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Apostila- Contratos em geral

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para nela figurar como adquirente.
A referida cláusula é denominada pro amico eligendo” ou ’sibi aut amico vel eligendo”. Tem sido utilizada para evitar despesas com nova alienação, nos casos de bens adquiridos com o propósito de revenda, com a simples intermediação do que figura com adquirente. 
Feita validamente, a pessoa nomeada adquire os direitos e assume as obrigações do contrato com efeito retroativo.
Art. 469. A pessoa, nomeada de conformidade com os artigos antecedentes, adquire os direitos e assume as obrigações decorrentes do contrato, a partir do momento em que este foi celebrado.
Participam desse contrato o:
promitente, que assume o compromisso de reconhecer o amicus ou eligendo;
estipulante, que pactua em seu favor a cláusula de substituição;
electus, que validamente nomeado, aceita sua indicação, que é comunicada ao promitente.
Natureza jurídica
Há grande controvérsia em torno da natureza jurídica do contrato com pessoa a declarar. Dentre elas, há a que o consideram um contrato condicional, aquisição alternativa, sub-rogação, representação e gestão de negócios, em que a aceitação do terceiro atua como aprovação do contrato celebrado em seu nome.
A teoria mais coerente é a de que se trata de ‘teoria da condição’, que vislumbra nele o caráter resolutivo da aquisição do último, mediante a electio, evento cuja verificação importa, ao mesmo tempo, na aquisição do electus, que se encontra suspensa, na dependência de seu implemento. 
O contrato com pessoa a declarar é negócio jurídico bilateral, que se aperfeiçoa com o consentimento dos contraentes, que são conhecidos. Uma delas, no entanto, reserva-se a faculdade de indicar a pessoa que assumirá as obrigações e adquirirá os direitos respectivos, em nome futuro. 
Só falta, portanto, a pessoa nomeada ocupar o lugar de sujeito da relação jurídica formada entre os agentes primitivos.
Aplicações práticas
Consiste em permitir ao contratante que, por razões pessoais, não quer aparecer -- pelo menos no momento da celebração do contrato (por exemplo, um condômino que quer adquirir outras cotas da co-propriedade), sem prejuízo de revelar-se depois, uma vez realizada a operação -- valer-se de um intermediário que estipula em nome próprio, mas reservando-se declarar em favor de quem efetivamente estipulou. 
Pode recorrer ao contrato com pessoa a declarar, tanto o adquirente como o alienante.
Disciplina no Código Civil
É uma das inovações do atual Código Civil:
Art. 467. No momento da conclusão do contrato, pode uma das partes reservar-se a faculdade de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele decorrentes.
A indicação da pessoa deve ser feita, comunicando-se “à outra parte”, no prazo estipulado, ou, em sua falta, no “de cinco dias”, para o efeito de declarar se aceita a estipulação.
Art. 468. Essa indicação deve ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias da conclusão do contrato, se outro não tiver sido estipulado.
Acrescenta, o parágrafo único:
Parágrafo único. A aceitação da pessoa nomeada não será eficaz se não se revestir da mesma forma que as partes usaram para o contrato.
Nesse ponto, proclama o Art. 220:
Art. 220. A anuência ou a autorização de outrem, necessária à validade de um ato, provar-se-á do mesmo modo que este, e constará, sempre que se possa, do próprio instrumento.
O Art. 469 define o efeito retrooperante da aceitação:
Art. 469. A pessoa, nomeada de conformidade com os artigos antecedentes, adquire os direitos e assume as obrigações decorrentes do contrato, a partir do momento em que este foi celebrado.
Feita validamente a nomeação e manifesta a aceitação, a pessoa nomeada adquire os direitos e assume as obrigações do contrato como se estivesse presente como parte contratante desde a data de sua celebração, independentemente de qualquer entendimento prévio entre ela e o estipulante.
Se o nomeado não aceita a indicação, ou esta não é feita no prazo assinado, nem por isso perde o contrato sua eficácia. Continua válido entre os contraentes originários. 
Sucede o mesmo se a pessoa nomeada era insolvente e a outra parte desconhecia esse fato.
Art. 470. O contrato será eficaz somente entre os contratantes originários:
I - se não houver indicação de pessoa, ou se o nomeado se recusar a aceitá-la;
II - se a pessoa nomeada era insolvente, e a outra pessoa o desconhecia no momento da indicação.
DA EXTINÇÃO DO CONTRATO
Do modo normal de extinção
Os contratos, como os negócios jurídicos em geral, têm um ciclo vital: nascem do acordo de vontades, produzem os efeitos que lhe são próprios e extinguem-se. 
Não há contrato eterno. O vínculo contratual é, por natureza, passageiro e deve desaparecer, naturalmente, tão logo o devedor cumpra a prestação prometida ao credor.
A extinção dá-se, em regra, pela execução, seja instantânea, diferida ou continuada. O cumprimento da prestação libera o devedor e satisfaz o credor. Este é o meio normal de extinção do contrato.
Comprova-se o pagamento pela quitação fornecida pelo credor:
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante.
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.
Extinção do contrato sem cumprimento
Algumas vezes o contrato se extingue sem ter alcançado o seu fim, sem que as obrigações tenham sido cumpridas. 
Várias causas acarretam essa extinção anormal. Algumas são anteriores ou contemporâneas à formação do contrato; outras, supervenientes.
13.2.1. Causa anteriores ou contemporâneas à formação do contrato
As causas anteriores ou contemporâneas à formação do contrato são:
defeitos decorrentes do não-preenchimento de seus requisitos subjetivos (capacidade das partes e livre consentimento), objetivos (objeto lícito, possível, determinado ou determinável) e formais (forma prescrita em lei), que afetam a sua validade, acarretando a nulidade absoluta ou relativa (anulabilidade);
implemento de cláusula resolutiva, expressa ou tácita;
exercício do direito de arrependimento convencionado.
Nulidade absoluta e relativa
A nulidade absoluta decorre de ausência de elemento essencial do ato, com transgressão a preceito de ordem pública, impedindo que o contrato produza efeitos desde a sua formação (ex tunc).
Tratando-se de vício originário, verificado na fase genética da obrigação, e sendo o caso de ineficácia em sentido amplo (ato nulo é ineficaz), o pronunciamento da nulidade pode ser requerido em juízo a qualquer tempo, por qualquer interessado, podendo ser declarada de ofício pelo juiz ou por promoção do Ministério Público.
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes.
Se a hipótese for de nulidade parcial, só quanto a ela poderá ser exercido o direito. Quando cabível a conversão, a procedência do pedido extintivo de nulidade será apenas