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Princípios Princípio da Legalidade ou Reserva Legal Princípio da Intervenção Penal Mínima ou Ultima Ratio Princípio da Fragmentariedade Princípio da Irretroatividade da Lei Penal Princípio da Lesividade ou Ofensividade Princípio da Culpabilidade Princípio da Humanidade Princípio da Responsabilidade Penal Pessoal Princípio da Insignificância DIREITO PENAL 1 Direito Penal - Wesley R Vieira • Princípio da Legalidade ou Reserva Legal “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”. Art. 5°, XXXIX da CF e Art. 1° do CP. Garante que ninguém será punido por uma conduta que não estava prevista em lei como crime antes da prática do fato. Proíbe analogia in malam partem (prejudicial ao réu). • Princípio da Intervenção Penal Mínima ou Ultima Ratio O Direito Penal só deve ser usado como última opção (ultima ratio), só se justifica quando outros ramos do Direito forem insuficientes para proteger bens jurídicos relevantes. • Princípio Fragmentariedade Afirma que o Direito Penal não protege todos os bens jurídicos, apenas os mais relevantes e indispensáveis para a convivência social. Ou seja, ele atua de forma fragmentada, escolhendo só as condutas mais graves e socialmente intoleráveis para criminalizar. • Princípio da Irretroatividade da Lei Penal Uma lei nova não pode retroagir (aplicada a fatos ocorridos antes de sua vigência) se for mais gravosa, porém, se a lei for mais benéfica, ele pode retroagir (princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica). Art. 5°, XL, CF – “A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. Art. 2°, § único, CP – “ A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado”. • Princípio da Insignificância (Bagatela) O Direito Penal não deve se ocupar de condutas que causem danos irrelevantes ou mínimos, ou seja, de ofensividade tão pequena que não justifica a punição. Segundo o STF, para que o princípio da insignificância se aplique é preciso: Mínima ofensividade da conduta do agente; Ausência de periculosidade social da ação; Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; Inexpressividade da lesão jurídica causada. Para crimes tributários federais e de descaminho considerar (livre de multa, juros e correção) o valor de até R$20.000,00 (vinte mil reais) como insignificante. • Princípio da Lesividade ou Ofensividade Não há crime sem ofensa a um bem jurídico relevante. Só é possível punir penalmente condutas que efetivamente lesionem ou ameacem lesar um bem protegido pela norma penal. Ou seja, o simples descumprimento formal de uma regra não basta para caracterizar crime, tendo que haver, ofensividade concreta, ou seja, dano real ou risco efetivo. P.ex. Caminhar nu sem ninguém por perto. Embora seja uma conduta “inapropriada”, não há ofensa real ou perigo a terceiros. • Princípio da Culpabilidade Ninguém pode ser punido penalmente sem que tenha atuado com culpa (no sentido amplo: dolo ou culpa stricto sensu) e tenha capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de agir conforme esse entendimento. Não basta que ela tenha causado um resultado proibido, sendo, preciso verificar sua conduta subjetiva, ou seja, se ela agiu com consciência e vontade (dolo) ou, ao menos negligência, imprudência ou imperícia (culpa). A pena deve ser proporcional ao grau de culpa (mais culpa-pena maior / menos culpa-pena menor). É proibido a aplicação da responsabilidade penal objetiva, pois, ninguém pode ser responsabilizado apenas pelo resultado, sem culpa ou dolo. P.Ex. Se uma pessoa causa um acidente por causa de um mal súbito (desmaio), não pode ser punida, porque não teve culpa. • Princípio da Humanidade das Penas As penas aplicadas pelo Estado devem respeitar a dignidade da pessoa humana, proibindo penas cruéis, desumanas ou degradantes. Cabe salientar que a pena tem função social e ressocializadora, não apenas punitiva. Art. 5°, III, CF – “Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”. Art. 5°, XLVII, CF – “Não haverá penas: de morte (salvo em guerra), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento, nem cruéis”. • Princípio da Responsabilidade Penal Pessoal ou Personalidade Ninguém pode ser punido por ato criminoso praticado por outra pessoa. A responsabilidade penal é sempre individual e intransferível. Art. 5°, XLV, CF – “Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido”. P.Ex. Um motorista de caminhão transporta drogas sem o conhecimento do dona da empresa. Somente o motorista, se for culpado, responde penalmente. O dono só poderá ser responsabilizado se houver prova de participação, dolo ou culpa. Direito Penal - Wesley R Vieira 2 Direito Penal - Wesley R Vieira 3 Norma Penal Incriminadora Não Incriminadora Preceito Primário e Preceito Secundário Permissiva Explicativa Complementar Sentido Estrito ou Heterogênea Sentido Amplo ou Homogênea Homovitelina Heterovitelina • Norma Penal É a regra jurídica prevista no Direito Penal que define condutas proibidas, obrigatórias ou permitidas, e estabelece sanções (penas) para quem violar essas regras. Há normas penal incriminadora e não incriminadora. • Norma Penal Incriminadora Define um crime e prevê uma pena para quem o praticar, ou seja, ela proíbe uma conduta (ou impõe um dever) sob ameaça de sanção penal. Toda norma penal incriminadora tem dois elementos essenciais: preceito primário e secundário. • Preceito Primário Descreve a conduta proibida (o crime) P.ex. “Matar alguém” • Preceito Secundário Prevê a pena aplicável. P.ex. “Reclusão de 6 a 20 anos” • Sentido Estrito (não depende de complemento) É a norma penal típica, aquela que está contida diretamente no Código Penal e tem como conteúdo principal uma sanção penal. Ou seja, esta tudo contido no Código Penal. O termo “sentido estrito” é usado para diferenciar essa norma de outras penais que podem estar em leis extrapenais, como leis ambientais, de trânsito, drogas, etc. • Heterogênea (depende de complemento “externo/outros ramos”) É a norma penal que, para estar completa e compreensível, depende de elementos ou definições vindos de outros ramos do Direito, como o Direito Administrativo, Ambiental, Civil, Trabalhista, etc. Ela não se explica sozinha precisa ser complementada por outra norma extrapenal. P.ex. Art. 33 da lei de Drogas (Lei 11343/2006) – “Importar, exportar, vender, fabricar ou portar drogas... É notório que a lei esse artigo de lei não define o que é droga que é definido por portarias da Anvisa (norma administrativas). Ou seja, a norma penal depende do Direito Administrativo para ser aplicada, logo, trata-se de uma norma heterogênea. • Sentido Amplo É toda norma que pertence ao Direito Penal, mesmo que não esteja no Código Penal. É a norma com conteúdo penal, abrangendo tanto o Código Penal quanto as leis penais especiais. “Sentido amplo” porque é considerado todo o ordenamento penal, não apenas o que está dentro do Código Penal. P.ex. Lei de Drogas, Maria da Penha, Crimes Ambientais, Racismo, etc. • Homogênea (depende de complemento “mesmo ramo penal”) É a norma penal que, mesmo incompleta, é complementada por outra norma que também pertence ao próprio Direito Penal, ou seja, a complementação vem do mesmo ramo do Direito, o Direto Penal. “Homogênea” porque há uniformidade (mesma origem) entre a norma principal e a norma que complementa: ambas são penais. Há duas espécies de norma homogênea, sendo, Heterovitelina e Homovitelina. P.ex. Art. 327 do CP – “Considera-se funcionário público, para os efeito penais, quem. Embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.” Nota-se que esse artigo completa vários crimes contra a administração pública, pois, o Código Penal incrimina o funcionáriopúblico em outros artigos e separa esse (art. 327, CP) para definir o funcionário público. Logo, a complementação esta dentro do ´próprio Direito Penal, portanto, é uma norma homogênea. • Heterovitelina (Homogênea) Origem da complementação vem de outro diploma penal. P.ex. Código Penal + Cód Processo Penal (outro diploma penal – lei diferentes, mas, mesmo ramo (penal)) • Homovitelina (Homogênea) Origem da complementação têm a mesma origem legislativa, ou seja, são criadas pela mesma lei ou pelo mesmo ramo legislativo penal. P.ex. Art. 33 + Art. 66 da lei de drogas. O primeiro incrimina a conduta do uso de droga e o outro descreve o que é droga. Direito Penal - Wesley R Vieira 4 Direito Penal - Wesley R Vieira 5 Norma Penal Incriminadora Não Incriminadora Preceito Primário e Preceito Secundário Permissiva Explicativa (complementar ou interpretativa) Extintivas Sentido Estrito ou Heterogênea Sentido Amplo ou Homogênea Homovitelina Heterovitelina • Norma Penal É a regra jurídica prevista no Direito Penal que define condutas proibidas, obrigatórias ou permitidas, e estabelece sanções (penas) para quem violar essas regras. Há normas penal incriminadora e não incriminadora. • Norma Penal Não Incriminadora É a norma penal que não define crimes nem penas, ou seja, não incrimina condutas. Seu papel é complementar, explicar, permitir ou até excluir a punição. Não cria tipos penais, mas tem funções auxiliares dentro do sistema penal. São divididas em três tipos: Explicativas (ou complementares); Permissivas e Extintivas de Punibilidade. • Norma Penal Permissiva (não incriminadora) É a norma penal que, em determinadas circunstâncias, autoriza uma conduta que normalmente seria considerada criminosa, afastando a ilicitude do ato. Permite que o agente pratique um fato típico (como matar ou agredir), sem que isso seja crime, por estar amparado por uma causa de justificação. P.ex. Art. 23, do CP – “Não há crime quando o agente pratica o fato: I – Em estado de necessidade; II – Em legitima defesa; III – Em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito”. • Norma Penal Explicativa/Complementar/Interpretativa (não incriminadora) É a norma que não define crimes nem penas, mas esclarece, interpreta ou complementa o sentido de outra norma penal. Ela ajuda a entender expressões, conceitos ou termos usados nas normas incriminadoras. Sua função é ser guia interpretativo dentro do próprio Direito Penal, como também, não tem aplicação penal direta, mas ajuda a aplicar outras normas penais. P.ex. Art. 327 do CP – “Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública”. Esse artigo não cria um crime, mas, explica o que é “funcionário público” para aplicar crimes como peculato, corrupção, etc. • Norma Penal Extintiva É a norma que não define crime nem autoriza condutas, mas prevê hipóteses em que a punição deixa de ser aplicada, mesmo que o crime tenha ocorrido, ou seja, o crime existiu, mas o Estado perde o direito de punir por algum motivo legal. Sua função é evitar ou encerra a punição do agente, como também, atuar no campo da punibilidade, e não da tipicidade ou da ilicitude. É importante mencionar que essas normas não apagam o crime em si, elas apenas retiram os efeitos penais futuros, como condenação, cumprimento de pena, etc. P.ex. Art. 107 do CP – “Extingue-se a punibilidade: I - pela morte do agente; II – pela anistia, graça ou indulto; III – pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; IV – pela prescrição, decadência ou perempção; V – pela renuncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; VI – pela retratação do agente nos caso em que a lei admite; IX – pelo perdão judicial, nos casos previsto em lei. Direito Penal - Wesley R Vieira 6