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SOLUÇÃO DE 
CONFLITOS 
JURÍDICOS
Eduardo Zaffari
Revisão técnica:
Gustavo da Silva Santanna
Bacharel em Direito
Especialista em Direito Ambiental Nacional e Internacional 
e em Direito Público
Mestre em Direito
Professor em cursos de graduação e pós-graduação em Direito 
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin — CRB 10/2147
Z17s Zaffari, Eduardo Kucker.
Solução de conflitos jurídicos / Eduardo Kucker Zaffari, 
Martha Luciana Scholze ; [revisão técnica: Gustavo da Silva
Santanna]. – Porto Alegre: SAGAH, 2018.
166 p. : il. ; 22,5 cm.
ISBN 978-85-9502-522-6
1. Direito. I. Scholze, Martha Luciana. II.Título.
CDU 34
Solucoes de Conflitos Juridicos_BOOK.indb 2 15/08/2018 10:35:32
Processo de mediação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer a importância da mediação como forma de resolução 
de conflito.
  Explicar o funcionamento do processo de mediação.
  Esquematizar o processo de mediação.
Introdução
A mediação ganhou importância no ordenamento jurídico brasileiro a 
partir da compreensão de que o Poder Judiciário não conseguia dar conta 
de suas demandas sem alternativas à Justiça formal. A incapacidade do 
Judiciário de reestabelecer vínculos rompidos pela falta de comunicação 
faz com que a Justiça tradicional nem sempre seja a mais adequada.
Dessa forma, a mediação se constitui como meio alternativo de so-
lução de conflito, que reestabelece a comunicação e permite, na maior 
parte das vezes, que os conflitantes se tornem responsáveis pelo conflito 
e componham seu litígio.
Neste capítulo, você vai estudar a importância da mediação como 
forma de resolução de conflitos. Você vai também verificar esquematica-
mente como a mediação funciona e identificar as principais características 
de cada fase, a serem observadas não apenas pelo mediador, mas por 
todos os envolvidos.
Importância da mediação como forma 
de resolução de conflito
O conceito de Justiça tem variado ao longo do tempo, conforme recorda 
Cappelletti (1988) — nos Estados liberais “burgueses” dos séculos anteriores, 
os procedimentos judiciais refl etiam uma fi losofi a essencialmente individu-
alista dos direitos. O acesso à Justiça era eminentemente formal, porque se 
entendia que bastava ao Estado garantir a possibilidade de acesso ao Poder 
Judiciário e que a parte confl itante tinha o dever de acusar ou defender-se de 
forma privada. Dessa forma, o acesso à Justiça era apenas para aqueles que 
detinham condições de custear os dispendiosos processos judiciais. Os países 
cuja formação jurídica decorrem da tradição romana herdaram o caráter 
privado, que era praticado na defesa dos direitos pelo pragmatismo romano.
À medida que as sociedades evoluíram para a valorização dos direitos 
humanos e dos relacionamentos, o caráter individualista foi dando espaço 
para o caráter coletivo, reconhecendo-se os direitos e deveres dos Estados na 
realização dos direitos ao trabalho, saúde, segurança, educação e proteção 
contra todas as espécies de discriminação. Nesse sentido, o efetivo acesso à 
Justiça passa a ser valorizado e considerado um direito humano, concretizado 
em muitas Constituições como direito fundamental. Altera-se o paradigma de 
acesso à Justiça formal para o de acesso à Justiça material, em que se faz 
necessária a garantia do efetivo acesso ao Poder Judiciário. 
O Estado brasileiro reconhece como direito fundamental e cláusula pétrea o 
acesso à Justiça, como consta na Constituição Federal de 1988, art. 5º, XXXV, 
que estabelece que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário le-
são ou ameaça a direito” (BRASIL, 1988), o que garante não apenas o acesso 
ao Poder Judiciário a todo cidadão, mas impõe ao Estado o dever de garantir 
que os jurisdicionados tenham os seus conflitos pacificados pela máquina 
estatal. Entretanto, a crescente demanda de jurisdição e um Estado cada vez 
mais incapaz de atender aos processos judiciais, em razão da falta de recursos 
humanos e financeiros, leva a uma crescente insatisfação. O Poder Judiciário 
não consegue atender ao aumento das demandas. 
Dessa forma, compreendendo o legislador que diferentes conflitos podem 
ser tratados de diferentes formas, adotando um novo paradigma de atendi-
mento ao jurisdicionado e confiando na capacidade de restabelecimento da 
comunicação, quando valorizada a autonomia de vontade dos conflitantes, 
há a busca de novos meios para a resolução dos litígios. Nos dizeres de 
Cappelletti (1988, p. 11-12): 
Os juristas precisam, agora, reconhecer que as técnicas processuais servem a 
funções sociais; que as cortes não são a única forma de solução de conflitos a 
ser considerada e que qualquer regulamentação processual, inclusive a criação 
ou encorajamento de alternativas ao sistema judiciário formal tem um efeito 
importante sobre a forma como opera a lei substantiva — com que frequência 
é executada, em benefício de quem e com que impacto social.
Processo de mediação2
A Resolução nº. 125, de 29 de novembro de 2010, do Conselho Nacional 
de Justiça (CNJ) (BRASIL, 2010), introduziu no País a política judicial em 
favor dos meios alternativos para a solução dos conflitos, apresentando as 
seguintes diretrizes: 
  institui a política pública de resolução adequada dos conflitos (art. 1º); 
  define o CNJ como organizador dessa política junto ao Poder Judiciário 
(art. 4º); 
  impõe aos Tribunais o dever de criar centros de solução de conflitos 
e cidadania (art. 7º); 
  regulamenta a atuação dos conciliadores e dos mediadores, impondo 
um Código de Ética (art. 12 e anexo); 
  determina a criação, mantença e publicidade de estatísticas dos resul-
tados dos Centros de Conciliação (art. 13); 
  define o currículo mínimo para os cursos de capacitação de mediadores 
e conciliadores.
A Resolução nº. 125/2010 do CNJ traz os deveres éticos e as obrigações do mediador 
e do conciliador, estabelecendo, no anexo III, o Código de Ética de Conciliadores e 
Mediadores Judiciais. 
A Lei nº. 13.140, de 26 de junho de 2015 (BRASIL, 2015a), constituiu o 
marco legal da mediação, posto que dispôs da mediação como meio adequado 
para a solução de conflitos entre particulares e entre estes e a Administração 
Pública. Incorporando os Projetos de Lei do Senado nº. 517/2011, nº. 443/2011 
e nº. 405/2013, abarcou quase toda a matéria sobre mediação.
O CPC de 2015 (BRASIL, 2015b) estabelece, entre as chamadas normas 
fundamentais do processo civil, as quais irradiam as suas prescrições para 
todo o sistema processual, no art. 3º, que “A conciliação, a mediação e outros 
métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, 
advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no 
curso do processo judicial”. Dedica, ainda, uma seção inteira sobre conciliação 
e mediação. Há expressa opção legislativa na implantação e observância de 
métodos alternativos para a resolução dos conflitos.
3Processo de mediação
O termo mediação procede do latim mediare, que significa mediar, in-
tervir, dividir ao meio. A palavra mediação evoca a ideia de centro, de meio, 
de equilíbrio, em que há alguém entre os conflitantes, não sobre eles. Na 
mediação, conforme Didier Junior (2015, p. 276), o terceiro imparcial, deno-
minado mediador, deve:
[...] servir como veículo de comunicação entre os interessados, um facilitador 
do diálogo entre eles, auxiliando-os a compreender as questões e interesses 
em conflito, de modo que eles possam identificar, por si mesmos, soluções 
consensuais que gerem benefícios mútuos. Na técnica da mediação, o mediador 
não propõe soluções aos interessados.
Trata-se de um meio autocompositivo em que os conflitantes buscarão 
reestabelecer a comunicação por meio de técnicas específicas, que permitirão 
a identificação das melhores alternativas para a solução do conflito. Como 
refere Didier Junior (2015, p. 276), a mediação é:
[...] mais indicada nos casos em que exista uma relação anteriorcomportamentais que o façam resistir a B. Esse comportamento pode 
incluir a dificuldade em se praticar uma postura dialógica de compor o conflito. 
Cabe ao magistrado identificar esse elemento e expurgá-lo na medida do possível, 
visando remover os obstáculos para a pacificação do conflito.
É importante mencionar que um dos principais fundamentos modernos 
para os conflitos é a teoria dos jogos. Embora tenha a sua origem em um dos 
ramos da matemática, após a Primeira Guerra Mundial (1944), e tenha sido 
concebida para análises econômicas, a teoria dos jogos é aplicada abundante-
mente nos campos da administração, da economia, da matemática, das ciências 
políticas, do jornalismo e da filosofia. Para a referida teoria, a definição de 
conflito complementa aquela proposta por Deutsch (1973), segundo a qual a 
chave do conflito é a incompatibilidade entre atividades e foge às perspectivas 
tradicionais de abordagem do conflito como disputa pelo poder e pela riqueza.
Os conflitos podem ter resultados positivos ou negativos, que dependem de diversos 
fatores, desde o motivo do conflito até mesmo a forma como foi tratado. Nos conflitos 
nas organizações, podemos citar como efeitos positivos o despertar de sentimentos 
e a renovação da energia do grupo, fazendo com que muitas vezes a equipe busque 
meios mais eficazes de realizar tarefas e soluções criativas e inovadoras. Como efeitos 
negativos, podemos citar as consequências indesejáveis para o bom funcionamento 
da organização, como sentimentos de frustação, hostilidade e tensão, que prejudi-
cam tanto o desempenho das tarefas como o bem-estar das pessoas. Geralmente é 
desperdiçada muita energia na resolução de conflitos, que poderia ser direcionada 
para o trabalho, e podem surgir comportamentos que prejudicam a cooperação e o 
relacionamento entre as pessoas do grupo.
5Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória
C04_Modernas_teoria_conflito.indd 5 27/06/2018 17:15:37
Reflexos das teorias do conflito na conciliação 
Entre os meios extrajudiciais de solução de confl itos (MESCs), os mais 
usuais e conhecidos são a arbitragem, a conciliação, a negociação e a mediação.
Na arbitragem, enquanto instrumento de heterocomposição, aparece a 
figura de um terceiro, ou colegiado, com a atribuição de decidir o litígio que 
a ele foi submetido pela vontade das partes. Dessa forma, a arbitragem se 
caracteriza, ainda, como um método adversarial, no sentido de que a posição 
de uma das partes se contrapõe à da outra, outorgando-se autoridade ao árbitro 
para solucionar a questão. A decisão do árbitro se impõe às partes, tal qual 
uma sentença judicial; a diferença é que não foi proferida por um integrante 
do Poder Judiciário. Nesse contexto, a eleição desse instituto e de uma série 
de regras a ele pertinentes será consensual, mas a resolução do conflito pelo 
terceiro se torna obrigatória às partes, mesmo contrariando a sua vontade ou 
pretensão. A participação das partes, nesse instrumento, se volta à formulação 
de pretensões e ao fornecimento de elementos que contribuam com o árbitro 
para que este venha a decidir o litígio.
Já na negociação, conciliação e mediação, a solução da divergência 
é buscada pelos próprios envolvidos, de forma consensual, não imposta. 
Anda-se pela trilha da autocomposição, no espaço de liberdade de escolha 
e decisão quanto à solução a ser dada ao conflito. O terceiro, quando aqui 
aparece, funciona como um intermediário ou facilitador da aproximação e 
da comunicação entre as partes, instigando a reflexão de cada qual sobre o 
conflito, a sua origem e as suas repercussões, para que as partes, voluntaria-
mente, cheguem a um consenso ou ao reequilíbrio da relação. A negociação 
é rotineiramente utilizada para a contratação (formação da relação jurídica) 
e praticamente integra a natureza humana, mas também pode ser aproveitada 
para a solução de divergências.
Diferentemente da negociação, a mediação e a conciliação pressupõem 
a intervenção de um terceiro imparcial, para facilitar a composição entre 
os interessados. O terceiro aqui aparece para ajudar as partes a encontrar 
a melhor solução para o conflito. Embora com passagem obrigatória pela 
análise do conflito, o foco principal na conciliação é a solução do problema. 
A meta é alcançar um acordo razoável às partes. Para Cahali (2017), o con-
ciliador, seja juiz ou não, fica na superfície do conflito, sem adentrar nas 
relações intersubjetivas, nos fatores que desencadearam o litígio, focando 
mais as vantagens de um acordo em que cada um cede um pouco para 
sair do problema. Não existe a preocupação de aprofundar-se nas questões 
subjetivas e emocionais e nos fatores que desencadearam o conflito, pois 
Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória6
C04_Modernas_teoria_conflito.indd 6 27/06/2018 17:15:37
isso demandaria sair da esfera da dogmática jurídica e dos limites objetivos 
da controvérsia. Esse método é mais adequado para a solução de conflitos 
objetivos, nos quais as partes não tiveram convivência ou vínculo pessoal 
anterior, cujo encerramento se pretende. O conflito é circunstancial, sem 
perspectiva de gerar ou restabelecer uma relação continuada envolvendo 
as partes. 
A criatividade deve ser um dos principais atributos do conciliador. Dele, espera-se 
talento na condução das tratativas e na oferta de diversas opções de composição 
equilibrada, para as partes escolherem. Um exemplo são as situações de acidentes de 
trânsito com danos materiais, em que as partes apresentam orçamentos para reparos 
dos veículos e conciliam o que fica melhor para ambas — cada uma cede um pouco 
e se chega à resolução do conflito existente.
Historicamente, a conciliação tem intimidade com o Judiciário, verificada 
a sua incidência no curso do processo, por iniciativa do próprio magistrado, 
diante de determinação legal para se tentar conciliar as partes, com previsão, 
inclusive, de audiência. Ganha cada vez mais espaço a utilização desse meio 
alternativo de solução de conflito extrajudicialmente, por meio de profissionais 
independentes ou instituições próprias. 
Exemplos usuais de situações em que a conciliação é recomendada incluem:
  acidentes de trânsito;
  responsabilidade civil em geral;
  divergências comerciais entre consumidor e fornecedor do produto, 
entre clientes e prestadores de serviços, etc.
7Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória
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O tema das modernas teorias do conflito pode ser encon-
trado em livros, filmes e trabalhos científicos.
A dica é o filme Beleza Americana, do ano de 1999. 
Analisando-o pelo viés moderno da teoria dos confli-
tos, é possível identificar a desconstrução de vários 
preceitos norteadores da cultura e dos valores morais 
norte-americanos. 
Uma leitura que nos apresenta as teorias dos conflitos 
é intitulada As teorias do conflito: contribuições doutrinárias 
para uma solução pacífica dos litígios e promoção da cultura 
da consensualidade, de Humberto Lima de Lucena Filho, 
disponível no link abaixo ou código ao lado: 
https://goo.gl/7zN4Lp 
1. Palavras de ordem, símbolos, 
propaganda, atos públicos, 
vandalismo e violência são 
manifestações de hostilidade 
frequentes contra estrangeiros 
na Europa. Os países onde mais 
intensamente têm ocorrido 
esses fatos são Alemanha, 
França, Inglaterra, Bélgica 
e Suíça. Sobre a afirmação 
acima é correto dizer que:
a) trata-se de um conflito étnico, 
que para a teoria do conflito é 
uma forma de manifestação de 
vontade, de cultura e de raça.
b) trata-se de casos isolados 
de preconceito contra 
estrangeiros.
c) são manifestações 
pontuais que ocorreram na 
Europa em determinado 
momento da economia.
d) trata-se de brigas internas 
entre países que buscam 
defender a sua economia.
e) são atos que acontecem 
no mundo inteiro, não 
apenas na Europa, visando 
à proteção de fronteiras.
2. No nosso estudo,percebemos 
que é difícil conceituar a palavra 
conflito. Sobre esse conceito, 
analise as assertivas abaixo e 
assinale a alternativa correta:
I. O conflito pode se transformar 
em disputa, que é um conflito 
interpessoal comunicado ou 
manifestado. Um conflito não se 
transforma em disputa a não ser 
tenha a participação de alguém, 
na forma de incompatibilidade 
ou contestação.
II. Conflito e competição 
podem sempre ser utilizados 
Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória8
C04_Modernas_teoria_conflito.indd 8 27/06/2018 17:15:39
https://goo.gl/7zN4Lp
como sinônimos.
III. O conflito pode ser negativo 
ou positivo, e é importante 
para a sociedade que ele 
exista, visto que, por meio 
dele, as ideias podem ser 
discutidas e defendidas.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas a afirmativa 
II está correta.
c) Apenas as afirmativas I 
e III estão corretas.
d) As afirmativas I, II e III 
estão corretas.
e) Todas as afirmativas 
estão incorretas.
3. Com relação às teorias que 
estudam o conflito, a teoria 
condutista nos apresenta:
a) a valorização do 
papel do estímulo em 
determinada situação.
b) o relacionamento entre os 
indivíduos e as influências 
destes na eclosão de conflitos 
e sua consequente resolução.
c) que o centro dessa corrente 
não se situa na ordem 
psíquica, mas, sim, nos reforços 
dados aos indivíduos.
d) o conflito como sendo 
um desdobramento do 
comportamento humano.
e) as variáveis sociais que 
envolvem a aplicação da 
noção de ator racional, 
que não envolve somente 
inflexões comportamentais.
4. No que diz respeito aos métodos 
alternativos de resolução de 
conflitos, podemos afirmar que:
a) na arbitragem, a resolução 
do conflito pelo terceiro se 
torna obrigatória às partes, 
mesmo contrariando a sua 
vontade ou pretensão.
b) na mediação, o terceiro 
envolvido deve proferir uma 
decisão conforme as provas que 
foram apresentadas pelas partes.
c) na conciliação, além de resolver 
o conflito, também está em 
jogo aproximar as partes.
d) na arbitragem, a sentença 
arbitral deve ser homologada 
pelo Poder Judiciário.
e) na mediação, as partes 
devem apresentar provas 
do conflito, e é o juiz quem 
determinará a solução deste.
5. Sobre a conciliação, analise as 
afirmativas abaixo e assinale 
a alternativa correta.
I. É mais adequada para a solução 
de conflitos objetivos, nos 
quais as partes não tiveram 
convivência ou vínculo pessoal 
anterior, em que se pretende 
a resolução do conflito.
II. A solução da divergência 
é buscada pelos próprios 
envolvidos, de forma 
consensual, não sendo imposta 
pelo Poder Judiciário.
III. O terceiro imparcial aparece para 
ajudar as partes a encontrarem 
a melhor solução ao conflito e 
alcançarem um acordo razoável.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas a afirmativa 
II está correta.
c) Apenas as afirmativas I 
e III estão corretas.
d) As afirmativas I, II e III 
estão corretas.
e) Todas as afirmativas 
estão incorretas.
9Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória
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CAHALI, F. J. Curso de arbitragem. 6. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017. 
DEUTSCH, M. The resolution of conflict: constructive and destructive processes. New 
Haven and London: Yale University Press, 1973.
MORAIS, J. B.; SPENGLER, F. M. Mediação e arbitragem: alternativas à jurisdição. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2018.
Leituras recomendadas
ANDERY, F. R. O conflito como elemento constitutivo, estrutural e permanente no 
conceito do político de Carl Schmitt. Revista Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2787, 17 
fev. 2011. Disponível em: . 
Acesso em: 18 jun. 2018.
LEITE, G. As modernas teorias do conflito e promoção da cultura da paz em face da 
contemporaneidade. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis, 6 Jun. 2017. Disponível 
em: . Acesso em: 18 jun. 2018.
Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória10
C04_Modernas_teoria_conflito.indd 10 27/06/2018 17:15:40
https://jus.com.br/artigos/18493/o-conflito-comoelemen-
http://investidura.com.br/biblioteca-juridica/artigos/processocivil/335759-as-moder-
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
SOLUÇÃO DE 
CONFLITOS 
JURÍDICOS
Martha Luciana 
Scholze
 
Possibilidades 
autocompositivas e 
heterocompositivas 
para tratar os conflitos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Diferenciar as possibilidades autocompositivas de conflitos das 
heterocompositivas.
  Definir autotutela.
  Descrever as características da conciliação, negociação, mediação, 
arbitragem e jurisdição. 
Introdução
Além da jurisdição, que é o poder do Estado para dirimir conflitos e tomar 
decisões sobre direitos buscados pelas partes, existem as possibilidades 
autocompositivas de solução de conflitos, como a mediação e a conci-
liação, que são mais céleres e menos onerosas para as partes e para o 
Estado. Além disso, por meio delas, muitas vezes as partes conseguem 
realizar acordos em que ambas saem satisfeitas.
Neste capítulo, você vai estudar as possibilidades autocompositivas 
e heterocompostivas de solução de conflitos, explorando as caracterís-
ticas e os conceitos de conciliação, negociação, mediação, arbitragem 
e jurisdição. Você também vai aprender sobre a autotutela e ver que, 
apesar de constituir crime, conforme nosso ordenamento jurídico, em 
alguns casos esse recurso pode ser admitido, como na legítima defesa.
C05_Possibilidades_autocompositivas.indd 1 28/06/2018 08:20:27
Possibilidades autocompositivas 
e heterocompositivas de conflitos
Na autocomposição, o confl ito é solucionado pelas partes, sem a intervenção 
de outros agentes no processo de pacifi cação. É uma forma de solução de 
confl itos em que os próprios confl itantes resolvem a controvérsia de modo 
negocial, ou seja, entram em acordo. A principal vantagem da autocom-
posição é a celeridade processual, visto que as próprias partes se ajustam 
para solucionar o confl ito. Existem algumas formas de autocomposição, e 
as principais são as seguintes:
  Conciliação — nesse caso, é eleito um conciliador, que é responsável por 
aproximar as partes na tentativa de que as mesmas cheguem a um acordo.
  Mediação — é semelhante à conciliação; é eleito um mediador que, além 
de aproximar as partes, também apresenta propostas para a solução do 
conflito. Nesse caso, é necessário que o mediador possua conhecimento 
técnico para induzir as partes a um acordo.
  Transação — essa forma de autocomposição possui um elemento es-
sencial, a res dúbia, ou coisa duvidosa. É aplicável nos casos em que 
existe direito objetivo, como FGTS não pago, por exemplo: o interessado 
tem direito, mas alega que fazia horas-extras no trabalho (essa última 
alegação deve ser provada, caso exista dúvida). 
De um modo geral, a autocomposição é admitida quando o conflito não 
envolve direitos intimamente ligados ao próprio modo de ser da pessoa. Esses 
direitos íntimos são chamados direitos de personalidade (honra, liberdade, 
intimidade, vida). 
As modalidades de autocomposição são:
  a renúncia, quando o titular de um direito dele se despoja, por ato 
unilateral seu, em favor de alguém; 
  a aceitação (resignação/submissão), quando uma das partes reconhece 
o direito da outra, passando a se conduzir em consonância com esse 
reconhecimento; 
  a transação, quando as partes que se consideram titulares do direito solu-
cionam o conflito por meio da implementação de concessõesrecíprocas. 
Possibilidades autocompositivas e heterocompositivas para tratar os conflitos2
C05_Possibilidades_autocompositivas.indd 2 28/06/2018 08:20:27
Lembrando que as modalidades acima podem ocorrer tanto no âmbito 
exclusivo da sociedade civil, classificando-se como extraprocessuais, quanto 
no interior de um processo judicial, enquadrando-se como endoprocessuais.
Já a heterocomposição ocorre quando o conflito é solucionado por meio 
da intervenção de um agente exterior à relação conflituosa original. Em vez de 
isoladamente ajustarem a solução de sua controvérsia, as partes submetem a 
terceiro seu conflito, em busca de solução a ser por ele firmada ou, pelo menos, 
por ele instigada ou favorecida. A heterocomposição é a técnica pela qual as 
partes elegem um terceiro para “julgar” a lide com as mesmas prerrogativas 
do poder judiciário. As duas formas principais são: arbitragem (conforme a 
Lei nº. 9.307, de 23 de setembro de 1996) e jurisdição.
No que diz respeito à arbitragem, ao escolhê-la como opção para solução 
do conflito, fica excluída a jurisdição, exceto se as partes desistirem da arbi-
tragem. Ou seja, se o conflito, sem vício, for transitado em julgado, não será 
mais apreciado pelo Poder Judiciário, e em caso de impetração de ação, o juiz 
emitirá sentença terminativa sem julgamento de mérito, por ter sido o conflito 
solucionado por arbitragem. Para a utilização da arbitragem, é necessário 
que o bem seja disponível e patrimonial, ou seja, de valor econômico, como 
contratos, bens móveis e imóveis, entre outros.
Tanto a autocomposição quanto a heterocomposição são solução de conflitos válidas 
no nosso sistema vigente, devendo ser devidamente utilizadas de forma a dirimir os 
conflitos de interesses existentes. 
Autotutela
Quando há um confl ito entre duas pessoas, criado por uma causa de insatis-
fação, em princípio, o Direito impõe que seja chamado o Estado-juiz para 
dar fi m a essa situação, o qual dirá qual a vontade do ordenamento jurídico 
para o caso concreto e, se for o caso, fará com que as coisas se disponham, 
na realidade prática, conforme essa vontade (execução). 
3Possibilidades autocompositivas e heterocompositivas para tratar os conflitos
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Contudo, nem sempre foi assim. Nas fases primitivas da civilização, não 
existia um Estado suficientemente forte para superar os ímpetos individua-
listas dos homens e impor o direito acima da vontade dos particulares. Com 
isso, inexistia um órgão estatal que, com soberania e autoridade, garantisse 
o cumprimento do Direito, nem sequer havia a lei.
Assim, quem pretendesse alguma coisa que outrem o impedisse de 
obter, haveria de, com a sua própria força, tratar de conseguir a satisfação 
da sua pretensão. A própria repressão aos atos criminosos se fazia em 
regime de vingança, sem a interposição de órgãos ou pessoas imparciais 
ou independentes e desinteressadas ao fato. A esse regime, chama-se de 
autotutela. Hoje, encarando-a do ponto de vista cultural, é fácil ver como a 
autotutela era precária e aleatória, pois não garantia a justiça, mas a vitória 
do mais forte, mais astuto ou mais ousado sobre aquele que era mais fraco 
ou mais tímido.
Para Cintra, Grinover e Dinamarco (2014), são fundamentalmente dois 
os traços característicos da autotutela: ausência de juiz distinto das partes 
e imposição da decisão por uma das partes à outra. Em regra, a autotutela é 
vedada pelos ordenamentos jurídicos dos povos civilizados. É uma conduta 
tipificada como crime, pois consiste no exercício arbitrário das próprias ra-
zões, se for um particular, e no exercício arbitrário ou abuso de poder, se for 
o Estado, em sentido amplo.
Como mecanismo de solução de conflitos, entretanto, a autotutela ainda é 
vigente em alguns pontos do ordenamento, como na legítima defesa, no direito 
de greve, no direito de retenção e no privilégio do poder público de executar 
os seus próprios atos, a que se dá o nome de autoexecutoriedade, a qual é 
um princípio da Administração Pública.
Conforme Oliveira (2013), mesmo com todo o aparato legal regulador, ainda é 
muito comum que existam conflitos, e nem sempre a legislação é suficiente para 
dirimi-los. Isso gera a insatisfação de, no mínimo, uma das partes envolvidas. Dessa 
forma, a autocomposição pode ser aplicada para a solução dos conflitos, nos casos 
em que o direito seja material e disponível, e que não esteja diretamente ligado à 
personalidade.
Possibilidades autocompositivas e heterocompositivas para tratar os conflitos4
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Conciliação, negociação, mediação, 
arbitragem e jurisdição 
A conciliação é uma conversa/negociação que conta com a participação de 
uma pessoa imparcial para favorecer o diálogo e, se necessário, apresentar 
ideias para a solução do confl ito. Segundo o Código de Processo Civil (Lei nº. 
13.105, de 16 de março de 2015), o conciliador, que atuará preferencialmente 
nos casos em que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir 
soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de cons-
trangimento ou intimidação para que as partes conciliem. 
No Brasil, conciliação e mediação são vistos como meios distintos de so-
lução de conflitos. Essa visão decorre, em grande parte, da evolução histórica 
desses instrumentos na sociedade. O CPC reafirmou essa diferenciação em 
seu art. 165. Na conciliação, o terceiro facilitador da conversa interfere de 
forma mais direta no litígio e pode chegar a sugerir opções de solução para 
o conflito (art. 165, § 2º).
A negociação é rotineiramente utilizada para a contratação (formação 
da relação jurídica) e praticamente integra a natureza humana, mas também 
pode ser aproveitada para a solução de divergências. Para Cahali (2017), trata-
-se de um processo pelo qual duas ou mais partes, partindo de um suposto 
conflito, procuram obter, mediante decisão comum, um resultado melhor do 
que teriam obtido por outros meios. Negociam com trocas de vantagens e 
diminuição de perdas, aproveitam oportunidades e situações de conforto e, 
com isso, esperam um resultado que deve propiciar ganhos recíprocos, em 
condições mutuamente aceitáveis; caso contrário, o acordo será rejeitado por 
uma das partes. A negociação pode ser dividida em negociação por princípios 
e negociação posicional.
A negociação posicional é aquela cujos negociadores se tratam como 
oponentes, o que implica pensar na negociação em termos de um ganhar e 
outro perder. O negociador pressiona ao máximo e cede o mínimo possível. 
Tem um olhar para determinado foco, é polarizado em uma das partes e 
proporciona prejuízos na relação social dos envolvidos, pois uma parte se 
sente cedendo à intransigência da outra. Já a negociação por princípios induz 
que os negociadores busquem saídas que não dependam do outro lado para 
ficar numa situação mais confortável durante a negociação. A honestidade 
e a busca por um acordo que satisfaça aos dois lados são apontados como 
características desse método. 
5Possibilidades autocompositivas e heterocompositivas para tratar os conflitos
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A negociação por princípios, ou negociação baseada em méritos, sugere 
obtenção de resultados sensatos e justos, em que são abordados os interesses 
reais dos envolvidos, não as suas posições. Essa negociação deverá passar 
por quatro fases: 
  separação das pessoas dos problemas;
  foco nos interesses, não em posições;
  geração de opções de ganhos mútuos;
  utilização de critérios objetivos. 
A mediação, por sua vez, costuma representar um procedimento mais 
longo, em que, às vezes, são necessárias diversas sessões para que as partes 
consigam restabelecer o diálogo perdido. A indicação da mediação pressupõe 
que as partes em conflito têm uma relação mais intensa e prolongada, podendo 
esse relacionamento consistir tanto em vínculos pessoais quantojurídicos. O 
foco na mediação é o conflito, e não a solução. Na mediação, com o tratamento 
às partes, pretende-se o restabelecimento de uma convivência com equilíbrio 
de posições, independentemente de se chegar a um acordo, embora este seja 
naturalmente desejado. Utiliza-se a mediação para conflitos com elementos 
subjetivos marcantes, como nas relações familiares e na dissolução de empre-
sas. É sugerida igualmente em outras relações continuadas, como relações de 
vizinhança, contratos de franquias, etc.
Na arbitragem há, de fato, uma decisão proferida por um terceiro neu-
tro, que terá natureza declaratória, constitutiva, condenatória ou até mesmo 
mandamental. A decisão arbitral se equipara, por determinação legal, a uma 
decisão judicial, e constitui título executivo judicial. Existem alguns princípios 
norteadores básicos da arbitragem que devem ser considerados por todos 
que têm interesse em entender o seu funcionamento e a sua aplicação:
  autonomia da vontade e autonomia privada;
  livre eleição da lei aplicável, desde que não haja violação dos bons 
costumes e da ordem pública;
  possibilidade de aplicação de jurisdição por equidade ou princípios 
gerais do Direito;
Possibilidades autocompositivas e heterocompositivas para tratar os conflitos6
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  devido processo legal (princípio de igualdade, contraditório, de ampla 
defesa, de imparcialidade e independência jurídica dos árbitros, de 
livre convencimento motivado dos árbitros, dentre outros princípios 
constitucionais);
  efeito vinculante da cláusula arbitral – a arbitragem é obrigatória entre 
as partes que fazem parte do negócio jurídico;
  inevitabilidade dos efeitos da sentença arbitral, fazendo coisa julgada 
material e constituindo título executivo judicial;
  autonomia entre cláusula compromissória e contrato (eventual irre-
gularidade ou invalidade do contrato não invalida a cláusula compro-
missória); e
  competência-competência, que confere ao árbitro a autoridade para 
analisar a sua própria competência.
A jurisdição se caracteriza como a capacidade que o Estado tem de decidir 
imperativamente e impor decisões. O poder estatal abrange a capacidade de 
dirimir os conflitos que envolvem as pessoas, inclusive o próprio Estado, 
decidindo sobre as pretensões apresentadas e impondo as decisões. Pela juris-
dição, os juízes agem em substituição às partes, que não podem fazer justiça 
com as próprias mãos. A elas, que não podem mais agir, resta a possibilidade 
de fazer agir, provocando o exercício da função jurisdicional. 
Como a jurisdição se exerce por meio do processo, para Cintra, Grinover 
e Dinamarco (2014), pode-se provisoriamente conceituar a jurisdição como 
o instrumento por meio do qual os órgãos jurisdicionais atuam para paci-
ficar as pessoas conflitantes, eliminando os conflitos e fazendo cumprir o 
preceito jurídico pertinente a cada caso que lhes é apresentado, em busca 
de solução. Em resumo, a jurisdição é a função típica do Poder Judiciário, 
que será exercida pela aplicação da lei ao caso concreto a fim de solucionar 
conflitos entre as partes.
O que distingue a jurisdição das demais funções do Estado (legislação, 
administração) é, fundamentalmente, a finalidade pacificadora com que o 
Estado a exerce. A pacificação é o escopo máximo da jurisdição e, por con-
sequência, de todo o sistema processual. É um escopo social, uma vez que 
se relaciona com o resultado do exercício da jurisdição perante a sociedade e 
sobre a vida de seus membros.
7Possibilidades autocompositivas e heterocompositivas para tratar os conflitos
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Os temas da mediação, arbitragem, conciliação e negociação podem ser encontrados 
em diversos trabalhos científicos.
A dica de leitura é o trabalho de conclusão de curso de Liliane Barbosa Barreto 
intitulado A problemática das comissões de conciliação prévia, disponível no link a seguir.
https://goo.gl/sfBx8p
A mediação, a conciliação e a arbitragem são meios céleres de resolução de conflitos. 
A mediação, por exemplo, é muito utilizada em situações de Direito de Família, nas 
quais a celeridade do processo interessa a todas as partes, como na guarda dos filhos, 
na decisão sobre pagamentos de alimentos, na regulamentação de visitas, etc. A 
celeridade desse tipo de processo interessa a todas as partes.
1. Sobre o método heterocompositivo 
de solução de conflitos, 
podemos afirmar que:
a) o conflito é solucionado pelas 
partes, sem a intervenção 
de outros agentes no 
processo de pacificação.
b) é uma forma de solução de 
conflitos em que os próprios 
conflitantes resolvem a 
controvérsia de modo negocial, 
ou seja, entram em acordo.
c) é admitido sempre que 
não se trate de direitos 
intimamente ligados ao próprio 
modo de ser da pessoa.
d) os principais exemplos são a 
mediação e a conciliação.
e) ocorre quando o conflito 
é solucionado por meio 
da intervenção de um 
agente exterior à relação 
conflituosa original.
2. Sobre a autotutela, é 
correto afirmar que:
a) é o mecanismo mais utilizado 
quando o Poder Judiciário 
não encontra meios de 
julgar um conflito.
b) nos dias atuais, é a forma 
encontrada por aqueles que 
pretendem obter alguma 
coisa, para conseguir obtê-la.
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https://goo.gl/sfBx8p
c) é uma conduta, em regra, 
tipificada como crime, pois 
não se pode realizar o exercício 
arbitrário das próprias razões.
d) não é aceita em hipótese alguma.
e) do ponto de vista cultural, 
é a forma mais estável de 
resolução de conflitos.
3. Sobre a negociação, analise 
as assertivas abaixo e assinale 
a alternativa correta.
I. É um processo em que duas 
ou mais partes, partindo de 
um suposto conflito, procuram 
obter, mediante decisão 
comum, um resultado melhor 
do que teriam obtido por 
outros meios, além de negociar 
com trocas de vantagens e 
diminuição de perdas.
II. Pode-se afirmar que a 
negociação integra a natureza 
humana, visto que sempre 
estamos em via de negociações.
III. A negociação por princípios 
sugere obtenção de resultados 
sensatos e justos, em que 
são abordados os interesses 
reais dos envolvidos, e 
não as suas posições.
a) Apenas a afirmativa II está correta.
b) Apenas a afirmativa III está correta.
c) Apenas as afirmativas I 
e III estão corretas.
d) As afirmativas I, II e III 
estão corretas.
e) Apenas as afirmativas I 
e II estão corretas.
4. Sobre a arbitragem, é 
correto afirmar que:
a) utiliza-se para conflitos 
com marcantes elementos 
subjetivos, como nas relações 
familiares e em outras 
relações continuadas, como 
relações de vizinhança, 
contratos de franquias, etc.
b) o árbitro atuará 
preferencialmente nos casos 
em que houver vínculo anterior 
entre as partes, pois assim saberá 
qual lado do conflito merece 
melhor atenção e poderá 
sugerir soluções para o litígio.
c) sua sentença se equipara a 
uma decisão judicial e constitui 
título executivo judicial.
d) é princípio da arbitragem 
a livre eleição da lei 
aplicável, podendo violar 
a ordem pública.
e) não há a possibilidade de 
aplicação de jurisdição por 
equidade ou princípios 
gerais do Direito.
5. No que diz respeito à jurisdição, 
é correto afirmar que:
a) é o poder estatal que abrange 
a capacidade de dirimir os 
conflitos, decidindo sobre 
as pretensões apresentadas 
e impondo as decisões.
b) o conflito é o propósito 
máximo da jurisdição.
c) a função jurisdicional é, 
principalmente, avaliar as 
condições de conflito que 
as partes apresentam.
d) é o poder da iniciativa privada 
para dirimir conflitos, decidindo 
por meio de árbitros as 
situações conflitantes que 
as partes apresentam.
e) na jurisdição, os juízes avaliam 
as situações de conflitos 
que a justiça pelas próprias 
mãos e a autodefesa não 
conseguiram solucionar.
9Possibilidades autocompositivase heterocompositivas para tratar os conflitos
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BRASIL. Lei nº. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Diário Oficial 
[da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 mar. 2015. Disponível em: . Acesso em: 14 jun. 2018.
CAHALI, F. J. Curso de arbitragem. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017.
CINTRA, A. C. A.; GRINOVER, A. P.; DINAMARCO, C. R. Teoria geral do processo. 30. ed. 
São Paulo: Malheiros, 2014.
OLIVEIRA, G. C. Técnicas de solução de conflitos: autocomposição e heterocomposição. 
Conteúdo Jurídico, Brasília, 19 dez. 2013. Disponível em: . Acesso em: 10 jun. 2018.
Leituras recomendadas
ALEM, F. P. Arbitragem. São Paulo: Saraiva, 2009.
MORAIS, J. B.; SPENGLER, F. M. Mediação e arbitragem: alternativas à jurisdição. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2018. 
Possibilidades autocompositivas e heterocompositivas para tratar os conflitos10
C05_Possibilidades_autocompositivas.indd 10 28/06/2018 08:20:29
http://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
http://www.conteudojuridico/
http://com.br/?artigos&ver=2.46327&seo=1
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.e permanente 
entre os interessados, como nos casos de conflitos societários e familiares. A 
mediação será exitosa quando os envolvidos conseguirem construir a solução 
negociada do conflito.
A mediação é um importante meio de resolução dos conflitos familiares, empresariais, 
sucessórios e de relações de propriedade, como nos direitos de vizinhança. 
Tartuce (2018, p. 467) esclarece que “o mediador estimula a criatividade 
e fomenta a elaboração de propostas pelos envolvidos; ele não as cria nem as 
apresenta, reservando a autoria e o protagonismo de cada um”. Isso porque o 
mediador busca levar os conflitantes a se responsabilizarem pelo litígio, para 
que, por meio de uma comunicação de sucesso e uma ética de alteridade, possam 
os litigantes aparar as divergências e compreender que emoções reprimidas 
podem impedir que os interesses envolvidos sejam atendidos.
Por essa razão, o CPC de 2015 (BRASIL, 2015b) e a Lei de Mediação 
(BRASIL, 2015a) estabelecem os princípios norteadores da mediação, os 
Processo de mediação4
quais deverão ser observados para o sucesso desse meio alternativo como 
forma de pacificação social:
1. imparcialidade do mediador;
2. isonomia entre as partes;
3. oralidade;
4. informalidade;
5. autonomia da vontade das partes;
6. busca do consenso;
7. confidencialidade;
8. boa-fé.
Observe que os meios usuais de resolução de conflitos pelo Poder Judiciário 
podem ser, em alguns momentos, opressivos e confrontadores. Isso porque o 
processo judicial tem uma série de ritos, expressões e usos que podem ser, para 
o leigo, intimidadores. Os meios alternativos de solução de conflitos devem 
ser acolhedores, tendo em vista reestabelecer a comunicação e permitir que 
os conflitantes se responsabilizem pelo conflito e busquem a alternativa que 
melhor lhes convém.
Mesmo diante das vantagens do processo mediativo — decorrentes da 
autocomposição —, no qual as partes têm a condição de se sentirem prota-
gonistas na solução do conflito, há ainda resistências que têm sido vencidas 
aos poucos, como:
  o fato de ser um instrumento novo de resolução de conflitos, carecendo 
de aceitação cultural;
  a falta de regulamentação em alguns países;
  a mudança de paradigma para uma perspectiva de verdade consensual, 
diferentemente de uma verdade processual, e de uma responsabilidade 
que não gera sanção, o que, por ser de escolha das partes, evoca nos 
juristas a ideia de uma Justiça privada.
Funcionamento da mediação
O reestabelecimento da comunicação e a convergência de interesses se tornam 
difíceis quando os confl itantes estão com os sentimentos muito acirrados em 
relação aos outros confl itantes. Nesse contexto, o mediador tem que atuar 
5Processo de mediação
como facilitador do diálogo, observando etapas e técnicas que permitam 
viabilizar o entendimento entre as partes.
Observe que a mediação poderá ser judicial ou extrajudicial, sendo indicada 
aos conflitantes que tenham um vínculo anterior. A identificação dos interesses 
facilitará a criação de soluções para a resolução do conflito. A possibilidade 
de o processo mediativo ser realizado judicial ou extrajudicialmente, aliada 
ao princípio da informalidade, que deverá atuar como diretriz norteadora, 
determinam a flexibilização procedimental. Ou seja, embora a mediação 
tenha uma série de atos que podem ser seguidos pelo mediador, este não está 
obrigado a segui-los e, com o tempo, poderá desenvolver suas próprias técnicas. 
A possibilidade de adoção, pelo mediador, de um tom informal não dispensa 
uma técnica e, eventualmente, um roteiro a ser seguido.
Tartuce (2018, p. 260) afirma que “[...] embora certas vertentes defendam 
um modo mais livre de atuação, pode ser interessante que o mediador conte 
com uma sequência lógica de iniciativas para abordar as diferenças entre as 
pessoas na gestão dos conflitos”. As etapas a serem seguidas pelo mediador 
servirão como linhas mestras, que deverão ser flexibilizados sempre que o 
mediador compreender que a adoção de outros meios seja necessária para 
o reestabelecimento da comunicação. Há que se considerar, ainda, que as 
diferentes concepções sobre o conflito e as suas complexidades obrigam 
que o seu tratamento seja realizado de forma interdisciplinar, fazendo uso 
da psicologia, da filosofia, da matemática, da sociologia, da antropologia e 
de diversas outras ciências que possam, cada uma à sua maneira, auxiliar no 
reestabelecimento da comunicação e permitir que os conflitantes busquem 
o consenso. Não há dúvidas de que a mediação é única, consistindo em um 
meio de resolução adequado do conflito que, pela complexidade e variedade 
dos problemas envolvidos, se desdobrará em diversas formas de enfoque e 
escolas de abordagem.
A mediação pode ter diferentes abordagens, conforme a escola adotada. Segundo 
Bacellar (2016), em Mediação e arbitragem, as principais são mediação da Escola de 
Harvard, mediação circular-narrativa, mediação transformativa e mediação avaliadora.
Processo de mediação6
De forma abrangente, a mediação pode ser dividida em dois momentos: 
a pré-mediação e a mediação em si. Já na forma sequencial, a mediação 
divide-se em pré-mediação, abertura, investigação, agenda, criação de opções, 
escolha de opções e solução.
Na pré-mediação, os conflitantes, acompanhados ou não de seus advoga-
dos, encaminham-se à mediação, encontrando-se para definir o procedimento 
e verificar como este ocorrerá, bem como definir as atribuições de cada um, o 
local e a distribuição dos custos, quando se tratar de mediação em uma câmara 
privada. Nessa etapa, que poderá contar com reuniões individuais ou conjuntas, 
os conflitantes são informados sobre as suas responsabilidades e explanam o 
que desejam e esperam da mediação, permitindo que se estabeleçam os primei-
ros laços de confiança. Caso as partes estejam representadas por advogados, 
poderão apenas estes representar os conflitantes na pré-mediação. Essa etapa 
é fundamental para que as partes conflitantes, cientes do procedimento e de 
como este funcionará, decidam participar voluntariamente. Caso, nessa fase 
pré-mediativa, as partes constatem que o procedimento ou a forma de solução 
não lhes interessa, podem desistir da mediação antes mesmo de seu início.
A segunda etapa da mediação, em que as partes ingressam na mediação 
propriamente dita, divide-se nas fases de abertura, investigação, agenda, cria-
ção de opções, escolha de opções e solução. Tartuce (2018, p. 262) considera 
as seguintes fases da mediação, as quais equivalem às anteriores:
I) declaração de abertura;
II) exposição das razões das partes;
III) identificação de questões, interesses e sentimentos; 
IV) esclarecimento acerca das questões, interesses e sentimentos; e 
V) resolução das questões.
Na fase de abertura, há o momento em que os conflitantes e o mediador 
se apresentam e se saúdam, ocasião em que o mediador explicará qual é o 
seu papel, o que espera da mediação e quais os resultados possíveis. Nesse 
momento, o mediador explicará como se dará a mediação, caso não tenha havido 
a pré-mediação, ou não tenham os conflitantes participado da primeira etapa 
(apenas seus advogados, por exemplo), e explicará aos mediandos os princípios 
informadores da mediação, principalmente os princípios da confidencialidade, 
da autonomia e da isonomia.
7Processo de mediação
O princípio da confidencialidade apenas é excepcionado para os casos de reconheci-
mento de crime de ação pública e para a prestação de informações à Receita Pública, 
conforme o art. 30, §§ 3º e 4º, da Lei nº. 13.140/2015 (BRASIL, 2015b). Os conflitantes 
têm autonomia para desistir de participar do procedimento em qualquer momento 
e devem ser tratados com igualdade procedimental, isto é, isonomia.
Na fase seguinte, de investigação ou exposição das razões das partes, 
os conflitantes dizem as suas impressões de como chegaram ao conflito. 
Recomenda-se que, nesse momento, o conflitante seja orientado a falar sempre 
na primeira pessoa, desfocando o outro e colocando-secomo protagonista 
do conflito, explanando seus sentimentos e impressões. O mediador deve 
estimular que a outra parte demonstre interesse e faça perguntas adequadas 
e sinceras para reconhecer as questões envolvidas, tomando o cuidado para 
não externar sua opinião. Observe que o mediador deve oportunizar a todos 
os conflitantes que exponham da mesma forma e durante o mesmo tempo, 
preferencialmente combinado previamente.
A partir desse momento de exposição, as partes conflitantes deverão ser 
incentivadas a auxiliar na identificação dos interesses e das questões envol-
vidas. Tudo o que for, de fato, controvertido, deve ser identificado e isolado 
das pessoas envolvidas, para que os problemas se direcionem para a questão 
em si, não para a outra parte conflitante. É possível, para que as questões se 
tornem objetivas, que as partes façam uma listagem de questões, colocando 
no papel o que poderá ser solucionado a partir da construção de decisões. 
Identificada a agenda de questões a serem sanadas, as partes podem passar 
para a próxima etapa.
Para que as partes possam construir uma solução, deverão criar alternativas. 
Os conflitantes deverão criar, por si próprios, alternativas ao problema comum. 
Nessa fase da mediação, as partes usarão técnicas para criar alternativas, como 
o brainstorming (técnica na qual as partes falarão livremente alternativas), 
dentre outras, para que surjam condições de possibilidade para a solução do 
conflito. O mediador não deverá opinar sobre o mérito do conflito ou das 
propostas criadas, apenas interferindo se as alternativas propostas sejam ine-
xequíveis ou submetam alguma das partes demasiadamente. Propostas ilegais 
ou imorais não devem ser admitidas como alternativas, podendo o mediador, 
nesses casos, suspender a mediação por sua impossibilidade.
Processo de mediação8
As duas fases seguintes consistem na escolha das soluções mais adequadas 
para a resolução do problema, descartando-se todas aquelas hipóteses que não 
servem para a solução das questões. Diante da identificação dessas questões, 
as partes conflitantes poderão pactuar a solução do conflito. A celebração do 
acordo será, preferencialmente, por escrito, e deverá constar apenas o que as 
partes concordarem que seja escrito. O acordo, que poderá ser sobre o total do 
conflito ou apenas sobre parte da controvérsia, deverá identificar as obrigações 
de cada conflitante, sendo claro e objetivo. Não deverá constar no termo de 
acordo nada que seja ilegal ou imoral, tampouco termos que exponham as 
partes demasiadamente.
Passadas todas as etapas e não se chegando ao consenso, poderá ser lavrada 
uma ata, na qual deverá constar apenas que os conflitantes se reuniram para 
a mediação, não se chegando a uma solução. Não se fará constar nada do 
que se tratou na mediação, propostas ou alegações, estando as informações 
protegidas pelo princípio da confidencialidade.
Esquema da mediação
O processo de mediação é dividido em duas etapas macro: a pré-mediação e 
a mediação. Confi ra a seguir em que consiste e o papel do mediador em cada 
uma delas.
Pré-mediação
Na reunião prévia:
1. ouvir o relato dos conflitantes, ou dos seus advogados, caso não estejam 
as partes presentes, para identificar a questão;
2. conversar igualmente com todos os conflitantes, pelo mesmo tempo e 
da mesma forma, explicando o procedimento;
3. pactuar as regras que serão adotadas no procedimento;
4. certificar que todos os envolvidos tenham a compreensão das 
informações;
5. questionar sobre o interesse dos conflitantes em participar da media-
ção, marcando o momento para o seu início, caso haja real interesse 
na participação.
9Processo de mediação
Mediação
Quando da apresentação do mediador:
1. apresentar-se e pedir para que as partes se apresentem;
2. explicar seu papel e suas expectativas;
3. explicar o procedimento da mediação e seus princípios informadores, 
principalmente quanto à confidencialidade do procedimento;
4. confirmar o interesse dos conflitantes em participar do procedimento 
de mediação;
5. explicar o papel dos advogados na mediação;
6. dar início ao procedimento de mediação. 
Na exposição, pelas partes, das razões e identificação das questões, o 
mediador deve:
1. reiterar sobre o compromisso da confidencialidade;
2. escutar ativamente os conflitantes;
3. fazer anotações sobre as questões importantes;
4. avaliar constantemente as percepções;
5. auxiliar as partes conflitantes para a identificação das questões;
6. construir, com os conflitantes, as questões discutidas.
Quando da criação e escolha de opções:
1. os conflitantes devem, à vista das questões envolvidas, sugerir alter-
nativas de solução do problema;
2. as alternativas propostas devem ser anotadas, de forma resumida 
e objetiva;
3. o mediador não deve opinar sobre o mérito, apenas auxiliando que os 
conflitantes construam suas propostas;
4. as alternativas devem ser selecionadas, descartando-se a opções ine-
xequíveis, ilegais ou imorais;
5. deverá ser escolhida, existindo consenso, a melhor alternativa entre 
as criadas.
Processo de mediação10
Na resolução do conflito (encerramento):
1. redigir o acordo em que conste a alternativa livremente escolhida pelos 
conflitantes;
2. redigir com termos claros, objetivos e apenas com o que for realmente 
necessário para a solução do conflito;
3. não utilizar termos, expressões ou situações que possam constranger 
ou expor qualquer dos conflitantes;
4. deve-se fazer uma redação única do acordo;
5. não havendo acordo entre os conflitantes, apenas fazer constar em 
termo a participação dos conflitantes e a inexistência do acordo, sem 
qualquer outra referência.
1. O processo de mediação surge como 
uma alternativa à Justiça geralmente 
administrada pelo Estado. Quais 
fatores foram determinantes para a 
implantação desse meio no Brasil?
a) A morosidade do Poder 
Judiciário e a possibilidade 
de reestabelecer laços 
entre os conflitantes.
b) A mediação foi adotada no 
Brasil aleatoriamente, pois 
trata-se de um meio de solução 
de conflitos desnecessário.
c) A morosidade não foi o 
que motivou a implantação 
da mediação; apenas a 
questão do custo judicial.
d) O custo dos processos motivou 
a adoção da mediação, que 
não tinha como objetivo 
reestabelecer a comunicação 
entre os conflitantes.
e) A mediação foi implantada por 
não ser um processo que visa a 
reestabelecer a comunicação.
2. A mediação ingressou no 
ordenamento jurídico brasileiro 
e está em pleno uso. Sobre a 
mediação no ordenamento 
jurídico, é correto afirmar que:
a) é prevista apenas pela matriz 
de princípios constitucionais.
b) não necessita de lei 
específica ou resolução para 
a sua implementação.
c) foi prescrita no chamado 
marco legal da mediação, 
mas ainda falta a sua 
regulamentação pelo CNJ.
d) é prevista apenas na Lei de 
Mediação e na Lei de Arbitragem.
e) é prevista na Lei de 
Mediação, na Resolução do 
CNJ e no CPC de 2015.
3. A mediação, para ser versátil, é 
flexível em termos procedimentais. 
Entretanto, recomendam-se 
etapas para facilitar o processo 
de mediação, que são:
11Processo de mediação
a) pré-mediação, abertura, 
investigação, agenda, 
imposição de opções, escolha 
de opções e solução.
b) pré-mediação, abertura, 
investigação, agenda, 
criação de opções, escolha 
de opções e solução.
c) pré-mediação, abertura, 
investigação, agenda, criação 
de opções, decisão pelo 
mediador e solução.
d) pré-mediação, abertura, 
investigação, agenda e solução.
e) abertura, investigação, agenda, 
criação de opções, escolha 
de opções e solução.
4. A confidencialidade é importante e 
deve ser ressaltada pelo mediador, 
já no início do procedimento 
de mediação, porque:
a) as partes podem querer confessar 
algum crime de ação pública.
b) a lei diz que sim, embora 
esse princípio seja um 
resquício do passado.
c) dará liberdade para os conflitantes 
e gerará confiança entre todos.
d) o mediador está obrigado 
à confidencialidade, os 
conflitantes não.
e) apenas os conflitantesestão obrigados à 
confidencialidade, embora 
o mediador não esteja 
obrigado, conforme prescreve 
a Lei de Mediação.
5. Carmela e Vicente estão discutindo 
em razão da vaga de estacionamento 
do prédio em que residem. Por 
que a mediação é mais indicada?
a) Porque se usa a mediação 
para a discussão sobre vagas 
de estacionamento.
b) Porque o Poder Judiciário não 
poderia decidir sobre o assunto.
c) Apenas porque o custo para 
solucionar o conflito é menor.
d) A mediação não é o meio 
mais indicado, preferindo-se 
sempre o Judiciário.
e) Porque os laços anteriores 
entre os vizinhos podem ser 
restabelecidos, além de o 
problema ser solucionado.
BACELLAR, R. P. Mediação e arbitragem. São Paulo: Saraiva, 2016.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº. 125, de 29 de novembro de 2010. 
Dispõe sobre a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de 
interesses no âmbito do Poder Judiciário e dá outras providências. Diário da Justiça 
do Conselho Nacional de Justiça, Brasília, DF, n. 219, 1º dez. 2010, p. 1-14. Disponível em: 
. Acesso em: 26 mai. 2018.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: . Acesso em: 3 ago. 2018.
Processo de mediação12
http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=2579
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/consti-
BRASIL. Lei Federal nº. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de processo civil. Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, 17 mar. 2015b. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2018.
BRASIL. Lei Federal nº. 13.140, de 26 de junho de 2015. Dispõe sobre a mediação entre 
particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição de 
conflitos no âmbito da administração pública. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 29 
jun. 2015a. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2018.
CAPPELLETTI, M. Acesso à justiça. Porto Alegre: Fabris, 1988.
DIDIER JUNIOR, F. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao Direito Processual 
Civil, parte geral e processo de conhecimento. 17. ed. Salvador: JusPodivm, 2015. v. 1.
TARTUCE, F. Mediação nos conflitos civis. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
Leituras recomendadas
SPENGLER, F. M. Mediação de conflitos: da teoria à prática. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2017.
WANBIER, T. A. A.; DIDIER JUNIOR, F.; TALAMINI, E. Breves comentários do Código De 
Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015.
13Processo de mediação
http://www.planalto.gov/
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
SOLUÇÃO DE 
CONFLITOS 
JURÍDICOS
Eduardo Zaffari
 
U N I D A D E 4
Mediação: princípios, 
tipos e áreas de atuação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Analisar os princípios aplicáveis à mediação, bem como as suas áreas 
de atuação.
  Explicar os diversos tipos de mediação.
  Esquematizar as atitudes do mediador.
Introdução
Os princípios norteadores da mediação estão prescritos no Código de 
Processo Civil (CPC) de 2015 e na Lei de Mediação (Lei nº. 13.140, de 26 
de junho de 2015), além de estarem implícitos em outros princípios 
do ordenamento jurídico, como boa-fé e paridade. Como elementos 
estruturantes, os princípios da mediação devem ser observados e 
aplicados na mediação judicial e extrajudicial, independentemente 
da área mediada.
A mediação é única, consistindo em importante meio de resolução de 
conflitos. Entretanto, ante a variedade e a complexidade de assuntos que 
podem ser mediados, desenvolveram-se diferentes tipos de mediação, 
que poderão ser adotados conforme o assunto tratado ou a prática e a 
experiência do mediador. 
O mediador deverá se aperfeiçoar nas diferentes técnicas de me-
diação, habilitando-se para se tornar um facilitador, para que as partes 
construam a melhor solução para o conflito mediado. Com sensibilidade 
lalves
Retângulo
lalves
Retângulo
e flexibilidade, deverá adotar atitudes que restabeleçam a comunicação, 
o que permitirá a criação de um ambiente propício à composição.
Neste capítulo, você vai aprender os princípios, as áreas de atuação 
e os diferentes tipos de mediação. Você vai também verificar as atitudes 
necessárias do mediador.
Princípios aplicáveis na mediação 
e as suas áreas de atuação
Os princípios norteadores da mediação, mais do que apenas diretrizes 
orientadoras do instituto, importam no reconhecimento da dignidade da pessoa 
humana, conforme cláusula constante no art. 1º, III, da Constituição Federal 
de 1988. Trata-se de exteriorização da participação democrática do cidadão 
nas decisões que afetarão a sua vida.
Nesse sentido, buscam-se princípios nos dispositivos legais de forma ex-
pressa, tanto aqueles que tratam do processo quanto os que tratam dos meios 
de resolução de conflito. Observe que princípios expressos não excluem ou-
tros decorrentes da Constituição Federal e do processo civil que possam ser 
implicitamente deduzidos. No plano normativo, encontram-se os princípios 
da mediação no CPC de 2015, no art. 166:
  independência;
  imparcialidade;
  autonomia da vontade;
  confidencialidade;
  oralidade;
  informalidade;
  decisão informada.
Igualmente consta, no art. 2º da Lei nº. 13.140/2015, a qual trata especifi-
camente da mediação, que esse meio de resolução deverá observar, obrigato-
riamente, os seguintes princípios: 
  imparcialidade do mediador;
  isonomia entre as partes; 
  oralidade;
  informalidade; 
Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação2
  autonomia da vontade das partes; 
  busca do consenso; 
  confidencialidade; 
  boa-fé.
Com poucas distinções entre ambos, examinemos os principais no plano 
normativo (BRASIL, 2015a).
Ao dispor a autonomia de vontade como princípio, está-se valorizando 
a liberdade como valor da dignidade da pessoa humana. Torna-se a parte 
envolvida no conflito protagonista e responsável pelas consequências do 
conflito e sua resolução. Confia-se na capacidade do indivíduo de escolher e 
valoriza-se seu senso de justiça, que deverá levar as partes a optar, de forma 
voluntariosa, pelo caminho de resolução consensual ao momento de crise. 
Sendo os envolvidos os protagonistas, deverão estes optar livremente pela 
mediação, mantendo-se livre a sua vontade para participar, escolher o caminho 
e manter-se na mediação desde o início do procedimento até seu fim. Em 
qualquer momento durante o procedimento, poderão as partes interromper o 
procedimento caso sintam-se constrangidas.
Ligado à autonomia de vontade, o princípio da decisão informada, segundo 
Tartuce (2018, p. 206), é o princípio que “[...] impõe o esclarecimento, por parte 
dos mediadores, sobre os direitos de aceitar participar da via consensual e de 
seguir participando das sessões”. Embora refira que esse princípio consiste 
em um esclarecimento quanto ao direito de participar da mediação, o autor 
reconhece a necessidade de que os participantes tenham dados suficientes 
para a construção da solução do litígio. 
Apenas se pode reconhecer uma vontade livre e autônoma de qualquer 
participante se houver a compreensão pelas partes sobre os direitos e deveres 
da mediação, sobre os direitos e deveres da discussão na mediação e as conse-
quências de eventual solução que as partes se comprometam em composição. 
O mediador não deve agir como advogado ou consultor das partes, sob pena 
de comprometer a necessária imparcialidade, mas deverá se certificar de que 
as partes estão devidamente informadas, sob pena de comprometimento da 
liberdade consensual necessária.
3Mediação:princípios, tipos e áreas de atuação
A Lei nº. 13.130, de 2 de março de 2015, prescreve expressamente o direito de a parte 
desistir da mediação a qualquer momento:
Art. 2º A mediação será orientada pelos seguintes princípios:
[...]
§ 2º Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de me-
diação (BRASIL, 2015b, documento on-line).
Os meios usuais de resolução de conflitos pelo Poder Judiciário podem ser, 
em alguns momentos, opressivos e confrontadores. Isso porque o processo 
judicial tem uma série de ritos, expressões e usos que podem ser, para o 
leigo, intimidadores. Os meios alternativos de solução de conflitos devem 
ser acolhedores, razão pela qual há expressa previsão legal do princípio da 
informalidade. Isso significa que a mediação deverá permitir a tranquilidade, 
a descontração e que as partes se sintam participantes do procedimento e da 
construção da solução. A informalidade não exime, entretanto, o mediador de 
esclarecer as partes sobre algumas regras a serem observadas no procedimento. 
Sem impedir que as partes imponham o clima que desejam ao procedimento, 
regras mínimas como respeito mútuo, ouvir o outro, confidencialidade, dentre 
outras, permitirão o procedimento. A flexibilidade do procedimento, fruto da 
informalidade, auxiliará para que os litigantes consigam estabelecer a comuni-
cação e construir a melhor solução para sua controvérsia. Para Spengler (2017, 
p. 149), “[...] nesse sentido, nada obsta que os envolvidos busquem soluções 
alternativas, desde que suas escolhas não firam a moral e os bons costumes”.
Os mediadores deverão atuar com imparcialidade e independência, ou 
seja, sem qualquer espécie de pressão, influência ou subordinação, seja em 
relação às partes, seja em relação ao Poder Judiciário. O princípio da inde-
pendência determina que, sempre que um mediador se sentir constrangido, 
verificar que não há condições de desenvolvimento do procedimento, ou 
constatar que o acordo que as partes pretendem é ilegal ou impossível de ser 
cumprido por qualquer dos participantes, deverá recusar-se de participar, 
conforme estabelece o Código de Ética de Mediadores e Conciliadores, da 
Resolução CNJ nº. 125, de 29 de novembro de 2010.
Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação4
O princípio da imparcialidade prescreve que o mediador não deverá posi-
cionar-se em favor de qualquer dos envolvidos, velando os mesmos motivos de 
suspeição e impedimento que valem para os juízes de direito, além de qualquer 
outro motivo que possa, mesmo não revelado, influenciar que o mediador 
prestigie qualquer das partes da mediação. Quanto maior o reconhecimento 
da imparcialidade do mediador pelas partes, maior credibilidade este gozará 
para conduzir as partes à construção de uma solução para o litígio. Por esse 
motivo, o mediador deverá revelar, antes do início do procedimento, qualquer 
situação que embarace sua participação. Trata-se de um dever de revelação. 
Observe, contudo, que as adoções de técnicas de negociação não importam 
em comprometimento da imparcialidade do mediador.
Para o reestabelecimento da comunicação, o princípio da oralidade é 
essencial. Nas sessões, as partes terão a oportunidade de verbalizar, passar 
suas impressões, construir reflexões, escutar outras perspectivas e responder 
e formular questionamentos. É o momento de participação que permitirá a 
construção da solução mais adequada à crise discutida. Recordando que o 
processo oral não exclui a utilização da escrita para a formalização do acordo. 
Spengler (2017) afirma que a oralidade advém dos Juizados Especiais Cíveis 
e Criminais, Lei nº. 9.099, de 26 de setembro de 1995.
O processo do trabalho, já há muito tempo, valoriza a oralidade na colheita da prova 
e nos demais atos processuais, embora a Lei nº. 9.099/1995 a tenha expressamente 
prescrito no art. 62.
Dois pontos que suscitam algumas dúvidas quanto à oralidade são: 
1. se o mediador deverá ler para as partes o processo ou peças escritas 
do litígio, ou deverá permitir que as partes construam oralmente a 
controvérsia de que vão tratar;
2. se deverá o mediador transcrever o que as partes disserem durante a 
sessão de mediação.
5Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação
Responder a esses questionamentos positivamente depende das ca-
racterísticas de negociação de cada mediador, ou seja, da maneira que se 
sinta o mediador mais à vontade na sessão e, por fundamental, que tais 
transcrições e leituras não tornem o procedimento formal e engessado. É 
importante que a solução a ser adotada para o conflito seja transcrita na 
medida em que os envolvidos permitam, de forma clara e objetiva. Embora 
não haja exigência legal de que o acordo seja escrito, essa forma permite 
um senso de responsabilidade maior e uma melhor organização psíquica 
dos termos do acordo. 
O princípio da busca de consenso se relaciona com a necessidade de 
cooperação entre as partes e a não competitividade. Segundo Tartuce (2018, 
p. 219): 
[...] verifica-se uma situação cooperativa quando um participante do processo, 
ligado de forma positiva a outro, comporta-se de maneira a aumentar suas 
chances de alcançar o objetivo, aumentando com isso também a chance de 
que o outro o faça. 
O mediador e todos os envolvidos no procedimento deverão atuar de forma 
contributiva para que se possa reestabelecer a comunicação e o diálogo, com 
um ambiente propício ao consenso. Observe que, mesmo que não cheguem ao 
consenso quanto à solução, poderão as partes criar um ambiente de comunicação 
que lhes oportunize, em outro momento, uma composição.
Nesse sentido, ganha enfoque a boa-fé, que deverá pautar os sentimentos 
das partes, que deverão atuar com honestidade, lealdade e justiça em relação a 
todos os envolvidos, sejam estes a parte adversa, os advogados, os mediadores 
ou terceiros. Os envolvidos poderão ter diferenças quanto a aspectos sobre o 
bem da vida discutido, mas isso não lhes permite que possam agir de forma 
desleal ou desonesta em relação ao outro. O ordenamento jurídico brasileiro 
ressalta, a todo o momento, a necessidade de que as partes guardem a boa-fé 
tanto na formação quanto na execução dos negócios jurídicos, conforme 
prescreve o art. 422 do Código Civil (BRASIL, 2002, documento on-line): 
“Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, 
como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé”. Observe que, 
pela natureza jurídica contratual da mediação, o art. 840 do Código Civil 
prescreve ainda que “É lícito aos interessados prevenirem ou terminarem 
o litígio mediante concessões mútuas”, o que deverá observar sempre a 
boa-fé contratual.
Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação6
O Código Civil traz inúmeros exemplos em que a boa-fé vem prescrita como um 
pressuposto das relações civis, como nos arts. 128, 164, 167, 187, 242, 286, 307 e 309, 
entre inúmeros outros. 
A confidencialidade vem determinada no §1º do art. 166 do CPC, para 
que as partes possam se sentir à vontade para agir com transparência, com-
partilhando informações e dados que possam auxiliar na solução do problema. 
Absolutamente tudo o que for tratado na sessão de mediação será confidencial, 
mesmo que qualquer das partes admita fato controverso do litígio. Por esse 
motivo, apenas serão transcritos os fatos, as propostas e os encaminhamentos 
que todos os envolvidos concordem que sejam escritos. Igualmente, não poderá 
ser revelado oralmente o que for tratado entre as partes durante a mediação. 
Assim, a Lei determina que “[...] a confidencialidade se estende a todas as 
informações produzidas no curso do procedimento, cujo teor não poderá ser 
utilizado para fim diverso daquele previsto por expressa deliberação das partes” 
(BRASIL, 2015b, documento on-line). As informações obtidas no processo de 
mediação não poderão ser usadas em qualquer processo judicial ou arbitral, e 
o mediador, assim como os membros de suas equipes, não poderão divulgar ou 
depor acerca de fatos ou elementos oriundos da conciliação ou damediação. 
Por fim, as partes deverão ter igual oportunidade durante o procedimento, 
resguardando-se a isonomia. O mediador deverá observar que as partes te-
nham igual tempo para exposição de suas razões, mesmo número de sessões 
individuais, mesmas oportunidades de exposição e mesmos instrumentos 
negociais. A inobservância dessa igualdade, mesmo que não proposital, poderá 
dar a impressão ao supostamente prejudicado de que estaria sendo preterido, 
quebrando a necessária confiança e cooperação. 
Os princípios orientadores serão aplicados na mediação judicial e na mediação 
extrajudicial, independentemente do tema que versará a mediação. Isso porque 
eles auxiliarão no reestabelecimento da comunicação, no respeito mútuo e na 
preservação das partes, facilitando na construção de uma solução aceita por todos 
e que pacifique o litígio. Evidentemente, um mediador extrajudicial, de confiança 
das partes, poderá desconhecer alguns desses princípios, o que não o exime de os 
observar. O importante é, na medida do possível ao mediador extrajudicial, que 
tenha ciência e treinamento adequados, aplicando-os no processo de mediação.
7Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação
A mediação poderia se aplicar, se bem conduzida, a qualquer espécie de conflito. 
Porém, considerando-se que se torna mais eficaz e adequada quando existem laços 
anteriores, cuja compreensão de reestabelecimento acaba por conduzir as partes à 
responsabilização pelo conflito e sua resolução, algumas áreas têm tido preferência 
como meio de resolução.
Os conflitos familiares, os conflitos decorrentes de litígios sobre bens e 
direitos (Direito das Coisas) — como os direitos de vizinhos e sobre bens —, 
as divergências contratuais, as divergências associativas (de clubes e escolares) 
e as decorrentes de direitos sucessórios (heranças), têm sido as áreas em que 
há o melhor aproveitamento desse meio de solução de conflitos. Isso porque 
as partes se sentem responsáveis pelos outros e, em razão da ruptura momen-
tânea da comunicação, surge o litígio. Nesse sentido, a mediação surge como 
o meio mais adequado de aproximação e comunicação entre os conflitantes. 
Os diversos tipos de mediação
A mediação surge na necessidade de tratar um confl ito decorrente da busca 
pelo indivíduo de suprir uma necessidade, seja esta uma necessidade social, 
de segurança, de autoestima, de autorrealização ou até mesmo uma necessi-
dade fi siológica básica. Da contraposição de sentimentos e interesses entre 
os indivíduos para a satisfação dessas necessidades, surge a necessidade de 
tratamento adequado do confl ito.
As diferentes concepções sobre o conflito e as suas complexidades obrigam 
que o seu tratamento seja realizado de forma interdisciplinar, utilizando-se 
da psicologia, da filosofia, da matemática, da sociologia, da antropologia e de 
diversas outras ciências que possam, cada uma à sua maneira, reestabelecer a 
comunicação e permitir que os conflitantes busquem o consenso. Não há dúvida 
de que a mediação é única, consistindo em um meio de resolução adequado 
do conflito que, pela complexidade e variedade dos problemas envolvidos, se 
desdobrará em diversas formas de enfoque e escolas de abordagem.
Ressalta-se que as formas de abordagem do conflito não são excludentes, 
tampouco significam serem umas melhores do que as outras. Dada a trans-
Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação8
disciplinaridade da mediação, os diferentes tipos serão aplicáveis conforme 
a sua adequação ao caso e a capacidade técnica e emocional dos envolvidos 
(partes, mediadores, auxiliares). Bacellar (2016, p. 108) classifica quatro 
diferentes tipos de mediação, embora não considere a última propriamente 
mediação, como adiante se explanará:
Mediação da Escola de Harvard. Essa modalidade de mediação é considerada 
a mediação clássica e desenvolve-se em fases bem defi nidas e estruturadas, ba-
seadas em princípios que buscam desvelar interesses acobertados por posições. 
Usa as técnicas negociais desenvolvidas pela Escola de Harvard, buscando a 
solução por meio de ganhos mútuos.
Mediação circular-narrativa. Conhecida também como modelo Sara Cobb. 
Deve-se buscar uma visão sistêmica, com foco não apenas nas pessoas en-
volvidas, mas também em suas historicidades e relações sociais pertinentes, 
pois o confl ito não se dá de forma isolada, relacionando-se com outros fatores 
nem sempre identifi cáveis de imediato.
Mediação transformativa. Conhecida como modelo de Bush e Folger, essa 
forma de mediação busca transformar a atitude adversarial dos envolvidos em 
uma postura colaborativa, confi ando na capacidade das partes de identifi car 
os interesses envolvidos e de decidir pelo reestabelecimento do vínculo para, 
a partir de então, encontrar uma solução que atenda aos interesses de todos 
os envolvidos.
Mediação avaliadora. Essa modalidade se diferencia das demais porque 
o mediador, depois de cumpridas todas as etapas da mediação e recolhidas 
todas as propostas de solução criadas pelos envolvidos, emite a sua opinião 
de solução de confl ito como forma de viabilizar o acordo.
Como se antecipou, Bacellar não considera a última dessas formas como 
uma efetiva mediação, pois o mediador e a mediação são facilitadores para que 
as partes construam as soluções que considerem mais adequadas e optem por 
solucionar o conflito numa dessas formas encontradas (BACELLAR, 2016). 
Nas três primeiras formas de mediação, o mediador não intervém no mérito do 
conflito e não participa escolhendo ou sugerindo um caminho. Na mediação 
avaliadora, o mediador, além de facilitar o processo de mediação durante o 
procedimento, recolhe as propostas de solução sugeridas pelas partes e emite 
a sua opinião, interferindo no mérito.
9Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação
A Escola de Harvard desenvolveu as mais conhecidas técnicas negociais utilizadas 
mundialmente, fundamentando-se na negociação distributiva, em que há a criação 
de valor a partir do conflito, com a possibilidade de ganhos mútuos. Trata-se da busca 
por uma negociação ganha-ganha.
A mediação poderá ser ainda judicial ou extrajudicial. Indicada aos con-
flitantes que tenham um vínculo anterior, cuja identificação dos interesses 
facilitará a criação de soluções para a resolução do conflito, a mediação é 
prescrita no CPC, entre suas normas fundamentais e em seção própria. Sua 
previsão no art. 3º, § 3º, permite que esse meio de solução se irradie para 
todo o sistema processual. Embora o marco da mediação se encontre na Lei 
13.140/2015, a introdução desse meio de solução de conflito no CPC reforça 
a sua importância e explicita que um dos meios disponíveis aos operadores 
do Direito para a solução do litígio está dentro do processo.
Na mediação judicial, o encaminhamento para um dos Centros de Concilia-
ção e Mediação criados pelo Poder Judiciário, no âmbito dos diversos Estados da 
Federação, se dará durante o processo judicial, a qualquer tempo, ou antes mesmo 
do início da instrução processual, em sua fase inicial. Ao receber as manifestações 
iniciais das partes (inicial, contestação), o juiz poderá mandá-las imediatamente 
à mediação, considerando ser esta a melhor alternativa para o reestabelecimento 
da comunicação. Note-se que as partes poderão mediar todo o conflito ou apenas 
parcialmente. Mesmo quando não solucionado o conflito na mediação, a mera 
submissão ao procedimento poderá servir para o reestabelecimento do vínculo, 
para que as partes possam solucionar o processo judicial mais adiante.
A Resolução CNJ nº. 125/2010 introduziu no Brasil a Política Judiciária de Tratamento 
Adequado de Conflitos, aplicando-se seus preceitos indistintamente à mediação 
judicial ou extrajudicial
Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação10
Mas o conflito poderá ser tratado extrajudicialmente também, usando-se 
os mesmos princípios, métodos, etapas (fases) ou modelos usados no Poder 
Judiciário. Em alguns países da África inclusive, a mediação extrajudicial 
com líderes comunitáriosé a prática, como em Angola. Os conflitantes poderão 
consensualmente optar por tratar o conflito pela intermediação de um terceiro 
imparcial na mediação quando surgido o litígio, ou poderão estabelecer 
contratualmente que eventual conflito decorrente em um contrato seja tratado 
na mediação, como possibilita o art. 22 da Lei da Mediação. Existindo interesse 
em prever contratualmente a mediação extrajudicial, as partes contratantes 
deverão estabelecer os seguintes requisitos: 
  prazo mínimo e máximo para a realização da primeira reunião de 
mediação, contado a partir da data de recebimento do convite; 
  local da primeira reunião de mediação; 
  critérios de escolha do mediador ou equipe de mediação; 
  penalidade em caso de não comparecimento da parte convidada à pri-
meira reunião de mediação.
 Caso não queiram os contratantes estabelecer esses requisitos considerados 
mínimos, poderão indicar o regulamento publicado por instituição idônea 
prestadora de serviços de mediação, no qual constem critérios claros para a 
escolha do mediador e a realização da primeira reunião de mediação.
Atitudes do mediador
Inicialmente, é importante lembrar que o mediador deverá ser qualifi cado, 
como prescrevem os arts. 9º e 11 da Lei de Mediação, de acordo com o fato de 
atuarem ou não em juízo. A Resolução CNJ nº. 125/2010 aponta as prescrições 
éticas a serem observadas pelo mediador.
Para atuar como mediador judicial, a pessoa deverá ser capaz, ser gra-
duada há pelo menos dois anos em curso de ensino superior de instituição 
reconhecida pelo Ministério da Educação e ter obtido capacitação em escola 
ou instituição de formação de mediadores, reconhecida pela Escola Nacional 
de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM) ou pelos tribu-
nais. Por outro lado, o mediador extrajudicial deverá ser qualquer pessoa 
capaz, que tenha a confiança das partes e seja capacitada para fazer mediação, 
independentemente de integrar qualquer tipo de conselho, entidade de classe 
ou associação, ou nele inscrever-se.
11Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação
Embora parte da doutrina tenha criticado a menor exigência de requisitos 
para o mediador extrajudicial, tal fato se justifica como forma de habilitar 
qualquer pessoa que goze da confiança dos mediandos a servir de elo entre 
os litigantes. O legislador, nesse aspecto, teve a sensibilidade de compreender 
que alguém de confiança, mesmo sem a qualificação do mediador judicial, 
é muito mais eficaz para a aproximação das partes, justamente por ser de 
confiança destas. Segundo Didier Junior. (2015, p. 276):
O mediador exerce um papel um tanto diverso. Cabe a ele servir como veículo 
de comunicação entre os interessados, um facilitador do diálogo entre eles, 
auxiliando-os a compreender as questões e interesses em conflito, de modo 
que eles possam identificar, por si mesmos, soluções consensuais que gerem 
benefícios mútuos. Na técnica da mediação, o mediador não propõe soluções 
aos interessados. Ela é por isso mais indicada nos casos em que exista uma 
relação anterior é permanente entre os interessados, como nos casos de con-
flitos societários e familiares. A mediação será exitosa quando os envolvidos 
conseguirem construir a solução negociada do conflito.
Por essa razão, o mediador deverá observar uma flexibilização procedi-
mental, ou seja, embora a mediação tenha uma série de atos que podem ser 
seguidos pelo mediador, este não está obrigado a segui-los e, com o tempo, 
desenvolverá as suas próprias técnicas. Igualmente tem a prerrogativa de 
efetuar sessões individuais com as partes, ou parte, caso ache conveniente. O 
mediador também deverá adotar um tom informal, o que não dispensa uma 
técnica e, eventualmente, um roteiro a ser seguido.
Segundo Spengler (2017, p. 31), o mediador deverá exercer as seguintes 
funções e atitudes:
  Ajudar as partes conflitantes a identificar e a confrontar as questões 
do conflito — a presença desse terceiro, que será neutro e equidistante, 
permitirá que as partes se acalmem e ponham de lado as ansiedades 
para que possam confrontar-se com questões que não conseguiriam 
num ambiente não controlado. A presença do mediador também reduz 
eventuais assimetrias entre as partes, permitindo uma equivalência 
suficiente para a busca por uma solução.
  Ajudar a promover circunstâncias e condições favoráveis para se con-
frontarem as questões — o mediador possibilitará a criação de um 
espaço e uma atmosfera propícios para que as partes possam encontrar 
um espaço neutro, sem que as rupturas imediatas forcem qualquer das 
partes a pactuar, ou que estas se sintam tensas em razão do encontro 
com o outro conflitante. As partes serão recebidas em um ambiente 
Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação12
acolhedor e equivalente, com espaços de tempo simétricos e sem qual-
quer espécie de pressão.
  Ajudar a remover os bloqueios e as distorções no processo comunicativo 
para que possa se desenvolver uma comunicação mútua — o mediador 
deverá estimular que os conflitantes, tanto o mais articulado quanto o 
menos articulado, consigam expressar completamente suas opiniões, 
viabilizando que a comunicação seja compreendida por ambos de igual 
forma. O mediador poderá, inclusive, treinar os conflitantes a se comu-
nicarem de forma mais clara e efetiva, para que possam se expressar 
melhor e viabilizar a comunicação rompida.
  Ajudar a estabelecer normas para a interação racional, como o respeito 
mútuo, a comunicação aberta, o uso de persuasão em vez de coerção e 
o desejo de atingir um acordo mutuamente satisfatório — em ambientes 
de conflito, é comum que algumas partes tentem atingir a outra com 
agressões verbais ou em seus pontos sensíveis, impedindo a formação da 
comunicação. Nesse sentido, o mediador poderá viabilizar que as partes 
observem regras justas no procedimento e que atentem ao respeito mútuo 
e à justa argumentação, para que uma parte não se sobressaia à outra.
  Ajudar a determinar que tipos de soluções são viáveis — o mediador 
deverá auxiliar na identificação de soluções pelas partes, tendo abso-
luto cuidado para jamais sugerir as possibilidades de solução para o 
conflito. Um mediador cuidadoso criará um ambiente e auxiliará na 
criação e identificação de alternativas de solução, sem que essa criação 
e identificação parta de si.
  Colaborar para que um acordo viável seja aceito pelas partes em con-
flito — o mediador deverá ser um facilitador para que apenas acordos 
viáveis sejam celebrados, pois as partes não se sentirão responsáveis 
e comprometidas caso realizem acordos inexequíveis ou prejudiciais 
aos interesses de um dos conflitantes.
  Ajudar a tornar as negociações e o acordo celebrado prestigiosos e 
atraentes para os públicos interessados — sendo o mediador um terceiro, 
neutro em relação às partes, deverá ter uma atitude que espelhe e esti-
mule os envolvidos a negociar e a celebrar um acordo de ganhos mútuos. 
A mediação poderá ser estruturada em estágios pelo mediador. O primeiro 
estágio consiste na orientação das partes e organização do espaço de reuniões. 
Neste, deve o mediador ouvir o problema e fazer perguntas para que se possa 
organizar o conflito a ser solvido. A sala e o mobiliário devem ser propícios, 
e as partes têm que sentir que o que disserem não sairá da sala. O segundo 
13Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação
estágio consiste na reunião aberta, na qual as partes são esclarecidas sobre 
a mediação, em que há as primeiras declarações e a finalização da reunião, 
partindo-se para reuniões particulares, se for o caso. 
Segundo a Lei de Mediação, art. 19, “No desempenho de sua função, o mediador 
poderá reunir-se com as partes, em conjunto ou separadamente, bem como solicitar 
das partes as informações que entender necessárias para facilitar o entendimento 
entre aquelas” (BRASIL, 2015a, documento on-line).
No terceiro estágio, o mediador fará reuniões particulares com as partes, nas 
quais conhecerá os interesses de cadaum, a visão sobre os fatos importantes, 
suas expectativas, etc. No quarto estágio, efetuam-se as reuniões conjuntas 
e particulares, nas quais as partes discutirão as formas de solucionar o con-
flito e as soluções para os impasses que surgem. No quinto estágio, ocorre 
o encerramento da mediação com a redação do termo de acordo, caso tenha 
sido positiva a mediação.
1. O princípio da confidencialidade 
deve ser observado pelo mediador 
judicial e extrajudicial e significa que:
a) não se deve escrever o acordo 
realizado, para que ninguém 
tenha conhecimento.
b) uma parte não poderá 
ouvir o que a outra afirma 
na sessão de mediação.
c) as partes, os mediadores e 
os auxiliares deverão guardar 
sigilo sobre tudo o que se 
tratar na mediação.
d) não se deve conversar sobre 
o mérito da controvérsia, mas 
apenas sobre o ponto que 
levou ao desentendimento.
e) serão escritos os termos do que 
for tratado, queiram as partes 
ou não, pois a confidencialidade 
não se aplica às partes.
2. O mediador deverá ser um terceiro 
imparcial. Isso importa que:
a) o mediador não deverá, em 
momento algum, se manifestar 
na mediação, deixando que 
apenas as partes falem.
Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação14
b) o ato de o mediador sentar-se 
entre as partes já é suficiente 
para que seja imparcial.
c) o mediador poderá se 
manifestar, mas cuidando 
para que não beneficie 
qualquer dos conflitantes.
d) o mediador não poderá 
ser tendencioso para o 
autor do conflito, pois este 
está em vantagem.
e) o mediador não poderá 
ser tendencioso para a 
vítima do conflito, pois esta 
está em vantagem.
3. A mediação é única, mas há 
diferentes abordagens. Então, 
é correto afirmar que:
a) os diferentes tipos de mediação 
são excludentes entre si.
b) as diferentes abordagens 
de mediação poderão ser 
usadas simultaneamente.
c) tais abordagens significam que 
o mediador dará uma sugestão 
de solução ao conflito.
d) tais abordagens não 
dependem do conflito a 
ser mediado, tampouco da 
experiência do mediador.
e) são abordagens erradas, 
pois apenas a mediação 
clássica deve ser utilizada.
4. Os requisitos entre os 
mediadores judiciais e 
extrajudiciais diferem porque:
a) o mediador judicial é 
mais importante que o 
mediador extrajudicial.
b) não há estrutura para treinar 
todos os mediadores.
c) se quer desestimular a 
mediação extrajudicial.
d) não há diferenças de requisitos.
e) sendo o mediador extrajudicial 
alguém escolhido pelas partes, 
ele não precisa ter a formação 
formal de mediador.
5. O mediador deverá facilitar 
a identificação da questão 
do conflito porque:
a) tal ação permite descobrir 
quem teve a culpa.
b) permite que as partes 
processem a outra quando 
cientes do real problema.
c) possibilita que as partes 
compreendam que 
apenas interessam seus 
próprios interesses.
d) permite ao mediador 
comunicar ao juiz o que 
realmente está em jogo, 
para que o Judiciário possa 
decidir o processo.
e) a identificação da questão 
permite que os conflitantes 
compreendam que o litígio 
tem causas subjacentes não 
identificadas, procurando-se 
superar essas causas por 
meio de um acordo.
15Mediação: princípios, tipos e áreas de atuação
BACELLAR, R. P. Mediação e arbitragem. São Paulo: Saraiva, 2016.
BRASIL. Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2018.
BRASIL. Lei nº. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Diário Oficial 
[da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 mar. 2015b. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2018.
BRASIL. Lei nº. 13.140, de 26 de junho de 2015. Diário Oficial [da] República Federativa 
do Brasil, Brasília, DF, 29 jun. 2015a. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2018.
DIDIER JUNIOR., F. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao direito processual 
civil, parte geral e processo de conhecimento 17. ed. Salvador: JusPodivm, 2015. v. 1. 
SPENGLER, F. M. Mediação de conflitos: da teoria à prática. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2017. 
TARTUCE, F. Mediação nos conflitos civis. Rio de Janeiro: Forense, 2018. 
Leituras recomendadas
BRASIL. Lei nº. 9.099, de 26 de setembro de 1995. Diário Oficial [da] República Federa-
tiva do Brasil, Brasília, DF, 27 set. 1995. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2018.
BRASIL. Resolução CNJ nº. 125, de 29 de novembro de 2010. Dispõe sobre a Política 
Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito 
do Poder Judiciário e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2018.
MARASCHIN, M. U. (Coord.). Manual de negociação baseado na teoria de Harvard. 
Brasília: EAGU, 2017. 
http://planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
http://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
http://www.planalto.gov.br/
http://www.planalto.gov.br/
http://www.cnj.jus/
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
SOLUÇÃO DE 
CONFLITOS 
JURÍDICOS
Martha Luciana 
Scholze
 
Modernas teorias do 
conflito e os seus reflexos 
na abordagem conciliatória
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar um conflito.
  Explicar as modernas teorias do conflito.
  Analisar os reflexos das teorias do conflito diante da conciliação.
Introdução
A palavra conflito traz muitas definições e, com isso, muitas teorias. A 
definição de conflito abrange desde uma guerra que mata vários civis, 
uma briga pela guarda de um filho, até um conflito interno, de consciência, 
um conflito psicológico. Estudiosos procuram dividir os conflitos em 
teorias, para que possam ser melhor estudados. Diferentes elementos 
constituem um conflito, e pode acontecer de um fato que gera conflito 
em uma determinada sociedade ser considerado absolutamente normal 
em outra sociedade.
Neste capítulo, você vai estudar os elementos constitutivos e as mo-
dernas teorias do conflito e vai analisar os reflexos das teorias diante da 
conciliação.
Definição de conflito
A noção de confl ito não é unânime. Originada no latim, a palavra confl ito tem 
como raiz etimológica a ideia de choque, de contrapor ideias, palavras, ideologias, 
valores ou armas. Defi nir a palavra confl ito é uma tarefa árdua, composta de 
diversas variantes: um confl ito pode ser social, político, familiar, interno, externo, 
entre pessoas, entre nações, étnico, religioso ou, ainda, um confl ito de valores.
C04_Modernas_teoria_conflito.indd 1 27/06/2018 17:15:37
Em uma determinada comunidade, explode uma bomba matando dezenas 
de civis. Em outra sociedade, um casal litiga judicialmente pela guarda de um 
filho. Não longe dali, pais e filhos conflitam por ideias e valores. Na fábrica, 
patrões e empregados discutem condições de trabalho e aumento salarial. 
Ao mesmo tempo, uma pessoa solitária vive, internamente, um conflito de 
consciência. Assim, para que haja conflito é preciso, em primeiro lugar, que 
as forças confrontantes sejam dinâmicas, contendo em si próprias o sentido 
da ação, reagindo sobre as outras.
Pode-se dizer que o conflito também consiste em um enfrentamento entre 
dois seres ou grupos da mesma espécie, que manifestam, uns a respeito dos 
outros, uma intenção, geralmente relacionada a um direito. Para buscar ou 
manter esse direito, muitas vezes esses indivíduos lançam mão da violência, 
o que pode resultar no aniquilamento de um dos conflitantes. O conflito trata 
de romper a resistência do outro, pois consiste no confronto de duas vontades, 
quandouma busca a dominar a outra, com a expectativa de lhe impor a sua 
solução. Essa tentativa de dominação pode se concretizar por meio da vio-
lência direta ou indireta, por meio da ameaça física ou psicológica. No final, 
o desenrolar pode ser o reconhecimento da vitória de um sobre a derrota do 
outro. Assim, o conflito é uma maneira de ter razão, independentemente dos 
argumentos racionais. O conflito é um procedimento contencioso no qual os 
antagonistas se tratam como adversários ou inimigos.
Para Morais e Spengler (2018), a teoria do conflito possui três pressupostos 
fundamentais e interconexos:
  posse individual de interesses de base, que cada um procura realizar 
e que são peculiares a cada sociedade;
  necessária ênfase sobre o poder como núcleo das estruturas e relações 
sociais e na luta para obtê-lo; 
  ideias e valores utilizados pelos mais diversos grupos sociais como 
instrumentos para definir a sua identidade e os seus objetivos, o que 
vai desembocar na discussão da raiz identitária do conflito.
Estar em conflito é apenas uma das possíveis formas de interação; ou-
tra forma é a cooperação. Os conflitos podem acontecer entre indivíduos, 
grupos, organizações, etc. Existem, então, diversos níveis nos quais podem 
ser situados, de modo que seria possível centrar a atenção somente sobre os 
conflitos de classe, esquecendo dos conflitos étnicos, ou ainda, centrar apenas 
nos conflitos internacionais, esquecendo os conflitos políticos internos dos 
Estados e as guerras civis. 
Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória2
C04_Modernas_teoria_conflito.indd 2 27/06/2018 17:15:37
Como meio de medir forças e demonstrar poder, o conflito pode se trans-
formar em disputa. Uma disputa é um conflito interpessoal que é comunicado 
ou manifestado. Um conflito não se transforma em disputa a não ser que seja 
comunicado a alguém, na forma de incompatibilidade ou contestação. Con-
flitos aparecem quando as pessoas definem a sua posição, quando reagem e 
correspondem a infrações nos seus relacionamentos ou nas organizações, ou 
quando líderes expressam ofensas de forma pública ou privada. É importante 
fazer a diferenciação de disputa e conflito. Enquanto somente conflito, a 
incompatibilidade de interesses pode permanecer indefinidamente não iden-
tificada por terceiros e sem efeitos aparentes. Enquanto disputa, o conflito 
ocasiona comportamentos relacionados à obrigação.
A disputa, seja ela a respeito de fatos, de dinheiro ou de uma compra em 
um leilão, não é mais do que duas posturas em desacordo, mas de forma 
ordenada, já que cada um defende a sua posição. A disputa pode ocultar um 
conflito, mas diferente dele, não é caótica. A disputa pode ser a via para resol-
ver o conflito, mas nem toda resolução de disputa acaba com o conflito, que 
permanece contido, do mesmo modo que nem toda disputa traduz um conflito.
No mesmo sentido, os termos conflito e competição são empregados 
muitas vezes como sinônimos, o que pode provocar confusão. Muito embora 
a competição seja fonte e possa provocar conflito, nem todos os conflitos 
refletem a competição. O objetivo pelo qual a competição se dá em uma 
sociedade sempre é, presumivelmente, a favor de uma pessoa ou de terceiros. 
Nesses termos, cada uma das partes concorrentes tenta aproximar-se ao má-
ximo daquele terceiro. A principal característica sociológica da competição 
é o fato de o conflito ser indireto. Quando alguém se livra de um adversário 
ou o prejudica diretamente, não está competindo com ele. Antes de tudo, a 
forma pura da luta competitiva não é ofensiva e defensiva, pela razão de que 
o prêmio da disputa não está em mãos de nenhum dos adversários.
Algumas dúvidas que se instalam são: o conflito sempre é negativo? Ele 
pode ser considerado positivo? O conflito é uma patologia que acontece 
quando os papeis sociais não são desenvolvidos de forma adequada ou é 
um fenômeno fisiológico de desenvolvimento? O conflito possui, afinal, 
importância social?
Em resumo, o conflito é inevitável e salutar, especialmente se queremos 
chamar a sociedade na qual ele se insere de democrática. O importante é 
encontrar meios autônomos de manejá-lo, fugindo da ideia de que seja um 
fenômeno patológico e encarando-o como um fato, um evento fisiológico 
importante, positivo ou negativo, conforme os valores inseridos no contexto 
social analisado. Uma sociedade sem conflitos é estática.
3Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória
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Nem todo conflito é igual e nem todo conflito deve ser abordado da mesma forma. Por 
essa razão é preciso saber como e quando usar cada ferramenta, como negociação, 
poder, litígio, arbitragem, ouvidoria, conciliação, e diversas outras ferramentas dispo-
níveis. O desafio está em saber o que aplicar em cada ocasião, procurando escolher 
e aplicar as técnicas de forma inteligente. 
Modernas teorias do conflito
Há grande diversidade de teorias, escolas e pensadores que se distinguiram na 
condução do tema sobre as modernas teorias do confl ito, mas, de uma forma 
mais abrangente, podemos dividi-los, em dois grandes grupos: o condutismo 
(behaviorismo ou culturalismo) e a teoria macro (teoria clássica).
Os condutistas se detêm no estudo da psicologia da conduta, realizando a 
análise primária do comportamento individual em sobreposição à do conflito. 
Tal corrente se baseia na aprendizagem por condicionamento e na influência 
do ambiente no qual o sujeito está inserido. Os condutistas privilegiam a 
observação do comportamento e defendem a não consideração de elementos 
da ordem psicanalítica ou hereditária relacionados ao consciente — processos 
mentais ou biológicos —, não porque não existam, mas por serem pertinentes 
apenas ao campo da individualidade de cada ser humano. Para os condutistas, o 
conflito nada mais é do que um desdobramento do comportamento humano.
O behaviorismo valoriza o papel do estímulo em determinada situação. O 
conjunto de respostas a determinado estímulo em uma situação específica é 
chamado de comportamento. O cerne dessa corrente não se situa na ordem 
propriamente psíquica, mas, sim, nos reforços dados aos indivíduos.
Os defensores da teoria macro, por outro lado, atraem para o centro de sua 
análise o relacionamento entre os indivíduos e as influências destes na eclosão de 
conflitos e sua consequente resolução, aliados aos mais diversos fatores exógenos 
ou endógenos do conflito, não se tratando de um elemento meramente compor-
tamental, como defendem os condutistas. Portanto, as variáveis sociais e outras 
que envolvam a aplicação da noção de ator racional são estudadas pelos clássicos, 
envolvendo não somente inflexões comportamentais, mas também a interpretação 
de conceitos de negociação e oportunidade para a tomada de decisões.
Para entender a teoria de aprendizagem de Skinner, uma vertente do 
condutismo, verifica-se o seguinte exemplo: suponha-se uma lide entre o autor 
Modernas teorias do conflito e os seus reflexos na abordagem conciliatória4
C04_Modernas_teoria_conflito.indd 4 27/06/2018 17:15:37
A e o réu B, que tenha por objeto a discussão sobre a demarcação de um imóvel 
rural com 10 hectares, adquirido mediante a herança do genitor de A. O réu B 
alega que adquiriu dois hectares do bem quando o seu proprietário ainda era 
vivo, mediante compra e venda sem contrato formal, mas operacionalizada 
mediante a posse. Sabe-se que A pertence à família nos moldes tradicionais, 
religiosa e de nome. Com a deflagração do conflito e até o momento da audiência 
judicial de conciliação, B insiste em inserir um estímulo em A, alegando que a 
sua família “não tem palavra”. Nos termos da teoria comportamentalista, como 
A está inserido num meio cujo condicionamento é o de se manter uma posição 
defensiva em relação aos membros da família, é natural que um estímulo de 
agressão a esse valor repercuta negativamente e induza A a um conjunto de 
reações

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