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FACULDADE DE AMERICANA CURSO MEDICINA VETERINÁRIA DISCIPLINA DE ENFERMIDADES INFECCIOSAS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS ANA MARIA DE ASSIS PEREIRA LETÍCIA LUCATO DA SILVA MARIA EDUARDA JORDÃO VIANA MELISSA PRESTES STEPHANY OLIVEIRA DE SOUZA SANTOS THALITA PACHELLI DANTAS PANLEUCOPENIA INFECCIOSA FELINA AMERICANA 2023 ANA MARIA DE ASSIS PEREIRA LETÍCIA LUCATO DA SILVA MARIA EDUARDA JORDÃO VIANA MELISSA PRESTES STEPHANY OLIVEIRA DE SOUZA SANTOS THALITA PACHELLI DANTAS PANLEUCOPENIA INFECCIOSA FELINA Trabalho submetido a disciplina de Enfermidades Infecciosas dos Animais Domésticos, do curso de Medicina Veterinária, da Faculdade de Americana, como requisito parcial para a obtenção de nota. Orientador(a): Prof.(a) Leticia Ronco de Oliveira. AMERICANA 2023 RESUMO A panleucopenia felina é uma doença altamente contagiosa causada pelo Parvovírus Felino (FPV). Os felinos são os principais espécies acometidas, especialmente filhotes e gatos não vacinados. O vírus é transmitido por contato direto com secreções contaminados e pode sobreviver em objetos e ambientes por meses. Uma vez infectado, o FPV ataca células de alta divisão, levando a uma supressão imunológica grave, resultando em sintomas como febre, letargia, perda de apetite, vômitos, diarreia intensa e desidratação. A condição é potencialmente fatal. Este trabalho teve por finalidade expor aspectos relevantes sobre a panleucopenia felina, abordando métodos de diagnóstico, tratamento, controle e profilaxia. Palavras-chave: Panleucopenia, felina, vírus, transmissão, sinais clínicos, diagnóstico, tratamento, FPV. ABSTRACT Feline panleukopenia is a highly contagious disease caused by Feline Parvovirus (FPV). Cats are the primary affected species, especially kittens and unvaccinated cats. The virus is transmitted through direct contact with contaminated secretions and can survive on objects and surfaces for months. Once infected, FPV targets rapidly dividing cells, leading to severe immune suppression and resulting in symptoms such as fever, lethargy, loss of appetite, vomiting, severe diarrhea, and dehydration. The condition is potentially fatal. This work aimed to present relevant aspects of feline panleukopenia, addressing diagnostic methods, treatment, control, and prevention. Keywords: Panleukopenia, feline, virus, transmission, clinical signs, diagnosis, treatment, FPV. LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS ANTI-FPV Anti Parvovírus Felino CID Coagulação Intravascular Disseminada CPV-2 Parvovírus canino tipo 2 CPV-2a Parvovírus canino tipo 2 subtipo a CPV-2b Parvovírus canino tipo 2 subtipo b CPV-2c Parvovírus canino tipo 2 subtipo c DNA Ácido Desoxirribonucleico ELISA Teste Ensaio Imunoenzimático Ligado a Enzimas FCoV Coronavírus Felino FCV Calicivírus Felino FPV Feline Panleukopenia Virus/ Virus da Panleucopenia Felina PCR Reação em Cadeia da Polimerase SNC Sistema Nervoso Central TCID50 Dose Infecciosa Média em Cultura de Tecido VVM Vírus Vivo Modificado LISTA DE FIGURAS Figura 1. Análise de microscopia eletrônica. ............................................................. 12 Figura 2. Depressão acentuada e anorexia são sinais típicos de panleucopenia. .... 16 Figura 3. Desidratação grave, com prega cutânea persistente. ................................ 17 Figura 4. Detalhe de úlceras na boca de um gato acometido por FPV...................... 17 Figura 5. Detalhe de icterícia nas mucosas devido a um quadro de panleucopenia com comprometimento hepático. ...................................................................................... 17 Figura 6. Gato adulto, nascido de mãe infectada com panleucopenia, com hipoplasia cerebelar e ataxia. ..................................................................................................... 18 Figura 7. Imagem ecográfica de enterite. .................................................................. 18 Figura 8. Necropsia: enterite hemorrágica em um gato falecido devido ao FPV. ...... 18 Figura 9. Diferença entre olho esquerdo e direito, anisocoria e deslocamento de retina no olho esquerdo. ...................................................................................................... 19 Figura 10. Encéfalo gato do mato pequeno (Leopardus tigrinus). ............................. 19 Figura 11. Ilustração de representação do teste de rápido para Panleucopenia Felina. .................................................................................................................................. 20 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Hospedeiros domésticos suscetíveis ao CPV e ao FPV. ........................... 13 Tabela 2. Complicações reprodutivas resultantes da infecção de fêmeas gestantes pelo parvovírus felino. ............................................................................................... 14 Tabela 3. Infecção pelo vírus da panleucopenia felina: consequências patológicas e manifestações clínicas. Quadro traduzido. ................................................................ 16 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 9 2. OBJETIVO ............................................................................................................. 10 2.1. Objetivo geral .................................................................................................. 10 2.2. Objetivo específico ......................................................................................... 10 3. METODOLOGIA .................................................................................................... 11 4. REVISÃO LITERÁRIA ........................................................................................... 12 4.1. Etiologia .......................................................................................................... 12 4.2. Epidemiologia ................................................................................................. 13 4.3. Patogenia ........................................................................................................ 14 4.4. Sintomatologia clínica ..................................................................................... 15 4.4.1. Gerais ....................................................................................................... 15 4.4.2. Gastrointestinais....................................................................................... 15 4.4.3. Hematológicos.......................................................................................... 15 4.4.4. Neurológicos ............................................................................................ 16 4.5. Diagnóstico ..................................................................................................... 20 4.6. Tratamento ...................................................................................................... 21 4.7. Controle e profilaxia ........................................................................................ 22 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 23 6. REFERÊNCIA .......................................................................................................24 9 1. INTRODUÇÃO A panleucopenia viral felina, também conhecida como "Doença do Parvovírus Felino" ou "Panleucopenia Felina", Enterite Infecciosa, Febre do Gato e Tifoide do Gato, é uma enfermidades de suma importância entre as espécies Felidae, susceptíveis a infecção, principalmente filhotes e animais não vacinados (OTALORA, 2023; CONSENZA, et al. 2023). O parvovírus felino é o agente causador da panleucopenia viral felina, pertencente à família Parvoviridae, possui estabilidade ambiental, tornando-o um desafio para o controle. Ele pode sobreviver por meses em superfícies e objetos contaminados, aguardando a oportunidade de infectar um novo hospedeiro. A transmissão ocorre principalmente por contato direto ou indireto com fezes, urina, saliva ou sangue de gatos infectados. Assim que o vírus entra no organismo do gato, ele ataca principalmente dois sistemas críticos, sendo eles trato gastrointestinal e o imunológico (BRAVO, et al. 2023). Os sintomas são variados, como êmese, má absorção, diarreia, letargia, anorexia e hipertermia. Contudo, a sintomalogia clínica mais característica é a rápida queda no número de leucócitos, acarretando uma imunossupressão significativa (BRAVO, et al. 2023). Os gatos afetados devem ser isolados para evitar a disseminação do vírus. No tratamento, administração de fluidos intravenosos para correção de desidratação e para aporte nutricional. Quanto ao uso antibióticos são necessários para tratamento de infecções secundárias. Em casos graves, pode ter que correr a transfusões sanguíneas para ajudar a restabelecer os glóbulos brancos e vermelhos danificados (MARTINS, 2023). A prevenção é essencial quando se trata da panleucopenia viral felina é a vacinação maneira eficaz de proteção aos gatos contra essa doença. Os filhotes devem receber as primeiras doses da vacina ainda jovens e, em seguida, devem ser revacinados periodicamente ao longo de suas vidas. Além disso, a desinfecção regular de ambientes e objetos que podem estar contaminados é crucial para impedir a propagação do vírus (GILA, 2020). 10 2. OBJETIVO 2.1. Objetivo geral Apresentar uma revisão bibliográfica sobre a doença Panleucopenia Viral Felina. 2.2. Objetivo específico ➢ Entender a etiologia do vírus; ➢ Compreender sua epidemiologia; ➢ Relatar sinais clínicos apresentados pelo enfermidade, tratamentos e profilaxia. 11 3. METODOLOGIA O método de pesquisa utilizado para os objetivos apresentados em relação a Panleucopenia Felina Viral, foram baseados em livros e, artigos científicos de plataformas digitais como google acadêmico, scielo. Foram utilizadas palavras-chaves a fim de auxiliar na busca de artigos científicos relacionados ao assunto abordado, tais como ‘’Panleucopenia Felina Viral’’. 12 4. REVISÃO LITERÁRIA 4.1. Etiologia Panleucopenia viral felina é o nome dado à infecção causada pelo agente protoparvovírus carnívoro 1, pertencente à família Parvoviridae, subfamília Parvovirinae, gênero parvovirus, com tropismo por células com alto efeito mitótico, ou seja, replicam-se rapidamente com células do intestino criptas, gânglios linfáticos, medula óssea, serie linfopoiéticas, células do timo e do baço. A transmissão ocorre através das secreções de animais infectados (HAMZÉ, et al. 2009; SOARES, 2022; BRAVO, 2023). Os VPFs são os menores vírus conhecidos pela ciência medindo entre 22 e 30 nm de diâmetro, e são altamente infecciosos. Eles consistem em DNA de fita simples, são esféricos, possuem simetria icosaédrica, não são envelopados e são muito resistentes ao meio ambiente e aos desinfetantes. No meio ambiente, podem sobreviver em matérias orgânicas por até um ano ou mais, com potencialidade de infectar. Assim, os vírus podem ser inativados com peróxidos modernos, agentes englobando hidróxido de sódio, formaldeído, ácido peracético, hipoclorito de sódio, a 90°C por 10 minutos. (HAMZÉ, et al. 2009; SOARES, 2022). Figura 1. Análise de microscopia eletrônica. Análise realizada por microscopia eletrônica de transmissão de sobrenadante celular purificado e corado com negativo, evidenciou-se partículas esféricas com diâmetro médio cerca de 20 nm, assim, configurando à morfologia típica de parvovírus (ZHAO, et al. 2023). 13 O FPV foi identificado como causador de enterite viral em gatos pela primeira em 1928, tendo como hospedeiros suscetíveis felídeos domésticos e selvagens, e membros das famílias Mustelidae, Procyonidae, Viveridae e Canidae. No ano de 1978, foi descoberto um novo Parvovírus em cães, classificado como Parvovírus canino tipo 2 (CPV-2), três variantes antigénicas conhecidas: CPV-2a, CPV-2b, CPV-2c (SOARES, 2022). Tabela 1. Hospedeiros domésticos suscetíveis ao CPV e ao FPV. (HAGIWARA, 2021). 4.2. Epidemiologia A PFV é uma enfermidade infectocontagiosa de ocorrência mundial, causada por um vírus não encapsulado, com notável resistência em relação a fatores físicos e substâncias químicas em ambientes contaminados. Este vírus pode manter sua capacidade infecciosa por longos meses no ambiente pela sua alta resistência (TRUYEN, et al. 2009). Sua predileção são felinos selvagens e domésticos, com maior susceptibilidade à jovens e não vacinados, sendo assim, animais de natureza carnívora. Estes por sua vez eliminam o vírus em concentrações elevadas, alcançando até 109 TCID50 por grama de fezes, resultando na rápida replicação do vírus em instalações de abrigos e criadouros que tenham sido afetados (TRUYEN, et al. 2009; SANTOS, 2019). A taxa de mortalidade entre gatos com idades de 3 - 5 meses de vida, com vacinação deficiente e em ambientes infectados, variam entre 25% e 90%. Gatos com infecções simultâneas por FCoV e FCV têm uma maior mortalidade por PFV (BRAVO, 2023; OTALORA, 2023). Devido à elevada taxa de contágio, é importante destacar que animais suscetíveis podem contrair a infecção mesmo após a realização de uma completa 14 desinfecção das instalações. Portanto, recomenda-se que somente filhotes e gatos que tenham recebido com êxito a vacinação apropriada sejam autorizados a adentrar em ambientes que possam potencialmente estar contaminados pelo parvovírus (TRUYEN, et al. 2009). Ainda que a disponibilidade de dados relacionados à prevalência do FPV seja limitada, é preciso ressaltar que criadouros e abrigos de resgate se encontram particularmente em situação de risco (TRUYEN, et al. 2009). 4.3. Patogenia A transmissão ocorre por via direta mediata e imediata, ou seja, por contato com animal infectado ou secreções de animais doentes. Sendo relatado também a transmissão vertical, quando há a passagem do agente via transplacentária acometendo o concepto independente da fase gestacional. Um gato infectado se torna fonte de transmissão 2 – 3 dias antes de apresentação da sintomalogia clínica, e o vírus pode ser detectado nas fezes e na urina até a sexta semana após a infecção (OTALORA, 2023). Existem duas classificações da doença, a primeira nomeia-se perinatal, quando a infecção afeta gestantes, e uma pós-natal, relacionada a infecção de filhotes ou animais adultos, ocorrendo no metade da fase gestacional. O aborto é raro, mas o neonato nasce com lesões no cerebelo (necrose seletiva do estrato cerebelar de Purkinje). A segunda classificação se manifesta nos filhotes durante o período de desmame, entre 1 ou 2 meses de vida. O vírus penetra no organismo pela via oral e se replica na orofaringe (OTALORA, 2023). Tabela 2. Complicações reprodutivas resultantes da infecção de fêmeas gestantes pelo parvovírus felino. 15 (HAGIWARA, 2021). 4.4. Sintomatologia clínica Os sinais clínicos da enfermidade são variadose podem ser devastadores para os gatos afetados, afetando principalmente o sistema gastrointestinal, o sistema linfático e o sistema imunológico do gato. 4.4.1. Gerais Os sinais típicos incluem febre, letargia, falta de apetite e perda de peso. Os gatos afetados muitas vezes demonstram fraqueza e desidratação devido a vômitos e diarreia graves (GREENE, et al. 2012; SYKES, 2013). 4.4.2. Gastrointestinais A diarreia é um sinal clínico proeminente, frequentemente com sangue e odor fétido, devido à enterite, inclusive a persistência de êmese é comum, levando a quadros de desidratação e à perda de eletrólitos, agravando ainda mais a condição do animal (GREENE, et al. 2012; SYKES, 2013). 4.4.3. Hematológicos A Panleucopenia felina recebe seu nome devido à redução significativa do número de leucócitos, resultando em uma leucopenia, comprometendo o sistema 16 imunológico do animal, tornando-o suscetível a infecções secundárias. Além disso, a contagem de hemácia pode ser afetada (GREENE, et al. 2012; SYKES, 2013). 4.4.4. Neurológicos Em casos mais graves, com sepse secundária devido à neutropenia e destruição intestinal, pode evidenciar úlceras na região oral, diarreia hemorrágica, icterícia e petéquias devido à CID, podendo acometer o SNC, levando a sinais neurológicos como tremores, convulsões e ataxia (GREENE, et al. 2012; SYKES, 2013; OTALORA, 2023). Tabela 3. Infecção pelo vírus da panleucopenia felina: consequências patológicas e manifestações clínicas. Quadro traduzido. CÉLULAS AFETADAS CONSEQUÊNCIAS MANIFESTAÇÃO CLÍNICA Epitélio das criptas intestinais Colapso das vilosidades, enterite Diarreia Gânglio linfático, timo Depleção do centro germinativo, apoptose dos linfócitos, atrofia do timo Linfopenia Medula óssea Depleção de células-tronco Neutropenia (posteriormente também trombocitopenia e anemia) Todas as células do feto Morte fetal Aborto Desenvolvimento do cerebelo Hipoplasia cerebelar Ataxia cerebelar (TRUYEN, et al. 2009). Figura 2. Depressão acentuada e anorexia são sinais típicos de panleucopenia. (PALMERO; CARBALLÉS, 2012). 17 Figura 3. Desidratação grave, com prega cutânea persistente. (PALMERO; CARBALLÉS, 2012). Figura 4. Detalhe de úlceras na boca de um gato acometido por FPV. (PALMERO; CARBALLÉS, 2012). Figura 5. Detalhe de icterícia nas mucosas devido a um quadro de panleucopenia com comprometimento hepático. 18 (PALMERO; CARBALLÉS, 2012). Figura 6. Gato adulto, nascido de mãe infectada com panleucopenia, com hipoplasia cerebelar e ataxia. (PALMERO; CARBALLÉS, 2012). Figura 7. Imagem ecográfica de enterite. (PALMERO; CARBALLÉS, 2012). Figura 8. Necropsia: enterite hemorrágica em um gato falecido devido ao FPV. 19 (PALMERO; CARBALLÉS, 2012). Figura 9. Diferença entre olho esquerdo e direito, anisocoria e deslocamento de retina no olho esquerdo. (COSENZA, et al. 2023). Figura 10. Encéfalo gato do mato pequeno (Leopardus tigrinus). (COSENZA, et al. 2023). 20 4.5. Diagnóstico O diagnóstico se baseia nos achados clínicos, como alterações hematológicas, análises de bioquímica sérica (aumento das atividades das enzimas hepáticas) e detecção do vírus por ELISA em amostras fecais. O PCR também está disponível para a detecção e isolamento do DNA viral em coleta de fezes e tecido de gatos afetados (BUITRAGO, 2023). O diagnóstico diferencial inclui Salmonelose, Campilobacteriose, Pancreatite, Imunodeficiência Felina e Leucemia Felina (BUITRAGO, 2023). Os principais métodos de diagnóstico são: ➢ Quadro hemático; ➢ Bioquímico; ➢ ELISA; ➢ PCR; ➢ Teste de imunocromatografia; ➢ Teste de hemaglutinação; ➢ Teste de inibição da hemaglutinação; ➢ Imunofluorescência indireta (BUITRAGO, 2023). Figura 11. Ilustração de representação do teste de rápido para Panleucopenia Felina. Resultado negativo: Presença de uma única faixa (faixa de controle) na zona C da janela de resultados. Resultado negativo: Presença de uma única faixa (faixa de controle) na zona C da janela 21 de resultados. Resultado inválido: Se a faixa C não aparecer, o resultado deve ser considerado inválido. A causa pode ser um seguimento inadequado das instruções e/ou o uso de um teste danificado (VALLEJOS, 2023). 4.6. Tratamento A realização de um tratamento eficaz, tem como base à terapia de suporte, prescrevendo fluidoterapia por via intravenosa ou intraóssea que por sua vez é mais agressiva com soluções cristaloides presentes, usada para corrigir déficits hidroeletrolíticos e desequilíbrios acidobásicos (FONSECA, 2019). Uma vez que o epitélio e a barreira intestinal são lesionados, a ocorrência de bacteremia, ou seja, bactérias intestinais adentram na corrente, levando o animal à quadro clínico de sepse, especialmente devido ao imuno comprometimento e a neutropenia, por esse motivo é recomendada, a antibioticoterapia em “Quatro Quadrantes” (Gram positivos, Gram negativos, aeróbios e anaeróbios). Recomenda- se a combinação de beta lactâmicos com seis aminoglicosídeos e Fluoroquinolona, associando também com metronidazol. Entretanto, em alguns casos em que há êmese persistente, não deve realizar restrição hídrica e de alimentos por via oral, optando por dietas de alta digestibilidade (FONSECA, 2019). Caso haja a persistência de êmese é permitido a administração de anti- helmínticos, bem como a administração de suplementos vitamínicos, principalmente vitaminas do complexo B, evitando uma possível deficiência de tiamina (FONSECA, 2019). Caso seja necessário, realizar transfusão sanguínea ou de plasma em gatos que desenvolverem hipoproteinemia, para restaurar a pressão oncótica, a decisão pela realização ou não, é cabível ao médico veterinário responsável pelo caso (FONSECA, 2019). Em gatos anoréxicos em quadros, de diarreia ou êmese graves, ou com hipoproteinemia persistente, é indicado a dieta parenteral (FONSECA, 2019). Há fármacos antivirais efetivos em cães cujo benefício é esperado um feedback positivo em gatos, incluindo nestes fármacos o soro anti-FPV, foi evidenciado um ponto muito positivo em cães com parvovirose canina, e o Interferon-ômega felino recombinante que obteve feedback positivo em cães, como tratamento para enterite parvoviral sendo capaz de inibir a replicação do parvovírus felino em cultura de 22 células. Descrito em literatura, o uso do Neupogen® (Filgrastim) trata-se de um fator estimulador de colônia granulocítica, que visa induzir a liberação de leucócitos (FONSECA, 2019). 4.7. Controle e profilaxia Imunoprofilaxia e o manejo adequado de gatis e abrigos são medidas fundamentais de profilaxia da Panleucopenia. Em filhotes a vacinação é feita com vacina de VVM, sendo iniciada com 6 a 8 semanas de idade repetindo a dose com intervalos de 2 a 4 semanas, até completar 16 semanas de idade. O reforço vacinal ocorre entre 6 a 12 meses de idade (HAGIWARA, 2021). Em abrigos de gatos, preconiza a iniciação do protocolo vacinal com 4 semanas de idade. Em Adultos, em que se desconhece o histórico, uma única dose já é considerada para efetividade, portanto, quando se há vacinas com outras cepas vacinais na composição como Calicivírus e Herpesvírus, deve ser realizado 2 doses com intervalo de 2 a 4 semanas. Após o comprimento da vacinação inicial em filhotes e adultos, o reforço vacinal deve ser realizado a cada 3 anos, animais em situações de maior risco, indica-se reforço anual (HAGIWARA, 2021). Na introdução de animais, vacinados há mais de um ano ou sem procedência vacinal, preconize pela realização de 1 dose de reforço da vacina 7 a 10 dias antes do contato com os outros animais (HAGIWARA, 2021). Em gatas prenhas e lactantes não deve ser administrado a vacinação (PALMERO; CARBALLÉS, 2012). Em surtos, os animaisdevem receber uma dose da vacina VVM e realizar quarentena por 2 semanas, com intuito de evitar a contaminação, sendo recomendado a desinfecção do local com hipoclorito de sódio 5 - 6% (diluição de 1:30 em água) (HAGIWARA, 2021). 23 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em conclusão, a Panleucopenia Viral Felina é uma doença altamente contagiosa causada pelo agente protoparvovirus carnívoro 1, um vírus extremamente resistente. A infecção acomete principalmente gatos, com uma ampla variedade de sintomas que abrangem o sistema gastrointestinal, linfático e imunológico. A transmissão ocorre por contato direto ou indireto com secreções de animais infectados. A mortalidade pode ser significativa, variando de 25% a 90%, especialmente em ambientes onde há déficit no protocolo vacinal. O diagnóstico é baseado em achados clínicos, testes hematológicos e detecção e isolamento viral em amostras fecais. O tratamento envolve terapia de suporte, incluindo fluidoterapia, antibioticoterapia para prevenção de possíveis afecções secundárias e, em casos graves, o uso de transfusão sanguínea ou plasma. Além disso, a profilaxia desempenha um papel crucial na prevenção da doença, com a vacinação sendo a principal medida preventiva. Em suma, a compreensão da etiologia, epidemiologia, sintomas, diagnóstico, tratamento e medidas de controle é essencial quando realizada com eficácia para proteção da saúde felina. 24 6. REFERÊNCIA BRAVO, Hayra Cristina Magalhães et al. Perfil clínico e hematológico de gatos com panleucopenia felina no município de Mineiros/GO. Sete Editora, 2023. BUITRAGO, Nicol Valentina Neto. Métodos diagnósticos para panleucopenia felina. 2023. COSENZA, Mariana et al. Panleucopenia em gato do mato pequeno (Leopardus Guttulus): relato de dois casos. Revista Terra & Cultura: Cadernos de Ensino e Pesquisa, v. 39, n. 76, p. e2896-e2896, 2023. FONSECA, Nathália Dela-Sávia da. Infecção por parvovírus felino em filhote: relato de caso. 2019. GILA, Lana Isabella. Percepção e conscientização de tutores de gatos quanto à importância da vacinação contra doenças virais. 2020. HAGIWARA, Mitika K. Principais doenças virais com envolvimento gastroentérico em cães e gatos. 2021. HAMZÉ, Abdul Latif et al. PANLEUCOPENIA INFECCIOSA FELINA. REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA, 2009. MARTINS, Rafael José Pacheco. Clínica de animais de companhia. 2023. Dissertação de Mestrado. Universidade de Évora. OTALORA, Milena Cáceres. TRABALHO DE INTEGRAÇÃO MODULAR DO DIPLOMA. 2023. PALMERO, Maria Luiza Colado; CARBALLÉS, Vanessa Pérez. 2012. Enfermedades infecciosas felinas. Zaragoza, España: Servet. 25 SANTOS, Matheus Serafim dos. Hipoplasia cerebelar em um felino. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso. SOARES, Júlia Nunes. 2022. Avaliação de fatores de prognóstico em gatos internados com panleucopenia viral felina [dissertação de mestrado]. Lisboa: FMV-Universidade de Lisboa. TRUYEN, Uwe et al. Feline panleukopenia. ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine & Surgery, v. 11, n. 7, p. 538-546, 2009. VALLEJOS, Camila Valentina Urquidi. DIAGNÓSTICO DE PANLEUKOPENIA EM GATOS UTILIZANDO O TESTE IMUNOCROMATOGRÁFICO DE UMA ETAPA “FELINE PANLEUKOPENIA FPV TEST. AG” NA ZONA JUDICIAL OTB CHIMBA – CERCADO COCHABAMBA. 2023. ZHAO, Shan et al. Characterization of a fatal feline panleukopenia virus derived from giant panda with broad cell tropism and zoonotic potential. Frontiers in Immunology, v. 14, 2023.