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CONCEITO e PARTIDO ARQUITETÔNICO

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subordinação deles a uma lei e se demora atento ao jogo de materiais ao seu valor expressivo - quando 
tudo isso vai a pouco somando, obedecendo aos mais severos preceitos técnicos e funcionais, mas também àquela 
intenção superior que seleciona, coordena e orienta em determinados sentido toda essa massa confusa e contra-
ditória de detalhes, transmitindo assim ao conjunto ritmo, expressão, unidade e clareza - o que confere à obra o seu 
caráter de permanência. Isto sim é arquitetura". 
Sempre que o arquiteto se depara com um projeto, ele se depara com um terreno, se depara com um cliente que tem 
as suas necessidades, ele se depara com um código de obras e principalmente, se depara com a fruição de suas 
ideias, e aí existe o perigo de as ideias fluírem na direção de uma contradição entre as técnicas a e funcionalidade e 
com essa contradição não chegar a um ritmo, a uma expressão a uma unidade e a uma clareza o que não qualificaria 
o seu projeto como ARQUITETURA. É por isso que o partido arquitetônico deve ser bem estudado e analisado em 
todos os seus parâmetros. 
 
O Partido Arquitetônico é um conjunto de diretrizes e parâmetros que são levados em conta na realização de um 
projeto arquitetônico e ou urbanístico. 
 
Os parâmetros sempre estão combinados e nunca um único parâmetro produzirá um partido. Quanto maior o número 
de parâmetros seguidos, melhor caracterizado ficará o PARTIDO ARQUITETÔNICO. 
 
 
DEZ PARÂMETROS QUE DETERMINAM UM PARTIDO ARQUITETÔNICO: 
 
1. Terreno: Quanto ao terreno levam-se em conta os elementos de topografia:Altimetria e planimetria, área, entorno e 
sua paisagem, localização, acessos e implantação. 
 
2. Finalidade: As finalidades podem ser várias: Residencial, uni e pluridomiciliar, comercial, pública de edificações, de 
equipamento ou urbanística. 
 
3. Implantação: O parâmetro implantação oriundo do parâmetro terreno depende muito da geografia do terre-no: 
orientação, insolação, prevalência de luz natural, prevalência do meio ambiente existente. 
 
4. Programa: 
Os programas estão muitos atrelados a finalidades, são determinados pelo cliente ou consequência da finalidade 
específica do projeto. Setorização e distribuição dos cômodos, arranjos horizontais ou arranjos verticais simples ou 
adaptados. 
 
5. Conceitos: 
Os conceitos são elementos teóricos vindos de influências históricas e de estilos arquitetônicos frutos de leituras e 
pesquisas. Linhas seguidas pelo arquiteto, tendências clássicas, tendências modernas ou tendências contemporâ-
neas. 
 
6. Legislação: Estes parâmetros estão relacionados a questões regulamentadoras. Planos diretores, código de obras, 
leis de uso do solo e leis ambientais. 
 
7. Elementos construtivos: Este parâmetro depende muito dos parâmetros programa e conceito. Nele são levados em 
conta os materiais e o tipo de estrutura frutos do estilo arquitetônico adotado. 
 
8. Forma e volume: Este parâmetro é mais um que está associado aos parâmetros programa e conceito. Aqui se obser-
va a proporção entre cheios e vazios, as vistas, movimentação volumétrica e linhas. 
 
9. Flexibilidade: Um projeto arquitetônico deve conter condição de alterações e remanejamento a qualquer momento 
que se torne necessário. 
 
10. Viabilidade: Está sujeita aos critérios de viabilidade econômica, viabilidade técnica e construtiva, está de acordo com 
as legislações e em respeito ao meio ambiente. 
 
 
 
 
 
Teoria e Prática do Partido Arquitetônico 
Mario Biselli 
 
 
 
Nam June Paik Croquis de Mario Biselli 
 
 
Muitos autores acadêmicos têm se debruçado recentemente sobre temas e termos correntes da arquitetura na tenta-
tiva de compreender e explicar o processo de projetação. 
 
O aprofundamento recente destas pesquisas e reflexões tem produzido noções sempre mais didáticas e esclarecedo-
ras, tanto para estudantes e professores como para arquitetos com interesses teóricos e mesmo para leigos e aman-
tes da arquitetura. 
 
A história é rica em exemplos do interesse em resumir o projeto a um processo linear, possuidor de uma técnica de 
realização passo a passo, como montar uma máquina, como cultivar soja, primeiro isto, depois aquilo e aquilo outro, 
e assim por diante numa seqüência de procedimentos idêntica a tantas outras técnicas e disciplinas inventadas pelo 
homem. 
 
 
Escola Coreana Croquis de Mario Biselli 
 
Um aspecto interessante da atividade de projeto é justamente a quantidade de teorias, metodologias, manuais de 
procedimentos e técnicas as mais diversas da qual foi objeto historicamente. 
 
Mais interessante ainda é observar que, embora partes do processo de produção do projeto possam estar sujeitas a 
uma seqüência de procedimentos, o processo inteiro jamais poderá se enquadrar neste modelo, e, portanto, as 
metodologias não se sustentam enquanto sistemas universais, embora seja obrigatório conhecê-las, pois a nenhum 
arquiteto é permitida a ignorância sobre a experiência acumulada que compõe a história da arquitetura. 
 
O termo projetação tem sido pouco usado no Brasil, mas é o termo que define a produção do projeto de arquitetura 
como um processo. Este processo tem um momento crítico e imponderável que foge a qualquer metodologia, mesmo 
quando a projetação estava sujeita às regras da composição clássica. 
 
Este momento crítico é o momento que envolve as decisões relativas ao que conhecemos por partido arquitetônico, 
termo que em outros lugares é também conhecido como estratégia ou conceito. 
 
Bienal de Arte de SP Croquis de Mario Biselli 
 
 
Para efeito desta reflexão usarei o termo partido arquitetônico por ser o mais comum no Brasil e, creio, mais especí-
fico do campo da arquitetura do que estratégia ou conceito, os quais são muito comuns em outras áreas. 
 
Com base na experiência pode-se também dizer que “partido” é o termo comum à linguagem própria dos arquitetos, 
o assunto central, senão único, entre arquitetos no âmbito da produção, do julgamento de concursos de arquitetura, 
do ensino de projeto, das conversas informais. 
 
E não creio se tratar de um exagero cogitar a exclusividade do assunto, dado que em “partido” se compreende a dis-
cussão de aspectos como estratégia de implantação e distribuição do programa, estrutura e relações de espaço, 
todas elas questões centrais para os arquitetos. 
 
Outros temas relativos às atividades criativas – como composição, estilo, estética etc. – embora tenham sido objeto 
de interesse da teoria da arquitetura recentemente, são tratados no âmbito da prática com pudor e desinteresse, se-
não como meros epifenômenos. 
 
A definição de partido arquitetônico, portanto, e as reflexões sobre seu significado, dado o interesse geral, tem sido 
tarefa de vários autores e todas elas contêm aspectos novos e esclarecedores. O exame destas definições é um 
primeiro objeto de meu interesse. 
 
Escola Cáritas 
Croquis de Mario Biselli 
 
Desde o período acadêmico até as primeiras definições modernas, o projeto de arquitetura tem sido descrito como 
resultado de um raciocínio lógico. EmTeoria e projeto na primeira era da máquina, Banham compara Guadet, para 
quem a composição era o tema perene, e Choisy, que enfatiza a construção, ambos teóricos da composição 
arquitetural, para quem a natureza lógica da concepção constitui o tema mais destacado: 
“a forma como conseqüência lógica da técnica – que torna a arte da arquitetura sempre e em toda parte a 
mesma. 
 
[Para Choisy] a essência da arquitetura foi sempre a construção, a função do arquiteto sempre foi esta: fazer 
uma avaliação correta do problema com que se deparava, após a qual a forma do edifício seguir-se-ia 
logicamente dos meios técnicos a seu dispor” (1). 
 
Autores modernos, como Carlos Lemos, também propõem

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