÇÃO Gravidade - Escore de Atlanta · Leve: sem falência orgânica / complicações locais ou sistêmicas · Mais comum · Moderada: falência orgânica transitória (menos de 48h) e/ou complicações locais ou sistêmicas · Grave: falência orgânica persistente (> 48h) Tomografia A edematosa também pode ser chamada de intersticial · Como achar o pâncreas na TC? Procure os rins. Encontrou os rins, a “cobrinha” que tá na frente é o pâncreas PROGNÓSTICO Preditores clínicos de pior prognóstico · Idade - quanto mais velho pior · Etiologia alcoólica · Internação em 150 - indicador de necrose CAUSAS DE MORTE · 1a-2a semana: SIRS + falência orgânica · > 2 semanas: necrose + infecçãoGlasgow não é a escala de coma… São critérios (único que tem albumina) TRATAMENTO Medidas iniciais · Internação · Dieta zero por período curto · Hidratação e controle eletrolítico: MAIS IMPORTANTES! · Analgesia - pode usar opióides Reiniciando dieta: · Via oral: dentro de 24-72h · Cateter nasogástrico/nasojejunal: se não tolerou VO · Nutrição parenteral total (NPT): se não tolerou VO/cateter ou se através da enteral não é possível suprir a demanda metabólica do paciente TRATAMENTO DA PANCREATITE AGUDA BILIAR Pancreatite biliar leve · Pedra desceu e foi embora · Risco cirúrgico: → Bom: colecistectomia por vídeo antes da alta → Ruim: CPRE + papilotomia antes da alta Pancreatite biliar + colangite OU obstrução distal OU grave · A pedra ainda está lá!!! · CPRE + papilotomia + Após 4-6 semanas: colecistectomia COMPLICAÇÕES LOCAIS Edematosa Precoce (≤ 4 semanas) · Coleção fluida aguda peripancreática Tardia (> 4 semanas) · Pseudocisto Necrosante Precoce (≤ 4 semanas) · Coleção necrótica aguda intra e/ou extrapancreática Tardia (> 4 semanas) · Coleção necrótica organizada (Won) TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES Indicação de antibióticos · Necrose infectada Como saber? · Gás na tomografia de abdome · Suspeitou, mas não tem gás: diagnóstico invasivo com punção + cultura · ATB de escolha: carbapenêmico (imipenem) ou cipro+metro Indicações de necrosectomia · Necrose sintomática (febre baixa, anorexia, SIRS) · Necrose infectada Como fazer? · Endoscópica: melhor para encapsulada · Percutânea via tomografia: ponte para cirurgia ou terapêutica única · Cirúrgica: PADRÃO OURO ou as anteriores não resolveram · 3-4 semanas após início do quadro Pseudocisto Intervir se: · Compressão de estruturas · Rotura (ascite) · Hemorragia por pseudoaneurisma PANCREATITE CRÔNICA 1. ANATOMOPATOLOGIA · Calcificação ETIOLOGIA · Álcool QUADRO CLÍNICO Tríade clássica (nem sempre presente): · Calcificação pancreática · Esteatorreia · Diabetes Outros achados: · Dor abdominal (“comeu, doeu”) · Emagrecimento DIAGNÓSTICO Laboratório · Elastase fecal 7 mm · Pancreatojejunostomia latero-lateral em Y de Roux - Cirurgia de Puestow ou Partington-Rochelle 2. Doença de pequenos ductos · Depende da localização da calcificação a) Cabeça: · Duodenopancreatectomia - cirurgia de Whipple modificada b) Corpo/cauda · Pancreatectomia subtotal distal / parcial - cirurgia de Child COMPLICAÇÕES Trombose da veia esplênica · Hipertensão portal SEGMENTAR · Varizes APENAS em fundo gástrico + esplenomegalia CÂNCER DE PÂNCREAS ANATOMOPATOLÓGICO · Adenocarcinoma ductal: 80-90% · Cabeça: 70% EPIDEMIOLOGIA · Idoso, negro FATORES DE RISCO · Tabagismo · Obesidade QUADRO CLÍNICO · Icterícia colestática verdínica · Sinal de Courvoisier-Terrier (vesícula indolor e palpável) · Perda ponderal · Dor abdominal · Linfonodo supraclavicular à esquerda MARCADOR TUMORAL · Ca 19-9 · Não é específico · Quanto mais alto, maior a chance de ser câncer · Se cai, melhor prognóstico IMAGEM · USG endoscópico · Tomografia de abdome BIÓPSIA · Percutânea · Transduodenal - através da USG endoscópico ESTADIAMENTO TRATAMENTO Curativo · 20% dos casos (T3/ N / M0) Cirurgias · Tumor em cabeça: Duodenopancreatectomia - cirurgia de Whipple · Tumor em corpo/cauda: Pancreatectomia subtotal distal / parcial - cirurgia de Child Linfadenectomia? · Estendida: não parece melhorar sobrevida Quimioterapia neoadjuvante e adjuvante? · SIM Paliativo · 80% dos casos (T4 / N / M1) Sem condição cirúrgica: · Stents em colédoco (↓ icterícia) e/ ou duodeno (↓ obstrução duodenal) Com condição cirúrgica: · Coledocojejunostomia: ↓ icterícia · Gastrojejunostomia: ↓ obstrução duodenal Quimioterapia adjuvante? · Sim DOENÇAS DO ESÔFAGO Disfagia · 1/3 do esôfago: músculo estriado - disfagia de transferência (engasgo) · Doenças neurológicas · 2/3 do esôfago: músculo liso - disfagia de condução (entalo) · Doenças da gastroenterologia Dispepsia · Esôfago: pirose (queimação retroesternal) · Estômago: queimação epigástrica Doenças do esôfago Distúrbios motores - doenças da peristalse · Acalásia (peristalse “de menos”) · Espasmo esofagiano difuso (peristalse demais) Distúrbios inflamatórios · Doença do refluxo gastroesofágico Distúrbios neoplásicos · Ca de esôfago ACALÁSIA PATOGENIA · Destruição do plexo de Auerbach · Esfíncter esofagiano inferior não relaxa · Primária: idiopática - mais comum · Secundária: Chagásica QUADRO CLÍNICO · Disfagia progressiva · Perda de peso (em anos) Diferencial: câncer de esôfago (perda de peso mais rápida - meses) EXAMES COMPLEMENTARES 1. Esofogamanometria · Padrão ouro no diagnóstico 2. Endoscopia digestiva alta · Afastar câncer 3. Esofagografia baritada · Estadiamento da doença · Bico de pássaro/chama de vela TRATAMENTO · Mascarenhas / Rezende ESPASMO ESOFAGIANO DIFUSO PATOGENIA · Contrações simultâneas, vigorosas e longas QUADRO CLÍNICO · Disfagia · Precordialgia Diferencial: IAM EXAMES COMPLEMENTARES 1. Esofogamanometria + teste provocativo (betanecol) · Contrações simultâneas · Vigorosas (P > 120 mmHg) · Se maior que 400 mmHg = esôfago em quebra nozes · Longas (t > 2,5 segundos) 2. EDA · Afastar diagnósticos diferenciais 3. Esofagografia baritada · Esôfago em saca-rolhas TRATAMENTO · Ansiolíticos · Nitratos · Nifedipina · Dilatação · Miotomia longitudinal DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO (DRGE) PATOGENIA · Perda dos mecanismos antirrefluxo (hipotonia ou relaxamento transitório do esfíncter esofágico inferior) QUADRO CLÍNICO Sintomas típicos · Pirose + regurgitação (esofágico) Sintomas atípicos · Tosse, rouquidão, broncoespasmo, pneumonia (extra-esofágicos) - tipicamente sintomas respiratórios DIAGNÓSTICO Clínico · Prova terapêutica (IBP por 2 semanas) Phmetria 24 horas · Padrão ouro · Apenas se dúvida Impedanciometria · Identifica refluxo não ácido Endoscopia digestiva alta · Somente se suspeita de complicações ou sinais de alarme: anemia, odinofagia, perda de peso, icterícia, disfagia, idade ≥ 40-45 anos TRATAMENTO Medidas antirrefluxo · Dieta, elevar cabeceira, perder peso, não comer 2-3h antes de deitar Inibidor de bomba de prótons (IBP) · Omeprazol, pantoprazol, lansoprazol etc · 1x/dia por 8 semanas Se não melhorar: · Dobrar a dose · Não melhorou com dose dobrada = refratário Tratamento cirúrgico Indicações · Refratário (não responde a IBP) · Recorrente (não vive sem IBP) · Complicações (estenose / úlcera) Exames pré-cirúrgicos · Phmetria 24h (para confirmar o diagnóstico e a indicação cirúrgica) · Esofagomanometria (escolher técnica - verifica se paciente tem uma peristalse boa) Fundoplicatura total · Manometria = normal · Nissen - válvula com 360º Fundoplicatura parcial · Manometria = dismotilidade · Anterior: Dor e Thal · Posterior: Lind e Toupet COMPLICAÇÕES · Estenose péptica do esôfago · Úlcera esofágica · Esôfago de Barrett ESÔFAGO DE BARRETT Definição · Substituição do epitélio escamoso normal por um epitélio colunar de padrão intestinal, altamente resistente ao pH ácido (metaplasia intestinal) Quadro clínico · Assintomático Diagnóstico · Endoscopia digestiva alta (vermelho salmão) + biópsia Tratamento · Sem displasia: EDA a cada 3-5 anos · Displasia baixo grau: EDA a cada 6-12 meses / ressecção endoscópica · Displasia alto grau (adenocarcinoma in situ): Ressecção / ablação endoscópica · Adenocarcinoma invasivo: Esofagectomia CÂNCERDE ESÔFAGO FATORES DE RISCO · Escamoso (epidermóide) - tabagismo e etilismo, HPV, acalásia (fatores externos) · Carcinoma proximal · Adenocarcinoma - DRGE, esôfago de Barrett, obesidade (fatores internos) · Carcinoma distal QUADRO CLÍNICO · Disfagia · Perda de peso (meses) DIAGNÓSTICO · Endoscopia digestiva alta + biópsia · Esofagografia (sinal da maçã mordida / degrau de escada) ESTADIAMENTO USG endoscópica · T1a - mucosa · T1b - submucosa · T2 - muscular · T3 - adventícia · T4a - adjacentes ressecáveis · T4b - adjacentes irresecáveis TRATAMENTO T1a · Mucosectomia EDA (ressecção/ablação endoscópica) “O resto” · Esofagectomia · Transtorácica: oncologicamente melhor (menos recidiva), porém mais mórbida · Trans-hiatal: menos mórbida, porém maior recorrência · Linfadenectomia · ± quimioterapia ou radioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia) T4b ou M1 (metástase) · Tratamento paliativo DIVERTÍCULO DE ZENKER DEFINIÇÃO · Herniação de mucosa e submucosa pelo trígono de Killian (zona de fraqueza - em amarelo na imagem acima) · Falso divertículo ETIOLOGIA · Hipertonia do esfíncter esofagiano superior (cricofaríngeo) QUADRO CLÍNICO · Disfagia de condução · Halitose · Regurgitação · Pode haver pneumonias de repetição por broncoaspiração DIAGNÓSTICO · Padrão ouro: Esofagografia baritada TRATAMENTO · 3 cm = septotomia endoscópica (EDA) OUTROS DIVERTÍCULOS · Médio-esofágico: divertículo de tração · Linfonodos inflamatórios mediastinais · Epifrênico: divertículo de pulsão · Hipertonia do esfíncter esofagiano inferior (acalásia) ESTÔMAGO Produção de ácido · Ocorre no fundo gástrico - presença de célula parietal (bomba H+) · No antro há células G (produtoras de gastrina). Gastrina estimula célula parietal a produzir ácido · No antro há células D (produtoras de somatostatina). Somatostatina desestimula a produção de gastrina (↓ ácido) · Nervo vago é estimulado quando nos alimentamos/sentimos cheiros e através da ação da acetilcolina estimula a produção de ácido · Histamina circula pelo organismo e também estimula células parietais a produzirem ácido Proteção · Barreira de mucosa gástrica: muco sobre o epitélio do estômago, produção de bicarbonato, intensa renovação celular, rica microcirculação etc · Quem estimula a barreira são as prostaglandinas DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA → Lesão na mucosa gástrica ou duodenal FISIOPATOLOGIA · Desequilíbrio entre fatores de agressão e proteção (agressão > proteção) · A agressão ocorre por conta do ácido Agentes facilitadores Helicobacter pylori · Em um primeiro momento, infecção restrita ao antro · ↓atividade de células D → ↓somatostatina → ↑gastrina → ↑ácido = hipercloridia · Em um segundo momento, há infecção disseminada · ↓atividade de células parietais → ↓ácido = hipocloridria PORÉM também ↓barreira (ou seja, há um desbalanço) AINE · COX 1: estimula prostaglandinas · COX 2: atividade inflamatória · Inibição da COX → ↓prostaglandinas → ↓barreira QUADRO CLÍNICO · Dispepsia → azia, plenitude, saciedade precoce · Dor · Gástrica → piora com a alimentação · Duodenal → dor que piora 2 a 3 horas após a alimentação (despertar noturno) DIAGNÓSTICO · Jovens e sem sinais de alarme → diagnóstico clínico (presunção) · > 45 anos ou sinais de alarme → EDA · Se identificar úlcera gástrica na EDA = biópsia (pode ser câncer) · Úlcera duodenal não precisa de biópsia TRATAMENTO CLÍNICO Terapia de anti secreção ácida por 4 a 8 semanas · Inibidores da bomba de prótons · Omeprazol 20mg, esomeprazol 40mg, pantoprazol 40mg · Padrão ouro · Bloqueador histamínico · Ranitidina, cimetidina Helicobacter pylori · Sempre investigar na dispepsia · Por endoscopia (testes invasivos): teste rápido da urease na biópsia / histologia / cultura · Sem endoscopia (testes não invasivos): teste da ureia respiratória / sorologia / antígeno fecal · Erradicar para evitar recorrência Indicações para erradicar o Helicobacter pylori · Úlcera péptica · Linfoma MALT · Dispepsia · Lesões pré-neoplásicas, após gastrectomia, história de câncer em parente 1º grau Tratamento (CAO) · Claritromicina 500 mg 2x/dia + · Amoxicilina 1g 2x/dia + · Omeprazol 20 mg 2x/dia · Feito por 14 dias CONTROLE DE CURA · Helicobacter pylori · ≥ 4 sem após término · Não usar sorologia (se mantém positivo por tempo longo) · Teste da urease ou teste da ureia respiratória · Úlcera gástrica · Quando o diagnóstico foi feito através de EDA · Realizar nova EDA TRATAMENTO CIRÚRGICO Indicações · Intratabilidade clínica · Complicações (perfuração, sangramentos) Tipos de úlceras Classificação de Johnson Hipercloridria · Duodenal · Gástrica tipo II - corpo gástrico (associada a duodenal) · Gástrica tipo III - pré-pilórica Hipocloridria · Gástrica tipo I - pequena curvatura baixa · Mais comum de todas · Gástrica tipo IV - pequena curvatura alta Como diminuir a acidez cirurgicamente · Vagotomia (nervo vago não estimula mais a célula parietal) · Antrectomia (células G não produzem mais gastrina = menor estímulo para produção ácida) Se hipercloridria · Vagotomia troncular + piloroplastia · Piloroplastia é feita para o paciente não ter dificuldade de esvaziamento gástrico pois nervo vago também controla relaxamento do piloro · Vagotomia superseletiva (gastrica proximal) · Selecionar somente ramos que inervam fundo gástrico · Maior chance de recidiva (caso um ramo “fique para trás”) · Vagotomia troncular + antrectomia Em casos de antrectomia é necessário fazer reconstrução do trânsito: · Billroth I - gastroduodenostomia (anastomose entre duodeno e estômago) · Billroth II - gastrojejunostomia + alça eferente (fecha coto duodenal e faz anastomose entre jejuno e estômago) · A alça eferente (duodeno) é deixada devido ao conteúdo biliopancreático Se úlcera gástrica: sempre retirar a úlcera (câncer?) - algum grau de gastrectomia · Quanto mais alta for a úlcera (mais proximal, ou seja, tipo IV), mais agressiva será a gastrectomia · Se for úlcera em contexto de hipercloridria (tipos II e III), além da gastrectomia é necessário fazer vagotomia Tipo I (pequena curvatura baixa - hipocloridria) · Antrectomia + Billroth I (gastroduodenostomia) Tipo II (corpo gástrico + duodenal - hipercloridria) e tipo III (pré-pilórica - hipercloridria) · Vagotomia troncular + antrectomia + Billroth II (gastrojejunostomia) Tipo IV (pequena curvatura alta - hipocloridria) · Gastrectomia subtotal + Y de Roux COMPLICAÇÕES DA CIRURGIA (Síndromes pós-gastrectomia) Síndrome de Dumping · Ausência do piloro (que controlava passagem do alimento do estômago para o duodeno de forma gradual) · Ocorre em Billroth I e II (alimento “vai de uma vez”) Precoce · 15-30 min após a alimentação · Relacionado a distensão · Quadro clínico · Gastrointestinal: dor, náusea, diarreia · Vasomotores: taquicardia, rubor Tardio · 1-3 horas após a alimentação · ↑ Insulina / hipoglicemia · Quadro clínico · Hipoglicemia: sudorese, tremores, tontura, palpitações Tratamento · Medidas dietéticas · ↓ carboidratos · Fracionar a dieta · Deitar após as refeições (para não ter ação da gravidade - esvaziamento mais lento) Gastrite alcalina · Ausência do piloro (que impedia o retorno do conteúdo do duodeno para o estômago) · Refluxo de conteúdo biliopancreático para o estômago · Ocorre em Billroth I e II (mais comum em II) · Quadro clínico · Gastrite: dor contínua, vômitos não aliviam a dor Síndrome da alça aferente · Obstrução da alça aferente · Ocorre somente em Billroth II · Quadro clínico · Dor que piora com a alimentação · Vômitos em jato e alivia a dor Tratamento (gastrite alcalina e síndrome da alça aferente) · Cirúrgico: transformar Billroth II em Y de Roux CÂNCER GÁSTRICO ADENOCARCINOMA FATORES DE RISCO · Dieta: defumados, condimentos, ↓ frutas, ↓ vegetais · H. pylori: gastrite crônica atrófica · Anemia perniciosa: gastrite crônica autoimune · História familiar · Tabagismo · Gastrectomia parcial · Tipo sanguíneo A · Pólipos adenomatosos CLASSIFICAÇÃO Lauren · Classificação histológica(microscópica) · Intestinal · Estruturas glandulares · Bem diferenciado (melhor prognóstico) · Mais comum no Brasil · Mais comum no sexo masculino (2:1) · Idade média 55-60 anos · Estômago distal · Disseminação hematogênica · Difuso · Células em anéis de sinete · Pouco diferenciado (pior prognóstico) · Acometimento igual entre os sexos · Mais jovens (40 anos) · Estômago proximal · Disseminação por contiguidade e linfática · Relação com o grupo sanguíneo A Borrmann · Macroscópica (endoscopia digestiva alta) · I - polipoide · II - ulcerado bordos nítidos (elevados) · III - ulcerado bordos não nítidos · Subtipo mais comum · IV - infiltrante “linite plástica” · Pode ser não visível na EDA · V - nenhum dos demais QUADRO CLÍNICO · Assintomático · Dispepsia · Perda ponderal, dor epigástrica, náuseas · Metástases → fígado, pulmão, peritônio · Doença avançada · Massa abdominal palpável · Ascite · Linfonodos à distância · Supraclavicular esquerdo - Virchow · Umbilical - Irmã Maria José · Axilar esquerdo - Irish · Prateleira retal - Blumer · Ovário - Krukenberg DIAGNÓSTICO · Endoscopia digestiva alta + biópsia · Seriografia (Seed) - estudo contrastado do estômago · Triagem · Dificuldade na passagem do contraste ESTADIAMENTO Exames utilizados · Tomografia de abdome, pelve e tórax · Avaliar metástases à distância · USG endoscópica · Padrão ouro para o T · Avalia o N pré-operatório · Videolaparoscopia · Fazer caso a TC não tenha visto nada · Avalia metástase peritoneal, lesões e ascite · Avalia ressecabilidade TRATAMENTO · Ressecção com margem (6cm) + · Se difuso, 8 cm · Linfadenectomia a D2 Tumor distal · Gastrectomia subtotal + Billroth II ou Y de Roux Tumor proximal · Gastrectomia total + Y de Roux (esofagojejunostomia) R0 – ressecção macroscópica + microscópica R1 – margens microscópicas positivas para o tumor R2 – ressecção tumoral incompleta persistindo tumor macroscópico CÂNCER GÁSTRICO PRECOCE · Se refere a invasão tumoral (T) · Definição: aquele que não infiltra além da submucosa, independentemente de acometimento linfonodal Tratamento · Cirúrgico (igual ao adenocarcinoma) · Tratamento endoscópico · Limitado à mucosa · Não ulcerado · Sem invasão linfovascular · 4 semanas · Causas mais comuns: infecção, DII, síndrome do intestino irritável, deficiência de lactase ABORDAGEM DIAGNÓSTICA 1. Anamnese e exame físico 2. Confirmar a disabsorção Procurar gordura nas fezes: · Teste quantitativo de gordura fecal > 7g/dia · Teste qualitativo de gordura fecal: Sudan III · Teste semiquantitativo: esteatócrito (relação entre gordura e fezes) 3. Se tem disabsorção Diferenciar se é problema na absorção ou na digestão · Teste da D-xilose urinária · Paciente ingere xilose. Xilose não precisa ser digerida para ser absorvida. Xilose absorvida aparece na urina na forma de D-xilose urinária · Normal: > 5 g (absorveu = mucosa normal). PROBLEMA NA DIGESTÃO · Anormal:no “ataque” 3. Imunossupressor: azatioprina, ciclosporina 4. Inibidor TNF-alfa: infliximabe, adalimumabe TRATAMENTO CIRÚRGICO DAS DII Indicações · Fístulas / fissuras refratárias · Obstrução intestinal · Hemorragia / megacólon tóxico refratários · Displasia alto grau / câncer Retocolite ulcerativa · Colectomia + ileostomia - feita principalmente em urgência · (Procto)colectomia + anastomose entre bolsa ileal + reto OU ânus · Se mulher jovem que deseja engravidar ou paciente obeso, preferir anastomose com reto para não fazer dissecção de períneo Doença de Crohn · Ressecção do segmento doente (com obstrução) - principalmente em urgência · Estricturoplastia (estenoplastia) COMPLICAÇÕES DAS DII Megacólon tóxico · Quadro clínico: distensão abdominal, dor, febre, leucocitose, anemia, ↑ FC, ↓ PA / sensório · Radiografia: cólon transverso ≥ 6 cm · Tratamento: antibioticoterapia + corticoide IV ± ciclosporina OU infliximabe · Refratário: colectomia + ileostomia Câncer colorretal · Maior risco: extensão e duração da DII, colangite esclerosante (retocolite ulcerativa) · Diagnóstico/vigilância: (8-10 anos de doença = ileocolono + biópsia anual) · Tratamento: displasia de alto grau ou câncer = colectomia APENDICITE AGUDA Fisiopatologia · Obstrução (fecalito, hiperplasia linfoide, neoplasia, ascaris) ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ · Distensão e proliferação bacteriana (inflamação) · Bacteroides fragilis - anaeróbio estrito · Escherichia coli dor vaga mesogástrica (visceral) ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ 12 hrs · Diminuição do suprimento arterial (necrose da parede do apêndice) dor em FID (sinal de Blumberg) ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ 48 hrs · Perfuração ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ · Abscesso (mais comum, principalmente em homens jovens) ou peritonite difusa (criança, idoso, imunossuprimido) Quadro clínico · Dor mesogástrio/periumbilical → fossa ilíaca direita · Anorexia, náusea, vômito, febre baixa Sinais clássicos · Sinal de Blumberg: descompressão brusca dolorosa · Sinal de Rovsing: dor na FID após compressão da FIE · Sinal de Dunphy: dor na FID que piora com a tosse · Sinal de Lenander: Temperatura retal maior que a temperatura axilar em mais de 1º C · Sinal do Obturador: dor hipogástrica com a rotação interna da coxa direita flexionada · Sinal do Psoas: dor à extensão da coxa direita com paciente em decúbito esquerdo Quando complica · Plastrão/abscesso palpável, peritonite difusa Diagnóstico · Clínico (história clássica em homem jovem) Na dúvida (idoso, criança, mulheres, obesos, gestantes, manifestações atípicas): · Tomografia de abdome (padrão ouro) · USG/RM para crianças e gestantes Tratamento Simples ( 48 horas ou massa palpável) · Se peritonite difusa: ATB terapêutico (7 a 10 dias) + cirurgia de urgência · Não tem peritonite difusa → Imagem · Sem complicação = tratar igual apendicite simples · Fleimão (“meio do caminho para virar abscesso”) = ATB terapêutico (7 a 10 dias) + colono se acima de 40 anos (após 4 a 6 sem) ± cirurgia (após 6 a 8 sem) · Colonoscopia para diagnóstico diferencial com Ca de cólon · Abscesso (> 4 cm) = ATB terapêutico (7 a 10 dias) + drenagem percutânea + colono se acima de 40 anos (após 4 a 6 sem) ± cirurgia (após 6 a 8 sem) DOENÇA DIVERTICULAR DO CÓLON Fisiopatologia · ↓ fibras = fezes pequenas · Quanto menor o tamanho das fezes, maior a força de contração para o intestino empurrar para a frente, ou seja, maior a pressão intraluminal · ↑ pressão → pulsão em zona frágil (zona de penetração de artéria) · Lembrar que a irrigação do intestino é de fora para dentro. Ou seja, ele é todo furadinho · Herniação da mucosa e submucosa através da muscular · Conceitualmente, é um divertículo falso pois não é formado por todas as camadas. · Ex de divertículo verdadeiro: Divertículo de Meckel Características · Mais comum no sigmóide · Acomete mais idosos · Maioria assintomática Diagnóstico · Colonoscopia · Clister opaco / enema opaco Complicações Inflamação (diverticulite) - mais frequente · Mais comum no cólon esquerdo (sigmóide) · Causa: obstrução (fecalito) Sangramento · Mais comum no cólon direito · Causa: trauma da arteríola tracionada DIVERTICULITE AGUDA Fisiopatologia · Obstrução (fecalito) → acúmulo de secreção e proliferação bacteriana → microperfuração / abscesso pericólico → Quadro clínico · Dor localizada em fossa ilíaca esquerda (insidiosa) · Diarreia / constipação · Febre “Apendicite à esquerda no idoso” Diagnóstico · Tomografia de abdome · Evitar colonoscopia e clister no momento da inflamação · Colonoscopia após 4 a 6 semanas (excluir neoplasia) Complicações Abscesso · Mais comum Peritonite · Mais grave Fístula · Colovesical (bexiga) é mais frequente · Fezes/ar pela urina Obstrução · Mais comum em delgado (aderência) Classificação de Hinchey · Estágio 0: diverticulite não complicada · Estágio I: abscesso pericólico · Ia: fleimão · Ib: abscesso pericólico · Estágio II: abscesso pélvico · Estágio III: peritonite purulenta · Estágio IV: peritonite fecal Tratamento Complicada (abscesso ≥ 4 cm, peritonite, obstrução refratária?) · Não = suporte + ATB (7 a 10 dias) · Cirurgia eletiva se: imunodeprimido, fístula, incapaz de excluir CA · Abscesso ≥ 4 cm · ATB + drenagem + colono (4 a 6 sem) + cirurgia eletiva (6 a 8 sem) · Peritonite/obstrução refratária · ATB + cirurgia de urgência (Hartmann) · Opção para estágio III (peritonite purulenta): lavagem laparoscópica Cirurgia eletiva · Sigmoidectomia com anastomose primária terminoterminal Cirurgia de urgência · Sigmoidectomia com colostomia terminal e fechamento do coto retal (cirurgia à Hartmann) PÓLIPOS INTESTINAIS · Lesão na superfície interna do trato gastrointestinal, projetando-se para a sua luz · Adenoma (pólipo benigno) → adenocarcinoma (pólipo maligno) Maior risco para transformação maligna: · Viloso (vilão) · > 2 cm · Displasia grave Não-neoplásicos Não sofrem alterações malignas · Hiperplásicos · Hamartomatosos · Células corretas arranjadas de forma incorreta · Inflamatórios Neoplásicos · Adenoma · Adenocarcinoma Conduta · Pólipo = polipectomia SÍNDROMES DE POLIPOSE INTESTINAL 1. Polipose adenomatosa familiar (PAF) · Presença do gene APC mutante · Pólipos adenomatosos em todo TGI (>100) · Relacionado a câncer!!! · Tratamento: proctocolectomia profilática Variantes da PAF · Gardner: + dentes extranumerários, osteoma, lipomas · Turcot: + tumores do SNC (meduloblastoma) Peutz-Jeghers · Pólipos hamartomatosos · Manchas melanóticas (pele e mucosa) · Mais comum em delgado (intussuscepção intestinal / melena / anemia) Cowden · Pólipos hamartomatosos em todo TGI · Ceratose palmoplantar · Nódulos verrucosos (triquilemomas) CÂNCER COLORRETAL 1. Adenocarcinoma · Esporádico (mais comum) · Idade, história familiar, doença inflamatória intestinal, dieta, hábitos de vida · Hereditário associado a pólipos · Polipose adenomatosa familiar e suas variantes · Hereditário não-polipose · Síndrome de Lynch · Três ou mais familiares · Câncer· Até T2 (até muscular própria) e N0 no reto baixo = excisão local · Padrão = Quimioterapia + radioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia) + cirurgia + quimioterapia adjuvante · > 5 cm da margem anal · RAB = ressecção abdominal baixa + excisão do mesorreto · Anastomose colorretal · 12 cm = neostigmina (“injeção de parassimpático”) · Se sem resposta ou parcial = descompressão colonoscópica · Se sem resposta ou parcial = cirurgia · Cecostomia percutânea · Ressecção DOENÇA VASCULAR INTESTINAL · Isquemia mesentérica aguda / isquemia mesentérica crônica · Grandes vasos · Intestino delgado · Artéria mesentérica superior · Colite isquêmica · Pequenos vasos · Mucosa ISQUEMIA MESENTÉRICA AGUDA Causas · Embolia arterial (50%) · Cardiopatia emboligênica: fibrilação atrial, IAM recente · Vasoconstrição arterial (20%) · Isquemia não oclusiva: choque, vasoconstritor, cocaína · Trombose arterial (15%) · Aterosclerose: doença vascular periférica · Trombose venosa (5%) · Hipercoagulabilidade Quadro clínico · Dor abdominal desproporcional ao exame físico · Paciente chega queixando de muita dor, porém não há alterações importantes no exame abdominal (ex: não tem irritação peritoneal) · Temperatura retal