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Júlia Carvalho @juliacarvalhovg *Processo de gametogênese: Gametogênese refere-se ao processo de formação de células especializadas para a reprodução denominadas de gametas, a partir de células diploides (2 conjuntos cromossômicos - pares) indiferenciadas, conhecidas como células germina- tivas primordiais. Os gametas diferem das demais células do corpo por serem células haploides (que contêm somente um único grupo cromossômico), sendo resultantes da meiose. A fusão de dois gametas haploides durante a fecundação restabelece a diploidia da espécie. *artigo O processo de gametogênese é considerado a primeira fase da reprodução sexuada e ocorre no interior das gônadas (testículo e ovário). No sexo masculino, este processo é denominando espermatogênese e no sexo feminino de ovogênese ou oogênese. *Espermatogênese: A espermatogênese compreende estágios celulares sucessivos, através dos quais as espermatogônias (células diploides; 2n) se transformam em espermatozoides (tipos celulares haploides; n). Quando o animal torna-se sexualmente maduro, as espermatogônias começam a proliferar intensamente através de divisões mitóticas, gerando novas espermatogônias. Da população de es- permatogônias são distinguíveis dois tipos de células: a) Espermatogônias do tipo A: são aquelas que retêm a capacidade de continuar sofrendo mitose e mantendo, assim, a população de células que podem originar novas espermatogônias. b) Espermatogônias do tipo B: são aquelas que possuem características citoplasmáticas e nucleares, adquiridas após um número limitado de divisões mitóticas, que são necessárias para entrar no ciclo da meiose. Estas células param de se dividir e crescem, sendo as precursoras dos espermatócitos primários. Um aumento do volume citoplasmático caracteriza a passagem da espermatogônia do tipo B para o espermatócito primário (ou espermatócito I; 2n). Sendo assim, cada espermatogônia dá origem a um espermatócito primário. Cada espermatócito primário sofre a primeira divisão meiótica (ocorre a separação dos cromossomos homólogos) e forma dois espermatócitos secundários (ou espermatócito II) com igual volume citoplasmático e haploides (n). Os espermatócitos secundários após completarem a segunda divisão meiótica, onde ocorre à separação das cromátides irmãs, dão origem a células haploides (n) chamadas de espermátides. Cada espermatócito secundário origina 02 (duas) espermátides haploides de tamanho semelhante. *artigo As espermátides sofrem uma intensa diferenciação celular e dão origem aos espermatozoides, que são células com forma mais Júlia Carvalho @juliacarvalhovg alongada e geralmente com uma cauda. Este processo de diferenciação envolve mudanças morfofuncionais, sendo denominado de espermiogênese. Cada espermátide se transforma em um espermatozoide maduro e haploide. Assim, ao final da espermatogênese, cada espermatogônia diploide tera originado quatro espermatozoides haploides e maduros. *artigo A espermiogênese que ocorre no final da espermatogênese, compreende uma série de processos que seguem: Condensação nuclear: ocorre um achatamento e redução do tamanho do núcleo, devido a uma grande condensação do material nuclear; Formação do capuz acrossômico ou acrossomo: a partir do complexo de Golgi, ocorre a formação de uma vesícula em forma de capuz e que recobre a parte anterior do núcleo. Esta organela contém diversas enzimas que desempenham importante papel na penetração do espermatozoide pelos envelopes ovulares e a membrana plasmática do gameta feminino; Formação do flagelo: no lado oposto ao acrossomo, ocorre a organização dos centríolos para a formação do flagelo que formará a cauda, destinada a dar propulsão ao espermatozoide; Organização das mitocôndrias na peça intermediária do flagelo: as mitocôndrias se organizam formando uma espiral em torno do flagelo. A concentração destas organelas é importante para o fornecimento de energia necessária para o movimento celular; Redução citoplasmática: eliminação do citoplasma em excesso; *Ovogênese A ovogênese difere da espermatogênese em vários aspectos. O gameta formado na espermatogênese é uma célula que possui mo- bilidade, sendo constituída quase somente pelo núcleo. Enquanto que o gameta formado na ovogênese contém todo o material necessário para posteriormente iniciar e manter o metabolismo na em- briogênese. Em adição a formação de um núcleo haploide, a ovogênese também produz um estoque de enzimas citoplasmáticas, RNA mensageiros, organelas e substratos metabólicos. Assim, enquanto que no espermatozoide o investimento energético foi concentrado na sua mobilidade, no gameta feminino esse investimento é voltado para a elaboração de um citoplasma de constituição mais complexa. Na ovogênese, ainda na vida embrionária as células germinativas primordiais diferenciam-se em ovogônias (diploide; 2n) que através de divisões mitóticas formarão novas ovogônias. Este período de proliferação celular, através de divisões mitóticas, marca o início do processo de ovogênese, não havendo a formação de diferentes populações de ovogônias. https://www.google.com/url?sa=i&url=https://brasilescola.uol.com.br/biologia/gametogenese.htm&psig=AOvVaw3LjN_FgTSKRcT_sqUucO5O&ust=1713987885349000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCPCStcyM2YUDFQAAAAAdAAAAABAE Júlia Carvalho @juliacarvalhovg Após sofrerem mitose, as ovogônias aumentam de volume e originam o ovócito primário (ou ovócito I), que é ainda uma célula diploide (2n). O aumento do volume celular é variável entre os grupos animais. O ovócito primário sofre a primeira divisão meiótica (reducional), formando por meio de uma divisão citoplasmática desigual, um ovócito secundário (ou ovócito II) e o primeiro glóbulo polar, sendo ambas as células haploides (n). A diferença entre essas duas células corresponde à quantidade de citoplasma, que ao contrário do ovócito, no glóbulo polar o citoplasma é extremamente reduzido. *artigo Acredita-se que esta divisão desigual na gametogênese feminina foi uma forma que a natureza encontrou para concentrar todos os constituintes citoplasmáticos e nutritivos em uma única célula (ga- meta), tornando-a apta a proporcionar a matéria e a energia necessárias para o embrião, até que ele possa obter sua nutrição de uma fonte externa e produzir, a partir do genoma, suas próprias proteínas. O ovócito secundário sofre a segunda divisão meiótica (equacional), também desigual, originando um óvulo (n) e o segundo glóbulo polar (n). O primeiro glóbulo, ou corpúsculo polar, também se divide, formando dois glóbulos polares. Assim, no final do processo de ovogênese cada ovogônia formará um único gameta e três glóbulos polares. Na ovogênese, o gameta maduro possui uma forma similar ao da ovogônia, diferindo apenas no volume. Isto se explica pelo fato de que embora ocorra uma diferenciação citoplasmática, não há uma diferenciação morfológica evidente como a verificada na espermatogênese. Um óvulo em desenvolvimento (ovócito) diferencia-se em um óvulo maduro por meio de uma sequência de eventos denominada ovulogênese. Durante o desenvolvimento embrionário inicial, as células germinativas primordiais da endoderme dorsal do saco vitelino migram, ao longo do mesentério do intestino posterior, para a superfície externa do ovário, que é revestida por um epitélio germinativo, derivado embriologicamente do epitélio das cristas germinais. Durante essa migração, as células germinativas dividem-se repetidamente. Uma vez que essas células germinativas primordiais alcancem o epitélio germinativo, elas migram para o interior da substância do córtex ovariano e se tornam ovogônias, ou ovócitos primordiais. *artigo Cada óvulo primordial, então, reúne em torno de si uma camada de células fusiformes do estroma ovariano (o tecido de suporte do ovário), fazendo com que adquiram características epitelioides; são, então, as chamadas células da granulosa. O óvulo circundado pela camada única de células da granulosa é denominado folículo primordial. Nessa fase, o óvulo ainda estáimaturo, e é preciso que mais duas divisões celulares ocorram antes que ele possa ser fertilizado por um espermatozoide. Nesse ponto, o óvulo é chamado de ovócito primário. A ovogônia no ovário embrionário completa a replicação mitótica, e a primeira fase da meiose começa no quinto mês do desenvolvimento fetal. Em seguida, a mitose das células germinativas cessa, e nenhum ovócito adicional é formado. No nascimento, o ovário contém cerca de 1 a 2 milhões de ovócitos primários. A primeira etapa da meiose começa durante o desenvolvimento fetal, mas continua até o estágio final da prófase I na puberdade, que geralmente ocorre entre 10 e 14 anos em mulheres. A primeira divisão meiótica do ovócito ocorre após a puberdade. Cada ovócito se divide em duas células, um óvulo grande (ovócito secundário) e um primeiro corpúsculo polar (primeiro polócito). Cada uma dessas células contém 23 cromossomos duplicados. O primeiro corpúsculo polar pode ou não sofrer uma segunda divisão meiótica e, então, desintegra-se. O óvulo sofre uma segunda divisão meiótica, e, após a separação das cromátides-irmãs, há uma pausa na Júlia Carvalho @juliacarvalhovg meiose. Se o óvulo for fertilizado, a etapa final da meiose ocorre, e as cromátides-irmãs do óvulo convertem-se em células separadas. (HALL, 2019) *Primeira semana de desenvolvimento e fecundação: O período embrionário se estende desde a fecundação até a oitava semana. A primeira semana de desenvolvimento é caracterizada por vários eventos significativos, incluindo fecundação, clivagem do zigoto, formação de blastocisto e implantação. (TORTORA, 2019) *Fecundação. Durante a fecundação ou fertilização, o material genético de um espermatozoide haploide e de um oócito secundário haploide se funde em um único núcleo diploide. Dos 200 milhões de espermatozoides introduzidos na vagina, menos de 2 milhões (1%) atingem o colo do útero e apenas cerca de 200 alcançam o oócito secundário. A fecundação ocorre normalmente na tuba uterina na região da ampola dentro de 12 a 24 horas após a ovulação. O espermatozoide pode permanecer viável por aproximadamente 48 horas após a deposição na vagina, enquanto um oócito secundário permanece viável por apenas cerca de 24 horas após a ovulação. Portanto, a gravidez é mais provável de ocorrer se a relação sexual ocorrer durante uma janela de 3 dias – de 2 dias antes da ovulação até 1 dia após a ovulação. (TORTORA, 2019) Os espermatozoides nadam da vagina para o canal cervical pelos movimentos de chicote de suas caudas (flagelos). A passagem de espermatozoides através do resto do útero e depois para a tuba uterina resulta principalmente de contrações das paredes desses órgãos com auxílio dos cílios. Acredita-se que as prostaglandinas no sêmen estimulem a motilidade uterina no momento da relação sexual para ajudar no movimento de espermatozoides através do útero e da tuba uterina. Os espermatozoides que atingem a vizinhança do oócito minutos após ejaculação não são capazes de fertilizá-lo até cerca de 7 horas mais tarde. Durante esse tempo no trato genital feminino, principalmente na tuba uterina, os espermatozoides sofrem capacitação; uma série de alterações funcionais que promovem movimentos ainda mais vigorosos da cauda do espermatozoide e preparam sua membrana plasmática para a fusão com a membrana plasmática do oócito. Durante a capacitação, os espermatozoides são influenciados por secreções no trato genital feminino que resultam na remoção do colesterol, glicoproteínas e proteínas da membrana plasmática ao redor da cabeça do espermatozoide. Apenas espermatozoides capacitados podem ser atraídos e responder a fatores químicos produzidos pelas células circundantes do oócito ovulado. (TORTORA, 2019) Para que a fecundação ocorra, um espermatozoide deve primeiro penetrar duas camadas: a coroa radiada, as células da granulosa que circundam o oócito secundário e a zona pelúcida, e a camada clara de glicoproteína, entre a coroa radiada e a membrana plasmática do oócito. O acrossomo, uma estrutura semelhante a um capacete que cobre a cabeça de um espermatozoide, contém várias enzimas. Enzimas acrossômicas e movimentos fortes da cauda pelo espermatozoide ajudam a penetrar nas células da coroa radiada e entram em contato com a zona pelúcida. Uma das glicoproteínas da zona pelúcida, denominadas ZP3, atua como um receptor do espermatozoide. Sua ligação a proteínas específicas de membrana na Júlia Carvalho @juliacarvalhovg cabeça do espermatozoide desencadeia a reação acrossomal, a liberação do conteúdo do acrossomo. As enzimas acrossomais digerem um caminho através da zona pelúcida, à medida que a cauda do espermatozoide empurra o espermatozoide para frente. Embora muitos espermatozoides se liguem à ZP3 e sofram reações acrossomais, apenas o primeiro espermatozoide a penetrar em toda a zona pelúcida e alcançar a membrana plasmática do oócito se funde com o oócito. A fusão de um espermatozoide com um oócito secundário desencadeia eventos de movimento que bloqueiam a polispermia - a fecundação por mais de um espermatozoide. Em poucos segundos, a membrana celular do oócito despolariza, o que atua como um bloqueio rápido à polispermia – incapacitando um oócito despolarizado de fundir com outro espermatozoide. A despolarização também desencadeia a liberação de íons cálcio, que estimulam a exocitose de vesículas secretoras a partir do oócito. As moléculas liberadas por exocitose inativam ZP3 e enrijecem toda a zona pelúcida, eventos chamados de bloqueio lento para a polispermia. (TORTORA, 2019) Uma vez que um espermatozoide entra em um oócito secundário, o oócito primeiro deve completar a meiose II. Divide-se em um óvulo maior (ovo maduro) e um segundo corpo polar menor que se fragmenta e se desintegra. O núcleo na cabeça do espermatozoide se desenvolve no pronúcleo masculino e o núcleo do óvulo fertilizado se desenvolve no pronúcleo feminino. Após a formação dos pronúcleos masculino e feminino, eles se fundem, produzindo um único núcleo diploide, um processo conhecido como singamia. Desse modo, a fusão dos pronúcleos haploides (n) restaura o número diploide (2n) de 46 cromossomos. O óvulo fertilizado agora é chamado de zigoto. Gêmeos dizigóticos (fraternos) são produzidos a partir da liberação independente de dois oócitos secundários e a subsequente fecundação de cada um por espermatozoides diferentes. Eles apresentam a mesma idade e estão no útero ao mesmo tempo, mas eles são geneticamente tão diferentes quantos quaisquer outros irmãos. Gêmeos dizigóticos podem ou não ser do mesmo sexo. Como os gêmeos monozigóticos (idênticos) se desenvolvem a partir de um único óvulo fertilizado, eles contêm exatamente o mesmo material genético e possuem sempre o mesmo sexo. Gêmeos monozigóticos surgem da separação de células em desenvolvimento em dois embriões, que em 99% dos casos ocorre antes de 8 dias se passarem. Separações que ocorrem depois de 8 dias são suscetíveis de produzir gêmeos siameses, uma situação em que os gêmeos são unidos e compartilham algumas estruturas corporais. *Clivagem do zigoto. Após a fecundação, ocorrem rápidas divisões celulares mitóticas do zigoto denominadas clivagem. A primeira divisão do zigoto começa aproximadamente 24 horas após a fecundação e é completada cerca de 6 horas depois. Cada divisão sucessiva leva um pouco menos de tempo. No segundo dia após a fecundação, a segunda clivagem é concluída e há quatro células. Até o final do terceiro dia, existem 16 células. As células cada vez menores produzidas por clivagem são denominadas blastômeros. Clivagens sucessivas eventualmente produzem uma esfera sólida de células, chamada mórula. A mórula ainda está cercada pela zona pelúcida e tem aproximadamente o mesmo tamanho que o zigoto original. (HALL, 2019) *Formação do blastocisto. No final do quarto dia, o número de células na mórula aumenta à medida que continua a se mover através da tuba uterina em direção à cavidade uterina. Quando a mórula entra na cavidade uterina no dia 4 ou 5, uma secreção rica em glicogêniodas glândulas do endométrio do útero https://www.google.com/url?sa=i&url=https://www.todamateria.com.br/como-ocorre-a-fecundacao-humana/&psig=AOvVaw24YeTZG65q-9764ES9-ts5&ust=1713989467935000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCKCSp72S2YUDFQAAAAAdAAAAABAE Júlia Carvalho @juliacarvalhovg passa para a cavidade uterina e entra na mórula através da zona pelúcida. Esse líquido, denominado leite uterino, juntamente de nutrientes armazenados no citoplasma dos blastômeros da mórula, fornece nutrição para a mórula em desenvolvimento. No estágio de 32 células, o líquido entra na mórula, coleta entre os blastômeros e os reorganiza em torno de uma grande cavidade cheia de líquido, chamada cavidade do blastocisto, também chamado de blastocele. Uma vez formada a cavidade do blastocisto, a massa em desenvolvimento é denominada blastocisto. Embora agora tenha centenas de células, o blastocisto ainda tem aproximadamente o mesmo tamanho que o zigoto original. (TORTORA, 2019) Durante a formação do blastocisto, duas populações celulares distintas surgem: o embrioblasto e o trofoblasto. O embrioblasto ou massa celular interna está localizado internamente e, eventualmente, desenvolve-se no embrião. O trofoblasto é a camada superficial externa de células que forma a parede esférica do blastocisto. Ele acabará por se desenvolver no saco coriônico exterior, que envolve o feto e a porção fetal da placenta, a qual corresponde ao local de troca de nutrientes e resíduos entre a mãe e o feto. Por volta do quinto dia após a fecundação, o blastocisto “eclode” da zona pelúcida a partir da digestão de um buraco nela com uma enzima e, em seguida, com a compressão por esse orifício. Essa excreção da zona pelúcida é necessária para permitir o próximo passo, que é a implantação (fixação) no revestimento endometrial glandular e vascular do útero. (TORTORA, 2019) *Implantação: O blastocisto permanece livre dentro da cavidade uterina por cerca de 2 dias antes de se fixar à parede uterina. Nesse momento, o endométrio está em sua fase secretora. Cerca de 6 dias após a fecundação, o blastocisto se fixa frouxamente ao endométrio em um processo denominado implantação. À medida que ocorre a implantação do blastocisto, geralmente tanto na porção posterior do fundo ou do corpo do útero, ele orienta a massa celular interna em direção ao endométrio. Aproximadamente 7 dias após a fecundação, o blastocisto se liga ao endométrio com mais firmeza, as glândulas endometriais nas proximidades aumentam, e o endométrio torna-se mais vascularizado (forma novos vasos sanguíneos). O blastocisto eventualmente secreta enzimas e se adere firmemente ao endométrio, ficando cercado por ele. (TORTORA, 2019) Após a implantação, a camada funcional do endométrio é conhecida como decídua. A decídua se separa do endométrio após o nascimento do feto, assim como acontece na menstruação normal. Diferentes regiões da decídua são nomeadas com base em suas posições relativas ao local de implantação do blastocisto. A decídua basal é a porção do endométrio profunda ao embrião em Júlia Carvalho @juliacarvalhovg implantação, entre ele e o estrato basal do útero; fornece grandes quantidades de glicogênio e lipídios para o embrião e feto em desenvolvimento e mais tarde, torna-se parte materna da placenta. A decídua capsular é a porção do endométrio que cobrirá o embrião após este ser implantado no endométrio, entre ele e a cavidade uterina. A decídua parietal é o endométrio modificado remanescente que reveste as áreas não envolvidas do resto do útero. À medida que o embrião e, depois, o feto aumentam de tamanho, avançando para dentro da cavidade uterina, a decídua capsular torna-se fina e, eventualmente, desaparece conforme o feto aumentado preenche a cavidade uterina e a empurra contra a decídua parietal circundante. Por volta de 27 semanas, a decídua capsular degenera e desaparece. *Segunda semana de desenvolvimento *Desenvolvimento do trofoblastoAproximadamente 8 dias depois da fecundação, o trofoblasto desenvolve-se em duas camadas na região de contato entre o blastocisto e o endométrio. Estes são um sinciciotrofoblasto, que não contém limites celulares distintos, e um citotrofoblasto, entre o embrioblasto e o sinciciotrofoblasto, que é composto de células distintas. As duas camadas de trofoblasto tornam-se parte do cório (uma das membranas fetais), à medida que sofrem crescimento adicional. Durante a implantação, o sinciciotrofoblasto secreta enzimas que permitem que o blastocisto penetre no revestimento uterino pela digestão e pela liquefação das células endometriais. Eventualmente, o blastocisto fica enterrado no endométrio e no terço interno do miométrio. Outra secreção do trofoblasto é a gonadotrofina coriônica humana (hCG), que tem ações semelhantes ao hormônio luteinizante (LH). A hCG resgata o corpo lúteo da degeneração e sustenta sua secreção de progesterona e estrógenos. Esses hormônios mantêm o revestimento uterino em um estado secretor, evitando a menstruação. O pico de secreção de hCG ocorre por volta da nona semana de gravidez, momento em que a placenta está totalmente desenvolvida e produz progesterona e estrógenos, que continuam a sustentar a gestação. A presença de hCG no sangue ou urina materna é um indicador de gravidez e é detectada por testes de gravidez realizados em domicílio. (HALL, 2019) *Desenvolvimento do disco embrionário bilaminar. Assim como no trofoblasto, as células do embrioblasto também se diferenciam em duas camadas cerca de 8 dias após a fecundação: o hipoblasto (endoderma primitivo) e o epiblasto (ectoderma primitivo). Células do hipoblasto e epiblasto juntos formam um disco plano referido como Júlia Carvalho @juliacarvalhovg o disco embrionário bilaminar. Logo, aparece uma pequena cavidade dentro do epiblasto que, eventualmente, aumenta para formar a cavidade amniótica. *Desenvolvimento do âmnio. Como a cavidade amniótica aumenta, uma única camada de células pavimentosas forma um teto em forma de cúpula acima das células do epiblasto, denominada âmnio. Portanto, o âmnio forma o teto da cavidade amniótica, e o epiblasto forma o assoalho. Inicialmente, o âmnio cobre apenas o disco embrionário bilaminar. No entanto, conforme o disco embrionário aumenta de tamanho e começa a dobrar, o âmnio eventualmente envolve todo o embrião, criando a cavidade amniótica que fica cheia de líquido amniótico. A maior parte do líquido amniótico é inicialmente derivada do sangue materno. Mais tarde, o feto contribui para o líquido a partir da excreção de urina na cavidade amniótica. O líquido amniótico serve como um amortecedor para o feto, ajuda a regular a temperatura corporal fetal, ajuda a prevenir o ressecamento do feto e evita aderências entre a pele do feto e os tecidos circundantes. O âmnio geralmente se rompe pouco antes do nascimento; ele e seu líquido constituem a “bolsa das águas”. As células embrionárias são normalmente eliminadas no líquido amniótico. Elas podem ser examinadas em um procedimento chamado amniocentese, que envolve a retirada de parte do líquido amniótico que banha o feto em desenvolvimento e a análise das células fetais e substâncias dissolvidas. *Desenvolvimento da vesícula umbilical (saco vitelino). Também no oitavo dia após a fecundação, as células da margem do hipoblasto migram e cobrem a superfície interna da parede do blastocisto. As células colunares migratórias tornam- se pavimentosas (planas) e, em seguida, formam uma membrana fina chamada de endoblasto extraembrionário (membrana exocelômica). Junto do hipoblasto, a membrana exocelômica forma a parede da vesícula umbilical (saco vitelino), a antiga cavidade do blastocisto durante o desenvolvimento anterior. Como resultado, o disco embrionário bilaminar está agora posicionado entre a cavidade amniótica e a vesícula umbilical. Como os embriões humanos recebem seus nutrientes derivados do endométrio, a vesícula umbilical está relativamente vazia e pequena e diminui de tamanho à medida que o desenvolvimento progride. No entanto,a vesícula umbilical tem várias funções importantes nos seres humanos: fornece nutrientes para o embrião durante a segunda e terceira semanas de desenvolvimento; é a fonte de células sanguíneas da terceira a sexta semanas; contém as primeiras células (células germinativas primordiais) que eventualmente migram para as gônadas em desenvolvimento, diferenciam-se nas células germinativas primitivas e formam gametas; faz parte do aparelho digestório; funciona como amortecedor de choque e ajuda a prevenir o ressecamento do embrião. (TORTORA, 2019) *Desenvolvimento dos sinusoides. No nono dia após a fecundação, o blastocisto fica completamente imerso no endométrio. À medida que o sinciciotrofoblasto se expande, pequenos espaços, chamados lacunas trofoblásticas (pequenos lagos), desenvolvem-se dentro dele. No décimo segundo dia de desenvolvimento, as lacunas trofoblásticas se fundem para formar espaços maiores e interconectados, chamados círculos vasculares (redes lacunares). Os capilares endometriais ao redor do embrião em desenvolvimento se dilatam e são Júlia Carvalho @juliacarvalhovg referidos como sinusoides maternos. Enquanto o sinciciotrofoblasto promove a erosão de alguns dos sinusoides maternos e glândulas endometriais, o sangue materno e as secreções das glândulas entram nos círculos vasculares e fluem através deles. O sangue materno é uma rica fonte de material para a nutrição embrionária e um local de descarte para os resíduos do embrião. *Desenvolvimento do celoma extraembrionário. Por volta do décimo segundo dia após a fecundação, o mesoderma do mesoblasto extraembrionário (mesoderma extraembrionário) desenvolve-se. Essas células mesoblásticas são derivadas da vesícula umbilical e formam uma camada de tecido conjuntivo (mesênquima) ao redor do âmnio e vesícula umbilical. Logo em seguida, uma série de grandes cavidades se desenvolve no mesoblasto extraembrionário, que, então, funde-se para formar uma única cavidade maior chamada de celoma extraembrionário. *Desenvolvimento do cório. O mesoblasto extraembrionário, juntamente das duas camadas do trofoblasto (o citotrofoblasto e o sinciciotrofoblasto), forma o cório (membrana). O cório envolve o embrião e, posteriormente, o feto. Eventualmente, torna-se a principal parte embrionária da placenta, a estrutura para troca de substâncias entre mãe e feto. O cório também protege o embrião e o feto de respostas imunes da mãe de duas maneiras: (1) secreta proteínas que bloqueiam a produção de anticorpos pela mãe; (2) promove a produção de linfócitos T que suprimem a resposta imune normal no útero. Por fim, o cório produz hCG, um importante hormônio da gravidez. A camada interna do cório eventualmente funde-se com o âmnio. Com o desenvolvimento do cório, o celoma extraembrionário é agora referido como a cavidade coriônica. Ao final da segunda semana de desenvolvimento, o disco embrionário bilaminar torna-se conectado ao trofoblasto por uma banda de mesoblasto extraembrionário chamado de pedículo de conexão. O pedículo de conexão é o futuro cordão umbilical. *Terceira semana de desenvolvimento A terceira semana embrionária inicia um período de 6 semanas de desenvolvimento e diferenciação muito rápidos. Durante a terceira semana, as três camadas germinativas primárias são determinadas e estabelecem as bases para o desenvolvimento dos órgãos nas semanas quatro a oito. (TORTORA, 2019) *Gastrulação. O primeiro grande evento da terceira semana de desenvolvimento, a gastrulação, ocorre cerca de 15 dias após a fecundação. Nesse processo, o disco embrionário bilaminar (duas camadas), que é constituído por epiblasto e hipoblasto, transforma-se em um disco embrionário trilaminar (três camadas). Consiste em três camadas: o ectoderma, o mesoderma e o endoderma. Essas camadas germinativas primárias são os principais tecidos embrionários a partir dos quais os vários tecidos e órgãos do corpo se desenvolvem. (SADLER, 2019) A gastrulação envolve o rearranjo e a migração de células do epiblasto. A primeira evidência de gastrulação é a formação da linha primitiva, um sulco tênue na superfície dorsal do epiblasto, que se alonga da porção posterior para a anterior do embrião. A linha primitiva estabelece claramente as extremidades da cabeça e cauda do embrião, bem como seus lados direito e esquerdo. Na extremidade cefálica da linha primitiva, um pequeno grupo de células epiblásticas https://www.google.com/url?sa=i&url=http://www.biorede.pt/page.asp?id=3411&psig=AOvVaw3h9Cjoa7PaAieMk4d3Circ&ust=1713992198677000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCKDhu9Wc2YUDFQAAAAAdAAAAABAK https://www.google.com/url?sa=i&url=https://www.todamateria.com.br/folhetos-embrionarios/&psig=AOvVaw3lb63bemfyUbxqA5jetJF-&ust=1713992405851000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCPC-87ed2YUDFQAAAAAdAAAAABAE Júlia Carvalho @juliacarvalhovg forma uma estrutura arredondada denominada nó primitivo. Após a formação da linha primitiva, as células do epiblasto movem-se para dentro abaixo da linha primitiva e se desprendem do epiblasto em um processo chamado invaginação. Após a invaginação das células, algumas delas deslocam o hipoblasto, formando o endoderma. Outras células permanecem entre o epiblasto e o endoderma recém-formado para formar o mesoderma. As células que permanecem no epiblasto, então, formam o ectoderma. O ectoderma e o endoderma são os epitélios compostos de células firmemente compactadas; o mesoderma é um tecido conjuntivo frouxo (mesênquima). Enquanto o embrião se desenvolve, o endoderma acaba se tornando o revestimento epitelial do trato digestório, trato respiratório e vários outros órgãos. O mesoderma dá origem aos músculos, ossos e outros tecidos conjuntivos, além do peritônio. O ectoderma desenvolve-se na epiderme da pele e no sistema nervoso. Aproximadamente 16 dias após a fecundação, as células mesodérmicas do nó primitivo migram em direção à extremidade cefálica do embrião e formam um tubo oco de células na linha mediana, denominado processo notocordal. Nos dias 22 a 24, o processo notocordal torna-se um cilindro sólido de células denominado notocorda. A notocorda induz determinadas células mesodérmicas para se desenvolverem nos corpos vertebrais. Também forma o núcleo pulposo dos discos intervertebrais. Também durante a terceira semana de desenvolvimento, duas depressões leves aparecem na superfície dorsal do embrião em contato com o ectoderma e o endoderma, mas sem o mesoderma entre eles. A estrutura mais próxima da extremidade cefálica é chamada de membrana orofaríngea. Ela se decompõe durante a quarta semana para conectar a cavidade oral à faringe e ao restante do trato digestório. A estrutura mais próxima da extremidade caudal é chamada de membrana cloacal, que degenera na sétima semana para formar as aberturas do ânus e os tratos urinário e genital. Quando a membrana cloacal aparece, a parede da vesícula umbilical forma uma pequena invaginação vascularizada, chamada alantoide, que se estende até o pedículo de conexão. Em organismos não mamíferos envolvidos por um âmnio, o alantoide é usado para trocas gasosas e remoção de resíduos. Devido ao papel da placenta humana nessas atividades, o alantoide não é uma estrutura proeminente em humanos. Apesar disso, funciona na formação precoce de sangue e vasos sanguíneos, além de estar associado ao desenvolvimento da bexiga urinária. (TORTORA, 2019) *Neurulação. Além de induzir células mesodérmicas ao desenvolvimento de corpos vertebrais, a notocorda https://www.google.com/url?sa=i&url=https://embrionhands.uff.br/2019/08/31/quarta-a-oitava-semanas-dobramento-do-embriao-3/&psig=AOvVaw0gh_W-Ijjc2NS8WDhDVdZb&ust=1713992951030000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCJjyhbyf2YUDFQAAAAAdAAAAABAE Júlia Carvalho @juliacarvalhovg também induz células ectodérmicas situadas sobre ela na formação da placa neural. No final da terceira semana, as margens laterais da placa neural tornam-se mais elevadas e formam as pregas neurais. A região média com depressão é denominadasulco neural. Geralmente, as pregas neurais aproximam-se e fundem-se, convertendo, assim, a placa neural em um tubo neural. Isso ocorre primeiro perto da porção média do embrião e, então, progride em direção às extremidades cefálica e caudal. Assim, as células do tubo neural se desenvolvem no encéfalo e na medula espinal. O processo pelo qual a placa neural, as pregas neurais e o tubo neural se formam é denominado neurulação. À medida que o tubo neural se forma, algumas das células ectodérmicas do tubo migram para formar várias camadas de células denominadas crista neural. As células da crista neural originam todos os neurônios sensitivos e neurônios pós-ganglionares dos nervos periféricos, as medulas suprarrenais, os melanócitos (células pigmentadas) da pele, a aracnoide-máter e pia-máter encefálicas e espinais e quase todos os componentes do tecido esquelético e conjuntivo da cabeça. Cerca de 4 semanas após a fecundação, a extremidade cefálica do tubo neural desenvolve-se em três áreas aumentadas, denominadas vesículas encefálicas primárias: o prosencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo. Em aproximadamente 5 semanas, o prosencéfalo se desenvolve em vesículas encefálicas secundárias chamadas de telencéfalo e diencéfalo; e o rombencéfalo se desenvolve em vesículas encefálicas secundárias denominadas metencéfalo e mielencéfalo. (SADLER, 2019) As áreas do tubo neural adjacentes ao mielencéfalo desenvolvem-se na medula espinal. *Desenvolvimento dos somitos. Por volta do dia 17 após a fecundação, o mesoderma adjacente à notocorda e ao tubo neural forma colunas longitudinais pareadas de mesoderma paraxial. O mesoderma lateral ao mesoderma paraxial forma massas cilíndricas pares denominadas mesênquima intermediário. O mesoderma lateral ao mesênquima intermediário consiste em um par de folhetos achatados denominados mesoderma da placa lateral. O mesoderma paraxial logo se segmenta em uma série de estruturas cuboides e pareadas, chamadas somitos (pequenos corpos). Ao final da quinta semana, 42 a 44 pares de somitos estão presentes. O número de somitos que se desenvolvem durante um determinado período pode ser correlacionado à idade aproximada do embrião. (TORTORA, 2019) Cada somito se diferencia em duas regiões distintas: um dermomiótomo e um esclerótomo. O dermomiótomo se diferencia depois em um dermátomo que contribuirá para a formação da tela subcutânea e da derme e, em um miótomo, que dará origem a todos os músculos esqueléticos do tronco e membros. Os esclerótomos originam as vértebras e as costelas. *Desenvolvimento do celoma intraembrionário. Na terceira semana de desenvolvimento, aparecem pequenos espaços no mesoderma da placa lateral. Esses espaços logo se fundem para formar uma cavidade maior, chamada celoma intraembrionário. Essa cavidade divide o mesoderma da placa lateral em duas partes denominadas mesênquima da esplancnopleura e mesênquima da somatopleura. O mesênquima da esplancnopleura forma o coração e a lâmina visceral do pericárdio seroso, os vasos sanguíneos, o músculo liso e os tecidos conjuntivos dos órgãos respiratórios e digestórios, além da lâmina visceral das pleuras e do peritônio. O mesênquima da somatopleura dá origem a ossos, ligamentos, vasos sanguíneos e tecido conjuntivo dos membros e lâmina parietal do pericárdio seroso, pleura e peritônio. https://www.google.com/url?sa=i&url=https://pt.wikipedia.org/wiki/Placa_neural&psig=AOvVaw2MajAo88u0N3AjjToKhVYr&ust=1713993118768000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCMCt54yg2YUDFQAAAAAdAAAAABAK Júlia Carvalho @juliacarvalhovg *Desenvolvimento do sistema cardiovascular. No início da terceira semana, começa a angiogênese, a formação de vasos sanguíneos, no mesoblasto extraembrionário na vesícula umbilical, pedículo de conexão e cório. Esse desenvolvimento precoce é necessário, porque não há vitelo suficiente na vesícula umbilical e óvulo para fornecer nutrição adequada para o embrião em rápido desenvolvimento. A angiogênese é iniciada quando células mesodérmicas se diferenciam em hemangioblastos. Estes, então, desenvolvem-se em células denominadas angioblastos, que se agregam para formar massas isoladas de células referidas como ilhotas sanguíneas. Logo desenvolvem-se espaços nas ilhotas sanguíneas, que formam os lúmens dos vasos sanguíneos. Alguns angioblastos se organizam em torno de cada espaço para formar o endotélio e as túnicas (camadas) dos vasos sanguíneos em desenvolvimento. À medida que as ilhotas sanguíneas crescem e se fundem, elas logo formam um extenso sistema de vasos sanguíneos em todo o embrião. (MOORE, 2019) Cerca de 3 semanas após a fecundação, as células sanguíneas e o plasma começam a se desenvolver fora do embrião a partir de hemangioblastos nos vasos sanguíneos nas paredes da vesícula umbilical, alantoide e cório. Estes, então, desenvolvem-se em células-tronco multipotentes, que formam as células do sangue. A formação do sangue começa dentro do embrião, por volta da quinta semana no fígado, e na décima segunda semana no baço, medula óssea vermelha e timo. O coração se forma a partir do mesênquima da esplancnopleura na extremidade cefálica do embrião nos dias 18 e 19. Essa região das células mesodérmicas é denominada mesênquima cardiogênico. Em resposta aos sinais de indução do endoderma subjacente, essas células mesodérmicas formam um par de tubos endocárdicos primordiais. Os tubos fundem-se para formar um único tubo cardíaco. No final da terceira semana, o tubo cardíaco se dobra sobre si mesmo, fica em forma de S e começa a se contrair. Em seguida, une os vasos sanguíneos em outras partes do embrião, o pedículo de conexão, o cório e a vesícula umbilical para formar um sistema cardiovascular primitivo. *Desenvolvimento das vilosidades coriônicas e da placenta. À medida que o tecido embrionário invade a parede uterina, os vasos uterinos maternos são erodidos e o sangue materno preenche os espaços, chamados lacunas trofoblásticas dentro do tecido invasor. Ao final da segunda semana de desenvolvimento, começam a se desenvolverem as vilosidades coriônicas. Essas projeções digitiformes consistem no cório (sinciciotrofoblasto cercado por citotrofoblasto) que se projeta na parede endometrial do útero. Até o final da terceira semana, os capilares sanguíneos se desenvolvem nas vilosidades coriônicas. Os vasos sanguíneos nas vilosidades coriônicas se conectam ao coração embrionário, pelas artérias umbilicais, e veia umbilical, pelo pedículo de conexão, que se torna o cordão umbilical. Os capilares sanguíneos embrionários dentro das vilosidades coriônicas se projetam nas lacunas trofoblásticas, que se unem para formar os espaços intervilosos que banham as vilosidades coriônicas com o sangue materno. Como resultado, o sangue https://www.google.com/url?sa=i&url=https://embrionhands.uff.br/2019/08/29/sistema-cardiovascular/&psig=AOvVaw1eaLG79ivIqMWbphsY4OXz&ust=1713993771877000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCMDe5Mei2YUDFQAAAAAdAAAAABA_ Júlia Carvalho @juliacarvalhovg materno banha os vasos sanguíneos fetais cobertos por cório. Observe, no entanto, que os vasos sanguíneos embrionários e maternos não se unem, e o sangue que eles transportam normalmente não se mistura. Em vez disso, o oxigênio e os nutrientes no sangue dos espaços intervilosos da mãe, os espaços entre as vilosidades coriônicas, difundem-se através das membranas celulares para os capilares das vilosidades. Produtos residuais, como o dióxido de carbono (CO2), difundem-se na direção oposta. A placentação é o processo de formação da placenta, local de troca de nutrientes e resíduos entre a mãe e o embrião/feto. A placenta também produz hormônios necessários para sustentar a gestação. No início da décima segunda semana, a placenta possui duas partes distintas: (1) a porção fetal formada pelas vilosidades do cório e (2) a porção materna formada pela camada basal do endométrio do útero. Quando totalmente desenvolvida, a placenta tem a forma de uma panqueca. Funcionalmente, a placenta permite a difusão de oxigênioe nutrientes derivados do sangue materno para o sangue fetal, enquanto o CO2 e resíduos difundem-se do sangue fetal para o sangue materno. A placenta também é uma barreira protetora, porque a maioria dos microrganismos não consegue atravessá-la. No entanto, alguns vírus, como os que causam a AIDS, a caxumba, a varicela, o sarampo, a encefalite e a poliomielite, podem atravessar a placenta. Muitos medicamentos, álcool e algumas substâncias que podem causar defeitos congênitos também passam livremente. A placenta armazena nutrientes, como carboidratos, proteínas, cálcio e ferro, que são liberados na circulação fetal, quando necessário. A conexão real entre a placenta e o embrião e, posteriormente, o feto, é através do cordão umbilical (umbigo), que se desenvolve a partir do pedículo de conexão e geralmente apresenta em torno de 2 cm de largura e cerca de 50 a 60 cm de comprimento. O cordão umbilical é formado por duas artérias umbilicais que transportam sangue fetal desoxigenado para a placenta, uma veia umbilical que transporta oxigênio e nutrientes adquiridos dos espaços intervilosos da mãe para o feto e o tecido conjuntivo mucoide (mucoso) de sustentação, derivado do alantoide. Uma camada de âmnio envolve todo o cordão umbilical e dá uma aparência brilhante. Em alguns casos, a veia umbilical é utilizada para a transfusão de sangue em um feto ou para introduzir medicamentos em vários tratamentos médicos. Após o nascimento do bebê, a placenta se descola do útero e é, portanto, denominada secundina. Nesse momento, o cordão umbilical é amarrado e depois cortado. A pequena porção (cerca de 2,54 cm) do cordão que permanece presa ao bebê começa a murchar e cai, geralmente dentro de 12 a 15 dias após o nascimento. A área onde o cordão estava conectado fica coberta por uma fina camada de pele e forma-se tecido cicatricial. A cicatriz é o umbigo. (TORTORA, 2019) As empresas farmacêuticas usam placentas humanas como fonte de hormônios, medicamentos e sangue; porções da placenta são também utilizadas para cobertura de queimaduras. As veias placentárias e do cordão umbilical também podem ser usadas em enxertos de vasos sanguíneos, e o sangue do cordão umbilical pode ser congelado para fornecer uma futura fonte de células-tronco pluripotentes, por exemplo, para repovoar a medula óssea vermelha após a radioterapia para câncer. *Quarta semana de desenvolvimento A quarta até a oitava semanas de desenvolvimento são muito significativas no desenvolvimento embrionário, pois todos os principais órgãos surgem durante esse período. O termo organogênese refere-se à formação de órgãos e sistemas do corpo. Ao final da oitava semana, todos os principais sistemas do corpo começaram a se desenvolver, embora suas funções, na maioria das vezes, sejam mínimas. A organogênese requer a presença de vasos sanguíneos para suprir órgãos em desenvolvimento com oxigênio e outros nutrientes. No entanto, estudos recentes sugerem que os vasos sanguíneos desempenham papel significativo na organogênese mesmo antes de o sangue começar a fluir dentro deles. As células endoteliais dos vasos sanguíneos aparentemente fornecem algum tipo de Júlia Carvalho @juliacarvalhovg sinal de desenvolvimento, seja uma substância secretada ou uma interação direta célula a célula, que é necessária para a organogênese. Durante a quarta semana após a fecundação, o embrião sofre mudanças drásticas na forma e no tamanho, quase triplicando seu tamanho. É essencialmente convertido de um disco embrionário trilaminar, bidimensional e achatado para um cilindro tridimensional, em um processo chamado dobramento embrionário. (TORTORA, 2019) O cilindro consiste em endoderma no centro (intestino), ectoderma no exterior (epiderme) e mesoderma na porção intermediária. A principal força responsável pelo dobramento embrionário corresponde às diferentes taxas de crescimento de várias partes do embrião, principalmente o rápido crescimento longitudinal do sistema nervoso (tubo neural). O dobramento do plano mediano produz uma dobra cefálica e uma dobra caudal; o dobramento no plano horizontal resulta nas duas dobras laterais. De modo geral, devido aos dobramentos, o embrião se curva em forma de C. A dobra cefálica traz o coração e a boca em desenvolvimento para suas eventuais posições adultas. A dobra caudal traz o ânus em desenvolvimento para sua eventual posição adulta. As dobras laterais se formam quando as margens laterais do disco embrionário trilaminar se dobram ventralmente. À medida que se movem em direção à linha mediana, as dobras laterais incorporam a parte dorsal da vesícula umbilical no embrião como o intestino primitivo, o precursor do trato digestório. O intestino primitivo se diferencia em intestino anterior, intestino médio e intestino posterior. Lembre-se de que a membrana orofaríngea está localizada na extremidade cefálica do embrião. Ela separa a futura região faríngea (garganta) do intestino anterior e o estomodeu, a futura cavidade oral. Por causa da dobra cefálica, a membrana orofaríngea se move para baixo, e o intestino anterior e o estomodeu aproximam-se de suas posições finais. Quando a membrana orofaríngea se rompe durante a quarta semana, a região faríngea da faringe é colocada em contato com o estomodeu. Em um embrião em desenvolvimento, a última parte do intestino posterior se expande em uma cavidade chamada cloaca. Do lado de fora do embrião há uma pequena cavidade na região caudal denominada proctodeu. Separando a cloaca do proctodeu está a membrana cloacal. Durante o desenvolvimento embrionário, a cloaca se divide em seio urogenital ventral e um canal anorretal dorsal. Como resultado do dobramento caudal, a membrana cloacal se move para baixo, e o seio urogenital, canal anorretal e o proctodeu se aproximam de suas posições finais. Quando a membrana cloacal se rompe durante a sétima semana de desenvolvimento, são criadas as aberturas urogenital e anal. Além do dobramento embrionário, do desenvolvimento de somitos e do desenvolvimento do tubo neural, quatro pares de arcos faríngeos ou arcos branquiais começam a se desenvolver em cada lado das futuras regiões da cabeça e do pescoço durante a quarta semana. https://www.google.com/url?sa=i&url=https://embrionhands.uff.br/2019/08/31/quarta-a-oitava-semanas-dobramento-do-embriao-3/&psig=AOvVaw21u-EtGv-HghOKOmumGVEh&ust=1713994487352000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCPDqoJql2YUDFQAAAAAdAAAAABAE https://www.google.com/url?sa=i&url=https://embrionhands.uff.br/2019/08/28/aparelho-faringeo-aparelho-branquial/&psig=AOvVaw1VDL1KjKP5iKokxjEbKmTs&ust=1713994859589000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCNjS2c2m2YUDFQAAAAAdAAAAABAS Júlia Carvalho @juliacarvalhovg Essas quatro estruturas pares começam seu desenvolvimento no dia 22 após a fecundação e formam intumescências na superfície do embrião. Cada arco faríngeo consiste em uma cobertura externa de ectoderma e uma cobertura interna de endoderma, com o mesoderma entre elas. Dentro de cada arco faríngeo, existe uma artéria, um nervo craniano, hastes esqueléticas cartilaginosas que sustentam o arco e tecido muscular esquelético, que se liga e move as hastes de cartilagem. Na superfície ectodérmica da região faríngea, cada arco faríngeo é separado por um sulco chamado de sulco (fenda) faríngeo. Os sulcos faríngeos encontram as correspondentes protuberâncias em forma de balão do revestimento endodérmico da faringe chamadas bolsas faríngeas. Onde o sulco faríngeo e a bolsa se encontram para separar os arcos, o ectoderma externo faz contato com o endoderma interno da bolsa e não existe mesoderma entre elas. Cada arco faríngeo é uma unidade de desenvolvimento e inclui um componente esquelético, músculos, nervos e vasos sanguíneos. No embrião humano, existem quatro arcos faríngeos evidentes. Cada um desses arcos se desenvolve em um componente específico e único da região da cabeça e do pescoço. Por exemplo, o primeiro arco faríngeo é frequentemente denominado arco mandibular, porque forma a mandíbula. O primeirosinal de uma orelha em desenvolvimento é uma área espessa de ectoderma, o placoide ótico ou futura orelha interna, que pode ser diferenciado aproximadamente 22 dias após a fecundação. Uma área espessada de ectoderma, chamada placoide da lente, que se tornará a lente do olho, também aparece nesse período. Na metade da quarta semana, os membros superiores começam seu desenvolvimento como evaginações do mesoderma coberto por ectoderma, denominadas brotos dos membros superiores. Ao final da quarta semana, os brotos dos membros inferiores se desenvolvem. O coração também forma uma projeção distinta na superfície ventral do embrião, denominada proeminência do coração. No final da quarta semana, o embrião tem uma cauda distinta. *Quinta a oitava semanas de desenvolvimento Durante a quinta semana de desenvolvimento, há um rápido desenvolvimento do encéfalo, de modo que o crescimento da cabeça é considerável. No final da sexta semana, a cabeça cresce ainda mais em relação ao tronco, e os membros apresentam desenvolvimento substancial. Além disso, o pescoço e o tronco começam a endireitar, e o coração, agora, possui quatro câmaras. Na sétima semana, as várias regiões dos membros tornam-se distintas, e os primórdios dos dedos aparecem. No começo da oitava semana (a última semana do período embrionário), os dedos das mãos são curtos e espalmados, a cauda é mais curta, mas ainda visível, os olhos estão abertos e as orelhas externas são visíveis. No final da oitava semana, todas as regiões dos membros são aparentes; os dedos são distintos e não mais espalmados em virtude da remoção de células via apoptose. Além disso, as pálpebras se juntam e podem se fundir, a cauda desaparece e os genitais externos começam a se diferenciar. O embrião agora tem características claramente humanas. (TORTORA, 2019) *Período Fetal: Durante o período fetal (da nona semana até o nascimento), os tecidos e órgãos que se desenvolveram durante o período embrionário crescem e se diferenciam. Pouquíssimas estruturas novas aparecem durante o período fetal, mas a taxa de crescimento corporal é notável, principalmente durante a segunda metade da vida intrauterina. Por exemplo, durante os últimos 2,5 meses de vida intrauterina, ele ganha metade do peso que terá ao nascer. No início do período fetal, a cabeça é metade do comprimento do corpo. No final do período fetal, o tamanho da cabeça é de apenas um quarto do comprimento do corpo. Durante o mesmo período, os membros também aumentam de tamanho, de um oitavo para a metade do comprimento fetal. O feto também é menos vulnerável aos efeitos nocivos de fármacos, radiação e microrganismos do que era como um embrião. (TORTORA, 2019) https://www.google.com/url?sa=i&url=https://unasus2.moodle.ufsc.br/pluginfile.php/13943/mod_resource/content/3/un02/top03p04.html&psig=AOvVaw0PKWj5Piq3i-9cynMLyEO4&ust=1713995216970000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCOCJpPan2YUDFQAAAAAdAAAAABAE https://www.google.com/url?sa=i&url=https://embrionhands.uff.br/2019/08/25/sistema-digestorio-tubo-digestorio/&psig=AOvVaw2YcVqHsuTzBvoAzab05Oob&ust=1713995349542000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCLi-wbKo2YUDFQAAAAAdAAAAABAE https://www.google.com/url?sa=i&url=https://view.genial.ly/64f7b4f9ba682500180cf92c/interactive-image-periodo-fetal&psig=AOvVaw2AStk_VmVb1ICP7KKrm6cV&ust=1713995696444000&source=images&cd=vfe&opi=89978449&ved=0CBIQjRxqFwoTCPj5wdmp2YUDFQAAAAAdAAAAABAE Júlia Carvalho @juliacarvalhovg *Resumo principais Eventos de cada semana: *Hormônios da gravidez Durante os primeiros 3 a 4 meses de gestação, o corpo lúteo no ovário continua a secretar progesterona e estrogênios, que mantêm o revestimento do útero durante a gestação e preparam as glândulas mamárias para a secreção de leite. As quantidades secretadas pelo corpo lúteo, porém, são apenas ligeiramente maiores do que aquelas produzidas após a ovulação em um ciclo menstrual normal. Do terceiro mês até o restante da gestação, a própria placenta fornece os altos níveis de progesterona e estrogênios necessários. Como falado anteriormente, o cório da placenta secreta hCG no sangue. Por sua vez, a hCG estimula o corpo lúteo para continuar a produção de progesterona e estrogênios – uma atividade necessária para prevenir a menstruação e para a fixação contínua do embrião e do feto ao revestimento do útero. No oitavo dia após a fecundação, a hCG pode ser detectada no sangue e na urina de uma mulher grávida. O pico de secreção de hCG ocorre por volta da nona semana de gestação. Durante o quarto e quinto meses, os níveis de hCG diminuem acentuadamente e depois se estabilizam até o parto.(TORTORA, 2019) O cório começa a secretar estrogênios após as primeiras 3 ou 4 semanas de gravidez e a progesterona na sexta semana. Esses hormônios são secretados em quantidades crescentes até o momento do nascimento. No quarto mês, quando a placenta está totalmente estabelecida, a secreção de hCG é bastante reduzida, e as secreções do corpo lúteo não são mais essenciais. Um alto nível de progesterona garante que o miométrio uterino esteja relaxado e que o colo do útero esteja bem fechado. Após o parto, os estrogênios e a progesterona no sangue diminuem para níveis normais. *Funções dos hormônios secretados na gravidez Júlia Carvalho @juliacarvalhovg A sua função mais importante é evitar a involução do corpo-lúteo ao final do ciclo sexual feminino mensal. Em vez disso, faz com que o corpo- lúteo secrete quantidades ainda maiores de seus hormônios sexuais – progesterona e estrogênios – pelos próximos meses. Esses hormônios sexuais impedem a menstruação e fazem com que o endométrio continue a crescer e a armazenar grandes quantidades de nutrientes, em vez de se descamar em produto menstrual. Como resultado, as células semelhantes às células deciduais, que se desenvolvem no endométrio durante o ciclo sexual feminino normal, transformam-se, na verdade, em células deciduais verdadeiras – muito inchadas e nutritivas – mais ou menos na mesma época em que o blastocisto se implanta. (TORTORA, 2019) A gonadotrofina coriônica humana também exerce efeito estimulador das células intersticiais (de Leydig) nos testículos do feto masculino, resultando na produção de testosterona em fetos masculinos até o nascimento. Essa pequena secreção de testosterona durante a gestação é o que faz com que o feto desenvolva órgãos sexuais masculinos em vez de órgãos sexuais femininos. Perto do final da gestação, a testosterona secretada pelos testículos fetais também faz com que os testículos desçam para o saco escrotal. (HALL, 2019) A relaxina, um hormônio produzido primeiro pelo corpo lúteo do ovário e, posteriormente, pela placenta, aumenta a flexibilidade da sínfise púbica e dos ligamentos das articulações sacroilíaca e sacrococcígea, bem como ajuda a dilatar o colo uterino durante o trabalho de parto. Ambas as ações facilitam o parto do bebê. (TORTORA, 2019) *hCS: Um terceiro hormônio produzido pelo cório da placenta é a somatomamotrofina coriônica humana (hCS), também conhecida como lactogênio placentário humano (hPL, human placental lactogen). A taxa de secreção de hCS aumenta proporcionalmente em relação à massa placentária, atingindo níveis máximos após 32 semanas e permanecendo relativamente constante após esse período. Acredita-se que ajude a preparar as glândulas mamárias para a lactação, melhore o crescimento materno pelo aumento da síntese de proteínas e regule determinados aspectos do metabolismo da mãe e do feto. Por exemplo, o hCS diminui o uso de glicose pela mãe e promove a liberação de ácidos graxos de seu tecido adiposo, tornando a glicose mais disponível para o feto. O hormônio mais recentemente descoberto como sendo produzido pela placenta é o hormônio liberador de corticotrofina (CRH, corticotropina- releasing hormone), que em pessoas não grávidas é secretado apenas por células do hipotálamo. O CRH agora é considerado parte do “relógio” que estabelece o momento do nascimento. A secreção de CRH pela placenta começa em cerca de 12 semanase aumenta enormemente no final da gravidez. Mulheres que possuem níveis mais altos de CRH no início da gravidez são mais propensas ao parto prematuro; aquelas que têm níveis baixos são mais propensas ao trabalho de parto após a data prevista. O CRH da placenta tem um segundo efeito importante: aumenta a secreção de cortisol, que é necessária para a maturação dos pulmões fetais e a produção de surfactante. (TORTORA, 2019) *SECREÇÃO DE ESTROGÊNIOS PELA PLACENTA A placenta, assim como o corpo-lúteo, secreta tanto estrogênios quanto progesterona. Estudos histoquímicos e fisiológicos mostram que esses dois hormônios, como a maioria dos outros hormônios placentários, são secretados pelas células sinciciais trofoblásticas da placenta. Durante a gravidez, as quantidades extremas de estrogênios causam (1) aumento do útero materno, (2) aumento das mamas da mãe e crescimento da estrutura ductal da mama e (3) aumento da genitália externa feminina da mãe. Os estrogênios também relaxam os ligamentos pélvicos da mãe; assim, as articulações sacroilíacas tornam-se relativamente flexíveis, e a sínfise púbica torna-se elástica. Essas mudanças facilitam a passagem do feto pelo canal de parto. (HALL, 2019) *SECREÇÃO DE PROGESTERONA PELA PLACENTA Os efeitos especiais da progesterona, essenciais à progressão normal da gravidez, são os seguintes: A progesterona faz com que as células deciduais se desenvolvam no endométrio uterino. Essas células desempenham um importante papel na nutrição do embrião inicial. A progesterona diminui a contratilidade do útero grávido, evitando, assim, que as contrações uterinas causem aborto espontâneo. A progesterona contribui para o desenvolvimento do concepto mesmo antes da implantação, pois especificamente aumenta as secreções das tubas uterinas e do útero, proporcionando um material nutritivo para o desenvolvimento da mórula (massa esférica de 16 a 32 blastômeros, formada antes da blástula) e do blastocisto. A progesterona também pode afetar a clivagem celular no embrião em desenvolvimento inicial. Júlia Carvalho @juliacarvalhovg A progesterona secretada durante a gravidez ajuda o estrogênio a preparar as mamas da mãe para a lactação. (HALL, 2019) *Alterações durante a gestação Próximo ao final do terceiro mês de gravidez, o útero ocupa a maior parte da cavidade pélvica. À medida que o feto continua a crescer, o útero se estende cada vez mais para dentro da cavidade abdominal. No final de uma gestação a termo, o útero preenche quase toda a cavidade abdominal, alcançando a margem costal próxima ao processo xifoide do esterno. Ele empurra os intestinos, fígado e estômago superiormente, eleva o diafragma e alarga a cavidade torácica da mãe. A pressão no estômago pode forçar o conteúdo do estômago superiormente no esôfago, resultando em azia. Na cavidade pélvica, ocorre a compressão dos ureteres e da bexiga urinária. (TORTORA, 2019) Também ocorrem alterações fisiológicas induzidas pela gravidez, incluindo ganho de peso devido ao feto, líquido amniótico, placenta, aumento uterino e acréscimo de água corporal total; aumento do armazenamento de proteínas, triglicerídeos e minerais; aumento acentuado das mamas no preparo para a lactação; e dor lombar devida à lordose. *Ocorrem várias mudanças no sistema cardiovascular materno. O volume sistólico aumenta em cerca de 30% e o débito cardíaco se eleva em 20 a 30% devido ao aumento do fluxo sanguíneo materno para a placenta e aumento do metabolismo. A frequência cardíaca aumenta 10 a 15%, e o volume sanguíneo se eleva em 30 a 50%, principalmente durante a segunda metade da gestação. Esses aumentos são necessários para atender às demandas adicionais do feto por nutrientes e oxigênio. Quando uma mulher grávida está deitada de costas, o útero aumentado pode comprimir a aorta, resultando em diminuição do fluxo sanguíneo para o útero. A compressão da veia cava inferior também diminui o retorno venoso, o que leva ao edema nos membros inferiores e pode produzir varizes. A compressão da artéria renal pode levar à hipertensão de origem renal. A função respiratória também é alterada durante a gravidez para atender às demandas adicionais de oxigênio do feto. O volume corrente pode aumentar em 30 a 40%, o volume expiratório de reserva pode ser reduzido em até 40%, a capacidade residual funcional pode diminuir em até 25%, a ventilação por minuto (o volume total de ar inalado e exalado a cada minuto) pode aumentar em até 40%, a resistência das vias respiratórias na árvore brônquica pode diminuir em 30 a 40%, e o consumo total de oxigênio corporal pode aumentar em aproximadamente 10 a 20%. Também ocorre dispneia (respiração difícil). (TORTORA, 2019) O sistema digestório também sofre alterações. As mulheres grávidas experimentam um aumento no apetite devido à adição de demandas nutricionais do feto. Uma diminuição geral na motilidade do canal digestório pode causar constipação intestinal, retardo no tempo de esvaziamento gástrico e produzir náuseas, vômitos e azia. A pressão na bexiga urinária pelo aumento do útero pode produzir sintomas urinários, como aumento da frequência e urgência da micção e incontinência de esforço ou estresse. Um aumento no fluxo plasmático renal de até 35% e um aumento na taxa de filtração glomerular de até 40% elevam a capacidade de filtração renal, o que permite a eliminação mais rápida dos resíduos adicionais produzidos pelo feto. Outros fatores hormonais na gravidez *Secreção hipofisária. A adeno-hipófise da mãe aumenta pelo menos 50% durante a gravidez e aumenta sua produção de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), tireotrofina (TSH) e prolactina. Por outro lado, a secreção hipofisária do hormônio foliculoestimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH) é quase totalmente suprimida, como consequência dos efeitos inibitórios dos estrogênios e progesterona da placenta. (HALL, 2019) *Secreção aumentada de corticosteroides. A secreção adrenocortical de glicocorticoides fica moderadamente aumentada durante a gravidez. É possível que esses glicocorticoides ajudem a mobilizar aminoácidos dos tecidos maternos, para que possam ser usados na síntese de tecidos fetais. Isso causa uma tendência, mesmo na gestante normal, de reabsorver o excesso de sódio de seus túbulos renais e, portanto, de reter líquido. *Secreção aumentada da glândula tireoide. A glândula tireoide materna aumenta, normalmente, até 50% durante a gravidez e eleva sua produção de tiroxina em quantidade correspondente. O aumento da produção de tiroxina é causado, pelo menos Júlia Carvalho @juliacarvalhovg parcialmente, por um efeito tireotrófico da gonadotrofina coriônica humana (HCG), secretada pela placenta e por pequenas quantidades do hormônio específico estimulante da tireoide, a tireotrofina coriônica humana, também secretada pela placenta. *Secreção aumentada da glândula paratireoide. As glândulas paratireoides maternas geralmente aumentam durante a gravidez, especialmente se sua dieta for deficiente em cálcio. O aumento dessas glândulas causa absorção de cálcio dos ossos da mãe, mantendo a concentração normal de íons cálcio no líquido extracelular materno, mesmo quando o feto remove cálcio para ossificar seus próprios ossos. Essa secreção do hormônio paratireóideo (PTH) é ainda maior durante a lactação após o nascimento do bebê, porque o bebê em crescimento requer mais cálcio do que o feto. (HALL, 2019) *Idade Gestacional x Embrionária: A idade gestacional neonatal é geralmente definida contando o número de semanas entre o primeiro dia do último período menstrual normal da mãe e o dia do parto. Entretanto, determinar a idade gestacional com base no último período menstrual pode ser impreciso se a paciente gestante tiver menstruações irregulares. Mais precisamente, a idade gestacional é a diferença entre 14 dias antes da data da concepção e o dia do parto. Utilizar o último período menstrual para determinar a idade gestacional não determina a idade embriológica real do feto, mas é o padrão universal entre obstetras e neonatologistaspara discutir a maturação fetal. *Idade embriológica é o tempo decorrido desde a data da concepção até a data do parto e é 2 semanas menor que a idade gestacional. As mulheres podem estimar a data da concepção com base no período de ovulação como identificado por testes hormonais em casa e/ou medições da temperatura corporal basal. Contudo, a data da concepção só é conhecida de modo definitivo quando a fertilização in vitro ou outras técnicas de reprodução assistida são utilizadas. *DUM (Data da Última Menstruação – o que é e sua importância na gravidez A DUM é, como explica o próprio nome, a data aproximada em que iniciou o último ciclo menstrual da mulher antes da gestação. Através dela será possível estimar quando o bebê irá nascer e preparar todos os exames baseando-se nesta data. O primeiro médico a utilizar a data da última menstruação com intuito de monitorar a gestação foi o alemão Franz Naegele, ainda no século XVIII, que estimou a DPP - Data Provável de Parto em 9 meses e 7 dias depois da Data da Última Menstruação. Por isso, este cálculo recebe o nome de Regra de Naegele. Atualmente, este método é recomendado pelo Ministério da Saúde por ser financeiramente acessível e muito confiável, com margem de erro relativamente estreita. A DUM será determinante na gravidez, pois não é comum que as mulheres saibam exatamente qual foi a relação sexual que originou a gestação, muito menos em que dia aconteceu. Dessa forma, estima-se as datas pela última menstruação, considerando que a mulher possua um ciclo menstrual regular. *Cálculo da IG através da DUM A IG (Idade Gestacional) sempre é calculada em semanas. Tendo o conhecimento da DUM (Data da Última Menstruação), o próprio casal pode calculá-la. Para isso, basta contar de sete em sete dias, partindo do dia seguinte à própria DUM. Vamos exemplificar: DUM: 11 de Março 12 de março: primeiro dia da primeira semana de IG 18 de março: completa-se a primeira semana de IG 25 de março: completa-se a segunda semana de IG E assim por diante… Lembrando que o primeiro dia do último ciclo menstrual ocorre aproximadamente 2 semanas antes da ovulação (e consequente fecundação). Sendo assim, há uma diferença aproximada de duas semanas entre a idade gestacional e a idade embrionária, isto é, a idade real do embrião/feto (considerada a partir da fecundação). Isto pode causar certa confusão para as gestantes que tentam estabelecer a data aproximada da concepção com base na IG. Por exemplo: considerando uma mulher com ciclo regular de 28 dias, quando a menstruação está https://www.hopkinsmedicine.org/healthlibrary/conditions/pregnancy_and_childbirth/calculating_a_due_date_85,p01209 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pre-natal_puerperio_atencao_humanizada.pdf Júlia Carvalho @juliacarvalhovg atrasada em 2 semanas, a idade gestacional será de 6 semanas. No entanto, isto não significa que o embrião possui 6 semanas de idade, pois a concepção aconteceu cerca de 14 dias após o início da última menstruação – ou seja, 14 dias após a DUM. Dessa forma, se o cálculo da IG resultou em 6 semanas, a concepção em si provavelmente ocorreu há 4 semanas (sempre 2 semanas a menos que a idade gestacional). Se não for conhecida pela mulher, a IG poderá ser obtida pelo exame de ultrassom. A ecografia fetal realizada no início da gestação é um exame seguro para esta finalidade, podendo ser feito a partir da 6ª semana. Esta medida é mais confiável quando realizada em períodos mais iniciais pois, durante as primeiras semanas, todos os fetos possuem tamanho muito semelhante, sofrendo influência pouco significativa de características individuais ou externas. Dessa forma, até a 13ª semana, a medida do comprimento da cabeça até as nádegas (CCN) pode ser usada para determinar o tempo de gravidez, com uma margem de erro pequena, de menos de uma semana, e de maneira praticamente automática durante o exame. O próprio computador que recebe os dados da ultrassonografia já consegue determinar o tempo de gestação, através de modernos softwares e técnicas de análise de imagens. -O que fazer se as datas do ultrassom são diferentes da DUM? É muito comum esse tipo de situação ocorrer. As semanas calculadas pelo ultrassom não coincidem com os cálculos baseados na DUM. Desse modo, os médicos obstetras orientam a seguir uma ordem de escolha, que pode ser: 1. Ultrassom realizado nos primeiros três meses de gestação; 2. Data da última menstruação (DUM); 3. Ultrassom realizado entre o 4º e 6º mês de gestação. A divergência ocorre pois o corpo da mulher, assim como qualquer organismo vivo, não é um sistema fixo, que não atrasa ou varia suas situações. Assim, as datas calculadas por essas medidas serão próximas, mas a data calculada pelos exames será a exata para o nascimento do bebê? Definitivamente não. Isso porque, como explicamos, muitas variáveis podem influenciar, não havendo uma metodologia de cálculo totalmente exata. A data calculada pelo casal e pelo médico é uma data aproximada e seu uso é exclusivamente para estimar os períodos gestacionais. Isso é essencial para que a gravidez ocorra sem problemas. O médico também utiliza essa data aproximada para estimar se o bebê nascerá com muita antecedência ou muito depois do normalmente previsto. Porém, na realidade, o nascimento em geral pode ocorrer até 3 semanas antes dessa data, e no máximo até 2 semanas após, essas variações são possíveis. *Referências Bibliográficas: DRAKE, Richard L.; VOGL, A. Wayne; MITCHEL, Adam W. M.: Gray’s anatomia clínica para estudantes. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. HALL, John Edward; GUYTON, Arthur C. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 7 ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2018. MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. TORTORA, Gerard. J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e fisiologia. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. JUNQUEIRA, LC; CARNEIRO, J. Histologia básica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v21n10/12688.pdf https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102-311X2014000700014&script=sci_arttext&tlng=es *DUM (Data da Última Menstruação – o que é e sua i *Cálculo da IG através da DUM -O que fazer se as datas do ultrassom são diferent A divergência ocorre pois o corpo da mulher, assim