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HISTORIA DO PENSAMENTO GEOGRAFICO

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Alguns autores falam sobre o estudo da paisagem como a definição do objeto de estudo da Geografia, cujo os aspectos visíveis do real é a principal fonte de análise. Assim, a paisagem vista como como uma associação de múltiplos fenômenos, que trabalha com dados das outras ciências, configurando-a como Ciência de Síntese.
Conforme Moraes (2005), esta perspectiva de compreensão apresenta-se em duas variáveis:
A) A singular e a geográfica geral.
B) A humanística e a Corológica.
C) A tônica descritiva na relação entre os elementos.
D) A regional e local.
E) A divisão por áreas e a estatística.

No século XVIII, a Geografia se desenvolve a partir da cartografia, com procedimentos cada vez mais exatos para medir as coordenadas geográficas e utilizar dados estatísticos.
Assinale uma consequência para a Geografia, a partir da afirmativa acima:
A) O campo da Cartografia se destaca do resto da disciplina geográfica, a qual precisa reinventar-se.
B) O conhecimento geográfico se popularizou.
C) No campo do geógrafo houve um ganho no suporte institucional.
D) O campo da Geografia se destaca do resto da disciplina cartográfica.
E) A cartografia torna-se uma divisão de conhecimentos dos astrônomos, navegadores, exploradores, topógrafos e eruditos, que não se relacionam.

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Questões resolvidas

Alguns autores falam sobre o estudo da paisagem como a definição do objeto de estudo da Geografia, cujo os aspectos visíveis do real é a principal fonte de análise. Assim, a paisagem vista como como uma associação de múltiplos fenômenos, que trabalha com dados das outras ciências, configurando-a como Ciência de Síntese.
Conforme Moraes (2005), esta perspectiva de compreensão apresenta-se em duas variáveis:
A) A singular e a geográfica geral.
B) A humanística e a Corológica.
C) A tônica descritiva na relação entre os elementos.
D) A regional e local.
E) A divisão por áreas e a estatística.

No século XVIII, a Geografia se desenvolve a partir da cartografia, com procedimentos cada vez mais exatos para medir as coordenadas geográficas e utilizar dados estatísticos.
Assinale uma consequência para a Geografia, a partir da afirmativa acima:
A) O campo da Cartografia se destaca do resto da disciplina geográfica, a qual precisa reinventar-se.
B) O conhecimento geográfico se popularizou.
C) No campo do geógrafo houve um ganho no suporte institucional.
D) O campo da Geografia se destaca do resto da disciplina cartográfica.
E) A cartografia torna-se uma divisão de conhecimentos dos astrônomos, navegadores, exploradores, topógrafos e eruditos, que não se relacionam.

Prévia do material em texto

1
HISTÓRIA DO PENSAMENTO 
GEOGRÁFICO
Prof. Ma. Jaqueline Rocha Oliveira
2
HISTÓRIA DO PENSAMENTO 
GEOGRÁFICO
PROF. MA. JAQUELINE ROCHA OLIVEIRA
1° edição
Ipatinga, MG
Editora Prominas
2024
3
© 2024, Editora Prominas.
 
Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização es-
crita do Editor.
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920.
 Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério
 Diretor Executivo: Prof. Dr. William José Ferreira
 Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Profa Esp. Cristiane Lelis dos Santos
Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Profa. Ma. Cristiane Lelis dos Santos
 Revisão Gramatical e Ortográfica: Profª. Elislaine Santos
 Revisão Técnica: Profª. Ma. Juliana Padilha 
 
 Revisão/Diagramação/Estruturação: Bruna Luiza Mendes 
 Lorena Oliveira Silva Portugal 
 
 Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva 
 Élen Cristina Teixeira Oliveira 
 Cristiano Soares Andrade
4
Bacharela e Licenciada em Geogra-
fia pela Universidade Federal de Viçosa 
(2011). Mestra em Extensão Rural pela Uni-
versidade Federal de Viçosa (2014). Gra-
duanda em Pedagogia para Liberdade. 
Doutoranda em Educação pela Univer-
sidade Federal Minas Gerais, na linha de 
pesquisa 'Educação, Cultura, Movimentos 
Sociais e Ações Coletivas' e com o tema 
de estudo 'Espiritualidade Ecológica'.
JAQUELINE ROCHA OLIVEIRA
5
LEGENDA DE
Ícones
Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes 
nas quais você precisa ficar atento.
Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão 
do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar 
ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para 
determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, 
mostradas a seguir:
São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca 
virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro.
Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, 
associando-os a suas ações.
Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos 
conteúdos abordados no livro.
Apresentação dos significados de um determinado termo ou 
palavras mostradas no decorrer do livro.
 
 
 
FIQUE ATENTO
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VAMOS PENSAR?
FIXANDO O CONTEÚDO
GLOSSÁRIO
6
SUMÁRIO
 UNIDADE 1
O CAMPO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO GEOGRÁFICO..................................................9
1. INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................10
2. GEOGRAFIA E A PERCEPÇÃO DO MUNDO......................................................................................................10
3. A GEOGRAFIA ENQUANTO PRÁTICA E CIÊNCIA............................................................................................11
4. A GEOGRAFIA COMO SABER – O QUE É E PARA QUE SERVE?.................................................................12
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................................................................14
FIXANDO O CONTEÚDO..................................................................................................................................15
 UNIDADE 2
A GEOGRAFIA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA AO RENASCIMENTO.....................................18
1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................................................19
2. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA....................................19
3. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA NO RENASCIMENTO....................................................21
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................................................23
FIXANDO O CONTEÚDO........................................................................................................24
 UNIDADE 3
A GEOGRAFIA CLÁSSICA (TRADICIONAL)...........................................................................27
1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................................28
2. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA CLÁSSICA...........................................................................28
3. POSITIVISMO COMO FUNDAMENTO DA GEOGRAFIA TRADICIONAL...................................................30
4. LINHAS DE FORÇA E A FRAGMENTAÇÃO DA GEOGRAFIA CLÁSSICA...................................................31
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................................................................34
FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................35
 UNIDADE 4
AUTORES DA GEOGRAFIA TRADICIONAL............................................................................40
1. INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................................41
2. AUTORES QUE SISTEMATIZARAM A GEOGRAFIA DO SÉCULOS XIX: HUMBOLDT E RITTER.............41
3. RATZEL: A ANTROPOGEOGRAFIA E A ESCOLA DETERMINISTA...............................................................43
4. VIDAL DE LA BLACHE : A GEOGRAFIA HUMANA E O POSSIBILISMO......................................................45
5. AUTORES CLÁSSICOS: RECLUS, JEAN BRUNHES, SORRE, GEORGE E TRICART.................................49
6. ALÉM DO DETERMINISMO E DO POSSIBILISMO: A PROPOSTA DE A. HETTNER E R. HARTSHOR-
NE.....................................................................................................................................................................................51
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................................................................53
FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................54
 UNIDADE 5
A CRÍTICA DA GEOGRAFIA TRADICIONAL E O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRA-
FIA...........................................................................................................................................57
1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................................58
2. O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA E A CRISE DA GEOGRAFIA TRADICIONAL.......58
3. A GEOGRAFIA PRAGMÁTICA.............................................................................................................................60
4. A GEOGRAFIA CRÍTICA........................................................................................................................................62
5. A ABORDAGEM HUMANÍSTICA: A FENOMENOLOGIA................................................................................65
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................................................................66
FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................68
7
 UNIDADEo alemão. O geógrafo alemão Ratzel, 
por exemplo, teorizou a relação entre os Estados nacionais e seu território, apontando 
39
que o potencial de desenvolvimento de um Estado-nação se daria basicamente pela 
relação entre dois fatores: a população e os recursos naturais do território.
a) V, V, F, F.
b) V, V, V, F.
c) F, V, F, V.
d) F, F, V, V.
e) F, F, F, V.
40
AUTORES DA GEOGRAFIA 
TRADICIONAL
41
1. INTRODUÇÃO
 Nesta unidade, busca-se uma continuidade do pensamento anterior para 
uma maior compreensão do contexto histórico vivido pelos autores da geografia 
tradicional culminando em uma vasta produção acadêmica, e fundando duas escolas 
de pensamento - Possibilismo e Determinismo - que foram cunhadas na França e na 
Alemanha respectivamente.
 É importante conhecer os propósitos, posicionamentos e reflexões formuladas 
pelos autores clássicos, já que estes - os percussores da institucionalização da Geografia 
em uma disciplina Científica - irão exercer uma grande influência no pensamento 
geográfico posterior, seja para refutar suas ideias ou em uma continuidade de alguns 
propósitos, que culminará na Geografia Moderna.
 Vamos aproveitar para aprofundar nossos conhecimentos do que vimos até aqui!
2. AUTORES QUE SISTEMATIZARAM A GEOGRAFIA DO 
SÉCULOS XIX: HUMBOLDT E RITTER
 Para compreender a herança da obra deixada por Humboldt e Ritter é necessário 
compreender o contexto vivido por estes autores no século XIX.
 Nesse período as relações capitalistas penetram na Alemanha, um pais que 
até então não era constituído como estado Nacional, mas sim um conjunto de feudos 
desconectados de qualquer unidade econômica ou política, cujo poder era concentrado 
nas mãos dos proprietários de terra locais, (MORAES, 2005).
 As relações capitalistas penetram na Alemanha feudal, sem romper com a 
estrutura fundiária. As transformações econômicas foram operadas pela aristocracia 
agrária, sem que houvessem alteração nas relações de trabalho servil. A produção que 
antes era destinada ao autoconsumo, converge para o mercado exterior. O comércio 
local não se desenvolveu, devido as barreiras alfandegarias (MORAES, 2005).
 Nesse sentido, não ocorreu uma revolução burguesa na Alemanha, assim 
como antes ocorrera na França. Somente em 1815, com a confederação germânica, 
estabelece-se laços econômicos entre os reinos da Áustria e Prússia, com o fim dos 
impostos aduaneiros. Diante desse contexto, a Geografia apresenta-se como primordial, 
nos estudos sobre o espaço, como afirma o autor:
A falta da constituição de um Estado nacional, a ex-
trema diversidade entre os vários membros da Con-
federação, a ausência de relações duráveis entre 
eles, a inexistência de um ponto de convergência das 
relações econômicas – todos estes aspectos confe-
rem à discussão geográfica uma relevância espe-
cial, para as classes dominantes da Alemanha, no 
início do século XIX. Temas como domínio e organi-
zação do espaço, apropriação do território, variação 
regional, entre outros, estarão na ordem do dia na 
prática da sociedade alemã de então. É, sem dúvida, 
deles que se alimentará a sistematização geográfi-
ca. Do mesmo modo como a Sociologia aparece na 
França, onde a questão central era a organização 
social (um país em que a luta de classes atingia um 
42
Figura 6: Alexandre Von Humboldt (esquerda) e Karl Ritter (direita)
Fonte: Elaborado pela autora com imagens de domínio público (2020)
 Nesse contexto, aparecem dois autores ligados a aristocracia que sistematizaram 
os primeiros estudos geográficos: Alexandre Von Humboldt e Karl Ritter. Ambos autores 
se destacaram na hierarquia universitária alemã (MORAES, 2005).
 Humboldt, realizou muitas viagens e suas obras mais importante foram: Quadros 
da Natureza e Cosmos. Esse autor possuía uma formação de naturalista, e o método 
conhecido como o “empirismo raciocinado”, isto é, a intuição a partir da observação. 
Humboldt foi um viajante, não preocupado em criar princípios de uma nova disciplina, e 
para ele a Geografia “a parte terrestre da ciência do cosmos, isto é, como uma espécie 
de síntese de todos os conhecimentos relativos à Terra (MORAES, 2005).
 Humboldt foi orientado por Ritter a partir da classificação e Coreografia das 
paisagens da superfície da Terra, porém com uma visão holística da Terra (incorpora 
a Geografia das plantas). Ritter se diferencia de Humboldt, por explicitar um método e 
propor uma Geografia. Se livro principal é a ‘Geografia Comparada (MOREIRA, 2008).
GLOSSÁRIO
Autores prussianos ligados à aristocracia: Alexandre Von Humboldt, conselheiro do rei da 
Prússia, e Karl Ritter, tutor de uma família de banqueiros. Ambos são contemporâneos e 
pertencem à geração que vivencia a Revolução Francesa: Humboldt nasce em 1769 e 
Ritter em 1779; os dois morreram em 1859, ocupando altos cargos da hierarquia universi-
tária alemã. [...]. A formação de Ritter também é radicalmente distinta da de Humboldt, 
enquanto aquele era geólogo e botânico, este possui formação em Filosofia e História 
(MORAES, 2005, p. 16).
radicalismo único), a Geografia surge na Alemanha 
onde a questão do espaço era a primordial (MORA-
ES, 2005, p. 15).
Ritter define o conceito de “sistema natural”, isto é, 
uma área delimitada dotada de uma individuali-
dade. A Geografia deveria estudar estes arranjos 
individuais, e compará-los. Cada arranjo abarcaria 
um conjunto de elementos, representando uma to-
talidade, onde o homem seria o principal elemento 
(MORAES, 2005, p. 16).
43
 Karl Ritter tinha como referência epistemológica a Coreografia, transformada em 
método comparativo. Essa se traduzia em uma noção de recorte paisagístico, através 
da classificação taxonômica, para organizar a descrição. Esse autor extraiu o princípio 
do método na Geografia e a Geografia à condição de Ciência, orientado pela teoria e 
explicação metódica da Individualidade regional dos recortes de espaço como mosaico 
das paisagens, designado de Geografia Comparada (MOREIRA, 2008)
 Assim, no estudo da Geografia Comparada o autor busca estudar a individualidade 
dos lugares, conferindo um aspecto religioso a sua proposta, como uma aproximação a 
divindade. Para o autor haveria uma predestinação dos lugares, que se expressa como 
uma ordem de causalidade da natureza, cujos fenômenos obedeceria a um fim previsto 
por Deus, portando, uma relação homem- natureza, respaldada no antropocentrismo. 
O método de Ritter será o empirismo (MORAES, 2005).
 Ambos autores são o embasamento da Geografia Tradicional, precedendo 
trabalhos que irão citá-los ou refutá-los. Assim, a grande discussão da geografia vai 
permanecer na Alemanha durante o século XIX, embora outros autores de outros países 
também tiveram sua importância, a exemplo de Elisée Reclus. A próxima geração se 
destaca pela sistematização de estudos especializados, (MORAES, 2005).
VAMOS PENSAR?
A obra destes dois autores compõe a base da Geografia Tradicional. Todos os trabalhos 
posteriores vão se remeter às formulações de Humboldt e Ritter, seja para aceitá-las, 
ou refutá-las. Apesar das diferenças entre estas – a Geografia de Ritter é regional e 
antropocêntrica, a de Humboldt busca abarcar todo o Globo sem privilegiar o homem – 
os pontos coincidentes vão aparecer, para os geógrafos posteriores, como fundamentos 
inquestionáveis de uma Geografia unitária. Assim, estes autores criam uma linha de 
continuidade no pensamento geográfico, coisa até então inexistente. Além disso, há de 
se ressaltar o papel institucional, desempenhado por eles, na formação das cátedras 
dessa disciplina, dando assim à Geografia uma cidadania acadêmica. Entretanto, apesar 
deste peso no pensamento geográfico posterior, não deixam discípulos diretos. Isto é, 
não formam uma “escola”. Deixam uma influência geral, que será resgatada por todas 
as “escolas” da Geografia Tradicional (MORAES, 2005, p. 17).
É valido considerar, que o discurso da Geografia Científica Moderna se nutriu em grande 
parte de C. Ritter e A. Humboldt. Assim a Geografia Moderna, reatualizouos conhecimentos, 
ajustando-os ao discurso científico, (GOMES, 1996).
3. RATZEL: A ANTROPOGEOGRAFIA E A 
ESCOLA DETERMINISTA
 Friedrich Ratzel foi um autor alemão (prussiano) que também teve grande 
importância na sistematização da geografia, no final do século XIX. Ratzel teve, um 
contexto diferenciado do Humboldt e Ritter. Enquanto estes foram contemporâneos 
apenas do aparecimento do ideal de unificação da Alemanha, Ratzel presenciou a 
constituição do Estado Nacional Alemão (MORAES, 2005).
44
 A unificação da Alemanha foi um processo tardio, que ocorreu após uma disputa 
entre os reinos da Prússia e Áustria, com a Vitória do primeiro reino. Contudo, por ter 
unificado tardiamente, a Alemanha não participou da partilha dos territórios coloniais, o 
que alimentou a seu agressivo projeto de expansão imperial, com o claro propósito de 
incorporar novos territórios (MORAES, 2005).
 Nesse sentido, pensar o espaço fazia parte de um projeto estatal onde a Geografia 
de Ratzel contribui como “um instrumento poderoso de legitimação dos desígnios 
expansionistas do Estado alemão recém-constituído” (MORES, 2005, p. 18). A principal 
obra de Ratzel foi: Antropogeografia – fundamentos da aplicação da Geografia à História 
(MORAES, 2005).
Figura 7: Friedrich Ratzel
Fonte: Paz (2015)
Nela, Ratzel definiu o objeto geográfico como o estu-
do da influência que as condições naturais exercem 
sobre a humanidade. Estas influências atuariam, pri-
meiro na fisiologia (somatismo) e na psicologia (ca-
ráter) dos indivíduos e, através destes, na sociedade. 
Em segundo lugar, a natureza influenciaria a própria 
constituição social, pela riqueza que propicia, atra-
vés dos recursos do meio em que está localizada a 
sociedade (MORAES, 2005, p.19).
 
Para o autor a ideia de progresso está associada 
com o uso dos recursos do meio, e a necessidade 
de aumentar o território, legitimando a conquista de 
novas áreas, já a perca de território seria a deca-
dência da sociedade. Sendo assim, o autor elabo-
ra o conceito de ‘espaço vital’, “ este representaria 
uma proporção de equilíbrio, entre a população de 
uma dada sociedade e os recursos disponíveis para 
suprir suas necessidades, definindo assim suas po-
tencialidades de progredir e suas premências terri-
toriais (MORAES, 2005, p.19).
A geografia proposta por Ratzel privilegiou o ele-
mento humano e abriu várias frentes de estudo, va-
lorizando questões referentes à História e ao espa-
ço, como: a formação dos territórios, a difusão dos 
homens no Globo (migrações, colonizações, etc), 
a distribuição dos povos e das raças na superfície 
terrestre, o isolamento e suas consequências, além 
de estudos monográficos das áreas habitadas. Tudo 
tendo em vista o objetivo central que seria o estudo 
45
FIQUE ATENTO
Pelos desdobramentos expostos, pode-se avaliar o peso da obra de Ratzel na evolução 
do pensamento geográfico. A própria Geografia francesa, que será vista a seguir, é uma 
resposta às formulações desse autor. A importância maior de sua proposta reside no fato 
de haver trazido, para o debate geográfico, os temas políticos e econômicos, colocando 
o homem no centro das análises. Mesmo que numa visão naturalizante, e para legitimar 
interesses contrários ao humanismo (MORAES, 2005, p. 21).
das influências, que as condições naturais exercem 
sobre a evolução das sociedades (MORAES, p. 20, 
2005)
 Ratzel teve vários discípulos, que em suas obras construíram correntes de 
pensamento denominadas ‘escola deterministas’, a partir de evidencias empíricas 
trazendo temas como: religião, geopolítica e as escolas ambientalistas e na naturalização 
da história humana. Pode-se citar por exemplo o autor Huntington no livro ‘Clima e 
Sociedade’, o qual compreende o subdesenvolvimento como consequência do clima 
tropical, comparando aos Estados Unidos que também foi colônia, mas em clima 
temperado e teriam mais necessidades de buscar estocagem de comida e abrigo. Já 
na Geopolítica, formulou-se uma corrente de pensamento que se dedicou a dominação 
de territórios, como no caso do general Karl Haushofer, amigo de Hitler, e também teórico 
da Geopolítica, conferindo a está um caráter bélico de estratégia militar, influenciando 
os planos da expansão nazista, (MORAES, 2005).
 Em relação ao método, Ratzel manteve o empirismo, com procedimentos científicos 
de observação e descrição. Contudo, buscou uma síntese em escala planetária. Ao 
propor uma geografia do Homem, a visão da Ciência Natural permaneceu em sua obra, 
cuja causalidade dos fenômenos humanos era idêntica aos naturais (MORAES, 2005).
4. VIDAL DE LA BLACHE : A GEOGRAFIA HUMANA 
E O POSSIBILISMO
 La Blache foi um historiador de formação, professor universitário, interessado 
pela antiguidade. A geografia regional é tema destaque da obra ‘quadro da Geografia 
da França (1903) ’, ‘Geografia da Civilização, gêneros de vida’ e na obra ‘o princípio de 
Geografia humana (1922)’, sendo referência em estudos culturais (MOREIRA, 2008).
46
 Uma escola de geografia que faz oposição a obra de Ratzel foi formulada pelo 
autor francês Paul Vidal de La Blache. Diferente do que foi apresentado anteriormente 
sobre o contexto geopolítico da Alemanha cuja a unificação ocorreu de forma tardia, a 
França (já unificada há alguns séculos em um poder centralizado por uma monarquia 
absoluta) foi o país que realizou uma revolução burguesa, e suprimiu o que restara do 
feudalismo, instalando-se um governo burguês, (MORAES, 2005).
 A classe burguesa engendrou o domínio de relações capitalistas, agindo de forma 
revolucionaria contra a estrutura social existente, em consonância com os interesses da 
sociedade, instituindo uma tradição liberal no país. Contudo, o espaço de representação 
política foi ampliado, trazendo à tona a luta de classes (MORAES, 2005).
 Em 1870 durante a guerra travada entra a França e Alemanha, em uma disputa 
pelo controle continental da Alemanha, esta sai vitoriosa. A França perdeu os territórios 
de Alsácia e Lorena. Nesse mesmo período ocorreu a Comuna de Paris e a Terceira 
República Francesa (MORAES, 2005).
 Assim como nos contextos anteriores a Ciência legitimou as doutrinas do Estado, 
cumprindo um papel fundamental ideológico, que desta vez se revelava pela objetividade 
e neutralidade que a distanciava dos interesses sociais. Nesse contexto a Geografia, foi 
incorporada ao ensino básico e foram criados institutos de Geografia. Assim, para a 
classe dominante francesa foi de interesse “fazer uma Geografia que deslegitimasse 
a reflexão geográfica alemã e, ao mesmo tempo fornecesse fundamentos para o 
expansionismo francês (MORAES, 2005).
 Vidal de La Blache fundou a escola Francesa de Geografia, que buscou contrapor 
a escola Alemã. Em consonância com a Revolução Francesa, o autor evidenciou o 
As jornadas de 1848 e da Comuna de Paris, e suas 
sangrentas repressões, atestaram o cair da másca-
ra da dominação burguesa, refletindo o fim da fase 
heroica desta classe, que agora era dominante e 
lutava para manter o poder do aparelho de Estado. 
Os ideais e as propostas liberais e progressistas, for-
jadas na fase revolucionária, caem por terra, fren-
te aos imperativos autoritários demandados pela 
manutenção do status quo. Porém, são mantidos no 
discurso, como veículos ideológicos. Forjou-se uma 
ideologia da defesa das liberdades formais, porém 
subjugada a ordem. Tentou-se apresentar a instabi-
lidade política e os golpes de Estado, sob uma auré-
ola de legalidade (MORAES, 2005, p. 22) 
Figura 8: Paul Vidal de La Blache
Fonte: Paz (2015)
47
‘homem abstrato do liberalismo’. Em sua crítica a Ratzel dizia que o pensamento deveria 
desvincular-se dos interesses da política, e, portanto, era necessária uma neutralidade 
científica (MORAES, 2005).
 Vidal também criticou o caráter naturalista das formulações de Ratzel, dando 
importância ao resultado da ação humana na paisagem, em uma postura relativista. 
Ele superou as enumerações exaustivas e os relatos de viagens, e a natureza passoua 
ser uma possiblidade para ação humana, o que fez surgir uma corrente de pensamento 
denominada ‘Possibilismo’ (MORAES, 2005).
Vidal de La Blache definiu o objeto da Geografia 
como a relação homem-natureza, na perspectiva 
de paisagem. Colocou o homem como um ser ativo, 
que sofre a influência do meio, porém que atua so-
bre este, transformando-o. Observou que as neces-
sidades humanas são condicionadas pela natureza, 
e que o homem busca as soluções para satisfazê-
-las nos materiais e nas condições oferecidos pelo 
meio (MORAES, 2005, p. 25).
 Vidal formulou o conceito de ‘gêneros de vida’ “o qual exprimiria uma relação 
entre a população e os recursos, uma situação de equilíbrio, construída historicamente 
pelas sociedades. A diversidade dos meios explicaria a diversidade dos gêneros de 
vida” (MORAES, 2005, p. 25).
 Outro ponto a se destacar na crítica de Vidal ao expansionismo da Alemanha, 
ao mesmo tempo que legitima a ação colonial francesa que para o autor, as fronteiras 
europeias estariam definidas por séculos de histórias de uma civilização, (MORAES, 
2005).
 É valido considerar que Vidal embasou uma Geografia humana, contudo numa 
perspectiva da população ou da relação homem-natureza, mas não de relações sociais 
e relação entre os homens, o que revela que mesmo com o dado histórico o naturalismo 
permanece na proposta do autor (MORAES, 2005).
FIQUE ATENTO
Em termos de método, a proposta de Vidal de La Blache não rompeu com as formulações 
de Ratzel, foi antes um prosseguimento destas. As únicas diferenças residiram naqueles 
pontos de princípio já discutidos. Vidal era mais relativista, negando a ideia de 
causalidade e determinação de Ratzel; assim seu enfoque era menos generalizador. De 
resto, o fundamento positivista aproxima as concepções dos dois autores, e, vinculado 
a este, a aceitação de uma metodologia de pesquisa oriunda das Ciências Naturais. 
Vidal, mais do que Ratzel, hostilizou o pensamento abstrato e o raciocínio especulativo, 
propondo o método empírico-indutivo, pelos quais só se formulam juízos a partir dos 
dados da observação direta, considera-se a realidade como o mundo dos sentidos, 
limitasse a explicação aos elementos e processos visíveis. La Blache propôs o seguinte 
encaminhamento para a análise geográfica: observação de campo, indução a partir 
da paisagem, particularização da área enfocada (em seus traços históricos naturais), 
comparação das áreas estudadas e do material levantado, e classificação das áreas 
e dos gêneros de vida, em “séries de tipos genéricos”. Assim, o estudo geográfico, na 
concepção vidalina, culminaria com uma tipologia (MORAES, 2005, p. 26).
48
Figura 9: A Geografia clássica e seus conceitos
Fonte: Ferreira (2018)
 Vidal fundou a escola francesa de Geografia, criou uma doutrina o ‘Possibilismo’ 
e trouxe o eixo do debate geográfico para a França, com vários discípulos, dentre os 
quais aprofundaram os estudos especializados sobre o conceito de Regiões, “esta era 
a denominação dada a uma unidade de análise geográfica, que exprimiria o espaço 
terrestre” (MORAES, 2005, p. 27).
 Desse modo, foram realizadas especializações que culminou em uma Geografia 
Agrária, Geografia Urbana, Geografia Econômica. Dentre os discípulos de Vidal, se 
destacaram Sorre, M. Le Lannou e A. Cholley, Sorre, propôs uma reciclagem da Geografia 
Humana, a partir dos estudos sobre Ecologia Humana, “desta forma, a ideia de espaço 
geográfico de Sorre é a de espaços sobrepostos (o físico, o econômico, o social, o cultural 
etc.), em inter-relação” (MORAES, 2005, p. 30).
 M Le Lannou concebeu a Geografia como “eminentemente regional, definindo- 
lhe o objeto como “o homem habitante”. Assim, entendeu a questão das formas de 
ocupação e exploração do solo, como a fundamental, e o estudo dos sistemas de 
trabalho e das instalações humanas, como importante”, (MORAES, 2005, p. 30).
 Por fim “para Cholley, a Geografia teria por objetivo as “combinações” existentes 
na superfície do Planeta [...] e concebeu a Geografia como uma “Ciência de Complexos”, 
tentando, em sua proposta, restaurar a unidade entre a Geografia Física e Humana” 
(MORAES, 2005, p. 30).
49
FIQUE ATENTO
A sequência Vidal de La Blache – Sorre – Le Lannou e Cholley mostrou uma continuidade 
de fundamentos e concepções. Na verdade, foi o desenvolvimento da mesma proposta, 
que se poderia considerar a majoritária, no pensamento geográfico tradicional, e que teve, 
na Geografia Regional, sua principal objetivação. No geral, tratou-se do estabelecimento 
de fato de uma Geografia Humana, explicitamente dedicada ao estudo de fenômenos 
humanos (a humanização do meio, a organização humana do espaço etc.), que teve, 
porém, sua ótica orientada para o produto da ação humana, não para os processos 
sociais que a engendraram. Assim, uma Geografia Humana, não uma ciência social 
(MORAES, 2005, p. 30).
Figura 10: Abordagem teórico-metodológica da geografia francesa
Fonte: Dutra e Rente (2009)
5. AUTORES CLÁSSICOS: RECLUS, JEAN BRUNHES, 
SORRE, GEORGE E TRICART 
 Reclus tem uma formação iluminista, o qual compreende a razão como 
emancipação do homem. Ele é um geógrafo das práxis, que aderiu ao anarquismo e foi 
exilado por ter se envolvido na Comuna de Paris em 1871 (MOREIRA, 2008).
 A sua principal obra foi “A terra descrição dos fenômenos da vida do globo (1869)”. 
Nessa obra o autor busca um olhar libertário para compreender a natureza do homem, 
que nasce racional e livre, sendo escravizado pelas cadeias da sujeição social. Ele tem 
influência russeana. Reclus traduz o homem em um ser consciente livre e atuante: “o 
homem é a natureza adquirindo consciência de si própria, (MOREIRA, 2008).
50
 Jean Brunhes (1869 - 1940) também é considerado um grande clássico, dedicou 
muitos trabalhos a geografia da França e das regiões semiáridas do Mediterrâneo, 
no uso coletivo da agua em escassez. Seu conceito chave são os ‘fatos essenciais’, 
que valoriza os dados visuais e empíricos trazendo a paisagem e a cartografia como 
métodos da reflexão geográfica. O autor criou princípios geográficos, e foi o introdutor 
do pensamento dialético da Geografia, (MOREIRA, 2008).
 As obras de ambos (Brunhes e La Blach) convergem na importância metodológica, 
dos princípios da localização e distribuição. Como por exemplo em uma descrição de 
casas, bosques, trajetos e ruas que circundam os campos e as plantações, e a gênese 
das cidades que integra e comanda a circulação dos caminhos. Os princípios, por sua 
vez, em Geografia humana, tratam da descrição e distribuição do homem na superfície 
terrestre, com seus núcleos que dão origem a expansão e organização do homem na 
terra (MOREIRA, 2008).
FIQUE ATENTO
As obras de La Blache e Reclus convergem para o tema da civilização, e sua capacidade 
de progredir com os avanços tecnológicos modernos. Contudo, Reclus traz um olhar 
crítico e o ideário de uma sociedade igualitária e Vidal de La Blache um olhar conservador 
na abordagem da ciência acadêmica (MOREIRA, 2008).
VAMOS PENSAR?
La Blache compreende a relação do homem com a técnica e o meio, que conduzem as 
migrações, o povoamento humano e a ocupações que dão origem ao quadro atual. Para 
ele a técnica é componente essencial para o gênero de vida, na organização do espaço. 
Já, Brunhes revela a técnica como potencializadora do trabalho como força de ação 
construtiva destrutiva que culmina na dialética da ordem-desordem do espaço.
Diante disso, qual a diferença entre umas práxis geográficas do tom social e político e 
umas práxis geográfica neutra? Na sala de aula, é possível combinar um conhecimento 
neutro e ao mesmo tempo político?
Diante disso, qual a diferença entre umas práxis geográficas do tom social e político e 
umas práxis geográfica neutra? Na sala de aula, é possível combinar um conhecimento 
neutro e aos mesmo tempo político?
 Sorre (1880-1962), foi um geógrafo de trajetória intelectual acadêmico que viveu 
durante a segunda revolução industrial. O autor analisa a técnica como elemento-chavede interpretação das paisagens e do espaço. Ele estuda a importância da técnica para 
as Ciências, na relação do homem com o meio e a ecologia, sendo também designado 
de Geografia Ecológica (MOREIRA, 2008).
 Sorre da continuidade aos clássicos, mas criando um novo quadro metodológico, 
consagrando conceitos como: ecúmeno, habitat, localização, sitio, distribuição. O foco 
da análise é o conceito de complexidade, pelo qual ele vê o todo e as partes da extensão 
terrestre (MOREIRA, 2008).
51
FIQUE ATENTO
Podemos dizer que Sorre, é o elo de ligação entre Reclus, Vidal de La Blache e Brunhes e 
os subsequentes George e Tricart.
 George e Tricart são engajados nas ideias e problemas de sua época, aderem ao 
Marxismo e filiam ao partido comunista Francês. São intelectuais que vivem um mundo 
da segunda revolução industrial transformados pela técnica e monopólios produtivos, 
e de mobilizações políticas de classes sociais que lutam por mudanças que influenciam 
em suas obras (MOREIRA, 2008).
 Pierre George (1920-2005) se destacou por ser o geógrafo que mais escreveu 
entre os clássicos, em vários campos da Geografia. O foco de sua obra é o espaço, 
que designa como “estruturador geográfico das sociedades na história (MOREIRA, 2008, 
cap.2)” cuja sociedade de espaços organizados com base agrícola e sociedade de 
espaços organizados com base industrial. A técnica é o elo do homem com o meio 
natural (MOREIRA, 2008).
 Jean Tricart (1920 - 2003) também tem uma vasta produção, contudo acrescenta 
como ponto de partida a Geomorfologia, cujo o espaço físico- geomorfológico integrado 
em um todo sistêmico cada vez mais integrado. O foco inicial na dinâmica da natureza 
para ampliar ao mundo humano (MOREIRA, 2008).
 Enquanto George orienta-se pela combinação das categorias espaço – técnica, 
conforme as condições de existência humana, e da ação humana, direcionando a 
Geografia Social., Tricart combina as categorias meio ambiente, espaço e técnica, tendo 
a ação humana como referência dos feitos da técnica sobre o meio. Nesse sentido, 
espaço e meio ambiente geram dicotomia entre os autores.
 A luz dos autores, que de Reclus a Vidal e de George a Tricart foram formuladas um 
século de pensamentos, e pouca sistematização foram realizadas sobre as ideias dos 
estudiosos do pensamento geográfico, ou seja, da epistemologia, o que deu margem 
para outras escolas de pensamentos reformularem e ganhar voz (MOREIRA, 2008).
6. ALÉM DO DETERMINISMO E DO POSSIBILISMO: A 
PROPOSTA DE A. HETTNER E R. HARTSHORNE 
 Dentro da Geografia Tradicional outros grandes autores foram: A. Hettner e R. 
Hartshorne. Estes são os fundadores de uma outra corrente do pensamento geográfico, 
que foi por alguns denominada de ‘Racionalista’. Com uma menor carga de empirismo, 
esta perspectiva se respaldou mais no raciocínio dedutivo, (MORAES, 2005).
 Alfres Hettner, foi um Geógrafo alemão que publicou suas obras entre 1890 
e 1910, professor universitários que propôs um caminho diferente do determinismo e 
possibilismo, (MORAES, 2005).
52
Figura 11: Hartshorne (esquerda) e Hettner (direita)
Fonte: Adaptado de Paz (2015)
Hettner vai propor a Geografia como a ciência que 
estuda “a diferenciação de áreas”, isto é, a que visa 
explicar “por quê” e “em que” diferem as proporções 
da superfície terrestre diferença está que, para ele, é 
apreendida ao nível do próprio senso comum. Para 
Hettner, o caráter singular das diferentes parcelas 
do espaço adviria da particular forma de inter-rela-
ção dos fenômenos aí existentes. A Geografia seria 
então o estudo dessas formas de inter-relação dos 
elementos, no espaço terrestre (MORAES, 2005, p. 31).
 Houve pouca divulgação das ideias do autor, porém o Geografo americano 
Richard Hartshorne trouxe à tona as obras de Hettner. Nesse contexto, os Estados Unidos 
já haviam destacado como agente de dominação cultural do Ocidente, após a 1º guerra 
mundial. Desse modo, a partir de 1930 foram criadas duas escolas de Geografia nos 
Estados Unidos, sendo uma na Califórnia cujo maior expoente foi o autor Carl Sauer com 
os estudos das ‘paisagens culturais’, elaborando a geografia cultural, aproximando da 
Antropologia. A outra escola do Meio-Oeste propôs estudos do tipo ‘formação de redes 
de transporte’, aproximando da Sociologia funcionalista e da Economia. Contudo foi 
a obra de Hartshorne que mais se destacou, sobretudo pela sua amplitude e método, 
(MORAES, 2005).
A primeira diferença da proposta de Hartshorne residiu 
em este defender a ideia de que as ciências se defini-
riam por métodos próprios, não por objetos singulares. 
Assim, a Geografia teria sua individualidade e autori-
dade decorrentes de uma forma própria de analisar a 
realidade. O método especificamente geográfico viria 
do fato de essa disciplina trabalhar o real em sua com-
plexidade, abordando fenômenos variados, estudados 
por outras ciências. Para Hartshorne, o estudo geográ-
fico não isolaria os elementos, ao contrário trabalha-
ria com suas inter-relações. A forma antissistemática 
seria mesmo a singularidade da análise geográfica. 
Desta forma, Hartshorne deixou de procurar um objeto 
da Geografia, entendendo-a como um “ponto de vis-
ta”. Seria um estudo das inter-relações entre fenôme-
nos heterogêneos, apresentando-as numa visão sin-
tética. Entretanto, as inter-relações não interessariam 
em si, e sim na medida em que “desvendam o caráter 
variável das diferentes áreas da superfície da Terra”. 
Pois, para Hartshorne, a Geografia seria um estudo da 
“variação de áreas (MORAES, 2005, p. 32).
53
 As propostas de Hartshorne, por um lado, e de Cholley e Le Lannou por outro, 
encerram as derradeiras tentativas da Geografia Tradicional. Finalizaram um ciclo, que 
teve sua unidade dada pela aceitação de certas máximas tidas como verdadeiras, 
a saber: a ideia de ciência de síntese, de ciência empírica e de ciência de contato. 
Hartshorne, o que mais se afastou destas colocações, sem romper com o pensamento 
tradicional, já representava um papel de transição, (MORAES, 2005).
 Nesse capítulo, optou-se pela compreensão dos autores da Geografia Tradicional, 
o movimento de renovação virá no capítulo posterior.
FIQUE ATENTO
A Geografia de Ratzel e a de Vidal tiveram sua raiz filosófica no positivismo de Augusto 
Comte, a qual foi passada acriticamente para seus seguidores. A Geografia de Hettner 
e Hartshorne fundamentava-se no neokantismo de Rickert e Windelband, (MORAES, p. 31, 
2005).
 Portanto, os conceitos chaves estabelecidos por Hartshorne foi de ‘área’ e 
‘integração’, e nessa perspectiva o autor organizou duas formas de estudo geográfico. 
A primeira Geografia conhecida como ‘Idiográfica’, se pautava em uma análise singular 
de vários elementos de um local, dando profundidade aos estudos. Uma segunda forma 
de estudo seria a Geografia Nomotética, a qual faria inter-relação de fenômenos de 
vários lugares, chegando a um ‘padrão de variação’ dos mesmos fenômenos tratados. 
Esses estudos abriram várias possiblidades de temas como por exemplo, a Geografia 
do Petróleo que integra fenômenos a escala mundial. Tais estudos, proporcionou o 
uso da quantificação dos elementos e a instrumentalizou por computadores dos 
planejamentos (MORAES, 2005).
FIQUE ATENTO
Hartshorne (1899-1992) pertence a tradição Norte-Americana, inspirado por Carl. O. Sauer 
(1889-1975) e a escola Meio-Oeste (Chicago) e tem como categoria de referência ‘área’ 
e ‘diferença’, (MOREIRA,2008).
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
BUSQUE POR MAIS
Para os clássicos originários, Humboldt e Ritter sugere-se a leitura: Gênese da geografia 
Moderna, Antônio Carlos Robert Moraes (Moraes, 1989). E para ampliar a leitura dos 
clássicos sugere-se: A geografia política e geopolítica de Wanderley Messias da Costa 
(COSTA, 1992) (MOREIRA, 2008)
54
1. (UVA/2007.2 / Adaptada) “Apesar de o homem receber influências do meio onde vive, 
ele é capaz de modificá-lo e adaptá-lo às suas necessidades”.
Esta afirmação está de acordo com a teoria:
a) determinista.
b) possibilista.c) malthusiana.
d) mais-valia.
e) marxista
2. (UECE-91.2) A ideologia segundo a qual os povos mais inteligentes e os mais cultos 
são os das zonas temperadas, enquanto os da zona trópica, em função do clima quente, 
são os mais indolentes, resultando disso o desenvolvimento e o subdesenvolvimento, 
essa postura é defendida pelo (a):
a) geografia crítica.
b) darwinismo geográfico.
c) determinismo geográfico.
d) possibilismo geográfico.
e) geografia pragmática.
3. (UVA/2005.1/adaptada) Houve teorias que procuravam explicar, a partir dos fatores 
naturais, principalmente o clima, desigualdades sociais e econômicas entre os povos. 
Essa interpretação, bastante cômoda, é fruto de uma escola que pode ser caracterizada 
como:
a) pragmática.
b) evolucionista.
c) possibilista.
d) determinista.
e) marxista.
4. (UVA 2004.2/ Adaptada) "A geografia conheceu, num passado recente, um movimento 
vigoroso de renovação teórica, que exercitou com radicalidade a crítica às perspectivas 
tradicionais e introduziu novas orientações metodológicas no horizonte de investigação 
dessa ciência."
Analise as alternativas abaixo que tratam das concepções, escolas e evolução da 
Geografia.
I. Sendo a Geografia uma ciência de transformação e elaboração do espaço, a mesma 
faz uma interconexão entre o espaço da produção, circulação e ideias no decorrer do 
tempo histórico.
FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO
55
II. A principal mudança no ensino da Geografia é a passagem, que ainda ocorre, de uma 
Geografia Tradicional e descritiva voltada para a memorização, para uma Geografia 
Crítica preocupada com o raciocínio e o espírito crítico do aluno.
III. O principal livro de Friedrich Ratzel, denomina-se Antropogeografia – fundamentos 
da aplicação da Geografia à História; pode-se dizer que esta obra funda a Geografia 
Humana. Nela, Ratzel definiu o objeto geográfico como o estudo da influência que as 
condições naturais exercem sobre a humanidade.
IV. Vidal de La Blache criou uma doutrina, o Possibilismo, e fundou a escola francesa de 
Geografia. E, mais, trouxe para a França o eixo da discussão geográfica, situação que se 
manteve durante todo o primeiro quartel do século XX.
Estão corretos:
a) somente o item IV.
b) somente os itens I e III.
c) todos os itens.
d) somente os itens II e IV.
e) nenhum dos itens.
5. (CESPE – 2017) As ideias que fizeram contraponto à tese de Vidal de La Blache no 
século XIX estão sistematizadas no pensamento de:
a) Karl Marx, que influenciou o desenvolvimento da geografia marxista.
b) Milton Santos e seu estudo do espaço em objetos e ações.
c) Yves Lacoste e sua geografia a serviço do Estado Maior.
d) David Harvey e sua produção capitalista do espaço.
e) Friedrich Ratzel, alemão e teórico do determinismo geográfico.
6. (FGV - 2014 - SEDUC-AM) Para a maioria dos historiadores da geografia, Alexander 
Von Humboldt é considerado o primeiro a, verdadeiramente, estabelecer as novas 
regras do pensamento geográfico moderno.
Gomes, Paulo Cesar da Costa. Geografia e Modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996
Com relação à obra de Humboldt, analise as afirmativas a seguir.
I. Humboldt retomou a observação direta e a descrição detalhada dos naturalistas e 
juntou a elas uma preocupação permanente de proceder a comparações gerais e 
evolutivas.
II. Cada observação de Humboldt era analisada separadamente e em seguida 
recolocada em conexão com as outras, a fim de resgatar uma verdadeira cadeia 
explicativa.
III. O olhar de Humboldt tinha por objeto os elementos mais variados do meio físico, mas 
não se limitava a eles, observava também os elementos sociais.
Assinale:
a) se somente a afirmativa I está correta.
b) se somente a afirmativa II está correta.
c) se somente as afirmativas I e II estão corretas.
d) se somente as afirmativas II e III estão corretas.
56
e) se todas as afirmativas estão corretas.
7. (FUNCEFET – 2011/ Adaptada) Vidal de La Blache definiu o objeto da Geografia como 
a relação homem-natureza, na perspectiva da paisagem. Colocou o homem como um 
ser ativo, que sofre influência do meio, porém que atua sobre ele, transformando-o.
Essa corrente do Pensamento Geográfico denomina-se:
a) Geografia Crítica.
b) Determinismo.
c) Possibilismo.
d) Darwinismo Social.
e) Fenomenologia.
8. (CEPERJ - 2013 - SEDUC-RJ) A origem da Geografia é antiga. Desde a Antiguidade, 
inúmeros pensadores elaboraram estudos que tinham o enfoque geográfico, mesmo 
que esses estudos permeassem, também, vários outros campos do conhecimento. Kant, 
Humboldt, Ritter, Ratzel, La Blache, Lacoste e Santos. São referências no desenvolvimento 
da Ciência Geográfica. Cada qual com sua análise, negando e/ou agregando 
conhecimento, contribuíram para a elaboração da Geografia que conhecemos hoje. 
Destacando o posicionamento do geógrafo francês Paul Vidal de La Blache, é correto 
afirmar que sua contribuição para o desenvolvimento da Geografia está pautada:
a) na visão denominada determinista, considerando a influência que as questões 
naturais exercem sobre à humanidade, dando à Geografia um caráter de ciência 
natural.
b) na crítica ao método puramente descritivo e na defesa do possibilismo, em que 
os seres humanos são influenciados pela natureza, mas também agem sobre ela, 
transformando-a.
c) na distinção entre a Geografia dos “Estados-maiores” – a serviço do Estado e do 
capital –, e a “Geografia dos professores” – ensinada nas escolas e presente nos livros 
didáticos.
d) na crítica ao atraso tecnológico da geografia tradicional, passando a utilizar sistemas 
matemáticos e computacionais para a interpretação do espaço geográfico.
e) no enfoque esquerdista, inspirado nas ideias marxistas, buscando uma renovação 
da Geografia e sua desvinculação dos interesses dominantes.
57
A CRÍTICA DA GEOGRAFIA TRA-
DICIONAL E O MOVIMENTO DE 
RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA
58
1. INTRODUÇÃO
 No início do século XX, a eminente Geografia humana ganha uma notável expressão 
na opinião pública e dos Governos. A Geografia “concorre para formar cidadãos e lhes 
ensina a conhecer e amar seu país. Ela guia a expansão colonial” (CLAVAL, 2010, p.115).
 Porém com o advento da primeira Guerra Mundial, o nacionalismo que foi 
responsável pelo conflito passa a ser questionado por alguns geógrafos. O alicerce 
institucional da Geografia Clássica permanece, porém ela já não responde aos 
problemas da época (CLAVAL, 2010).
 Em meados da década de 1950 a Geografia Tradicional perpassa por uma crise 
em busca de novos caminhos, linguagens, propostas que ensejam mais liberdade 
para reflexão. “As certezas ruíram, desgastaram-se. E, novamente, pergunta-se sobre o 
objeto, o método e o significado da Geografia” (MORAES, 2005, p. 34).
 Desse modo, o movimento de Renovação se manifesta, superando e enterrando 
a Geografia Tradicional, instaurando-se críticas e novas discussões e caminhos 
metodológicos (MORAES, 2005).
 Portanto, busca-se nesta unidade 5 refletir sobre as seguintes questões: Quais 
as razões da crise da Geografia Tradicional no Brasil e no mundo? Quais as correntes 
de pensamento geográfico ganharam força a partir da instauração de uma nova 
Geografia? Vamos refletir juntos!
2. O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA 
E A CRISE DA GEOGRAFIA TRADICIONAL
 Para Moraes (2005) em primeiro lugar alterou-se a base social, onde o modo de 
produção capitalista havia passado do estágio concorrencial para o monopolista, ou 
seja, predominando os grandes monopólios e trustes. Após a crise de 1929, a necessidade 
de intervenção do estado na economia sobrepôs o liberalismo econômico. Portanto, 
o Estado passa a ter um papel importante na regulação da economia, necessitando 
de um planejamento econômico, e mais ainda de um planejamento territorial na 
organização do espaço, o que geraria para as ciências humanas a necessidade de 
um instrumento de intervenção com viés mais tecnológico, cuja geografia Tradicional 
apresentava defasagem, não acompanham o ritmo da mudança (MORAES, 2005).
 Para o autor, outro fator gerador da crise da geografiaTradicional seria a 
complexidade da realidade a partir do desenvolvimento do capitalismo, podemos 
citar os novos fenômenos da urbanização como as megalópoles, a modernização 
da agricultura com a industrialização e mecanização, a globalização nos fluxos em 
escala planetária, onde as comunidades locais poderiam a desaparecer articulando-
se as redes da economia globalizada (...). Assim a Geografia tradicional não conseguia 
explicar, descrever e representar os fenômenos da superfície terrestre, e o movimento de 
Renovação buscará novas técnicas como exemplo, o sensoriamento remoto (MORAES, 
2005).
 Por fim, para Moraes (2005) o pensamento filosófico que fundamentava a 
Geografia Tradicional também entrou em declínio, ou seja, o positivismo clássico, visto 
como simplista e sendo negado por todos geógrafos da Renovação (MORAES, 2005).
59
 Além disso, para Moraes (2005) haviam algumas lacunas e questões de 
formulações alvos de crítica, como por exemplo a indefinição do objeto de análise 
geográfico.
 Em relação a busca pelo objeto próprio, o autor Claval (2010) pondera que um dos 
motivos da Geografia entrar em crise, seria reduzindo a análise dos gêneros de vida ou 
das regiões à análise das paisagens, porém ignorando os efeitos da circulação. Nessa 
perspectiva, Claval (2010) considera que a análise de gêneros de vida é realizada em 
sociedades simples, com uma divisão de trabalho fraca que não compreende a uma 
sociedade onde a especialização avançada do trabalho e das trocas se tornam complexa 
na sociedade capitalista moderna. Assim, a Geografia torna-se defasada, fala-se muito 
mais de um passado do que uma atual conjuntura, a qual acelera-se o processo de 
descolonização e o aprofundamento das desigualdades e subdesenvolvimento entre 
países que se industrializaram mais que os outros. Diante desses novos problemas era 
necessário repensar a geografia (CLAVAL, 2010).
 Edward Ullman e Jean Gottmann em suas publicações questionam o naturalismo 
da Geografia Clássica. Ullman (1980), destaca as insuficiências da Geografia, e 
argumenta a necessidade de conhecer os deslocamentos de pessoas mercadorias e o 
fluxo de informações. “A Geografia que ele arquiteta é construída sobre vias, redes, nós 
de comunicação, campos de força, áreas centrais e zonas periféricas” (CLAVAL, 2010, 
p.117).
 Para Gottmann, os grupos humanos utilizam os recursos naturais que necessitam, 
porém, a fixação não é explicada pela ecologia, mas sim pelo simbólico. Ademais, 
outra questão seria a falta de explicações genéricas ou leis, salvo exceções como em 
Hartshorne. “Estes dois pontos articularam-se nas dualidades que permearam toda a 
produção geográfica: Geografia Física e Geografia Humana, Geografia Geral e Geografia 
Regional, Geografia Sintética e Geografia Tópica” (MORAES, 2005, p.35).
 O movimento de renovação divide a Geografia em duas vertentes: Crítica e 
Pragmática. A escolha dos autores da geografia renovada entre as vertentes perpassa 
por posicionamento sociais, engajamentos políticos ou interesses a que servem, o que 
confere posturas filosóficas e metodologias diversas.
 Para Moraes (2005), a crise da Geografia Tradicional é benéfica, já que engendra 
um pensamento crítico, com possibilidades para uma Geografia mais ‘generosa’.
60
Passa-se, de um conhecimento que levanta infor-
mações e legitima a expansão das relações capita-
listas, para um saber que orienta esta expansão, for-
necendo-lhe opções e orientando as estratégias de 
alocação do capital no espaço terrestre. Assim, duas 
tarefas diferentes, em dois momentos históricos dis-
tintos, servindo a um mesmo fim. Nesse sentido, o 
pensamento geográfico pragmático e o tradicional 
possuem uma continuidade, dada por seu conteúdo 
de classe – instrumentos práticos e ideológicos da 
burguesia (MORAES, 2005, p.38).
3. A GEOGRAFIA PRAGMÁTICA
 A renovação do pensamento geográfico é concebida pela Geografia Pragmática 
a partir da década de 1950. A grande crítica dessa vertente frente a Geografia 
Tradicional diz respeito ao seu caráter não-prático, ou seja, uma análise de situações 
do passado que não informa a ação, sendo, portanto, insuficiente como instrumento de 
intervenção na realidade. Desse modo, a corrente de pensamento pragmática propõe 
uma instrumentalização de uma nova Geografia aplicada, “seu intuito geral é o de uma 
“renovação metodológica”, o de buscar novas técnicas e uma nova linguagem, que dê 
conta das novas tarefas postas pelo planejamento. A finalidade explícita é criar uma 
tecnologia geográfica, um móvel utilitário” (MORAES, 2005, p.37).
 Todavia, a crítica dos autores geógrafos pragmáticos insere-se a um viés formal 
acadêmico, não questionando os fundamentos da crise da Geografia Tradicional, e 
nem os compromissos sociais, uma vez que se mantem o conteúdo de classe, onde o 
planejamento ressoa como uma função incumbida as ciências humanas pelas classes 
dominantes, ou seja o Estado Burguês. Moraes (2005) argumenta sobre a continuidade 
do pensamento Tradicional e Pragmático:
 Moraes (2005) também revela que os métodos de atualização técnica e linguística, 
visa um discurso burguês, passando de um Positivismo Clássico (Geografia Tradicional) 
para o Neopositivismo (Geografia Pragmática), o que pode ser concebido como uma 
renovação conservadora da Geografia. Com relação ao método o autor revela que:
Troca-se o empirismo da observação direta (do 
“ater-se aos fatos” ou dos “levantamentos dos as-
pectos visíveis”) por um empirismo mais abstrato, 
dos dados filtrados pela estatística (das “médias, 
variâncias e tendências”). Do trato direto com o tra-
balho de campo, o estudo filtrado pela parafernália 
da cibernética. Nesse processo, sofistica-se o dis-
curso geográfico, tornam-se mais complexas a lin-
guagem e as técnicas empregadas. Da submissão 
total aos procedimentos indutivos (e toda a Geogra-
fia Tradicional faz o elogio da indução) passa-se a 
aceitar também o raciocínio dedutivo. Da contagem 
e enumeração direta dos elementos da paisagem, 
para as médias, os índices e os padrões. Da descri-
ção, apoiada na observação de campo, para as cor-
relações matemáticas expressas em índices. Nesse 
processo, há um empobrecimento do grau de con-
cretude do pensamento geográfico. Apesar da sofis-
ticação técnica e linguística, este permanece formal 
(preso às aparências do real), e agora mais pobre, 
porque mais abstrato (MORAES, 2005, p.37).
61
VAMOS PENSAR?
Assim, diante da complexidade do mundo atual, qual o campo de atuação da Geografia 
para além do planejamento estatal?
FIQUE ATENTO
Em suma, esta é uma das vertentes do movimento de renovação, do pensamento 
geográfico, conhecida também ‘Nova Geografia’. Aquela que engaja a produção dessa 
disciplina no projeto da manutenção da realidade existente, sendo assim a vertente 
conservadora. O saldo da Geografia Pragmática é um desenvolvimento técnico, 
minimizado frente ao empobrecimento real da análise por ela empreendida. As várias 
correntes da Geografia Pragmática representam uma das opções postas para quem faz 
Geografia na atualidade. Sua aceitação decorrerá do posicionamento social do geógrafo, 
sendo assim um ato político, uma opção de classe, (MORAES, 2005).
 Não obstante, a Geografia Pragmática se diferencia em algumas propostas 
sendo a primeira - Geografia Quantitativa - cujo temário se explica por métodos 
matemáticos. Uma segunda objetivação seria a Geografia Sistêmica ou Modelística, 
a qual é elaborada por um computador originando-se da economia. Essa proposta 
concebe um nível mais genérico de análise, a partir de modelos que são válidos em toda 
superfície terrestre, cujas partes articulam-se por fluxos em um Geossistema (MORAES, 
2005).
 No Brasil essas propostas descritas acima aparecem como a Geografia Teorética, 
a partir do uso instrumental quantitativo, sistêmico e modelístico.
 Dentro da Geografia Pragmática, existe também uma proposta que se aproxima 
da Psicologia, denominada Geografia da Percepção ou Comportamental, que explicam 
porexemplo o comportamento do homem urbano, e a valorização subjetiva do território. 
(MORAES, 2005)
 Assim as técnicas também são dotadas de ideologia, ao se dissimular com uma 
neutralidade, mascara interesses definidos por um planejamento para a “manutenção 
da realidade existente, atuando no sentido de neutralizar os conflitos e facilitar a ação 
do Estado” (MORAES, 2005, p.40).
 Uma crítica a essa corrente, se revela pelo empobrecimento a reflexão geográficas, 
haja visto que se perde na unidade presente da Geografia tradicional, nos procedimentos 
de observação direta, simplificando-os a partir de relações matemáticas meramente 
quantitativa, tornando-se abstrato. Assim, para a Geografia Pragmática a região é 
dada pela dinâmica do planejador, como um processo anti-histórico, (MORAES, 2005).
62
FIQUE ATENTO
Apesar de politizar o discurso geográfico, esta geografia da denúncia, que também é 
conhecida como Geografia Radical, manteve o método descritivo empirista, o que em 
termos metodológicos não rompeu com a Geografia Tradicional, apenas introduziu novos 
temas com os mesmos procedimentos de análise regional instrumentalizado numa 
epistemologia positivista, (MORAES, 2005).
 Um grande autor que produziu uma crítica a Geografia Tradicional foi Yves Lacoste, 
no livro “A Geografia serve, antes de mais nada, para fazer a guerra”. Esse autor, em 
uma perspectiva transformadora, argumenta sobre dois planos do saber geográfico: 
Geografia dos Estados-Maiores” e a “Geografia dos Professores”. O primeiro relaciona-
se à prática do poder, uma geografia que estabelece estratégias de ação de empresas 
monopolistas e do Estado. Já o segundo plano, estabelece o conhecimento geográfico 
como ‘inútil’ e apolítico, mascarando sua rela intenção de levantar dados sobre todos 
4. A GEOGRAFIA CRÍTICA
 O Pensamento Geográfico também foi renovado por outra vertente: a Geografia 
Crítica, que teve seu apogeu na década de 1970. Esta possui um conjunto de propostas, 
que tem em comum a ruptura com o pensamento de todas correntes anteriores, a 
partir de uma crítica radical frente as propostas existentes, apresentada a seguir por 
Moraes (2005):
 A Geografia Crítica não se preocupa apenas com o pensamento acadêmico 
tradicional, mas sobretudo com as raízes sociais.
 Ao nível acadêmico fazem uma crítica ao empirismo da geografia Tradicional, 
“que manteve suas análises presas ao mundo das aparências, e todas as outras 
decorrências da fundamentação positivista” (MORAES, 2005, p.42)
 Essa estrutura acadêmica permitiu o acumulo de equívocos como “o apego às 
velhas teorias, o cerceamento da criatividade dos pesquisadores, o isolamento dos 
geógrafos, a má formação filosófica etc. E, mais ainda, a despolitização ideológica do 
discurso geográfico”, (MORAES, 2005, p.42)
 Desse modo, vinculam-se as teorias geográficas existentes ao imperialismo 
e à expansão, que está associado as razões do Estado. Assim o caráter ideológico 
dessas correntes geográficas tradicionais, entendia a população de um território como 
homogênea, e não atentavam para a divisão em classes na sociedade capitalista. 
Portanto, a Geografia Critica desmistifica a ideia de ‘objetividade’.
 Os autores da Geografia crítica, “se posicionam por uma transformação da 
realidade social, pensando o seu saber como uma arma desse processo. São, assim, os 
que assumem o conteúdo político de conhecimento científico, propondo uma Geografia 
militante, que lute por uma sociedade mais justa”, (MORAES, 2005, p. 42)
 É valido considerar que a Geografia Crítica tem suas influências pela ala 
progressista da Geografia Regional francesa, esta dá uma grande importância ao 
elemento humano nos processos econômicos e sociais, com autores como Jean Dresvh, 
(MORAES, 2005).
63
os pontos da superfície da terra para os Estados Maiores (MORAES, 2005).
 Para o autor o conhecimento geográfico é um instrumento de dominação 
burguesa, e diante disso “é necessário construir uma visão integrada do espaço, 
numa perspectiva popular, e socializar este saber, pois ele possui fundamental valor 
estratégico nos embates políticos”, (MORAES, 2005, p43).
 Pierre George se destacou nesse movimento de geografia crítica, a partir da 
introdução de conceitos marxistas, utilizando o conceito de Materialismo Histórico em 
sua metodologia de analise regional. (MORAES, 2005)
 Os estudos temáticos dedicados ao conhecimento das cidades também tiveram 
grande ênfase com a contribuição de autores não geógrafos como do sociólogo M. 
Castels e do filosofo H. Lefebvre e M. Foucault. Desse modo, a Geografia Crítica abre-se 
as influências externas, sendo esta uma meta, (MORAES, 2005).
 Alguns autores da geografia Crítica merecem destaque como David Harvey, A. 
Lipietz, J., Anderson e entre outros, (MORAES, 2005).
 Ademais, é valido elucidar a grande obra do Geógrafo Milton Santos, esse foi um 
expoente que trouxe uma vasta e importantíssima obra para a Geografia Crítica, sendo 
o livro de claro conteúdo: ‘Por uma Geografia Nova’. Nesta obra o autor “Tenta dar uma 
Milton Santos argumenta que é necessário discutir 
o espaço social, e ver a produção do espaço como 
o objeto. Este espaço social ou humano é histórico, 
obra do trabalho, morada do homem. É assim uma 
realidade e uma categoria de compreensão da rea-
lidade. Toda sua proposta será então uma tentativa 
de apreendê-lo, de como estudá-lo. Diz que se deve 
ver o espaço como um campo de força, cuja ener-
gia é a dinâmica social. Que ele é um fato social, um 
produto da ação humana, uma natureza socializa-
da, que pode ser explicável pela produção. Afirma, 
entretanto, que o espaço também é um fator, pois é 
uma acumulação de trabalho, uma incorporação de 
capital na superfície terrestre, que cria formas durá-
veis, as quais denomina “rugosidades”. Estas criam 
imposições sobre a ação presente da sociedade; 
são uma “inércia dinâmica” – tempo incorporado 
na paisagem – e duram mais que o processo que 
as criou. São assim uma herança espacial, que in-
flui no presente. Por esta razão, o espaço é também 
uma instância, no sentido de ser uma estrutura fixa e, 
VAMOS PENSAR?
No século XIX, período de conflitos entre os Estados, a Geografia foi fundamental para 
definir o território e para a construção do Estado Nacional, assim como as outras 
disciplinas: Antropologia a Biologia e a História.
Desse modo, a Geografia crítica é a corrente que questiona o papel da Geografia 
enquanto conhecimento utilizado para o planejamento estatal, a serviço de uma classe 
social ou mesmo para fazer guerra. 
Diante do panorama atual da Geografia, o questionamento da década 1970, merece o 
estatuto cientifico?
64
como tal, uma determinação que atua no movimen-
to da totalidade social. As formas espaciais são re-
sultadas de processos passados, mas são também 
condições para processos futuros. As velhas formas 
são continuamente revivificadas pela produção pre-
sente, que as articula em sua lógica. Caberia, antes 
de mais nada, entender como se dá este movimento 
(MOREAS, 2005, p.46).
resposta para a questão primordial desse volume: o que é a Geografia. Ou, melhor, 
como deve ser a análise do geógrafo” (MORAES, p. 46, 2005). Para o autor,
 Assim, aqui trazemos de forma bem resumida o pensamento do geógrafo Milton 
Santos. Este considera que o espaço é produzido por uma determinada tecnologia, 
cultura e organização social que é imposta pelo ritmo de acumulação capitalista. 
Nesse sentido, a unidade de análise do Geógrafo deve ser o Estado Nacional, que dirige 
a ordem espacial e obedece a lógica do capital e não aos interesses dos homens. 
Assim, a desigualdade é engendrada pela divisão territorial do trabalho, e impõe uma 
hierarquização dos lugares, já que o processo de modernização não atinge a todos os 
lugares sincronicamente (MORAES, 2005).
 É valido considerar que a Geografia Crítica abarca propostas e fundamentos 
metodológicos diferenciadas, sejam eles estruturalistas, existencialistas, analíticos, 
marxistas, porém com os objetivos e princípioscomuns em relação ao viés crítico em 
oposição a realidade social e espacial contraditória. Concebe-se a ciências como 
práxis, e dentro da diversidade, abrem-se caminhos para o debate, avanços e reflexões 
buscando uma transformação da ordem social vigente (MORAES, 2005)
 Nesse sentido, dizer que a Geografia está em crise pode alimentar novos horizontes:
O pensamento geográfico vivencia na atualidade 
um amplo processo de renovação. Rompe-se com 
as descrições áridas, com as exaustivas enumera-
ções, enfim com aquele sentimento de inutilidade 
que se tem ao decorar todos os afluentes da mar-
gem esquerda do rio Amazonas. Este movimento 
abrange novas perspectivas para o geógrafo. Alguns 
dirão que a Geografia está em crise. Porém, como já 
afirmou um combativo companheiro: “viva a crise”. 
Pois esta enseja uma revisão crítica do que tem sido 
esta disciplina (MORAES, 2005, p.48).
Figura 12: Yves Lacoste (esquerda) e Milton Santos (diretita)
Fonte: Adaptado de Paz (2015)
65
Além do livro, assista o documentário: O mundo global visto do lado de 
cá, através do link: https://shre.ink/gQXm. Acesso em: 09 de Dez. de 2024
BUSQUE POR MAIS
Milton Santos, apresentada em seu livro ‘Por uma Geografia Nova’, uma 
tentativa de sintetizar outros trabalhos, representando uma proposta 
geral para o estudo geográfico – é assim um livro de claro conteúdo que 
pode ser acessado pelo link a seguir: https://shre.ink/gQv5. Acesso em: 
09 de Dez. de 2024.
5. A ABORDAGEM HUMANÍSTICA: A FENOMENOLOGIA
 Na década de 1970 eclodem críticas a Nova Geografia a partir de questionamentos 
do pensamento ocidental. A fenomenologia e as correntes radicais põem em xeque as 
abordagens clássicas e os adeptos da nova Geografia.
 Claval (2010), realiza uma revisão do pensamento Ocidental sobre os pressupostos 
da Geografia. O autor elucida como se constrói a terra dos homens, e que é preciso 
compreender que os seres humanos não vivem da mesma forma. Nesse sentido, para 
além das práticas e habilidades que desenvolvem para inserir-se na sociedade, os 
seres humanos possuem emotividade, sensibilidade e experiências. Essa compreensão, 
se revela em outra dimensão da Geografia: “o significado da experiência vivida, na 
maneira pela qual os homens constroem o espaço na qual se desenvolvem” (CLAVAL, 
2010, p.124).
 Portanto, enquanto a Geografia Clássica que se detinha na relação homem/
natureza. Para a Geografia Humanística, a fixação dos grupos humanos é mais simbólica 
que biológico, é o caso da lógica da circulação e organização em rede revelam a eclosão 
das cidades cujas áreas centrais tornam-se mais atraentes “Concebida como ecologia 
do homem, a geografia humana analisa os meios que os grupos concretizam para tirar 
sua subsistência do meio ambiente para habitá-lo (..)e destaca o papel da inovação 
técnica” (CLAVAL, 2010, p.134)
 Assim, é considerável que o apego aos lugares vividos, pelo sentido e sentimentos 
que o lugar provoca, a paisagem que porta uma memória constrói sentimento de 
pertencimento, carrega símbolos, da vida, da festa, da emoção e da comemoração. 
Cabe a geografia o interesse pelas religiões, ideologias e pela dimensão subjetiva da 
experiência dos lugares. Essa é a abordagem do espaço como construção simbólica, a 
qual faz parte da corrente de pensamento da Fenomenologia.
 Conforme Claval (2010) alguns temas de estudo, que são atuais seria: o gênero na 
condição feminina em sua emancipação; e o pós colonialismo a partir da convivência 
e interação entre as culturas pós colonialistas.
66
Figura 13: Escolas de Pensamento Geográfico (caracterização geral)
Fonte: Reis Jr. (2011)
BUSQUE POR MAIS
A primeira manifestação clara dessa renovação crítica pode ser 
detectada na proposta da Geografia Ativa, nome de um livro (escrito 
por P. George, Y. Lacoste, B. Kayser e R. Guglielmo), que marcou toda uma 
geração de geógrafos.
Entenda melhor sobre o movimento de renovação da Geografia a partir 
do artigo: A Geoografia francesa, disponível no link: https://shre.ink/gQEB. 
Acesso em: 09 de Dez. de 2024.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Nesta unidade, compreendeu-se que a Geografia está em constante 
transformação conforme cada período engendrado pelo contexto histórico e científico 
vivenciado. A crise da Geografia leva a profundas reflexões quanto ao método e o rigor 
da técnica utilizada, culminando em uma Geografia Pragmática; ao posicionamento 
social que gerou a Geografia Crítica; e as interações simbólicas do indivíduo no espaço 
67
geográfico que formulou uma Geografia Humanística.
 É válido salientar que que esse movimento de renovação não é unitário como foi 
na Geografia Tradicional. Como posto anteriormente, há uma diversidade de métodos 
e interpretações que levam a diversos caminhos propostos pelos autores, o que Moraes 
(2005, p.36) considera:
A busca do novo foi empreendida por variados ca-
minhos; isto gerou propostas antagônicas e pers-
pectivas excludentes. O mosaico da Geografia Re-
novada é bastante diversificado, abrangendo um 
leque muito amplo de concepções. Entretanto, é 
possível agrupá-las, em função de seus propósitos 
e de seus posicionamentos políticos, em dois gran-
des conjuntos: um pode ser denominado Geografia 
Pragmática, outro Geografia Crítica.
68
1. (URCA – 2001) “O espaço é concebido como lócus da reprodução das relações sociais 
de produção, isto é, reprodução da sociedade.”.
O autor refere-se ao desenvolvimento da análise do espaço no âmbito da:
a) Geografia Tradicional, em que muito se apoia na Teoria do Determinismo Geográfico;
b) Geografia Teorética-quantitativa, calcada no raciocínio hipotético-dedutivo do 
positivismo lógico;
c) Geografia Crítica, que adota o materialismo histórico e dialético como paradigma;
d) Geografia Humanística, assentada na subjetividade e no conceito;
e) Geografia Tradicional francesa, calcada nos conceitos de meio, ação humana e 
gênero de vida.
2. (CS-UFG – 2016 / Adaptada) Ao longo do desenvolvimento da Geografia, vislumbrou-
se uma diversidade de objetos de análise, com vistas ao alcance de cientificidade dessa 
área do conhecimento. Considerando o contexto atual, uma das principais defesas que 
tem balizado o debate teórico-metodológico dessa área de conhecimento é o de que 
essa ciência objetiva.
a) Realizar grandes sínteses globais, mediante o inventário e a organização do material 
coletado, segundo grandes eixos explicativos.
b) Analisar o elemento visível, o real, concebido como aquilo que se apresenta, 
evidenciando o interesse pelo concreto.
c) Compreender a lógica do arranjo espacial relacionada ao princípio de coerência na 
ordem espacial.
d) Explicar os fenômenos atuais por meio de uma reconstrução histórica, mediante 
fatos selecionados.
e) Analisar pelo método positivista.
3. QUESTÃO 3 (CS-UFG - 2016 / Adaptada) Leia o texto a seguir, que apresenta uma 
abordagem desenvolvida pela Ciência Geográfica.
[Essa abordagem] divide o estudo geográfico em quadros físicos, humanos e econômicos. 
Assim, tem-se, por exemplo, nos trabalhos monográficos [...]: a localização da área, por 
meio de projeções cartográficas; o quadro físico: como relevo, solo, hidrografia, clima, 
vegetação etc.; a formação histórica de ocupação humana do território; a estrutura 
agrária; a estrutura urbana; a estrutura industrial etc. Finalmente, apresenta-se uma 
conclusão, com um conjunto de cartas, objetivando demonstrar uma relação entre os 
elementos humanos e naturais […].
RODRIGUES, Auro de Jesus. Geografia: introdução à ciência geográfica. São Paulo: Avercamp, 2008. p. 86.
A abordagem expressa no texto é da Geografia:
a) Pragmática.
b) Cultural.
c) Determinista.
FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO
69
d) Regional.
e) Possibilista
4. (UFC) Considerando o tratamento dado à questão do subdesenvolvimento, pelas 
Escolas Geográficas, assinale V para o que for verdadeiro e F para o que for falso.
( ) Na Escola Determinista, a questão do subdesenvolvimento coloca-se como resultado 
dos condicionantes naturais.
( ) Na Escola Possibilista,a superação do subdesenvolvimento dar-se-á após o contato 
com a civilização.
( ) A adoção de políticas de industrialização não era considerada pela Escola 
Quantitativista, ao tratar da possibilidade de Superação do subdesenvolvimento.
( ) Na Escola da Geografia Crítica, a questão do subdesenvolvimento é vinculada à 
situação da dependência e exploração existente entre países.
a) F, F, F e V. 
b) V, F, V e V. 
c) V, V, F e V. 
d) F, F, V e V. 
e) V, V, V e V.
5. (UECE) “Uma das grandes metas conceituadas da Geografia foi justamente de um 
lado, esconder o papel do Estado bem como o das classes sociais na organização da 
sociedade e do espaço. A justificativa da obra colonial fio um outro aspecto do mesmo 
programa (M. Santos)”.
As nações teórico-metodológicas que invertem essas metas conceituadas estão 
contidas na:
a) Geografia Teórica.
b) Geografia Descritiva.
c) Geografia Crítica.
d) Geografia de Percepção.
e) Geografia Teorética. 
6. (UFC-92.2) Modifica no que diz respeito à relação entre as escolas da geografia e 
a legitimação dos interesses de determinados estados-nações, é verdadeiro afirmar: 
(marque V ou F).
( ) O Determinismo Geográfico serviu para legitimar a política expansionista 
bismarckiana na Alemanha.
( ) O Possibilismo Geográfico, embora utilizando-se do discurso da neutralidade 
científica, atendia aos interesses da França, ao contrapor-se a política colonialista 
francesa na África e na Ásia.
( ) A Nova Geografia (Geografia Quantitativista), nos pós 45, escamoteia a realidade 
vivência pelos países subdesenvolvidos, ao afirmar que a situação de pobreza de miséria 
existente é um estágio superável da adoção de política de planejamento eficazes.
70
( ) A Geografia Crítica segue os mesmos postulados da Geografia Tradicional e da 
Nova Geografia.
( ) A Geografia Crítica desmascara a Geografia Tradicional e a Nova Geografia 
ao demonstrar o papel da Geografia na legitimação dos interesses das classes 
hegemônicas.
7. (UECE/ Adaptada) Nos últimos anos a Ciência Geográfica têm passados por grandes 
mudanças conceituais e metodológicos. Esse processo evolutivo, já nos fornece a ideia 
que a Geografia:
a) deve limitar a estudar os aspectos físicos dos territórios, para sociólogos explicarem 
a vida de sociedade.
b) a ciência de base para entender os fenômenos climáticos, como a seca e as 
enchentes.
c) busca, a partir das relações entre os homens e deste com a natureza no ocorrer dos 
tempos, a explicação da organização do espaço.
d) é a ciência que estuda as relações dos homens com a natureza.
e) deve se ater aos estudos dos fenômenos naturais e humanos separadamente.
8. (UECE) São várias as Correntes de Pensamentos Geográficos ou Paradigmas da 
Geografia a última corrente a ser incorporada que passou a existir conflitamente com 
as anteriores foi o(a):
a) Geografia Teórica.
b) Determinismo Ambientalismo.
c) Método Regional.
d) Geografia Crítico-dialética.
e) Geografia Positivista.
71
O PENSAMENTO GEOGRÁFICO 
NO BRASIL
72
1. INTRODUÇÃO
 Conforme Moreira (2010) podemos identificar duas épocas distintas dentro do 
pensamento geográfico no Brasil:
 1° - Até 1930 – Período em que a Geografia era formulada pelos viajantes cronistas 
e naturalistas e até os retratistas e romancistas.
 2º - Entre 1930 a 1940 - quando os geógrafos de formação vêm para o Brasil fundar 
as universidades e, portanto, a geografia formal, e logo em seguida os institutos de 
pesquisa a exemplo do IBGE.
 Portanto, nessa unidade será estudado como a Geografia se estabeleceu no 
Brasil em diferentes épocas, e se institucionalizou como Ciência nas universidades e 
institutos, a luz da influência das correntes de pensamento vigente no mundo.
 Vamos conhecer nossa Geografia?
Os homens e seus laços com a natureza, a paisa-
gem e as formas de organização do espaço que 
são as categorias do olhar do especialista são ob-
jeto de registro de uma série de trabalhos de autoria 
de viajantes, cronistas e naturalistas em seu afã de 
apreender o significado do país nascente desde o 
primeiro século da colonização (MOREIRA, 2010, p. 20)
2. A PRÉ-HISTÓRIA DA GEOGRAFIA NO BRASIL: 
VIAJANTES, JESUÍTAS, ENSAÍSTAS
 Até o começo no século XIX toda literatura com olhar para 
descrição, classificação e localização das paisagens brasileiras 
acontecem na perspectiva do olhar europeu, sobretudo pela 
historiografia portuguesa. Essa é a literatura dos viajantes, cartógrafos, 
naturalistas, pintores, comissões geológicas, expedições (MOREIRA, 
2009).
 Nesse período a Geografia é formulada a partir das narrativas 
de modos de vida, hábitos e costumes comunitários e as relações 
do homem com a natureza no período quinhentista, do qual Moreira 
define:
Figura 14: Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500
Fonte: Oscar Pereira da Silva (1922)
73
 Conforme Moreira (2009), a instituição da Geografia brasileira já nasce clássica. 
Além da literatura dos viajantes, cartógrafos, naturalistas, pintores, comissões geológicas, 
expedições, os estudos de institutos com viés estatístico- geográfico como o Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE - 1939) e a Associação Brasileira de Geógrafos 
(AGB- 1934), contribuíram para o início de uma sistematização da bibliografia e uma 
cartografia do Brasil (MOREIRA, 2009).
 Contudo, somente no começo do século XX aparecem as primeiras obras de 
Geografia no Brasil, dos autores Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho. Este 
introduziu uma visão francesa moderna em suas obras no período de 1910 a 1920, que 
foi precursor dos primeiros cursos universitários no Brasil. Já Backheuse baseou-se 
na Geografia Alemã de Ratzel na Antropogeografia e alguns conceitos de geopolítica 
franceses. Contudo, foram os professores na maioria franceses como Pierre Deffontaines 
e Norte Americanos que inserem a geografia acadêmica no Brasil nas universidades de 
São Paulo e Rio de Janeiro, inspirados pela Geografia de Vidal de La Blache (MOREIRA, 
2009).
 E válido considerar, que uma geografia aplicada aparece nas produções do IBGE 
em formato brasileiro. Os primeiros autores do IBGE são engenheiros, porém nos anos 
1940 já aparecem os geógrafos de formação que vieram das primeiras universidades 
brasileiras (MOREIRA, 2009).
 De 1930 a 1950, foi o período da criação das universidades de São Paulo e Rio de 
Janeiro e do IBGE. Em 1956 aconteceu o Congresso Internacional da União Geográfica 
Internacional – UGI, e a partir daí uma vasta produção bibliográfica e de artigos de 
autores cada qual com um recorde de área do espaço brasileiro, foram distribuídos 
nas diversas regiões de atuação. Outro marco importante da institucionalização da 
Geografia Científica no Brasil foram os Congressos Brasileiros de Geografia (MOREIRA, 
2009).
3. INSTITUCIONALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA 
GEOGRAFIA CIENTÍFICA NO BRASIL: UNIVERSIDADES 
E ORGANISMOS GOVERNAMENTAIS
 Assim, os relatórios vindos de relatos de cronistas portugueses na ocupação 
colonial quinhentista e os relatórios seiscentistas, possuem um olhar de alteridade 
dos conflitos de ocupação da terra do outro que se diferencia pelo olhar dos viajantes 
(MOREIRA, 2010).
Figura 15: Pierre Monbeig e Pierre Deffontaines no II° 
Congresso brasileiro de geógrafos
Fonte: Dutra e Rente (2009)
74
FIQUE ATENTO
A geografia brasileira já nasce clássica e identifica-se principalmente com os pensadores 
franceses e depois com os norte-americanos. 
São chamados de clássicos os autores geógrafos que consolidaram a Geografia Moderna 
dentre os principais: Alexander Von Humboldt (1769- 1859), Karl Ritter (1779 – 1859), G. 
Foster e I. Kant (1724 - 1804) (MOREIRA, 2008).
BUSQUE POR MAIS
O livro de Yves Lacoste: A Geografia serve, antes de mais nada, para fazer 
a guerra. Disponível em: https://shre.ink/g2hi. Acesso em: 09 de Dez. de 
2024
 Entre a década de 1950 e 1970, a Geografia atinge o seu auge e ao mesmo tempo 
uma grande crítica se estabelece. Nesse período a Geografia Brasileira já presencia os 
dilemas da criseda Geografia Clássica, a exemplo dado pelo autor Yves Lacoste que 
denuncia a sensação de inutilidade, e um desejo de mudanças diante de limitações 
teóricas e práticos-operacionais da Geografia até então (MOREIRA, 2009).
 A nova Geografia, no viés aplicado (pragmático) é marcada por um discurso 
formalista, a qual se reduz a um olhar geométrico sobre o espaço, com conteúdo rasos, 
e fragmentados em campos setoriais específicos. Já no viés francês a Geografia, 
conhecida como ‘Geografia Ativa’ tem inspiração no viés marxista, a qual as classes 
sociais é conceito estruturante.
 A Geografia do Brasil se constitui na década de 1950, período auge da Geografia 
Clássica e ao mesmo tempo início da fase em que entra em crise, (MOREIRA, 2009).
 A crítica que se instaura nos anos 1950-1960 advém da necessidade de encontrar 
“uma nova forma de teoria geral da Geografia que permita ver a realidade saída do 
contexto de duas guerras e que modifica a passos acelerados aquela deixada para 
trás” (MOREIRA, 2009, p.47).
 Assim, somente nos anos 1970 uma segunda onda do movimento de renovação 
fica mais evidente (MOREIRA, 2009).
 O que diferencia os clássicos dos ‘novos’? A categoria de enfoque dos clássicos é 
a paisagem e a dos ‘novos’ é o espaço. No Brasil, essas categorias orientam a visão de 
mundo dos autores, que de certa forma subentendida, mas ao mesmo tempo ordenam 
as relações na sociedade. A paisagem se relaciona às comunidades primitivas/ 
comunitárias e o espaço à sociedade capitalista moderna. Próximo a virada do século 
XIX para o XX a paisagem-comunidade aparece como referência, ao passo que em 
meados do século XX o espaço-capitalismo vai ganhando notoriedade nos escritos 
(MOREIRA, 2009).
75
VAMOS PENSAR?
Como exposto nas unidades anteriores a Geografia perpassou pelas dualidades: 
sociedade – natureza, Geografia física – geografia humana, Geografia Geral e Geografia 
Regional, Geografia Sintética e Geografia Tópica. O Brasil recebeu a herança da dualidade 
da Geografia Clássica, culminando muitas vezes na fragmentação do conhecimento, 
seja na Geografia institucional como por exemplo nos levantamentos estatísticos do 
IBGE, ou mesmo na Geografia Acadêmica e Escolar. Diante disso, quais os ganhos de 
uma Geografia compartimentada? E quais as possibilidades para uma Geografia Geral 
no contexto atual?
 Para Moreira (2008), a matriz francesa é originaria do pensamento no Brasil, 
fundamentando primeiros cursos universitários em São Paulo e no Rio de Janeiro, dentre 
os geógrafos pode-se citar: Pierre Monbeig, Pierre Deffontaines e Francis Ruellan que 
rememoram em nossa formação a geografia de Vidal de La Blache, Brunhes, Reclus, 
Sorre, George Tricart e o Norte Americano Hartshorne.
 Cada um se diferencia como criador de uma matriz de discurso geográfico, 
revelando-se em três distintas gerações contemporâneas de uma mesma episteme 
que refletem as ideias do seu tempo, (MOREIRA,2008).
 Portanto, os geógrafos que tiveram papel chave na formação da Geografia 
brasileira foram: Elisée Reclus, Paul Vidal de La Blache, Jean Brunhes, Max Sorre, Pierre 
George, Jean Tricart e Richard Harstshorne (MOREIRA,2008).
76
BUSQUE POR MAIS
Leia o artigo História da ciência geográfica: espectro temático e uma 
versão descritiva. Disponível em: https://shre.ink/g2K3. Acesso em: 09 de 
Dez. de 2024.
Neste artigo o professor Dante Flávio da Costa Reis Júnior faz uma reflexão 
sobre a história do pensamento geográfico no Brasil.
4. CONCLUSÃO
 Nas unidades anteriores compreendeu-se que a Geografia foi cunhada pelos 
Gregos, na antiguidade clássica, mas só foi sistematizada como Ciência no século XIX 
na Alemanha com a escola Determinista, na França com a escola Possibilista, e logo 
depois nos Estados Unidos com a Geografia regional.
 No Brasil, a Geografia foi influenciada pela Escola Francesa desde o século XX, 
porém na década de 1930 a Geografia ganhou forças a partir de sua institucionalização 
com a criação dos cursos superiores, da Associação do Geógrafos Brasileiros (AGB) e 
do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Portanto, a Geografia do Brasil já 
nasceu clássica e ao mesmo tempo herdando a crise do pensamento geográfico desta 
corrente de pensamento.
 A partir da década de 1940, no Brasil surgiu a Nova Geografia, conhecida como 
Geografia Quantitativa ou Teorética. Essa escola de pensamento se respaldou na 
Tradição Positivista, cujo método de análise é a estatística, a lógica técnica, o cálculo 
matemático, e sobretudo uma neutralidade cientifica que não se interessa pelas 
diferenças de classes sociais e o contexto histórico-político, contudo, essa escola 
de pensamento contribuiu significativa para o planejamento das ações Estatais, 
contrariando o princípio da neutralidade cientifica. No Brasil essa escola de pensamento 
foi predominante contexto da ditadura militar.
 Por outro lado, como contraponto uma nova corrente de pensamento geográfico 
surgiu no Brasil, denominada de Geografia Crítica, a qual foi alavancada na década 
de 1970 e tinha inspirações na dialética e na luta de classes, se preocupando com as 
questões sociais. E válido lembrar, do grande expoente dessa corrente de pensamento: 
Milton Santos, autor que foi consagrado mundialmente pela qualidade de sua vasta 
obra.
 Além da Geografia crítica, na contemporaneidade a Geografia humanística e 
a Ecológica tem ganhado visibilidade, esta pelo contexto das injustiças ambientais e 
aquela pela valorização da experiência do indivíduo em seu espaço vivido. A luz dessas 
questões, lembre-se que cada corrente de Pensamento Geográfico predomina em 
determinado período, porém elas coexistem no decorrer da História do Pensamento 
Geográfico.
77
1. Conforme Moreira (2010), podemos identificar duas épocas distintas dentro do 
Pensamento Geográfico no Brasil:
1. Até 1930 – Período em que a Geografia era formulada pelos viajantes cronistas e 
naturalistas e até os retratistas e romancistas.
2. Entre 1930 a 1940 - quando os geógrafos de formação vêm para o Brasil fundar 
as universidades e, portanto, a geografia formal, e logo em seguida os institutos de 
pesquisa a exemplo do IBGE.
Avalie as afirmativas acima:
a) Ambas afirmativas estão corretas.
b) Ambas afirmativas estão incorretas.
c) 1 está incorreta e 2 está correta.
d) 1 está correta e 2 está incorreta.
e) Poderia acrescentar na alternativa 1 que nesse período a Geografia é formulada a 
partir dados estatísticos.
2. No Brasil até começo do século XIX, a Geografia é concebida da seguinte forma: “Os 
homens e seus laços com a natureza, a paisagem e as formas de organização do espaço 
que são as categorias do olhar do especialista são objeto de registro de uma série de 
trabalhos de autoria de viajantes, cronistas e naturalistas em seu afã de apreender o 
significado do país nascente desde o primeiro século da colonização”, (MOREIRA, 2010, 
p. 20).
A afirmativa que melhor explica a Geografia descrita acima é:
a) As narrativas de modos de vida, hábitos e costumes comunitários e as relações do 
homem com a natureza no período quinhentista.
b) A crítica a dominação europeia sobre o Brasil.
c) A regionalização da superfície terrestre.
d) A valorização da cultura e do modo de vida dos nativos que viviam no Brasil.
e) A utilização de tecnologias para quantificar o estudo regional.
3. Somente no começo do século XX aparecem as primeiras obras de Geografia no 
Brasil, dos seguintes autores com exceção de:
a) Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho introduziram uma visão francesa 
moderna em suas obras no período de 1910 a 1920.
b) Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho foram precursores dos primeiros cursos 
universitários no Brasil. 
c) Backheuse baseou-se na Geografia Alemã de Ratzel na Antropogeografia e alguns 
conceitos de geopolítica franceses. 
FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO
78
d) Os professores na maioria franceses como Pierre Deffontaines e Norte Americanos 
que inserem a Geografia Acadêmica no Brasil nas universidades de São Paulo e Rio6
O PENSAMENTO GEOGRÁFICO NO BRASIL...........................................................................71
1. INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................72
2. A PRÉ-HISTÓRIA DA GEOGRAFIA NO BRASIL: VIAJANTES, JESUÍTAS, ENSAÍSTAS...........72
3. INSTITUCIONALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA GEOGRAFIA CIENTÍFICA NO BRASIL: 
UNIVERSIDADES E ORGANISMOS GOVERNAMENTAIS...................................................................73
4. CONCLUSÃO...........................................................................................................................................76
FIXANDO O CONTEÚDO...................................................................................................................77
 GABARITO.....................................................................................................................................80
 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................................81
 GLOSSÁRIO...................................................................................................................................83
8
C
O
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A 
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O
UNIDADE 1
Vamos compreender melhor a diferença entre a Geografia prática do nosso 
dia a dia como percepção do mundo e o campo do conhecimento do saber 
científico, que refletirá sobre a seguinte questão: O que é a Geografia? Para 
que serve e qual o objeto de estudo da Geografia?
UNIDADE 2
Buscaremos compreender as origens e pressupostos da Geografia desde 
a Antiguidade Clássica ao Renascimento, bem como o contexto que o 
conhecimento geográfico adquiriu uma legitimidade a partir da Cartografia, 
culminando na diferenciação entre geógrafos e corógrafos, e posteriormente 
na Gênese da Geografia Física
UNIDADE 3
Iremos entender as origens e pressupostos da Geografia Clássica, a partir da 
escola conhecida como positivismo, a qual cunhou a Geografia enquanto 
Ciência Institucional no século XIX, estruturando conceitos e métodos, que 
posteriormente se fragmentaram em: Geografia Física e Geografia Humana.
UNIDADE 4
Vamos aprofundar a compreensão da Geografia Clássica, a partir dos 
principais autores que a sistematizaram - Humboldt e Ritter; bem como os 
fundadores da escola Determinista – Ratzel e da escola Possibilista - Vidal de 
La Blache, a partir do contexto histórico vividos por estes autores, na França 
e na Alemanha, que influenciou em suas formulações.
UNIDADE 5
Será enfatizado a crise da Geografia Tradicional a partir de uma crítica 
que leva ao movimento de renovação da Geografia, que irá culminar nas 
seguintes escolas do pensamento geográfico: Geografia Crítica, Geografia 
Tradicional, Geografia Humanística. Essas escolas rompem com o método 
positivista, porém haverão diversos métodos e interpretações que levam a 
distintos caminhos propostos pelos autores.
UNIDADE 6
Serão estudados como a Geografia se estabeleceu no Brasil até 1930 – 
período conhecido como Geografia vernacular, e após esse período, quando 
houve a institucionalização da Geografia como Ciência nas universidades 
e institutos, a partir da influência da Geografia clássica e posteriormente 
rompendo com esta, culminando na adoção das outras correntes do 
pensamento geográfico: geografia teorética, Geografia crítica e a Geografia 
Humanística.
9
O CAMPO DE CONHECIMENTO 
CIENTÍFICO GEOGRÁFICO
10
 A Geografia está presente no dia a dia! Os seres humanos, desde tempos 
remotos tiveram que desenvolver habilidades para sobre viverem no ambiente natural, 
se alimentar, construir moradias e proteger a prole. Com o passar do tempo, em sua 
experiência prática cotidiana os homens construíram conhecimentos empíricos, os quais 
são transmitidos e comunicados através das gerações a partir da oralidade, originando 
uma cultura. A necessidade de orientar-se, primeiro através do próprio corpo, depois 
pelo uso dos recursos da natureza, sejam pelos rios e vertentes mais próximos ou o tipo 
de vegetação que marcam os caminhos percorridos pelos seres humanos, contribuiu 
para a criação dos registros que se transformaram em linguagem escrita (textos) ou 
cartográficas (mapas), através de topônimos e depois pelos pontos cardeais, essencial 
para localizar-se no espaço geográfico e para locomoção dos diversos grupos humanos 
(CLAVAL, 2010).
 Nesse sentido a geografia enquanto Prática e Ciência leva a uma percepção de 
mundo, seja pela orientação dos indivíduos ou organização espacial das sociedades, 
desse modo, a Geografia percebe o mundo de uma forma muito abrangente. Pode-se 
dizer que a Geografia enquanto Ciência serve como base para outras ciências.
 Nota-se que não há um consenso a respeito da matéria, e sim controvérsias que 
levam a questão: existe unidade no pensamento geográfico? A seguir cabe uma análise 
mais detalhada da história do pensamento geográfico, a começar pelos debates em 
torno do objeto e finalidade dessa Ciência.
 Vamos juntos desbravar o universo geográfico!
1. INTRODUÇÃO
 Para a sobrevivência da Humanidade, os seres humanos desenvolveram a 
habilidade de cooperar para se instaurar e viver em comunidade. As estratégias de 
localização espacial que tiveram sua projeção em buscar recursos naturais, caçar 
ou coletar alimentos nos grupos nômades, também se reconfiguraram através da 
necessidade de utilizar as fontes de energia, do domínio humano sobre a terra, e a 
produção de uma estrutura do espaço social. Desse modo, ao seu fixar em territórios o 
ser humano construiu suas aldeias, cidades, e disputaram esses territórios perpetuando 
guerras (CLAVAL, 2010).
 O Geógrafo Claval (2010), em sua obra revela o caráter da geografia enquanto 
pratica e ciência. Para ele a Geografia pode ser concebida também como um espaço de 
experiências, de habitar os lugares, quando nos sentimos pertencidos, que se diferencia 
da experiência de viajar, e também nas reações diante do mundo, em suas diversas 
paisagens sejam de florestas tropicais ou vertentes, nas habilidades transmitidas por 
oralidades, introduzindo na escrita ou desenhos traduzidos em mapas ou textos.
2. GEOGRAFIA E A PERCEPÇÃO DO MUNDO
11
VAMOS PENSAR?
Ao tratar de saberes como localização espacial, orientação e mapas, a geografia aparece 
como um conhecimento prático que se inicia desde os primórdios da humanidade. 
Nesse sentido, a experiência pratica cotidiana pode ser considerada geográfica? Em 
caso afirmativo, considerando-se a Geografia como prática social, quando a Geografia 
passa a ser um conhecimento cientifico?
3. A GEOGRAFIA ENQUANTO PRÁTICA E CIÊNCIA 
 Desde seu surgimento, a geografia sofreu várias transformações para atingir o 
seu objeto de estudo, como veremos na próxima unidade da apostila. Hoje, porém, a 
percepção do mundo tornou-se extensa, desde a parte física como por exemplo nos 
estudos dos impactos ambientais até o estudo da sociedade, o que confere a essa 
ciência uma grande importância no contexto mundial. Podemos conceber a Geografia, 
como uma Ciência da percepção do mundo?
 Em suma, a Geografia teve originalmente por objeto de estudo a descrição da 
superfície terrestre, e a partir da modernidade podemos citar alguns importantes 
estudos:
• As transformações ambientais sobre a superfície da terra, sejam elas naturais ou 
superficiais, relacionadas com o espaço em que ocorrem.
• Os acidentes físicos, como o clima, os solos, o relevo e os tipos de vegetação que 
influenciam na organização espacial.
• As relações entre os grupos humanos e destes com o ambiente.
 Muitos autores, consideram a Geografia como uma Ciência que estuda o espaço 
ambiental e os fenômenos de transformação deste espaço na superfície da terra, 
transformações essas relacionadas de alguma forma com o lugar, quer sejam de origem 
natural ou artificial. Contudo, outros autores terão uma abordagem mais voltada as 
contradições sociais, ou aos fluxos e transformações das sociedadesde 
Janeiro, inspirados pela geografia de Vidal de La Blache.
e) Os professores na maioria franceses como Pierre Deffontaines e Norte Americanos 
que inserem a Geografia institucional no Brasil, criando o IBGE.
4. Em relação a institucionalização da Geografia Científica no Brasil, marque a opção 
incorreta:
a) Uma geografia aplicada aparece nas produções do IBGE em formato brasileiro. Os 
primeiros autores do IBGE são engenheiros. 
b) Nos anos 1940 já aparecem os geógrafos de formação que vieram das primeiras 
universidades brasileiras para atuarem no IBG.
c) De 1930 a 1950, foi o período da criação das universidades de São Paulo e Rio de 
Janeiro e do IBGE. 
d) Em 1956 aconteceu o Congresso Internacional da União Geográfica Internacional 
– UGI, contudo a Geografia ainda não impulsionara uma produção bibliográfica e de 
artigos.
e) Outro marco importante da institucionalização da Geografia científica no Brasil foram 
os Congressos Brasileiros de Geografia.
5. Entre a década de 1950 e 1970, a Geografia atinge o seu auge e ao mesmo tempo 
uma grande crítica se estabelece. Nesse período a Geografia Brasileira já presencia os 
dilemas da crise da Geografia Clássica. Qual autor de grande importância denuncia 
a sensação de inutilidade, e um desejo de mudanças diante de limitações teóricas e 
práticos-operacionais da Geografia até então?
a) Vidal de La Blache.
b) Yves Lacoste.
c) Aziz Ab. Saber.
d) Humboldt.
e) Ritter.
6. Para Moreira (2008), a matriz francesa é originária do pensamento no Brasil, 
fundamentando primeiros cursos universitários em São Paulo e no Rio de Janeiro, dentre 
os geógrafos pode-se citar, exceto: 
a) Pierre Monbeig.
b) Pierre Deffontaines. 
c) Francis Ruellan. 
d) Vidal de La Blache.
e) Ratzel.
7. A Geografia brasileira já nasce clássica e identifica-se principalmente com os 
pensadores franceses e depois com os norte-americanos. São chamados de clássicos 
os autores geógrafos que consolidaram a Geografia Moderna dentre os principais, 
exceto:
79
a) Alexander Von Humboldt (1769- 1859). 
b) Karl Ritter (1779 – 1859).
c) Milton Santos.
d) Kant (1724 - 1804).
e) Foster. 
8. A Geografia do Brasil se constitui na década de 1950, período auge da Geografia 
Clássica e ao mesmo tempo início da fase em que entra em crise. A crítica que se 
instaura nos anos 1950-1960 advém da necessidade?
a) Um movimento de renovação pautado nos moldes positivistas.
b) Encontrar uma nova forma de teoria geral da Geografia que permita ver a realidade 
saída do contexto de duas guerras e que modifica a passos acelerados aquela deixada 
para trás.
c) Retomar a Geografia da antiguidade clássica.
d) Analisar somente a paisagem que se relaciona às comunidades primitivas/ 
comunitárias.
e) Incorporar o viés Alemão a Geografia, conhecida como ‘Geografia Ativa’.
80
GABARITOGABARITO
UNIDADE 1
UNIDADE 3
UNIDADE 5
UNIDADE 2
UNIDADE 4
UNIDADE 6
QUESTÃO 1 C
QUESTÃO 2 C
QUESTÃO 3 C
QUESTÃO 4 A
QUESTÃO 5 A
QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 A
QUESTÃO 8 B
QUESTÃO 1 A
QUESTÃO 2 C
QUESTÃO 3 A
QUESTÃO 4 A
QUESTÃO 5 E
QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 E
QUESTÃO 8 A
QUESTÃO 1 E
QUESTÃO 2 A
QUESTÃO 3 E
QUESTÃO 4 D
QUESTÃO 5 D
QUESTÃO 6 B
QUESTÃO 7 D
QUESTÃO 8 D
QUESTÃO 1 B
QUESTÃO 2 C
QUESTÃO 3 D
QUESTÃO 4 C
QUESTÃO 5 E
QUESTÃO 6 E
QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 B
QUESTÃO 1 C
QUESTÃO 2 C
QUESTÃO 3 D
QUESTÃO 4 C
QUESTÃO 5 C
QUESTÃO 6 B
QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 D
QUESTÃO 1 A
QUESTÃO 2 A
QUESTÃO 3 E
QUESTÃO 4 D
QUESTÃO 5 B
QUESTÃO 6 E
QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 B
81
BARROSO, A. I. G. Qué queda del espíritu del Cartógrafo hoy en día?, 2017. Disponível em: 
https://bit.ly/31ETBle. Acesso em: 16 fev. 2020.
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1960): Categoria geográfica, técnicas de pesquisa e método. In: VIII Encontro Nacional 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
82
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SILVA, O. P. D. Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1500. 1922. Pintura. 
Oléo sobre tela, 190cm × 330cm.
83
Antropocentrismo: Moraes (2005, p.17) afirma que no ‘Antropocentrismo’ o homem é o 
sujeito da natureza.
Capitalismo: sistema político e econômico baseado na propriedade privada dos meios 
de produção e no lucro. Teve sua gênese na Europa, a partir de uma acumulação primitiva 
na baixa idade média (do século XI ao XV), e cristalizando-se após o surgimento da 
Burguesia.
Cartografia: conforme o IBGE “A palavra cartografia tem origem na língua portuguesa, 
tendo sido registrada pela primeira vez em 1839 numa correspondência, indicando a ideia 
de um traçado de mapas e cartas. Hoje entendemos cartografia como a representação 
geométrica plana, simplificada e convencional de toda a superfície terrestre ou de parte 
desta, apresentada através de mapas, cartas ou plantas.”
Cosmografia: geografia que estuda a terra no cosmos.
Corológica: Moraes (2005, p.4) afirma que a corologia é uma “visão espacial em 
oposição à cronológica ou enfoque temporal. 
Determinismo: afirma que as atividades humanas eram determinadas pela natureza.
Descolonização: momento histórico onde as colônias atingiram a sua independência.
Dialética: a dialética que surgiu com a filosofia de Sócrates e Platão, sendo considerada 
uma forma de argumentação lógica, na qual são definidos de forma clara os conceitos 
envolvidos na discussão. Na estrutura do argumento dialético, segundo Fichte, estão a 
tese, a antítese e a síntese. O economista Karl Marx utilizou esse método para escrever 
o livro: O capital.
Empirismo: é a teoria em que a origem de todo conhecimento ocorre através da 
experiência sensorial. Essa teoria enfatiza o papel da experiência e da evidência, 
especialmente o da percepção sensorial, na formação de ideias. O Empirismo defende 
a ideia de que o único conhecimento que os seres humanos podem ter é a posteriori, 
isto é, baseado em experiência.
Epistemologia:é o estudo dos fundamentos da ciência, bem como a origem, métodos e 
sua verificação, o que pode ser considerado como filosofia do conhecimento.
Fenomenologia: escola de pensamento, que se opõe ao positivismo e para compreender 
o mundo vivido dentro de um universo simbólico dos indivíduos. 
Geocentrismo: teoria que compreende que a Terras é o centro do Universo. 
Historicismo:a realidade é resultado de uma evolução histórica, incorporando a 
subjetividade no pensamento cientifico.
Iluminismo: conhecido como o ‘Século das Luzes’, foi o período em que se questionou o 
conhecimento religioso, fundamentando-se no racionalismo científico. Esse movimento 
intelectual e filosófico surgiu na Europa, e teve seu apogeu no século XVIII.
Mundialização: processo histórico econômico e cultural que ocorreu a partir do século 
XX, como uma fase da globalização onde intensifica-se a conexão entre os lugares, 
pessoas e mercadorias, porém os fenômenos não acontecem da mesma forma, 
gerando uma desigualdade. 
Marxista: teoria filosófica, política e econômica que, criada por Karl Marx (1818 - 1883), 
explica as modificações e desenvolvimentos da sociedade, resultantes da oposição 
ou do confronto entre as classes sociais, sendo seu conteúdo uma crítica ao sistema 
GLOSSÁRIO
84
capitalista, usado como fundamento para alguns ideais socialistas; materialismo 
dialético
Neopositivismo: foi um movimento que surgiu no século XX e tinha como principal 
premissa o princípio da verificação, a antimetafísica, a síntese, a análise e a busca por 
uma ciência unificada para que houvesse o progresso científico. 
Positivismo: racionalismo e método científico introduzido por Auguste Conte.
Possibilismo: o meio físico oferece possiblidades ao homem para exercer as atividades 
humanas. E o homem é livre nas escolhas de sua relação com a natureza.
Práxis: o autor Paulo Freire designa como Práxis o conhecimento e a prática como parte 
de uma mesma realidade.
Vernacular: o termo vernáculo é utilizado há séculos, quando estudos científicos, 
filosófico ou religioso eram publicados na Europa Ocidental e escritos em latim. Contudo, 
aqui se utiliza vernacular para designar o período onde a Geografia era concebida em 
escritos da antiguidade clássica.
85humanas. Enfim, 
cada abordagem recorre a uma temporalidade especifica e uma escola de pensamento 
geográfico.
FIQUE ATENTO
OBJETO DE ESTUDO DA GEOGRAFIA –> ESPAÇO GEOGRÁFICO
A – Estratos da paisagem física: (elementos abióticos: geologia, solos, hidrografia, clima)
B – Biológico (flora e fauna/ distribuição das paisagens naturais)
C – Antrópico (transformações da paisagem/ espaços organizados – urbano, industrial 
e rural)
12
VAMOS PENSAR?
Se o geógrafo tenta entender a paisagem, o espaço e os impactos ambientais da 
superfície terrestre, podemos falar que o geógrafo tem uma visão holística? Em caso 
afirmativo, qual a função dos geógrafos na sociedade atual?
 O campo de conhecimento científico geográfico, é permeado pela polêmica 
em relação ao objeto dessa ciência, manifestando-se em múltiplas definições. Alguns 
autores definem a Geografia como o estudo da superfície terrestre, embora usual, essa 
é uma definição vaga, já que a superfície terrestre pode abranger qualquer reflexão 
cientifica, portanto não de apenas uma disciplina. Tal definição é respaldada na própria 
etimologia da palavra Geografia, que significa descrição da terra (MORAES, 2005).
 Nessa perspectiva a Geografia deveria descrever todos os fenômenos da 
superfície da Terra, como uma síntese de todas ciências, o que é verificado pelo filósofo 
Kant. Conforme Kant a Ciência é dividida em duas classes:
4. A GEOGRAFIA COMO SABER – O QUE É E PARA QUE SERVE?
 Dentro da segunda classe encontram-se a Antropologia e a Geografia. Essa 
considerada como a sínteses dos conhecimentos sobre a natureza, (MORAES, 2005). 
“Desta forma, a tradição kantiana coloca a Geografia como uma Ciência Sintética 
(que trabalha com dados de todas as demais ciências), descritiva (que enumera 
os fenômenos abarcados) e que visa abranger uma visão de conjunto do planeta” 
(MORAES, 2005, p. 4).
 Enfim, essa perspectiva denominada Corológica gera polêmica em torno do termo 
Superfície Terrestre que pode se relacionar a Crosta Terrestre ou a Biosfera. Contudo, a 
descrição da Superfície da Terra é a base das correntes de pensamento geográfico 
(MORAES, 2005).
 Alguns autores falam sobre o estudo da paisagem como a definição do objeto 
de estudo da Geografia, cujo os aspectos visíveis do real é a principal fonte de análise. 
Assim, a paisagem vista como uma associação de múltiplos fenômenos, que trabalha 
com dados das outras ciências, configurando-a como Ciência de Síntese. Conforme 
Moraes (2005), esta perspectiva de compreensão apresenta-se em duas variáveis: 
• A tônica descritiva – enumeração dos elementos a discussão das formas 
(morfológica). Essa perspectiva valoriza a intuição nos procedimentos de análise. 
• A relação entre os elementos – funcionamento da paisagem (fisiologia). Nessa 
perspectiva aparece a ecologia no domínio geográfico. 
 Outra proposta, que dialoga com a anterior é a Geografia como estudo da 
individualidade dos lugares, abarcando a singularidade dos fenômenos de cada porção 
13
Figura 1: Principais correntes do pensamento geográfico
Fonte: Parras (2015)
do Planeta. Alguns geógrafos propõem a descrição exaustiva dos elementos outros a 
visão ecológica inter-relacionada. Essa perspectiva tem fundamento em autores da 
antiguidade clássica como Heródoto e Estrabão (MORAES, 2005).
 Na modernidade identifica-se essa expressão na Geografia Regional, a qual propõe 
o objeto de estudo como unidade espacial, ou seja: a região que é uma “determinada 
porção do espaço terrestre (de dimensão variável), passível de ser individualizada, em 
função de um caráter próprio” (MORAES, 2005, p. 5).
 Outra proposta é a definição da Geografia como estudo da diferenciação de áreas, 
que se revela em uma visão comparativa, na individualidade das áreas comparadas 
através de dados. Essa definição caracteriza-se pela por uma maior generalização e 
uma perspectiva explicativa. Contudo ocupa uma menor abrangência no pensamento 
geográfico (MORAES, 2005).
 Outros autores buscam a Geografia como estudo do espaço, para uma 
abordagem específica, que busca a lógica da distribuição e localização dos fenômenos. 
Contudo essa Geografia da dedução efetivou-se pelas estatísticas e quantificação, o 
que atualmente é alvo de debates (MORAES, 2005).
 Alguns autores entendem a Geografia como a Ciência que estuda a relação 
entre o homem e o meio, ou seja, sociedade e a natureza. O que designaria a Geografia 
como uma disciplina que relaciona Ciências Naturais e Humanas, ou sociais. Nessa 
perspectiva, conforme Moraes (2005), aparecem 3 visões:
1ª
A primeira compreende a influência da natureza sobre o desenvolvimento da 
humanidade, cujo o homem estaria à mercê das condições naturais, posto 
como um elemento passivo diante do domínio da natureza, cuja a ação 
humana seria de adaptação ao meio, e a Geografia explicaria as formas e 
mecanismo de manifestação desse dessa ação.
2ª
A segunda compreende a Geografia no estudo da relação entre o homem e a 
natureza, cujo objeto de estudo é a ação do homem que transforma o meio, 
ou seja, o estudo dos fenômenos humanos.
3ª
Uma terceira visão afirmam que os dados humanos e naturais possuem a 
mesma importância. Esses três objetos informados aqui, evocam o maior 
debate do pensamento geográfico.
14
VAMOS PENSAR?
Nota-se que não há um consenso a respeito da matéria, e sim controvérsias que levam 
a questão: existe unidade no pensamento geográfico?
BUSQUE POR MAIS
Acesse o livro “Pensar e Ser em Geografia”, disponível na Biblioteca Virtual 
do seu Porta. Ele traz uma abordagem aprofundada sobre a História do 
Pensamento Geográfico. Link: https://shre.ink/gkdO. Acesso em: 06 de 
Dez. de 2024.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Nessa unidade, apresentamos um mosaico de definições e formulações genéricas 
dos modelos mais relevantes. Contudo, cabe um aprofundamento da História do 
pensamento Geográfico, bem como de seus objetos, escolas e métodos científicos, a 
começar pelo período da antiguidade clássica como veremos a seguir.
15
1. (UVA 2003.1/Adaptada) "Nos últimos anos, a Ciência Geográfica tem passado por 
grandes mudanças conceituais e metodológicas. Esse processo evolutivo, hoje, já nos 
fornece a ideia de que a Geografia, busca a partir das relações entre os homens e destes 
com a natureza no decorrer dos tempos, a explicação da organização do espaço." Com 
relação à introdução à Geografia, seus métodos, concepções, princípios e evolução, 
analise as frases abaixo e coloque V nas verdadeiras e F nas falsas.
( ) O espaço geográfico nada mais é do que a paisagem em sua totalidade – a 
configuração territorial, acrescida da sociedade.
( ) O princípio da causalidade é a própria lei de causa e efeito, característica de todas 
as Ciências. O princípio da causalidade foi defendido, em Geografia, por Humboldt.
( ) Friedrich Ratzel defendeu o possibilismo geográfico.
( ) O determinismo é um princípio radical e fatalista, empregado eventualmente em 
algumas situações, porém nem sempre e nem em todas.
( ) Estudar geograficamente o mundo é essencialmente investigar a dinâmica social 
que está por trás das paisagens ou formas espaciais.
A sequência, de cima para baixo, é:
a) F, V, V, V, V.
b) V, F, F, V, F.
c) V, V, F, V, V.
d) F, F, V, F, F.
e) F, F, V, V, V.
2. São apresentadas a seguir algumas considerações sobre a ciência geográfica. 
Analise-as e assinale a INCORRETA:
a) O objeto da Geografia, tradicionalmente, tem sido a localização dos fatos na superfície 
terrestre, a relação entre os fatos de ordem natural e as inter-relações entre os homens 
e o meio natural.
b) A Geografia entende, por organização do espaço, o arranjo do meio ambiente ao 
desenvolvimento das potencialidades da sociedade, segundo a sua cultura.
c) O determinismo geográfico deve ser entendido como a corrente da Geografia que 
defende a possibilidade de a ação humana vencer as determinações do meio natural.
d) A definição do que é Geografia não é algo simples, pois se refere a um campo do 
conhecimento científico onde reina grandepolêmica.
e) A Geografia é uma ciência que serve como base para outras ciências, desse modo 
ela percebe o mundo de uma forma muito abrangente.
3. Alguns autores entendem a Geografia como a Ciência que estuda a relação entre 
o homem e o meio, ou seja, sociedade e a natureza. O que designaria a Geografia 
como uma disciplina que relaciona Ciências Naturais e Humanas, ou sociais. Nessa 
perspectiva, conforme Moraes (2005), aparecem 3 visões: 
FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO
16
I. A primeira compreende a influência da natureza sobre o desenvolvimento da 
humanidade, cujo o homem estaria à mercê das condições naturais, posto como 
um elemento passivo diante do domínio da natureza, cuja a ação humana seria de 
adaptação ao meio, e a Geografia explicaria as formas e mecanismo de manifestação 
desse dessa ação.
II. A segunda compreende a Geografia no estudo da relação entre o homem e a natureza, 
cujo objeto de estudo é a ação do homem que transforma o meio, ou seja, o estudo dos 
fenômenos humanos.
III. Uma terceira visão afirmam que os dados humanos e naturais possuem a mesma 
importância. 
Avalie as afirmativas acima:
a) As afirmativas I, II, e III estão incorretas.
b) As afirmativas I e II são verdadeiras, e a afirmativa III é falsa.
c) As três afirmativas informados aqui evocam o maior debate do pensamento 
geográfico.
d) As três afirmativas informados aqui são partes de uma mesma visão de mundo.
e) As três afirmativas informados aqui não tiveram muita repercussão na História do 
pensamento Geográfico.
4. O campo de conhecimento científico geográfico, é permeado pela polêmica em 
relação ao objeto dessa ciência, manifestando-se em múltiplas definições. Alguns 
autores definem a Geografia como o estudo da Superfície Terrestre, embora usual, essa 
é uma definição vaga, já que a Superfície Terrestre pode abranger qualquer reflexão 
científica, portanto não de apenas uma disciplina. Tal definição é respaldada na própria 
etimologia da palavra Geografia, que significa descrição da Terra (MORAES, 2005). 
Nessa perspectiva a Geografia deveria descrever todos os fenômenos da Superfície da 
Terra, como uma síntese de todas ciências, o que é verificado pelo filósofo:
a) Kant.
b) Erastóstenes.
c) Ptolomeu.
d) Auguste Comte.
e) René Descartes
5. Outra proposta, que dialoga com a anterior é a Geografia como estudo da 
individualidade dos lugares, abarcando a singularidade dos fenômenos de cada porção 
do Planeta. Alguns geógrafos propõem a descrição exaustiva dos elementos outros a 
visão ecológica inter-relacionada. Essa perspectiva tem fundamento em autores da 
antiguidade clássica como:
a) Heródoto e Estrabão.
b) Immanuel Kant.
c) Platão e Georg Hegel.
d) Aristóteles.
e) Erastóstenes e Ptolomeu.
17
6. “Desta forma, a tradição kantiana coloca a Geografia como uma Ciência Sintética 
(que trabalha com dados de todas as demais ciências), descritiva (que enumera 
os fenômenos abarcados) e que visa abranger uma visão de conjunto do planeta” 
(MORAES, 2005, p.4). 
A perspectiva anunciada no texto acima é denominada:
a) Sorológica.
b) Corográfica.
c) Cosmológica.
d) Fenomenológica.
e) Historiográfica.
7. Alguns autores falam sobre o estudo da paisagem como a definição do objeto de 
estudo da Geografia, cujo os aspectos visíveis do real é a principal fonte de análise. 
Assim, a paisagem vista como como uma associação de múltiplos fenômenos, que 
trabalha com dados das outras ciências, configurando-a como Ciência de Síntese. 
Conforme Moraes (2005), esta perspectiva de compreensão apresenta-se em duas 
variáveis: 
a) A tônica descritiva na relação entre os elementos.
b) A humanística e a Corológica.
c) A regional e local.
d) A singular e a geográfica geral.
e) A divisão por áreas e a estatística. 
8. Outros autores buscam a Geografia como estudo do espaço, para uma abordagem 
especifica, que busca a lógica da distribuição e localização dos fenômenos. Contudo 
essa Geografia da dedução, atualmente é alvo de debates e efetivou-se pela:
a) Diferenciação de áreas.
b) Estatísticas e quantificação.
c) Método regional.
d) Relação entre o homem e o meio.
e) Descrição dos fenômenos.
18
A GEOGRAFIA DA ANTIGUIDADE 
CLÁSSICA AO RENASCIMENTO
19
 As origens da Geografia estão ligadas a Antiguidade Clássica, sobretudo ao 
pensamento grego. Considera-se que alguns estudos tiveram uma grande influência na 
formulação do pensamento geográfico, sobretudo a partir da Cartografia e Cosmologia, 
podendo-se citar como grandes expoentes Tales e Anaximandro, com a medição do 
espaço e o debate sobre a forma da Terra, que atualmente está aprofundado nos 
estudos da Geodésica, e Heródoto com a descrição dos lugares, e dentre outros estudos 
(MORAES, 2005). 
 Contudo, no período da Antiguidade Clássica esses conhecimentos estavam 
desarticulados, e ainda não tinham o rótulo de Geografia, mas hoje fazem parte da 
disciplina geográfica. Nesse sentido, na unidade 2 busca-se a compreensão dos 
debates, pressupostos e reflexões em torno da Geografia na antiguidade clássica. 
 Sigamos, nossos estudos nessa viagem pela antiguidade clássica.
1. INTRODUÇÃO
Figura 2: A apoteose de Homero
Fonte: Jean-Auguste-Dominique Ingres (1827)
2. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA 
DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA 
 É considerável que as Geografias Vernaculares encontradas em escritos antigos 
da antiguidade clássica tem na descrição do mundo mediterrâneo a sua gênese, o que 
pode ser observado na obra Odisseia de Ulisses, o qual descreve “uma evocação de 
seus povos e de suas cidades através do catálogo dos navios Aqueus e dos efetivos 
troianos na Ilíada” (CLAVAL, 2010, p. 67).
20
 Conforme Claval (2010), pode-se afirmar que o termo Geografia aparece em 
c.284-c. 192 a.C. cunhado por Erastóstenes. Esse saber advém de um mundo já percorrido 
e majoritariamente dominado por Gregos e Macedônios, após ser conquistado por 
Alexandre. Essa é a Geografia que estuda sobre a Terra redonda e o seu posicionamento 
no cosmos, a ênfase da esfericidade da Terra, cunhada como método astronômico por 
Pitágoras, e embasada em uma nova corrente de reflexão por Tales (c. 625-c 547ª.c.), 
Anaximandro (c.610-c.547 a.C.) e Heráclito (c.550-c. 480 a. C.).
 Para os gregos a descrição regional pode ser feita em duas diferentes escalas: 
Geógrafos e Corógrafos. Na primeira escala o Geógrafo ‘apreende a totalidade do 
mundo habitado, o ecúmeno’ e a partir das histórias de Heródoto descrevem os países 
conhecidos pelos Gregos, e mais adiante Erastóstenes cria as coordenadas geográficas 
para fazer carta geográficas. Já na escala do Corógrafo interessa uma área particular, 
preocupando-se mais com o mundo do visível (CLAVAL, 2010).
 Ademais, a descrição regional também pode ser concebida como uma etnografia, 
que perpassa o nascimento dos mitos e o seu desenvolvimento, “ela fixa a base territorial 
da religião e da cultura” (CLAVAL, 2010, p. 83)
 Com o passar do tempo, as descrições regionais mudaram conforme a construção 
da identidade na Grécia Clássica, cada região lugar e mitologia, e a Geografia se 
sobrepõe a Coreografia, como exposto por Claval (2010, p. 83).
Figura 3: Erastóstenes
Fonte: Secretaria de Educação do Paraná
GLOSSÁRIO
Eratóstenes (em grego: Ἐρατοσθένης, transl.: Eratosthénis̱; Cirene, 276 a.C. — Alexandria, 194 
a.C.) foi um matemático, gramático, poeta, geógrafo, bibliotecário e astrônomo da Gré-
cia Antiga. Nasceu em Cirene, Grécia, e morreu em Alexandria. Estudou em Cirene, em 
Atenas e em Alexandria. Disponível em: http://www.filosofia.seed.pr.gov.br/modules/ga-
leria/detalhe.php?foto=650&evento=6. Acesso em: 29 dez. 2019.
Em sua dimensão regional, a Geografia antiga 
continua imperfeita. Por que ela é, no entanto, vi-
toriosa sobre a Coreografia? Pela sua constante 
preocupação em interpretar o local em função 
das forças que vão além deste e o determinam: 
21
FIQUE ATENTO
No ocidente os discursos geográficos tornaram-se científicos inicialmente no século VI 
pelos gregos, e depois no século XVIII na França e Alemanha, emboraaté o século XVIII 
não havia um conhecimento geográfico unitário (CLAVAL, 2010).
 Durante a idade média, a Geografia perdeu importância no cenário científico, já 
que esse passa a ser moldado pelo conhecimento religioso, e a igreja passou a ter 
domínio de todas as questões. Após a quebra da ordem medieval e a eminência da era 
do Renascimento científico, com o fim do Geocentrismo apareceram novas formas de 
conceber a terra. Através de Copérnico a hipótese geocêntrica, a qual concebe a Terra 
como o centro do Universo cai por terra. As grandes descobertas que se sucederam as 
navegações, que esclareceu que o ecúmeno se estende ao velho e ao novo mundo, 
mais a zona glacial, comprovaram a redondeza da Terra. Varenius um Alemão, se 
interessou em estudar o perímetro da Terra e dos paralelos e definiu uma Geografia 
Física que explica a rotação da Terra (CLAVAL, 2010).
 No século XVII, o geógrafo ganha um reconhecimento, e a disciplina passa a ser 
ensinada nos colégios católicos ou academias protestantes. Contudo, o conhecimento 
faz parte de uma elite, a exemplo do Oficial da Marinha que o utiliza para levantar e ler 
plantas e o marinheiro que a usa para desenhar as linhas de navegação. Desse modo, 
a Geografia se desenvolve a partir da cartografia, com procedimentos cada vez mais 
exatos para medir as coordenadas geográficas e utilizar dados estatísticos (CLAVAL, 
2010).
 No século XVIII, o campo da cartografia se destaca do resto da disciplina Geográfica, 
a qual precisa reinventar-se. A cartografia torna-se uma junção de conhecimentos 
dos astrônomos, navegadores, exploradores, topógrafos e eruditos, já no campo do 
geógrafo houve uma perda do suporte institucional (CLAVAL, 2010).
3. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA 
NO RENASCIMENTO
aquelas que resultam da situação do globo no 
universo (sua dimensão astronômica), aquelas 
que opõem o centro civilizado do mundo habi-
tado às suas periferias selvagens (a dimensão 
religiosa e cultural). A Geografia trata do espa-
ço da humanidade.
 Nos séculos XV e XVI corógrafos e geógrafos se diferiram, a partir de uma nova 
visão no contexto histórico do Renascimento. A cosmografia, associa-se aos jogos de 
poder como um instrumento do imperialismo europeu. Seu sucesso deve-se as técnicas 
de viagens e medições mais precisas da Terra a partir de observações astronômicas, e 
a descrição como uma herança grega (CLAVAL, 2010).
22
Figura 4: O Que Permanece o Espírito do Cartografo Hoje?
Fonte: Barroso (2017)
Designam-se como Geografia: relatos de via-
gem, escritos em tom literário; compêndios de 
curiosidades, sobre lugares exóticos; áridos 
relatórios estatísticos de órgãos de adminis-
tração; obras sintéticas, agrupando os conhe-
cimentos existentes a respeito dos fenômenos 
naturais; catálogos sistemáticos, sobre os con-
tinentes e os países do Globo etc. Na verdade, 
trata-se de todo um período de dispersão do 
conhecimento geográfico, onde é impossível 
falar dessa disciplina como um todo sistemati-
zado e particularizado (MORAES, 2005, p. 11).
FIQUE ATENTO
Muitos temas que hoje são cabíveis a Ciências Geográfica, antes não eram designados 
pelo rótulo da Geografia. Essa tendência apresentada aqui permanece até o final do 
século XVIII, embora houvessem alguns autores de grande importância que tenham 
dado essa rotulação a Geografia, como por exemplo Ptolomeu que criou a obra “síntese 
geográfica”, porém os temas tratados por tais autores têm pouco em comum com o 
que seria considerado Geografia em períodos posteriores. Portanto, até o século XVIII não 
havia um conhecimento geográfico unitário (MORAES, 2005).
VAMOS PENSAR?
A Geografia nasce na Grécia, apesar das diferenças entre a Geografia Grega e atual, 
criou-se uma linha que constrói uma identidade científica. Nesse sentido, a História da 
Ciência, produz muito mais continuidade do que rupturas.
Contudo, é considerável que a episteme da Geografia, ou seja, o seu discurso, está 
ligado a um tempo e a um contexto histórico, diante disso a nossa sociedade utiliza o 
conhecimento geográfico? Qual influência da Geografia grega na atualidade?
23
BUSQUE POR MAIS
https://www.youtube.com/watch?v=qtbi4cgomK8
Documentário sobre a história da Cartografia e Geografia:
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
 É considerável que a geografia adquiriu uma validade científica com os gregos, 
na construção de cartas geográficas precisas. Contudo, nesse período eles não 
investigaram a diversidades de relevos existentes e nem a maneira como os seres 
humanos estabelecem um domínio sobre o meio ambiente. Porém no século XVII essas 
operações cartográficas, tornam-se demasiadamente técnicas e a geografia perde o 
seu lugar institucional (CLAVAL, 2010).
 Já na idade do Século das Luzes, as Ciências da Natureza conferem a Geografia 
os elementos para descrever a face da terra, explicar a formas e gênese do relevo. A 
Geografia Física nasceu, e ganhará mais ênfase na Geografia Clássica, como veremos 
a seguir.
24
1. (UVA 2004.1/ Adaptada) Sobre a Geografia, seus métodos, seus procedimentos, suas 
abordagens não são verdadeiras. É correto o que se afirmar em:
a) A Geografia Tradicional tem por base metodológica a teoria marxista.
b) O espaço geográfico é fruto da dinâmica social (relação homem, natureza e trabalho) 
que se diferencia de acordo com a formação história, no espaço e no tempo.
c) A Geografia ao longo de sua trajetória tem vivenciado avanços e recuos. Hoje, 
pode-se dizer que a Geografia apresenta grandes avanços metodológicos permitindo 
compreender a dinâmica e as contradições sociais do espaço geográfico.
d) A sala onde você está fazendo esta prova para concorrer a uma vaga do vestibular, 
contém natureza transformada pelo trabalho social. Olhe para as paredes, carteiras e 
demais objetos ao seu redor e perceberá isto. Quase tudo que nos cerca é o resultado 
do trabalho social sobre a natureza, inclusive o espaço geográfico, objeto de estudo da 
Geografia.
e) As origens da Geografia estão ligadas a Antiguidade Clássica, sobretudo ao 
pensamento grego. 
2. (CESGRANRIO - 2013) As formas e os conteúdos das Geografias pré-científicas, que 
são qualificadas, de preferência, de etnogeografias, variam de uma cultura a outra. 
Pode-se esquematicamente opor as geografias transmitidas pela palavra, e os quadros 
descritivos redigidos por especialistas para responder às curiosidades dos públicos 
cultos ou às necessidades das administrações. As primeiras são características das 
sociedades primitivas ou de frações populares das grandes sociedades industriais.
CLAVAL, P. Epistemologia da Geografia. Florianópolis: UFSC, 2011, p. 23. Adaptado.
Essa Geografia produzida por frações populares das grandes sociedades industriais, 
descrita acima, é a denominada Geografia:
a) Crítica.
b) Possibilista.
c) Vernacular.
d) Determinista.
e) Quantitativista.
3. Claval (2010), afirma que o saber geográfico advém de um mundo já percorrido e 
majoritariamente dominado por Gregos e Macedônios. Pode-se afirmar que o termo 
Geografia aparece em c.284-c. 192 a.C. cunhado por:
a) Erastóstenes.
b) Ptolomeu.
c) Galileu Galilei.
d) Pitágoras.
e) Tales.
FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO
25
4. Para os gregos a descrição regional pode ser feita em duas diferentes escalas: 
Geógrafos e Corógrafos. Com relação as escalas da descrição regional, assinale a 
alternativa correta:
a) Na escala do Geógrafo apreende-se a totalidade do mundo habitado, o ecúmeno.
b) Na escala do Geógrafo descrevem os locais específicos conhecidos pelos Gregos.
c) Erastóstenes cria as coordenadas geográficas para fazer carta geográficas na Escala 
Corográfica.
d) Na escala do Corógrafo interessa uma área geral.
e) Na escala do Corógrafo preocupa-se mais com o mundo do invisível. 
5. Com relação as origens da Geografia enquanto Ciência no renascimento, assinale a 
alternativa INCORRETA:
a) Durante a Idade Média, a Geografia perdeu importância no cenário científico, já que 
esse passa a ser moldado pelo conhecimento religioso, e a igreja passou a terdomínio 
de todas as questões. 
b) Após a quebra da ordem Medieval e a eminencia da era do Renascimento científico, 
com o fim do Geocentrismo apareceram novas formas de conceber a Terra.
c) Através de Copérnico a hipótese geocêntrica, a qual concebe a Terra como o centro 
do Universo cai por terra. 
d) As grandes descobertas que se sucederam as navegações, que esclareceu que o 
ecúmeno se estende ao velho e ao novo mundo, mais a zona glacial, comprovaram a 
redondeza da Terra. 
e) No século XVII, o geógrafo ganha um reconhecimento, contudo a disciplina ainda 
não era ensinada nos colégios católicos ou academias protestantes.
6. “No século XVIII, a Geografia se desenvolve a partir da cartografia, com procedimentos 
cada vez mais exatos para medir as coordenadas geográficas e utilizar dados 
estatísticos”.
Assinale uma consequência para a Geografia, a partir da afirmativa acima:
a) O campo da cartografia se destaca do resto da Disciplina Geográfica, a qual precisa 
reinventar-se. 
b) A cartografia torna-se uma divisão de conhecimentos dos astrônomos, navegadores, 
exploradores, topógrafos e eruditos, que não se relacionam.
c) No campo do geógrafo houve um ganho no suporte institucional.
d) O campo da Geografia se destaca do resto da Disciplina Cartográfica
e) O conhecimento geográfico se popularizou.
7. As origens da Geografia estão ligadas a Antiguidade Clássica, sobretudo ao 
pensamento grego. Contudo, até o século XVIII não havia um conhecimento geográfico 
unitário, nesse contexto pode-se considerar que alguns estudos de cunho geográfico, 
exceto:
a) Tales e Anaximandro, com a medição do espaço e o debate sobre a forma da terra 
(atualmente conhecido como Geodésica)
b) Heródoto com a descrição dos lugares
26
c) Odisseia de Ulisses, o qual descreve “uma evocação de seus povos e de suas cidades 
através do catalogo dos navios aqueus e dos efetivos troianos na Ilíada”
d) A Geografia que estuda sobre a Terra redonda e o seu posicionamento no cosmos, 
a ênfase da esfericidade da Terra, cunhada como método astronômico por Pitágoras.
e) Uma nova corrente de reflexão por Tales (c. 625-c 547ª.c.) a qual questionava a 
esfericidade da terra.
8. “Designam-se como Geografia: relatos de viagem, escritos em tom literário; 
compêndios de curiosidades, sobre lugares exóticos; áridos relatórios estatísticos de 
órgãos de administração; obras sintéticas, agrupando os conhecimentos existentes 
a respeito dos fenômenos naturais; catálogos sistemáticos, sobre os continentes 
e os países do Globo etc. Na verdade, trata-se de todo um período de dispersão do 
conhecimento geográfico, onde é impossível falar dessa disciplina como um todo 
sistematizado e particularizado”, (MORAES, 2005, p.11). 
O texto acima descreve um período, na História do pensamento Geográfico denominado:
a) Antiguidade clássica.
b) Renascimento científico.
c) Idade Moderna.
d) Idade Média.
e) Idade contemporânea.
27
A GEOGRAFIA CLÁSSICA 
(TRADICIONAL)
28
1. INTRODUÇÃO
 Após a perda da visibilidade do papel do geógrafo como descrito anteriormente, 
no século XIX ocorreu um renascimento da Geografia Física a partir de uma razão 
mecanicista que abarca a observação, experiência e o cálculo matemático. 
Concomitantemente, uma razão naturalista se estabelece com o conhecimento da 
Superfície da Terra (rochas, minerais, plantas) (CLAVAL, 2010).
 Com a era do Renascimento, período também denominado de século das luzes 
(Iluminismo), a Geografia obteve duas direções: A 1º perpassa pela necessidade de um 
novo modelo cosmológico que substituísse o geocentrismo; já na 2º direção caberia 
adotar a geografia clássica para os modelos fundamentais, (GOMES, 1996).
 Dessa forma, na unidade 3, busca-se compreender as condições históricas 
vivida no início do século XIX, que consequentemente influenciará na sistematização do 
conhecimento geográfico clássico, enquanto ciência.
 Vamos juntos sintonizar rumo a Geografia Clássica!
2. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA CLÁSSICA
 Assim, conhecer a extensão real do Planeta foi essencial, para se pensar no 
método unitário de estudo, da ideia de conjunto terrestre, o que só foi possível após 
as ‘Grandes navegações’ dos europeus e suas descobertas, diante de um modo de 
produção capitalista (MORAES, 2005).
 A passagem do Feudalismo para o Capitalismo, cuja Europa era o centro, que 
expandiu a sua atuação por toda Superfície Terrestre. A mundialização se constitui no 
fim do século XIX, ou seja, o conhecimento de toda a terra existente, embora nem todos 
fossem visitados (MORAES, 2005).
 Outro pressuposto para que a Geografia fosse sistematizada seria a necessidade 
de um levantamento de dados e informações sobre os vários lugares da terra, em um 
arquivo confiável que serviria de base empírica para a análise e comparação dos vários 
lugares da superfície da terra. Isso se fez necessário sobretudo, com a ocupação de 
novos territórios com o avanço do mercantilismo e os impérios coloniais, para assim 
conhecer as realidades locais. Nesse sentido a geografia do século XIX, servia para 
elaborar não só relatos de viagens como inventários e levantamentos técnicos dos 
territórios explorados pelo interesse dos Estados, fundando institutos nas metrópoles 
incumbidas desse material (MORAES, 2005).
 Outro pressuposto que precede uma Geografia unitária era o estabelecimento 
e aprimoramento da cartografia e as suas técnicas como instrumento do Geógrafo, 
para representar e localizar os fenômenos em territórios, que servia a expansão do 
comércio globalizado, pode-se citar o surgimento de cartas e atlas fundamentais para 
as navegações (MORAES, 2005).
 Portanto todos esses pressupostos aqui considerados na sistematização da 
Geografia, são influenciados e influenciam as relações capitalistas, nesse novo modo de 
produção, e transformações produzidas a nível econômico e político, “incidindo sobre 
os temas tratados pela geografia, valorizam-nos, legitimam-nos, enfim dotam-nos de 
uma cidadania acadêmica” (MORAES, 2005, p. 13).
29
FIQUE ATENTO
Kant um filósofo do Iluminismo: No século XVIII Revolução Burguesa e Industrial, ocorreram 
simultaneamente na Inglaterra e na França, ao passo que a Alemanha permanecia 
atrasada. Kant, queria combinar a ciências da natureza incorporando o homem 
ao seu discurso, seja no empirismo da ciência ou no abstrato da filosofia. Através da 
Geografia, Kant buscou conhecimentos empíricos relacionados a natureza, já na História 
(hoje aproximado ao campo da psicologia social ou antropologia) o autor buscou 
conhecimentos referentes ao homem (MOREIRA, 2008).
 As correntes filosóficas do século XVIII, conduzem os temários da Geografia para 
a afirmação das possiblidades da razão humana, uma postura progressista que refuta 
o que restara da ordem feudal, ou seja, a lógica teológica do mundo. Uma explicação 
racional do mundo, que deslegitima a visão religiosa e sua ordem social. Nesse sentido 
a geografia cumpre a sua função de explicar os fenômenos, e sistematizar conforme 
temas geográficos (MORAES, 2005).
 O Nesse contexto o interesse pela Geografia perpassa para os filósofos como 
Hegel, Montesquieu, Rousseau, Turgot e Kant e Lienbniz e dentre outros. Dentro destes 
estudos filosóficos, os temários geográficos ganham importância. Autores como kant 
ou Lienbniz dedicados a filosofia do conhecimento, trazem a questão do espaço, outros 
como filósofos como Hegel destacaram a influência do meio sobre a evolução das 
sociedades) (CLAVAL, 2010).
 Os pensadores políticos do Iluminismo também contribuíram para a sistematização 
geográfica, a partir do debate sobre as formas de poder e organização do espaço, 
sendo ideólogos da revolução burguesa. Como exemplo cita-se Montesquieu na obra 
‘O espirito das leis’, que elabora teses deterministas cujo povos que habitam regiões 
montanhosas teriam índoles pacíficas, já que teriam uma proteção natural do meio ao 
contrário de quem vive no litoral ou planícies que seriam guerreiros alertos, caso ocorra 
uma invasão (MORAES, 2005).
 Outrostrabalhos da economia política também valorizaram temas geográficos, 
através de análises da vida social advindos da necessidade das relações econômicas, 
como por exemplo o problema do aumento populacional ou a produtividade do solo.
 Na Teoria do Evolucionismo, também aparecem temas concernentes a Geografia. 
Darwin e Lamarck ao tratar das condições ambientais na evolução das espécies e 
adaptação ao meio trazem alusões aos temas geográficos, sobretudo na metodologia 
naturalista que serviu as propostas dos primeiros geógrafos (MORAES, 2005).
 Já no início do século XIX, a terra estava conhecida e os pressupostos da 
sistematização da geografia estavam estabelecidos. Na Europa o comercio conectou 
lugares distantes e relações econômicas capitalistas, nas quais o colonizador europeu 
possuíam informações de diversos pontos da Superfície Terrestre. O mundo era 
representado através da cartografia, ou seja, os mapas. A Filosofia, caminhava para 
a fé na razão humana, e as ciências naturais estavam firmadas em seus conceitos e 
categorias, sendo que a Geografia as utilizava como método científico. Nesse contexto, 
a geografia passou a ser considerada como ciência autônoma, servindo de instrumento 
de consolidação do capitalismo em alguns países da Europa (MORAES, 2005).
30
3. POSITIVISMO COMO FUNDAMENTO DA 
GEOGRAFIA TRADICIONAL
 Todas as correntes da Geografia Tradicional têm como base metodológica e 
filosófica o positivismo. Este é visto como um “conjunto de correntes não dialéticas”, 
(MORAES, 2005, p. 7).
 A redução da realidade ao mundo dos sentidos, ou seja, aos aspectos visíveis 
do real, mesuráveis e palpáveis estão no cerne dos estudos positivista. Na geografia, 
o positivismo aparece a partir da concepção “a Geografia é uma ciência empírica, 
pautada na observação”, que muito críticos consideram como uma visão reducionista 
a um mero empirismo, cujo o cientista é mero observador (MORAES, 2005).
 A descrição, enumeração e classificação dos fatos e fenômenos referentes ao 
espaço, tornou-se limitante ao propósito maior de se chegar a um conhecimento 
geográfico mais generalizador, sem um formalismo tipológico, os quais concluíam 
análises de tipos formais a-históricas e abstratas. Assim, para o estudante secundário, 
resta a memória exaustiva enumerativa (MORAES, 2005).
 O Método Positivista é originário das Ciências da Natureza. A partir do positivismo, 
evidencia-se uma ideia da existência de um único método de interpretação, que não 
considera as diversas qualidades das ciências humanas e naturais. O ser humano 
passa a ser apenas um elemento a mais na paisagem, como por exemplo nos estudos 
de populações como um conceito numérico, falando-se pouco da sociedade ou do 
especificamente humano (MORAES, 2005).
 Dentro dessa configuração, a Geografia como uma Ciência de Síntese, perpassa 
pela concepção classificatória do positivismo, a qual ordenaria todos os conhecimentos 
produzidos pelas demais ciências, que seria exaustiva em termos de abrangência, 
podendo integrar tudo que influência na Superfície da Terra. Tal concepção contribuiu 
na indefinição de um objeto de estudo (MORAES, 2005).
 Assim, o pensamento geográfico se embasou em alguns princípios de análise 
formulados pela pesquisa de campo, tidos como inquestionáveis, são eles: o princípio 
da unidade terrestre, o princípio da individualidade, o princípio da atividade, o 
princípio da conexão, o princípio da comparação, o princípio da extensão e o princípio 
da localização. Tais princípios permitiram uma generalização de posicionamentos 
metodológicos antagônicos (MORAES, 2005).
 As generalidades e vaguidades repercutiram propostas dispares e antagônicas, 
o que culminou no dualismo do pensamento Geográfico Tradicional:
Geografia Física – Geografia Humana, Geografia Ge-
ral – Geografia Regional, Geografia Sintética – Geo-
grafia Tópica e Geografia Unitária – Geografias Es-
pecializadas. Estas dualidades afloram, no trabalho 
prático de pesquisa, em vista da não-resolução do 
problema do objeto, ao nível teórico. As soluções 
propostas são, na maior parte dos casos, puramen-
te formais (linguísticas), e se diluem na pesquisa de 
 Na Alemanha aparecem os primeiros institutos e portanto as primeiras teorias, 
métodos e correntes de pensamentos no século XIX, sendo os autores Alemães Humboldt 
e Ritter considerados os ‘pais da Geografia’ (MORAES, 2005).
31
A impossibilidade de existir um conteúdo consensual 
na Geografia está no fato de o temário geral se subs-
tantivar em propostas apoiadas em concepções de 
mundo, em metodologias e em posicionamentos 
sociais diversificados, e muitas vezes antagônicos.
 Conforme Moraes (2005), essas máximas e princípios são utilizados no pensamento 
geográfico de forma não - crítica, e ao mesmo tempo inquestionáveis, haja visto que a 
sua importância se daria na sustentação e legitimidade a disciplina, que busca superar 
suas fragilidades. Desse modo, para Moraes (2005, p. 09).
FIQUE ATENTO
A unidade do pensamento da Geografia Tradicional fundamenta-se no positivismo, que 
se caracteriza pelo o empirismo e naturalismo!!!
 Conforme Moraes (2005), a diversidade metodológica é palco de conflitos, já que 
a luta de classes também se traduz no domínio de conhecimento cientifico e corrobora 
para uma luta ideológica. Desse modo, a Geografia ao aceitar o rótulo dos estudos 
que compreendem o temário geral, se não considerar a prática social como relevante, 
veicularão interesses de uma classe (MORAES, 2005).
 De tal modo, o que é a Geografia? Essa pergunta deve ser ressignificada, quando 
se compreende que existem geografias e métodos que expressam posicionamentos 
sociais de um temário geral.
4. LINHAS DE FORÇA E A FRAGMENTAÇÃO DA 
GEOGRAFIA CLÁSSICA
 Em meados do século XIX e XX, foi um período contraditório de transformações 
e permanências que geraram conflitos. Nas ciências questionamentos e descobertas 
proporcionam revoluções no pensamento científico como por exemplo com a 
descoberta da segunda lei da termodinâmica, assim como na técnica a exemplo da 
engenharia genética e microeletrônica. Já na arte, o impressionismo e representações 
do mundo de incertezas, descontinuidades e subjetividades. No campo das ciências do 
homem, aparecem tensões que sinalizam ideologias do direito dos povos decidirem 
sobre a forma e o destino vividas em sociedade, seja, por exemplo no liberalismo ou no 
socialismos (MOREIRA, 2008).
campo. Nesta, ou se dá ênfase aos fenômenos hu-
manos, ou aos naturais; ou se trabalha com uma vi-
são global do planeta, ou se avança na busca da in-
dividualidade de um dado lugar; ou se analisa a um 
nível superficial a totalidade dos elementos presen-
tes, ou se aprofunda o estudo apenas duma classe 
de elementos (MORAES, 2005, p. 09).
32
 A divisão técnica do trabalho trazido pela 2º revolução industrial, que fragmenta 
o trabalho, o pensamento e a sociabilidade exaustivamente, e na fragmentação das 
ciências e conhecimentos (MOREIRA, 2008).
 No sistema positivista, a expressão da sociedade técnica, separa o inorgânico, 
orgânico e o humano em esferas dissociadas. Nesse contexto a Geografia, foi a última 
ciência a se fragmentar, primeiro em referência à Matemática, na esfera do inorgânico, 
e só depois tardiamente na esfera do humano.
 Contudo, a modelização proposta da matemática não dará conta de se implantar 
na esfera do humano, e não se firma sem dificuldade no próprio inorgânico (MOREIRA, 
2008).
 Desse modo, os neokantianos temiam que se a ciência não fosse rigorosa não 
se sustentaria, sem os parâmetros matemáticos, os quais visavam para a ciências 
dos homens. Nesse contexto, tem-se uma projeção de uma crise na Geografia, a qual 
designou como solução o método da Matemática para o tratamento científico da 
natureza e o institucional para o tratamento científico do homem. Assim nascem as 
Ciências Naturais e as Ciências Humanas na virada do sec. XIX e XX (MOREIRA, 2008).
Figura 5: O progresso do século
Fonte: Porfirio (2020)
O período que começa,no final da segunda meta-
de do século XIX, é o período de uma nova fase. A 
fase de uma Geografia marcada pelo antagonismo 
da necessidade de fragmentar-se para estar em dia 
com a contemporaneidade do pensamento e da 
necessidade de recuperar a integralidade de visão 
de mundo que tinha antes. Está nascendo a Geogra-
fia clássica (MOREIRA, 2008, p. 16).
33
 O quadro acima foi elaborado conforme Moreira (2008). Para este autor a 
dualidade da Geografia Física- humana se desloca da Teoria neokantiana para a 
Geografia. Contudo “o modelo matemático da física clássica se encaixa na Geografia 
Física Setorial, mas o modelo sociologia-antropologia não tem o mesmo sucesso na 
Geografia Setorial Humana
Quadro 1: A fragmentação da Geografia Clássica
Fonte: Moreira (2008)
Dicotomias: A Geografia Física A Geografia Humana
Área de 
concentração:
Geomorfologia e climatologia, 
biogeografia.
Geografia agrária, Geografia 
urbana, Geografia Econômica 
– posteriormente geografia da 
população, geografia da indústria 
e a geografia do consumo.
Fundamentos e 
métodos:
Modelo física newtoniana – 
fenômenos explicados pela lei da 
gravidade. 
Extrapolam o plano da percepção 
sensível para a certeza sensível 
do mapa materializado na 
modelagem matemática 
transfigurada em cartografia. 
A Geografia humana surge 
na interface com a sociologia 
e antropologia. Compete as 
geografias humanas setoriais a 
descrição e mapeamento das 
formas, conforme os parâmetros 
da a sociologia e antropologia ou 
economia.
Vertentes A Geomorfologia distingue-se 
da Geologia, definindo-se pelo 
estudo das formas do relevo 
terrestre e a escala do tempo.
A Climatologia surge na 
fronteira com a meteorologia, 
se aprofundando as formas 
projetamento dos fenômenos 
meteorológicos na superfície 
terrestre, clima e mapeamento.
A Biogeografia surge na fronteira 
com a biologia, como descrição 
e mapeamento das formas de 
vegetação na superfície terrestre, 
interagindo com o clima e solo.
Geografia Agrária estuda a 
descrição do mapa das formas 
das relações agrarias.
Geografia Urbana estuda as 
formas das passagens urbanas 
e as relações hierárquicas das 
cidades e mercados.
Geografia econômica capta 
sensível das relações de 
Geografia Agrária e da indústria 
onde o mapa ou abstrato das 
relações da economia. 
Três formalizações vão, todavia, se estabelecer como 
formato de discurso na Geografia clássica enquanto 
modalidade de ciência moderna: I) a consolidação 
e ampliação de formas setoriais; 2) a reunião formal 
das Geografias Setoriais nas chancelas da Geogra-
fia Física, reunindo os setores de estudo da natureza, 
e da Geografia Humana, reunindo os setores de es-
tudo do homem, no sentido neokantiano do homem 
social-cultural (o ‘homem empírico’ de Foucault); 
e 3) o surgimento das alternativas unitárias, com o 
aparecimento da Geografia regional e a geografia 
da civilização (MOREIRA, 2008, p. 19).
34
 A partir da fragmentação, a Geografia se produz pelas certezas e limitações 
da vertente positivista. Primeiro se fragmenta, depois reaglutina-se, nos parâmetros 
neokantianos, contudo permanecem os dilemas do pensamento que segue, sejam eles 
da Geografia Física que não acompanha as mudanças da Física Newtoniana, ou da 
Geografia Humana que não se encontra nas ciências do homem, (MOREIRA, 2008).
 É considerável, que o fracasso a tentativa neokantiana, não oferece uma referência 
de teoria e método. No âmbito unitário, na Geografia Clássica se reconhece a Geografia 
Regional e a Geografia das Civilizações. A Geografia Regional afirma a Geografia 
Clássica, na região como unidade do físico e do humano, já a Geografia da Civilização 
se firma no discurso da relação do homem com o meio no globo (MOREIRA, 2008).
VAMOS PENSAR?
A Geografia enquanto Ciência Institucional surge na metade do século XIX, pois antes 
era embasada por uma ciência natural, os naturalistas viajavam e viam as diferentes 
paisagens naturais e faziam descrições geográficas. No século XIX qual era o papel da 
Geografia enquanto disciplina acadêmica? E hoje, o método da descrição geográfica 
ainda é utilizado?
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Em primeiro lugar, a Geografia Tradicional deixou uma ciência elaborada, um 
corpo de conhecimentos sistematizados, com relativa unidade interna e indiscutível 
continuidade nas discussões. Deixou fundamentos, que mesmo criticáveis, delimitaram 
um campo geral de investigações, articulando uma disciplina autônoma. Nesse 
processo, elaborou um temário válido.
 Em segundo lugar, a Geografia Tradicional elaborou um rico acervo empírico, 
fruto de um trabalho exaustivo de levantamento de realidades locais. Mesmo que por 
vias metodológicas também criticáveis, o valor das informações acumuladas não 
pode ser minimizado. Constituem um substantivo material para pesquisas posteriores, 
pois apresentam dados minuciosos sobre situações singulares. Neste sentido, a tônica 
descritiva foi benéfica, pois forneceu informações fidedignas.
 E, finalmente, o pensamento tradicional da Geografia elaborou alguns conceitos 
(como território, ambiente, região, habitat, área etc.) que merecem ser rediscutidos.
35
1. (CESPE - 2010 - Instituto Rio Branco) Os primeiros anos da modernidade são marcados 
pela produção de uma enorme quantidade de dados e de informações dificilmente 
tratáveis de maneira sistemática pela ciência da época. A ausência de segmentação no 
seio da ciência impossibilitava a análise de certos temas particulares nascidos desses 
dados. Assim, a partir do início do século XIX, os domínios disciplinares específicos 
organizaram-se definindo seu objeto próprio em torno dessas questões.
 Paulo César da Costa Gomes. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007, 
p. 149 (com adaptações). 
A partir do texto acima, assinale a opção correta acerca da história do pensamento 
geográfico e da institucionalização da Geografia como ciência.
a) A institucionalização da Geografia como disciplina acadêmica originou-se na França, 
com os estudos regionais empreendidos pelos herdeiros do Iluminismo do século XVIII, 
como Vidal de La Blache.
b) A Geografia firmou-se como domínio disciplinar específico na Antiguidade, com 
obras de geógrafos como Estrabão e Ptolomeu, que delimitaram o objeto de estudo 
próprio da nova disciplina que surgia: o espaço terrestre.
c) Grande parte dos historiadores da geografia atribui a Alexander von Humboldt a 
responsabilidade pelo estabelecimento das novas regras do Pensamento Geográfico 
Moderno, visto que ele rompeu com o enciclopedismo francês e abandonou as narrativas 
de viagens e as cosmografias.
d) A Geografia Moderna tornou-se científica com a ascensão do possibilismo, cujos 
ideais, já em meados do século XIX, superaram as ideias deterministas e naturalistas 
em voga no início do século.
e) A Geografia científica, que surgiu a partir do século XIX, com as obras de Alexander von 
Humboldt e Carl Ritter, foi influenciada pelo saber geográfico anteriormente produzido 
e pelo sistema filosófico de Emmanuel Kant, que considerava a Geografia uma ciência 
ao mesmo tempo geral/sistemática e empírica/regional.
2. (IDECAN - 2015 - Colégio Pedro II/ Adaptada) “Rompendo com a ordem medieval, a 
Renascença deu duas principais direções à geografia. Primeiramente, ela fez nascer a 
necessidade de um novo modelo cosmológico, a fim de substituir o sistema geocêntrico, 
o único então aceito pela Igreja. Em segundo lugar, a Renascença, ao adotar a 
Antiguidade clássica como fonte primordial de toda inspiração, também conduziu a 
geografia a tirar seus modelos fundamentais deste período.”
GOMES, Paulo César da Costa. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007, p. 127.
Sobre as características da Geografia Clássica, base da Geografia Escolar no século XIX, 
é correto afirmar que:
a) segue os modelos de Estrabão e Ptolomeu, ou seja, a Geografia Descritiva e 
Matemática, respectivamente.
b) se baseia numa visão cosmológica e regional ao mesmo tempo, como fruto dos 
projetoscientíficos de Humboldt e Ritter.
FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO
36
c) se orienta pelo modelo racionalista ou da ciência positiva empreendido no 
determinismo ratzeliano.
d) se inspira no modelo vidaliano de análise equilibrada entre Geografia Geral e 
Geografia Regional.
e) Todas as correntes da geografia tradicional têm como base metodológica e filosófica 
o Neopositivismo.
3. (CESPE - 2010 - Instituto Rio Branco) Os primeiros anos da modernidade são marcados 
pela produção de uma enorme quantidade de dados e de informações dificilmente 
tratáveis de maneira sistemática pela ciência da época. A ausência de segmentação no 
seio da ciência impossibilitava a análise de certos temas particulares nascidos desses 
dados. Assim, a partir do início do século XIX, os domínios disciplinares específicos 
organizaram-se definindo seu objeto próprio em torno dessas questões.
GOMES, Paulo César da Costa. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007, p. 127.
A partir do texto acima, assinale a opção correta acerca da História do Pensamento 
Geográfico e da institucionalização da Geografia como ciência.
a) A institucionalização da Geografia como disciplina acadêmica originou-se na França, 
com os estudos regionais empreendidos pelos herdeiros do Iluminismo do século XVIII, 
como Vidal de La Blache.
b) A Geografia firmou-se como domínio disciplinar específico na Antiguidade, com 
obras de geógrafos como Estrabão e Ptolomeu, que delimitaram o objeto de estudo 
próprio da nova disciplina que surgia: o espaço terrestre.
c) Grande parte dos historiadores da geografia atribui a Alexander von Humboldt a 
responsabilidade pelo estabelecimento das novas regras do pensamento geográfico 
moderno, visto que ele rompeu com o enciclopedismo francês e abandonou as 
narrativas de viagens e as cosmografias.
d) A Geografia Moderna tornou-se científica com a ascensão do possibilismo, cujos 
ideais, já em meados do século XIX, superaram as ideias deterministas e naturalistas 
em voga no início do século.
e) A Geografia Científica, que surgiu a partir do século XIX, com as obras de Alexander von 
Humboldt e Carl Ritter, foi influenciada pelo saber geográfico anteriormente produzido e 
pelo sistema filosófico de Emmanuel Kant, que considerava a geografia uma ciência ao 
mesmo tempo geral/sistemática e empírica/regional.
4. (UFMT - 2015 - IF-MT) No que diz respeito à relação entre as Escolas Geográficas 
nascidas no âmbito da Evolução do Pensamento Geográfico e a legitimação de 
interesses de determinados Estados-Nações, marque V para as afirmativas verdadeiras 
e F para as falsas.
( ) O Determinismo Geográfico serviu para legitimar a política expansionista 
bismarckiana, na Alemanha, baseado na supremacia do meio sobre o homem.
( ) O Possibilismo Geográfico serviu para legitimar a política colonialista francesa na 
África e na Ásia, baseado na supremacia do homem sobre o meio.
( ) A Geografia Quantitativa nasceu nos EUA, serviu para legitimar a política de que o 
desenvolvimento e o subdesenvolvimento no mundo estão intimamente relacionados 
à adoção de políticas de planejamento.
37
( ) A Geografia Neopositivista nasceu na antiga URSS, baseada em críticas aos 
postulados utilizados pela Nova Geografia inserida no mundo técnico e no enfrentamento 
à exploração das camadas populares menos favorecidas da sociedade.
( ) A Geografia Crítica nasceu na França, com a obra de Paul Claval denominada “A 
Geografia Serve Antes de Mais Nada Para Fazer a Guerra”, baseada nos pressupostos 
da justiça social e na essência das lutas entre as classes sociais.
Assinale a sequência correta.
a) V, V, F, F, F.
b) F, F, V, F, V.
c) F, F, V, V, V.
d) V, V, V, F, F.
e) F, V, V, V, V.
5. (UECE/ Adaptada) Identifique a opção em que esteja definido o caráter ideológico da 
Geografia, desde o início da expansão territorial ao capitalismo:
a) Defensora intransigente de um mundo mais justo onde o espaço seria organizado 
para felicidade das comunidades autóctones.
b) Focalizava o papel das classes sociais na organização do espaço.
c) Sempre adotou uma atitude dinâmica, buscando verificar o papel funcional das 
áreas do contexto em prol da igualdade social.
d) Serve de esteio científico para expansão do capitalismo, oferecendo-lhe maior 
conhecimento dos espaços a das sociedades de muitas colônias.
e) A Geografia era utilizada como forma de promover a igualdade social.
6. (IF-RS - 2015 - IF-RS) Na História do Pensamento Geográfico, surgiu o nome de 
grandes personalidades oriundas da Escola Alemã e Francesa, que contribuíram para 
que a Geografia evoluísse e se fortalecesse como Ciência. No livro “O que é Geografia?", 
de Ruy Moreira (2009), essa trajetória é apresentada. Relacione abaixo os geógrafos 
com as suas características ou particularidades relatadas nesta obra: 
1. Elisée Reclus. 
2. Friedrich Ratzel. 
3. Yves Lacoste. 
4. Paul Vidal de La Blache. 
5. Pierre George.
( ) Determinismo Geográfico.
( ) Nova referência para a Geografia, levando em consideração os sistemas econômico-
sociais.
( ) Homem como natureza, consciente de si mesma.
( ) Possibilismo e visão acadêmica.
( ) Escreveu o livro: “Geografia do Subdesenvolvimento” em 1965.
A correlação CORRETA, de cima para baixo é:
a) 4 – 3 – 5 – 2 – 1.
b) 2 – 5 – 1 – 4 – 3.
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c) 3 – 4 – 2 – 1 – 5.
d) 5 – 1 – 4 – 3 – 2.
e) 1 – 2 – 3 – 5 – 4.
7. (UECE 94.1) Marque a opção verdadeira:
a) O determinismo defende que o homem modifica o meio.
b) Possibilismo defende que o homem é produto do meio.
c) A Nova Geografia defende que o subdesenvolvimento é um estágio para se chegar 
ao desenvolvimento.
d) A Nova Geografia defende que o desenvolvimento é um estágio para se chegar ao 
subdesenvolvimento.
e) A Geografia Crítica apoia-se em dados estatísticos e planos para explicar a 
espacialidade social. 
8. (CACD 2016/ Adaptada) No início do século XIX, o conjunto de pressupostos históricos 
de sistematização da geografia já havia ocorrido: a Terra já estava toda reconhecida; 
a Europa articulava um espaço de relações econômicas mundial; havia informações 
dos lugares mais variados da superfície terrestre, bem como representações do globo, 
devido ao uso cada vez maior de mapas.
 Antônio Carlos Robert Moraes. Apud: Auro de Jesus Rodrigues. Geografia: introdução à Ciência 
Geográfica. São Paulo: Editora Avercamp, 2008 (com adaptações). 
O neocolonialismo teve forte influência no desenvolvimento do Pensamento Geográfico 
europeu durante o século XIX e o início do século XX. A Geografia, enquanto Ciência a 
serviço dos Estados nacionais, foi instrumento de poder europeu sob vastas extensões 
territoriais na África, na América, na Ásia e na Oceania.
A respeito desse assunto, julgue (V ou F) os itens que se seguem, tendo como referência 
o texto apresentado.
( ) Os estudos da Geografia na França, com uma formação filosófica e social mais 
humanista, voltavam-se, no período citado, para os estudos das diferenças entre as várias 
regiões do país e do mundo, com apontamentos das causas do subdesenvolvimento 
das colônias e da riqueza das metrópoles.
( ) O levantamento e a descrição de informações nos trabalhos geográficos do século 
XIX e do início do século XX foram influenciados pela ideia de multidisciplinaridade das 
ciências. Assim, as informações sobre paisagens e regiões eram apresentadas, de 
forma detalhada, com sessões conjuntas para fatos humanos (população, economia, 
povoamento etc.) e fatos naturais (clima, relevo, vegetação, geologia, hidrografia, 
recursos naturais).
( ) Os estudos geográficos constituíram, no período citado, uma justificativa ideológica 
de legitimação da exploração de outros povos pelos países imperialistas, em substituição 
à religião, cujas explicações para tal exploração estava sendo questionadas, com a 
difusão do conhecimento científico.
( ) O determinismo geográfico serviu para a legitimação das políticas expansionistas 
dos países imperialistas europeus, notadamente

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