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LIBRASLIBRAS
LIBRAS E SUA HISTÓRIALIBRAS E SUA HISTÓRIA
Autor: Me. Jhonatan Diógenes de Oliveira Alves
Revisor : Etna Pa loma Nobre
IN IC IAR
16/05/2025, 10:34 Ead.br
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Introdução
Nesta unidade, vamos falar a respeito da história da comunidade surda no Brasil e no mundo.
Para tanto, é necessário abordar as leis que oficializam a língua de sinais e, consequentemente,
autenticam a cultura surda em nosso país.
Apesar dos enfrentamentos atuais relacionados à valorização da comunidade surda e à busca
incessante por acessibilidade, o Brasil avançou significativamente, em termos legais e culturais,
no que diz respeito aos direitos das pessoas com deficiência.
O campo que melhor protagoniza tais avanços é o da educação, isso porque a escola, por
excelência, molda a identidade cultural e reforça as trocas sociais, de modo a permitir a
construção de valores por meio dos princípios éticos e morais que norteiam a vida humana.
introdução
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Antes de falarmos diretamente a respeito da cultura surda, devemos nos preocupar,
primeiramente, com aquilo que não é próprio de sua identidade. Nesse sentido, as
interpretações e os diálogos que construiremos neste material devem ser considerados sob a
perspectiva da inclusão e da investigação científica sobre o indivíduo surdo, daquilo que ele é, e
nunca o contrário.
Historicamente, a surdez sempre foi compreendida pela ótica da deficiência e da incapacidade
(WITKOSKI, 2009). Certamente, quando ouvimos algo a respeito dessa temática, a primeira coisa
que nos vem à mente é: “a pessoa com deficiência é aquela que não possui algo”. Por exemplo,
no caso da surdez, tem-se que a pessoa surda é aquela que não possui audição (ou a possui
apenas parcialmente). Perceba que a questão é, geralmente, abordada pela perspectiva da
incapacidade/impossibilidade de algo, como se o que definisse a pessoa com deficiência fosse,
única e exclusivamente, aquilo que ela não possui.
Essa interpretação limitante da pessoa com deficiência é repleta de preconceitos e estigmas.
Ora, todo e qualquer sujeito tem algo em si que não se encontra em plena funcionalidade, seja
por fatores genéticos, seja pela idade, seja pela educação recebida. A diversidade existe entre
nós e pode ser percebida nas diferentes culturas e línguas, nos valores morais e éticos, nas
diferenças físicas, genéticas e biológicas etc. Ainda assim, nos reconhecemos como sendo da
mesma espécie. Então, o que de fato fez com que os indivíduos com deficiência, especialmente
os surdos, fossem tão mal interpretados ao longo da história?
Mitos e Verdades,Mitos e Verdades,
Identidade e CulturaIdentidade e Cultura
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Figura 1.1 – Praticando na cozinha
Fonte: Cathy Yeulet / 123RF.
#PraCegoVer : a figura mostra uma pessoa com síndrome de Down realizando uma atividade na
cozinha com o auxílio de uma pessoa sem deficiência.
Quando observamos a história de algumas civilizações antigas, a exemplo de Grécia e Roma,
encontramos uma estrutura social que se desenvolveu pautada em valores como, por exemplo,
a estética. O belo foi um tema amplamente abordado pelos filósofos gregos, a exemplo de
Platão (428/427 a.C. – 348/347 a.C.), que acreditava na idealização da beleza, no mundo das
ideias (OLIVEIRA, 2005). No caso dos romanos, o corpo era venerado, e a agilidade fazia parte
dos atributos físicos socialmente validados.
Enquanto os gregos veneravam o intelecto dos seus líderes e mestres, os romanos
idolatravam corpos delineados por músculos expressivos e robustos. Esses povos
não valorizavam as pessoas que não possuíam os atributos de intelectualidade ou
de virtude corporal. As deformidades eram consideradas como aberrações ou
castigos dos deuses (MORI; SANDER, 2015, p. 2).
Perceba que fatores subjetivos e objetivos eram utilizados por essas culturas como instrumentos
de identificação coletiva. A identidade era moldada a partir das vantagens percebidas, ou seja,
daquilo que se destacava (“atributos”). Tais valores não davam espaço para quem não se
encaixava nessa lógica, e é por isso que encontramos pouquíssimas narrativas a respeito das
pessoas com deficiência no período antigo.
Sem julgarmos a história, podemos afirmar que, em sua maioria, a construção de diversas
culturas se pautou na versão dos fatos narrados pelo mais “forte”, isto é, os grupos minoritários
(pobres, mulheres, crianças, pessoas com deficiência etc.) sempre encontraram dificuldades
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para serem vistos e ouvidos. Em última instância, a oportunidade para que outras histórias e
experiências não dominantes fossem também narradas foi tirada pelos grupos dominantes
(GARBE, 2012).
Entretanto, esse outro “lado” da história sempre existiu, por mais que não cedessem espaço
para ele. A cultura surda, por exemplo, se constituiu mesmo com a violência física, o desprezo,
as tensões e os conflitos impostos a ela. Assim, o modo que as pessoas surdas encontraram
para expressar a própria narrativa partiu da perspectiva de sua própria identidade, e não mais
daquilo que foi imposto pelo lado dominante da história.
Anular o passado e requerer o presente se mostrou como artefato cultural para os
surdos. Um passado imerso na obrigação de serem ouvintes e, em função disto,
aceitar que os outros fizessem a sua história, os dominassem, se tornou a marca
mais deprimente. Diante disto, surgem novos feitos e novas interpretações no
cotidiano (PERLIN; STROBEL, 2014, p. 20).
O que se pretende nesta abordagem é “reformular” a história tradicionalmente narrada,
mudando o foco de uma discussão pessimista para uma história cultural surda. As prioridades
são os avanços que a modernidade trouxe para a comunidade surda e o modo como o sujeito
enxerga a sua própria trajetória. Sem se limitar aos contos do colonizador, o que se busca é o
resgate de histórias individuais, contadas pelos sujeitos envolvidos no percurso.
A língua é um instrumento social e cultural muito poderoso, seja para um povo, seja para um
grupo. No caso do surdo, a Libras (Língua Brasileira de Sinais) é o seu idioma materno, o que lhe
confere identidade e sentimento de pertença a algo. Pode soar um pouco estranho para alguns
o fato de termos no Brasil uma segunda língua, no entanto, essa situação é ainda mais
conflitante para uma minoria que se utiliza de um idioma que não é falado pelo restante das
pessoas do seu próprio país. O desgaste emocional (e até mesmo físico) para conseguir se
comunicar com a maioria das pessoas faz com que a língua de sinais seja indispensável ao
processo de humanização e de acessibilidade da pessoa surda.
O sujeito surdo, portanto, apesar de brasileiro, encontra-se na fronteira entre a
cultura de uma maioria e a cultura surda, marcada pelo uso da Libras, afinal, as
manifestações culturais dessa comunidade só adquirem significação por estarem
em contato direto com culturas outras, dos não surdos (LACERDA; SANTOS;
MARTINS, 2019, p. 246).
A língua é capaz de gerar aproximação, empatia e sentimento de conforto e segurança. A lógica
é simples: aproximamo-nos daquilo de que gostamos, das pessoas e situações com as quais nos
identificamos (sentido de vida e sentimento de pertença). Na consolidação de uma cultura, o que
importa é o olhar dos sujeitos que a compõem (características em comum e características que
nos diferenciam uns dos outros). No caso dacultura surda, as experiências de mundo, os
interesses similares e os diferentes graus da deficiência (surdez leve, surdez grave, surdez
severa) são atributos capazes de delinear a identidade dos indivíduos que pertencem a ela.
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Dentro dessas identificações, as pessoas com deficiência auditiva que possuem
restos de audição não participam da cultura surda; porém, se utilizarem aparelhos
auriculares e correção da fala, o som fará parte de suas vidas. A classificação para o
grau de surdez, que é medido por unidades chamadas decibéis (db), considera
surdez profunda (90 db), moderada (entre 40 e 70 db) e leve (até 40 db) (PLINSKI,
2018, p. 129).
O significado de cultura é amplo e está relacionado às características de um determinado grupo.
Entretanto, para que uma cultura se constitua, é necessária a adesão individual dos sujeitos que
se identificam com os seus princípios norteadores.
A expressão da cultura surda ganhou visibilidade nos últimos anos, mas ainda existem muitas
dificuldades estruturais. No caso do Brasil, os surdos enfrentam sérios desafios relacionados à
comunicação, à garantia de seus direitos, ao respeito à sua identidade etc., e isso enfraquece a
validação de novas conquistas. Assim, é importante destacar o esforço de grupos e entidades
que lutam para garantir que a comunidade surda tenha sua identidade preservada, sem
qualquer dependência da comunidade ouvinte (não surdos). Destacamos algumas dessas
instituições a seguir:
Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines).
Federação Desportiva de Surdos do Estado de São Paulo (FDSESP).
Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores e Intérpretes e Guia-
Intérpretes de Língua de Sinais (Febrapils).
Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos de São Paulo (Feneis).
Essas e outras instituições vêm se esforçando para promover a cultura surda, de modo a torná-
la mais evidente e acessível, tendo em vista que não são todas as pessoas surdas que as
conhecem e/ou são direcionadas para um atendimento especializado. Isso dificulta a construção
de uma cultura, pois as pessoas surdas não conseguem se apropriar de seu grupo ou, então,
encontram sérias dificuldades para ter acesso a informações adequadas.
Com relação às produções culturais, uma diversidade de eventos vem se ampliando
e se multiplicando nas comunidades surdas de todo o mundo. Há nesses espaços
uma rica oferta cultural, mesmo que ainda distante dos olhares curiosos de ouvintes
e com bastante enfoque para as necessidades da comunidade surda. Trata-se de
congressos, seminários e encontros que a cada ano conquistam mais participantes,
que buscam discussões profundas sobre o uso de Libras, bem como sobre a
formação e a capacitação nos estudos relacionados a essa língua (LACERDA;
SANTOS; MARTINS, 2019, p. 248).
Por fim, apesar de a busca por reconhecimento, valorização e estabilidade da cultura surda ser
uma constante, não podemos nos esquecer de que toda e qualquer cultura sofre modificações
ao longo do tempo. Isso nos motiva a acreditar que, a partir dos esforços empregados na
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atualidade, o futuro nos proporcionará uma sociedade com mais justiça e equidade, sobretudo
para os grupos menos favorecidos.
Conhecimento
Teste seus Conhecimentos
(Atividade não pontuada)
A cultura surda sempre esteve presente na história da humanidade, mesmo sendo silenciada e pouco
evidenciada em alguns momentos. Diante disso, assinale a alternativa que indica uma afirmativa correta
acerca da visibilidade da cultura surda e do espaço que ela tem ocupado em meio à cultura ouvinte
predominante:
a) É por meio da comunidade ouvinte que identificamos os avanços que a cultura surda tem
conquistado nos últimos tempos.
b) A cultura surda está presente nos diversos espaços sociais. Aos poucos, haverá a
possibilidade de substituirmos algumas palavras por sinais em Libras. Isso tornará o acesso à
informação mais democrático e facilitará a vida das pessoas surdas na cultura ouvinte.
c) Abandonando uma interpretação fatídica e pessimista, os surdos fortalecem suas raízes
culturais a partir da informação, do conhecimento e do fortalecimento de sua própria
identidade.
d) Somente agora a comunidade surda está iniciando o processo de construção da sua cultura.
Ou seja, durante toda a história da humanidade, nunca houve a presença de pessoas surdas.
e) Gradativamente, estamos caminhando em direção a uma cultura em que ouvintes e surdos
terão os mesmos direitos e deveres.
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Veremos, na sequência, um levantamento histórico dos principais momentos em que a
educação da pessoa surda foi planejada como instrumento de humanização e de
reconhecimento social de sua identidade. Apesar de complexa, a caminhada histórica demonstra
que cada experiência foi importante para a construção de uma educação conhecida hoje como
inclusiva. Para iniciarmos nossa discussão, abordaremos a educação da pessoa surda na
modernidade, bem como os seus principais aspectos constituintes.
Educação na Modernidade
Já de início, é importante ressaltar que, na formação de uma cultura (língua, tradições, valores
etc.), o fator político sempre vai estar presente. Isso influencia diretamente na vida dos
indivíduos, sobretudo quando o que está em jogo é o direito de existir e de se expressar.
Na antiguidade, a surdez era considerada um castigo. As religiões primitivas, por exemplo,
associavam a surdez a feitiços e encantamentos aos quais a pessoa estaria aprisionada (BAGGIO;
CASA NOVA, 2017). Tais considerações subjugavam as pessoas surdas, principalmente no que diz
respeito à sua capacidade de aprender e de tomar decisões. Foi somente a partir da Idade Média
que as pessoas surdas passaram a ser consideradas pela Igreja Católica como indivíduos
dotados de alma, portanto, deveriam ser catequizadas para terem direito à salvação.
O advento do cristianismo elevou a significação da surdez e do surdo, com base na
ideia de que os surdos eram pessoas como quaisquer outras que podiam ouvir e,
nessa lógica, também precisavam de Deus. Há registros de surdos nos mais antigos
textos do Antigo Testamento, sendo que o primeiro desses registros é atribuído a
Moisés (BAGGIO; CASA NOVA, 2017, p. 30).
História dos SurdosHistória dos Surdos
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A participação da igreja na formação das sociedades influenciou diretamente nos
posicionamentos que se construíram a respeito da pessoa surda. A partir daí, surgiu o trabalho
de grupos religiosos voltados a garantir a formação básica desses indivíduos. Obviamente, esse
movimento tinha como base a ideia de que o surdo era alguém desajustado e que precisava se
enquadrar nos padrões comportamentais e linguísticos dos ouvintes. Até o século XVI, por
exemplo, a pessoa surda não poderia receber heranças caso não aprendesse a falar (MORAIS et
al., 2018). Isso significa dizer que a única maneira de aproximar o surdo da visibilidade e da
dignidade social era por meio da educação.
Nesse sentido, a história dos surdos está diretamente associada à da educação. Como é de
praxe nas sociedades, esse acesso à educação ocorreu primeiramenteentre os mais ricos e
nobres. Historicamente falando, é compreensível a preocupação desses grupos em educar seus
parentes surdos, pois, além da questão da herança, a pessoa que desenvolvia a fala poderia ter
acesso ao reconhecimento público de sua capacidade intelectual, emocional e social. Em última
instância, era como se o fato de saber falar concedesse ao sujeito a condição de ser humano
(CABRAL, 2016).
Independentemente de qualquer motivação ou intenção, não podemos desconsiderar que foi a
partir da interferência da Igreja Católica que ocorreram os primeiros sinais de progresso na
história da comunidade surda na modernidade. Alguns religiosos foram precursores desses
movimentos iniciais de educação da pessoa surda, sendo um deles o monge espanhol Pedro
Ponce de León (1520-1584):
O mestre De León desenvolveu um método de educação de surdos que envolvia o
alfabeto manual, a escrita e a oralização, e criou uma escola de professores para
surdos. [...] Esse alfabeto manual foi a base para a criação de outros alfabetos
manuais pelo mundo. Cada país tem seu próprio alfabeto manual, assim como as
línguas de sinais (MORI; SANDER, 2015, p. 3).
Como panorama geral, é importante apresentar o quadro a seguir, que traz os  principais nomes
que se destacaram pelo pioneirismo no trabalho com a pessoa surda entre os séculos XVI e XVIII:
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Girolamo Cardano (1501-1576)
Foi o primeiro pesquisador a sugerir a possibilidade
de se educar uma pessoa surda. Além de médico,
era matemático e astrólogo. Tinha um filho surdo, o
que, provavelmente, o influenciou na busca por
melhores condições de vida para as pessoas com
deficiência. Sua contribuição foi perceber que o
surdo poderia utilizar figuras para se comunicar.
Mechor Sánchez de Yebra
(1526-1586)
Monge franciscano e escritor. A datilologia, que é
semelhante a um alfabeto manual, tem seus
primeiros registros em sua obra “Refugium
Infirmorum”, de 1593. Porém, nesse mesmo livro,
Yebra descreve que esse alfabeto não foi criado por
ele, mas por outro religioso, Frei Juan de Fidanza,
no século XIII. O método da datilologia ganha
visibilidade a partir do monge espanhol Pedro
Ponce de León.
Juan Pablo Bonet (1573-1633)
Bonet era um padre espanhol que ensinava surdos
filhos de nobres. Foi a partir de suas obras que o
trabalho de educadores de surdos começou a
ganhar visibilidade.
John Wallis (1616-1703)
Educador e matemático, fundou o método de
ensino oralista para surdos na Inglaterra.
Johann Konrad Amman (1669-
1724)
Educador e médico. Seu método pedagógico se
dava pela leitura labial, isto é, o objetivo era fazer
com que o surdo conseguisse se comunicar a partir
da observação da gesticulação dos lábios do
interlocutor.
Thomas Braidwood (1715-1806)
Fundador da primeira escola particular para surdos
da Inglaterra. Sua escola propunha a educação com
base na oralidade da pessoa surda e o aprendizado
da escrita e da compreensão das palavras a partir
da leitura orofacial.
Jacob Rodrigues Pereira (1715-
1780)
Educador de origem portuguesa, mas que vivia na
França. Inicialmente, acreditava na possibilidade de
ensinar seus alunos a falar, ainda que, em seu
método, utilizasse o alfabeto de Bonet.
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Quadro 1.1 – Nomes que se destacaram pelo trabalho com pessoas surdas
Fonte: Adaptado de Cabral (2016, p. 34-36).
#PraCegoVer : o quadro apresenta os principais nomes de educadores e pesquisadores
que favoreceram o desenvolvimento da formação e da aprendizagem da pessoa surda:
Girolamo Cardano (1501-1576); Mechor Sánchez de Yebra (1526-1586); Juan Pablo Bonet
(1573-1633); John Wallis (1616-1703); Johann Konrad Amman (1669-1724); Thomas
Braidwood (1715-1806); e Jacob Rodrigues Pereira (1715-1780).
Em todos os casos, fica evidente um ensino “reparador”, em que a pessoa surda é vista como
alguém que necessita se ajustar ao mundo ouvinte. Porém, também precisamos considerar que
essas pessoas acreditavam na possibilidade de que os indivíduos surdos fossem educados e,
consequentemente, alcançassem o status social de cidadãos.
Educação na Contemporaneidade –
Congresso de Milão
O que se criou na sequência foi uma tensão entre dois métodos de ensino presentes na
educação de surdos. Assim, o oralismo e a língua de sinais foram objetos de grandes debates
entre os pedagogos, com objetivo de concluir qual seria o melhor instrumento para se educar os
surdos. A disputa acerca dessa temática desencadeou, mais adiante, em 1870, um forte
movimento de oralização na educação, tendo como força motriz as ideias de eugenia e de
“normalização” da pessoa surda (BAGGIO; CASA NOVA, 2017). Como estratégia de
parametrização do assunto, realizou-se, em 1880, o famoso e histórico Congresso de Milão, em
que se decidiu pela seguinte metodologia:
Organizado por uma maioria oralista, teve como principal resultado o banimento da
língua de sinais e a eleição da metodologia oral como exclusiva para a educação
dos surdos. [...] Após o Congresso de Milão, desapareceu a figura do professor
surdo, o que pôs fim à convivência pacífica entre a linguagem falada e a linguagem
gestual na educação dos surdos. Essa virada em direção à busca exclusiva da
oralização trouxe inúmeros prejuízos para a educação e para a articulação político-
social dos surdos (BAGGIO; CASA NOVA, 2017, p. 33).
Historiadores e estudiosos da comunidade surda consideram esse período como crítico,
principalmente no que se refere ao acesso da pessoa surda à comunidade em geral. Nesse
contexto, o surdo era considerado “deficiente”, necessitando ser promovido ao grau de
oralizado.
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Figura 1.2 – Comunicação
Fonte: Parinya Agsararattananont / 123RF.
#PraCegoVer : a figura mostra uma criança com os dois braços levantados. As mãos seguram papéis
recortados em formato de escola e de balão de diálogo.
Em outras palavras, as escolas trabalhavam no sentido de diagnosticar a surdez como um
problema que deveria ser suprimido, sem se atentar para as particularidades e especificidades
de cada pessoa. Contudo, apesar da proibição de se utilizar a língua de sinais nas escolas, os
surdos ainda se comunicavam por meio de sinais nos demais ambientes (BAGGIO; CASA NOVA,
2017).
Dessa forma, eram necessários novos desdobramentos teóricos e novas pesquisas que
pudessem permitir o progresso da comunidade surda na prática. Dentre as investigações que
emergiram entre 1960 e 1971, destacam-se os seguintes nomes:
Entre esses estudos temos a estruturação linguística e gramatical da língua de sinais
por Stokoe em 1960; pesquisas realizadas por Stevenson em 1964; Meadow em
1966 e Vernon em 1970; que comparavam o desenvolvimento de surdos filhos de
pais ouvintes (SFPO) e surdos filhos de pais surdos (SFPS) e trabalhos de Miguel e
Vernon, 1971, que demonstravam que surdos e ouvintes possuem a mesma
distribuição de inteligência de surdos e ouvintes (SOARES, 2016, p. 29).
William Stokoe (1919-2000) é um dos principais nomes desse período, tendo em vista suas
considerações sobre a linguística e a gramática da língua de sinais norte-americana (ASL).
Mesmo sendo muito criticado na época, inclusive por seus pares, Stokoe incentivou a pesquisa a
respeito do assunto. A partir dele, vários outros linguistas se posicionaram a favor do uso da
línguade sinais na educação de surdos.
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Esses enfrentamentos instigaram a criação de instituições de apoio à pessoa surda em todo o
mundo. No Brasil, tivemos a fundação da Federação Nacional de Educação e Integração dos
Surdos (Feneis), em 1987, e da Confederação Brasileira de Surdos, em 2004 (BAGGIO; CASA
NOVA, 2017). Tais instituições demonstram uma movimentação em busca de uma sociedade
mais justa e com garantia de acesso à educação pelos surdos.
Conhecimento
Teste seus Conhecimentos
(Atividade não pontuada)
Em uma perspectiva historiográfica, o que temos são diversas tentativas de dignificação da pessoa
surda e de reconhecimento de sua capacidade de aprendizado. Muitas iniciativas pedagógicas foram
tomadas nesse sentido, ainda que, por vezes, algumas não tenham alcançado os seus objetivos. Porém,
entre erros e acertos, é preciso considerar como válida e necessária a trajetória dos pesquisadores ao
longo dos anos. Diante dessas informações, assinale a alternativa que apresenta uma afirmativa correta
quanto ao significado da compreensão histórica dos surdos no Brasil e no mundo:
a) As tentativas do passado de educar a pessoa surda não devem ser levadas em consideração,
já que muitos erros foram cometidos nos vários períodos históricos anteriores à modernidade.
b) Conhecer a história dos surdos é fundamental para que os “erros” do passado não se repitam
no futuro. Desse modo, os fatos históricos são cruciais para que, por meio da reflexão e do
debate democrático, a comunidade surda conquiste mais visibilidade e respeito.
c) O interesse dos grupos religiosos em catequizar as pessoas surdas era puramente dogmático,
ou seja, não havia qualquer preocupação com a real condição humana desses indivíduos.
d) As novas definições promovidas pelo Congresso de Milão (1880) foram fundamentais para a
implementação oficial da língua de sinais nas escolas.
e) A comunidade surda poderia ter alcançado patamares maiores ao longo da história, caso não
tivesse sofrido tantas injustiças sociais. No entanto, não convém se ocupar com fatos oriundos
de décadas ou séculos anteriores, tendo em vista que não há como “consertá-los”, tampouco
voltar atrás em relação a decisões tomadas no passado.
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Os desdobramentos das discussões históricas a respeito da educação da pessoa surda
garantiram que novos movimentos de apoio e novos direitos civis surgissem. Também, é preciso
compreender que, ao falarmos em leis de acessibilidade, estamos nos referindo igualmente às
políticas de inclusão.
Leis de acessibilidadeLeis de acessibilidade
para Surdospara Surdos
Figura 1.3 – Acessibilidade
Fonte: Khamnuan Teppakatinarom / 123RF.
#PraCegoVer : a figura é uma placa indicando uma rampa de acesso para pessoas em cadeira de
rodas.
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As questões de mobilidade urbana e de acesso à informação, à cultura, à saúde, à educação, à
segurança etc. devem ser discutidas e tratadas em diálogo com a sociedade. Esse acesso deve
ser garantido a todos, pois vivemos em uma democracia, e nela os cidadãos têm o direito de
terem suas necessidades básicas atendidas (BRASIL, 1988, on-line ). Por esses e tantos outros
fatores é que devemos estabelecer, como ponto de partida, que as políticas de inclusão não são
privilégios, mas sim instrumentos de justiça e equidade.
As políticas de inclusão têm em vista um único objetivo social: incluir as pessoas no
mesmo espaço, independentemente de quem sejam, proporcionando acessibilidade
de todos os tipos para que todos os direitos sociais dos cidadãos possam ser
atendidos sem discriminar ninguém (MORAIS et al., 2018, p. 41).
Ao pensarem na inclusão das pessoas com deficiência, as políticas públicas estão cumprindo o
papel de complementar os direitos civis e de promover o reconhecimento social desse grupo. Ao
longo da história, progressivamente, uma nova mentalidade se instaurou nas pautas
governamentais. Trata-se da inclusão, que permitiu, por exemplo, o acesso da pessoa surda aos
espaços que são rotineiros para os ouvintes.
Obviamente, a pauta da inclusão não surgiu do nada, isto é, sem qualquer pressão e cobrança
social. Ela surgiu a partir do diálogo, de debates, de questionamentos por parte da população e
de pais, mães e demais familiares e amigos de pessoas surdas que enfrentam diariamente o
grande desafio que é ter um espaço garantido em uma sociedade normalizante como a nossa.
Nesse contexto, a comunidade surda tem desenvolvido ações para implementar
uma inclusão social que entenda e respeite tanto a surdez quanto o surdo pelo
reconhecimento político da diferença. Como exemplos dessas ações, destacamos a
luta pela criação e pelo cumprimento de leis, o estabelecimento de convênios que
garantam vagas de trabalho para surdos, a exigência de intérpretes nos espaços de
escolarização, entre outras (BAGGIO; CASA NOVA, 2017, p. 74).
No campo da educação, vimos que o discurso sobre inclusão é antigo. Costumeiramente, o
espaço escolar configura-se como um local que busca promover experiências de construção e de
formação de personalidade, cultura e valores. Essa atuação social da escola, inclusive, é parte
fundamental de sua identidade.
Em 1994, a Declaração de Salamanca trouxe um novo fôlego para o debate referente ao perfil de
escola que se pretendia ter no futuro. Por meio desse documento, refletiu-se sobre uma
educação que fosse de todos e para todos. Em última instância, a Declaração de Salamanca
tinha como objetivo perceber a riqueza das possibilidades de se educar em meio a diversidade
de ideias, culturas e saberes.
Esse documento retomou as resoluções da Conferência Mundial sobre Educação
para Todos de 1990 e, sob uma perspectiva de direitos humanos, reafirmou o direito
de todos à educação, independentemente de suas diferenças particulares. A partir
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disso, a educação especial se revestiu de um novo conceito, e as propostas
pedagógicas passaram a incorporar os discursos do educar para a diversidade e do
respeito às diferenças (BAGGIO; CASA NOVA, 2017, p. 76).
No Brasil, as leis de acessibilidade tornaram-se marcos importantes sobretudo a partir de 2002.
Após quase 25 anos do Congresso de Milão, por meio do qual o oralismo foi oficializado,
enfraquecendo, assim, o uso da língua de sinais, tivemos no país uma grande conquista para a
comunidade surda: a oficialização da língua de sinais como meio legal de comunicação (Lei nº
10.436/2002). A partir desse instrumento normativo, a difusão da língua de sinais tornou-se
obrigatória em cursos de educação especial, de fonoaudiologia, de formação de futuros
professores etc. (BRASIL, 2002, on-line ).
Na sequência, essa lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005.
Algumas especificações foram estabelecidas, como, por exemplo, a formação de professores e
de instrutores de Libras, a garantia da educação das pessoas surdas ou com deficiências
auditivas, a garantia de acesso à saúde, a difusão da língua de sinais etc. (BRASIL, 2005, on-line).
É importante que você perceba que o processo de inclusão da pessoa surda não é igual ao
processo de inclusão das pessoas com deficiências que exigem outras formas de acessibilidade.
Para um cadeirante, por exemplo, o rebaixamento de alguns pontos nas calçadas, os banheiros
adaptados e os locais com elevadores garantemo seu direito ao acesso. Nossa intenção,
obviamente, não é afirmar que a surdez, dentre todas as deficiências, é a que mais sofre por
falta de acessibilidade, ou que sua causa é mais importante que qualquer outra bandeira. Longe
disso, nossa intenção é que você observe que a surdez tem certas particularidades e demandas
que não são possíveis de serem “sanadas” de imediato.
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A pessoa surda, em diversos momentos e por
diferentes fatores e motivos, vivencia a
experiência de se sentir estrangeiro em seu
próprio país, seja no trabalho, seja entre amigos
etc. Assim, conseguir se comunicar de maneira
acessível é indispensável a qualquer pessoa,
principalmente no atendimento às necessidades
básicas. Conhecer a história, aprender a língua de
sinais e saber respeitar as características da
cultura surda são fatores fundamentais para
construirmos uma sociedade mais justa, digna e
humana.
A surdez traz consigo a dificuldade de comunicação, tendo em vista que estamos nos referindo a
pessoas que se comunicam por meio de uma língua diferente da utilizada pelas demais pessoas
no convívio social. Pela impossibilidade de ouvir, a pessoa surda recebe informações somente
quando estas lhe são diretamente comunicadas por meio de sua língua. Esse fator é crucial para
a inclusão do sujeito surdo, uma vez que “o acesso à informação é vital para um indivíduo
participar plenamente na sociedade, e o oposto também é verdadeiro – a falta de informação
contribui para a exclusão social” (MIGLIOLI; SANTOS, 2017, p. 137). Por esse motivo, a
oficialização da língua de sinais é um dos maiores trunfos da acessibilidade da pessoa surda.
Atualidade das Políticas e das Leis de
Inclusão
No ano de 2004, foi criada, no âmbito do Ministério da Educação (MEC), a Secretaria de Educação
Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). O objetivo era debater as políticas de
inclusão e de acessibilidade referentes à pessoa com deficiência, visando a aprimorar o
fortalecimento da identidade desse grupo. Apesar da pluralidade de pautas e das limitações de
suas ações, a inclusão das minorias era o principal objeto de trabalho da Secadi.
A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão
(Secadi/MEC), com todas as críticas que possamos fazer, pela insuficiência de
orçamento, pessoal, regulação, acompanhamento, participação, avaliação, vinha
atuando, sob pressão de movimentos de luta social do e no campo, pressão das
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universidades e institutos federais, para assegurar o direito à educação com
qualidade e equidade, tendo políticas públicas educacionais voltadas para a
inclusão social (TAFFAREL; CARVALHO, 2019, p. 85).
Mesmo com as possíveis críticas com relação à atuação da Secadi, o que se observa é que ela foi
responsável por inúmeras políticas de acessibilidade, não apenas relativas à pessoa com
deficiência, mas também aos demais grupos minoritários que sofrem com a exclusão social. A
Secadi se manteve durante 15 anos e administrou programas importantes voltados à Educação
de Jovens e Adultos (EJA), à educação no sistema carcerário etc. A educação especial também foi
abarcada pela Secretaria, conforme apresentado por Morais et al. (2018, p. 43-44):
● Nota Técnica nº 04 – Orientação quanto a documentos comprobatórios de alunos
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/superdotação no censo escolar.
● Lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). [...]
● Lei nº 10.098/94 – Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção
da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida e dá outras providências. [...]
● Decreto nº 186/08 – Aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de
março de 2007. [...]
● Portaria nº 976/06 – Critérios de acessibilidade aos eventos do MEC.  [...]
● Portaria nº 3.284/03 – Dispõe sobre os requisitos de acessibilidade de pessoas
com deficiências para instruir os processos de autorização e de reconhecimento de
cursos e de credenciamento de instituições. [...]
● Resolução nº 4, CNE/CEB.
● Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2007).
● Carta para o Terceiro Milênio.
● Declaração de Salamanca.
Essas são apenas algumas das políticas instauradas pela Secadi no âmbito das pessoas com
deficiência. Apesar de sua representatividade, a Secretaria foi extinta por meio do Decreto nº
9.465, de 2 de janeiro de 2019, o que foi considerado um retrocesso, inclusive por grupos de
apoio à pessoa com deficiência (TAFFAREL; CARVALHO, 2019). Como uma nova proposta de
política de inclusão, o governo federal apresentou o Decreto nº 10.502, de 30 de setembro de
2020, que institui a “Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com
Aprendizado ao Longo da Vida”.
Conforme esse decreto, a União, em colaboração com os estados, o Distrito Federal e os
municípios, fortalecerá “a garantia dos direitos à educação e ao atendimento educacional
especializado aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades ou superdotação” (BRASIL, 2020, on-line ).
Todavia, da mesma forma que a extinção da Secadi, o novo decreto também recebeu críticas de
entidades como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Comitê Fiocruz pela
Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência, o Observatório de Educação Especial e
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Inclusão Educacional (ObEE) e o AcolheDown. Essas instituições, em conjunto, discordaram, por
exemplo, do modo como os artigos do decreto abordam a inclusão da pessoa com deficiência
nos espaços educacionais.
Na educação inclusiva não se deseja ou espera a separação entre sujeitos ou
grupos, ao contrário, compreende-se que todas as pessoas têm a possibilidade de
acessar e participar de um modelo de educação em comum, verdadeiramente
emancipatório e igualitário, sem que seja negada a convivência cotidiana entre as
pessoas com e sem deficiência na mesma escola e sala de aula, garantindo acesso
ao atendimento educacional especializado e, consequentemente, aos recursos e
tecnologias capazes de potencializar o processo de ensino e aprendizagem, quando
necessário e pertinente, atendendo às singularidades de cada aluno (NOTA..., 2020,
on-line].
Essas divergências demonstram o caráter político que permeia as leis de acessibilidade, que
dependem, na maioria das vezes, das ideologias presentes em cada governo para existirem ou
não. Tal contexto ideológico inviabiliza a criação de políticas bem estruturadas, pois o risco de
serem alteradas a cada quatro anos é muito grande. Por esse motivo, a sociedade precisa estar
sempre em alerta para que sejam cumpridos os direitos conquistados ao longo da história, bem
como para fortalecer a identidade e a cultura tanto da pessoa surda quanto das demais pessoas
com deficiência.
praticar
Vamos Praticar
As leis de acessibilidade da pessoa com deficiência foram construídas e validadas ao longo de várias
décadas, a partir das necessidades dos indivíduos e do olhar atento da sociedade. Dessa forma,
relembrar as principais leis de acessibilidade e de inclusão que existem em nosso país é uma forma
importante de refletirmos sobre o processo contínuo de busca pela garantia dos direitos básicos da
pessoa surda.
Faça uma linha do tempo e, nela, identifique datas, eventos e leis que contribuem e/ou contribuíram
para garantir o acessoda pessoa surda à educação e à inclusão.
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Até aqui, percorremos um belo caminho a respeito da história da pessoa surda, da língua de
sinais e das leis de acessibilidade existentes no país. Dando continuidade a essa temática,
falaremos agora sobre o perfil educacional brasileiro na formação de surdos.
No Brasil, a educação de surdos teve início em meados do século XIX, a partir da chegada do
educador francês Hernest Huet, convidado por Dom Pedro II. Huet foi o fundador do Instituto de
Educação de Surdos-Mudos, inaugurado no dia 26 de setembro de 1857. Atualmente, essa
instituição é conhecida como Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). Por influência de
seu fundador, a escola utilizava um alfabeto manual e um sistema sinalizado com fortes traços
da cultura francesa (BAGGIO; CASA NOVA, 2017).
Educação dos surdos noEducação dos surdos no
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saiba mais
Saiba mais
O Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) cumpre
um papel fundamental na validação da identidade surda
no Brasil. Por ser uma instituição pioneira e que se faz
presente em todo o país (por meio de seus vídeos,
eventos e representantes), o Ines é essencial para o
reconhecimento da comunidade surda brasileira. Saiba
mais sobre o Ines, desde a sua fundação até os dias de
hoje, acessando o site. Na página, você encontrará vídeos
em língua de sinais e legendados, notícias sobre a cultura
surda, informações sobre eventos e congressos, e muito
mais.
ACESSAR
De fato, a educação que se ofertava no Instituto seguia a lógica da época, ou seja, “curar” a
pessoa surda, de modo que ela pudesse participar da vida em sociedade por meio da oralidade.
Esses são reflexos de uma leitura mundial da surdez, o que, no Brasil, não foi diferente.
De maneira geral, os métodos utilizados na educação de surdos no Brasil seguiram
uma trajetória histórica determinada pelas tendências mundiais. Dessa forma, até
1960, o que se priorizou nas instituições educacionais dedicadas ao ensino de
surdos foi a opção por métodos curativos ou emendativos, cujo principal objetivo
era o desenvolvimento da fala. Além disso, as políticas públicas para o setor foram,
até essa época, mais de caráter assistencialista do que propriamente educacional
(BAGGIO; CASA NOVA, 2017, p. 42).
Falar sobre os direitos da pessoa surda no campo da educação é uma reflexão moderna. Um
discurso inicial de inclusão ocorreu apenas a partir do século XX, no qual as pessoas com
deficiência foram inseridas. A partir daí, novas leis foram criadas com objetivo de garantir o
acesso da pessoa com deficiência aos vários setores da sociedade, de acordo com suas
necessidades.
Tal progresso influenciou não somente nos aspectos de acessibilidade e de inclusão, mas
também na validação de novas culturas e identidades. Nesse sentido, a cultura surda ganhou
novos significados, espaços e termos. A palavra “surdo”, por exemplo, é relativamente moderna,
uma vez que, antes, ao se referir à surdez, havia uma perspectiva clínica, isto é, enquanto
deficiência. O termo “deficiente auditivo” caiu em desuso a partir do Decreto nº 5.626/2005, fato
que trouxe novas características para o surdo e a surdez:
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https://www.ines.gov.br/
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A pessoa surda é definida como aquela que, por ter perda auditiva, compreende o
mundo e interage com ele por meio de experiências visuais, manifestando sua
cultura principalmente pelo uso da Libras. O mesmo documento reconhece o direito
dos surdos a uma educação bilíngue, na qual a língua de sinais é a primeira língua,
e a língua portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, é a segunda
(PEREIRA et al., 2011, p. 97).
Surge, então, um novo ponto de partida, no qual a identidade surda passa a ser priorizada na
discussão. Essa nova abordagem é levada para o ambiente escolar, e a educação da pessoa
surda encontra novos alicerces para se desenvolver (escolas bilíngues e presença de intérpretes
de Libras em escolas regulares). Todos esses fatores foram decisivos para a entrada da língua de
sinais nas escolas, oficializando um ensino que considera a pessoa surda em suas condições,
identidade e cultura.
É importante ressaltar que a história da educação de surdos não teve início apenas com a
criação de leis e decretos. Muitas experiências pedagógicas já haviam sido criadas para
promover a formação de crianças e jovens surdos e permitir que eles tivessem meios para se
comunicar. Uma das últimas teorias nesse sentido considerava todas as formas de se comunicar
como válidas, sem se limitar a uma ou outra regra linguística em específico. Essa abordagem é
chamada de comunicação total, que surgiu por volta de 1990.
A comunicação total ainda é muito usada em escolas por educadores. Embora se
centralize ainda no desenvolvimento oral, é menos radical que o oralismo, ao
permitir o uso de gestos, mímicas e outros recursos no ensino. Nessa filosofia, tudo
vale para a comunicação. O lema dessa abordagem é: o uso de todos os recursos
possíveis para o desenvolvimento da pessoa surda e, consequentemente, da
oralidade (LACERDA; SANTOS; MARTINS, 2019, p. 214).
A comunicação total encontrava muitas dificuldades em sua prática, sobretudo por não trazer
uma organização sistematizada da língua. Era uma experiência que dependia mais da
compreensão subjetiva de cada indivíduo, pois não incorporava procedimentos e metodologias
justificáveis teoricamente.
Essas experiências fazem da língua de sinais um instrumento ainda mais indispensável para se
pensar em uma educação verdadeiramente inclusiva. Majoritariamente, nos dias atuais, o que
temos é a proposta de uma educação bilíngue. O bilinguismo diz respeito ao ensino da pessoa
surda a partir de duas línguas, iniciando sua educação pela língua de sinais e, na sequência, pela
língua de seu país. No caso do Brasil, nas escolas bilíngues, ensina-se Libras, mas acompanhada
da língua portuguesa.
Essa proposta também é alvo de muitas críticas, geralmente movidas pelo fato de que muitas
instituições ditas bilíngues priorizam o ensino da língua portuguesa no processo formativo de
crianças e de jovens surdos. Entretanto, o que se verifica é que o bilinguismo é a abordagem
pedagógica na educação de surdos que mais se desenvolveu na atualidade.
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A educação bilíngue valoriza o sujeito surdo na sua diferença linguística e cultural,
entendendo-o para além da deficiência e, além disso, considerando que o fato de
não ouvir seja exatamente o que possibilita a experiência visual e a necessidade de
outros modos de ensino. As comunidades surdas têm lutado para que existam
escolas bilíngues com professores fluentes na língua de sinais (LACERDA; SANTOS;
MARTINS, 2019, p. 217).
Considerando-se os diversos cenários educacionais possíveis, por vezes nos limitamos a pensar
somente a respeito da educação básica. Porém, como fica a questão da educação superior para
a pessoa surda? No Brasil, existem algumas políticas direcionadas a esse contexto, conforme
veremos a seguir.
O Acesso ao Ensino Superior pela Pessoa
Surda
No Brasil, o ensino superior, seja público ou privado, é também almejado pelas pessoas surdas
como forma de profissionalização e de ingresso no mercado de trabalho. Para ter acesso às
vagas, muitos desses jovens realizam oExame Nacional do Ensino Médio (Enem) como estratégia
para conseguir se matricular nas universidades do país.
Essa prova, de abrangência nacional, deve ser mencionada em nosso material, pois, nos últimos
anos, tornou-se o principal instrumento de acesso à formação superior no Brasil, sobretudo
pelas minorias e camadas mais pobres (BRASIL, 2015). O Enem pontua os candidatos a partir de
conhecimentos sobre disciplinas do ensino médio e de conhecimentos gerais. Para a pessoa
surda, o Enem também é, da mesma forma que para as demais pessoas, um importante
instrumento de acesso ao ensino público, gratuito e de qualidade.
Esse instrumento avaliativo tem na psicometria, mais precisamente na Teoria de
Resposta ao Item (TRI), seu conjunto de métodos quantitativos para mensuração dos
conhecimentos de concluintes do ensino médio. Afere quantitativamente as
instâncias psicológicas por meio de um construto que traduz as ações dos sujeitos
de um estudo em dados. Para isso, parte do princípio de que as funções psíquicas
só poderão ser acessadas se forem criadas estratégias legítimas e práticas para
alcançá-las (BRIEGA, 2019, p. 52).
Como forma de inclusão das pessoas com deficiência, há um aparato estratégico que visa a
diminuir as dificuldades relacionadas à realização das provas, por meio de recursos humanos,
isto é, profissionais que auxiliam na transcrição, ou, então, mediante provas com letras
ampliadas (para pessoas com baixa visão) e locais de acesso com rampas e sinalizações
adequadas (BRIEGA, 2019).
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O Decreto nº 5.626/2005 estabelece várias normas para que a pessoa com deficiência tenha um
acesso adequado a seleções, avaliações e atividades, o que, teoricamente, deveria viabilizar o
processo de formação desses indivíduos sem interferências estruturais e linguísticas, como é o
caso do surdo. Ao falarmos da pessoa surda, novamente encontramos dificuldades específicas
para a efetivação de seu direito à acessibilidade, uma vez que a questão da língua, por vezes,
impede a adequada realização das provas.
O recurso disponibilizado pelo MEC para a realização da prova pela pessoa surda era a presença
de um tradutor e intérprete de Libras. Entretanto, devemos lembrar que estamos falando de
uma prova na qual o candidato é avaliado sem qualquer tipo de consulta a materiais. No caso da
pessoa surda e do intérprete, existe a possibilidade de haver frases, termos e contextos que
fujam do conhecimento tanto do surdo quanto do intérprete, o que implica dificuldades na boa
realização da avaliação. Não é à toa que o Inep apresentou dados que indicam que o
desempenho dos surdos nas provas do Enem tem sido um dos mais baixos, mesmo quando
comparado ao desempenho das pessoas com outras deficiências (BRASIL, 2015). Por esse
motivo, a Feneis se posicionou da seguinte maneira:
Diante desse quadro, em 2013 a Federação Nacional de Educação e Integração dos
Surdos (Feneis) encaminhou ao Inep um conjunto de reivindicações, entre as quais
se destaca a disponibilização imediata de provas de português confeccionadas
como L2 e provas individuais das demais disciplinas traduzidas em Libras, em meio
digital, em todos os seus exames e avaliações, e a consequente eliminação da figura
do TILSP como principal mediador entre o participante e a prova (JUNQUEIRA;
LACERDA, 2019, p. 8).
Assim, em 2017, o que vimos foi que as provas do Enem disponibilizaram mais uma novidade, de
modo a favorecer, especificamente, a acessibilidade da pessoa surda à avaliação. Trata-se da
videoprova.
Disponibilizada em formato digital e de modo individualizado para cada pessoa, a videoprova
seguiu a mesma sequência estrutural das provas dos demais candidatos. A principal diferença
era que os seus conteúdos estavam organizados em uma seleção que facilitava a sua tradução
para a língua de sinais, bem como a correção das redações, tendo em vista que a Libras possui
uma organização gramatical e lógica diferente da língua portuguesa (JUNQUEIRA; LACERDA,
2019).
Todos esses desdobramentos demonstram a necessidade contínua de averiguação dos
materiais e dos instrumentos utilizados na promoção de políticas de inclusão e de acessibilidade,
a fim de que cumpram o seu papel de maneira efetiva e clara. Com relação às políticas públicas,
podemos observar novos espaços conquistados, além de uma maior adesão por parte da
comunidade surda aos contextos e cenários que lhes são de direito.
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#PraCegoVer : o infográfico apresenta quatro tópicos em linha horizontal com alguns marcos para o
processo de inclusão. Ao clicar no primeiro tópico, é apresentado o ano de 1994 com o texto
“Reconhecido como o ano da educação, houve grandes avanços para a educação inclusiva a partir da
Declaração de Salamanca. Por meio dela, iniciou-se o processo de inclusão da pessoa com deficiência
nos ambientes educacionais, com um ensino voltado às suas necessidades, seja de acessibilidade, seja
de comunicação”, ao lado do texto há a imagem de algumas pessoas de costas com os braços
levantados. Ao clicar no segundo tópico é apresentado o ano de 2002 com o texto “A Língua de Sinais
Brasileira é considerada oficialmente um meio de comunicação e de expressão, a partir da Lei nº
10.436, de 24 de abril de 2002. Com ela, instituições públicas e privadas passaram a permitir o uso de
Libras no atendimento à pessoa surda, conforme suas necessidades”, ao lado do texto há a imagem de
duas mulheres se comunicando por meio da língua de sinais. Ao clicar no terceiro tópico é
apresentado o ano de 2005 com o texto “Se instaura o Decreto nº 5.626, de Dezembro de 2005, o qual
garante a presença não somente de intérpretes nas instituições de ensino, como também a
obrigatoriedade do ensino de Libras em cursos de licenciatura, fonoaudiologia e magistério”, ao lado
do texto há a imagem de um martelo de juiz e uma balança da justiça. Ao clicar no quarto tópico é
apresentado o ano de 2015 com o texto “Entra em vigor a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência, que afirmou a capacidade e a autonomia desses indivíduos para exercerem atos da vida
civil em condições de igualdade com as demais pessoas, nos mais diversos campos: educação, saúde,
trabalho etc”, ao lado do texto há a imagem de uma mulher sorrindo, sentada na cadeira de rodas,
utilizando um notebook branco.
praticar
1994
Conhecido como o “ano da educação”, houve
grandes avanços para a educação inclusiva a
partir da Declaração de Salamanca. Por meio
dela, iniciou-se o processo de inclusão da
pessoa com deficiência nos ambientes
educacionais, com um ensino voltado às suas
necessidades, seja de acessibilidade, seja de
comunicação.
Fonte: kasto /
123RF.
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Windows 11
Realce
praticar
Vamos Praticar
Na atualidade, temos dois dispositivos legais de suma importância para o reconhecimento da Libras
como instrumento de legitimação da cultura surda. São eles: Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e
Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Ambos são fundamentais para a identidade surda em
nosso país, tendo em vista os direitos que garantem para esse grupo.
A partir do que foi apresentado, compare os dois dispositivos e busque identificar quais são os
principais avanços que eles trouxeram para a comunidade surda.
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Material
Complementar
indicações
FILME
O Milagre de Anne Sullivan
Ano: 1962
Comentário: O filme conta a história da escritorae filósofa Helen
Keller. Com poucos meses de idade, Helen perdeu a visão e a
audição, o que a impossibilitava de frequentar a escola e outros
locais sociais. Mesmo passando por vários médicos, o seu quadro
clínico era irreversível. Em vez de desistir, seus pais procuraram ajuda
para a garota, que, após ser levada a uma escola especializada,
conheceu Anne Sullivan, uma ex-aluna da instituição que aceitou o
desafio de educar a jovem menina. Um detalhe especial: Anne
Sullivan também tinha baixa visão e mesmo assim ajudou Helen a
concluir seus estudos. Acesse o trailer do filme clicando no link a
seguir:
TRA ILER
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LIVRO
Você disse Libras? O acesso do Surdo à Educação pelas
mãos do intérprete de Libras
Diléia AparecidaMartins Briega
Ano : 2019
Editora: Letraria
ISBN: 978-85-69395-52-2
Comentário: A obra apresenta, de maneira detalhada, o papel do
intérprete na apropriação da informação por parte do surdo. Dando
ênfase ao trabalho realizado nas avaliações do Enem, a autora
apresenta dados sobre o acompanhamento que a pessoa surda
recebe durante a realização das provas, além de outras informações
relevantes sobre o assunto.
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Conclusão
Ao longo desta unidade, aprendemos mais a respeito da história da língua de sinais. Vimos,
também, as dificuldades da pessoa surda em ser reconhecida como humana durante os vários
períodos históricos.
Discorremos, ainda, sobre os pequenos progressos conquistados a partir de pesquisadores,
médicos e educadores que se preocuparam com a questão da surdez.
Estudamos as leis de acessibilidade e o percurso histórico de nosso país com relação a construir
políticas públicas voltadas à garantia dos direitos da pessoa surda. No campo da educação,
nossa discussão se deu a partir das conquistas oriundas da língua de sinais e das leis que são
referências para a cultura surda.
Esperamos que tenha aproveitado o conteúdo! Até a próxima!
conclusão
Referências
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abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098,
de 19 de dezembro de 2000. Brasília, DF: Presidência da República, [2005]. Disponível em:
https://bityli.com/ZSsCI . Acesso em: 26 nov. 2020.
referências
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Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS e Funções Comissionadas do Poder Executivo
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