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RESUMO P1 - HIDROLOGIA INTRODUÇÃO A HIDROLOGIA Ciência interdisciplinar que estuda a água na Terra, sua: ● Ocorrência, circulação e distribuição; ● Propriedades físicas, químicas e biológicas; ● Relação com o meio ambiente e seres humanos O surgimento da hidrologia veio da necessidade de medidas de abastecimento de água e drenagem urbana Principais aplicações Engenharia Hidrológica: ● Planejamento e gestão de recursos hídricos; ● Avaliação de impactos do uso e ocupação do solo; ● Análise do comportamento dos processos hidrológicos. Hidrologia Aplicada: ● Projetos: abastecimento de água, irrigação, energia, drenagem urbana, navegação. ● Áreas: planejamento rural, uso do solo, preservação ambiental, qualidade da água, energia, navegação… ● Atua na resolução de problemas Medida de pluviosidade: 1𝑚𝑚 = 1𝐿/𝑚2 Histórico da Hidrologia Antiguidade ● Civilizações antigas construíram sistemas de irrigação. Séculos XIX e XX ● Hidrologia se separa da hidráulica. ● Desenvolvimento de métodos e instrumentos de coleta de dados. Atualidade ● Mudanças climáticas; ● Sustentabilidade; ● Gerenciamento integrado de bacias hidrográficas. USO DA ÁGUA Importância → Essencial para a vida, saúde, economia e ambiente. ● Acesso desigual e qualidade precária ainda são problemas globais. Classificação dos Usos Consuntivos → não retornam à fonte → Redução da disponibilidade quantitativa, espacial e temporal: ● abastecimento, irrigação, indústria, etc. Não-consuntivos → retornam à fonte → pode haver alteração temporária no padrão de disponibilidade ● geração de energia, navegação e lazer. Situação no Brasil ● 82,5% têm acesso à água tratada; ● 35 milhões de pessoas ainda sem acesso; ● Mortalidade infantil associada à falta de saneamento. Vazão de retirada → Quantidade captada no corpo hídrico Vazão de consumo → Quantidade que não retorna Vazão de retorno → Fração da retirada que retorna ao corpo hídrico CICLO HIDROLÓGICO Componentes: ● Condensação → Precipitação → Infiltração → Escoamento → Evaporação/Transpiração. ● Envolve processos físicos e geográficos (gravidade, vento, relevo, temperatura). ● O relevo define o caminho da água → formação de bacias hidrográficas. Fatores que promovem o ciclo: ● Gravidade; ● Energia solar; ● Ventos; ● Relevo; ● Variações de temperatura. ⚠ Novo Ciclo Hidrológico (USGS) → Impactos das ações humanas: ● Barragens, poluição, drenagem de áreas úmidas, redirecionamento de rios. ● Mudanças climáticas:Alteram padrões de precipitação, eventos extremos, acidificação dos oceanos. PROPRIEDADES DA ÁGUA Polaridade e Pontes de Hidrogênio → Responsáveis pela coesão e temperatura de ebulição elevada. Dissolução → Excelente solvente para substâncias polares/iónicas. Tensão Superficial → Cria um "filme" na superfície da água, habitat de microrganismos (Neuston). Densidade → Máxima a 4ºC. Gelo é menos denso que água líquida. Calor Específico e Viscosidade → Alta capacidade térmica (regula temperatura); resistência ao fluxo. Salinidade → Quantidade de sais dissolvidos. BACIA HIDROGRÁFICA Definição → Área de captação natural da água da chuva que converge para um único ponto de saída: o exutório. Componentes: ● Rio ● Exutório ● Relevo Divisores de água: ● Topográfico → linhas imaginárias sobre o relevo que divide o escoamento da água da chuva ● Subterrâneo → Pacotes de rocha que dividem o fluxo de água Delimitação: ● Traçar os divisores de águas. ● Métodos: manual ou automático (SIG). Equação Fundamental da Hidrologia 𝐼 − 𝑂 = ∆𝑆 ∆𝑡 ● I: Entradas (precipitação, escoamento, infiltração). ● O: Saídas (evaporação, transpiração, escoamentos, infiltração). ● ΔS: Variação no armazenamento (solo, lençol freático). Características da Bacia Hidrográfica Físico-Naturais → Clima, solo, rochas, vegetação. Morfométricas → Área, comprimento, declividade, forma, densidade de drenagem, ordem dos cursos d’água, tempo de concentração. Tipos de Cursos d’Água Tipo Característica Hidrológica Qt = Vazão Total Perene Calha sempre abaixo do lençol freático (LF) 𝑄𝑡 = 𝑄𝑠𝑢𝑝 + 𝑄𝑠𝑢𝑏 Intermite nte Calha oscila ao longo do ano em relação ao lençol SECA → Calha acima do lençol ÚMIDO → Calha abaixo do lençol Depende do período SECA 𝑄𝑡 = 𝑄𝑠𝑢𝑝 ÚMIDO 𝑄𝑡 = 𝑄𝑠𝑢𝑝 + 𝑄𝑠𝑢𝑏 Efêmero Calha sempre acima do LF 𝑄𝑡 = 𝑄𝑠𝑢𝑝 Qsup → Vazão de superfície (escoamento superficial) Qsub → Vazão subterrânea (Lençol Freático) Efêmero → Alimentado apenas pelo escoamento superficial Principais Indicadores da Bacia Área → volume potencial de captação. ● Região de captação da água da chuva Amplitude altimétrica → variação de altitude → energia potencial. ● Diferença entre o ponto mais alto e o mais baixo Comprimento da drenagem principal → Caminho mais longo que a água pode percorrer na bacia ● Soma dos trechos dos rios Declividade → influencia a velocidade do escoamento. ● Declividade do curso d’água principal 𝑆 = (𝑧 100 −𝑧 0 ) 𝐿 → Altitude do ponto inicial de drenagem 𝑧 100 → Altitude do exutório 𝑧 0 L → Comprimento da drenagem principal Forma da bacia → influencia a resposta à chuva (rápida ou lenta). ● Alongado → Resposta mais lenta → menor velocidade Coeficiente de forma (I-Pai-Wu) e compacidade (Gravelius) → quantificam a forma. ● Razões entre o comprimento da bacia (L) e de um círculo com a mesma área (L’) 𝐹 = 𝐿 𝐿' ● Coeficiente de compacidade = Índice de Gravelius → Relação entre o perímetro da bacia e o perímetro de um círculo de área igual a bacia. Densidade de drenagem (Dd) → total de rios por km² ● Razão entre o comprimento total dos cursos d’água e a área da bacia. 𝐷𝑑 = ∑𝐿 𝐴 𝐷 Dd → Densidade da drenagem ( ) 𝑘𝑚−1 L → km AD → área de drenagem da bacia ( ) 𝑘𝑚2 ● A distância média do divisor de águas até o curso d'água é uma estimativa da média que a água percorre desde os pontos mais altos da bacia (divisores de água) até os cursos d’água principais. 𝑋 𝑑 = 1 2 · 𝐷 𝑑 Xd → distância média do divisor de águas até a rede de drenagem ( ) 𝑘𝑚 Dd → densidade da drenagem ( ) 𝑘𝑚−1 Ordem dos cursos d’água → hierarquia dos canais (Strahler). ● Forma de classificar os rios dentro de uma bacia hidrográfica, de acordo com sua posição na rede de drenagem. Regras básicas: ● Nascente (rio sem afluentes): é de ordem 1. ● Quando dois rios da mesma ordem se unem, o rio resultante passa a ter ordem aumentadaem 1. ○ Ex: 1 + 1 → ordem 2 2 + 2 → ordem 3 ● Quando rios de ordens diferentes se encontram, prevalece a maior ordem. ○ Ex: 2 + 1 → ordem 2 Tempo de concentração (tc) → Tempo de viagem até a gota de chuva atingir o exutório. ● Maior em bacias grandes; menor em bacias pequenas ● Menor em bacias montanhosas; maior em bacias planas → Medida por traçadores radioativos ou equações empíricas ● Equação de Kirpich: 𝑡𝑐 = 57 · ( 𝐿3 ∆ℎ )0,385 → tempo de concentração (min) 𝑡𝑐 L → comprimento do curso d’água principal (km) → diferença de altitude no curso principal (m) ∆ℎ Restrições: Uso restrito a bacias pequenas ● Equação do corpo de engenheiros do exército dos EUA 𝑡𝑐 = 11, 46 · 𝐿0,76 𝑆0,19 → tempo de concentração (min) 𝑡𝑐 L → comprimento do curso d’água principal (km) S → declividade do curso d’água ● Equação de Watt e Chow 𝑡𝑐 = 7, 68 · 𝐿 𝑆0,5( )0,79 ● Equação de Carter 𝑡𝑐 = 5, 96 · 𝐿0,6 𝑆0,3 ● Equação de Dodge 𝑡𝑐 = 21, 88 · 𝐴0,41 𝑆0,17 A→ Área da bacia ( ) 𝑘𝑚2 ● Método cinemático 𝑡𝑐 = 𝑖=1 𝑁 ∑ 1000·𝐿 𝑖 60·𝑣𝑖( ) e são o comprimento do subtrecho (km) e a 𝐿 𝑖 𝑣 𝑖 velocidade de escoamentonele( 𝑚 · 𝑠−1) respectivamente INFILTRAÇÃO Infiltração → Entrada da água da superfície para o solo. Fatores que Influenciam a Infiltração ● Propriedades físicas do solo (textura, estrutura, porosidade, condutividade). ● Umidade antecedente, relevo, cobertura vegetal. Solo → material mineral/orgânico que serve como meio natural para crescimento de plantas ● Importância: vegetação, recarga de aquíferos, redução de escoamento superficial e erosão. ● Volume total ocupado pelo solo: → Volume total do solo ( 𝑉 𝑇 𝑚3) → Volume de sólidos ( ) 𝑉 𝑠 𝑚3 → Volume dos poros ( 𝑉 𝑃 𝑚3) ● Porosidade do solo → Porosidade (adimensional) α → Volume dos poros ( 𝑉 𝑃 𝑚3) → Volume total do solo ( 𝑉 𝑇 𝑚3) ● Grau de umidade → Volume de água ( 𝑉 𝐴 𝑚3) → Volume total do solo ( 𝑉 𝑇 𝑚3) → Conteúdo de água do solo (adimensional ) Θ 📌 Quando = , o solo é denominado saturado Θ α Potencial de Água no Solo Componentes: ● Potencial Gravitacional (ϕg): sempre presente, varia com relação a altura. ● Potencial de Pressão (ϕp): Trabalho realizado contra a pressão atmosférica ● Potencial Osmótico (ϕos): devido à presença de solutos. ● Potencial Matricial: (ϕm): forças de retenção da água pelo solo (adsorção e capilaridade). Capacidade de Campo (CC): Teor de água retido no solo após drenagem gravitacional. ϕm = - 0,06 MPa ou – 0,08 MPa Conteúdo volumétrico de água no solo: Fração de volume de poros cheios de água em um solo Ponto de Murcha Permanente (PMP): Tensão da água no solo torna-se tão escassa que a água não pode ser mais utilizada pelas raízes das plantas ● CAD (Capacidade de Água Disponível) 𝐶𝐴𝐷 = 𝐶𝐶 − 𝑃𝑀𝑃 Capacidade de infiltração ( taxa de infiltração estável) → Limite máximo que o solo consegue absorver água em uma determinada condição (mm/h). Taxa de infiltração → Velocidade real com que a água penetra no solo por unidade de tempo (mm/h). Infiltração acumulada → Soma total da água infiltrada após um certo período (mm). Medição da Umidade ● Direta: método gravimétrico (estufa). ● Indireta: tensiômetro, TDR, FDR, sonda de nêutrons, sensores remotos (SMOS, GRACE) ○ Tensiômetro mede a tensão da água no solo (potencial mátrico), indicando o nível de umidade. → Solo seco: o tensiômetro perde água, e a coluna de mercúrio sobe → Solo úmido: entra água no tubo, e a coluna de mercúrio desce. Métodos de Medição de Infiltração ● Anéis concêntricos. ● Permeâmetro de Guelph. ● Parcelas com chuva natural. ● Simuladores de chuva. Modelos de Infiltração ● Físicos: Darcy-Buckingham, Green-Ampt, Philip. ● Empíricos: Kostiakov, Horton (usado para estimar taxa de infiltração estável). ESCOAMENTO SUBTERRÊNEO Água subterrânea: localizada na zona saturada do solo ● Aquífero: formação geológica que armazena e transmite água. Hidrogeologia: estudo da água no subsolo (ocorrência, qualidade, poluição). Propriedades Hidrogeológicas ● Porosidade (η): razão entre volume de vazios e volume total ○ Varia de acordo com a formação rochosa Lei de Darcy 𝑉 = 𝐾 · 𝑑ℎ 𝑑𝑥 V → velocidade da água através do meio poroso K → condutividade hidráulica saturada dh → variação de Carga Piezométrica dx → variação de comprimento na direção do fluxo dh/dx → perda de carga Tipos de Aquíferos ● Freáticos (não-confinados): contato direto com a superfície. ● Confinados (artesianos): entre camadas impermeáveis (sob pressão maior que a atmosférica) ● Aquifugo: Materiais impermeáveis com baixíssimo grau de porosidade ● Aquiclude: Permite o armazenamento mas não transmite. ● Aquitardo: Rochas que permitem a circulação de forma muito lenta. Escoamento Subterrâneo ● Movimento lento (V=1 m/dia). ● Fluxo laminar. ● Tempo de residência alto (~280 anos). ● Recarga anual pequena. ○ Reservar grandes, confiáveis e naturalmente protegidas contra a poluição ○ Despoluição lenta e caríssima. Interação Aquífero x Rio ● Intercâmbio de fluxo entre águas superficiais e subterrâneas. Contaminação e Problemas ● Fontes: aterros, pesticidas, fossas, resíduos industriais. ● Superexploração pode causar: ○ Redução de vazão. ○ Adensamento do solo (subsistência). ○ Deterioração da qualidade da água. RESUMO P1 - HIDROLOGIA