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1 HISTÓRIA DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO Prof. Ma. Jaqueline Rocha Oliveira 2 HISTÓRIA DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO PROF. MA. JAQUELINE ROCHA OLIVEIRA 1° edição Ipatinga, MG Editora Prominas 2024 3 © 2024, Editora Prominas. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização es- crita do Editor. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. Diretor Geral: Prof. Esp. Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: Prof. Dr. William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Profa Esp. Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Profa. Ma. Cristiane Lelis dos Santos Revisão Gramatical e Ortográfica: Profª. Elislaine Santos Revisão Técnica: Profª. Ma. Juliana Padilha Revisão/Diagramação/Estruturação: Bruna Luiza Mendes Lorena Oliveira Silva Portugal Design: Bárbara Carla Amorim O. Silva Élen Cristina Teixeira Oliveira Cristiano Soares Andrade 4 Bacharela e Licenciada em Geogra- fia pela Universidade Federal de Viçosa (2011). Mestra em Extensão Rural pela Uni- versidade Federal de Viçosa (2014). Gra- duanda em Pedagogia para Liberdade. Doutoranda em Educação pela Univer- sidade Federal Minas Gerais, na linha de pesquisa 'Educação, Cultura, Movimentos Sociais e Ações Coletivas' e com o tema de estudo 'Espiritualidade Ecológica'. JAQUELINE ROCHA OLIVEIRA 5 LEGENDA DE Ícones Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes nas quais você precisa ficar atento. Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro. Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-os a suas ações. Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos conteúdos abordados no livro. Apresentação dos significados de um determinado termo ou palavras mostradas no decorrer do livro. FIQUE ATENTO BUSQUE POR MAIS VAMOS PENSAR? FIXANDO O CONTEÚDO GLOSSÁRIO 6 SUMÁRIO UNIDADE 1 O CAMPO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO GEOGRÁFICO..................................................9 1. INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................10 2. GEOGRAFIA E A PERCEPÇÃO DO MUNDO......................................................................................................10 3. A GEOGRAFIA ENQUANTO PRÁTICA E CIÊNCIA............................................................................................11 4. A GEOGRAFIA COMO SABER – O QUE É E PARA QUE SERVE?.................................................................12 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................................................................14 FIXANDO O CONTEÚDO..................................................................................................................................15 UNIDADE 2 A GEOGRAFIA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA AO RENASCIMENTO.....................................18 1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................................................19 2. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA....................................19 3. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA NO RENASCIMENTO....................................................21 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................................................23 FIXANDO O CONTEÚDO........................................................................................................24 UNIDADE 3 A GEOGRAFIA CLÁSSICA (TRADICIONAL)...........................................................................27 1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................................28 2. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA CLÁSSICA...........................................................................28 3. POSITIVISMO COMO FUNDAMENTO DA GEOGRAFIA TRADICIONAL...................................................30 4. LINHAS DE FORÇA E A FRAGMENTAÇÃO DA GEOGRAFIA CLÁSSICA...................................................31 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................................................................34 FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................35 UNIDADE 4 AUTORES DA GEOGRAFIA TRADICIONAL............................................................................40 1. INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................................41 2. AUTORES QUE SISTEMATIZARAM A GEOGRAFIA DO SÉCULOS XIX: HUMBOLDT E RITTER.............41 3. RATZEL: A ANTROPOGEOGRAFIA E A ESCOLA DETERMINISTA...............................................................43 4. VIDAL DE LA BLACHE : A GEOGRAFIA HUMANA E O POSSIBILISMO......................................................45 5. AUTORES CLÁSSICOS: RECLUS, JEAN BRUNHES, SORRE, GEORGE E TRICART.................................49 6. ALÉM DO DETERMINISMO E DO POSSIBILISMO: A PROPOSTA DE A. HETTNER E R. HARTSHOR- NE.....................................................................................................................................................................................51 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................................................................53 FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................54 UNIDADE 5 A CRÍTICA DA GEOGRAFIA TRADICIONAL E O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRA- FIA...........................................................................................................................................57 1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................................58 2. O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA E A CRISE DA GEOGRAFIA TRADICIONAL.......58 3. A GEOGRAFIA PRAGMÁTICA.............................................................................................................................60 4. A GEOGRAFIA CRÍTICA........................................................................................................................................62 5. A ABORDAGEM HUMANÍSTICA: A FENOMENOLOGIA................................................................................65 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................................................................66 FIXANDO O CONTEÚDO.................................................................................................................................68 7 UNIDADEo alemão. O geógrafo alemão Ratzel, por exemplo, teorizou a relação entre os Estados nacionais e seu território, apontando 39 que o potencial de desenvolvimento de um Estado-nação se daria basicamente pela relação entre dois fatores: a população e os recursos naturais do território. a) V, V, F, F. b) V, V, V, F. c) F, V, F, V. d) F, F, V, V. e) F, F, F, V. 40 AUTORES DA GEOGRAFIA TRADICIONAL 41 1. INTRODUÇÃO Nesta unidade, busca-se uma continuidade do pensamento anterior para uma maior compreensão do contexto histórico vivido pelos autores da geografia tradicional culminando em uma vasta produção acadêmica, e fundando duas escolas de pensamento - Possibilismo e Determinismo - que foram cunhadas na França e na Alemanha respectivamente. É importante conhecer os propósitos, posicionamentos e reflexões formuladas pelos autores clássicos, já que estes - os percussores da institucionalização da Geografia em uma disciplina Científica - irão exercer uma grande influência no pensamento geográfico posterior, seja para refutar suas ideias ou em uma continuidade de alguns propósitos, que culminará na Geografia Moderna. Vamos aproveitar para aprofundar nossos conhecimentos do que vimos até aqui! 2. AUTORES QUE SISTEMATIZARAM A GEOGRAFIA DO SÉCULOS XIX: HUMBOLDT E RITTER Para compreender a herança da obra deixada por Humboldt e Ritter é necessário compreender o contexto vivido por estes autores no século XIX. Nesse período as relações capitalistas penetram na Alemanha, um pais que até então não era constituído como estado Nacional, mas sim um conjunto de feudos desconectados de qualquer unidade econômica ou política, cujo poder era concentrado nas mãos dos proprietários de terra locais, (MORAES, 2005). As relações capitalistas penetram na Alemanha feudal, sem romper com a estrutura fundiária. As transformações econômicas foram operadas pela aristocracia agrária, sem que houvessem alteração nas relações de trabalho servil. A produção que antes era destinada ao autoconsumo, converge para o mercado exterior. O comércio local não se desenvolveu, devido as barreiras alfandegarias (MORAES, 2005). Nesse sentido, não ocorreu uma revolução burguesa na Alemanha, assim como antes ocorrera na França. Somente em 1815, com a confederação germânica, estabelece-se laços econômicos entre os reinos da Áustria e Prússia, com o fim dos impostos aduaneiros. Diante desse contexto, a Geografia apresenta-se como primordial, nos estudos sobre o espaço, como afirma o autor: A falta da constituição de um Estado nacional, a ex- trema diversidade entre os vários membros da Con- federação, a ausência de relações duráveis entre eles, a inexistência de um ponto de convergência das relações econômicas – todos estes aspectos confe- rem à discussão geográfica uma relevância espe- cial, para as classes dominantes da Alemanha, no início do século XIX. Temas como domínio e organi- zação do espaço, apropriação do território, variação regional, entre outros, estarão na ordem do dia na prática da sociedade alemã de então. É, sem dúvida, deles que se alimentará a sistematização geográfi- ca. Do mesmo modo como a Sociologia aparece na França, onde a questão central era a organização social (um país em que a luta de classes atingia um 42 Figura 6: Alexandre Von Humboldt (esquerda) e Karl Ritter (direita) Fonte: Elaborado pela autora com imagens de domínio público (2020) Nesse contexto, aparecem dois autores ligados a aristocracia que sistematizaram os primeiros estudos geográficos: Alexandre Von Humboldt e Karl Ritter. Ambos autores se destacaram na hierarquia universitária alemã (MORAES, 2005). Humboldt, realizou muitas viagens e suas obras mais importante foram: Quadros da Natureza e Cosmos. Esse autor possuía uma formação de naturalista, e o método conhecido como o “empirismo raciocinado”, isto é, a intuição a partir da observação. Humboldt foi um viajante, não preocupado em criar princípios de uma nova disciplina, e para ele a Geografia “a parte terrestre da ciência do cosmos, isto é, como uma espécie de síntese de todos os conhecimentos relativos à Terra (MORAES, 2005). Humboldt foi orientado por Ritter a partir da classificação e Coreografia das paisagens da superfície da Terra, porém com uma visão holística da Terra (incorpora a Geografia das plantas). Ritter se diferencia de Humboldt, por explicitar um método e propor uma Geografia. Se livro principal é a ‘Geografia Comparada (MOREIRA, 2008). GLOSSÁRIO Autores prussianos ligados à aristocracia: Alexandre Von Humboldt, conselheiro do rei da Prússia, e Karl Ritter, tutor de uma família de banqueiros. Ambos são contemporâneos e pertencem à geração que vivencia a Revolução Francesa: Humboldt nasce em 1769 e Ritter em 1779; os dois morreram em 1859, ocupando altos cargos da hierarquia universi- tária alemã. [...]. A formação de Ritter também é radicalmente distinta da de Humboldt, enquanto aquele era geólogo e botânico, este possui formação em Filosofia e História (MORAES, 2005, p. 16). radicalismo único), a Geografia surge na Alemanha onde a questão do espaço era a primordial (MORA- ES, 2005, p. 15). Ritter define o conceito de “sistema natural”, isto é, uma área delimitada dotada de uma individuali- dade. A Geografia deveria estudar estes arranjos individuais, e compará-los. Cada arranjo abarcaria um conjunto de elementos, representando uma to- talidade, onde o homem seria o principal elemento (MORAES, 2005, p. 16). 43 Karl Ritter tinha como referência epistemológica a Coreografia, transformada em método comparativo. Essa se traduzia em uma noção de recorte paisagístico, através da classificação taxonômica, para organizar a descrição. Esse autor extraiu o princípio do método na Geografia e a Geografia à condição de Ciência, orientado pela teoria e explicação metódica da Individualidade regional dos recortes de espaço como mosaico das paisagens, designado de Geografia Comparada (MOREIRA, 2008) Assim, no estudo da Geografia Comparada o autor busca estudar a individualidade dos lugares, conferindo um aspecto religioso a sua proposta, como uma aproximação a divindade. Para o autor haveria uma predestinação dos lugares, que se expressa como uma ordem de causalidade da natureza, cujos fenômenos obedeceria a um fim previsto por Deus, portando, uma relação homem- natureza, respaldada no antropocentrismo. O método de Ritter será o empirismo (MORAES, 2005). Ambos autores são o embasamento da Geografia Tradicional, precedendo trabalhos que irão citá-los ou refutá-los. Assim, a grande discussão da geografia vai permanecer na Alemanha durante o século XIX, embora outros autores de outros países também tiveram sua importância, a exemplo de Elisée Reclus. A próxima geração se destaca pela sistematização de estudos especializados, (MORAES, 2005). VAMOS PENSAR? A obra destes dois autores compõe a base da Geografia Tradicional. Todos os trabalhos posteriores vão se remeter às formulações de Humboldt e Ritter, seja para aceitá-las, ou refutá-las. Apesar das diferenças entre estas – a Geografia de Ritter é regional e antropocêntrica, a de Humboldt busca abarcar todo o Globo sem privilegiar o homem – os pontos coincidentes vão aparecer, para os geógrafos posteriores, como fundamentos inquestionáveis de uma Geografia unitária. Assim, estes autores criam uma linha de continuidade no pensamento geográfico, coisa até então inexistente. Além disso, há de se ressaltar o papel institucional, desempenhado por eles, na formação das cátedras dessa disciplina, dando assim à Geografia uma cidadania acadêmica. Entretanto, apesar deste peso no pensamento geográfico posterior, não deixam discípulos diretos. Isto é, não formam uma “escola”. Deixam uma influência geral, que será resgatada por todas as “escolas” da Geografia Tradicional (MORAES, 2005, p. 17). É valido considerar, que o discurso da Geografia Científica Moderna se nutriu em grande parte de C. Ritter e A. Humboldt. Assim a Geografia Moderna, reatualizouos conhecimentos, ajustando-os ao discurso científico, (GOMES, 1996). 3. RATZEL: A ANTROPOGEOGRAFIA E A ESCOLA DETERMINISTA Friedrich Ratzel foi um autor alemão (prussiano) que também teve grande importância na sistematização da geografia, no final do século XIX. Ratzel teve, um contexto diferenciado do Humboldt e Ritter. Enquanto estes foram contemporâneos apenas do aparecimento do ideal de unificação da Alemanha, Ratzel presenciou a constituição do Estado Nacional Alemão (MORAES, 2005). 44 A unificação da Alemanha foi um processo tardio, que ocorreu após uma disputa entre os reinos da Prússia e Áustria, com a Vitória do primeiro reino. Contudo, por ter unificado tardiamente, a Alemanha não participou da partilha dos territórios coloniais, o que alimentou a seu agressivo projeto de expansão imperial, com o claro propósito de incorporar novos territórios (MORAES, 2005). Nesse sentido, pensar o espaço fazia parte de um projeto estatal onde a Geografia de Ratzel contribui como “um instrumento poderoso de legitimação dos desígnios expansionistas do Estado alemão recém-constituído” (MORES, 2005, p. 18). A principal obra de Ratzel foi: Antropogeografia – fundamentos da aplicação da Geografia à História (MORAES, 2005). Figura 7: Friedrich Ratzel Fonte: Paz (2015) Nela, Ratzel definiu o objeto geográfico como o estu- do da influência que as condições naturais exercem sobre a humanidade. Estas influências atuariam, pri- meiro na fisiologia (somatismo) e na psicologia (ca- ráter) dos indivíduos e, através destes, na sociedade. Em segundo lugar, a natureza influenciaria a própria constituição social, pela riqueza que propicia, atra- vés dos recursos do meio em que está localizada a sociedade (MORAES, 2005, p.19). Para o autor a ideia de progresso está associada com o uso dos recursos do meio, e a necessidade de aumentar o território, legitimando a conquista de novas áreas, já a perca de território seria a deca- dência da sociedade. Sendo assim, o autor elabo- ra o conceito de ‘espaço vital’, “ este representaria uma proporção de equilíbrio, entre a população de uma dada sociedade e os recursos disponíveis para suprir suas necessidades, definindo assim suas po- tencialidades de progredir e suas premências terri- toriais (MORAES, 2005, p.19). A geografia proposta por Ratzel privilegiou o ele- mento humano e abriu várias frentes de estudo, va- lorizando questões referentes à História e ao espa- ço, como: a formação dos territórios, a difusão dos homens no Globo (migrações, colonizações, etc), a distribuição dos povos e das raças na superfície terrestre, o isolamento e suas consequências, além de estudos monográficos das áreas habitadas. Tudo tendo em vista o objetivo central que seria o estudo 45 FIQUE ATENTO Pelos desdobramentos expostos, pode-se avaliar o peso da obra de Ratzel na evolução do pensamento geográfico. A própria Geografia francesa, que será vista a seguir, é uma resposta às formulações desse autor. A importância maior de sua proposta reside no fato de haver trazido, para o debate geográfico, os temas políticos e econômicos, colocando o homem no centro das análises. Mesmo que numa visão naturalizante, e para legitimar interesses contrários ao humanismo (MORAES, 2005, p. 21). das influências, que as condições naturais exercem sobre a evolução das sociedades (MORAES, p. 20, 2005) Ratzel teve vários discípulos, que em suas obras construíram correntes de pensamento denominadas ‘escola deterministas’, a partir de evidencias empíricas trazendo temas como: religião, geopolítica e as escolas ambientalistas e na naturalização da história humana. Pode-se citar por exemplo o autor Huntington no livro ‘Clima e Sociedade’, o qual compreende o subdesenvolvimento como consequência do clima tropical, comparando aos Estados Unidos que também foi colônia, mas em clima temperado e teriam mais necessidades de buscar estocagem de comida e abrigo. Já na Geopolítica, formulou-se uma corrente de pensamento que se dedicou a dominação de territórios, como no caso do general Karl Haushofer, amigo de Hitler, e também teórico da Geopolítica, conferindo a está um caráter bélico de estratégia militar, influenciando os planos da expansão nazista, (MORAES, 2005). Em relação ao método, Ratzel manteve o empirismo, com procedimentos científicos de observação e descrição. Contudo, buscou uma síntese em escala planetária. Ao propor uma geografia do Homem, a visão da Ciência Natural permaneceu em sua obra, cuja causalidade dos fenômenos humanos era idêntica aos naturais (MORAES, 2005). 4. VIDAL DE LA BLACHE : A GEOGRAFIA HUMANA E O POSSIBILISMO La Blache foi um historiador de formação, professor universitário, interessado pela antiguidade. A geografia regional é tema destaque da obra ‘quadro da Geografia da França (1903) ’, ‘Geografia da Civilização, gêneros de vida’ e na obra ‘o princípio de Geografia humana (1922)’, sendo referência em estudos culturais (MOREIRA, 2008). 46 Uma escola de geografia que faz oposição a obra de Ratzel foi formulada pelo autor francês Paul Vidal de La Blache. Diferente do que foi apresentado anteriormente sobre o contexto geopolítico da Alemanha cuja a unificação ocorreu de forma tardia, a França (já unificada há alguns séculos em um poder centralizado por uma monarquia absoluta) foi o país que realizou uma revolução burguesa, e suprimiu o que restara do feudalismo, instalando-se um governo burguês, (MORAES, 2005). A classe burguesa engendrou o domínio de relações capitalistas, agindo de forma revolucionaria contra a estrutura social existente, em consonância com os interesses da sociedade, instituindo uma tradição liberal no país. Contudo, o espaço de representação política foi ampliado, trazendo à tona a luta de classes (MORAES, 2005). Em 1870 durante a guerra travada entra a França e Alemanha, em uma disputa pelo controle continental da Alemanha, esta sai vitoriosa. A França perdeu os territórios de Alsácia e Lorena. Nesse mesmo período ocorreu a Comuna de Paris e a Terceira República Francesa (MORAES, 2005). Assim como nos contextos anteriores a Ciência legitimou as doutrinas do Estado, cumprindo um papel fundamental ideológico, que desta vez se revelava pela objetividade e neutralidade que a distanciava dos interesses sociais. Nesse contexto a Geografia, foi incorporada ao ensino básico e foram criados institutos de Geografia. Assim, para a classe dominante francesa foi de interesse “fazer uma Geografia que deslegitimasse a reflexão geográfica alemã e, ao mesmo tempo fornecesse fundamentos para o expansionismo francês (MORAES, 2005). Vidal de La Blache fundou a escola Francesa de Geografia, que buscou contrapor a escola Alemã. Em consonância com a Revolução Francesa, o autor evidenciou o As jornadas de 1848 e da Comuna de Paris, e suas sangrentas repressões, atestaram o cair da másca- ra da dominação burguesa, refletindo o fim da fase heroica desta classe, que agora era dominante e lutava para manter o poder do aparelho de Estado. Os ideais e as propostas liberais e progressistas, for- jadas na fase revolucionária, caem por terra, fren- te aos imperativos autoritários demandados pela manutenção do status quo. Porém, são mantidos no discurso, como veículos ideológicos. Forjou-se uma ideologia da defesa das liberdades formais, porém subjugada a ordem. Tentou-se apresentar a instabi- lidade política e os golpes de Estado, sob uma auré- ola de legalidade (MORAES, 2005, p. 22) Figura 8: Paul Vidal de La Blache Fonte: Paz (2015) 47 ‘homem abstrato do liberalismo’. Em sua crítica a Ratzel dizia que o pensamento deveria desvincular-se dos interesses da política, e, portanto, era necessária uma neutralidade científica (MORAES, 2005). Vidal também criticou o caráter naturalista das formulações de Ratzel, dando importância ao resultado da ação humana na paisagem, em uma postura relativista. Ele superou as enumerações exaustivas e os relatos de viagens, e a natureza passoua ser uma possiblidade para ação humana, o que fez surgir uma corrente de pensamento denominada ‘Possibilismo’ (MORAES, 2005). Vidal de La Blache definiu o objeto da Geografia como a relação homem-natureza, na perspectiva de paisagem. Colocou o homem como um ser ativo, que sofre a influência do meio, porém que atua so- bre este, transformando-o. Observou que as neces- sidades humanas são condicionadas pela natureza, e que o homem busca as soluções para satisfazê- -las nos materiais e nas condições oferecidos pelo meio (MORAES, 2005, p. 25). Vidal formulou o conceito de ‘gêneros de vida’ “o qual exprimiria uma relação entre a população e os recursos, uma situação de equilíbrio, construída historicamente pelas sociedades. A diversidade dos meios explicaria a diversidade dos gêneros de vida” (MORAES, 2005, p. 25). Outro ponto a se destacar na crítica de Vidal ao expansionismo da Alemanha, ao mesmo tempo que legitima a ação colonial francesa que para o autor, as fronteiras europeias estariam definidas por séculos de histórias de uma civilização, (MORAES, 2005). É valido considerar que Vidal embasou uma Geografia humana, contudo numa perspectiva da população ou da relação homem-natureza, mas não de relações sociais e relação entre os homens, o que revela que mesmo com o dado histórico o naturalismo permanece na proposta do autor (MORAES, 2005). FIQUE ATENTO Em termos de método, a proposta de Vidal de La Blache não rompeu com as formulações de Ratzel, foi antes um prosseguimento destas. As únicas diferenças residiram naqueles pontos de princípio já discutidos. Vidal era mais relativista, negando a ideia de causalidade e determinação de Ratzel; assim seu enfoque era menos generalizador. De resto, o fundamento positivista aproxima as concepções dos dois autores, e, vinculado a este, a aceitação de uma metodologia de pesquisa oriunda das Ciências Naturais. Vidal, mais do que Ratzel, hostilizou o pensamento abstrato e o raciocínio especulativo, propondo o método empírico-indutivo, pelos quais só se formulam juízos a partir dos dados da observação direta, considera-se a realidade como o mundo dos sentidos, limitasse a explicação aos elementos e processos visíveis. La Blache propôs o seguinte encaminhamento para a análise geográfica: observação de campo, indução a partir da paisagem, particularização da área enfocada (em seus traços históricos naturais), comparação das áreas estudadas e do material levantado, e classificação das áreas e dos gêneros de vida, em “séries de tipos genéricos”. Assim, o estudo geográfico, na concepção vidalina, culminaria com uma tipologia (MORAES, 2005, p. 26). 48 Figura 9: A Geografia clássica e seus conceitos Fonte: Ferreira (2018) Vidal fundou a escola francesa de Geografia, criou uma doutrina o ‘Possibilismo’ e trouxe o eixo do debate geográfico para a França, com vários discípulos, dentre os quais aprofundaram os estudos especializados sobre o conceito de Regiões, “esta era a denominação dada a uma unidade de análise geográfica, que exprimiria o espaço terrestre” (MORAES, 2005, p. 27). Desse modo, foram realizadas especializações que culminou em uma Geografia Agrária, Geografia Urbana, Geografia Econômica. Dentre os discípulos de Vidal, se destacaram Sorre, M. Le Lannou e A. Cholley, Sorre, propôs uma reciclagem da Geografia Humana, a partir dos estudos sobre Ecologia Humana, “desta forma, a ideia de espaço geográfico de Sorre é a de espaços sobrepostos (o físico, o econômico, o social, o cultural etc.), em inter-relação” (MORAES, 2005, p. 30). M Le Lannou concebeu a Geografia como “eminentemente regional, definindo- lhe o objeto como “o homem habitante”. Assim, entendeu a questão das formas de ocupação e exploração do solo, como a fundamental, e o estudo dos sistemas de trabalho e das instalações humanas, como importante”, (MORAES, 2005, p. 30). Por fim “para Cholley, a Geografia teria por objetivo as “combinações” existentes na superfície do Planeta [...] e concebeu a Geografia como uma “Ciência de Complexos”, tentando, em sua proposta, restaurar a unidade entre a Geografia Física e Humana” (MORAES, 2005, p. 30). 49 FIQUE ATENTO A sequência Vidal de La Blache – Sorre – Le Lannou e Cholley mostrou uma continuidade de fundamentos e concepções. Na verdade, foi o desenvolvimento da mesma proposta, que se poderia considerar a majoritária, no pensamento geográfico tradicional, e que teve, na Geografia Regional, sua principal objetivação. No geral, tratou-se do estabelecimento de fato de uma Geografia Humana, explicitamente dedicada ao estudo de fenômenos humanos (a humanização do meio, a organização humana do espaço etc.), que teve, porém, sua ótica orientada para o produto da ação humana, não para os processos sociais que a engendraram. Assim, uma Geografia Humana, não uma ciência social (MORAES, 2005, p. 30). Figura 10: Abordagem teórico-metodológica da geografia francesa Fonte: Dutra e Rente (2009) 5. AUTORES CLÁSSICOS: RECLUS, JEAN BRUNHES, SORRE, GEORGE E TRICART Reclus tem uma formação iluminista, o qual compreende a razão como emancipação do homem. Ele é um geógrafo das práxis, que aderiu ao anarquismo e foi exilado por ter se envolvido na Comuna de Paris em 1871 (MOREIRA, 2008). A sua principal obra foi “A terra descrição dos fenômenos da vida do globo (1869)”. Nessa obra o autor busca um olhar libertário para compreender a natureza do homem, que nasce racional e livre, sendo escravizado pelas cadeias da sujeição social. Ele tem influência russeana. Reclus traduz o homem em um ser consciente livre e atuante: “o homem é a natureza adquirindo consciência de si própria, (MOREIRA, 2008). 50 Jean Brunhes (1869 - 1940) também é considerado um grande clássico, dedicou muitos trabalhos a geografia da França e das regiões semiáridas do Mediterrâneo, no uso coletivo da agua em escassez. Seu conceito chave são os ‘fatos essenciais’, que valoriza os dados visuais e empíricos trazendo a paisagem e a cartografia como métodos da reflexão geográfica. O autor criou princípios geográficos, e foi o introdutor do pensamento dialético da Geografia, (MOREIRA, 2008). As obras de ambos (Brunhes e La Blach) convergem na importância metodológica, dos princípios da localização e distribuição. Como por exemplo em uma descrição de casas, bosques, trajetos e ruas que circundam os campos e as plantações, e a gênese das cidades que integra e comanda a circulação dos caminhos. Os princípios, por sua vez, em Geografia humana, tratam da descrição e distribuição do homem na superfície terrestre, com seus núcleos que dão origem a expansão e organização do homem na terra (MOREIRA, 2008). FIQUE ATENTO As obras de La Blache e Reclus convergem para o tema da civilização, e sua capacidade de progredir com os avanços tecnológicos modernos. Contudo, Reclus traz um olhar crítico e o ideário de uma sociedade igualitária e Vidal de La Blache um olhar conservador na abordagem da ciência acadêmica (MOREIRA, 2008). VAMOS PENSAR? La Blache compreende a relação do homem com a técnica e o meio, que conduzem as migrações, o povoamento humano e a ocupações que dão origem ao quadro atual. Para ele a técnica é componente essencial para o gênero de vida, na organização do espaço. Já, Brunhes revela a técnica como potencializadora do trabalho como força de ação construtiva destrutiva que culmina na dialética da ordem-desordem do espaço. Diante disso, qual a diferença entre umas práxis geográficas do tom social e político e umas práxis geográfica neutra? Na sala de aula, é possível combinar um conhecimento neutro e ao mesmo tempo político? Diante disso, qual a diferença entre umas práxis geográficas do tom social e político e umas práxis geográfica neutra? Na sala de aula, é possível combinar um conhecimento neutro e aos mesmo tempo político? Sorre (1880-1962), foi um geógrafo de trajetória intelectual acadêmico que viveu durante a segunda revolução industrial. O autor analisa a técnica como elemento-chavede interpretação das paisagens e do espaço. Ele estuda a importância da técnica para as Ciências, na relação do homem com o meio e a ecologia, sendo também designado de Geografia Ecológica (MOREIRA, 2008). Sorre da continuidade aos clássicos, mas criando um novo quadro metodológico, consagrando conceitos como: ecúmeno, habitat, localização, sitio, distribuição. O foco da análise é o conceito de complexidade, pelo qual ele vê o todo e as partes da extensão terrestre (MOREIRA, 2008). 51 FIQUE ATENTO Podemos dizer que Sorre, é o elo de ligação entre Reclus, Vidal de La Blache e Brunhes e os subsequentes George e Tricart. George e Tricart são engajados nas ideias e problemas de sua época, aderem ao Marxismo e filiam ao partido comunista Francês. São intelectuais que vivem um mundo da segunda revolução industrial transformados pela técnica e monopólios produtivos, e de mobilizações políticas de classes sociais que lutam por mudanças que influenciam em suas obras (MOREIRA, 2008). Pierre George (1920-2005) se destacou por ser o geógrafo que mais escreveu entre os clássicos, em vários campos da Geografia. O foco de sua obra é o espaço, que designa como “estruturador geográfico das sociedades na história (MOREIRA, 2008, cap.2)” cuja sociedade de espaços organizados com base agrícola e sociedade de espaços organizados com base industrial. A técnica é o elo do homem com o meio natural (MOREIRA, 2008). Jean Tricart (1920 - 2003) também tem uma vasta produção, contudo acrescenta como ponto de partida a Geomorfologia, cujo o espaço físico- geomorfológico integrado em um todo sistêmico cada vez mais integrado. O foco inicial na dinâmica da natureza para ampliar ao mundo humano (MOREIRA, 2008). Enquanto George orienta-se pela combinação das categorias espaço – técnica, conforme as condições de existência humana, e da ação humana, direcionando a Geografia Social., Tricart combina as categorias meio ambiente, espaço e técnica, tendo a ação humana como referência dos feitos da técnica sobre o meio. Nesse sentido, espaço e meio ambiente geram dicotomia entre os autores. A luz dos autores, que de Reclus a Vidal e de George a Tricart foram formuladas um século de pensamentos, e pouca sistematização foram realizadas sobre as ideias dos estudiosos do pensamento geográfico, ou seja, da epistemologia, o que deu margem para outras escolas de pensamentos reformularem e ganhar voz (MOREIRA, 2008). 6. ALÉM DO DETERMINISMO E DO POSSIBILISMO: A PROPOSTA DE A. HETTNER E R. HARTSHORNE Dentro da Geografia Tradicional outros grandes autores foram: A. Hettner e R. Hartshorne. Estes são os fundadores de uma outra corrente do pensamento geográfico, que foi por alguns denominada de ‘Racionalista’. Com uma menor carga de empirismo, esta perspectiva se respaldou mais no raciocínio dedutivo, (MORAES, 2005). Alfres Hettner, foi um Geógrafo alemão que publicou suas obras entre 1890 e 1910, professor universitários que propôs um caminho diferente do determinismo e possibilismo, (MORAES, 2005). 52 Figura 11: Hartshorne (esquerda) e Hettner (direita) Fonte: Adaptado de Paz (2015) Hettner vai propor a Geografia como a ciência que estuda “a diferenciação de áreas”, isto é, a que visa explicar “por quê” e “em que” diferem as proporções da superfície terrestre diferença está que, para ele, é apreendida ao nível do próprio senso comum. Para Hettner, o caráter singular das diferentes parcelas do espaço adviria da particular forma de inter-rela- ção dos fenômenos aí existentes. A Geografia seria então o estudo dessas formas de inter-relação dos elementos, no espaço terrestre (MORAES, 2005, p. 31). Houve pouca divulgação das ideias do autor, porém o Geografo americano Richard Hartshorne trouxe à tona as obras de Hettner. Nesse contexto, os Estados Unidos já haviam destacado como agente de dominação cultural do Ocidente, após a 1º guerra mundial. Desse modo, a partir de 1930 foram criadas duas escolas de Geografia nos Estados Unidos, sendo uma na Califórnia cujo maior expoente foi o autor Carl Sauer com os estudos das ‘paisagens culturais’, elaborando a geografia cultural, aproximando da Antropologia. A outra escola do Meio-Oeste propôs estudos do tipo ‘formação de redes de transporte’, aproximando da Sociologia funcionalista e da Economia. Contudo foi a obra de Hartshorne que mais se destacou, sobretudo pela sua amplitude e método, (MORAES, 2005). A primeira diferença da proposta de Hartshorne residiu em este defender a ideia de que as ciências se defini- riam por métodos próprios, não por objetos singulares. Assim, a Geografia teria sua individualidade e autori- dade decorrentes de uma forma própria de analisar a realidade. O método especificamente geográfico viria do fato de essa disciplina trabalhar o real em sua com- plexidade, abordando fenômenos variados, estudados por outras ciências. Para Hartshorne, o estudo geográ- fico não isolaria os elementos, ao contrário trabalha- ria com suas inter-relações. A forma antissistemática seria mesmo a singularidade da análise geográfica. Desta forma, Hartshorne deixou de procurar um objeto da Geografia, entendendo-a como um “ponto de vis- ta”. Seria um estudo das inter-relações entre fenôme- nos heterogêneos, apresentando-as numa visão sin- tética. Entretanto, as inter-relações não interessariam em si, e sim na medida em que “desvendam o caráter variável das diferentes áreas da superfície da Terra”. Pois, para Hartshorne, a Geografia seria um estudo da “variação de áreas (MORAES, 2005, p. 32). 53 As propostas de Hartshorne, por um lado, e de Cholley e Le Lannou por outro, encerram as derradeiras tentativas da Geografia Tradicional. Finalizaram um ciclo, que teve sua unidade dada pela aceitação de certas máximas tidas como verdadeiras, a saber: a ideia de ciência de síntese, de ciência empírica e de ciência de contato. Hartshorne, o que mais se afastou destas colocações, sem romper com o pensamento tradicional, já representava um papel de transição, (MORAES, 2005). Nesse capítulo, optou-se pela compreensão dos autores da Geografia Tradicional, o movimento de renovação virá no capítulo posterior. FIQUE ATENTO A Geografia de Ratzel e a de Vidal tiveram sua raiz filosófica no positivismo de Augusto Comte, a qual foi passada acriticamente para seus seguidores. A Geografia de Hettner e Hartshorne fundamentava-se no neokantismo de Rickert e Windelband, (MORAES, p. 31, 2005). Portanto, os conceitos chaves estabelecidos por Hartshorne foi de ‘área’ e ‘integração’, e nessa perspectiva o autor organizou duas formas de estudo geográfico. A primeira Geografia conhecida como ‘Idiográfica’, se pautava em uma análise singular de vários elementos de um local, dando profundidade aos estudos. Uma segunda forma de estudo seria a Geografia Nomotética, a qual faria inter-relação de fenômenos de vários lugares, chegando a um ‘padrão de variação’ dos mesmos fenômenos tratados. Esses estudos abriram várias possiblidades de temas como por exemplo, a Geografia do Petróleo que integra fenômenos a escala mundial. Tais estudos, proporcionou o uso da quantificação dos elementos e a instrumentalizou por computadores dos planejamentos (MORAES, 2005). FIQUE ATENTO Hartshorne (1899-1992) pertence a tradição Norte-Americana, inspirado por Carl. O. Sauer (1889-1975) e a escola Meio-Oeste (Chicago) e tem como categoria de referência ‘área’ e ‘diferença’, (MOREIRA,2008). 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS BUSQUE POR MAIS Para os clássicos originários, Humboldt e Ritter sugere-se a leitura: Gênese da geografia Moderna, Antônio Carlos Robert Moraes (Moraes, 1989). E para ampliar a leitura dos clássicos sugere-se: A geografia política e geopolítica de Wanderley Messias da Costa (COSTA, 1992) (MOREIRA, 2008) 54 1. (UVA/2007.2 / Adaptada) “Apesar de o homem receber influências do meio onde vive, ele é capaz de modificá-lo e adaptá-lo às suas necessidades”. Esta afirmação está de acordo com a teoria: a) determinista. b) possibilista.c) malthusiana. d) mais-valia. e) marxista 2. (UECE-91.2) A ideologia segundo a qual os povos mais inteligentes e os mais cultos são os das zonas temperadas, enquanto os da zona trópica, em função do clima quente, são os mais indolentes, resultando disso o desenvolvimento e o subdesenvolvimento, essa postura é defendida pelo (a): a) geografia crítica. b) darwinismo geográfico. c) determinismo geográfico. d) possibilismo geográfico. e) geografia pragmática. 3. (UVA/2005.1/adaptada) Houve teorias que procuravam explicar, a partir dos fatores naturais, principalmente o clima, desigualdades sociais e econômicas entre os povos. Essa interpretação, bastante cômoda, é fruto de uma escola que pode ser caracterizada como: a) pragmática. b) evolucionista. c) possibilista. d) determinista. e) marxista. 4. (UVA 2004.2/ Adaptada) "A geografia conheceu, num passado recente, um movimento vigoroso de renovação teórica, que exercitou com radicalidade a crítica às perspectivas tradicionais e introduziu novas orientações metodológicas no horizonte de investigação dessa ciência." Analise as alternativas abaixo que tratam das concepções, escolas e evolução da Geografia. I. Sendo a Geografia uma ciência de transformação e elaboração do espaço, a mesma faz uma interconexão entre o espaço da produção, circulação e ideias no decorrer do tempo histórico. FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO 55 II. A principal mudança no ensino da Geografia é a passagem, que ainda ocorre, de uma Geografia Tradicional e descritiva voltada para a memorização, para uma Geografia Crítica preocupada com o raciocínio e o espírito crítico do aluno. III. O principal livro de Friedrich Ratzel, denomina-se Antropogeografia – fundamentos da aplicação da Geografia à História; pode-se dizer que esta obra funda a Geografia Humana. Nela, Ratzel definiu o objeto geográfico como o estudo da influência que as condições naturais exercem sobre a humanidade. IV. Vidal de La Blache criou uma doutrina, o Possibilismo, e fundou a escola francesa de Geografia. E, mais, trouxe para a França o eixo da discussão geográfica, situação que se manteve durante todo o primeiro quartel do século XX. Estão corretos: a) somente o item IV. b) somente os itens I e III. c) todos os itens. d) somente os itens II e IV. e) nenhum dos itens. 5. (CESPE – 2017) As ideias que fizeram contraponto à tese de Vidal de La Blache no século XIX estão sistematizadas no pensamento de: a) Karl Marx, que influenciou o desenvolvimento da geografia marxista. b) Milton Santos e seu estudo do espaço em objetos e ações. c) Yves Lacoste e sua geografia a serviço do Estado Maior. d) David Harvey e sua produção capitalista do espaço. e) Friedrich Ratzel, alemão e teórico do determinismo geográfico. 6. (FGV - 2014 - SEDUC-AM) Para a maioria dos historiadores da geografia, Alexander Von Humboldt é considerado o primeiro a, verdadeiramente, estabelecer as novas regras do pensamento geográfico moderno. Gomes, Paulo Cesar da Costa. Geografia e Modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996 Com relação à obra de Humboldt, analise as afirmativas a seguir. I. Humboldt retomou a observação direta e a descrição detalhada dos naturalistas e juntou a elas uma preocupação permanente de proceder a comparações gerais e evolutivas. II. Cada observação de Humboldt era analisada separadamente e em seguida recolocada em conexão com as outras, a fim de resgatar uma verdadeira cadeia explicativa. III. O olhar de Humboldt tinha por objeto os elementos mais variados do meio físico, mas não se limitava a eles, observava também os elementos sociais. Assinale: a) se somente a afirmativa I está correta. b) se somente a afirmativa II está correta. c) se somente as afirmativas I e II estão corretas. d) se somente as afirmativas II e III estão corretas. 56 e) se todas as afirmativas estão corretas. 7. (FUNCEFET – 2011/ Adaptada) Vidal de La Blache definiu o objeto da Geografia como a relação homem-natureza, na perspectiva da paisagem. Colocou o homem como um ser ativo, que sofre influência do meio, porém que atua sobre ele, transformando-o. Essa corrente do Pensamento Geográfico denomina-se: a) Geografia Crítica. b) Determinismo. c) Possibilismo. d) Darwinismo Social. e) Fenomenologia. 8. (CEPERJ - 2013 - SEDUC-RJ) A origem da Geografia é antiga. Desde a Antiguidade, inúmeros pensadores elaboraram estudos que tinham o enfoque geográfico, mesmo que esses estudos permeassem, também, vários outros campos do conhecimento. Kant, Humboldt, Ritter, Ratzel, La Blache, Lacoste e Santos. São referências no desenvolvimento da Ciência Geográfica. Cada qual com sua análise, negando e/ou agregando conhecimento, contribuíram para a elaboração da Geografia que conhecemos hoje. Destacando o posicionamento do geógrafo francês Paul Vidal de La Blache, é correto afirmar que sua contribuição para o desenvolvimento da Geografia está pautada: a) na visão denominada determinista, considerando a influência que as questões naturais exercem sobre à humanidade, dando à Geografia um caráter de ciência natural. b) na crítica ao método puramente descritivo e na defesa do possibilismo, em que os seres humanos são influenciados pela natureza, mas também agem sobre ela, transformando-a. c) na distinção entre a Geografia dos “Estados-maiores” – a serviço do Estado e do capital –, e a “Geografia dos professores” – ensinada nas escolas e presente nos livros didáticos. d) na crítica ao atraso tecnológico da geografia tradicional, passando a utilizar sistemas matemáticos e computacionais para a interpretação do espaço geográfico. e) no enfoque esquerdista, inspirado nas ideias marxistas, buscando uma renovação da Geografia e sua desvinculação dos interesses dominantes. 57 A CRÍTICA DA GEOGRAFIA TRA- DICIONAL E O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA 58 1. INTRODUÇÃO No início do século XX, a eminente Geografia humana ganha uma notável expressão na opinião pública e dos Governos. A Geografia “concorre para formar cidadãos e lhes ensina a conhecer e amar seu país. Ela guia a expansão colonial” (CLAVAL, 2010, p.115). Porém com o advento da primeira Guerra Mundial, o nacionalismo que foi responsável pelo conflito passa a ser questionado por alguns geógrafos. O alicerce institucional da Geografia Clássica permanece, porém ela já não responde aos problemas da época (CLAVAL, 2010). Em meados da década de 1950 a Geografia Tradicional perpassa por uma crise em busca de novos caminhos, linguagens, propostas que ensejam mais liberdade para reflexão. “As certezas ruíram, desgastaram-se. E, novamente, pergunta-se sobre o objeto, o método e o significado da Geografia” (MORAES, 2005, p. 34). Desse modo, o movimento de Renovação se manifesta, superando e enterrando a Geografia Tradicional, instaurando-se críticas e novas discussões e caminhos metodológicos (MORAES, 2005). Portanto, busca-se nesta unidade 5 refletir sobre as seguintes questões: Quais as razões da crise da Geografia Tradicional no Brasil e no mundo? Quais as correntes de pensamento geográfico ganharam força a partir da instauração de uma nova Geografia? Vamos refletir juntos! 2. O MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA E A CRISE DA GEOGRAFIA TRADICIONAL Para Moraes (2005) em primeiro lugar alterou-se a base social, onde o modo de produção capitalista havia passado do estágio concorrencial para o monopolista, ou seja, predominando os grandes monopólios e trustes. Após a crise de 1929, a necessidade de intervenção do estado na economia sobrepôs o liberalismo econômico. Portanto, o Estado passa a ter um papel importante na regulação da economia, necessitando de um planejamento econômico, e mais ainda de um planejamento territorial na organização do espaço, o que geraria para as ciências humanas a necessidade de um instrumento de intervenção com viés mais tecnológico, cuja geografia Tradicional apresentava defasagem, não acompanham o ritmo da mudança (MORAES, 2005). Para o autor, outro fator gerador da crise da geografiaTradicional seria a complexidade da realidade a partir do desenvolvimento do capitalismo, podemos citar os novos fenômenos da urbanização como as megalópoles, a modernização da agricultura com a industrialização e mecanização, a globalização nos fluxos em escala planetária, onde as comunidades locais poderiam a desaparecer articulando- se as redes da economia globalizada (...). Assim a Geografia tradicional não conseguia explicar, descrever e representar os fenômenos da superfície terrestre, e o movimento de Renovação buscará novas técnicas como exemplo, o sensoriamento remoto (MORAES, 2005). Por fim, para Moraes (2005) o pensamento filosófico que fundamentava a Geografia Tradicional também entrou em declínio, ou seja, o positivismo clássico, visto como simplista e sendo negado por todos geógrafos da Renovação (MORAES, 2005). 59 Além disso, para Moraes (2005) haviam algumas lacunas e questões de formulações alvos de crítica, como por exemplo a indefinição do objeto de análise geográfico. Em relação a busca pelo objeto próprio, o autor Claval (2010) pondera que um dos motivos da Geografia entrar em crise, seria reduzindo a análise dos gêneros de vida ou das regiões à análise das paisagens, porém ignorando os efeitos da circulação. Nessa perspectiva, Claval (2010) considera que a análise de gêneros de vida é realizada em sociedades simples, com uma divisão de trabalho fraca que não compreende a uma sociedade onde a especialização avançada do trabalho e das trocas se tornam complexa na sociedade capitalista moderna. Assim, a Geografia torna-se defasada, fala-se muito mais de um passado do que uma atual conjuntura, a qual acelera-se o processo de descolonização e o aprofundamento das desigualdades e subdesenvolvimento entre países que se industrializaram mais que os outros. Diante desses novos problemas era necessário repensar a geografia (CLAVAL, 2010). Edward Ullman e Jean Gottmann em suas publicações questionam o naturalismo da Geografia Clássica. Ullman (1980), destaca as insuficiências da Geografia, e argumenta a necessidade de conhecer os deslocamentos de pessoas mercadorias e o fluxo de informações. “A Geografia que ele arquiteta é construída sobre vias, redes, nós de comunicação, campos de força, áreas centrais e zonas periféricas” (CLAVAL, 2010, p.117). Para Gottmann, os grupos humanos utilizam os recursos naturais que necessitam, porém, a fixação não é explicada pela ecologia, mas sim pelo simbólico. Ademais, outra questão seria a falta de explicações genéricas ou leis, salvo exceções como em Hartshorne. “Estes dois pontos articularam-se nas dualidades que permearam toda a produção geográfica: Geografia Física e Geografia Humana, Geografia Geral e Geografia Regional, Geografia Sintética e Geografia Tópica” (MORAES, 2005, p.35). O movimento de renovação divide a Geografia em duas vertentes: Crítica e Pragmática. A escolha dos autores da geografia renovada entre as vertentes perpassa por posicionamento sociais, engajamentos políticos ou interesses a que servem, o que confere posturas filosóficas e metodologias diversas. Para Moraes (2005), a crise da Geografia Tradicional é benéfica, já que engendra um pensamento crítico, com possibilidades para uma Geografia mais ‘generosa’. 60 Passa-se, de um conhecimento que levanta infor- mações e legitima a expansão das relações capita- listas, para um saber que orienta esta expansão, for- necendo-lhe opções e orientando as estratégias de alocação do capital no espaço terrestre. Assim, duas tarefas diferentes, em dois momentos históricos dis- tintos, servindo a um mesmo fim. Nesse sentido, o pensamento geográfico pragmático e o tradicional possuem uma continuidade, dada por seu conteúdo de classe – instrumentos práticos e ideológicos da burguesia (MORAES, 2005, p.38). 3. A GEOGRAFIA PRAGMÁTICA A renovação do pensamento geográfico é concebida pela Geografia Pragmática a partir da década de 1950. A grande crítica dessa vertente frente a Geografia Tradicional diz respeito ao seu caráter não-prático, ou seja, uma análise de situações do passado que não informa a ação, sendo, portanto, insuficiente como instrumento de intervenção na realidade. Desse modo, a corrente de pensamento pragmática propõe uma instrumentalização de uma nova Geografia aplicada, “seu intuito geral é o de uma “renovação metodológica”, o de buscar novas técnicas e uma nova linguagem, que dê conta das novas tarefas postas pelo planejamento. A finalidade explícita é criar uma tecnologia geográfica, um móvel utilitário” (MORAES, 2005, p.37). Todavia, a crítica dos autores geógrafos pragmáticos insere-se a um viés formal acadêmico, não questionando os fundamentos da crise da Geografia Tradicional, e nem os compromissos sociais, uma vez que se mantem o conteúdo de classe, onde o planejamento ressoa como uma função incumbida as ciências humanas pelas classes dominantes, ou seja o Estado Burguês. Moraes (2005) argumenta sobre a continuidade do pensamento Tradicional e Pragmático: Moraes (2005) também revela que os métodos de atualização técnica e linguística, visa um discurso burguês, passando de um Positivismo Clássico (Geografia Tradicional) para o Neopositivismo (Geografia Pragmática), o que pode ser concebido como uma renovação conservadora da Geografia. Com relação ao método o autor revela que: Troca-se o empirismo da observação direta (do “ater-se aos fatos” ou dos “levantamentos dos as- pectos visíveis”) por um empirismo mais abstrato, dos dados filtrados pela estatística (das “médias, variâncias e tendências”). Do trato direto com o tra- balho de campo, o estudo filtrado pela parafernália da cibernética. Nesse processo, sofistica-se o dis- curso geográfico, tornam-se mais complexas a lin- guagem e as técnicas empregadas. Da submissão total aos procedimentos indutivos (e toda a Geogra- fia Tradicional faz o elogio da indução) passa-se a aceitar também o raciocínio dedutivo. Da contagem e enumeração direta dos elementos da paisagem, para as médias, os índices e os padrões. Da descri- ção, apoiada na observação de campo, para as cor- relações matemáticas expressas em índices. Nesse processo, há um empobrecimento do grau de con- cretude do pensamento geográfico. Apesar da sofis- ticação técnica e linguística, este permanece formal (preso às aparências do real), e agora mais pobre, porque mais abstrato (MORAES, 2005, p.37). 61 VAMOS PENSAR? Assim, diante da complexidade do mundo atual, qual o campo de atuação da Geografia para além do planejamento estatal? FIQUE ATENTO Em suma, esta é uma das vertentes do movimento de renovação, do pensamento geográfico, conhecida também ‘Nova Geografia’. Aquela que engaja a produção dessa disciplina no projeto da manutenção da realidade existente, sendo assim a vertente conservadora. O saldo da Geografia Pragmática é um desenvolvimento técnico, minimizado frente ao empobrecimento real da análise por ela empreendida. As várias correntes da Geografia Pragmática representam uma das opções postas para quem faz Geografia na atualidade. Sua aceitação decorrerá do posicionamento social do geógrafo, sendo assim um ato político, uma opção de classe, (MORAES, 2005). Não obstante, a Geografia Pragmática se diferencia em algumas propostas sendo a primeira - Geografia Quantitativa - cujo temário se explica por métodos matemáticos. Uma segunda objetivação seria a Geografia Sistêmica ou Modelística, a qual é elaborada por um computador originando-se da economia. Essa proposta concebe um nível mais genérico de análise, a partir de modelos que são válidos em toda superfície terrestre, cujas partes articulam-se por fluxos em um Geossistema (MORAES, 2005). No Brasil essas propostas descritas acima aparecem como a Geografia Teorética, a partir do uso instrumental quantitativo, sistêmico e modelístico. Dentro da Geografia Pragmática, existe também uma proposta que se aproxima da Psicologia, denominada Geografia da Percepção ou Comportamental, que explicam porexemplo o comportamento do homem urbano, e a valorização subjetiva do território. (MORAES, 2005) Assim as técnicas também são dotadas de ideologia, ao se dissimular com uma neutralidade, mascara interesses definidos por um planejamento para a “manutenção da realidade existente, atuando no sentido de neutralizar os conflitos e facilitar a ação do Estado” (MORAES, 2005, p.40). Uma crítica a essa corrente, se revela pelo empobrecimento a reflexão geográficas, haja visto que se perde na unidade presente da Geografia tradicional, nos procedimentos de observação direta, simplificando-os a partir de relações matemáticas meramente quantitativa, tornando-se abstrato. Assim, para a Geografia Pragmática a região é dada pela dinâmica do planejador, como um processo anti-histórico, (MORAES, 2005). 62 FIQUE ATENTO Apesar de politizar o discurso geográfico, esta geografia da denúncia, que também é conhecida como Geografia Radical, manteve o método descritivo empirista, o que em termos metodológicos não rompeu com a Geografia Tradicional, apenas introduziu novos temas com os mesmos procedimentos de análise regional instrumentalizado numa epistemologia positivista, (MORAES, 2005). Um grande autor que produziu uma crítica a Geografia Tradicional foi Yves Lacoste, no livro “A Geografia serve, antes de mais nada, para fazer a guerra”. Esse autor, em uma perspectiva transformadora, argumenta sobre dois planos do saber geográfico: Geografia dos Estados-Maiores” e a “Geografia dos Professores”. O primeiro relaciona- se à prática do poder, uma geografia que estabelece estratégias de ação de empresas monopolistas e do Estado. Já o segundo plano, estabelece o conhecimento geográfico como ‘inútil’ e apolítico, mascarando sua rela intenção de levantar dados sobre todos 4. A GEOGRAFIA CRÍTICA O Pensamento Geográfico também foi renovado por outra vertente: a Geografia Crítica, que teve seu apogeu na década de 1970. Esta possui um conjunto de propostas, que tem em comum a ruptura com o pensamento de todas correntes anteriores, a partir de uma crítica radical frente as propostas existentes, apresentada a seguir por Moraes (2005): A Geografia Crítica não se preocupa apenas com o pensamento acadêmico tradicional, mas sobretudo com as raízes sociais. Ao nível acadêmico fazem uma crítica ao empirismo da geografia Tradicional, “que manteve suas análises presas ao mundo das aparências, e todas as outras decorrências da fundamentação positivista” (MORAES, 2005, p.42) Essa estrutura acadêmica permitiu o acumulo de equívocos como “o apego às velhas teorias, o cerceamento da criatividade dos pesquisadores, o isolamento dos geógrafos, a má formação filosófica etc. E, mais ainda, a despolitização ideológica do discurso geográfico”, (MORAES, 2005, p.42) Desse modo, vinculam-se as teorias geográficas existentes ao imperialismo e à expansão, que está associado as razões do Estado. Assim o caráter ideológico dessas correntes geográficas tradicionais, entendia a população de um território como homogênea, e não atentavam para a divisão em classes na sociedade capitalista. Portanto, a Geografia Critica desmistifica a ideia de ‘objetividade’. Os autores da Geografia crítica, “se posicionam por uma transformação da realidade social, pensando o seu saber como uma arma desse processo. São, assim, os que assumem o conteúdo político de conhecimento científico, propondo uma Geografia militante, que lute por uma sociedade mais justa”, (MORAES, 2005, p. 42) É valido considerar que a Geografia Crítica tem suas influências pela ala progressista da Geografia Regional francesa, esta dá uma grande importância ao elemento humano nos processos econômicos e sociais, com autores como Jean Dresvh, (MORAES, 2005). 63 os pontos da superfície da terra para os Estados Maiores (MORAES, 2005). Para o autor o conhecimento geográfico é um instrumento de dominação burguesa, e diante disso “é necessário construir uma visão integrada do espaço, numa perspectiva popular, e socializar este saber, pois ele possui fundamental valor estratégico nos embates políticos”, (MORAES, 2005, p43). Pierre George se destacou nesse movimento de geografia crítica, a partir da introdução de conceitos marxistas, utilizando o conceito de Materialismo Histórico em sua metodologia de analise regional. (MORAES, 2005) Os estudos temáticos dedicados ao conhecimento das cidades também tiveram grande ênfase com a contribuição de autores não geógrafos como do sociólogo M. Castels e do filosofo H. Lefebvre e M. Foucault. Desse modo, a Geografia Crítica abre-se as influências externas, sendo esta uma meta, (MORAES, 2005). Alguns autores da geografia Crítica merecem destaque como David Harvey, A. Lipietz, J., Anderson e entre outros, (MORAES, 2005). Ademais, é valido elucidar a grande obra do Geógrafo Milton Santos, esse foi um expoente que trouxe uma vasta e importantíssima obra para a Geografia Crítica, sendo o livro de claro conteúdo: ‘Por uma Geografia Nova’. Nesta obra o autor “Tenta dar uma Milton Santos argumenta que é necessário discutir o espaço social, e ver a produção do espaço como o objeto. Este espaço social ou humano é histórico, obra do trabalho, morada do homem. É assim uma realidade e uma categoria de compreensão da rea- lidade. Toda sua proposta será então uma tentativa de apreendê-lo, de como estudá-lo. Diz que se deve ver o espaço como um campo de força, cuja ener- gia é a dinâmica social. Que ele é um fato social, um produto da ação humana, uma natureza socializa- da, que pode ser explicável pela produção. Afirma, entretanto, que o espaço também é um fator, pois é uma acumulação de trabalho, uma incorporação de capital na superfície terrestre, que cria formas durá- veis, as quais denomina “rugosidades”. Estas criam imposições sobre a ação presente da sociedade; são uma “inércia dinâmica” – tempo incorporado na paisagem – e duram mais que o processo que as criou. São assim uma herança espacial, que in- flui no presente. Por esta razão, o espaço é também uma instância, no sentido de ser uma estrutura fixa e, VAMOS PENSAR? No século XIX, período de conflitos entre os Estados, a Geografia foi fundamental para definir o território e para a construção do Estado Nacional, assim como as outras disciplinas: Antropologia a Biologia e a História. Desse modo, a Geografia crítica é a corrente que questiona o papel da Geografia enquanto conhecimento utilizado para o planejamento estatal, a serviço de uma classe social ou mesmo para fazer guerra. Diante do panorama atual da Geografia, o questionamento da década 1970, merece o estatuto cientifico? 64 como tal, uma determinação que atua no movimen- to da totalidade social. As formas espaciais são re- sultadas de processos passados, mas são também condições para processos futuros. As velhas formas são continuamente revivificadas pela produção pre- sente, que as articula em sua lógica. Caberia, antes de mais nada, entender como se dá este movimento (MOREAS, 2005, p.46). resposta para a questão primordial desse volume: o que é a Geografia. Ou, melhor, como deve ser a análise do geógrafo” (MORAES, p. 46, 2005). Para o autor, Assim, aqui trazemos de forma bem resumida o pensamento do geógrafo Milton Santos. Este considera que o espaço é produzido por uma determinada tecnologia, cultura e organização social que é imposta pelo ritmo de acumulação capitalista. Nesse sentido, a unidade de análise do Geógrafo deve ser o Estado Nacional, que dirige a ordem espacial e obedece a lógica do capital e não aos interesses dos homens. Assim, a desigualdade é engendrada pela divisão territorial do trabalho, e impõe uma hierarquização dos lugares, já que o processo de modernização não atinge a todos os lugares sincronicamente (MORAES, 2005). É valido considerar que a Geografia Crítica abarca propostas e fundamentos metodológicos diferenciadas, sejam eles estruturalistas, existencialistas, analíticos, marxistas, porém com os objetivos e princípioscomuns em relação ao viés crítico em oposição a realidade social e espacial contraditória. Concebe-se a ciências como práxis, e dentro da diversidade, abrem-se caminhos para o debate, avanços e reflexões buscando uma transformação da ordem social vigente (MORAES, 2005) Nesse sentido, dizer que a Geografia está em crise pode alimentar novos horizontes: O pensamento geográfico vivencia na atualidade um amplo processo de renovação. Rompe-se com as descrições áridas, com as exaustivas enumera- ções, enfim com aquele sentimento de inutilidade que se tem ao decorar todos os afluentes da mar- gem esquerda do rio Amazonas. Este movimento abrange novas perspectivas para o geógrafo. Alguns dirão que a Geografia está em crise. Porém, como já afirmou um combativo companheiro: “viva a crise”. Pois esta enseja uma revisão crítica do que tem sido esta disciplina (MORAES, 2005, p.48). Figura 12: Yves Lacoste (esquerda) e Milton Santos (diretita) Fonte: Adaptado de Paz (2015) 65 Além do livro, assista o documentário: O mundo global visto do lado de cá, através do link: https://shre.ink/gQXm. Acesso em: 09 de Dez. de 2024 BUSQUE POR MAIS Milton Santos, apresentada em seu livro ‘Por uma Geografia Nova’, uma tentativa de sintetizar outros trabalhos, representando uma proposta geral para o estudo geográfico – é assim um livro de claro conteúdo que pode ser acessado pelo link a seguir: https://shre.ink/gQv5. Acesso em: 09 de Dez. de 2024. 5. A ABORDAGEM HUMANÍSTICA: A FENOMENOLOGIA Na década de 1970 eclodem críticas a Nova Geografia a partir de questionamentos do pensamento ocidental. A fenomenologia e as correntes radicais põem em xeque as abordagens clássicas e os adeptos da nova Geografia. Claval (2010), realiza uma revisão do pensamento Ocidental sobre os pressupostos da Geografia. O autor elucida como se constrói a terra dos homens, e que é preciso compreender que os seres humanos não vivem da mesma forma. Nesse sentido, para além das práticas e habilidades que desenvolvem para inserir-se na sociedade, os seres humanos possuem emotividade, sensibilidade e experiências. Essa compreensão, se revela em outra dimensão da Geografia: “o significado da experiência vivida, na maneira pela qual os homens constroem o espaço na qual se desenvolvem” (CLAVAL, 2010, p.124). Portanto, enquanto a Geografia Clássica que se detinha na relação homem/ natureza. Para a Geografia Humanística, a fixação dos grupos humanos é mais simbólica que biológico, é o caso da lógica da circulação e organização em rede revelam a eclosão das cidades cujas áreas centrais tornam-se mais atraentes “Concebida como ecologia do homem, a geografia humana analisa os meios que os grupos concretizam para tirar sua subsistência do meio ambiente para habitá-lo (..)e destaca o papel da inovação técnica” (CLAVAL, 2010, p.134) Assim, é considerável que o apego aos lugares vividos, pelo sentido e sentimentos que o lugar provoca, a paisagem que porta uma memória constrói sentimento de pertencimento, carrega símbolos, da vida, da festa, da emoção e da comemoração. Cabe a geografia o interesse pelas religiões, ideologias e pela dimensão subjetiva da experiência dos lugares. Essa é a abordagem do espaço como construção simbólica, a qual faz parte da corrente de pensamento da Fenomenologia. Conforme Claval (2010) alguns temas de estudo, que são atuais seria: o gênero na condição feminina em sua emancipação; e o pós colonialismo a partir da convivência e interação entre as culturas pós colonialistas. 66 Figura 13: Escolas de Pensamento Geográfico (caracterização geral) Fonte: Reis Jr. (2011) BUSQUE POR MAIS A primeira manifestação clara dessa renovação crítica pode ser detectada na proposta da Geografia Ativa, nome de um livro (escrito por P. George, Y. Lacoste, B. Kayser e R. Guglielmo), que marcou toda uma geração de geógrafos. Entenda melhor sobre o movimento de renovação da Geografia a partir do artigo: A Geoografia francesa, disponível no link: https://shre.ink/gQEB. Acesso em: 09 de Dez. de 2024. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, compreendeu-se que a Geografia está em constante transformação conforme cada período engendrado pelo contexto histórico e científico vivenciado. A crise da Geografia leva a profundas reflexões quanto ao método e o rigor da técnica utilizada, culminando em uma Geografia Pragmática; ao posicionamento social que gerou a Geografia Crítica; e as interações simbólicas do indivíduo no espaço 67 geográfico que formulou uma Geografia Humanística. É válido salientar que que esse movimento de renovação não é unitário como foi na Geografia Tradicional. Como posto anteriormente, há uma diversidade de métodos e interpretações que levam a diversos caminhos propostos pelos autores, o que Moraes (2005, p.36) considera: A busca do novo foi empreendida por variados ca- minhos; isto gerou propostas antagônicas e pers- pectivas excludentes. O mosaico da Geografia Re- novada é bastante diversificado, abrangendo um leque muito amplo de concepções. Entretanto, é possível agrupá-las, em função de seus propósitos e de seus posicionamentos políticos, em dois gran- des conjuntos: um pode ser denominado Geografia Pragmática, outro Geografia Crítica. 68 1. (URCA – 2001) “O espaço é concebido como lócus da reprodução das relações sociais de produção, isto é, reprodução da sociedade.”. O autor refere-se ao desenvolvimento da análise do espaço no âmbito da: a) Geografia Tradicional, em que muito se apoia na Teoria do Determinismo Geográfico; b) Geografia Teorética-quantitativa, calcada no raciocínio hipotético-dedutivo do positivismo lógico; c) Geografia Crítica, que adota o materialismo histórico e dialético como paradigma; d) Geografia Humanística, assentada na subjetividade e no conceito; e) Geografia Tradicional francesa, calcada nos conceitos de meio, ação humana e gênero de vida. 2. (CS-UFG – 2016 / Adaptada) Ao longo do desenvolvimento da Geografia, vislumbrou- se uma diversidade de objetos de análise, com vistas ao alcance de cientificidade dessa área do conhecimento. Considerando o contexto atual, uma das principais defesas que tem balizado o debate teórico-metodológico dessa área de conhecimento é o de que essa ciência objetiva. a) Realizar grandes sínteses globais, mediante o inventário e a organização do material coletado, segundo grandes eixos explicativos. b) Analisar o elemento visível, o real, concebido como aquilo que se apresenta, evidenciando o interesse pelo concreto. c) Compreender a lógica do arranjo espacial relacionada ao princípio de coerência na ordem espacial. d) Explicar os fenômenos atuais por meio de uma reconstrução histórica, mediante fatos selecionados. e) Analisar pelo método positivista. 3. QUESTÃO 3 (CS-UFG - 2016 / Adaptada) Leia o texto a seguir, que apresenta uma abordagem desenvolvida pela Ciência Geográfica. [Essa abordagem] divide o estudo geográfico em quadros físicos, humanos e econômicos. Assim, tem-se, por exemplo, nos trabalhos monográficos [...]: a localização da área, por meio de projeções cartográficas; o quadro físico: como relevo, solo, hidrografia, clima, vegetação etc.; a formação histórica de ocupação humana do território; a estrutura agrária; a estrutura urbana; a estrutura industrial etc. Finalmente, apresenta-se uma conclusão, com um conjunto de cartas, objetivando demonstrar uma relação entre os elementos humanos e naturais […]. RODRIGUES, Auro de Jesus. Geografia: introdução à ciência geográfica. São Paulo: Avercamp, 2008. p. 86. A abordagem expressa no texto é da Geografia: a) Pragmática. b) Cultural. c) Determinista. FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO 69 d) Regional. e) Possibilista 4. (UFC) Considerando o tratamento dado à questão do subdesenvolvimento, pelas Escolas Geográficas, assinale V para o que for verdadeiro e F para o que for falso. ( ) Na Escola Determinista, a questão do subdesenvolvimento coloca-se como resultado dos condicionantes naturais. ( ) Na Escola Possibilista,a superação do subdesenvolvimento dar-se-á após o contato com a civilização. ( ) A adoção de políticas de industrialização não era considerada pela Escola Quantitativista, ao tratar da possibilidade de Superação do subdesenvolvimento. ( ) Na Escola da Geografia Crítica, a questão do subdesenvolvimento é vinculada à situação da dependência e exploração existente entre países. a) F, F, F e V. b) V, F, V e V. c) V, V, F e V. d) F, F, V e V. e) V, V, V e V. 5. (UECE) “Uma das grandes metas conceituadas da Geografia foi justamente de um lado, esconder o papel do Estado bem como o das classes sociais na organização da sociedade e do espaço. A justificativa da obra colonial fio um outro aspecto do mesmo programa (M. Santos)”. As nações teórico-metodológicas que invertem essas metas conceituadas estão contidas na: a) Geografia Teórica. b) Geografia Descritiva. c) Geografia Crítica. d) Geografia de Percepção. e) Geografia Teorética. 6. (UFC-92.2) Modifica no que diz respeito à relação entre as escolas da geografia e a legitimação dos interesses de determinados estados-nações, é verdadeiro afirmar: (marque V ou F). ( ) O Determinismo Geográfico serviu para legitimar a política expansionista bismarckiana na Alemanha. ( ) O Possibilismo Geográfico, embora utilizando-se do discurso da neutralidade científica, atendia aos interesses da França, ao contrapor-se a política colonialista francesa na África e na Ásia. ( ) A Nova Geografia (Geografia Quantitativista), nos pós 45, escamoteia a realidade vivência pelos países subdesenvolvidos, ao afirmar que a situação de pobreza de miséria existente é um estágio superável da adoção de política de planejamento eficazes. 70 ( ) A Geografia Crítica segue os mesmos postulados da Geografia Tradicional e da Nova Geografia. ( ) A Geografia Crítica desmascara a Geografia Tradicional e a Nova Geografia ao demonstrar o papel da Geografia na legitimação dos interesses das classes hegemônicas. 7. (UECE/ Adaptada) Nos últimos anos a Ciência Geográfica têm passados por grandes mudanças conceituais e metodológicos. Esse processo evolutivo, já nos fornece a ideia que a Geografia: a) deve limitar a estudar os aspectos físicos dos territórios, para sociólogos explicarem a vida de sociedade. b) a ciência de base para entender os fenômenos climáticos, como a seca e as enchentes. c) busca, a partir das relações entre os homens e deste com a natureza no ocorrer dos tempos, a explicação da organização do espaço. d) é a ciência que estuda as relações dos homens com a natureza. e) deve se ater aos estudos dos fenômenos naturais e humanos separadamente. 8. (UECE) São várias as Correntes de Pensamentos Geográficos ou Paradigmas da Geografia a última corrente a ser incorporada que passou a existir conflitamente com as anteriores foi o(a): a) Geografia Teórica. b) Determinismo Ambientalismo. c) Método Regional. d) Geografia Crítico-dialética. e) Geografia Positivista. 71 O PENSAMENTO GEOGRÁFICO NO BRASIL 72 1. INTRODUÇÃO Conforme Moreira (2010) podemos identificar duas épocas distintas dentro do pensamento geográfico no Brasil: 1° - Até 1930 – Período em que a Geografia era formulada pelos viajantes cronistas e naturalistas e até os retratistas e romancistas. 2º - Entre 1930 a 1940 - quando os geógrafos de formação vêm para o Brasil fundar as universidades e, portanto, a geografia formal, e logo em seguida os institutos de pesquisa a exemplo do IBGE. Portanto, nessa unidade será estudado como a Geografia se estabeleceu no Brasil em diferentes épocas, e se institucionalizou como Ciência nas universidades e institutos, a luz da influência das correntes de pensamento vigente no mundo. Vamos conhecer nossa Geografia? Os homens e seus laços com a natureza, a paisa- gem e as formas de organização do espaço que são as categorias do olhar do especialista são ob- jeto de registro de uma série de trabalhos de autoria de viajantes, cronistas e naturalistas em seu afã de apreender o significado do país nascente desde o primeiro século da colonização (MOREIRA, 2010, p. 20) 2. A PRÉ-HISTÓRIA DA GEOGRAFIA NO BRASIL: VIAJANTES, JESUÍTAS, ENSAÍSTAS Até o começo no século XIX toda literatura com olhar para descrição, classificação e localização das paisagens brasileiras acontecem na perspectiva do olhar europeu, sobretudo pela historiografia portuguesa. Essa é a literatura dos viajantes, cartógrafos, naturalistas, pintores, comissões geológicas, expedições (MOREIRA, 2009). Nesse período a Geografia é formulada a partir das narrativas de modos de vida, hábitos e costumes comunitários e as relações do homem com a natureza no período quinhentista, do qual Moreira define: Figura 14: Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500 Fonte: Oscar Pereira da Silva (1922) 73 Conforme Moreira (2009), a instituição da Geografia brasileira já nasce clássica. Além da literatura dos viajantes, cartógrafos, naturalistas, pintores, comissões geológicas, expedições, os estudos de institutos com viés estatístico- geográfico como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE - 1939) e a Associação Brasileira de Geógrafos (AGB- 1934), contribuíram para o início de uma sistematização da bibliografia e uma cartografia do Brasil (MOREIRA, 2009). Contudo, somente no começo do século XX aparecem as primeiras obras de Geografia no Brasil, dos autores Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho. Este introduziu uma visão francesa moderna em suas obras no período de 1910 a 1920, que foi precursor dos primeiros cursos universitários no Brasil. Já Backheuse baseou-se na Geografia Alemã de Ratzel na Antropogeografia e alguns conceitos de geopolítica franceses. Contudo, foram os professores na maioria franceses como Pierre Deffontaines e Norte Americanos que inserem a geografia acadêmica no Brasil nas universidades de São Paulo e Rio de Janeiro, inspirados pela Geografia de Vidal de La Blache (MOREIRA, 2009). E válido considerar, que uma geografia aplicada aparece nas produções do IBGE em formato brasileiro. Os primeiros autores do IBGE são engenheiros, porém nos anos 1940 já aparecem os geógrafos de formação que vieram das primeiras universidades brasileiras (MOREIRA, 2009). De 1930 a 1950, foi o período da criação das universidades de São Paulo e Rio de Janeiro e do IBGE. Em 1956 aconteceu o Congresso Internacional da União Geográfica Internacional – UGI, e a partir daí uma vasta produção bibliográfica e de artigos de autores cada qual com um recorde de área do espaço brasileiro, foram distribuídos nas diversas regiões de atuação. Outro marco importante da institucionalização da Geografia Científica no Brasil foram os Congressos Brasileiros de Geografia (MOREIRA, 2009). 3. INSTITUCIONALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA GEOGRAFIA CIENTÍFICA NO BRASIL: UNIVERSIDADES E ORGANISMOS GOVERNAMENTAIS Assim, os relatórios vindos de relatos de cronistas portugueses na ocupação colonial quinhentista e os relatórios seiscentistas, possuem um olhar de alteridade dos conflitos de ocupação da terra do outro que se diferencia pelo olhar dos viajantes (MOREIRA, 2010). Figura 15: Pierre Monbeig e Pierre Deffontaines no II° Congresso brasileiro de geógrafos Fonte: Dutra e Rente (2009) 74 FIQUE ATENTO A geografia brasileira já nasce clássica e identifica-se principalmente com os pensadores franceses e depois com os norte-americanos. São chamados de clássicos os autores geógrafos que consolidaram a Geografia Moderna dentre os principais: Alexander Von Humboldt (1769- 1859), Karl Ritter (1779 – 1859), G. Foster e I. Kant (1724 - 1804) (MOREIRA, 2008). BUSQUE POR MAIS O livro de Yves Lacoste: A Geografia serve, antes de mais nada, para fazer a guerra. Disponível em: https://shre.ink/g2hi. Acesso em: 09 de Dez. de 2024 Entre a década de 1950 e 1970, a Geografia atinge o seu auge e ao mesmo tempo uma grande crítica se estabelece. Nesse período a Geografia Brasileira já presencia os dilemas da criseda Geografia Clássica, a exemplo dado pelo autor Yves Lacoste que denuncia a sensação de inutilidade, e um desejo de mudanças diante de limitações teóricas e práticos-operacionais da Geografia até então (MOREIRA, 2009). A nova Geografia, no viés aplicado (pragmático) é marcada por um discurso formalista, a qual se reduz a um olhar geométrico sobre o espaço, com conteúdo rasos, e fragmentados em campos setoriais específicos. Já no viés francês a Geografia, conhecida como ‘Geografia Ativa’ tem inspiração no viés marxista, a qual as classes sociais é conceito estruturante. A Geografia do Brasil se constitui na década de 1950, período auge da Geografia Clássica e ao mesmo tempo início da fase em que entra em crise, (MOREIRA, 2009). A crítica que se instaura nos anos 1950-1960 advém da necessidade de encontrar “uma nova forma de teoria geral da Geografia que permita ver a realidade saída do contexto de duas guerras e que modifica a passos acelerados aquela deixada para trás” (MOREIRA, 2009, p.47). Assim, somente nos anos 1970 uma segunda onda do movimento de renovação fica mais evidente (MOREIRA, 2009). O que diferencia os clássicos dos ‘novos’? A categoria de enfoque dos clássicos é a paisagem e a dos ‘novos’ é o espaço. No Brasil, essas categorias orientam a visão de mundo dos autores, que de certa forma subentendida, mas ao mesmo tempo ordenam as relações na sociedade. A paisagem se relaciona às comunidades primitivas/ comunitárias e o espaço à sociedade capitalista moderna. Próximo a virada do século XIX para o XX a paisagem-comunidade aparece como referência, ao passo que em meados do século XX o espaço-capitalismo vai ganhando notoriedade nos escritos (MOREIRA, 2009). 75 VAMOS PENSAR? Como exposto nas unidades anteriores a Geografia perpassou pelas dualidades: sociedade – natureza, Geografia física – geografia humana, Geografia Geral e Geografia Regional, Geografia Sintética e Geografia Tópica. O Brasil recebeu a herança da dualidade da Geografia Clássica, culminando muitas vezes na fragmentação do conhecimento, seja na Geografia institucional como por exemplo nos levantamentos estatísticos do IBGE, ou mesmo na Geografia Acadêmica e Escolar. Diante disso, quais os ganhos de uma Geografia compartimentada? E quais as possibilidades para uma Geografia Geral no contexto atual? Para Moreira (2008), a matriz francesa é originaria do pensamento no Brasil, fundamentando primeiros cursos universitários em São Paulo e no Rio de Janeiro, dentre os geógrafos pode-se citar: Pierre Monbeig, Pierre Deffontaines e Francis Ruellan que rememoram em nossa formação a geografia de Vidal de La Blache, Brunhes, Reclus, Sorre, George Tricart e o Norte Americano Hartshorne. Cada um se diferencia como criador de uma matriz de discurso geográfico, revelando-se em três distintas gerações contemporâneas de uma mesma episteme que refletem as ideias do seu tempo, (MOREIRA,2008). Portanto, os geógrafos que tiveram papel chave na formação da Geografia brasileira foram: Elisée Reclus, Paul Vidal de La Blache, Jean Brunhes, Max Sorre, Pierre George, Jean Tricart e Richard Harstshorne (MOREIRA,2008). 76 BUSQUE POR MAIS Leia o artigo História da ciência geográfica: espectro temático e uma versão descritiva. Disponível em: https://shre.ink/g2K3. Acesso em: 09 de Dez. de 2024. Neste artigo o professor Dante Flávio da Costa Reis Júnior faz uma reflexão sobre a história do pensamento geográfico no Brasil. 4. CONCLUSÃO Nas unidades anteriores compreendeu-se que a Geografia foi cunhada pelos Gregos, na antiguidade clássica, mas só foi sistematizada como Ciência no século XIX na Alemanha com a escola Determinista, na França com a escola Possibilista, e logo depois nos Estados Unidos com a Geografia regional. No Brasil, a Geografia foi influenciada pela Escola Francesa desde o século XX, porém na década de 1930 a Geografia ganhou forças a partir de sua institucionalização com a criação dos cursos superiores, da Associação do Geógrafos Brasileiros (AGB) e do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Portanto, a Geografia do Brasil já nasceu clássica e ao mesmo tempo herdando a crise do pensamento geográfico desta corrente de pensamento. A partir da década de 1940, no Brasil surgiu a Nova Geografia, conhecida como Geografia Quantitativa ou Teorética. Essa escola de pensamento se respaldou na Tradição Positivista, cujo método de análise é a estatística, a lógica técnica, o cálculo matemático, e sobretudo uma neutralidade cientifica que não se interessa pelas diferenças de classes sociais e o contexto histórico-político, contudo, essa escola de pensamento contribuiu significativa para o planejamento das ações Estatais, contrariando o princípio da neutralidade cientifica. No Brasil essa escola de pensamento foi predominante contexto da ditadura militar. Por outro lado, como contraponto uma nova corrente de pensamento geográfico surgiu no Brasil, denominada de Geografia Crítica, a qual foi alavancada na década de 1970 e tinha inspirações na dialética e na luta de classes, se preocupando com as questões sociais. E válido lembrar, do grande expoente dessa corrente de pensamento: Milton Santos, autor que foi consagrado mundialmente pela qualidade de sua vasta obra. Além da Geografia crítica, na contemporaneidade a Geografia humanística e a Ecológica tem ganhado visibilidade, esta pelo contexto das injustiças ambientais e aquela pela valorização da experiência do indivíduo em seu espaço vivido. A luz dessas questões, lembre-se que cada corrente de Pensamento Geográfico predomina em determinado período, porém elas coexistem no decorrer da História do Pensamento Geográfico. 77 1. Conforme Moreira (2010), podemos identificar duas épocas distintas dentro do Pensamento Geográfico no Brasil: 1. Até 1930 – Período em que a Geografia era formulada pelos viajantes cronistas e naturalistas e até os retratistas e romancistas. 2. Entre 1930 a 1940 - quando os geógrafos de formação vêm para o Brasil fundar as universidades e, portanto, a geografia formal, e logo em seguida os institutos de pesquisa a exemplo do IBGE. Avalie as afirmativas acima: a) Ambas afirmativas estão corretas. b) Ambas afirmativas estão incorretas. c) 1 está incorreta e 2 está correta. d) 1 está correta e 2 está incorreta. e) Poderia acrescentar na alternativa 1 que nesse período a Geografia é formulada a partir dados estatísticos. 2. No Brasil até começo do século XIX, a Geografia é concebida da seguinte forma: “Os homens e seus laços com a natureza, a paisagem e as formas de organização do espaço que são as categorias do olhar do especialista são objeto de registro de uma série de trabalhos de autoria de viajantes, cronistas e naturalistas em seu afã de apreender o significado do país nascente desde o primeiro século da colonização”, (MOREIRA, 2010, p. 20). A afirmativa que melhor explica a Geografia descrita acima é: a) As narrativas de modos de vida, hábitos e costumes comunitários e as relações do homem com a natureza no período quinhentista. b) A crítica a dominação europeia sobre o Brasil. c) A regionalização da superfície terrestre. d) A valorização da cultura e do modo de vida dos nativos que viviam no Brasil. e) A utilização de tecnologias para quantificar o estudo regional. 3. Somente no começo do século XX aparecem as primeiras obras de Geografia no Brasil, dos seguintes autores com exceção de: a) Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho introduziram uma visão francesa moderna em suas obras no período de 1910 a 1920. b) Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho foram precursores dos primeiros cursos universitários no Brasil. c) Backheuse baseou-se na Geografia Alemã de Ratzel na Antropogeografia e alguns conceitos de geopolítica franceses. FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO 78 d) Os professores na maioria franceses como Pierre Deffontaines e Norte Americanos que inserem a Geografia Acadêmica no Brasil nas universidades de São Paulo e Rio6 O PENSAMENTO GEOGRÁFICO NO BRASIL...........................................................................71 1. INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................72 2. A PRÉ-HISTÓRIA DA GEOGRAFIA NO BRASIL: VIAJANTES, JESUÍTAS, ENSAÍSTAS...........72 3. INSTITUCIONALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA GEOGRAFIA CIENTÍFICA NO BRASIL: UNIVERSIDADES E ORGANISMOS GOVERNAMENTAIS...................................................................73 4. CONCLUSÃO...........................................................................................................................................76 FIXANDO O CONTEÚDO...................................................................................................................77 GABARITO.....................................................................................................................................80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................................81 GLOSSÁRIO...................................................................................................................................83 8 C O NF IR A NO LI VR O UNIDADE 1 Vamos compreender melhor a diferença entre a Geografia prática do nosso dia a dia como percepção do mundo e o campo do conhecimento do saber científico, que refletirá sobre a seguinte questão: O que é a Geografia? Para que serve e qual o objeto de estudo da Geografia? UNIDADE 2 Buscaremos compreender as origens e pressupostos da Geografia desde a Antiguidade Clássica ao Renascimento, bem como o contexto que o conhecimento geográfico adquiriu uma legitimidade a partir da Cartografia, culminando na diferenciação entre geógrafos e corógrafos, e posteriormente na Gênese da Geografia Física UNIDADE 3 Iremos entender as origens e pressupostos da Geografia Clássica, a partir da escola conhecida como positivismo, a qual cunhou a Geografia enquanto Ciência Institucional no século XIX, estruturando conceitos e métodos, que posteriormente se fragmentaram em: Geografia Física e Geografia Humana. UNIDADE 4 Vamos aprofundar a compreensão da Geografia Clássica, a partir dos principais autores que a sistematizaram - Humboldt e Ritter; bem como os fundadores da escola Determinista – Ratzel e da escola Possibilista - Vidal de La Blache, a partir do contexto histórico vividos por estes autores, na França e na Alemanha, que influenciou em suas formulações. UNIDADE 5 Será enfatizado a crise da Geografia Tradicional a partir de uma crítica que leva ao movimento de renovação da Geografia, que irá culminar nas seguintes escolas do pensamento geográfico: Geografia Crítica, Geografia Tradicional, Geografia Humanística. Essas escolas rompem com o método positivista, porém haverão diversos métodos e interpretações que levam a distintos caminhos propostos pelos autores. UNIDADE 6 Serão estudados como a Geografia se estabeleceu no Brasil até 1930 – período conhecido como Geografia vernacular, e após esse período, quando houve a institucionalização da Geografia como Ciência nas universidades e institutos, a partir da influência da Geografia clássica e posteriormente rompendo com esta, culminando na adoção das outras correntes do pensamento geográfico: geografia teorética, Geografia crítica e a Geografia Humanística. 9 O CAMPO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO GEOGRÁFICO 10 A Geografia está presente no dia a dia! Os seres humanos, desde tempos remotos tiveram que desenvolver habilidades para sobre viverem no ambiente natural, se alimentar, construir moradias e proteger a prole. Com o passar do tempo, em sua experiência prática cotidiana os homens construíram conhecimentos empíricos, os quais são transmitidos e comunicados através das gerações a partir da oralidade, originando uma cultura. A necessidade de orientar-se, primeiro através do próprio corpo, depois pelo uso dos recursos da natureza, sejam pelos rios e vertentes mais próximos ou o tipo de vegetação que marcam os caminhos percorridos pelos seres humanos, contribuiu para a criação dos registros que se transformaram em linguagem escrita (textos) ou cartográficas (mapas), através de topônimos e depois pelos pontos cardeais, essencial para localizar-se no espaço geográfico e para locomoção dos diversos grupos humanos (CLAVAL, 2010). Nesse sentido a geografia enquanto Prática e Ciência leva a uma percepção de mundo, seja pela orientação dos indivíduos ou organização espacial das sociedades, desse modo, a Geografia percebe o mundo de uma forma muito abrangente. Pode-se dizer que a Geografia enquanto Ciência serve como base para outras ciências. Nota-se que não há um consenso a respeito da matéria, e sim controvérsias que levam a questão: existe unidade no pensamento geográfico? A seguir cabe uma análise mais detalhada da história do pensamento geográfico, a começar pelos debates em torno do objeto e finalidade dessa Ciência. Vamos juntos desbravar o universo geográfico! 1. INTRODUÇÃO Para a sobrevivência da Humanidade, os seres humanos desenvolveram a habilidade de cooperar para se instaurar e viver em comunidade. As estratégias de localização espacial que tiveram sua projeção em buscar recursos naturais, caçar ou coletar alimentos nos grupos nômades, também se reconfiguraram através da necessidade de utilizar as fontes de energia, do domínio humano sobre a terra, e a produção de uma estrutura do espaço social. Desse modo, ao seu fixar em territórios o ser humano construiu suas aldeias, cidades, e disputaram esses territórios perpetuando guerras (CLAVAL, 2010). O Geógrafo Claval (2010), em sua obra revela o caráter da geografia enquanto pratica e ciência. Para ele a Geografia pode ser concebida também como um espaço de experiências, de habitar os lugares, quando nos sentimos pertencidos, que se diferencia da experiência de viajar, e também nas reações diante do mundo, em suas diversas paisagens sejam de florestas tropicais ou vertentes, nas habilidades transmitidas por oralidades, introduzindo na escrita ou desenhos traduzidos em mapas ou textos. 2. GEOGRAFIA E A PERCEPÇÃO DO MUNDO 11 VAMOS PENSAR? Ao tratar de saberes como localização espacial, orientação e mapas, a geografia aparece como um conhecimento prático que se inicia desde os primórdios da humanidade. Nesse sentido, a experiência pratica cotidiana pode ser considerada geográfica? Em caso afirmativo, considerando-se a Geografia como prática social, quando a Geografia passa a ser um conhecimento cientifico? 3. A GEOGRAFIA ENQUANTO PRÁTICA E CIÊNCIA Desde seu surgimento, a geografia sofreu várias transformações para atingir o seu objeto de estudo, como veremos na próxima unidade da apostila. Hoje, porém, a percepção do mundo tornou-se extensa, desde a parte física como por exemplo nos estudos dos impactos ambientais até o estudo da sociedade, o que confere a essa ciência uma grande importância no contexto mundial. Podemos conceber a Geografia, como uma Ciência da percepção do mundo? Em suma, a Geografia teve originalmente por objeto de estudo a descrição da superfície terrestre, e a partir da modernidade podemos citar alguns importantes estudos: • As transformações ambientais sobre a superfície da terra, sejam elas naturais ou superficiais, relacionadas com o espaço em que ocorrem. • Os acidentes físicos, como o clima, os solos, o relevo e os tipos de vegetação que influenciam na organização espacial. • As relações entre os grupos humanos e destes com o ambiente. Muitos autores, consideram a Geografia como uma Ciência que estuda o espaço ambiental e os fenômenos de transformação deste espaço na superfície da terra, transformações essas relacionadas de alguma forma com o lugar, quer sejam de origem natural ou artificial. Contudo, outros autores terão uma abordagem mais voltada as contradições sociais, ou aos fluxos e transformações das sociedadesde Janeiro, inspirados pela geografia de Vidal de La Blache. e) Os professores na maioria franceses como Pierre Deffontaines e Norte Americanos que inserem a Geografia institucional no Brasil, criando o IBGE. 4. Em relação a institucionalização da Geografia Científica no Brasil, marque a opção incorreta: a) Uma geografia aplicada aparece nas produções do IBGE em formato brasileiro. Os primeiros autores do IBGE são engenheiros. b) Nos anos 1940 já aparecem os geógrafos de formação que vieram das primeiras universidades brasileiras para atuarem no IBG. c) De 1930 a 1950, foi o período da criação das universidades de São Paulo e Rio de Janeiro e do IBGE. d) Em 1956 aconteceu o Congresso Internacional da União Geográfica Internacional – UGI, contudo a Geografia ainda não impulsionara uma produção bibliográfica e de artigos. e) Outro marco importante da institucionalização da Geografia científica no Brasil foram os Congressos Brasileiros de Geografia. 5. Entre a década de 1950 e 1970, a Geografia atinge o seu auge e ao mesmo tempo uma grande crítica se estabelece. Nesse período a Geografia Brasileira já presencia os dilemas da crise da Geografia Clássica. Qual autor de grande importância denuncia a sensação de inutilidade, e um desejo de mudanças diante de limitações teóricas e práticos-operacionais da Geografia até então? a) Vidal de La Blache. b) Yves Lacoste. c) Aziz Ab. Saber. d) Humboldt. e) Ritter. 6. Para Moreira (2008), a matriz francesa é originária do pensamento no Brasil, fundamentando primeiros cursos universitários em São Paulo e no Rio de Janeiro, dentre os geógrafos pode-se citar, exceto: a) Pierre Monbeig. b) Pierre Deffontaines. c) Francis Ruellan. d) Vidal de La Blache. e) Ratzel. 7. A Geografia brasileira já nasce clássica e identifica-se principalmente com os pensadores franceses e depois com os norte-americanos. São chamados de clássicos os autores geógrafos que consolidaram a Geografia Moderna dentre os principais, exceto: 79 a) Alexander Von Humboldt (1769- 1859). b) Karl Ritter (1779 – 1859). c) Milton Santos. d) Kant (1724 - 1804). e) Foster. 8. A Geografia do Brasil se constitui na década de 1950, período auge da Geografia Clássica e ao mesmo tempo início da fase em que entra em crise. A crítica que se instaura nos anos 1950-1960 advém da necessidade? a) Um movimento de renovação pautado nos moldes positivistas. b) Encontrar uma nova forma de teoria geral da Geografia que permita ver a realidade saída do contexto de duas guerras e que modifica a passos acelerados aquela deixada para trás. c) Retomar a Geografia da antiguidade clássica. d) Analisar somente a paisagem que se relaciona às comunidades primitivas/ comunitárias. e) Incorporar o viés Alemão a Geografia, conhecida como ‘Geografia Ativa’. 80 GABARITOGABARITO UNIDADE 1 UNIDADE 3 UNIDADE 5 UNIDADE 2 UNIDADE 4 UNIDADE 6 QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 B QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 A QUESTÃO 1 E QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 E QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 B QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 E QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 B 81 BARROSO, A. I. G. Qué queda del espíritu del Cartógrafo hoy en día?, 2017. Disponível em: https://bit.ly/31ETBle. Acesso em: 16 fev. 2020. CLAVAL, P. Terra dos homens: a geografia. São Paulo: Contexto, 2010. Disponível em: http://bv4.digitalpages.com. br/?term=terra&searchpage=1&filtro=todos&from=busca&page=0§ion=0#/ edicao/2183. Acesso em: 05 nov. 2019. DUTRA, A. F.; RENTE, F. E. Características metodológicas da geografia agrária (1940 – 1960): Categoria geográfica, técnicas de pesquisa e método. In: VIII Encontro Nacional da ANPEGE, 7., Curitiba. Anais [...]. Curitiba: ANPEGE, 2009. p. 1-13. FERREIRA, C. D. A. A Geografia clássica e seus conceitos. Geoperito, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3e1PJ0t. Acesso em: 14 fev. 2020. GOMES, P. C. D. C. Geografia e Modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. INGRES, J. A. D. A Apoteose de Homero. 1827. Pintura, óleo sobre tela, 386cm x 512 cm. Disponível em: https://bit.ly/2Bva1Sw. Acesso em: 15 fev. 2020. MORAES, A. C. R. Geografia: Pequena História Crítica. 20. ed. São Paulo: Annablume, 2005. MOREIRA, R. O pensamento geográfico brasileiro: as matrizes didáticas originárias. São Paulo: Contexto, v. 01, 2008. MOREIRA, R. O pensamento geográfico brasileiro: as matrizes didáticas originárias. São Paulo: Contexto, v. 02, 2009. MOREIRA, R. O pensamento geográfico brasileiro: as matrizes didáticas originárias. São Paulo: Contexto, v. 03, 2010. PARRAS, C. Organização do Conhecimento Geográfico, 2015. Disponível em: https://bit. ly/2YQDpvo. Acesso em: 13 fev. 2020. PAZ, F. H. T. D. O pensamento geográfico. Geografia Crítica na Veia, 2015?. Disponível em: https://bit.ly/2ZADDpT. Acesso em: 13 fev. 2020. PORFÍRIO, F. Positivismo. História do Mundo, 2020?. Disponível em: https://bit.ly/2NSo8E1. Acesso em: 13 fev. 2020. REIS JR., D. F. D. C. História da ciência geográfica: espectro temático e uma versão descritiva. Cadernos de História da Ciência, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 11-33, jan./jun. 2011. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 82 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO PARANÁ. Eratóstenes, s/d. Disponível em: https://bit. ly/2ZAB4DY. Acesso em: 14 fev. 2020. SILVA, O. P. D. Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1500. 1922. Pintura. Oléo sobre tela, 190cm × 330cm. 83 Antropocentrismo: Moraes (2005, p.17) afirma que no ‘Antropocentrismo’ o homem é o sujeito da natureza. Capitalismo: sistema político e econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção e no lucro. Teve sua gênese na Europa, a partir de uma acumulação primitiva na baixa idade média (do século XI ao XV), e cristalizando-se após o surgimento da Burguesia. Cartografia: conforme o IBGE “A palavra cartografia tem origem na língua portuguesa, tendo sido registrada pela primeira vez em 1839 numa correspondência, indicando a ideia de um traçado de mapas e cartas. Hoje entendemos cartografia como a representação geométrica plana, simplificada e convencional de toda a superfície terrestre ou de parte desta, apresentada através de mapas, cartas ou plantas.” Cosmografia: geografia que estuda a terra no cosmos. Corológica: Moraes (2005, p.4) afirma que a corologia é uma “visão espacial em oposição à cronológica ou enfoque temporal. Determinismo: afirma que as atividades humanas eram determinadas pela natureza. Descolonização: momento histórico onde as colônias atingiram a sua independência. Dialética: a dialética que surgiu com a filosofia de Sócrates e Platão, sendo considerada uma forma de argumentação lógica, na qual são definidos de forma clara os conceitos envolvidos na discussão. Na estrutura do argumento dialético, segundo Fichte, estão a tese, a antítese e a síntese. O economista Karl Marx utilizou esse método para escrever o livro: O capital. Empirismo: é a teoria em que a origem de todo conhecimento ocorre através da experiência sensorial. Essa teoria enfatiza o papel da experiência e da evidência, especialmente o da percepção sensorial, na formação de ideias. O Empirismo defende a ideia de que o único conhecimento que os seres humanos podem ter é a posteriori, isto é, baseado em experiência. Epistemologia:é o estudo dos fundamentos da ciência, bem como a origem, métodos e sua verificação, o que pode ser considerado como filosofia do conhecimento. Fenomenologia: escola de pensamento, que se opõe ao positivismo e para compreender o mundo vivido dentro de um universo simbólico dos indivíduos. Geocentrismo: teoria que compreende que a Terras é o centro do Universo. Historicismo:a realidade é resultado de uma evolução histórica, incorporando a subjetividade no pensamento cientifico. Iluminismo: conhecido como o ‘Século das Luzes’, foi o período em que se questionou o conhecimento religioso, fundamentando-se no racionalismo científico. Esse movimento intelectual e filosófico surgiu na Europa, e teve seu apogeu no século XVIII. Mundialização: processo histórico econômico e cultural que ocorreu a partir do século XX, como uma fase da globalização onde intensifica-se a conexão entre os lugares, pessoas e mercadorias, porém os fenômenos não acontecem da mesma forma, gerando uma desigualdade. Marxista: teoria filosófica, política e econômica que, criada por Karl Marx (1818 - 1883), explica as modificações e desenvolvimentos da sociedade, resultantes da oposição ou do confronto entre as classes sociais, sendo seu conteúdo uma crítica ao sistema GLOSSÁRIO 84 capitalista, usado como fundamento para alguns ideais socialistas; materialismo dialético Neopositivismo: foi um movimento que surgiu no século XX e tinha como principal premissa o princípio da verificação, a antimetafísica, a síntese, a análise e a busca por uma ciência unificada para que houvesse o progresso científico. Positivismo: racionalismo e método científico introduzido por Auguste Conte. Possibilismo: o meio físico oferece possiblidades ao homem para exercer as atividades humanas. E o homem é livre nas escolhas de sua relação com a natureza. Práxis: o autor Paulo Freire designa como Práxis o conhecimento e a prática como parte de uma mesma realidade. Vernacular: o termo vernáculo é utilizado há séculos, quando estudos científicos, filosófico ou religioso eram publicados na Europa Ocidental e escritos em latim. Contudo, aqui se utiliza vernacular para designar o período onde a Geografia era concebida em escritos da antiguidade clássica. 85humanas. Enfim, cada abordagem recorre a uma temporalidade especifica e uma escola de pensamento geográfico. FIQUE ATENTO OBJETO DE ESTUDO DA GEOGRAFIA –> ESPAÇO GEOGRÁFICO A – Estratos da paisagem física: (elementos abióticos: geologia, solos, hidrografia, clima) B – Biológico (flora e fauna/ distribuição das paisagens naturais) C – Antrópico (transformações da paisagem/ espaços organizados – urbano, industrial e rural) 12 VAMOS PENSAR? Se o geógrafo tenta entender a paisagem, o espaço e os impactos ambientais da superfície terrestre, podemos falar que o geógrafo tem uma visão holística? Em caso afirmativo, qual a função dos geógrafos na sociedade atual? O campo de conhecimento científico geográfico, é permeado pela polêmica em relação ao objeto dessa ciência, manifestando-se em múltiplas definições. Alguns autores definem a Geografia como o estudo da superfície terrestre, embora usual, essa é uma definição vaga, já que a superfície terrestre pode abranger qualquer reflexão cientifica, portanto não de apenas uma disciplina. Tal definição é respaldada na própria etimologia da palavra Geografia, que significa descrição da terra (MORAES, 2005). Nessa perspectiva a Geografia deveria descrever todos os fenômenos da superfície da Terra, como uma síntese de todas ciências, o que é verificado pelo filósofo Kant. Conforme Kant a Ciência é dividida em duas classes: 4. A GEOGRAFIA COMO SABER – O QUE É E PARA QUE SERVE? Dentro da segunda classe encontram-se a Antropologia e a Geografia. Essa considerada como a sínteses dos conhecimentos sobre a natureza, (MORAES, 2005). “Desta forma, a tradição kantiana coloca a Geografia como uma Ciência Sintética (que trabalha com dados de todas as demais ciências), descritiva (que enumera os fenômenos abarcados) e que visa abranger uma visão de conjunto do planeta” (MORAES, 2005, p. 4). Enfim, essa perspectiva denominada Corológica gera polêmica em torno do termo Superfície Terrestre que pode se relacionar a Crosta Terrestre ou a Biosfera. Contudo, a descrição da Superfície da Terra é a base das correntes de pensamento geográfico (MORAES, 2005). Alguns autores falam sobre o estudo da paisagem como a definição do objeto de estudo da Geografia, cujo os aspectos visíveis do real é a principal fonte de análise. Assim, a paisagem vista como uma associação de múltiplos fenômenos, que trabalha com dados das outras ciências, configurando-a como Ciência de Síntese. Conforme Moraes (2005), esta perspectiva de compreensão apresenta-se em duas variáveis: • A tônica descritiva – enumeração dos elementos a discussão das formas (morfológica). Essa perspectiva valoriza a intuição nos procedimentos de análise. • A relação entre os elementos – funcionamento da paisagem (fisiologia). Nessa perspectiva aparece a ecologia no domínio geográfico. Outra proposta, que dialoga com a anterior é a Geografia como estudo da individualidade dos lugares, abarcando a singularidade dos fenômenos de cada porção 13 Figura 1: Principais correntes do pensamento geográfico Fonte: Parras (2015) do Planeta. Alguns geógrafos propõem a descrição exaustiva dos elementos outros a visão ecológica inter-relacionada. Essa perspectiva tem fundamento em autores da antiguidade clássica como Heródoto e Estrabão (MORAES, 2005). Na modernidade identifica-se essa expressão na Geografia Regional, a qual propõe o objeto de estudo como unidade espacial, ou seja: a região que é uma “determinada porção do espaço terrestre (de dimensão variável), passível de ser individualizada, em função de um caráter próprio” (MORAES, 2005, p. 5). Outra proposta é a definição da Geografia como estudo da diferenciação de áreas, que se revela em uma visão comparativa, na individualidade das áreas comparadas através de dados. Essa definição caracteriza-se pela por uma maior generalização e uma perspectiva explicativa. Contudo ocupa uma menor abrangência no pensamento geográfico (MORAES, 2005). Outros autores buscam a Geografia como estudo do espaço, para uma abordagem específica, que busca a lógica da distribuição e localização dos fenômenos. Contudo essa Geografia da dedução efetivou-se pelas estatísticas e quantificação, o que atualmente é alvo de debates (MORAES, 2005). Alguns autores entendem a Geografia como a Ciência que estuda a relação entre o homem e o meio, ou seja, sociedade e a natureza. O que designaria a Geografia como uma disciplina que relaciona Ciências Naturais e Humanas, ou sociais. Nessa perspectiva, conforme Moraes (2005), aparecem 3 visões: 1ª A primeira compreende a influência da natureza sobre o desenvolvimento da humanidade, cujo o homem estaria à mercê das condições naturais, posto como um elemento passivo diante do domínio da natureza, cuja a ação humana seria de adaptação ao meio, e a Geografia explicaria as formas e mecanismo de manifestação desse dessa ação. 2ª A segunda compreende a Geografia no estudo da relação entre o homem e a natureza, cujo objeto de estudo é a ação do homem que transforma o meio, ou seja, o estudo dos fenômenos humanos. 3ª Uma terceira visão afirmam que os dados humanos e naturais possuem a mesma importância. Esses três objetos informados aqui, evocam o maior debate do pensamento geográfico. 14 VAMOS PENSAR? Nota-se que não há um consenso a respeito da matéria, e sim controvérsias que levam a questão: existe unidade no pensamento geográfico? BUSQUE POR MAIS Acesse o livro “Pensar e Ser em Geografia”, disponível na Biblioteca Virtual do seu Porta. Ele traz uma abordagem aprofundada sobre a História do Pensamento Geográfico. Link: https://shre.ink/gkdO. Acesso em: 06 de Dez. de 2024. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa unidade, apresentamos um mosaico de definições e formulações genéricas dos modelos mais relevantes. Contudo, cabe um aprofundamento da História do pensamento Geográfico, bem como de seus objetos, escolas e métodos científicos, a começar pelo período da antiguidade clássica como veremos a seguir. 15 1. (UVA 2003.1/Adaptada) "Nos últimos anos, a Ciência Geográfica tem passado por grandes mudanças conceituais e metodológicas. Esse processo evolutivo, hoje, já nos fornece a ideia de que a Geografia, busca a partir das relações entre os homens e destes com a natureza no decorrer dos tempos, a explicação da organização do espaço." Com relação à introdução à Geografia, seus métodos, concepções, princípios e evolução, analise as frases abaixo e coloque V nas verdadeiras e F nas falsas. ( ) O espaço geográfico nada mais é do que a paisagem em sua totalidade – a configuração territorial, acrescida da sociedade. ( ) O princípio da causalidade é a própria lei de causa e efeito, característica de todas as Ciências. O princípio da causalidade foi defendido, em Geografia, por Humboldt. ( ) Friedrich Ratzel defendeu o possibilismo geográfico. ( ) O determinismo é um princípio radical e fatalista, empregado eventualmente em algumas situações, porém nem sempre e nem em todas. ( ) Estudar geograficamente o mundo é essencialmente investigar a dinâmica social que está por trás das paisagens ou formas espaciais. A sequência, de cima para baixo, é: a) F, V, V, V, V. b) V, F, F, V, F. c) V, V, F, V, V. d) F, F, V, F, F. e) F, F, V, V, V. 2. São apresentadas a seguir algumas considerações sobre a ciência geográfica. Analise-as e assinale a INCORRETA: a) O objeto da Geografia, tradicionalmente, tem sido a localização dos fatos na superfície terrestre, a relação entre os fatos de ordem natural e as inter-relações entre os homens e o meio natural. b) A Geografia entende, por organização do espaço, o arranjo do meio ambiente ao desenvolvimento das potencialidades da sociedade, segundo a sua cultura. c) O determinismo geográfico deve ser entendido como a corrente da Geografia que defende a possibilidade de a ação humana vencer as determinações do meio natural. d) A definição do que é Geografia não é algo simples, pois se refere a um campo do conhecimento científico onde reina grandepolêmica. e) A Geografia é uma ciência que serve como base para outras ciências, desse modo ela percebe o mundo de uma forma muito abrangente. 3. Alguns autores entendem a Geografia como a Ciência que estuda a relação entre o homem e o meio, ou seja, sociedade e a natureza. O que designaria a Geografia como uma disciplina que relaciona Ciências Naturais e Humanas, ou sociais. Nessa perspectiva, conforme Moraes (2005), aparecem 3 visões: FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO 16 I. A primeira compreende a influência da natureza sobre o desenvolvimento da humanidade, cujo o homem estaria à mercê das condições naturais, posto como um elemento passivo diante do domínio da natureza, cuja a ação humana seria de adaptação ao meio, e a Geografia explicaria as formas e mecanismo de manifestação desse dessa ação. II. A segunda compreende a Geografia no estudo da relação entre o homem e a natureza, cujo objeto de estudo é a ação do homem que transforma o meio, ou seja, o estudo dos fenômenos humanos. III. Uma terceira visão afirmam que os dados humanos e naturais possuem a mesma importância. Avalie as afirmativas acima: a) As afirmativas I, II, e III estão incorretas. b) As afirmativas I e II são verdadeiras, e a afirmativa III é falsa. c) As três afirmativas informados aqui evocam o maior debate do pensamento geográfico. d) As três afirmativas informados aqui são partes de uma mesma visão de mundo. e) As três afirmativas informados aqui não tiveram muita repercussão na História do pensamento Geográfico. 4. O campo de conhecimento científico geográfico, é permeado pela polêmica em relação ao objeto dessa ciência, manifestando-se em múltiplas definições. Alguns autores definem a Geografia como o estudo da Superfície Terrestre, embora usual, essa é uma definição vaga, já que a Superfície Terrestre pode abranger qualquer reflexão científica, portanto não de apenas uma disciplina. Tal definição é respaldada na própria etimologia da palavra Geografia, que significa descrição da Terra (MORAES, 2005). Nessa perspectiva a Geografia deveria descrever todos os fenômenos da Superfície da Terra, como uma síntese de todas ciências, o que é verificado pelo filósofo: a) Kant. b) Erastóstenes. c) Ptolomeu. d) Auguste Comte. e) René Descartes 5. Outra proposta, que dialoga com a anterior é a Geografia como estudo da individualidade dos lugares, abarcando a singularidade dos fenômenos de cada porção do Planeta. Alguns geógrafos propõem a descrição exaustiva dos elementos outros a visão ecológica inter-relacionada. Essa perspectiva tem fundamento em autores da antiguidade clássica como: a) Heródoto e Estrabão. b) Immanuel Kant. c) Platão e Georg Hegel. d) Aristóteles. e) Erastóstenes e Ptolomeu. 17 6. “Desta forma, a tradição kantiana coloca a Geografia como uma Ciência Sintética (que trabalha com dados de todas as demais ciências), descritiva (que enumera os fenômenos abarcados) e que visa abranger uma visão de conjunto do planeta” (MORAES, 2005, p.4). A perspectiva anunciada no texto acima é denominada: a) Sorológica. b) Corográfica. c) Cosmológica. d) Fenomenológica. e) Historiográfica. 7. Alguns autores falam sobre o estudo da paisagem como a definição do objeto de estudo da Geografia, cujo os aspectos visíveis do real é a principal fonte de análise. Assim, a paisagem vista como como uma associação de múltiplos fenômenos, que trabalha com dados das outras ciências, configurando-a como Ciência de Síntese. Conforme Moraes (2005), esta perspectiva de compreensão apresenta-se em duas variáveis: a) A tônica descritiva na relação entre os elementos. b) A humanística e a Corológica. c) A regional e local. d) A singular e a geográfica geral. e) A divisão por áreas e a estatística. 8. Outros autores buscam a Geografia como estudo do espaço, para uma abordagem especifica, que busca a lógica da distribuição e localização dos fenômenos. Contudo essa Geografia da dedução, atualmente é alvo de debates e efetivou-se pela: a) Diferenciação de áreas. b) Estatísticas e quantificação. c) Método regional. d) Relação entre o homem e o meio. e) Descrição dos fenômenos. 18 A GEOGRAFIA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA AO RENASCIMENTO 19 As origens da Geografia estão ligadas a Antiguidade Clássica, sobretudo ao pensamento grego. Considera-se que alguns estudos tiveram uma grande influência na formulação do pensamento geográfico, sobretudo a partir da Cartografia e Cosmologia, podendo-se citar como grandes expoentes Tales e Anaximandro, com a medição do espaço e o debate sobre a forma da Terra, que atualmente está aprofundado nos estudos da Geodésica, e Heródoto com a descrição dos lugares, e dentre outros estudos (MORAES, 2005). Contudo, no período da Antiguidade Clássica esses conhecimentos estavam desarticulados, e ainda não tinham o rótulo de Geografia, mas hoje fazem parte da disciplina geográfica. Nesse sentido, na unidade 2 busca-se a compreensão dos debates, pressupostos e reflexões em torno da Geografia na antiguidade clássica. Sigamos, nossos estudos nessa viagem pela antiguidade clássica. 1. INTRODUÇÃO Figura 2: A apoteose de Homero Fonte: Jean-Auguste-Dominique Ingres (1827) 2. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA É considerável que as Geografias Vernaculares encontradas em escritos antigos da antiguidade clássica tem na descrição do mundo mediterrâneo a sua gênese, o que pode ser observado na obra Odisseia de Ulisses, o qual descreve “uma evocação de seus povos e de suas cidades através do catálogo dos navios Aqueus e dos efetivos troianos na Ilíada” (CLAVAL, 2010, p. 67). 20 Conforme Claval (2010), pode-se afirmar que o termo Geografia aparece em c.284-c. 192 a.C. cunhado por Erastóstenes. Esse saber advém de um mundo já percorrido e majoritariamente dominado por Gregos e Macedônios, após ser conquistado por Alexandre. Essa é a Geografia que estuda sobre a Terra redonda e o seu posicionamento no cosmos, a ênfase da esfericidade da Terra, cunhada como método astronômico por Pitágoras, e embasada em uma nova corrente de reflexão por Tales (c. 625-c 547ª.c.), Anaximandro (c.610-c.547 a.C.) e Heráclito (c.550-c. 480 a. C.). Para os gregos a descrição regional pode ser feita em duas diferentes escalas: Geógrafos e Corógrafos. Na primeira escala o Geógrafo ‘apreende a totalidade do mundo habitado, o ecúmeno’ e a partir das histórias de Heródoto descrevem os países conhecidos pelos Gregos, e mais adiante Erastóstenes cria as coordenadas geográficas para fazer carta geográficas. Já na escala do Corógrafo interessa uma área particular, preocupando-se mais com o mundo do visível (CLAVAL, 2010). Ademais, a descrição regional também pode ser concebida como uma etnografia, que perpassa o nascimento dos mitos e o seu desenvolvimento, “ela fixa a base territorial da religião e da cultura” (CLAVAL, 2010, p. 83) Com o passar do tempo, as descrições regionais mudaram conforme a construção da identidade na Grécia Clássica, cada região lugar e mitologia, e a Geografia se sobrepõe a Coreografia, como exposto por Claval (2010, p. 83). Figura 3: Erastóstenes Fonte: Secretaria de Educação do Paraná GLOSSÁRIO Eratóstenes (em grego: Ἐρατοσθένης, transl.: Eratosthénis̱; Cirene, 276 a.C. — Alexandria, 194 a.C.) foi um matemático, gramático, poeta, geógrafo, bibliotecário e astrônomo da Gré- cia Antiga. Nasceu em Cirene, Grécia, e morreu em Alexandria. Estudou em Cirene, em Atenas e em Alexandria. Disponível em: http://www.filosofia.seed.pr.gov.br/modules/ga- leria/detalhe.php?foto=650&evento=6. Acesso em: 29 dez. 2019. Em sua dimensão regional, a Geografia antiga continua imperfeita. Por que ela é, no entanto, vi- toriosa sobre a Coreografia? Pela sua constante preocupação em interpretar o local em função das forças que vão além deste e o determinam: 21 FIQUE ATENTO No ocidente os discursos geográficos tornaram-se científicos inicialmente no século VI pelos gregos, e depois no século XVIII na França e Alemanha, emboraaté o século XVIII não havia um conhecimento geográfico unitário (CLAVAL, 2010). Durante a idade média, a Geografia perdeu importância no cenário científico, já que esse passa a ser moldado pelo conhecimento religioso, e a igreja passou a ter domínio de todas as questões. Após a quebra da ordem medieval e a eminência da era do Renascimento científico, com o fim do Geocentrismo apareceram novas formas de conceber a terra. Através de Copérnico a hipótese geocêntrica, a qual concebe a Terra como o centro do Universo cai por terra. As grandes descobertas que se sucederam as navegações, que esclareceu que o ecúmeno se estende ao velho e ao novo mundo, mais a zona glacial, comprovaram a redondeza da Terra. Varenius um Alemão, se interessou em estudar o perímetro da Terra e dos paralelos e definiu uma Geografia Física que explica a rotação da Terra (CLAVAL, 2010). No século XVII, o geógrafo ganha um reconhecimento, e a disciplina passa a ser ensinada nos colégios católicos ou academias protestantes. Contudo, o conhecimento faz parte de uma elite, a exemplo do Oficial da Marinha que o utiliza para levantar e ler plantas e o marinheiro que a usa para desenhar as linhas de navegação. Desse modo, a Geografia se desenvolve a partir da cartografia, com procedimentos cada vez mais exatos para medir as coordenadas geográficas e utilizar dados estatísticos (CLAVAL, 2010). No século XVIII, o campo da cartografia se destaca do resto da disciplina Geográfica, a qual precisa reinventar-se. A cartografia torna-se uma junção de conhecimentos dos astrônomos, navegadores, exploradores, topógrafos e eruditos, já no campo do geógrafo houve uma perda do suporte institucional (CLAVAL, 2010). 3. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA NO RENASCIMENTO aquelas que resultam da situação do globo no universo (sua dimensão astronômica), aquelas que opõem o centro civilizado do mundo habi- tado às suas periferias selvagens (a dimensão religiosa e cultural). A Geografia trata do espa- ço da humanidade. Nos séculos XV e XVI corógrafos e geógrafos se diferiram, a partir de uma nova visão no contexto histórico do Renascimento. A cosmografia, associa-se aos jogos de poder como um instrumento do imperialismo europeu. Seu sucesso deve-se as técnicas de viagens e medições mais precisas da Terra a partir de observações astronômicas, e a descrição como uma herança grega (CLAVAL, 2010). 22 Figura 4: O Que Permanece o Espírito do Cartografo Hoje? Fonte: Barroso (2017) Designam-se como Geografia: relatos de via- gem, escritos em tom literário; compêndios de curiosidades, sobre lugares exóticos; áridos relatórios estatísticos de órgãos de adminis- tração; obras sintéticas, agrupando os conhe- cimentos existentes a respeito dos fenômenos naturais; catálogos sistemáticos, sobre os con- tinentes e os países do Globo etc. Na verdade, trata-se de todo um período de dispersão do conhecimento geográfico, onde é impossível falar dessa disciplina como um todo sistemati- zado e particularizado (MORAES, 2005, p. 11). FIQUE ATENTO Muitos temas que hoje são cabíveis a Ciências Geográfica, antes não eram designados pelo rótulo da Geografia. Essa tendência apresentada aqui permanece até o final do século XVIII, embora houvessem alguns autores de grande importância que tenham dado essa rotulação a Geografia, como por exemplo Ptolomeu que criou a obra “síntese geográfica”, porém os temas tratados por tais autores têm pouco em comum com o que seria considerado Geografia em períodos posteriores. Portanto, até o século XVIII não havia um conhecimento geográfico unitário (MORAES, 2005). VAMOS PENSAR? A Geografia nasce na Grécia, apesar das diferenças entre a Geografia Grega e atual, criou-se uma linha que constrói uma identidade científica. Nesse sentido, a História da Ciência, produz muito mais continuidade do que rupturas. Contudo, é considerável que a episteme da Geografia, ou seja, o seu discurso, está ligado a um tempo e a um contexto histórico, diante disso a nossa sociedade utiliza o conhecimento geográfico? Qual influência da Geografia grega na atualidade? 23 BUSQUE POR MAIS https://www.youtube.com/watch?v=qtbi4cgomK8 Documentário sobre a história da Cartografia e Geografia: 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS É considerável que a geografia adquiriu uma validade científica com os gregos, na construção de cartas geográficas precisas. Contudo, nesse período eles não investigaram a diversidades de relevos existentes e nem a maneira como os seres humanos estabelecem um domínio sobre o meio ambiente. Porém no século XVII essas operações cartográficas, tornam-se demasiadamente técnicas e a geografia perde o seu lugar institucional (CLAVAL, 2010). Já na idade do Século das Luzes, as Ciências da Natureza conferem a Geografia os elementos para descrever a face da terra, explicar a formas e gênese do relevo. A Geografia Física nasceu, e ganhará mais ênfase na Geografia Clássica, como veremos a seguir. 24 1. (UVA 2004.1/ Adaptada) Sobre a Geografia, seus métodos, seus procedimentos, suas abordagens não são verdadeiras. É correto o que se afirmar em: a) A Geografia Tradicional tem por base metodológica a teoria marxista. b) O espaço geográfico é fruto da dinâmica social (relação homem, natureza e trabalho) que se diferencia de acordo com a formação história, no espaço e no tempo. c) A Geografia ao longo de sua trajetória tem vivenciado avanços e recuos. Hoje, pode-se dizer que a Geografia apresenta grandes avanços metodológicos permitindo compreender a dinâmica e as contradições sociais do espaço geográfico. d) A sala onde você está fazendo esta prova para concorrer a uma vaga do vestibular, contém natureza transformada pelo trabalho social. Olhe para as paredes, carteiras e demais objetos ao seu redor e perceberá isto. Quase tudo que nos cerca é o resultado do trabalho social sobre a natureza, inclusive o espaço geográfico, objeto de estudo da Geografia. e) As origens da Geografia estão ligadas a Antiguidade Clássica, sobretudo ao pensamento grego. 2. (CESGRANRIO - 2013) As formas e os conteúdos das Geografias pré-científicas, que são qualificadas, de preferência, de etnogeografias, variam de uma cultura a outra. Pode-se esquematicamente opor as geografias transmitidas pela palavra, e os quadros descritivos redigidos por especialistas para responder às curiosidades dos públicos cultos ou às necessidades das administrações. As primeiras são características das sociedades primitivas ou de frações populares das grandes sociedades industriais. CLAVAL, P. Epistemologia da Geografia. Florianópolis: UFSC, 2011, p. 23. Adaptado. Essa Geografia produzida por frações populares das grandes sociedades industriais, descrita acima, é a denominada Geografia: a) Crítica. b) Possibilista. c) Vernacular. d) Determinista. e) Quantitativista. 3. Claval (2010), afirma que o saber geográfico advém de um mundo já percorrido e majoritariamente dominado por Gregos e Macedônios. Pode-se afirmar que o termo Geografia aparece em c.284-c. 192 a.C. cunhado por: a) Erastóstenes. b) Ptolomeu. c) Galileu Galilei. d) Pitágoras. e) Tales. FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO 25 4. Para os gregos a descrição regional pode ser feita em duas diferentes escalas: Geógrafos e Corógrafos. Com relação as escalas da descrição regional, assinale a alternativa correta: a) Na escala do Geógrafo apreende-se a totalidade do mundo habitado, o ecúmeno. b) Na escala do Geógrafo descrevem os locais específicos conhecidos pelos Gregos. c) Erastóstenes cria as coordenadas geográficas para fazer carta geográficas na Escala Corográfica. d) Na escala do Corógrafo interessa uma área geral. e) Na escala do Corógrafo preocupa-se mais com o mundo do invisível. 5. Com relação as origens da Geografia enquanto Ciência no renascimento, assinale a alternativa INCORRETA: a) Durante a Idade Média, a Geografia perdeu importância no cenário científico, já que esse passa a ser moldado pelo conhecimento religioso, e a igreja passou a terdomínio de todas as questões. b) Após a quebra da ordem Medieval e a eminencia da era do Renascimento científico, com o fim do Geocentrismo apareceram novas formas de conceber a Terra. c) Através de Copérnico a hipótese geocêntrica, a qual concebe a Terra como o centro do Universo cai por terra. d) As grandes descobertas que se sucederam as navegações, que esclareceu que o ecúmeno se estende ao velho e ao novo mundo, mais a zona glacial, comprovaram a redondeza da Terra. e) No século XVII, o geógrafo ganha um reconhecimento, contudo a disciplina ainda não era ensinada nos colégios católicos ou academias protestantes. 6. “No século XVIII, a Geografia se desenvolve a partir da cartografia, com procedimentos cada vez mais exatos para medir as coordenadas geográficas e utilizar dados estatísticos”. Assinale uma consequência para a Geografia, a partir da afirmativa acima: a) O campo da cartografia se destaca do resto da Disciplina Geográfica, a qual precisa reinventar-se. b) A cartografia torna-se uma divisão de conhecimentos dos astrônomos, navegadores, exploradores, topógrafos e eruditos, que não se relacionam. c) No campo do geógrafo houve um ganho no suporte institucional. d) O campo da Geografia se destaca do resto da Disciplina Cartográfica e) O conhecimento geográfico se popularizou. 7. As origens da Geografia estão ligadas a Antiguidade Clássica, sobretudo ao pensamento grego. Contudo, até o século XVIII não havia um conhecimento geográfico unitário, nesse contexto pode-se considerar que alguns estudos de cunho geográfico, exceto: a) Tales e Anaximandro, com a medição do espaço e o debate sobre a forma da terra (atualmente conhecido como Geodésica) b) Heródoto com a descrição dos lugares 26 c) Odisseia de Ulisses, o qual descreve “uma evocação de seus povos e de suas cidades através do catalogo dos navios aqueus e dos efetivos troianos na Ilíada” d) A Geografia que estuda sobre a Terra redonda e o seu posicionamento no cosmos, a ênfase da esfericidade da Terra, cunhada como método astronômico por Pitágoras. e) Uma nova corrente de reflexão por Tales (c. 625-c 547ª.c.) a qual questionava a esfericidade da terra. 8. “Designam-se como Geografia: relatos de viagem, escritos em tom literário; compêndios de curiosidades, sobre lugares exóticos; áridos relatórios estatísticos de órgãos de administração; obras sintéticas, agrupando os conhecimentos existentes a respeito dos fenômenos naturais; catálogos sistemáticos, sobre os continentes e os países do Globo etc. Na verdade, trata-se de todo um período de dispersão do conhecimento geográfico, onde é impossível falar dessa disciplina como um todo sistematizado e particularizado”, (MORAES, 2005, p.11). O texto acima descreve um período, na História do pensamento Geográfico denominado: a) Antiguidade clássica. b) Renascimento científico. c) Idade Moderna. d) Idade Média. e) Idade contemporânea. 27 A GEOGRAFIA CLÁSSICA (TRADICIONAL) 28 1. INTRODUÇÃO Após a perda da visibilidade do papel do geógrafo como descrito anteriormente, no século XIX ocorreu um renascimento da Geografia Física a partir de uma razão mecanicista que abarca a observação, experiência e o cálculo matemático. Concomitantemente, uma razão naturalista se estabelece com o conhecimento da Superfície da Terra (rochas, minerais, plantas) (CLAVAL, 2010). Com a era do Renascimento, período também denominado de século das luzes (Iluminismo), a Geografia obteve duas direções: A 1º perpassa pela necessidade de um novo modelo cosmológico que substituísse o geocentrismo; já na 2º direção caberia adotar a geografia clássica para os modelos fundamentais, (GOMES, 1996). Dessa forma, na unidade 3, busca-se compreender as condições históricas vivida no início do século XIX, que consequentemente influenciará na sistematização do conhecimento geográfico clássico, enquanto ciência. Vamos juntos sintonizar rumo a Geografia Clássica! 2. ORIGENS E PRESSUPOSTOS DA GEOGRAFIA CLÁSSICA Assim, conhecer a extensão real do Planeta foi essencial, para se pensar no método unitário de estudo, da ideia de conjunto terrestre, o que só foi possível após as ‘Grandes navegações’ dos europeus e suas descobertas, diante de um modo de produção capitalista (MORAES, 2005). A passagem do Feudalismo para o Capitalismo, cuja Europa era o centro, que expandiu a sua atuação por toda Superfície Terrestre. A mundialização se constitui no fim do século XIX, ou seja, o conhecimento de toda a terra existente, embora nem todos fossem visitados (MORAES, 2005). Outro pressuposto para que a Geografia fosse sistematizada seria a necessidade de um levantamento de dados e informações sobre os vários lugares da terra, em um arquivo confiável que serviria de base empírica para a análise e comparação dos vários lugares da superfície da terra. Isso se fez necessário sobretudo, com a ocupação de novos territórios com o avanço do mercantilismo e os impérios coloniais, para assim conhecer as realidades locais. Nesse sentido a geografia do século XIX, servia para elaborar não só relatos de viagens como inventários e levantamentos técnicos dos territórios explorados pelo interesse dos Estados, fundando institutos nas metrópoles incumbidas desse material (MORAES, 2005). Outro pressuposto que precede uma Geografia unitária era o estabelecimento e aprimoramento da cartografia e as suas técnicas como instrumento do Geógrafo, para representar e localizar os fenômenos em territórios, que servia a expansão do comércio globalizado, pode-se citar o surgimento de cartas e atlas fundamentais para as navegações (MORAES, 2005). Portanto todos esses pressupostos aqui considerados na sistematização da Geografia, são influenciados e influenciam as relações capitalistas, nesse novo modo de produção, e transformações produzidas a nível econômico e político, “incidindo sobre os temas tratados pela geografia, valorizam-nos, legitimam-nos, enfim dotam-nos de uma cidadania acadêmica” (MORAES, 2005, p. 13). 29 FIQUE ATENTO Kant um filósofo do Iluminismo: No século XVIII Revolução Burguesa e Industrial, ocorreram simultaneamente na Inglaterra e na França, ao passo que a Alemanha permanecia atrasada. Kant, queria combinar a ciências da natureza incorporando o homem ao seu discurso, seja no empirismo da ciência ou no abstrato da filosofia. Através da Geografia, Kant buscou conhecimentos empíricos relacionados a natureza, já na História (hoje aproximado ao campo da psicologia social ou antropologia) o autor buscou conhecimentos referentes ao homem (MOREIRA, 2008). As correntes filosóficas do século XVIII, conduzem os temários da Geografia para a afirmação das possiblidades da razão humana, uma postura progressista que refuta o que restara da ordem feudal, ou seja, a lógica teológica do mundo. Uma explicação racional do mundo, que deslegitima a visão religiosa e sua ordem social. Nesse sentido a geografia cumpre a sua função de explicar os fenômenos, e sistematizar conforme temas geográficos (MORAES, 2005). O Nesse contexto o interesse pela Geografia perpassa para os filósofos como Hegel, Montesquieu, Rousseau, Turgot e Kant e Lienbniz e dentre outros. Dentro destes estudos filosóficos, os temários geográficos ganham importância. Autores como kant ou Lienbniz dedicados a filosofia do conhecimento, trazem a questão do espaço, outros como filósofos como Hegel destacaram a influência do meio sobre a evolução das sociedades) (CLAVAL, 2010). Os pensadores políticos do Iluminismo também contribuíram para a sistematização geográfica, a partir do debate sobre as formas de poder e organização do espaço, sendo ideólogos da revolução burguesa. Como exemplo cita-se Montesquieu na obra ‘O espirito das leis’, que elabora teses deterministas cujo povos que habitam regiões montanhosas teriam índoles pacíficas, já que teriam uma proteção natural do meio ao contrário de quem vive no litoral ou planícies que seriam guerreiros alertos, caso ocorra uma invasão (MORAES, 2005). Outrostrabalhos da economia política também valorizaram temas geográficos, através de análises da vida social advindos da necessidade das relações econômicas, como por exemplo o problema do aumento populacional ou a produtividade do solo. Na Teoria do Evolucionismo, também aparecem temas concernentes a Geografia. Darwin e Lamarck ao tratar das condições ambientais na evolução das espécies e adaptação ao meio trazem alusões aos temas geográficos, sobretudo na metodologia naturalista que serviu as propostas dos primeiros geógrafos (MORAES, 2005). Já no início do século XIX, a terra estava conhecida e os pressupostos da sistematização da geografia estavam estabelecidos. Na Europa o comercio conectou lugares distantes e relações econômicas capitalistas, nas quais o colonizador europeu possuíam informações de diversos pontos da Superfície Terrestre. O mundo era representado através da cartografia, ou seja, os mapas. A Filosofia, caminhava para a fé na razão humana, e as ciências naturais estavam firmadas em seus conceitos e categorias, sendo que a Geografia as utilizava como método científico. Nesse contexto, a geografia passou a ser considerada como ciência autônoma, servindo de instrumento de consolidação do capitalismo em alguns países da Europa (MORAES, 2005). 30 3. POSITIVISMO COMO FUNDAMENTO DA GEOGRAFIA TRADICIONAL Todas as correntes da Geografia Tradicional têm como base metodológica e filosófica o positivismo. Este é visto como um “conjunto de correntes não dialéticas”, (MORAES, 2005, p. 7). A redução da realidade ao mundo dos sentidos, ou seja, aos aspectos visíveis do real, mesuráveis e palpáveis estão no cerne dos estudos positivista. Na geografia, o positivismo aparece a partir da concepção “a Geografia é uma ciência empírica, pautada na observação”, que muito críticos consideram como uma visão reducionista a um mero empirismo, cujo o cientista é mero observador (MORAES, 2005). A descrição, enumeração e classificação dos fatos e fenômenos referentes ao espaço, tornou-se limitante ao propósito maior de se chegar a um conhecimento geográfico mais generalizador, sem um formalismo tipológico, os quais concluíam análises de tipos formais a-históricas e abstratas. Assim, para o estudante secundário, resta a memória exaustiva enumerativa (MORAES, 2005). O Método Positivista é originário das Ciências da Natureza. A partir do positivismo, evidencia-se uma ideia da existência de um único método de interpretação, que não considera as diversas qualidades das ciências humanas e naturais. O ser humano passa a ser apenas um elemento a mais na paisagem, como por exemplo nos estudos de populações como um conceito numérico, falando-se pouco da sociedade ou do especificamente humano (MORAES, 2005). Dentro dessa configuração, a Geografia como uma Ciência de Síntese, perpassa pela concepção classificatória do positivismo, a qual ordenaria todos os conhecimentos produzidos pelas demais ciências, que seria exaustiva em termos de abrangência, podendo integrar tudo que influência na Superfície da Terra. Tal concepção contribuiu na indefinição de um objeto de estudo (MORAES, 2005). Assim, o pensamento geográfico se embasou em alguns princípios de análise formulados pela pesquisa de campo, tidos como inquestionáveis, são eles: o princípio da unidade terrestre, o princípio da individualidade, o princípio da atividade, o princípio da conexão, o princípio da comparação, o princípio da extensão e o princípio da localização. Tais princípios permitiram uma generalização de posicionamentos metodológicos antagônicos (MORAES, 2005). As generalidades e vaguidades repercutiram propostas dispares e antagônicas, o que culminou no dualismo do pensamento Geográfico Tradicional: Geografia Física – Geografia Humana, Geografia Ge- ral – Geografia Regional, Geografia Sintética – Geo- grafia Tópica e Geografia Unitária – Geografias Es- pecializadas. Estas dualidades afloram, no trabalho prático de pesquisa, em vista da não-resolução do problema do objeto, ao nível teórico. As soluções propostas são, na maior parte dos casos, puramen- te formais (linguísticas), e se diluem na pesquisa de Na Alemanha aparecem os primeiros institutos e portanto as primeiras teorias, métodos e correntes de pensamentos no século XIX, sendo os autores Alemães Humboldt e Ritter considerados os ‘pais da Geografia’ (MORAES, 2005). 31 A impossibilidade de existir um conteúdo consensual na Geografia está no fato de o temário geral se subs- tantivar em propostas apoiadas em concepções de mundo, em metodologias e em posicionamentos sociais diversificados, e muitas vezes antagônicos. Conforme Moraes (2005), essas máximas e princípios são utilizados no pensamento geográfico de forma não - crítica, e ao mesmo tempo inquestionáveis, haja visto que a sua importância se daria na sustentação e legitimidade a disciplina, que busca superar suas fragilidades. Desse modo, para Moraes (2005, p. 09). FIQUE ATENTO A unidade do pensamento da Geografia Tradicional fundamenta-se no positivismo, que se caracteriza pelo o empirismo e naturalismo!!! Conforme Moraes (2005), a diversidade metodológica é palco de conflitos, já que a luta de classes também se traduz no domínio de conhecimento cientifico e corrobora para uma luta ideológica. Desse modo, a Geografia ao aceitar o rótulo dos estudos que compreendem o temário geral, se não considerar a prática social como relevante, veicularão interesses de uma classe (MORAES, 2005). De tal modo, o que é a Geografia? Essa pergunta deve ser ressignificada, quando se compreende que existem geografias e métodos que expressam posicionamentos sociais de um temário geral. 4. LINHAS DE FORÇA E A FRAGMENTAÇÃO DA GEOGRAFIA CLÁSSICA Em meados do século XIX e XX, foi um período contraditório de transformações e permanências que geraram conflitos. Nas ciências questionamentos e descobertas proporcionam revoluções no pensamento científico como por exemplo com a descoberta da segunda lei da termodinâmica, assim como na técnica a exemplo da engenharia genética e microeletrônica. Já na arte, o impressionismo e representações do mundo de incertezas, descontinuidades e subjetividades. No campo das ciências do homem, aparecem tensões que sinalizam ideologias do direito dos povos decidirem sobre a forma e o destino vividas em sociedade, seja, por exemplo no liberalismo ou no socialismos (MOREIRA, 2008). campo. Nesta, ou se dá ênfase aos fenômenos hu- manos, ou aos naturais; ou se trabalha com uma vi- são global do planeta, ou se avança na busca da in- dividualidade de um dado lugar; ou se analisa a um nível superficial a totalidade dos elementos presen- tes, ou se aprofunda o estudo apenas duma classe de elementos (MORAES, 2005, p. 09). 32 A divisão técnica do trabalho trazido pela 2º revolução industrial, que fragmenta o trabalho, o pensamento e a sociabilidade exaustivamente, e na fragmentação das ciências e conhecimentos (MOREIRA, 2008). No sistema positivista, a expressão da sociedade técnica, separa o inorgânico, orgânico e o humano em esferas dissociadas. Nesse contexto a Geografia, foi a última ciência a se fragmentar, primeiro em referência à Matemática, na esfera do inorgânico, e só depois tardiamente na esfera do humano. Contudo, a modelização proposta da matemática não dará conta de se implantar na esfera do humano, e não se firma sem dificuldade no próprio inorgânico (MOREIRA, 2008). Desse modo, os neokantianos temiam que se a ciência não fosse rigorosa não se sustentaria, sem os parâmetros matemáticos, os quais visavam para a ciências dos homens. Nesse contexto, tem-se uma projeção de uma crise na Geografia, a qual designou como solução o método da Matemática para o tratamento científico da natureza e o institucional para o tratamento científico do homem. Assim nascem as Ciências Naturais e as Ciências Humanas na virada do sec. XIX e XX (MOREIRA, 2008). Figura 5: O progresso do século Fonte: Porfirio (2020) O período que começa,no final da segunda meta- de do século XIX, é o período de uma nova fase. A fase de uma Geografia marcada pelo antagonismo da necessidade de fragmentar-se para estar em dia com a contemporaneidade do pensamento e da necessidade de recuperar a integralidade de visão de mundo que tinha antes. Está nascendo a Geogra- fia clássica (MOREIRA, 2008, p. 16). 33 O quadro acima foi elaborado conforme Moreira (2008). Para este autor a dualidade da Geografia Física- humana se desloca da Teoria neokantiana para a Geografia. Contudo “o modelo matemático da física clássica se encaixa na Geografia Física Setorial, mas o modelo sociologia-antropologia não tem o mesmo sucesso na Geografia Setorial Humana Quadro 1: A fragmentação da Geografia Clássica Fonte: Moreira (2008) Dicotomias: A Geografia Física A Geografia Humana Área de concentração: Geomorfologia e climatologia, biogeografia. Geografia agrária, Geografia urbana, Geografia Econômica – posteriormente geografia da população, geografia da indústria e a geografia do consumo. Fundamentos e métodos: Modelo física newtoniana – fenômenos explicados pela lei da gravidade. Extrapolam o plano da percepção sensível para a certeza sensível do mapa materializado na modelagem matemática transfigurada em cartografia. A Geografia humana surge na interface com a sociologia e antropologia. Compete as geografias humanas setoriais a descrição e mapeamento das formas, conforme os parâmetros da a sociologia e antropologia ou economia. Vertentes A Geomorfologia distingue-se da Geologia, definindo-se pelo estudo das formas do relevo terrestre e a escala do tempo. A Climatologia surge na fronteira com a meteorologia, se aprofundando as formas projetamento dos fenômenos meteorológicos na superfície terrestre, clima e mapeamento. A Biogeografia surge na fronteira com a biologia, como descrição e mapeamento das formas de vegetação na superfície terrestre, interagindo com o clima e solo. Geografia Agrária estuda a descrição do mapa das formas das relações agrarias. Geografia Urbana estuda as formas das passagens urbanas e as relações hierárquicas das cidades e mercados. Geografia econômica capta sensível das relações de Geografia Agrária e da indústria onde o mapa ou abstrato das relações da economia. Três formalizações vão, todavia, se estabelecer como formato de discurso na Geografia clássica enquanto modalidade de ciência moderna: I) a consolidação e ampliação de formas setoriais; 2) a reunião formal das Geografias Setoriais nas chancelas da Geogra- fia Física, reunindo os setores de estudo da natureza, e da Geografia Humana, reunindo os setores de es- tudo do homem, no sentido neokantiano do homem social-cultural (o ‘homem empírico’ de Foucault); e 3) o surgimento das alternativas unitárias, com o aparecimento da Geografia regional e a geografia da civilização (MOREIRA, 2008, p. 19). 34 A partir da fragmentação, a Geografia se produz pelas certezas e limitações da vertente positivista. Primeiro se fragmenta, depois reaglutina-se, nos parâmetros neokantianos, contudo permanecem os dilemas do pensamento que segue, sejam eles da Geografia Física que não acompanha as mudanças da Física Newtoniana, ou da Geografia Humana que não se encontra nas ciências do homem, (MOREIRA, 2008). É considerável, que o fracasso a tentativa neokantiana, não oferece uma referência de teoria e método. No âmbito unitário, na Geografia Clássica se reconhece a Geografia Regional e a Geografia das Civilizações. A Geografia Regional afirma a Geografia Clássica, na região como unidade do físico e do humano, já a Geografia da Civilização se firma no discurso da relação do homem com o meio no globo (MOREIRA, 2008). VAMOS PENSAR? A Geografia enquanto Ciência Institucional surge na metade do século XIX, pois antes era embasada por uma ciência natural, os naturalistas viajavam e viam as diferentes paisagens naturais e faziam descrições geográficas. No século XIX qual era o papel da Geografia enquanto disciplina acadêmica? E hoje, o método da descrição geográfica ainda é utilizado? 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em primeiro lugar, a Geografia Tradicional deixou uma ciência elaborada, um corpo de conhecimentos sistematizados, com relativa unidade interna e indiscutível continuidade nas discussões. Deixou fundamentos, que mesmo criticáveis, delimitaram um campo geral de investigações, articulando uma disciplina autônoma. Nesse processo, elaborou um temário válido. Em segundo lugar, a Geografia Tradicional elaborou um rico acervo empírico, fruto de um trabalho exaustivo de levantamento de realidades locais. Mesmo que por vias metodológicas também criticáveis, o valor das informações acumuladas não pode ser minimizado. Constituem um substantivo material para pesquisas posteriores, pois apresentam dados minuciosos sobre situações singulares. Neste sentido, a tônica descritiva foi benéfica, pois forneceu informações fidedignas. E, finalmente, o pensamento tradicional da Geografia elaborou alguns conceitos (como território, ambiente, região, habitat, área etc.) que merecem ser rediscutidos. 35 1. (CESPE - 2010 - Instituto Rio Branco) Os primeiros anos da modernidade são marcados pela produção de uma enorme quantidade de dados e de informações dificilmente tratáveis de maneira sistemática pela ciência da época. A ausência de segmentação no seio da ciência impossibilitava a análise de certos temas particulares nascidos desses dados. Assim, a partir do início do século XIX, os domínios disciplinares específicos organizaram-se definindo seu objeto próprio em torno dessas questões. Paulo César da Costa Gomes. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007, p. 149 (com adaptações). A partir do texto acima, assinale a opção correta acerca da história do pensamento geográfico e da institucionalização da Geografia como ciência. a) A institucionalização da Geografia como disciplina acadêmica originou-se na França, com os estudos regionais empreendidos pelos herdeiros do Iluminismo do século XVIII, como Vidal de La Blache. b) A Geografia firmou-se como domínio disciplinar específico na Antiguidade, com obras de geógrafos como Estrabão e Ptolomeu, que delimitaram o objeto de estudo próprio da nova disciplina que surgia: o espaço terrestre. c) Grande parte dos historiadores da geografia atribui a Alexander von Humboldt a responsabilidade pelo estabelecimento das novas regras do Pensamento Geográfico Moderno, visto que ele rompeu com o enciclopedismo francês e abandonou as narrativas de viagens e as cosmografias. d) A Geografia Moderna tornou-se científica com a ascensão do possibilismo, cujos ideais, já em meados do século XIX, superaram as ideias deterministas e naturalistas em voga no início do século. e) A Geografia científica, que surgiu a partir do século XIX, com as obras de Alexander von Humboldt e Carl Ritter, foi influenciada pelo saber geográfico anteriormente produzido e pelo sistema filosófico de Emmanuel Kant, que considerava a Geografia uma ciência ao mesmo tempo geral/sistemática e empírica/regional. 2. (IDECAN - 2015 - Colégio Pedro II/ Adaptada) “Rompendo com a ordem medieval, a Renascença deu duas principais direções à geografia. Primeiramente, ela fez nascer a necessidade de um novo modelo cosmológico, a fim de substituir o sistema geocêntrico, o único então aceito pela Igreja. Em segundo lugar, a Renascença, ao adotar a Antiguidade clássica como fonte primordial de toda inspiração, também conduziu a geografia a tirar seus modelos fundamentais deste período.” GOMES, Paulo César da Costa. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007, p. 127. Sobre as características da Geografia Clássica, base da Geografia Escolar no século XIX, é correto afirmar que: a) segue os modelos de Estrabão e Ptolomeu, ou seja, a Geografia Descritiva e Matemática, respectivamente. b) se baseia numa visão cosmológica e regional ao mesmo tempo, como fruto dos projetoscientíficos de Humboldt e Ritter. FIXANDO O CONTEÚDOFIXANDO O CONTEÚDO 36 c) se orienta pelo modelo racionalista ou da ciência positiva empreendido no determinismo ratzeliano. d) se inspira no modelo vidaliano de análise equilibrada entre Geografia Geral e Geografia Regional. e) Todas as correntes da geografia tradicional têm como base metodológica e filosófica o Neopositivismo. 3. (CESPE - 2010 - Instituto Rio Branco) Os primeiros anos da modernidade são marcados pela produção de uma enorme quantidade de dados e de informações dificilmente tratáveis de maneira sistemática pela ciência da época. A ausência de segmentação no seio da ciência impossibilitava a análise de certos temas particulares nascidos desses dados. Assim, a partir do início do século XIX, os domínios disciplinares específicos organizaram-se definindo seu objeto próprio em torno dessas questões. GOMES, Paulo César da Costa. Geografia e modernidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007, p. 127. A partir do texto acima, assinale a opção correta acerca da História do Pensamento Geográfico e da institucionalização da Geografia como ciência. a) A institucionalização da Geografia como disciplina acadêmica originou-se na França, com os estudos regionais empreendidos pelos herdeiros do Iluminismo do século XVIII, como Vidal de La Blache. b) A Geografia firmou-se como domínio disciplinar específico na Antiguidade, com obras de geógrafos como Estrabão e Ptolomeu, que delimitaram o objeto de estudo próprio da nova disciplina que surgia: o espaço terrestre. c) Grande parte dos historiadores da geografia atribui a Alexander von Humboldt a responsabilidade pelo estabelecimento das novas regras do pensamento geográfico moderno, visto que ele rompeu com o enciclopedismo francês e abandonou as narrativas de viagens e as cosmografias. d) A Geografia Moderna tornou-se científica com a ascensão do possibilismo, cujos ideais, já em meados do século XIX, superaram as ideias deterministas e naturalistas em voga no início do século. e) A Geografia Científica, que surgiu a partir do século XIX, com as obras de Alexander von Humboldt e Carl Ritter, foi influenciada pelo saber geográfico anteriormente produzido e pelo sistema filosófico de Emmanuel Kant, que considerava a geografia uma ciência ao mesmo tempo geral/sistemática e empírica/regional. 4. (UFMT - 2015 - IF-MT) No que diz respeito à relação entre as Escolas Geográficas nascidas no âmbito da Evolução do Pensamento Geográfico e a legitimação de interesses de determinados Estados-Nações, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) O Determinismo Geográfico serviu para legitimar a política expansionista bismarckiana, na Alemanha, baseado na supremacia do meio sobre o homem. ( ) O Possibilismo Geográfico serviu para legitimar a política colonialista francesa na África e na Ásia, baseado na supremacia do homem sobre o meio. ( ) A Geografia Quantitativa nasceu nos EUA, serviu para legitimar a política de que o desenvolvimento e o subdesenvolvimento no mundo estão intimamente relacionados à adoção de políticas de planejamento. 37 ( ) A Geografia Neopositivista nasceu na antiga URSS, baseada em críticas aos postulados utilizados pela Nova Geografia inserida no mundo técnico e no enfrentamento à exploração das camadas populares menos favorecidas da sociedade. ( ) A Geografia Crítica nasceu na França, com a obra de Paul Claval denominada “A Geografia Serve Antes de Mais Nada Para Fazer a Guerra”, baseada nos pressupostos da justiça social e na essência das lutas entre as classes sociais. Assinale a sequência correta. a) V, V, F, F, F. b) F, F, V, F, V. c) F, F, V, V, V. d) V, V, V, F, F. e) F, V, V, V, V. 5. (UECE/ Adaptada) Identifique a opção em que esteja definido o caráter ideológico da Geografia, desde o início da expansão territorial ao capitalismo: a) Defensora intransigente de um mundo mais justo onde o espaço seria organizado para felicidade das comunidades autóctones. b) Focalizava o papel das classes sociais na organização do espaço. c) Sempre adotou uma atitude dinâmica, buscando verificar o papel funcional das áreas do contexto em prol da igualdade social. d) Serve de esteio científico para expansão do capitalismo, oferecendo-lhe maior conhecimento dos espaços a das sociedades de muitas colônias. e) A Geografia era utilizada como forma de promover a igualdade social. 6. (IF-RS - 2015 - IF-RS) Na História do Pensamento Geográfico, surgiu o nome de grandes personalidades oriundas da Escola Alemã e Francesa, que contribuíram para que a Geografia evoluísse e se fortalecesse como Ciência. No livro “O que é Geografia?", de Ruy Moreira (2009), essa trajetória é apresentada. Relacione abaixo os geógrafos com as suas características ou particularidades relatadas nesta obra: 1. Elisée Reclus. 2. Friedrich Ratzel. 3. Yves Lacoste. 4. Paul Vidal de La Blache. 5. Pierre George. ( ) Determinismo Geográfico. ( ) Nova referência para a Geografia, levando em consideração os sistemas econômico- sociais. ( ) Homem como natureza, consciente de si mesma. ( ) Possibilismo e visão acadêmica. ( ) Escreveu o livro: “Geografia do Subdesenvolvimento” em 1965. A correlação CORRETA, de cima para baixo é: a) 4 – 3 – 5 – 2 – 1. b) 2 – 5 – 1 – 4 – 3. 38 c) 3 – 4 – 2 – 1 – 5. d) 5 – 1 – 4 – 3 – 2. e) 1 – 2 – 3 – 5 – 4. 7. (UECE 94.1) Marque a opção verdadeira: a) O determinismo defende que o homem modifica o meio. b) Possibilismo defende que o homem é produto do meio. c) A Nova Geografia defende que o subdesenvolvimento é um estágio para se chegar ao desenvolvimento. d) A Nova Geografia defende que o desenvolvimento é um estágio para se chegar ao subdesenvolvimento. e) A Geografia Crítica apoia-se em dados estatísticos e planos para explicar a espacialidade social. 8. (CACD 2016/ Adaptada) No início do século XIX, o conjunto de pressupostos históricos de sistematização da geografia já havia ocorrido: a Terra já estava toda reconhecida; a Europa articulava um espaço de relações econômicas mundial; havia informações dos lugares mais variados da superfície terrestre, bem como representações do globo, devido ao uso cada vez maior de mapas. Antônio Carlos Robert Moraes. Apud: Auro de Jesus Rodrigues. Geografia: introdução à Ciência Geográfica. São Paulo: Editora Avercamp, 2008 (com adaptações). O neocolonialismo teve forte influência no desenvolvimento do Pensamento Geográfico europeu durante o século XIX e o início do século XX. A Geografia, enquanto Ciência a serviço dos Estados nacionais, foi instrumento de poder europeu sob vastas extensões territoriais na África, na América, na Ásia e na Oceania. A respeito desse assunto, julgue (V ou F) os itens que se seguem, tendo como referência o texto apresentado. ( ) Os estudos da Geografia na França, com uma formação filosófica e social mais humanista, voltavam-se, no período citado, para os estudos das diferenças entre as várias regiões do país e do mundo, com apontamentos das causas do subdesenvolvimento das colônias e da riqueza das metrópoles. ( ) O levantamento e a descrição de informações nos trabalhos geográficos do século XIX e do início do século XX foram influenciados pela ideia de multidisciplinaridade das ciências. Assim, as informações sobre paisagens e regiões eram apresentadas, de forma detalhada, com sessões conjuntas para fatos humanos (população, economia, povoamento etc.) e fatos naturais (clima, relevo, vegetação, geologia, hidrografia, recursos naturais). ( ) Os estudos geográficos constituíram, no período citado, uma justificativa ideológica de legitimação da exploração de outros povos pelos países imperialistas, em substituição à religião, cujas explicações para tal exploração estava sendo questionadas, com a difusão do conhecimento científico. ( ) O determinismo geográfico serviu para a legitimação das políticas expansionistas dos países imperialistas europeus, notadamente