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LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG • HLA – antígeno leucocitário humano • O sistema imune não é exclusivo de para nos proteger contra agentes infecciosos Histórico • Cruzamentos endogâmicos • Cruzamentos de camundongos com um gene diferente → enxertos rejeitados • Os enxertos entre camundongos iguais não foram rejeitados • Descoberta de que existiam estruturas na superfície celular que regulavam a resposta imune 1974 → identificação de que os linfócitos TCD8 só respondiam a antígenos representados por células do mesmo indivíduo • A rejeição de tecidos é mediada por células T • Apenas células próprias são capazes de apresentar os antígenos para os linfócitos T 1987 → identificação da estrutura terciária do MHC Foi demonstrado que uma única região genética no cromossomo 17 é primariamente responsável pela rápida rejeição de enxertos teciduais, e essa região foi chamada de locus de histocompatibilidade principal Aspectos importantes do reconhecimento de antígenos da imunidade adaptativa • BCR, TCR e MHC → pertencem a superfamília das imunoglobulinas • Todos possuem de uma calda citoplasmática curta → precisam de moléculas sinalizadoras para que a informação seja repassada As células T para serem ativadas dependem obrigatoriamente do processamento e apresentação de antígenos • Não reconhecem antígenos solúveis • A principal função dos linfócitos T é de erradicar infecções por microrganismos intracelulares e ativar outras células, como macrófagos e linfócitos B • Fazem a detecção de antígenos que estejam sendo exibidos por moléculas da superfície celular • Essa tarefa de exibir antígenos associados ao hospedeiro é realizada por proteínas especializadas chamadas moléculas do complexo de histocompatibilidade (MHC) Os linfócitos B reconhecem antígenos em estado conformacional in natura → ele internaliza, processa e apresenta antígeno As moléculas de MHC exercem papel decisivo na segregação dos antígenos internalizados oriundos do meio externo versus antígenos produzidos dentro das células • O MHC é uma região Propriedades do MHC • Herança codominante • Polimorfismo • Dificuldade para transplante de órgãos • Gene mais variável que nós temos • As formas físico-químicas de antígenos reconhecidos por células T diferem dos reconhecidos pelas células B • A maioria dos linfócitos T reconhecem apenas peptídeos curtos • A função das moléculas de MHC é de se ligar e exibir peptídeos para o reconhecimento pelas células T CD4+ e CD8+ • Esse reconhecimento também é requerido para a maturação das células T • Restrição do MHC: uma única célula T só pode reconhecer um antígeno especifico exibido por uma molécula específica de MHC Captura do antígeno • Células T sozinhas não respondem a antígenos • Macrófagos, DCs, linfócitos B • As células apresentadoras de antígenos apresentam para células TCD4+ LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG • Todas as células nucleadas podem apresentar antígeno para os TCD8+, mas nem todas são chamadas de APC Propriedades das APCs • DCs, macrófagos e células B expressam moléculas de MHC de classe II • DCs – células naive • Essas células, além de apresentarem antígenos, também liberam outros sinais necessários para a ativação das células T • Apresentação do antígeno – primeiro sinal • As moléculas ligadas à membrana das APCs que atuam junto com os antígenos para estimular as células T são chamados de coestimuladores • Respondem melhor na presença de agentes microbianos • Adjuvantes são produtos microbianos, que elicitam respostas imunes inatas, como fazem os microrganismos As células T também respondem com sinais que intensificam a ação das APCs: • Ligante de CD40 • Secreção de IFN-gama Papel das células dendríticas: • Epitélios → linfonodos • Sangue → baço • As DCs estão presentes nos epitélios • As DCs ativadas perdem sua adesividade pelos epitélios e começam a expressar o receptor para quimiocinas CCR7 → quimiocinas CCL19 e CCL21 • As células T naive também expressam CCR7 Outras células: • Nas respostas imunes celulares, os macrófagos apresentam os antígenos de microrganismos fagocitados para as células T efetoras que respondem ativando os macrófagos para que eles destruam os microrganismos ingeridos • Nas respostas imunes humorais, os linfócitos B internalizam antígenos proteicos e apresentam peptídeos derivados destas proteínas às células T auxiliares • Todas as células nucleadas podem apresentar peptídeos aos CD8+ o Infecções virais o Câncer Propriedades do MHC • Estruturalmente o MHC I e II são diferentes • Antígenos leucocitários humanos (HLA) → são antígenos de outros indivíduos que são capazes de iniciar uma produção de anticorpos quando introduzidos dentro de outro indivíduo, como em transfusões e transplantes; É o complexo de histocompatibilidade principal • Genes H-2 Fenômeno de restrição do MHC • Quando um camundongo é infectado por um vírus, células CD8+ específicas são ativadas e se diferenciam em CTLs no animal • Essas células reconhecem e matam as células infectas pelos vírus somente se essas células expressarem moléculas MHC que são expressas no animal do qual os CTLs foram extraídas Genes do MHC • Polimórficos → variações em um gene entre indivíduos de uma população não consanguínea LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG • As moléculas não polimórficas codificadas no MHC não apresentam peptídeos para o reconhecimento pela célula T • Os genes do MHC são os mais polimórficos que temos • As variações nas moléculas de MHC resultam da herança de sequências de DNA distintas e não são induzidas por recombinação • Os genes do MHC estão expressos codominantemente, o que significa que alelos herdados de ambos os pais são expressos de forma igual Loci dos genes Há 3 loci polimóficos do gene de classe I → HLA-A, HLA-B e HLA-C • Cada pessoa herda um conjunto desses genes de cada um dos pais, de modo que as células podem expressar seis diferentes moléculas de classe I • MHC I → uma cadeia alfa (interação antígeno – alfa 1 e alfa 2) a cadeia transmembrana é a alfa 3 No locus de classe II (HLA – DP, DQ e DR): • 1 DPA e um DPB • Dois HLA - DQalfa e um HLA - DQbeta • E dois para DRbeta e um para DRalfa • O polimorfismo reside na cadeia beta • O MHC II possui 2 porções uma alfa e outra beta • As regiões alfa 1 e beta 1 são responsáveis por apresentares os antígenos • A região DM não tem relação com a apresentação de antígeno Região de classe III → síntese das proteínas do sistema complemento Expressão de moléculas do MHC • As moléculas de classe I são expressas em praticamente todas as células nucleadas • As moléculas de classe II são expressas apenas em DCs, linfócitos B, macrófagos, células epiteliais tímicas • A expressão do MHC é aumentada por citocinas • O interferon gama fornece um mecanismo pelo qual a imunidade inata promove a imunidade adaptativa, aumentando a expressão do MHC II Estrutura do MHC • Cada molécula de MHC consiste em uma fenda de ligação ao peptídeo extracelular, seguida de um domínio tipo imunoglobulina e de domínios transmembrana e citoplasmático o MHC I – uma cadeia codificada por MHC e uma não MHC – codificada o MHC II – 2 cadeias MHC – codificadas • Os resíduos de aminoácidos polimórficos das moléculas do MHC estão localizados na e adjacentes à fenda de ligação ao peptídeo o Esta porção da molécula se liga aos peptídeos • Os domínios tipo Ig não polimórficos contêm sítios de ligação para os linfócitos o CD4 – classe II o CD8 – classe I LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG MHC I • Consiste em duas cadeias polipeptídicas unidas por ligação não covalente • Cadeia alfa (pesada) MHC– codificada • Subunidade não codificada – B2 microglobulina / cadeia leve o É uma cadeia invariável o Interage de forma não covalente com alfa 3 • Os resíduos carboxiterminais da cadeia alfa estão no citoplasma • Os segmentos aminoterminais Alfa 1 e 2 interagem para formar a fenda de ligação→ Apresentação de antígenos → sujeitas a polimorfismo • As extremidades da fenda de ligação ao peptídeo da classe I são fechadas de modo a impedir a acomodação de peptídeos maiores • Região alfa 3 → extremamente conservada, pois não interage com os antígenos o Contém a maior parte do sítio de ligação CD8 o Atravessa a bicamada o A molécula de CD8 usa a região alfa 3 para ancoragem → facilitação da apresentação e atividade ; (A porção B2 microglobulina também pode participar) • IFNs – Tipo I e II → aumenta a expressão de MHC I • Apresenta antígenos de tamanho limitado → 8 a 11 aminoácidos • Os antígenos são essenciais para manter a estabilidade do MHC, assim, apenas moléculas do MHC carregadas com peptídeos são expressas nas superfícies celulares MHC II • Presentes em APCs (DCs, macrófagos e linfócitos B) • Apresenta antígenos maiores – peptídeos 10- 30 aminoácidos • Apresentação para TCD4 • Células linfoides inatas, células epiteliais tímicas • IFN II • São compostos por duas cadeias polipeptídicas associadas de modo não covalente • Ambas as cadeias são codificadas por genes polimórficos • Os segmentos aminoterminais de alfa 1 e beta 1 interagem para formar a fenda de ligação o A maior parte do pleomorfismo está na cadeia beta o A extremidade da fenda é aberta – peptídeos maiores podem se ligar • Os segmentos alfa 2 e beta 2 são dobrados em domínios Ig e são não polimórficos o O CD4 se liga em alfa 2 ou beta 2 que são conservadas o Atravessam a membrana A expressão estável da molécula de MHC requer as duas cadeias e um peptídeo ligado Interação peptídeo – molécula de MHC • As moléculas do MHC apresentam ampla especificidade para ligação peptídica → cada molécula pode ligar a muitos peptídeos diferentes • Os peptídeos que se ligam a moléculas do MHC compartilham características estruturais que permitem esta interação LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG • Se ligam apenas a peptídeos • As moléculas de MHC adquirem a sua carga de peptídeos durante a sua biossíntese, montagem e transporte no interior das células o Classe I – proteínas citossólicas o Classe II – proteínas em vesículas intracelulares • Apenas moléculas de MHC carregadas com peptídeos são expressas estavelmente na superfície das células • As moléculas de MHC podem apresentar peptídeos derivados de proteínas próprias do indivíduo, bem como peptídeos de proteínas estranhas • Números muito pequenos de MHC conseguem ativar os linfócitos • A ligação MHC – peptídeo dura por muitos dias • As moléculas de MHC não são capazes de exibir antígenos intactos, por isso, eles precisam ser processados anteriormente Processamento de antígenos proteicos • Conversão de antígenos proteicos em peptídeos ligados ao MHC • A ligação do peptídeo às moléculas do MHC ocorre antes da expressão na superfície celular e é um componente integral da biossíntese e montagem das moléculas de MHC • Proteínas no citosol → degradadas por proteassomos → MHC I • Proteínas ingeridas → lisossomos → MHC II • O sítio de proteólise é o principal determinante de qual molécula de MHC que o peptídeo vai se ligar Processamento por MHC - I • Antígenos intracelulares • As proteínas microbianas presentes no citosol derivam de microrganismos que sobrevivem no citosol (vírus), bactérias extracelulares que injetam proteínas no citosol, organismos fagocitados que escapam para o citosol • Uma vez no citosol, os antígenos de microrganismos fagocitados são processados da mesma forma como os citosólicos • Proteínas inadequadamente dobradas também podem ser degradadas em proteassomos o Nas células tumorais, várias proteínas mutantes podem ser apresentadas para CLTs via MHC I Apresentação cruzada = células podem interagir ou fagocitar uma outra célula já infectada ou tumoral e formar um fagossomo → os antígenos não são degradados, mas liberados no citoplasma → ubiquitina → proteassoma → degradado Digestão de proteínas nos proteassomos • Geração de proteínas que são capazes de se ligar ao MHC I • Os proteassomos realizam uma função de manutenção básica nas células, degradando muitas proteínas danificadas ou incorretamente dobradas • Destruição de proteínas em proteassomos → precisam ser marcados pela ubiquitina para serem degradadas • Os proteassomos tem ampla especificidade de substrato e pode gerar uma grande variedade de peptídeos • O IFN gama aumenta a transcrição de subunidades específicas dos proteassomos, que faz com que peptídeos contenham aminoácidos que facilitam a ligação ao MHC I Transporte dos peptídeos • Os peptídeos gerados pelos proteassomos no citosol são translocados por um transportador para dentro do RE, onde as moléculas de MHC I recém-sintetizadas estão disponíveis para a ligação • Transportador associado ao processamento antigênico (TAP) LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Montagem do complexo peptídeo – MHC • Na face luminal da membrana do RE, a proteína TAP se associa a uma proteína chamada de tapasina, que tem afinidade por moléculas de MHC I recém-sintetizadas • A tapasina aproxima o transportador TAP a um complexo contendo moléculas de MHC I • Os peptídeos presentes no RE podem ser aparados até o tamanho apropriado para se ligar ao MHC pela aminopeptidase RE- residente (ERAP) • Uma vez que as moléculas do MHC I estejam carregadas com o peptídeos, elas perdem afinidade pela tapasina e o complexo sai do RE e pode ser transportado para a superfície celular • O antígeno se liga ao MHC I → é liberado → CG → apresentado na parede da célula Os peptídeos transportados para o interior do RE preferencialmente se ligam a moléculas do MHC I e não as do MHC II: • As moléculas do MHC I ficam perto da TAP, capturando rapidamente os peptídeos • As fendas de ligação ao peptídeo das moléculas de MHC II recém-sintetizadas no RE são bloqueadas por uma proteína chamada cadeia invariante Expressão de superfície dos MHC I • Os complexos produzidos no RE se movem para o CG e são transportados para a superfície celular em vesículas endocíticas • Uma vez na membrana, eles podem ser reconhecidos por células T CD8+ Processamento por MHC – II • Apresenta pra TCD4+ • Antígenos extracelulares endocitados • Envolve a degradação proteolítica de proteínas em endossomos tardios e lisossomos • Ligação ao MHC II nesse compartimento vesicular acídico Marcação de antígenos proteicos como alvos para lisossomos • Proteínas extracelulares capturadas por endocitose, fagocitose, pinocitose • Proteínas intracelulares – autofagolisossomos (autofagia) • As APCs internalizam esses antígenos • Após a internalização, esses antígenos se tornam localizados em vesículas intracelulares ligadas à membrana chamadas endossomos → são enviadas para lisossomos • Realização da fagocitose → fagossomo → fusão com um lisossomo formando o fagolisossomo → degradação da estrutura • Até os vírus podem produzir moléculas que param nas vesículas lisossômicas Digestão nos lisossomos • Degradação enzimática, gerando peptídeos capazes de se ligarem ao MHC II • Proteases (catepsinas) Biossíntese e transporte do MHC II • São sintetizadas no RE e transportados para os endossomos com uma proteína associada (cadeia invariante) que ocupa as fendas de ligação ao peptídeo o Enquanto o MHC de classe II está no RE seu sítio de ligação fica ocupado, evitando que o antígenodo MHC I se ligue no de classe II • Essa cadeia invariante direciona as moléculas de MHC II para os endossomos tardios e lisossomos • O MHC II cai no citoplasma e se encontra com o fagolisossomo, onde irão se associar com os peptídeos Associação aos peptídeos • Dentro das vesículas endossômicas a cadeia invariante (Ii) se dissocia das moléculas de MHC II via ação de enzimas proteolíticas e da molécula HLA-DM • As enzimas proteolíticas são capazes de degradarem a cadeia invariante, deixando LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG apenas um remanescente de 24 aminoácidos (CLIP) • O deslocamento do CLIP e a sua substituição por um peptídeo antigênico de maior afinidade ocorre por meio da ação do HLA-DM o Ele é codificado no locus do MHC II o Não são polimórficas e não são expressas na superfície celular o Atua como um trocador de peptídeo o Facilita a remoção do CLIP e a adição do peptídeo o Edita o repertório de peptídeos → peptídeos de alta afinidade podem se ligar • O antígeno previamente degradados no fagolisossomo se liga ao MHC II → exocitado → superfície celular Expressão do complexo peptídeo – MHC II na superfície celular • As moléculas de MHC II são estabilizadas pelos peptídeos ligados e são expressos na superfície celular onde podem ser reconhecidos pelo T CD4 Apresentação cruzada • Algumas células dendríticas têm a capacidade de capturar e ingerir células infectadas por vírus ou células tumorais e apresentar os antígenos aos linfócitos T CD8+ • Os antígenos ingeridos são transportados das vesículas para o citosol, onde entram na via de classe I • Um tipo celular (a DC) pode apresentar antígenos de outra célula e condicionar células T específicas O processo de apresentação cruzada é importante para que as respostas de célula T CD8+ a vírus, outros microrganismos citosólicos e tumores → permite que as DCs (APCs profissionais) apresentem antígenos produzidos em outras células para os CD8+ Significância fisiológica: • A apresentação via MHC influencia na natureza das respostas das células T a diferentes antígenos • Antígenos sintetizados endogenamente, como proteínas virais e tumorais são reconhecidos por CD8+ especificas para MHC I • Antígenos extracelulares que terminam em vesículas endossômicas ativam as CD4+ específicas para MHCII • As células CD4+ ativam células B e macrófagos • Os receptores dos linfócitos T não conseguem reconhecer qual microrganismos é intracelular e qual é extra, assim, as moléculas de MHC servem como guia Imunogenicidade de antígenos proteicos • Os epítopos de proteínas complexas que desencadeiam as respostas mais fortes de célula T são os peptídeos gerados por proteólise nas APCs e que se ligam mais avidamente ao MHC • A expressão de alelos de MHC de classe II particulares em um indivíduo determina a capacidade deste indivíduo de responder a antígenos particulares o Ex: alguns indivíduos não respondem a vacinas, provavelmente porque suas moléculas de HLA não podem se ligar LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG e exibir os principais peptídeos do antígeno MHC x doenças autoimunes • + frequentes em mulheres • Polimorfismos genéticos múltiplos + fatores ambientais • Mutações no HLA • 1 mutação = mais de uma doença (regulação e desenvolvimento da resposta imune) MHC x transplantes