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Doenças metabólicas em ruminantes - Cetose → metabolismo energético - Toxemia da gestação → metabolismo energético - Paresia hipocalcêmica → metabolismo de Ca - Síndrome da vaca deitada → consequência da paresia hipocalcêmica **Doenças metabólicas → doenças de indivíduos altamente produtivos - vacas leiteiras de alta produção Período de transição: 3 semanas antes do parto (pré-parto) e 3 semanas após o parto (-21 d a 21 d) – início da lactação ⇒ Alterações hormonais e metabólicas na vaca leiteira neste período Ovelha e cabra → O problema é com o final da gestação (alterações metabólicas), com o crescimento final dos fetos. Não tem tanto problema relacionado com a lactação, diferente da vaca leiteira. Cetose - Desequilíbrio do metabolismo energético da vaca leiteira de alta produção em início de lactação com síntese aumentada de corpos cetônicos Vaca entra em BEN → devido a diferença entre as duas curvas BEN → por isso a vaca entra em desequilíbrio e perde peso – linha preta Tempo de lactação ⇒ 10 meses Quando atinge o pico de ingestão MS e mantém → situação metabólica favorável Quando atingem o pico de produção leiteira, ainda não atingem o pico de ingestão de MS → situação metabólica (energética) desfavorável Mais acometidas → vacas de alta produção leiteira. Vacas de corte → produzem menores quantidades de leite - mais difícil entrarem em situação metabólica desfavorável Ruminantes ingerem carboidratos → seja na forma de fibras ou grãos Na microbiota ruminal são transformados em AGV (AGCC): - Acetato é absorvido e se dirige ao tecido adiposo formando os AGCL (ácidos graxos de cadeia longa) – forma de armazenamento no tecido adiposo - O acetato também é dirigido para a glândula mamária e participa da gordura do leite - O Butirato é transformado pela mucosa do rúmen em BHB → o BHB é um dos corpos cetônicos e pode contribuir para ocorrência de cetose - Propionato utilizado na gliconeogênese para a produção de glicose. - Glicose importante para a produção de lactose → e durante o período de lactação aumenta exigência - Os ruminantes não absorvem glicose, a glicose que chega no rúmen vira AGV ⇒ então o ruminante necessita desta via metabólica, a gliconeogênese para a produção de glicose - Boa parte da Gliconeogênese ocorre no rúmen Não é só o propionato que contribui para a gliconeogênese, os aminoácidos, glicerol e lactato também contribuem Demanda de glicose no início da lactação é maior, para produção de lactose no leite - maior exigência, por conta da produção de leite. Em situação de equilíbrio a vaca vai conseguir atender esta exigência, o problema está na fase em que não conseguir atingir esta exigência. Triglicerídeos ⇒ formado por 3 moléculas de ácidos graxos de cadeia longa (AGCL) e estas cadeias são ligadas por glicerol – forma de armazenamento do lipídio no tecido adiposo. O glicerol vem da quebra desta molécula de triglicerídeos e contribui na gliconeogênese - mobilizado do tecido adiposo Metabolismo de glicídeos, e lipídeos e proteínas Via glicolítica (gliconeogênese) - ciclo de Krebs - Principal precursor da glicose é o proprionato - Propionato entra no ciclo de Krebs e virá glicose → via gliconeogênica - Aminoácidos que são mobilizados do tecido muscular da dieta entram no ciclo de Krebs e são convertidos em glicose - Glicerol mobilizado do tecido adiposo Via oxidativa dos ácidos graxos - Triglicerídeos metabolizados no tecido adiposo ⇒ dão origem ao glicerol e as cadeias de ácidos graxos longas – são oxidadas, e esta oxidação vai gerar ATP (energia) - Na cetose → há um exagero de lipólise, de maneira descontrolada. Triglicerídeos vão sendo quebrados até acetato - Acetato pode entrar no ciclo de krebs e ter a produção de glicose - Quando o acetato é gerado em alta quantidade (acaba não sendo metabolizado pelo ciclo de Krebs) acaba se acumulando e se transforma em corpos cetônicos - Nos casos de cetose ⇒ existe uma demanda muito grande pela síntese de glicose com o direcionamento da via metabólica neste sentido (via oxidativa de ácidos graxos), além disso, uma mobilização muito grande de tecido adiposo (lipólise) e uma incapacidade do acetato em ser metabolizado e entrar no ciclo de Krebs para a síntese de glicose – geração acentuada de corpos cetônicos No BEN ⇒ alta demanda por glicose e menor produção de insulina → estímulo para a lipólise ocorre de maneira exagerada gerando AGNE – aqueles que não conseguem entrar na via gliconeogênica são transformados em corpos cetônicos (BHB, acetoacetato, acetona, isopropanol) Etiologia – tipos de cetose - Cetose primária (dieta adequada; ECC 3,0 a 3,5 ou > 3,5) → ocorre espontaneamente - Cetose secundária (doenças no início da lactação) → acontece secundariamente a doenças que no início da lactação diminuem o apetite – vaca que ainda não atingiu o pico de ingestão de alimento - Cetose alimentar (alterações na silagem) – butirato – aumentam a concentração de BHB - Cetose devido à restrição alimentar (ECCfecal da mãe - Melhorar a imunidade do potro → colostro de boa qualidade, nutrição de boa qualidade, e monitoramento - Plasma hiperimune??? - Tratamento da Rodococose: Diagnóstico Precoce ⇒ – exame físico periódico dos potros, US periódico… – para se diagnosticar antes de haver a formação de abscessos. ASMA EQUINA DPOC = Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (até 1995) ⇓ 2 enfermidades diferentes: • ORVA = Obstrução Recorrente das Vias Aéreas. RAO = Recurrent Airway Disease → acomete cavalos mais velhos - reação inflamatória mais intensa • DIVA = Doença Inflamatória das Vias Aéreas. IAD = Inflamatory Airway Disease → acomete cavalos mais novos - reação inflamatória mais leve Ambas possuem característica exacerbada, mas a ORVA é uma enfermidade mais alérgica ORVA X DIVA ⇓ ASMA EQUINA (EM 2017) LEVE A MODERADA E GRAVE Hoje em dia a nomenclatura é asma mesmo, mas consideram que a asma leve a moderada é a antiga DIVA, e a asma grave é a antiga ORVA Apresentação • É uma Bronquite → não se tem uma infecção acontecendo, não tem acometimento de alvéolos, têm acometimento somente de vias aéreas • Doença de Animais estabulados • Idade/tempo de estabulação - DIVA = 2 a 2,5 anos – asma leve - ORVA = 5 a 7 anos – asma grave • 40 a 60% dos animais estabulados tem em menor ou maior grau Não é tão relacionado a idade, e sim com o tempo de estabulação. Cavalos mais jovens têm a forma mais leve pois passaram pouco tempo da vida deles estabulados, e os cavalos mais velhos têm a forma mais grave pois passaram grande parte da vida estabulados. Etiologia • Agentes causadores de reações de hipersensibilidade – causam alergia - Ex: esporos de fungos presentes no feno – principalmente no feno de alfafa • Agentes irritantes às vias respiratórias – agentes que não são alérgicos em si - pode fazer com que a reação de hipersensibilidade ao alérgeno seja mais exacerbada - Ex: Amônia → presente na urina, então se não tem limpeza da baía diária, não tem troca da cama vai ter acúmulo de urina e aumentar a predisposição • Agentes infecciosos (?) - Vírus - Podem as vezes exacerbar o quadro de asma, mas não precisam estar presentes para o quadro ocorrer Patogenia • Agentes causadores (tanto da hipersensibilidade, como os agentes irritantes das vias aéreas) - levam a inflamação das vias aéreas → BRONQUITE ⇒ características de HIPERREATIVIDADE (reação inflamatória exagerada) • DIVA - reação inflamatória aguda – asma leve tem mais característica inflamatória e pouca característica de hipersensibilidade - reação inflamatória exagerada • ORVA – reação crônica e hipersensibilização – HIPERSENSIBILIDADE DO TIPO III – asma moderada/grave – reação inflamatória que foi mantida ao longo do tempo - Manutenção pelo ambiente → cheia de substâncias alérgicas – para manter o animal neste quadro de cronicidade - Meta/hiperplasia das células secretoras de muco (caliciformes) → mais secreção do que o normal - Hipertrofia da musculatura lisa peribronquial → diminuição da luz respiratória Hiperreatividade • Broncoespasmo → contração do brônquio no momento da alergia • Hipercrinia/Discrinia ⇒ aumento de secreção respiratória/alteração da secreção respiratória • Edema de mucosa → devido a reação alérgica Sinais ocorrem de maneira muito mais exagerada na asma grave (ORVA) Cavalos com asma grave → essa diminuição da luz respiratória ao longo dos anos vai levar a estes quadros - alterações crônicas. Dificuldade na expiração Sinais clínicos • Variável - Extensão das lesões pulmonares - Ambiente → quanto mais alérgenos tiver no ambiente, maior a intensidade dos sinais clínicos. Ex: lugares fechados sem circulação de ar • Sinais leves – **asma leve - Queda de rendimento - Sem alterações clínicas em repouso – pode ser que tenha um pouco de tosse durante o exercício, mas no repouso não apresenta alterações (não tem taquipnéia, taquicardia), pode demonstrar sinais clínicos após o exercício - Secreção em vias respiratórias na endoscopia - Alterações citológicas em ATB (aspirado traqueobrônquico) e LBA (lavado-broncoalveolar) Na asma grave já se encontra sinais sistêmicos: • Temperatura - Temperatura normal ou hipertermia • FC e FR → taquicardia (por ansiedade e desconforto) e taquipnéia – maioria dos casos • Tosse - Queixa mais frequente do proprietário • Secreção nasal → nunca é purulenta, é serosa ou um pouco mucosa • Dispnéia - Expiratória, em contragolpe (movimento da musculatura abdominal na tentativa de ajudar na expulsão do ar – esforço abdominal para tentar expirar todo o ar) – inicialmente. Não consegue expulsar o ar, pois o lúmen respiratório está diminuído – não consegue liberar todo o ar, por isso chega a fazer um quadro de enfisema - Mista → expirar e inspirar – com a cronificação - “Heaves line” ou “linha da ORVA” – casos crônicos – hipertrofia da musculatura abdominal devido a movimento de contragolpe (esforço a musculatura abdominal) - Posição ortopnéia – crises • Tosse + Secreção nasal + dispnéia se agravam em ambientes desfavoráveis • Auscultação - Primeiro Fazer no repouso, após exercício e após apnéia de 1 min – para ter exacerbação dos ruídos respiratórios, para ficar mais fácil - Ruídos respiratórios fisiológicos + evidentes ⇒ nos casos de asma leve - Sibilos de tom grave (secreção seca na via respiratória) e sibilo agudo (estreitamento da via – chiado) + crepitação (secreção mais fluida) ⇒ nos casos de asma grave • Percussão - Em casos de asma grave – Aumento da área pulmonar ventro/caudal ⇒ Aprisionamento de ar/ enfisema na árvore brônquica Diagnóstico • Anamnese - Manejo – estabulação (quanto tempo?), características da baia (limpeza, ventilação), ventilação, feno de boa ou má qualidade, se já teve este episódio alguma vez durante a vida... • Exame físico Não necessariamente precisa de exame complementar – o exame físico + anamnese já são bem indicativos • Gasometria arterial – animais que chegam com muita dispnéia - PaO2 = 95 a 105mmHg - PCO2 = 35 a 45mmHg - Valores normais • Teste de função pulmonar - Difícil acesso no Brasil - Animal fica em uma esteira com uma máscara medindo os valores dos gases • Endoscopia - Visualização → visualização do edema de mucosa e da secreção já é indicativo - O mais realizado • Citologia - Para ver o padrão celular da secreção - Aspirado traqueobrônquico → pode confundir um pouco, por ter células que estão presentes na traquéia - endoscópios mais curtos - Lavado Bronco-alveolar → mais profundo na árvore brônquica – mais complicado, necessário sedação – resultado mais fidedigno - endoscópios mais longos - Reação neutrofílica Deve ser recuperado pelo menos 80% do que você aplicou Citologia • LBA de cavalos sadios - Até 5% de neutrófilos - Até 2% de mastócitos - Até 1% de eosinófilos • Espiral de Curshmann’s → característico de muita produção de muco • Em animais com asma → alta quantidade de Neutrófilos e macrófagos • Eosinófilos • Mastócitos • Ausência ou poucas bactérias → Se tiver presença de bactérias o cavalo provavelmente tem broncopneumonia Em cavalos com o quadro bastante crônico, e com febre → interessante se fazer este LBA para descartar uma broncopneumonia crônica Contar estas células para ver se tem reação inflamatória e se é característico de asma ou não Tratamento • Resolver episódio atual - 1. Broncoespasmo - 2. Hiper e discrinia - 3. Edema de mucosa Duração do tratamento? no mínimo 20 a 30 dias e REAVALIAR • Evitar novos episódios - MUDAR O AMBIENTE! → essencial 1. Broncoespasmo Broncodilatadores: • Clembuterol – 0,8μg/Kg, VO, BID → agonista adrenérgico – estimula o SNA simpático para ter broncodilatação – cavalo pode ficar agitado, ter sudorese, taquicardia (efeitos colaterais no início do tratamento) – Ventipulmin e Pulmonil (nome comercial) • Aminofilina – 4 a 7mg/Kg, VO, TID • Teofilina – 1mg/Kg, VO, QID• Inalação: em casos mais graves - Β2 miméticos ❖ Curta ação (2h): albuterol (360μg), fenoterol ❖ Longa ação: salmeterol, terbutalina - Parassimpaticolíticos ❖ Brometo de ipratrópium (1 a 3μg/Kg) 2. Hiper e Discrinia Mucolíticos - em casos de muita secreção • Dembrexina – 0,3mg/Kg, VO, BID (Sputolisin®) • Clembuterol + dembrexina (Ventiplus®) • Clembuterol + acetilcisteína (Pulmoplus®) • Bromexina – 25 a 30mg/Kg, VO, BID (Bissolvon®) – pode usar sozinho - Nebulização – 0,1 mL/Kg, QID + ACC 10% 2 a 5mL/50Kg 3. Edema de mucosa • Meio ambiente (tira o animal do ambiente – para tirar o estímulo alérgico) X corticóides (diminui o limiar para laminite no cavalo - utilizar pelo menor tempo possível, e o corticóide pode ser considerado dopping, os broncodilatadores também)* • Predinosolona – 1mg/Kg, VO, SID ou BID - Somente em casos graves → a que tem maior chante de causar efeitos colaterais da laminite • Dexametasona - 20mg/450Kg por 2 dias, depois 5mg/450Kg a cada 48hs • Flumetasona - 10 a 14mg/450Kg por 5 dias - Depois diminuir dose e aplicar a cada 48h **E o clembuterol continua por 20 a 30 dias • Corticóides – Inalação ⇒ casos graves - Associar broncodilatador - Beclometazona (1,3mg, BID) - Fluticazona (2mg, BID) • Estabilizantes de mastócitos → cavalos que já tem asma por muito tempo - Inalação - Cromoglicato sódico - Nedocromil sódico - Mais caro → geralmente utilizado por cavalos de alta performance Prevenção AMBIENTE → animais devem passar no mínimo metade do dia no piquete e na hora de dormir irem para a baía • Piquete/Pasto → ideal que o animal permaneça mais tempo no piquete • Baia → deve ser adequada - Cama → hipoalergénica – trocar cepilho diariamente (para evitar acúmulo de amônia) - Ventilação • Feno → ideal é que seja fornecido úmido (evita formação de nuvem de poeira), preferencialmente feno de gramíneas em vez do de alfafaisopropílico (efeito direto no córtex cerebral). Há duas formas de apresentação da doença: - Forma tradicional: emagrecimento progressivo, anorexia e diminuição da produção de leite - Forma nervosa – Sinais de síndrome cerebral: menos frequente – pode estar associada aos sinais clássicos da doença também Sinais clínicos -Tradicionais: • anorexia • inapetência • apetite seletivo • hipomotilidade ruminal • DIM do grau de enchimento ruminal • DIM da atividade de ruminação • emagrecimento progressivo rápido • apatia a depressão • odor de cetona (secreções e ar expirado) → subjetivo e específico • TR, FC e FR não alteradas → sem alterações das funções vitais • MENOR produção de leite → chega um momento em que vai cessar a produção e vai deixar de haver uma demanda exagerada, e isto faz com que ela tenha recuperação espontânea – não morre por cetose – há reequilíbrio Recuperação espontânea em 3 a 4 semanas Prognóstico bom → Perde a lactação, mas em pouco tempo melhora o apetite e deixa de perder peso Neurológicos: 10% das vacas cetóticas - efeito do ácido isopropílico sobre o córtex cerebral - síndrome cortical • amaurose • andar compulsivo • andar em círculos • apetite depravado • manias: atos bizarros e compulsivos • incoordenação motora • movimentos mastigatórios (sinal de excitação) e sialorréia • vocalização → sinal de excitação • lambeduras vigorosas da pele e de objetos inanimados • tremores e tetania (espasticidade) • hiperestesia (resposta exagerada aos estímulos do meio) Episódios curtos (1 a 2 h) e recorrentes **Vacas com cetose e sinais neurológicos → NÃO leva a vaca ao decúbito, e se ficam conseguem se levantar normalmente. – não confundir com doenças que levam ao decúbito Pode ter quedas, e pode ter convulsão, mas raramente isso acontece. Nestes casos o prognóstico também é bom → se reequilibra nutricionalmente (recupera metabolicamente) e deixa de apresentar os sinais neurológicos Diagnóstico Patologia Clínica: • Glicose (sangue ou plasma) - hipoglicemia (20 a 40 mg/dL) → pode ou não ter - Nem toda vaca cetótica tem hipoglicemia • BHB (sangue ou soro) – corpo cetônico - fisiológico: 1,2 a 1,4 mmol/L → vacas não tem manifestação da doença, mas apresenta os valores de BHB elevados. - Cetose clínica: > 3,0 mmol/L ⇒ Hipercetonemia - Maior importância - Toda vaca cetótica tem aumento de BHB • AGNE (soro) - pré-parto: > 0,3 ou 0,4 mmol/L - pós-parto: > 0,7 mmol/L - Complicado de ser aplicado no dia a dia, mais caro e nem todo laboratório faz - Indica LIPÓLISE → de forma exagerada • Acetona e acetoacetato na urina → na fita reativa de urinálise Relação entre cetose e DAE (doença relevante em vaca leiteira no início da lactação). O DAE é uma doença do início da lactação, e causa anorexia, predispondo o animal a fazer cetose. Qualquer coisa que leve a diminuição do apetite, faz o animal entrar em desequilíbrio e entrar em cetose. Tratamento cirúrgico para fixação do abomaso, acesso pelo lado direito (flanco direito) – omentopexia Vaca que não tem hipercetonemia com a cirurgia (abomaso fixado) vai recuperar o apetite rapidamente Vacas com quadro de hipercetonemia acentuada depois da cirurgia talvez não recupere o apetite rapidamente, então deve-se tratar a hipercetonemia (cetose secundária) Área de ressonância metálica Diagnóstico diferencial Sinais tradicionais: • Deslocamento abomasal → só não vai ter tempo de levar ao emagrecimento progressivo, para levar ao emagrecimento progressivo tem que ter um tempo de evolução - e o deslocamento abomasal é uma doença de aparecimento súbito. Mas a época de ocorrência é a mesma para as duas enfermidades – segunda, terceira, quarta semana de gestação - fase inicial da lactação • Indigestões primárias: - Indigestão simples - Reticuloperitonite traumática - Doenças que têm aparecimento súbito! • Indigestões secundárias → úlcera abomasal Sinais neurológicos: • Doenças que cursam com síndrome cerebral → raiva, trauma crânio encefálico, encefalite por herpesvírus tipo 5, poliencefalomalácia Tratamento • Glicose 50% - 500 mL, IV, SID ou BID, por 1 a 3 dias → mesmo com as vacas não apresentando hipoglicemia, aplica-se com intuito de reequilibrar o metabolismo energético na vaca. E caso a dieta for problemática, para melhorar a dieta • Corticoides: - 21-isonicotinato de dexametasona: 10 mg, IM, dose única - acetato ou fosfato de dexametasona: 40 mg, IM, dose única - flumetasona: 5 mg, IM, dose única - Mecanismo de ação: É capaz de diminuir a atividade lipolítica (lipólise) - mobilização do tecido adiposo, que é fonte de Corpos cetônicos → mesmo efeito da insulina (mas não usamos insulina em vacas com cetose, usamos em ovelha com cetose) - Escolher somente um • Precursores de glicose: - propilenoglicol ou glicerol (enteral): ❖ 225 g, BID, por 2 dias ❖ 110 g, SID, por 2 dias - Passa a sonda e derruba dentro do rúmen Deve-se utilizar os 3 ao mesmo tempo! → melhor tratamento Prevenção • Adequação da dieta (rigorosamente balanceada) pré e pós-parto **utilizar nas últimas 4 semanas que antecedem o parto - último mês de gestação → **aumentar a quantidade de energia durante o período de transição do pré-parto - para que tenha uma microbiota já adaptada a dieta que ela vai ter no período de lactação – vai ser uma dieta mais energética no período de lactação – para não ter problema de indigestão ao ser inserida a dieta de lactação • Adequação da oferta evitando competição no cocho e restrição alimentar • Ração total misturada é melhor que componentes separados • Dieta do período de transição pré-parto: energia e PB • Evitar silagem parcialmente estragada (presença de butirato - concentração elevada) e pouco palatável • Evitar obesidade ao parto (superalimentação no final da gestação) • Evitar sedentarismo • Uso de “drench” diário com precursores de glicose (propilenoglicol ou glicerol) → solução eletrolítico utilizada logo após o parto, no início da lactação • Uso de sais de propionato na dieta do período de transição → propionato de sódio, precursor de glicose que minimiza a ocorrência de cetose • Uso de monensina na dieta → antibiótico da classe dos ionóforos (prevenção da acidose lática), diminui a prevalência de cetose Monitoramento no rebanho para cetose subclínica: - **Sem manifestação clínica – vai ter queda na produção - **Mudanças na dieta devem ser feitas para prevenir a ocorrência e para melhorar a eficiência produtiva - Mensurar BHB sérico ou sanguíneo em 12 vacas em cada grupo de 100 – vacas saudáveis - vacas sadias com 5 a 50 DEL (dias em lactação – início) - evitar colheita de sangue da veia mamária (MENOR [BHB]) → parte disso fica sequestrado na glândula mamária, dá uma falsa impressão de que está baixo, mas pode estar alto - colher sangue 4 a 5 h após o início da alimentação (ALTA [BHB]) - valor crítico de BHB: 1,4 mmol/L Quando todas as 12 vacas são negativas → cetose não é um problema nesta propriedade Quando 1 a 2 das vacas das 12 são positivas → BHB acima dos valores → situação limítrofe e de risco, mas ainda não caracteriza cetose subclínica Quando 3 ou mais apresentam BHB acima dos valores → classificação como cetose subclínica confirmada neste rebanho. Providências e modificações na dieta devem ser tomadas para diminuir a prevalência. Prognóstico: bom, auto-limitante Vacas que chegam no período de transição pré-parto com risco de se tornarem obesas → se tem um problema anterior à gestação – provavelmente estão ingerindo mais do que o necessário – problemas com a dieta antes do período de transição do pré-parto. Cetose na vaca leiteira de alta produção → no período do início da lactação Toxemia da gestação - Cetose na ovelha e na cabra - Prognóstico reservado a mal - Final da gestação - Demanda aumentadase dá pelo crescimento fetal, e não pela maior produção de leite - Desequilíbrio do metabolismo energético da ovelha ou da cabra no final da gestação com síntese aumentada de corpos cetônicos - Gêmeos ou fetos muito grandes → demanda energética maior – chances maiores de desequilíbrio energético e de minerais, como o Ca - **Não há componentes tóxicos - Cabras leiteiras de alta produção → podem ter desequilíbrio parecidos com o da vaca de alta produção, mas não com a mesma importância Etiologia – tipos de toxemia da gestação • Toxemia da gestação primária (dieta inadequada) - neste período crítico de maior exigência • Toxemia da gestação da ovelha gorda → pode fazer lipólise exagerada e fazer hipercetonemia • Toxemia da gestação devido à restrição alimentar (ECC baixo) • Toxemia da gestação secundária (doenças no final da gestação) → doenças debilitantes como verminoses (hemoncose) • Toxemia da gestação induzida por estresse → procedimentos de manejo Fatores de risco - Gestação gemelar ou trigemelar - Predisposição individual ao metabolismo desequilibrado - Redução de energia e/ou proteína na dieta pré-parto (últimas 6 semanas) - Restrição alimentar (MS e NDT) – energia e proteína - Escassez de forragens (manejo a pasto) - sem suplementação - Silagem ou feno parcialmente estragados e pouco palatáveis - Competição no cocho (manejo intensivo ou semi-intensivo) - Obesidade no final da gestação (superalimentação) - Sedentarismo - Doenças que determinam diminuição do apetite ou debilitantes no final da gestação - Mudanças no manejo ou eventos estressantes ao final da gestação Epidemiologia - Distribuição mundial - Ocorrência dependente de manejo e nutrição → variável entre rebanhos - Final da gestação: últimas 2 a 6 semanas - Letalidade alta mesmo com tratamento - Prognóstico: reservado a mal - MAIOR ocorrência em multíparas - MAIOR risco com ECC alto no final da gestação - MAIOR risco com a redução acentuada de ECC no final da gestação - Prejuízo econômico: mortalidade das ovelhas e cabras, mortalidade dos fetos e neonatos e custo com tratamento Cetose na ovelha e na cabra → doença que deve ser prevenida, e não remediada – difícil tratamento!! Diferente da vaca, a ovelha e a cabra fazem acidose metabólica significante → ocasionada pelo acúmulo de corpos cetônicos Vaca apresenta um quadro de acidose metabólica insignificante → CETOSE A lipólise (mobilização de tecido adiposo) é tão significante que existe a infiltração gordurosa de dois órgãos alvos – fígado (insuficiência hepática) e rim (insuficiência renal) – ovelhas e cabras O sinais de disfunção cerebral são mais acentuados na ovelha e na cabra gestante, do que nas vacas com cetose. ⇒ devido ao acúmulo de álcool isopropílico, azotemia (síndrome urêmica), síndrome hepática, hipoglicemia – é mais sério, pois a acidose metabólica por si só é mais séria, a disfunção renal pode levar a morte, assim como a insuficiência hepática. Acidose metabólica, insuficiência hepática, disfunção renal (azotemia) → levam disfunções no SN Sinais clínicos Não neurológicos: • isolamento do rebanho • apatia • anorexia ⇒ inapetência • apetite seletivo • hipomotilidade ruminal • DIM do grau de enchimento ruminal • DIM da atividade de ruminação • odor de cetona (ar expirado) → específico • DIM da TR (hipotermia), AUM da FC → diferente da vaca – parâmetros vão estar normais Sinais de síndrome cerebral aguda: • amaurose • episódios de excitação • tremores musculares • desvio lateral da cabeça e pescoço • andar em círculos • incoordenação motora • movimentos mastigatórios e sialorréia • pressionar a cabeça contra objetos fixos • convulsão • decúbito permanente e depressão (em 3 a 4 dias) → DIFERENTE das vacas com cetose. Presente em ovelhas e cabras com cetose Morte em 2 a 7 dias → os fetos podem morrer antes, e aí sim ela poderá fazer toxemia devido a morte fetal Diagnóstico Patologia Clínica: • Glicose (sangue ou plasma) - hipoglicemia (início) - normo a hiperglicemia (meio ao final) – administração da insulina se torna interessante neste momento** • BHB (sangue ou soro) - fisiológico: 3,0 mmol/L - Mais importante → comprovando a existência de hipercetonemia • Acetona e acetoacetato na urina • Hemogasometria: acidose metabólica * • AUM da creatinina e ureia → disfunção renal * • AUM da AST e GGT → disfunção hepática * *Alterações importantes em ovelhas e cabras com cetose – inclusive para saber se vai ter que administrar bicarbonato de sódio ou não Mensurar a calcemia para diagnóstico diferencial!! Diagnóstico diferencial • Hipocalcemia (responde ao tratamento com Ca IV) • Doenças que cursam com síndrome cerebral aguda: - Encefalite bacteriana → não é importante em bovinos - Polioencefalomalacia → importante em bovinos - Raiva → importante em bovinos - Encefalopatia hepática → doença hepática primária - Trauma craniano - Outras Tratamento • Cesariana ou indução do parto: - fosfato ou 21-isonicotinato de dexametasona: 15 a 25 mg em dose única - prostaglandina F2 alfa: 10 g em dose única – parto em 48 a 72 h - **Riscos: morte da ovelha, ou fetos inviáveis (prematuros) - Utilizar um outro + a PGF2 alfa • Fluidoterapia intravenosa: - SRL + 20 mL glicose 50% para cada frasco de 500 mL de RL ⇒ infusão lenta (volume: 10 a 15% do PC) - NaHCO3 6% volume calculado ou 4 a 6mL/kg PC via IV ⇒ correção da acidose metabólica - fazer separado do RL • Insulina: NPH: 20 a 40 UI, SC, cada 24 a 48h (2 a 3 aplicações**) - animais com hiperglicemia - e também para diminuir a intensidade da atividade lipolítica • Precursores de glicose: - propilenoglicol ou glicerol (enteral): 15 a 30 mL, BID, por 2 a 4 dias → fazer mesmo nas ovelhas e cabras com hiperglicemia, utilizar juntamente a insulina - **Menor síntese de insulina e menor resposta das células a insulina → situação das ovelhas e cabras com toxemia da prenhez Prevenção • Adequação da dieta (rigorosamente balanceada) durante a gestação • Adequação da oferta evitando competição no cocho e restrição alimentar • AUM de energia e PB na dieta na segunda metade da gestação → gestação da ovelha: 5 meses • Evitar volumoso (feno) parcialmente estragado e pouco palatável • Evitar obesidade ao parto (superalimentação no final da gestação) • Evitar sedentarismo • Formar lotes separados para gestantes de gêmeos (fazer ultrassonografia) → manejo nutricional mais apropriado – maior aporte energético • Monitoramento no rebanho: - Mensurar BHB sérico em fêmeas nas últimas 6 semanas de gestação – até 0,8 mmol/L ⇒ ingestão de energia adequada - 0,8 a 1,6 mmol/L ⇒ ingestão insuficiente de energia (BEN) – dieta deve ser melhorada - > 1,6 mmol/L ⇒ insuficiência acentuada (BEN) – dieta deve ser muito melhorada PARESIA HIPOCALCÊMICA - “Febre do Leite ou Febre Vitular” - Animal apresenta decúbito → NÃO é DIFERENCIAL de CETOSE ⇒ única semelhança é que vai acometer vacas lactantes de alta produção leiteira, mas uma doença não pode se confundir com a outra - Desequilíbrio no metabolismo de cálcio que acomete a vaca recém parida ou vaca parturiente - Nos primeiros dois dias após o parto – DOIS DIAS DA LACTAÇÃO EPIDEMIOLOGIA Animais Susceptíveis • vacas leiteiras de média ou alta produção – da terceira lactação em diante apresenta um risco maior • > 5 anos de idade • dentro de 48h após o parto → em geral nos dois primeiros dias de lactação • raça Jersey > susceptibilidade → em comparação com a Holandesa • fatores individuais (recidivas) – vacas que já tiveram este problema na lactação anterior Importância Econômica • gastos com o tratamento • descarte precoce • mortes ou descartes ocasionais (15 a 25% casos complicados); • MAIOR risco: retenção placentária, metrite, mamite, distocia e cetose. **Diagnósticoterapêutico → responde ao tratamento A ocorrência de hipocalcemia subclínica é maior do que a de hipocalcemia clínica Para que a vaca consiga manter um nível adequado de produção ela tem que ter os mecanismos homeostáticos muito ativos neste período ⇒ se não entra em desequilíbrio MENOR demanda de Ca no período seco e no final de gestação X Súbito AUMENTO da demanda de Ca no início da lactação Fatores dietéticos e do manejo envolvidos: - dietas pré parto ricas em Ca (>100g/d) e em P (>80g/d) no período seco → AUMENTO do risco – no período seco a exigência é menor, e os mecanismos homeostáticos que serão necessários no pós parto imediato ficam quiescentes, então se no final da gestação a vaca recebeu uma dieta com menos teor de Ca estes mecanismos passam a atuar desde lá, de maneira que ao chegar no período de lactação eles vão estar mais ou menos ativos e prontos para responder a esta demanda maior. - dietas catiônicas (ricas em K+ e Na+ ) → MAIOR o risco - dietas aniônicas (ricas em Cl- e S-) → MENOR o risco - ordenhas múltiplas e completas do colostro → MAIOR o risco – pelo escoamento excessivo de Ca na ordenha – não se deve fazer HOMEOSTASE DO CÁLCIO Manutenção da Calcemia: - aquisição → absorção intestinal (passiva e ativa) - reciclagem → formação e reabsorção óssea (estoque) - perda → eliminação pela urina e pelo leite **Nesta afecção se tem uma menor resposta das células ao PTH sintetizado. Antigamente pensava-se que a vaca produzia menos PTH do que o necessário, mas às vezes elas produzem PTH em uma quantidade maior do que o necessário e as células não respondem. Os osteoclastos não respondem adequadamente ao PTH, então não é uma questão hormonal – de produzir menos hormônios, é uma questão de resposta ao hormônio – por isso é uma questão de predisposição individual. Sobre o SNC → Hipocalcemia terá efeito depressor SINTOMAS Primeiro estágio → estação – geralmente vai direto para o segundo estágio, é curto este primeiro estágio - A vaca ainda fica em pé, interagindo com os estímulos do meio (não apresenta estado depressivo), caminha com o andar rígido, apresenta um certo grau de incoordenação motora (dificuldade de locomoção), tremores musculares e um certo grau de espasticidade Segundo estágio → decúbito esternal - mais frequente → vaca deprimida (não responde aos estímulos do meio), tem hipotermia (devido a vasoconstrição) Terceiro estágio → decúbito lateral - estado comatoso, podendo levar a morte **Solução de Ca via IV → responde rapidamente, e pode levantar às vezes durante a administração. Ou pode voltar a interagir com o meio, sai do estado depressivo e fica alerta, porém incapaz de se levantar – houve resposta, mas foi uma melhora parcial. A melhor resposta é com a vaca conseguindo se erguer - respondeu completamente a administração de Ca. Pode recidivar!! DADOS LABORATORIAIS - Calcemia: normal 10 mg/dL ❖resultado medir o pH da urina 1 semana após o início desta dieta, espera-se que esteja ácida (a urina dos herbívoros é alcalina). Nas vacas Jersey a acidose provocada é um pouco mais acentuada É a medida preventiva mais utilizada hoje em dia Após parir, a dieta aniônica é suspensa e a dieta passa a ser catiônica Outras práticas de manejo (vacas de maior risco): • cloreto de Ca (“drench”) → Após o parto • formiato de Ca (Calfon oral): 1 frasco (350 ml), SID ou BID, por 3 dias Quem recebe isso?? Vacas de maior produção leiteira (maior escoamento de Ca), vacas Jersey, e vacas que já tiveram hipocalcemia e paresia hipocalcêmica em lactações anteriores - selecionar este método para animais mais suscetíveis Diagnóstico Diferencial do Decúbito no Puerpério • Paresia Hipocalcêmica • Endotoxemia (SIRS) - talvez haja uma depressão da consciência - difícil diferenciar • Lesões de nervos (ciático) – compressão devido a distocia - vaca alerta (com consciência) • Lesões ósteo-musculares - vaca alerta • Miopatia Degenerativa → “Síndrome da Vaca Deitada” - devido ao decúbito prolongado - não conseguirá levantar, mas terá o estado de consciência normal (alerta). Vaca com mamite gangrenosa → fez quadro de endotoxemia - área acometida arroxeada e fria . Endotoxemia na vaca parturiente (pós parto) → a vaca pode vir a ter metrite e mamite gangrenosa - maiores fontes de contaminação bacteriana e possibilidade de endotoxemia Luxação coxo-femoral ou fratura do fêmur → pisos escorregadios, instabilidade, certo grau de hipocalcemia – possibilidade de fazer abdução → alerta (estado de consciência normal) Principalmente no nervo ciático – compressão Miopatia por decúbito prolongado → só é importante em animais pesados Estes 3 fatores (tempo de decúbito, peso corporal e dureza do piso) relacionados irão levar maior ou menor lesão por pressão Situação de decúbito – membro que ficou por baixo terá lesão compressiva por isquemia, necrose muscular, e um certo grau de estiramento do nervo ciático → e isso a longo prazo vai ser irreversível – IMPOTÊNCIA FUNCIONAL → decúbito permanente O Manejo da Vaca Deitada - “sempre uma questão de paciência” Aspectos gerais: - Manter abrigada com água e alimento - Cama macia e reforçada (areia) - Limpeza e troca da cama (seca) - Nunca em piso escorregadio Em decúbito: - Trocar de lado (várias x/dia) – para evitar lesão mais séria da musculatura - Massagear músculos e proeminências Em estação: - Suspender artificialmente (várias x/dia) → para evitar ao máximo as lesões compressivas - Manter suspensa (com peia frouxa) - Restringir movimentação (em baia) - Ordenhar - Avaliar a evolução do quadro - Avaliar as complicações (escaras, mamite, lesão de fibular e de radial) Preocupação do decúbito permanente – suas consequências → pode levar a lesão muito grave nos nervos, e necrose isquêmica da musculatura - podendo levar a incapacidade do membro. ⇒ IMPOTÊNCIA FUNCIONAL Enfermidades metabólicas de Equinos Metabolismo Conjunto de reações químicas responsáveis pelo processo de síntese e degradação de nutrientes na célula - Anabolismo = Catabolismo → de maneira equilibrada – isso em indivíduos saudáveis Causas de desequilíbrio na homeostase: - Predisposição genética/ individual – raças - Interferência de fatores nutricionais - Falhas no manejo - Ocorrência de enfermidades RABDOMIÓLISE EQUINA - Necrose da musculatura esquelética - Principal enfermidade muscular dos cavalos Tipos de fibras musculares Tipo I – contração lenta - Exercício AERÓBICO - ALTO número de mitocôndrias e mioglobina - > suprimento sanguíneo Tipo II – contração rápida - Exercício ANAERÓBICO → produto final é o lactato -ou logo após - Parece uma câimbra ** - Manifestação intermitente - Atletas: PSI, Standardbred ❖ Animais sanguíneos ❖ Melhor condicionamento físico - Estudo: 5 a 10% dos animais em treinamento já começam a apresentar esta enfermidade Diminuição do Ca dentro da mitocôndria da fibra muscular, e pressupõe-se que se tem distúrbio do metabolismo energético → fatores que vão levar a hipóxia e necrose da musculatura Hipóxia e Necrose muscular → menos acentuada do que a Rabdomiólise esporádica Estas 3 alterações ocorrem mais acentuada na forma esporádica Sinais clínicos - Início dos sinais 30 minutos ou poucas horas após os exercícios – na forma esporádica e na MAP, exceção é na RER que pode ocorrer durante o exercício (semelhante a uma câimbra) - Dor e rigidez muscular: Quadríceps, Femoral e Glúteos – principalmente na musculatura de membros posteriores - Relutância em se movimentar → musculatura contraída - Ansiedade - Taquicardia - Taquipnéia - Sudorese - Hipertermia - Desconforto abdominal - Mioglobinúria ❖ Coloração pode variar (urina bem escura, ou coloração de vinho) → pode não ser necessariamente mioglobinúria, e sim hemoglobinúria ❖ Anúria → IRA instalada, pior prognóstico **Relutância em caminhar → Diagnóstico diferencial - laminite, tétano, rabdomiólise Diagnóstico - Anamnese (como é o treino, tempo de repouso…) + Exame clínico - Patologia clínica - Biópsia muscular - Teste genético - Achados de necrópsia e histopatologia Patologia clínica: CK ◼ Nestes casos se tem um aumento de :1000 a 400000 UI/L ◼ Pico 6hs após lesão ◼ 2 a 3 dias - Normal = até 217 UI/L - Aumento de CK → indica lesão/necrose muscular - Específica para lesão muscular - Enzima específica de musculatura esquelética AST ◼ > 1000 UI/L ◼ Pico 24hs após a lesão ◼ 7 a 14 dias - Não é específica de lesão muscular, pode aumentar também em lesão hepática - Normal = 123 – 729 UI/L 24 horas após a lesão da musculatura → tem que ter aumento de CK e AST Após 72 horas a CK pode diminuir, mas a AST vai continuar alta Importante para confirmar diagnóstico Desidratação: ◼ Hematócrito > 50% ◼ Proteína plasmática total > 8g/dL Hemogasometria ◼Alcalose hipoclorêmica → a rabdomiólise é uma das principais causas de alcalose no cavalo ◼ Hiponatremia ◼ Acidose metabólica – casos graves Uréia e creatinina - Para ver o quanto dessa mioglobina lesou o rim Urinálise ◼ Mioglobinúria ◼ Proteinúria ◼ Presença de cilindros ◼ Acompanhamento da mioglobinúria Biópsia muscular - Nos casos de Rabdomiólise crônica - Agulha de Bergstrom → coletar fragmento muscular – ideal que seja do glúteo, e músculo semitendinoso e semimembranoso. Ou pode se coletar diretamente com bisturi (incisão e coletar fragmento muscular) - Coloração de PAS → coloração específica para polissacarídeo amilase resistente - Na Rabdomiólise esporádica - vamos ver: ◼Mionecrose de fibras ◼ Miosite leve (infiltração de macrófagos) ◼ Fibrose ◼ PAS negativo – não vau corar - Na MAP vamos ver: ◼ Necrose segmentar da musculatura ◼ PAS positiva (aumento da reserva de glicogênio) – única forma que se tem acúmulo de polissacarídeos **Biópsia muscular e coloração de PAS vamos fazer naquele cavalo que desconfiamos de MAP **Provita: Diagnóstico da MAP ou é biópsia muscular e coloração de PAS ou teste genético (que detecta a mutação de gene) - RER vamos ver: ◼ Necrose segmentar e desorganização de fibras ◼ Infiltração de macrófagos ◼ Coloração PAS negativo ◼ Reserva de glicogênio normal Teste genético - MAP tipo I - Detecção da mutação gene GYS 1 ◼ Material: sangue total ◼ Locais: Universidade de Minnesota – Estados Unidos, Laboklin (Reino Unido), UNESP Botucatu Achados de necrópsia - Musculatura de coloração pálida a escura e edemaciada - Lesões simétricas e focais - Rins edemaciados e medular renal de coloração amarronzada → devido a mioglobinúria Histopatologia - Necrose/Degeneração hialina → da musculatura - Discreta reação inflamatória Diagnóstico diferencial - Laminite* - Tétano* - Cólica - Peritonite - Pleurite - Trombose da artéria ilíaca → andar rígido de membros posteriores - Intoxicação por Senna occidentalis** - Intoxicação por ionóforos** - causa necrose da musculatura cardíaca também **causam necrose muscular – sinais semelhantes Prognóstico - Reservado a favorável → se o animal permanece em pé - Desfavorável ❖ Decúbito ❖ Uremia grave ❖ Pouco responsivo ao tratamento Tratamento Objetivos: 1. Prevenir dano muscular adicional - REPOUSO - Proporcionar conforto ao animal - Massagens e compressas locais na musculatura - Rabdomiólise esporádica: Retorno gradativo ao exercício - Já as rabdomiólises crônicas têm o repouso mais curto: ❖ MAP: Repouso por no máximo 48h ❖ RER: Movimentação precoce e cuidadosa do animal – pode ser no mesmo dia 2. Controle da dor e ansiedade AINES - Flunixin meglumine (1,1mg/Kg, IV) - Fenilbutazona (2,2 a 4,4 mg/Kg, IV) - Cetoprofeno (2,2 mg/kg, IV) - Cuidado!! potencial nefrotóxico – então se o cavalo estiver com alteração da função renal (azotemia) não é recomendado Se tiver alteração da função renal - relaxantes musculares e sedativos - Acetilpromazina (0,04 a 0,06 mg/Kg, IV) - Detomidina + Butorfanol (0,02 a 0,04mg/kg + 0,01 a 0,04mg/kg, IV) - Xilazina (0,3 a 0,6 mg/kg, IV) - Cuidados com superdosagem → efeito rápido Corticóides??? - Somente em casos muito graves → pode diminuir o limiar para laminite - Metilprednisolona (2 a 4mg/kg, IV) – menor chance de levar a laminite 3. Restabelecer equilíbrio hidroeletrolítico - Reposição por IV e/ou VO → depende do nível de desidratação - Fluidoterapia com bicarbonato – não é indicada → na maioria das vezes o cavalo vai ter alcalose e não acidose - Não utilizar diuréticos!!! → Cuidado, animal pode estar desidratado e pode ter disfunção renal – piora a situação do rim - Desidratação leve ◼ Via Oral ◼ 5L a cada 30 min (bolus) ou infusão contínua ◼ Soro caseiro ◼ Soluções balanceadas → ideal devido às perdas de eletrólitos - Desidratação moderada a grave ◼ Via Intravenosa ◼ NaCl (0,9%) → alcalose – solução acidificante – na maioria dos casos Ou Ringer simples – acidificante ◼ Ringer com lactato ◼ Suplementação com cloreto de Potássio (KCl 19% - 6 mL/ 500mL SF). ◼ Adição de borogluconato de cálcio 23% (10ml/L SRL) Terapias adicionais - DMSO (1g/Kg PV – VO ou IV) – potente antioxidante, forte ação anti inflamatória - Tiamina ◼ Acelera metabolização do ácido lático - Selênio e Vitamina E - Relaxantes musculares ◼ Metocarbamol (5 a 22mg/kg, IV lento) ◼Bloqueadores de Cálcio (animais com RER) – para auxiliar no relaxamento muscular ❖ Dantrolene (2 mg/kg, SID, VO, por 3 a 5 dias) ❖ Fenitoína (8 mg/kg, VO, BID, 3 a 5 dias) - Manejo alimentar ❖ Feno de boa qualidade ❖ Baixo teor de grãos ❖ Dieta com energia limitada - Retorno gradativo aos treinos - Acupuntura e ultrassom terapêutico → para relaxar a musculatura - Tratamento de suporte ❖ Animal em decúbito 4. Tratar complicações secundárias - Decúbito ◼ Escaras - Laminite Profilaxia Condicionamento físico - Evitar esforço excessivo - Regularidades de exercício - Enduro (provas de longa distância) – fazer paradas, e durante as paradas fazer reposição hídrica e eletrolítica durante a prova Manejo nutricional - Feno de qualidade - Diminuir o nível de carboidrato → especialmente nos casos de cavalos MAP positivos (não pode ter grandes quantidades de carboidratos na dieta) - Se necessário, suplementar com fontes de energia gordurosas - Proporção Ca/P na dieta 2:1 Suplementação - Cloreto de sódio (30 a 50g/dia) - Bicarbonato de sódio (0,5 a 1g/Kg/dia) - Vitamina E (1UI/Kg/dia) e Selênio (2,5μg/kg/dia) – auxiliam no metabolismo muscular Animais com MAP e RER - Substituir % dos CHO por gorduras na dieta - Evitar desequilíbrios eletrolíticos - Acetilpromazina em dose baixa 30 min antes doexercício → nos casos de cavalos de corrida - Prática de aquecimento e alongamento antes do exercício Animais com RER - Evitar fatores estressantes - Criar rotina de treinamento Relaxantes musculares: - Dantrolene (1 a 2mg/kg, VO, 1 hora antes do treinamento) - Fenitoína (6 a 8 mg/kg, VO, BID, 3 a 5 dias) - Dimetilglicina (1 a 5mg/kg, VO) ⇒ Sem eficácia comprovada HEPATOPATIAS EQUINAS ETIOLOGIA Hepatopatias tóxicas: - Substâncias tóxicas – Tetracloreto de carbono, arsênico, monensina, herbicidas, fungicidas, fertilizantes… - Drogas – eritromicina, fenotiazínicos, tetraciclina, anabolizantes - Plantas – Senecio sp., Crotalaria sp.* - Micotoxinas – Aflatoxina e rubratoxina* → ração e feno armazenado de maneira inadequada - *mais frequentes Hepatites bacterianas: Não são tão comuns nos cavalos, mais comuns em ruminantes Bacillus piliformis / Clostridium spp.? - Tizzer’s disease – necrose hepática - Potros de 7 a 40 dias. - Quadro agudo: diarréia, depressão, coma e morte Enterobactérias - Infecção ascendente pelo ducto biliar em adultos (colangiohepatites) - Infecção ascendente pelo ônfalo em potro Hepatites virais: Herpesvírus - Abortamento no terço final da gestação - Potro nasce contaminado - Quadros neurológicos Causa hepatite AIE (Anemia infecciosa equina) - Vírus se aloja nas células de Kupffer no fígado - Causa anemia e hepatite Hepatites parasitárias: - Parascaris sp. - Grandes estrôngilos - Menos comum Colelitíase - Incomuns Abscessos - Comuns em neonatos - Potros Neoplasias hepáticas Patogenia X Sintomas Icterícia - “Alteração na absorção, conjugação ou excreção de bilirrubina ou produção excessiva decorrente de hemólise” - Comum em animais hepatopatas - Jejum → É comum ver um quadro de icterícia em um cavalo que ficou em jejum por muito tempo. Também pode acontecer em animais que estão sem se alimentar por muito tempo devido a alguma doença - Aguda X crônica - Pré hepático X Hepático X Pós hepático Encefalopatia hepática: - Síndrome metabólica com alteração do estado mental decorrente da insuficiência hepática - Sinais neurológicos que decorrem do acúmulo de toxinas na circulação Deve-se ao: ◼ Excesso de amônia, mercaptanos, fenóis ou outras toxinas ◼ Além da capacidade hepática de metabolização ⇒ toxinas na corrente sanguínea chegam até o SNC e causam alterações Mudança no padrão dos neurotransmissores: ◼ DIM Noradrenalina e dopamina → responsável pelo bem estar do animal ◼ AUM da atividade do GABA ⇒ depressão ◼ Hipoglicemia no SNC Alterações comportamentais: - Leves: Bocejar frequente, andar em círculo, apoio da cabeça contra obstáculos - Graves: agitação, agressividade, demência - É uma Síndrome cerebral** – por isso as alterações comportamentais Outros: - Sonolência - Depressão - Anorexia - Emagrecimento progressivo ⇒ CRONICIDADE - Dor abdominal - Fotossensibilidade → lesões na pele de fotossensibilização hepatógena – fígado não está com o seu metabolismo funcionando normalmente, não vai conseguir metabolizar clorofila adequadamente - Alterações na hemostasia: ❖ Petéquias ❖ Hematomas ❖ Sangramentos prolongados → tempo de coagulação aumentado Sintomas incomuns: - Ascite - Edema de membros e barbela - Esteatorréia ⇒ Fezes volumosas de coloração acinzentada - Diarréia (não é tão comum se ver em um cavalo hepatopata) ⇒ Não degrada gordura no TGI ⇒ diarréia osmótica DIAGNÓSTICO - Anamnese + Exame físico Patologia clínica: - Enzimas Específicas: ❖ SDH (sorbitol desidrogenase): meia vida curta ❖ GLDH ( Glutamato desidrogenase): longa duração ❖ GGT (Gama glutamil transferase) * - Inespecíficas ❖ AST (Aspartato transferase) * ❖ LDH (Lactato desidrogenase) ❖ FA (Fosfatase alcalina) - menos específica *Sempre pede no HV - Função secretora ❖ Bilirrubinas → nos animais com icterícia ❖ Ácidos biliares - Amônia - PTP - Albumina - Glicose - Testes de coagulação Ultrassonografia - Abscessos - Neoplasias - Fibrose - Alterações em ductos biliares Outros: - Biópsia → guiada com US - Laparoscopia - Necrópsia - Histopatologia → para ver a lesão hepática específica Prognóstico - Lesão hepática?? não conseguimos avaliar com o US o grau de acometimento, o ideal seria fazer biópsia e histopatologia - Doença aguda ⇒ Reservado - Doença crônica ⇒ Reservado a ruim Tratamento Sintomático e de suporte: - Fígado em repouso – não utilizar fármacos que dão muito trabalho ao fígado - “Protetor hepático” ❖ Comerciais: aa aromáticos e sulfurados (metionina) – dão trabalho para o fígado ❖ Verdadeiro protetor hepático: GLICOSE → para gerar ATP Desidratação - Normalmente estes animais ficam desidratados - Fluidoterapia eletrolítica balanceada - Suplementar glicose e potássio → comum cavalos terem hipopotassemia Encefalopatia hepática - Sedação: Xilazina ❖ Alteração de comportamento - Anticonvulsivantes focais ou generalizadas: Diazepam - Hipoglicemia – Glicose 5% (1L/h) - MENOR produção de amônia – barrar a produção de amônia por bactérias do ceco e do cólon maior – uma das substâncias que podem agir no cérebro e levar a danos ❖ Neomicina = 10 a 30mg/kg, VO. BID ❖ Associar com lactulose (90 a 120 ml, VO, TID/ equino adulto) ou ácido acético (0,5ml/kg, VO, BID) - Nos casos de Hepatopatias bacterianas - Óleo mineral e carvão ativado ❖ Uma tentativa de diminuir a absorção de toxinas Alimentação - Pequenas porções de alimento oferecidas frequentemente - Diminuir proteínas – dá trabalho para o fígado ❖ Feno de gramíneas e grãos – rico em carboidratos ❖ Retirar alfafa – feno com alta quantidade de proteínas - Aumentar energia ⇒ Melaço - Aminoácidos de cadeia ramificada – mais fácil a metabolização ❖ Leucina ❖ Valina ❖ Isoleucina ❖ Estão presentes no sorgo - Vitaminas do complexo B ⇒ principalmente a B1 →Tiamina Corticóides - Hepatites gerais: NÃO UTILIZAR!! ◼ Dão “trabalho” ao fígado (gliconeogênese e catabolismo protéico) ◼ Não evitam fibrose hepática - Hepatites crônicas ativas: SIM!! ◼ Hipersensibilidade e doença autoimune → vantajoso ◼ Dexametasona (0,05 a 0,1 mg/kg SID) ◼ Prednisolona (0,4 a 1,0 mg/Kg SID) Hiperlipemia ETIOLOGIA: - Acúmulo de triglicerídeos no plasma → Hipertrigliceridemia - Infiltração gordurosa no fígado - Pôneis - Mini Horses - Burros Fator determinante: - Balanço energético negativo ⇒ Estresse nutricional ou Baixa ingestão alimentar - Precisa entrar em BEN para levar a ter esta enfermidade Fatores predisponentes: - Obesidade - Final da gestação e começo da lactação –**bem semelhante a cetose na vaca - POUCA Alimentação - Estresse - Outras enfermidades PATOGENIA Infiltração da gordura no fígado → levando a um fígado gorduroso → quando o fígado chega ao seu limite, este excesso de triglicerídeos acaba chegando na circulação (passou do limite de metabolização) → Hiperlipemia SINTOMAS Sintomatologia inespecífica - Reflete existência de insuficiência hepática – infiltração gordurosa - Sintomas da enfermidade primária Inicialmente... - Anorexia - Depressão - Fraqueza - Icterícia - Cólica leve → desconforto abdominal - Edema ventral - Diminuição de peso - Diarreia Evolui para encefalopatia hepática... - Pressão da cabeça contra obstáculos - Andar em círculos - Ataxia - Fasciculações musculares - Convulsões - Nistagmo - Decúbito - Depressão profunda - Coma - Morte DIAGNÓSTICO - Anamnese ❖ Condições que levam ao balanço energético negativo ❖ Ou condições de Estresse - Sinais clínicos - Patologia clínica - Achados de necropsia ⇒ Infiltração gordurosa em fígado e rins Patologia clínica - Triglicerídeos séricos (70mg/dL) → em cavalos não é tão importante se pedir, é importante nestas espécies predispostas (Mini horses, póneis, mulas…) – principalmente se for obesa ❖ Hiperlipidemia (150 a 500mg/dL) ❖ Hiperlipemia (> 500 mg/dL) – quadro da doença, caracteriza a enfermidade → plasma brancopor infiltração de gordura - Desidratação - Glicemia - variável – pode ter hiper, hipo ou normo - Enzimas hepáticas → alteradas PROGNÓSTICO - Reservado a desfavorável ❖ 60% de mortalidade – doença grave ❖ Depende da lesão hepática, da extensão desta lesão e da resposta ao tratamento TRATAMENTO - Tratar a enfermidade primária - Indução do parto (fêmea gestante) ou desmame (fêmea em lactação – secar a égua) - Restabelecer equilíbrio hidroeletrolítico: Ringer com lactato ou Glicose 5% (2mL/ Kg/h) - Suporte nutricional – Balanço energético POSITIVO ❖ Alimentos palatáveis e ricos em energia ❖ Sondagem, se necessário → se animal não comer - Insulina protamina zinco – alternado uma dose mais alta e uma dose mais baixa com relação aos dias ❖ Dias ímpares: 30UI, IM, BID + glicose (100g, VO, BID) ❖ Dias pares: 15UI, IM, BID + galactose (100g, VO, BID) ❖ (Pônei de 200kg) - Heparina ❖ 100 a 250 UI/Kg, SC, BID ❖ Diminui o excesso de triglicerídeos da circulação (?) ❖ Efeitos adversos → sangramento prolongado - Terapia de suporte – se o animal deitar tem que levantar, se o animal está desidratado tem que se hidratar Enfermidades do Sistema Respiratório 🐴Inferior de Grandes Animais🐮 Anatomia • Vias respiratórias - Brônquios e bronquíolos - Epitélio ciliado com células caliciformes que produzem muco - O pulmão dos ruminantes é lobulado → Pode ter pneumonias que vão acometer somente um lobo, então na auscultação não vamos encontrar alterações espalhadas por todo o tórax. • Área de troca gasosa - Alvéolos ❖ Pneumócitos tipo I ❖ Pneumócitos tipo II → produz substâncias surfactantes • Interstício - Tecido conjuntivo entre os alvéolos Fisiologia • Inervação - Parassimpático ❖ Nervo Vago ❖ Broncoconstrição - Simpático ❖ Receptores β2 adrenérgicos ❖ Broncodilatação Mecanismos de defesa pulmonar • Tosse (SRI)/Espirro (SRS) → presença de sujidades grandes • Apnéia + Broncoconstrição → para evitar que as partículas cheguem até a parte mais profunda da árvores respiratória, até ter a deposição destas partículas • Deposição das partículas + Sistema Mucociliar - Deposição de partículas menores que 2µm - Movimentação pelo muco e cílios até laringe → transporte dessas partículas • Macrófagos alveolares + Surfactante • Leucócitos + Imunidade humoral (IgA → imunoglobulina mais presente no sistema respiratório) PNEUMONIA • Definição: Processo inflamatório dos pulmões que pode ter origem infecciosa ou não • Importância - Incidência anual de 90% em potros ⇒ 12% de letalidade - Incidência anual de 50% em bovinos confinados nos EUA - Cura X Sequela → pode ter a cura do animal, mas ele pode viver o resto da vida com sequelas (não desempenha todo o seu potencial atlético) Classificação • Pneumonia brônquica ou broncopneumonia ⇒ mais comum, normalmente se tem bactérias envolvidas • Pneumonia intersticial ⇒ maior acometimento por vírus • Pneumonia metastática ⇒ menos comuns em grandes animais, pode ter ação viral, bacteriana ou tumoral • Pleurite/Pleuropneumonia dos equinos **Pneumonia metastática ⇒ pode ser classificada como pneumonia metastática, mas na verdade é uma pneumonia bacteriana - pneumonia com abscessos nos bovinos – TUBERCULOSE Broncopneumonias em Ruminantes • Definição - Complexo de doença respiratória de ruminantes – Complexo respiratório bovino. - Complexo ⇒ Inúmeras associações de agentes infecciosos – vírus, bactérias, e pode ter até parasitos envolvidos * - Comprometimento das defesas do hospedeiro * - Condições ambientais desfavoráveis * - *Estas 3 condições juntas podem levar a esta afecção - “Pneumonia enzoótica dos bezerros (PEB)” → bezerros de leite - “Febre do transporte” → bovinos corte • Epidemiologia - PEB ❖ bezerros de 2 semanas a 6 meses de vida ❖ Doença endêmica (presente o tempo todo) ou surto (vários casos de uma vez só) - Febre do transporte ❖ Doença que ocorre após o transporte para um ambiente novo ❖ Doença ocorre até 3 semanas depois da chegada no confinamento ❖ Animais de mais de um ano de idade - que já vão para o confinamento - Fatores de risco - PEB ❖ Falha de transferência de imunidade passiva → bezerros que não mamaram o colostro adequadamente ❖ Deficiências nutricionais ❖ Condições ambientais do Bezerreiro ➢ Temperatura ➢ Umidade ➢ Ausência de renovação do ar ➢ Não é limpo adequadamente ➢ Superlotação ➢ Bezerros de diferentes faixas etárias - Fatores de risco – Febre do transporte ❖ Manejo da fazenda de origem (Antes do transporte) • Qualquer evento estressante antes do transporte • Vacinação, vermifugação, castração** • Desmame e cirurgia 3 semanas antes do transporte • Deficiência nutricional ❖ Transporte • Transporte prolongado → animal muito tempo em jejum, sem beber água e sem se alimentar • Superlotação do caminhão → sem condições de bem estar animal ❖ Confinamento • Superlotação • Animais de diferentes origens • Condições ambientais - Fatores de risco – ovinos e caprinos ❖ Animais jovens ❖ Após transporte prolongados ❖ Após mudanças nas condições climáticas ❖ Tosquia – eventos estressantes ❖ Cirurgias (castração e descorna) – eventos estressantes • Etiologia - Bovinos Bactérias: As 3 primeiras → as 3 principais envolvidas • Etiologia - Ovinos e caprinos Patogenia Fatores de risco → eventos estressantes (cirurgia e transporte), falha de transferência da imunidade passiva, fatores estressantes… Vírus normalmente destroem o epitélio pseudoestratificado ciliado com células caliciformes → comprometimento dos mecanismos de defesa → Bactérias que já fazem parte do trato respiratório do animal se aproveitam desta conjunção de fatores e acabam ocasionando a pneumonia – bactérias do trato respiratório – as primeiras da tabela • Início nas áreas crânio-ventrais → “Pneumonia lobular” • Pneumonia lobar ou lobular • Formação de exsudato → inicialmente é mais seroso (vai ter infiltração de macrófagos e neutrófilos ao longo da árvore respiratória) → até chegar a ser um exsudato purulento lá nos brônquios – secreção nasal Produção de exsudato seroso nos alvéolos ↓ Infiltração de macrófagos e neutrófilos ↓ Exsudato purulento nos brônquios Complicações • Abscessos • Pleuropneumonia fibrinosa Sinais clínicos Depende do estágio da doença: Pneumonia viral → Pneumonia bacteriana Sinais iniciais: inespecíficos • Apatia/ depressão • “Olhar sonolento” • Diminuição do apetite • Febre Pneumonia bacteriana já instalada • Secreção nasal bilateral - Serosa → infecção viral ativa - Mucopurulenta ou Sanguinolenta → infecção bacteriana instalada • Taquipnéia – inicialmente • Dispnéia – depois de um tempo - Mista → acontece tanto na inspiração, quanto na expiração - Extensão de cabeça e abertura dos MAs → animal com muita dificuldade de respirar – posição ortopnéica - Respiração predominantemente abdominal ** • Desidratação • Tosse - Inicialmente é Não produtiva - Posteriormente Produtiva Relutância em se movimentar (ficar muito tempo parado) → Pleuropneumonia (dói muito, só de palpar o espaço intercostal já apresenta dor - pleurisia) • Auscultação - Crepitação grossa → crepitação é um som com intervalo – apresenta secreção fluida - Sibilo agudo → sibilo é um som contínuo – no sibilo agudo vamos auscultar um chiado – significa o estreitamento da via respiratória - Sibilo grave → ocorre quando temos secreção seca nas vias respiratórias, não necessariamente vai ter estreitamento das vias respiratórios - Roce pleural → deslizar das duas pleuras, líquido pleural vai ficar mais denso (consistente) nesta afecção – indício de pleurite - Silêncio auscultatório → indicativo de colabamento do pulmão, não tem um pulmão funcional, não tem ar neste pulmão • Percussão - Pleuropneumonia → Dor - Consolidação pulmonar e efusão pleural → som mate Diagnóstico diferencial • Enfisema pulmonar agudo• Pneumonia intersticial • Edema pulmonar • Verminose pulmonar • Condições septicêmicas • Intoxicação por nitrato Diagnóstico • Exame clínico • Hemograma + Fibrinogênio → achados do hemograma: sem alteração da série vermelha, só se o animal estiver com desidratação (hemoconcentração), da série branca vamos ver leucocitose e neutrofilia (ruminantes possuem mais linfócitos do que neutrófilos normalmente – a inversão dos valores já é um achado significativo). E vai ter aumento do fibrinogênio • Identificação do agente - Cultura + Antibiograma - Detecção do antígeno ⇒ PCR, Isolamento viral - Detecção de anticorpos • Exames de imagem - Radiografia → mais restrita, animais de porte grande - Ultrassonografia → para ser feita a campo • Necrópsia - Broncopneumonia fibrinopurulenta → alta quantidade de fibrina entre a pleura visceral e a pleura parietal - Áreas ventrais dos pulmões intumescidas, vermelhas, firmes e pesadas - Consolidação pulmonar → hepatização pulmonar (pulmão parece com o fígado na imagem ultrassonográfica, e macroscopicamente também) Tratamento • Precoce → quando chega no estágio de consolidação pulmonar não se consegue mais reverter • Importância da cultura e antibiograma → mas no campo nem sempre isso vai ser feito • Duração mínima de 7 dias (ou + 48horas após a remissão dos sintomas) • Se não diminuir a febre em 48 horas → RESISTÊNCIA ao antimicrobiano utilizado • Antimicrobianos - Tratar o mais rápido possível - Tratar por tempo suficiente → por mais ou menos 7 dias - Tratar com antimicrobiano adequado - Principal motivo de insucesso: lesão que evoluiu tempo demais para ser tratada eficazmente – não é possível reverter o quadro - Detecção precoce - Monitoramento da resposta ao tratamento → exames de imagem - Medicação em massa? questionável, tem situações em que são indicados **Penicilina, Ceftiofur, e Oxitetraciclina → muita resistência hoje em dia Melhor espectro de ação → os 3 últimos da tabela • AINES - Flunixin meglumine = 2,2mg/Kg, IV ou IM, SID ou BID → por pelo menos 3 dias - Corticóides – NÃO USAR EM BRONCOPNEUMONIAS! → apenas para pneumonia intersticial • Mucolíticos - Bromexina 75 a 90mg/ 450kg, SID, VO • Hidratação → principalmente os animais mais jovens • Drenagem da cavidade pleural → animais de alto valor zootécnico • Oxigenioterapia → em alguns animais Prevenção Evitar os FATORES DE RISCO! • Manejo - Fornecer colostro → diminuir as falhas de transferência de imunidade passiva - Evitar stress • Ambiente - Evitar Superlotação - Animais de diferentes faixas etárias em bezerreiros - Animais de diferentes origens no confinamento •Vacinas - NUNCA é medida única! Enfermidade multifatorial • Transporte → não colocar os animais para serem transportados após eventos estressantes • Pré condicionamento 3 semanas antes do transporte → evitar situações estressantes – fazer todas as coisas que forem causar estresse algumas semanas antes do transporte Metafilaxia → técnica muito utilizada em confinamentos – medicação em massa • Indicações: feita somente quando houver indicação - Aspecto clínico dos animais na chegada ao confinamento → animais chegam doentes - Alta morbidade e mortalidade - Sobra de ração no cocho - Animais com febre - Histórico de pouca eficácia de vacinas Problemas → com a resistência Pneumonias progressivas de pequenos ruminantes • Maedi-Visna → viral – pneumonia intersticial crônica em ovinos • Artrite Encefalite Caprina (CAE) → viral – pneumonia em caprinos • Linfadenite caseosa → bacteriana – causa abscessos em linfonodos, também pode causar pneumonia crônica • Tuberculose H → também pode causar pneumonia crônica em ovinos e caprinos Broncopneumonias em Equinos • Epidemiologia • Fatores de risco: - Infecção viral - Transporte - Estresse - Anestesia geral ⇒ cirurgia de cólica pode ser um fator predisponente para a ocorrência de broncopneumonia - Endotoxemia - Imunossupressão Rhodococcus equi → principal agente de pneumonia em potros Sinais clínicos • Intolerância ao exercício • Perda de peso • Febre intermitente → vai e volta • Taquipnéia (mesmo em repouso) • Secreção nasal ⇒ no início é bem clarinha, pode evoluir para uma secreção sanguinolenta • Tosse • Auscultação - Aumento da Intensidade dos sons respiratórios e aspereza aumentadas - Crepitação grossa ao final da expiração - Sibilo expiratório - Roce pleural - Silêncio auscultatório • Percussão - Pleuropneumonia → Dor - Consolidação pulmonar e efusão pleural → som mate Diagnóstico • Exame físico • Hemograma + Fibrinogênio → mesma coisa dos ruminantes • Exames de imagem - Radiografia → principalmente nos potros - Ultrassonografia → em potros e em cavalos adultos — muito importante para o diagnóstico • Citologia - Aspirado traqueobrônquico - Líquido pleural - Vai ter a presença de muitos neutrófilos, com bactérias ou não • Identificação do agente - Cultura + Antibiograma da secreção - Detecção do antígeno → PCR, Isolamento viral • Detecção de anticorpos Associação de penicilina + gentamicina Associação de ampicilina + gentamicina Associação de 2 antibióticos Tratamento da Rodococose – tratamento longo → no mínimo 30 dias. São específicos para Rodococose. Se está sendo tratado e depois de 30 dias não melhorou, pode ser que não seja este agente, ou pode ser que tenha uma resistência aos macrolídeos. E aí vamos ter que usar antibióticos que ainda não tem estudos de doses em potros (uso empírico – sem comprovação científica) • REPOUSO → sem acesso ao piquete, ficar somente na baia • AINES - Flunixin meglumine = 1,1mg/Kg, IV ou IM, SID ou BID • Mucolíticos - Acetilcisteína → bom para equinos - Bromexina • Hidratação • Drenagem da cavidade pleural Broncopneumonias em equinos - PLEUROPNEUMONIA • Complicação da Broncopneumonia – ocorre de maneira secundária • Pode se iniciar com uma disseminação hematógena de algum MO – ocorre de maneira primária → levando uma pleurite que pode evoluir para uma pleuropneumonia • Pode ocorrer espontaneamente ou associada a um evento estressante É uma emergência!! → leva o animal ao óbito em 12 horas Sinais clínicos • Febre • Anorexia • Perda de peso de forma rápida • Edema esternal e de membros • Depressão • Tosse • Angústia respiratória → narinas dilatadas, olhos bem abertos e cabeça estendida • Dispnéia • Pleurisia → dor na palpação dos espaços intercostais • Auscultação - Não auscultamos crepitação e sibilo - **Presença de líquido devido a pleurite – efusão pleural → por isto estas áreas de silêncio - Campo pulmonar dorsal: ruídos normais - Campo pulmonar ventral: silêncio auscultatório ou Roce pleural ⇒ como se tem uma pleurite há uma grande quantidade de pus (líquido) entre as duas pleuras (espaço pleural) • Percussão - Normal: claro pulmonar - Som mate em todo espaço intercostal – nesta afecção Diagnóstico - Auscultação e percussão → já vão ser bem indicativos de pleuropneumonia - Exame físico - US → presença de efusão pleural entre uma pleura e outra, característico desta afecção – líquido mais translúcido no início e pode se tornar um líquido purulento (empiema) - Toracocentese • Citologia • Cultura e antibiograma Tratamento Tratamento convencional da pneumonia + Drenagem e lavagem da cavidade pleural • Cânula • Sondas torácicas • Toracostomia → se o líquido estiver muito denso, se estiver com muita fibrina ⇒ 6º a 7º EIC, dorsal à articulação costocondral palpável Depois da drenagem → aí sim vai entrar com o tratamento convencional – antibióticos, hidratação…. Prevenção Evitar os FATORES DE RISCO! • Manejo • Ambiente → diferentes • Vacinas • Transporte → estresse • Rodococose - Diminuir agente no meio ambiente → difícil, está presente em todo ambiente, e pode inclusive fazer parte da microbiota